Discografia Comentada: Muse

13 de novembro, 2016 | por Fernando Bueno
Discografias Comentadas
9

muse

Por Fernando Bueno

Quem acompanha com mais atenção a Consultoria do Rock vai ter uma impressão de deja vu com a introdução desse texto. No início de 2015 publiquei aqui uma resenha do segundo disco do Muse, o Origin of Symmetry, mas como os leitores devem saber tivemos um problema com a UOL Host e perdemos quase um ano e meio de conteúdo do site e esse texto foi embora também. Assim tentarei repetir as impressões tanto sobre a história do início da banda quanto minha opinião sobre o álbum citado para fazer essa discografia comentada.

Conheci o Muse de uma maneira um pouco não convencional. Vi um video clipe deles enquanto esperava na fila do caixa em uma loja de materiais de construção. O ano foi em 2006 o mesmo do lançamento de seu álbum de maior sucesso, Black Holes and Revelations. O que me chamou atenção foi a imagem tecnológica que a banda passava. Porém essa não tinha sido a primeira vez que ouvia o nome da banda. Um tempo antes disso um amigo virtual tinha me recomendado duas bandas de rock progressivo: o Porcupine Tree e o Muse. Ouvi muito o Porcupine Tree e acabei não indo atrás do Muse, mas como não tinha ouvido esse último relacionava o som das duas bandas como se fossem parecidos. Claro que hoje já não posso fazer essa associação, mas quando vi o vídeo clipe lembrei-me dessa recomendação e tive o interesse de ir atrás para entender o motivo de um fã de rock progressivo gostar daquela banda que tinha até clipe no canal Multishow e aparentemente estava bem distante do progressivo em si. O Muse chegou a ter uma de suas músicas na trilha sonora do filme Crepúsculo o que faz muita gente a torcer o nariz para a banda em mais um exemplo daquela velha história do “não ouvi e não gostei”.

Dominic Howard, Mathew Bellamy e Christopher Wolstenholme

A banda foi formada ainda no período escolar quando Matthew Bellamy (guitarra e voz) fez um teste para entrar em uma banda em que Dominic Howard (bateria) já estava. Quando se encontraram sozinhos depois da saída de outras pessoas desse grupo convenceram Christopher Wolstenholme a aprender a tocar baixo – ele era baterista – e entrar em um novo grupo que estavam formando. No início a banda tinha outro nome e só passaram a se chamar Muse depois de vencer um concurso de bandas novas. Nesse concurso eles finalizaram o show ao melhor estilo The Who, ou seja, destruindo seus instrumentos. Acharam que essa atitude tiraria qualquer chance de vitória, mas isso não ocorreu.

Não posso deixar de comentar sobre o rótulo de progressivo que alguns lugares usam para classificar a banda. No portal da globo.com em matéria da época do Rock in Rio 2013, em que a banda fechou uma das noites, eles citam o termo “progressivo para as massas”. A banda está relacionada no ótimo Prog Archives como “Prog Related”. É compreensível se levarmos em consideração que a banda faz uma mistura de vários elementos e paga tributo a algumas bandas do estilo. O Muse consegue misturar ao rock básico o progressivo, o alternativo, o pop eletrônico, a música erudita, o britpop e até o heavy metal, como podemos ver em seu álbum The 2nd Law. O rock progressivo ajudou a misturar estilos ao rock nos anos 70 e o Muse utiliza o rock progressivo como mais um ingrediente para sua salada musical. Uma curiosidade é que parte de Origin of Symmetry foi gravado no estúdio de David Gilmour, o Astoria Studios – quer algo mais prog que isso? – e outras em Abbey Road Studios.

muse-ao-vivo

Por ser o frontman, cantar, tocar guitarra, piano e sintetizadores é óbvia a centralização na figura de Matthew Bellamy, mas os outros integrantes são muito importantes para a consolidação do som do Muse. Em estúdio eles trabalham realmente como um time e têm liberdade total. Aliás, todos são creditados como responsáveis pelos sintetizadores. Dominic é um baterista de mão pesada que consegue fazer tanto levadas acessíveis e simples até as mais intrincadas, muitas vezes em uma mesma música. Já Chris tem uma pegada forte no baixo, quase sempre com bastante distorção, e executa backing vocals que ajudam e muitas vezes garante a performance de Matthew, principalmente ao vivo. As produções dos shows também são muito bem produzidas e suas apresentações não são apenas eventos musicais, mas a parte visual é muito importante também.

