Tema escolhido por Fernando Bueno
Edição de Fernando Bueno
Com Alisson Caetano, Davi Pascale, Diego Camargo, Diogo Bizotto, Mairon Machado e Ulisses Macedo

Os splits álbuns são lançamentos que trazem músicas de dois ou mais artistas. Foram muito usados, principalmente por grupos iniciantes, que lançavam mão desse expediente por inúmeros motivos, desde os financeiros quanto o de parceria de bandas com diferentes graus de popularidade. Com o declínio do vinil no início dos anos 90 continuaram a ser lançados em CD, mas sem o mesmo encanto muito por conta das idiossincrasias do formato – não tinha mais lados diferentes para dividir as músicas e nem as capas, entre outros detalhes. A ideia para esse tema me veio depois de conhecer o álbum que acabei indicando aqui. Achei bastante inteligente a maneira que as bandas usaram o formato. O mais famoso split álbum lançado aqui no Brasil, o esforço conjunto de Sepultura e Overdose, acabou não sendo indicado por nenhum dos colaboradores. Esse álbum é um excelente exemplo de split álbum pois juntou duas bandas até bastante distintas. Na época os mais radicais acabavam riscando o lado do Overdose.  Para ficar aqui no Brasil mesmo outro split bastante interessante para quem gosta de heavy metal tradicional as bandas Flageladör e Axecuter lançaram em 2016 o split Headbangers Afterlife. Mas vamos para as indicações dos nossos colaboradores.


Thorr Axe / Archarus – The Hobbit Split (2017)
Recomendado Por Fernando Bueno

Eu encontrei esse split por conta do nome. Todo mundo sabe que sou um grande fã da obra do Tolkien e tudo que acaba aparecendo relacionada à ela eu acabo me interessando. O mais interessante desse split é que as bandas não apenas dividiram um lançamento, como é normalmente feito em discos assim, mas também dividiram a história e alternaram as músicas para se encaixar na narrativa. É o primeiro split conceitual que eu conheci e não sei se existem outros. O Thorr-Axe inicia com uma música quase acústica, “Good Morning”, bastante calma para depois despejar peso sem dó em “Dawn Take You All”. Ambas as bandas podem ser encaixadas nas prateleiras do stoner ou doom metal, mas são diferentes entre si. Enquanto o Thorr-Axe é mais agressivo e seu vocalista Tucker Thomasson canta com um forte drive, o Archarus é mais clássico, melodioso e, até mesmo, mais técnico. Suas músicas talvez sejam as melhores do disco como “Foehammer” e “Flies and Spiders”, que tem um excelente groove, apesar da voz me parecer um pouco deslocada.

Alisson: Stoner bem genérico, com os mesmos esquemas de riffs e andamentos engessados que você poderia achar na internet afora. A introdução acústica tentando remeter ao universo Tolkiano é legal, apesar de tudo.

Diogo: Para alguém não muito chegado em stoner, até que a audição não foi ruim. O principal motivo disso é que as duas bandas não forçaram a barra nas timbragens de seus instrumentos, que não soam excessivamente podrões, na ânsia de soarem mais densos e pesados. Como é norma em quase tudo que escuto ligado a esse gênero, os vocais não são o forte. Tucker Thomasson, do Thorr Axe, parece uma versão com mais testosterona de Varg Vikernes (Burzum). Ainda assim, ele soa bem melhor que o vocalista do Archarus, Drew Smith, que é comunzinho até o osso. Como esperado, os riffs são simples, sem a fluidez dos mestres do peso arrastado, como Tony Iommi, Mats Björkman (Candlemass) e Jerry Cantrell (Alice in Chains). Mesmo assim, até que dão uma boa empolgada. Há uma dose mais evidente de blues nas guitarras do Archarus, com um senso melódico mais apurado, enquanto as do Thorr Axe pendem mais para a força bruta. Com um vocal condizente, “Foehammer”, do Archarus, poderia receber bastante destaque por aí. Apesar dessa característica negativa, inclusive, gostei mais da parte correspondente ao Archarus, que revelou mais criatividade e mostrou mais intimidade com a arte de compor.

Mairon: Lançamento recente de duas bandas que criaram um álbum conceitual sobre Hobbit (Tolkien). Criei uma baita expectativa com a instrumental “Good Morning”, que abre o split, mas depois, começou o som pesado e vocais gritados que tomaram conta dessa edição do Recomenda. Ok, é legal de ouvir, mas meio que saturei de tanto peso. Parece que só bandas de metal lançam split, hehehe. Gostei mais das músicas do Archarus, me soaram melhor acabadas (“Erebor” é um baita som), e pelo menos ficou a curiosidade de conhecer as outras obras de ambos os grupos.

Davi: 2 bandas de doom metal se uniram para criarem um álbum em cima da história “O Hobbit” de J RR Tolkien. Embora ambos os grupos sejam considerados doom metal, as duas bandas possuem sonoridades bem distintas. Thorr Axe é mais arrastada e mais agressiva. Inclusive, os vocais são mais agressivos. Archarus já faz um som mais para cima. O som da banda é bem legal, os riffs são certeiros. Uma pena que o vocalista seja bem fraquinho. Com um cantor bom, esses caras iriam longe. Momentos de destaque: “Files and Spiders” e “Foehammer”, ambas do Archarus.

Diego: Stoner Rock/Metal, um gênero difícil de engolir, na minha opinião. Mas quando bem feito e em doses pequenas (como em EPs) pode ser algo bem bacana. E esse split é um bom exemplo. Músicas sólidas e uma produção até que boa para essas duas bandas do estado de Indiana nos EUA. Agora, uma coisa que não dá pra entender, e nem engolir, é esse estilo musical fazendo um trabalho conceitual sobre Tolkien. Não há absolutamente nada a ver som com texto/história.

Ulisses: Ideia bastante interessante para um split: ao invés de cada banda mostrar, em separado, seu material, o que acontece aqui em The Hobbit Split é que os dois grupos se uniram para criar um álbum conceitual sobre a jornada da saga d’O Hobbit, se intercalando durante o tracklist ao invés de cada um ter o seu lado. Com doses cavalares de stoner, doom e sludge. As composições são meio parecidas demais, longas e sem muitas variações fora os riffs que deixariam Iommi orgulhoso. Entretanto, gostaria de ver mais bandas fazendo split à essa maneira.


Deathspell Omega/S.V.E.S.T. – Veritas Diaboli manet in aeternum (2008)
Recomendado por Alisson Caetano

Em comum, ambas possuem a forma quase metafísica e filosófica de abordagem do satanismo. A abordagem sonora de ambas as bandas, entretanto, é o que deixa a apreciação do split como uma experiência além de ser a junção de duas bandas com sons parecidos. O S.V.E.S.T. faz habitual black metal gélido e de produção caótica, enquanto o caos do Deathspell Omega está na completa negação da tradição do black metal tradicional. Mesmo que seja difícil comparar qualidade quando se tem “Chaining the Katechon” de um lado, ainda é um dos splits mais interessantes da geração atual do black metal.

Fernando: Procurando sobre a banda parece que o Deathspell Omega gosta mesmo de um split. Lembro de já ter ouvido a banda em uma das outras edições do Consultoria Recomenda, e lembro-me também de já não ter gostado. Agora não foi diferente. Já o tal S.V.E.S.T. resolveu atacar na sonoridade do início do black metal lá na Noruega. Som abafado, sem nitidez e uma proposital tosqueira. Porém quando as bandas soavam assim lá no início era porque não tinham tecnologia, bons instrumentos e até mesmo faltava conhecimento para gravar o som que queria. Era toscos porque não tinham outra opção. Fazer o mesmo para tentar parecer true só os faz parecer idiotas. Um bom exemplo é a faixa que dá nome ao split com quatro minutos de perda de tempo.

Diogo: Quando vi a citação ao Deathspell Omega tive a certeza, de antemão, de que se tratava de um dos destaques desta edição, se não o maior. Não me decepcionei. A única longa música que ocupa a parte correspondente ao Deathspell Omega, “Chaining the Katechon”, tem tudo aquilo que eu ouvi de bom em outras obras do grupo francês que me foram apresentadas na Consultoria do Rock. Black metal criativo, climático, inovador, com sofisticação e capaz de prender a atenção do ouvinte mesmo em suas mais longas viagens. A faixa é uma só, mas são tantos os diferentes segmentos e tão variados em suas passagens, que ela acaba funcionando como várias. As três faixas do S.V.E.S.T. são mais primitivas e o abafamento dos instrumentos – excessivo até se comparado aos lançamentos noruegueses do início da década de 1990 – atrapalha um pouco sua percepção, mas se trata de material interessante. É uma escolha estética que eu respeito, mas, em se tratando de artistas mais recentes, prefiro a clareza do Deathspell Omega. Precisaria ouvir mais para emitir uma opinião mais definitiva.

Mairon: Caraca, o pessoal puxou metaleira de tudo que é lado nessa edição do Recomenda hein? Lembro que ouvi o Deathspell Omega numa outra edição do Recomenda e do Melhores de 2010 e não gostei daquele resultado final. O mesmo ocorre aqui. Que banda estranha. Velocidade da bateria é ridícula, e os vocais guturais são terríveis. Escapam-se alguns trechos onde há uma melodia possível de ser apreciada, que dessa feita, até aparece com mais frequência do que nos discos anteriores. Mas honestamente, os 22 minutos da única faixa da banda no split não conseguiu me atrair por completo. E o S.V.E.S.T. consegue ser ainda pior. Nessas horas me pergunto por que não criei uma banda de tosquice que nem essas aqui. Pelo menos teria um split gravado. Horroroso!!

Davi: O S.V.E.S.T é mais uma martelação com vocal vomitado. A qualidade de gravação é um pouco melhor do que a do Emperor, mas as “composições” são tão ruins quanto. Vocal é um pouco mais inteligível, mas igualmente chato. O Deathspell Omega é um pouco melhor, o arranjo é mais bem trabalhado, possui algumas passagens interessantes, mas aguentar uma música de 22 minutos desses caras é uma tarefa extremamente árdua.