O Muse também é conhecido como um grupo que tem um controle bastante rígido dos rumos de sua carreira. Já desautorizaram o lançamento de um documentário que havia sido produzido sem o prévio conhecimento de ninguém do grupo e vetaram a utilização da palavra Muse, que em português significa musa, para nomear uma turnê da Celine Dion, mesmo a cantora tendo oferecido cinqüenta mil dólares para a banda. Mas o que mais chamou a atenção foi um processo que eles moveram contra a Nestlé que utilizaram uma parte das faixas “Hyper Music” e “Feeling Good” em um comercial da Nescafé. O valor da multa pago pela companhia de impressionantes quinhentos mil euros foi doado integralmente para a Oxfam International, uma confederação de várias organizações que combatem problemas de pobreza, saúde e falta de alimentação, democracia e direitos humanos. Um belo ponto para os caras. Portanto, limpe sua cabeça dos preconceitos e corra atrás dos discos para acompanhar a leitura a seguir!


showbizShowbiz (1999)

Showbiz foi lançado após alguns EPs e pode causar estranheza para quem começou a ouvir o Muse por outros álbuns. Sua sonoridade mais simples baseada mais em guitarra, baixo e bateria, sem os sintetizadores que se tornaram uma característica de seu som, pode não agradar quem espera algo diferente. Tudo bem, logo na primeira música, “Sunburn” temos um piano na abertura, mas são poucas as inserções de outros instrumentos no disco e muitas vezes apenas detalhes mais sutis, como em “Fillip”. Já o solo da faixa de abertura entrega que Tom Morello é um grande influencia de Bellamy. Mas o que se nota ao longo do disco todo é que o baixo no Muse não serve apenas para encorpar o som da guitarra, mas sim ele conduz muitas das músicas. Isso é uma forte característica do Muse junto da voz em falsete que que Bellamy canta em algumas músicas como acontece em “Falling Down”. O ouvinte mais atento vai relacionar o som de Showbiz ao que o Radiohead fez no início de sua carreira e talvez isso tenha sido totalmente intencional. Apesar de isso parecer um demérito em um primeiro momento, só ajudou o disco a crescer a cada audição para mim.  A baladinha violão/voz de “Unintended” é bonita e se destaca do restante do álbum. Showbiz introduziu um cenário sonoro que o Muse iria expandir nos próximos discos e foi importante para pavimentar o caminho que a banda percorreu tão bem no futuro, principalmente na trinca seguinte.


origin-of-simmetryOrigin of Symmetry (2001)