Diego: Mais um split de black metal, na verdade isso nem surpreende, quando ouvi o tema da lista tinha certeza que ia ter só black metal, então estamos no lucro. Mas, se os outros splits aqui da lista foram muito interessantes, esse aqui é maçante e chato, basicamente. Tudo que eu não gosto no black metal geralmente está concentrado nesse split. Passo…

Ulisses: O lado A, com uma colossal composição do Deathspell Omega de mais de 20 minutos, já começa veloz, com constantes mudanças de andamento, riffs de guitarra dissonantes que ocasionalmente deixam escapar passagens melódicas, e uma bateria ocupadíssima. Uma montanha-russa brutal. O S.V.E.S.T., por sua vez, investe numa produção mais podrona (no bom sentido, para o black metal), com aquela pegada sonora mais tradicional do gênero. As duas bandas são francesas, mas fazem um som bem diferente dentro do mesmo estilo musical. Split interessante para quem é fã da cena; para quem não curte black metal, a apreciação é limitada.


Emperor – Emperor / Enslaved – Hordanes Land (1993)
Recomendado por Diogo Bizotto

Emperor e Enslaved são, desde seus primórdios, duas das mais desconcertantes bandas de black metal que a Noruega produziu. Por mais que o Enslaved, em especial, tenha passado por profundas transformações ao longo dos anos, seu caráter desafiador aparecia com destaque desde então, neste caso na forma de três longas faixas que mostram um grupo que, apesar de jovem (o guitarrista e tecladista Ivar Bjørnson tinha meros 15 anos), já tinha uma boa noção de como criar boas canções que fugissem do óbvio que o estilo vinha construindo. Há espaço para uma faixa variada e ambiciosa, caso de “Slaget i skogen bortenfor”, assim como para algo mais musculoso, vide “Allfǫðr Oðinn”. “Balfár”, por sua vez, é diferente de qualquer coisa que se ouvia na época em termos de black metal. Reouvir essas músicas inclusive me deu vontade de passar um tempo prestando atenção nos primeiros álbuns da banda. O Emperor, por sua vez, entrega de cara algumas das músicas mais marcantes de sua carreira, duas delas que inclusive apareceriam em seu excelente álbum de estreia, lançado menos de um ano depois. Em uma época na qual isso ainda era novidade, o grupo de Ihsahn e Samoth já investia em uma vertente mais sinfônica do black metal, inserindo teclados que mais tarde seriam trabalhados com maior eficiência, mas que já dão um tempero especial a canções que não primam apenas pela rispidez, mas pela construção de atmosferas envolventes, melodias estranhamente agradáveis e muita dinâmica, para não deixar nenhum ouvinte cansado. Para o estilo, o som de guitarra é muito bom, decorando riffs bem sacados. Gosto bastante das quatro músicas, mas hoje em dia tenho especial simpatia por “Cosmic Keys to My Creation & Times”. Particularmente, gosto um pouco mais da parte que cabe ao Emperor, mas, no geral, trata-se não apenas de um grande split sob um ponto de vista histórico, mas também sob um viés artístico.

Fernando: Até hoje não esqueço da zueira que o João Gordo fazia com o Emperor na MTV. Toda vez que falava de metal extremo ele vinha com o nome da banda falando com a voz típica do black metal, mãozinha de fogo e queixo pronunciado. A impressão é que deixaram uma TV fora do ar de fundo na gravação. Já o Enslaved começa como se alguém estivesse testando os efeitos de um teclado caseiro e em seguida uma desgraceira abafada e com som ruim demais de novo. Pelo menos ambas as bandas mantiveram a qualidade no split.

Alisson: A trajetória inicial de ambos os grupos tinha particularidades em comum, do uso bem dosado dos teclados a uma abordagem mais esmerada do black metal, folk no caso do Enslaved, e sinfônico no caso do Emperor. Não é um momento de destaque de nenhuma das duas, mas permanece como um registro bem particular de black metal já para a época.

Mairon: União dos dois EPs das bandas norueguesas Emperor e Enslaved, e que é de difícil audição para mim. O instrumental do Emperor até que é interessante, tem até umas cordas inseridas, mas o estilo de cantar do vocalista é tenebroso. Pior ainda é a produção, que abafou as guitarras e o baixo o que deu. O Enslaved consegue ser ainda pior. Para ser honesto, não deu para perceber que tinha mudado de banda, mas achei estranho que uma música não terminava mais, daí fui ver, e havia trocado o grupo que eu estava ouvindo. Prestei mais atenção e percebi que o instrumental do Enslaved não é tão bom quanto o do Emperor, e o vocalista é ainda mais tinhoso. Tirando a primeira e a última parte de “Balfǫr / Andi Fara / Epilog”, que aliás, são praticamente iguais, foi uma tortura ouvir isso, meu Deus.

Davi: Aquelas típicas bandas que fazem um som pesado que ninguém entende nada. Não se entende o que os caras tocam. Não se entende o que os caras grunhem (chamar isso de cantor é uma ofensa aos cantores). A produção é ruim. Som extremamente abafado, voz muito acima dos instrumentos, bateria estridente, música sem melodia, teclados fora de propósito. Como não sabem compor, não sabem tocar, não sabem cantar e não possuem grana para uma produção decente, se pintam com uma maquiagem que parece de um cachorro (ataca aí no google as palavras “cachorro de pelúcia Jellycat”, ataca em imagens e repare no modelo branco malhado em preto. É muito parecido ao visual dessas bandas), fazem umas fotos posando de malvadão e fazem todo mundo acreditar que ser tosco é roots. Uma enorme tortura. Nenhum momento de destaque.

Diego: Meu conhecimento de black metal é mínimo, mas sempre que ouvi os chamados clássicos do estilo fiquei decepcionado, como eu já comentei algumas vezes por aqui na Consultoria. Tinha tudo pra ser o mesmo com esse split. Mas… não é o caso aqui. O Emperor realmente apresenta um EP de altíssima qualidade. A produção é suja, como o black metal pede, mas não é mal feita, todos os instrumentos estão em seu lugar. E me surpreendeu o uso dos teclados nesse play. Recomendado! O Enslaved em sua formação em nada lembra a banda nos dias de hoje. Mais uma vez os teclados são o destaque, mas o ataque brutal misturado às progressividades que a banda já tinha desde o começo dão um tom épico ao EP. Muito além do que eu esperava. Recomendado o EP, também.

Ulisses: Ambas as bandas ainda estavam no início de suas trajetórias, mas ao que parece já mostravam grande serviço, a julgar pela qualidade das composições presentes neste split. O Emperor traz fortes elementos de thrash e speed metal ao seu estilo black metal da segunda onda, fundindo-os com vocais carniçais e toques sinfônicos que aprimoram a atmosfera primitiva. “Night of the Graveless Souls” é impressionante; para mim, a melhor faixa do lado A. Já o Enslaved trabalha composições bem mais longas, com inserções orquestrais constantes e alguns coros, trazendo mais diversidade ao assalto sonoro ininterrupto que mais parece uma serra-elétrica. O lado do Enslaved pende um pouco mais para a repetição, mas não a ponto de ser ruim. Embora eu costume passar longe de black metal, devo dizer que até achei esse split legal.


Cólera / Ratos de Porão – Ao vivo na Lira Paulistana (1985)
Recomendado por Mairon Machado

A união de dois gigantes do punk nacional, ainda nos primórdios de suas vidas. Gravação tosca, produção crua, mas extremamente fundamental para a história do punk brasileiro. As canções do Cólera já mostravam suas letras manifesto que iriam ser o guia do grupo a partir de 1986, com seu terceiro álbum, Pela Paz em Todo Mundo. Destaque especial para as ótimas “Funcionários”, “Quanto Vale a Liberdade?” e o protesto que parece que foi gravado hoje de “Duas Ogivas”. O som do Ratos é ainda mais cru, mais mal gravado, e tão sacolejante quanto. É um Ratos bem diferente daquilo que se ouve em álbuns como Brasil ou Anarkhophobia, genuinamente paulistano e original, ou seja, nas palavras atuais, punk raiz. Jão gastando a garganta em “Anos 80”,  “Agressão/Repressão”  e a clássica “Crucificados Pelo Sistema”. Ainda, é um dos primeiros splits de punk rock lançados na América Latina. Precisa mais para recomendar esse álbum? Saia chutando cadeiras e almofadas pela casa, segure o pescoço e reviva os melhores momentos do punk brasileiro.

Fernando: Lançamento clássico aqui do Brasil. Por ser gravado ao vivo e no início de tudo é clara a falta de intimidade de todo mundo com a sua função: quem gravou provavelmente não sabia o que fazer na mesa e os músicos também não sabiam muito bem o que fazer com cada um dos instrumentos. Mesmo assim, um disco gravado com tanta precariedade ainda consegue ser melhor que os discos de black metal da lista. O Cólera faria sucesso atualmente em um eventual showmício do PSTU. A parte do Ratos de Porão é interessante por conta da performance do então vocal Jão que ainda estava criando o estilo da banda. O registro como um todo vale mais por razões históricas do que por qualquer resquício de boa música.

Alisson: Ambas as bandas ainda no início de suas trajetórias, e ambas ainda longe de achar o som mais aprimorado de suas carreiras. Independente do amadorismo na execução (reclamar da qualidade do som é besteira, pra um disco independente de punk, o som está maravilhoso), a atitude do som e a importância histórica para o punk nacional elevam o valor do registro.

Diogo: Do mesmo modo que o cara acaba sendo um pouco condescendente com certas tosqueiras dos primórdios do heavy metal brasileiro, acho que cabe neste caso um pouco de justiça e ter alguma condescendência com um álbum como este, dos primórdios do punk nacional. Musicalmente, o Cólera é bem fraquinho, repetitivo e nem chega a compensar com garra e energia. As letras então, nem se fala. Além de serem infantis, mal conectam-se com o instrumental. Acho que não tem como ser muito condescendente com isso aí. Sem Gordo no vocal, o Ratos de Porão perde muito daquilo que o torna especial, mas Jão ainda consegue dar um banho em Redson, do Cólera. O cara se esgoela feito doido em seu paulistanês típico e soa bem mais agressivo em suas vociferações e pequenos discursos entre as faixas. A qualidade da gravação parece ainda pior que a do Cólera (certas horas ouve-se apenas bateria e vocal), mas com isso eu posso ser condescendente, pois o Ratos mostra-se mais enérgico e original em seu hardcore toscão. Gostar de verdade eu não gostei, mas o Ratos ao menos é audível. Do Cólera eu prefiro passar bem longe.