A voz sussurrante e falsetada de Matthew inicia o álbum até a chegada do riff cavalar e cheio de efeitos de “New Born” com seu andamento nervoso e mais um solo ao estilo de Tom Morello. Na sequência a faixa que me arrebatou para o lado do Muse, “Bliss”. O curioso é que poucas pessoas e resenhas a citam como destaque do álbum. Um efeito sonoro, em uma espécie de loop que varia a amplitude de tonalidade, guia o andamento da música e é seu diferencial. Em “Bliss” também percebemos mais a utilização de efeitos na voz de Matthew, algo que existe praticamente em todas as faixas, porém nem sempre tão evidentes. Em “Space Dementia” temos uma introdução de piano, algo que se tornou habitual no repertório da banda. Aqui se torna novamente clara a influência de Radiohead. A introdução de guitarra de “Plug in Baby” chama bastante atenção além de seu refrão marcante. A faixa consta em uma das edições do jogo Guitar Hero. Na gravação de Origin of Symmetry músicos convidados gravaram viola, violinos e violoncelo. “Citizen Erased” é outra das preferidas dos fãs, mas por outro lado desagradam os mais imediatistas por conta de sua duração de mais de sete minutos. Para os fãs de progressivo isso não faz muito sentido, certo? Encontrei uma resenha na qual o autor diz que a faixa é uma amálgama de Queen, Pink Floyd, Radiohead e Nirvana. Será isso possível? A faixa me faz lembrar outra importante banda dos anos 90, o Smashing Pumpkins. Os falsetes de Matthew em “Micro Cuts” chegam a ser até estranhos, mas essa é daquele tipo de música que se necessita de mais audições para entendê-la e gostar. “Dark Shrines” começa bem lentamente e tem em seu refrão uma subida de tom, volume e distorção de guitarras, estrutura bastante utilizada em bandas britânicas dos anos 90. “Feeling Good” é uma versão de uma canção retirada de um musical dos anos 60 chamado The Roar of the Greasepaint – The Smell of the Crowd (não encontrei um nome em português, isso é se ele existe). A faixa, um dos destaques do álbum, foi incluída por ser a música favorita de uma antiga namorada de Bellamy. Para fechar o disco “Megalomania”, que apesar do nome é bastante discreta, calma e uma ótima escolha para última música do álbum.


absolutionAbsolution (2003)

Uma pequena faixa de abertura onde ouvimos uma marcha de soldados dá a deixa para “Apocalipse Please”, uma das melhores músicas do Muse. Lembram aquele loop em “Bliss” do último disco? Aqui há um efeito parecido bastante marcante, mas não durante a música toda. E para manter as coisas lá em cima “Time Running Out”, com um dos melhores trabalhos de Dominic do disco, com viradas bastantes legais e os efeitos de voz de Bellamy. Uma faixa mais calma diminui o ritmo, mas mantém a qualidade. “Sing for Absolution” é uma daquelas baladas marca registrada do Muse. Bela melodia pontuada por insersões de piano e uma interpretação vocal cheia de emoção, que é um dos pontos fortes de Bellamy ao longo de toda carreira. Na sequencia um riff bem metal em que Dominic se destaca novamente com uma levada bastante agressiva da bateria em “Stockholm Syndrome”. Os mais atentos vão notar um dedilhar alucinado de um piano ao fundo. Outro grande sucesso do disco foi ‘Hysteria”, que talvez tenha o refrão mais fácil de se lembrar do álbum. “Blackout” mostra que as orquestrações, adicionadas por um bem vindo mellotron, chegariam para ficar como mais um tipo de tempero para as músicas do grupo. Para quem ouve essa música sem que esteja ouvindo o disco todo pode até achar estranha essas melodias que parecem até ter saído de algum filme clássico dos anos 50, mas faz todo sentido quando ouvida no contexto musical da banda. “Butterflies and Hurricanes” é o último grande destaque de um disco que sacramentou a qualidade da banda e mostrou que eles poderiam ser grandes sim. Destaque para o show de Bellamy ao piano no fechamento da música. O som do Muse que já tinha se expandido um pouco no álbum anterior amplia ainda mais o leque de influências. De Absolution foram tirados cinco singles que ficaram em primeiro lugar nas paradas inglesas o que facilitou uma extensa turnê de quase um ano. Além de receberem diversos prêmios tiveram a chance de participar do histórico Live 8 o que turbinou sua popularidade.


back-holesBlack Holes and Revelations (2006)