Davi: Disco histórico da cena punk brasileira. Infelizmente, é um disco histórico que não traz muita qualidade musical. Cólera é uma banda importantíssima no cenário brasileiro, mas ao vivo era bem fraca. Ratos de Porão é uma banda que eu curto, considero-os até lendária, mas essa fase inicial era justamente isso, o início. A banda ainda estava em fase de desenvolvimento e o trabalho vocal do Jão não me agrada muito. Gosto muito mais do João Gordo. Temos aqui as bandas tocando com bastante energia, letras ásperas, arranjos velozes com poucos acordes, só que tudo excessivamente tosco. Vale por seu conteúdo histórico.

Diego: Definitivamente um marco para o Punk Brasileiro, mas é só isso mesmo. Qualidade lastimável, musicalidade amadora e depois de ouvir uma vez não se precisa ouvir de novo, nunca mais.

Ulisses: Um retrato do punk nacional. Faixas uma atrás da outra, sem descanso. Só conhecia o Ratos, mas também achei o Cólera legal. Ouvir o split numa tacada só (41 minutos) é cansativo, mas isto já era esperado, pois só curto punk em doses pequenas.


Kyuss / Queen of Stone Age (1997)
Recomendado por Davi Pascale

Lançado originalmente em 1997, esse EP apresenta as duas facetas de Josh Homme. Kyuss apostava numa pegada mais de stoner rock. Há quem os considere os pais do movimento, inclusive. Como todas as bandas do gênero, temos um som cadenciado, pesado e retrô com influencias de blues, heavy metal e muita psicodelia. Assim como acontece com 99,99% das bandas da cena, a influência de Black Sabbath é gritante. E eles não fazem questão nenhuma de esconder isso. Tanto que eles abrem o disco com uma competente versão de “Into The Void”.  O restante do lado A é completado com canções autorais. Para ser mais preciso, as duas partes de “Fatso Forgotso”. A parte 1 é a mais bacana e a melhor faixa do Kyuss nesse disco. Para quem curte o som do Queens Of The Stone Age, esse EP ganha atualmente, um aspecto histórico. Afinal, esse foi o primeiro lançamento oficial dos rapazes. Em comparação ao Kyuss, o Queens Of The Stone Age sempre trouxe uma pegada mais experimental, o que é perceptível com clareza na ótima “Born to Hula” e, principalmente, na instrumental “Spiders and Vinegaroons”. A excelente “If Only Everything” é a primeira versão de “If Only”, canção que apareceu no álbum de 1998. Embora, nessa época, ainda fossem uma banda novata, os rapazes já demonstravam confiança e provavam que estavam no caminho certo. Disco bem bacaninha…

Fernando: Interessante esse lançamento. Josh Homme é um cara bastante respeitado, não só pelo Kyuss, uma banda clássica do stoner, mas também pelo que ele fez no Queens of Stone Age, apesar de eu, sinceramente, não encontrar tanta genialidade assim no som das duas bandas. Não desgosto das duas, mas não tenho tanto interesse assim. Prefiro o que ele fez no Them Crooked Vultures. O disco abre com “Into the Void” do Black Sabbath e é um ótimo exemplo do que temos a seguir com bastante peso e som cadenciado. Já o Queens of Stone Age tem uma pegada mais pop, mais acessível, apesar das experimentações, mas a raiz é muito parecida.

Alisson: Lançado pouco tempo antes do primeiro disco do Queens of The Stone Age e 2 anos após o fim das atividades do Kyuss, esse split é quase uma forma de apresentar a transição sonora que se daria de uma banda para a outra. O lado do Kyuss mata um pouco da saudade do som carregado de fuzz e improvisações, com o bônus de um cover operante de “Into the Void”. Já o QotSA, apesar de bem imaturo e a procura do som e de um formato de composições ideais, já deixa boas impressões com um som bem mais aparado em termos de melodias e composições que seguem um padrão verso – ponte – refrão, algo mais palatável mas sem deixar as raízes desérticas de lado.

Diogo: A primeira impressão não é das melhores, afinal de contas, o Kyuss pegou uma das melhores músicas do Black Sabbath e gravou-a em uma versão sem muitos atrativos. A coisa continua meio morna com “Fatso Forgotso”, que até dá uma engrenada em sua segunda metade, mas me incomoda em seus timbres. “Fatso Forgotso Phase II” me agradou menos ainda. O Queens of the Stone Age, felizmente, pratica em sua parte uma sonoridade mais agradável (mas nem tanto), com boas pitadas de melodia e guitarras melhor costuradas. A melhor faixa do split é “Spiders and Vinegaroons”, daquelas que nos transportam para o ambiente desértico onde essas bandas foram formadas. Ainda assim, não chega a empolgar como aquilo que o Queens of the Stone Age faria anos depois, com Songs for the Deaf (2004).

Mairon: Splitzinho que começa surpreendendo com uma ótima versão do Kyuss para “Into the Void”, o clássico do Black Sabbath. Aqui, ela foi alongada um pouco, com um solo de guitarra não muito digno à versão original, mas o grupo escapa-se com pontuação de Z4 pela sua participação no split, já que as outras duas faixas são boas também, pesadas, com fortes inspirações no grunge e no hard setentista, e destacando o baixão de Scott Reeder. O som do QOTSA é também pesado, porém sem o impacto do Kyuss. Mesmo assim, curti as viagens instrumentais de “Spiders And Vinegaroons”, e achei “Born To Hula” a melhor faixa do CD. Gostei do que ouvi, mas não levaria para casa.

Diego: Uma coisa que eu nunca entendi é o hype em cima do Kyuss. Na verdade eu nunca entendi o hype em cima do chamado stoner. O último lançamento da banda não muda em nada minha opinião. Eu gosto de bandas que fazem cover, mas qual é o sentido de fazer uma cover e tocar a música 99% igual a original? As outras duas faixas só repetem a primeira e explicam o Kyuss em uma frase curta: Uma banda que queria ser o Black Sabbath, mas obviamente, não podia. Mostrando a evolução de uma banda pra outra temos o embrião do que viria a ser o QOTSA. Já sem muito stoner, mas ainda influenciado. No geral ok, mas falta ainda um pouco nesse EP, esse pouco viria mais tarde.

Ulisses: Até cogitei em indicar esse EP, mas é figurinha carimbada. Marcando uma transição entre o fim de vida do Kyuss e o início do Queens of the Stone Age, bandas lideradas por Josh Homme, o EP traz três faixas em cada lado, uma para cada banda. Curto o estilo do Kyuss, mas bem pouco o do QOTSA, mas o interessante do split é justamente que o QOTSA ainda não havia desenvolvido seu costumeiro rock alternativo, tentando construir sua identidade sonora distinta do Kyuss. As três faixas do Queens são bem distintas uma das outras: “If Only Everything” é um rock de ritmo bem pontuado, enquanto que “Born to Hula” é intensa e com bons vocais de Homme; já a estranha instrumental “Spiders and Vinegaroons” combina drone com elementos eletrônicos. Prefiro as três composições do Kyuss (das quais uma é um excelente cover de “Into the Void” do Black Sabbath), mas o split é ótimo na íntegra; definitivamente não decepciona.


Labirinto / thisquietarmy (2013)
Recomendado por Diego Camargo

Quando o tema foi sugerido confesso que me veio um enorme ‘PQP, que merda de tema’ na cabeça. Eu não ouço split e os poucos que ouvi não me disseram nada. Então dos dois ou 3 que eu tinha em mente o único que eu achei por bem indicar foi esse, não porque é ótimo, simplesmente porque não o menos ruim de todos que eu conhecia… e também porque o Labirinto é uma banda bacana de São Paulo. Eu não gosto de post rock, e por mais que eu tente nunca consegui nem simpatizar com o estilo. Mas por algum motivo eu gosto do Labirinto. A metade do Labirinto é definitivamente a parte que vale a pena nesse split. Interessante sem ser maçante e experimental sem ser pedante. A banda canadense thisquietarmy tem diversos splits em sua discografia e parecer ser expert no tema. Mas isso não muda em nada o fato de que a parte deles é absurdamente chata e impossível de ouvir do começo ao fim sem apertar o Stop automaticamente. Escutem o Labirinto e esqueçam o thisquietarmy.

Fernando: Como um bom prog o som do Labirinto demorou para engrenar, mas foi apenas uma impressão, já que o tipo de som tem essas características. Talvez o que eu estava ouvindo antes de pegar esse split tenha me influenciado. Achei uma vibe mais space rock na linha do Tangerine Dream. Legal saber que é uma banda brasileira. Já o thisqueitarmy, uma one-man band do Canadá, inicia como se fosse uma trilha sonora do Stranger Things, que como passar do tempo na primeira faixa me pareceu totalmente descabido. Entendo uma dramaticidade para início, mas por 5 min? Nem o Dream Theater faria dessa forma. E se engana quem imagina que a música seguinte seria diferente. A mesma cama sonora absolutamente sem direção. Depois que percebi que o som da banda era esse mesmo fiquei pensando se iria até o fim ou não. Resolvi ir para não dizerem que eu não ouço as coisas. A faixa seguinte tem um pouco mais de variação, uma tensão crescente que combina com o título “World Protest”.

Alisson: Ambas as bandas tem propriedade no que fazem. O Labirinto ainda consegue se sair melhor com um som mais dinâmico e menos apelativo de crescendos, variando entre estruturas clássicas e elementos de sludge atmosférico, enquanto o thisquietarmy vai para o lado mais ambient e eletrônico. Para quem gosta de post-rock, o split oferece boas abordagens em ambos os lados, mesmo sem reinventar nada.