A necessidade de compor músicas que pudessem ser executadas ao vivo foi deixada de lado pela primeira vez e isso influenciou não só Black Holes and Revelations, mas toda carreira posterior do Muse. Se Origin of Symmetry e Absolution tinha sido um enorme sucesso, Black Holes and Revelations fez com a banda crescesse ainda mais. O disco fecha a trinca dos álbuns essenciais do Muse e difere dos dois anteriores no sentido de que ele tem músicas que mudam de direcionamento a cada hora. “Take a Bow” por exemplo é uma daquelas músicas que te deixa na expectativa de que vai explodir, mas ela se mantém da mesma forma que começa deixando o ouvinte tenso. Já “Starlight” poderia abrir o álbum por ter um astral mais alto. Porém é “Supermassive Black Hole” que levou o disco para as alturas por conta de fazer parte da trilha sonora do filme dos vampiros adolescentes Crepúsculo. Um ótimo refrão como qualquer boa música pop deveria ser. E é exatamente isso que a música é, um hit essencialmente pop. Em “Map of Problematique” os ingleses repetiram um pouco das doses de Absolution, muitos teclados direcionado pelo baixo potente de Chris. O clima fica um pouco mais lento com “Soldier´s Poem”, que mais parece um daqueles standards da década de 40, e se mantém com a fantástica “Invincible”, com uma performance vocal de excelência de Bellamy. A música começa despretensiosa e vai crescendo e é daquelas faixas de se ouvir e começar de novo. A partir daí são necessários acrescentar alguns músicos para as performances ao vivo.

Foi no final da turnê de Balck Holes and Revelations que o Muse gravou seu principal registro ao vivo, HAARP que foi produzido a partir de dois shows que a banda fez no então recém inaugurado Estádio de Wembley. Não tenho costume de comprar discos ao vivo, mas digo que este é um daqueles que valem a pena, principalmente pelo DVD que vem junto.


the-resistenceThe Resistance (2009)

Fazer um álbum depois da trinca anterior foi um desafio enorme. Primeiro porque o enorme sucesso que o trio atingiu os pressionou muito fortemente a manter o nome da banda no topo. E para isso acontecer, o mais fácil é tentar compor músicas mais acessíveis e foi exatamente isso que aconteceu. The Resistance é certamente o álbum mais pop do Muse. Além disso havia a necessidade, e aí eu acredito que era uma vontade interna do músicos, de tentar não se repetir. Porém o álbum não empolgou tanto e logo a primeira música, “Uprising”, que teria o dever de levantar a bola para o álbum todo, se mostra não tão inspirada. A faixa título tem um tipo de backing vocals em que os outros músicos cantam sozinhos algumas frases e isso não tinha ocorrido ainda, mostrando que de alguma forma a banda estava tentando coisas diferentes e isso faz parte de um dos desafios citados acima.  “Unites Estates of Eurasia” inicia apenas ao piano que se transforma em uma melodia grandiosa com bastante influencia oriental. Lembra muito o Queen nessa faixa. As letras de The Resistance foram bastante inspiradas no livro 1984, de George Orwell. O disco se encerra com “Exogenesis”, uma composição grandiosa, com três partes cheia de orquestrações no melhor estilo progressivo e bandas sinfônicas da década de 70.


the-2nd-lawThe 2nd Law (2012)

Se o disco anterior foi o mais pop da discografia do grupo, podemos dizer que The 2nd Law é o mais pesado. “Supremacy” é a faixa de abertura do disco e uma das preferidas dos fãs da banda. Com um riff simples e pesado acompanhado de uma sinfonia que antecedem uma parte em que a voz de Bellamy é acompanhado apenas das cordas da orquestra e vai em um crescendo até o refrão em que o peso volta. Excelente faixa! Uma batida eletrônica inicia “Madness”, que poderia tocar em qualquer boate por aí. Acredito que durante o processo de composição eles estavam ouvindo muito Queen, porque não são poucas as passagens em que faz você lembrar da eterna banda de Freddie Mercury. “Panic Station” possui uma levada funk que vai te fazer lembrar de “Another On Bite to Dust” e a ótima “Explorers”, que tem uma melodia vocal que me remete toda vez à “Don´t Stop Me Now”. “Survival” tem um trabalho muito legal de guitarras e corais que dão um sentimento bastante interessante para a música. Cabe aqui comentar uma das características que eu entendo ser um ponto forte da banda. Eles conseguem criar riffs, melodias, passagens, refrãos ou trechos marcantes que sempre vai fazer você ficar cantarolando alguma coisa. Se no disco anterior a banda fechou o disco com uma suíte progressiva, em The 2nd Law eles fazem o mesmo, mas se antes eles se inspiraram em bandas mais sinfônicas, dessa vez a suíte de duas partes que leva o nome do álbum, tem doses cavalares de bandas como Kraftwerk e Tangerine Dream nas suas duas partes: “Unsustainable” e “Isolated System”.