Diogo: O post-rock é um estilo pelo qual eu não nutro muita admiração. Em geral, enxergo os trabalhos de grupos assim mais como paisagens sonoras que estabelecem um estado de espírito, geralmente de desolação, do que como canções propriamente ditas. Isso não quer dizer que algumas dessas paisagens não possam ser belas e/ou possuir serventia. A metade deste split ocupada pelos paulistanos do Labirinto, por exemplo, tem a maior cara de que renderia uma trilha sonora para um filme de terror europeu. “Diluvium”, em especial, seria perfeita em uma película italiana. Não é o tipo de coisa que ouço com grande prazer, mas funciona bem. Já a parte do split que cabe aos canadenses do thisquietarmy é um pouco mais maçante, investindo em uma vertente mais atmosférica. Há alguns segmentos interessantes, especialmente a segunda metade de “World Protest”, mas nada ao ponto de me dar vontade de ouvir as faixas novamente. Posso estar viajando, mas percebi até alguns ecos de Vangelis nas faixas de autoria do thisquietarmy.

Mairon: Split curtinho, de mais duas bandas que não conhecia. O som do thisquietarmy é uma viagem, literalmente. Experimentações sonoras que geram um clima de apreensão, reflexão, um tanto quanto sinistro, e que na realidade não é uma música, mas uma forma de exposição sonora muito interessante. O som dos brasileiros do Labirinto também é muito experimental, porém já rola melodia e harmonia musical. Guitarra e bateria ganham espaço com destaque entre as camadas de sintetizadores, com um belo dedilhado da primeira em “Tahrir”, e um encantador acompanhamento na linda “Diluvium”, onde os sintetizadores emulam cordas de forma magnífica. “11 Palmos” é a canção mais experimental, focando-se em um meditativo e repetitivo riff de guitarra, caindo numa poderosa parede sonora com muita distorção. Excelente!!! Segundo melhor álbum desse Recomenda, atrás do que eu indiquei, lógico.

Davi: Disco extremamente viajado e inacreditavelmente chato. Arrastado, canções que são capazes de fazer com que o Sérgio Mallandro caia em um sono profundo em menos de 3 minutos. Uma tarefa dificílima decidir quem é o mais chato do split. Ambos merecem o troféu de “mala do milênio”. A faixa um pouco menos insuportável é “Diluvium”, portanto acredito que o Labirinto pegasse o segundo lugar, mas não dá para afirmar. O páreo é duro. Não recomendaria isso ao meu pior inimigo. Deveria ser vendido nas farmácias como calmante tarja preta.

Ulisses: Conheço a Labirinto só de nome; ao que parece, são um dos grandes nomes do post-rock no Brasil. No split, eles trazem as três primeiras composições, costurando guitarras pesadas com passagens atmosféricas e desoladoras. Os canadenses do thisquietarmy fazem o resto, mas têm um estilo drone e ambiente bem mais tranquilo e sereno, que não combina com o que os paulistanos trazem. O lado do Labirinto é definitivamente mais memorável e recompensador.


Witching Altar / Necro (2015)
Recomendado por Ulisses Macedo

Algumas pessoas aqui devem se lembrar de quando eu indiquei o Necro, banda daqui de Alagoas de rock com toques de stoner, doom e psicodelia, na minha lista de 2014. Para o tema deste Recomenda, nada melhor do que um split que meus conterrâneos fizeram com os Pernambucanos do Witching Altar. O Necro jogou seguro, não trazendo nenhuma novidade: “Contact”, com os fortes vocais dobrados da Lillian (guitarra) e do Pedro (baixo), havia sido lançada em formato single poucos meses antes do Split, e as outras duas faixas são versões ao vivo de composições dos álbuns anteriores, tocadas em São Paulo. Já o Witching Altar, que eu não conhecia nem de nome, traz um doom metal tradicional, legalzão e todo inédito, já que esse tracklist era para ser um EP deles, antes da Hydro-Phonic Records sugerir a junção com o Necro. Lançamento bacana, sólido do começo ao fim e que traz um bom exemplo do rock nordestino para aqueles que estão por fora da cena. E essa capa, então? Cristiano Suarez se supera a cada lançamento…

Fernando: O Witching Altar me surpreendeu logo de cara. Seu doom metal consegue ter uma identidade própria, algo difícil de acontecer nesse estilo, apesar inevitáveis comparações com o Black Sabbath que podemos fazer em alguns momentos. O solo de “The Monolith”, por exemplo é bastante viajandão, quase psicodélico. A temática, entretanto, já é a bem conhecida capirotagem. O Necro foi mais difícil de avaliar. O som é também calcado no doom, mas tem doses de outros estilos em passagens diferentes. No geral esse foi o split que mais gostei fora o que indiquei.

Alisson: Fácil achar outras mil bandas iguais ao Necro, com o mesmo som viajandão e pesado. Pior ainda é no caso do Witching Altar, que vai sem dó nem piedade no Ctrl+C Ctrl+V no som do Electric Wizard e de qualquer outra banda de doom tradicional inglesa. Não ofende, mas é genérico demais para prestar muita atenção.

Diogo: Doom metal é bem melhor que stoner, não é? Para muitos a diferença pode ser mínima, mas para mim é suficiente para diferenciar aquilo que gosto daquilo que não gosto. O Witching Hour faz um trabalho legal, em uma linha mais influenciada pelo Trouble do que pelo Candlemass, isto é, menos épica e com uma pegada mais blues. O vocal de T. Witchlover, inclusive, parece ser inspirado no de Eric Wagner (Trouble), apesar de não ter o mesmo brilho. “Die Alone” é um belo destaque e chega a lembrar o Black Sabbath dos primórdios. A parte que cabe ao Necro, infelizmente, não mantém o mesmo nível, especialmente por causa dos vocais, que são ruins e se sobrepõem a qualquer boa ideia instrumental. Não sou entendido em canto, por isso corro o risco de falar bobagem, então pergunto aos meus colegas: isso não está no limiar da desafinação mesmo?

Mairon: Mais som pesado, porém não tosco quanto outros. Para o Witching Altar, percebemos fortes influências de Sabbath (“Die Alone” essencialmente), ou seguindo uma linha mais stoner, no caso “She Rides the Seventh Beast” e “This Place is Death”. Essa banda foi legal de ouvir. Já os alagoanos do Necro foi uma grata surpresa. Os caras tem uma pegada setentista muito boa, com solos rasgados mas com certa modernidade, e que atiçam a audição. Em especial, curte as viagens alucinógenas de “Holy Planet Yamoth”, a melhor faixa do splitzinho. “Mente Profana” é uma deliciosa viagem pesada, com vocalizações assustadoras, e “Contact” serve para acreditarmos que sim, é possível ainda achar boas bandas em nosso país. Lilian Lessa, vocalista e baixista, é um instrumentista sensacional! Muito massa, e vou atrás do resto de sua obra.

Davi: Duas bandas brasileiras. Confesso que não conhecia. Necro faz um som mais psicodélico. É perceptível a influência de progressivo. Principalmente em “Contact”. Pelo que entendi, temos 2 cantores na banda. Trabalho vocal da já citada “Contact” está bem resolvido. Nas faixas onde Lilian assume a frente, gostei de sua performance em “Mente Profana”. Já em “Holy Planet Yamoth” não ficou bacana. Witching Altair já aposta uma sonoridade mais doom. “The Monolith” achei bem chatinha, mas em seguida as composições sobem de nível. As melhores são “Die Alone” e especialmente “She Rides The Seventh Beast”, onde a influencia de Black Sabbath fala alto. Trabalho legalzinho…

Diego: Olha aí a estrela da lista! Ótimo split e dá gosto de ver que é de banda brasileira. É verdade que Doom Metal pode ser sacal, mas o Witching Altar faz bem feito. Tudo bem que dá pra ver que Black Sabbath é a única influência dos caras, as vezes é ‘na cara’ demais, até. Mas o resultado final é muito bom, além da média e vale a pena ouvir. O Necro eu já conhecia, e se nos discos que eu tinha ouvido eles eram crus demais e com uma produção bem ruim, nesse split os caras estão profissionais e com uma ótima gravação. Sem contar que a mistura de Doom, Progressivo, Heavy Psych, Acid Rock que eles fazem é muito interessante. Recomendadíssimo!

12 comentários

  1. Diego Camargo

    Confesso pra vocês o seguinte, essa foi a Recomenda mais chata de todas que eu participei. Mal tive o que escrever tamanha a minha vontade ouvindo esses plays…

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    • Diogo Bizotto

      Fica tranquilo, Diego, que a próxima edição ou será a sua, ou será a minha, e tenho certeza de que você gostará do tema que pretendo propor.

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      • Diego Camargo

        Mano, do jeito que eu sou sortudo vai tu primeiro hahahaha

        Eu só entrei no Consultoria Recomenda porque tinha um tema pra propor, e vou ser o último hahahhaa

  2. Ulisses Macedo

    “Mais um split de black metal, na verdade isso nem surpreende, quando ouvi o tema da lista tinha certeza que ia ter só black metal, então estamos no lucro.”

    É verdade, é impressionante a predominância do estilo no mundo dos splits.

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  3. Diogo Bizotto

    Uma pena que o vocalista seja bem fraquinho. Com um cantor bom, esses caras iriam longe.

    Pois é. Como eu disse, a sonoridade do Acrharus é superior, mas esse vocalista puxa o resultado pra baixo. Melhor arrumar um cara novo logo.

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  4. Diogo Bizotto

    Porém quando as bandas soavam assim lá no início era porque não tinham tecnologia, bons instrumentos e até mesmo faltava conhecimento para gravar o som que queria. Eram toscos porque não tinham outra opção.

    Discordo. Desde então já era opção estética. Um bom exemplo é comparar o primeiro lançamento do Darkthrone, que é death metal e tem qualidade de gravação e produção no mesmo nível dos seus contemporâneos suecos, com o segundo disco, “A Blaze in the Northern Sky”, sua guinada black metal.

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    • Fernando Bueno

      Diogo.
      Eu duvido que o resultado tenha sido desejado. Imagino que as opções estéticas não levavam em consideração algo que ficava próximo ao inaudível. A sonoridade depois pode até ter sido adotada de vez. Eu não consigo entender álguem imaginando e fazendo de propósito um som merda.

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  5. Diogo Bizotto

    Só do Diego ter curtido o split que indiquei já considero meu dever cumprido. Fazer nego aqui do site gostar de black metal é tarefa hercúlea.

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  6. Diogo Bizotto

    E essa capa, então? Cristiano Suarez se supera a cada lançamento…

    A capa é bonita mesmo. Combina com a sonoridade, inclusive.

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