Outro registro ao vivo saiu dessa turnê e este foi um importante lançamento para o Muse pois coroou uma turnê longa que resultou em um show grandioso no estádio olímpico de Roma, que ficou imortalizado no Live at Rome Olympic Stadium.


dronesDrones (2015)

Acredito que esse lançamento do Muse não tenha causado tanto impacto por falta de uma melhor divulgação. Eu mesmo fiquei sabendo do seu lançamento quando encontrei o disco nas lojas. Várias ótimas músicas estão nele como a faixa de abertura “Dead Inside” que tem uma marcação de bateria forte e alguns elementos eletrônicos. Uma pequena vinheta chamada Drill Sergeant antecede “Psycho”. Como a vinheta entrega a música fala sobre o sistema militar relacionado ao regime hierárquico e a criação de matadores treinados. Ótimo refrão que vai ficar na sua cabeça por horas. Por sinal, algo que poucos sabem, esse é um disco conceitual que tem as modernas formas de guerra como mote. “Mercy” é mais cadenciada e “Reapers” lembra alguma faixa perdida de alguma banda grunge dos anos 90, exceto pelo sintetizados fazendo alguns contrapontos na música. Outra vinheta narrada, dessa e um discurso de JFK, que antecede “Defector”, música que tinha tudo para ser destaque do disco, mas acaba sendo ofuscada pela trinca inicial. A bonita baladinha “Aftermath” e a quase prog “The Globalist” dão uma desacelerada no disco. A faixa ítulo fecha o disco com corais a capella Interessante saber que o disco foi produzido pelo lendário John “Mutt” Lange, famoso por discos de sucesso do AC/DC, Def Leppard, Brian Adams e a lista vai longe. Drones é na minha opinião melhor que os dois anteriores, porém me parece que os fãs no geral não entendem dessa maneira. Também teve a intenção da banda em se afastar um pouco da sonoridade baseada na música eletrônica que estava sendo dominante nos últimos discos. A idéia de fazer algo mais rock talvez tenha afastado os fãs que eles têm que não tem o estilo como preferido.


Com quase vinte anos de estrada e sete álbuns na carreira vale destacar que o trio não teve nenhuma mudança de integrantes desde seu início. Os caras idealizaram a banda juntos e juntos conseguiram transformar aquele desejo inicial em muito sucesso sem transparecer qualquer desgaste.



9 Comentarios

  1. Marco disse:

    Pela reação de muita gente que eu conheço, Muse é o Creed do rock progressivo. E é um preconceito estúpido, pois a banda é competente e tem um material ótimo. Muito bom, Fernando, gostei da coragem. Deu a cara pra bater e vai ganhar um beijo (da sua esposa, é claro).

  2. FabioRT disse:

    Tenho extrema dificuldade com o vocalista…a voz e o jeito dele cantar me incomodam demais…mas é, de fato, uma banda interessante

  3. Tiago disse:

    Eu particularmente não gosto muito do primeiro álbum da banda e acho que eles só se encontraram de fato no bom segundo álbum, quando foram ao extremo do exagero. Exagero é a marca do Muse e é por isso que muitos não gostam da banda. Eu acho essa marca fundamental (e muito boa) para eles mesmo que, a cada segundo, queiram provar a competência que possuem.

    Gosto é pessoal e eu particularmente acho o conceitual The Resistance o melhor disco deles. A partir daqui tem muita influência do Queen no som do grupo, principalmente da fase A Day at the Races (1976). O The 2nd Law só veio pra fortalecer isso (“Panic Station” e “Another One Bites the Dust”? “Madness” com aquele solo de guitarra?), só que ao mesmo tempo que eles tentaram fazer mil coisas neste disco, eles meio que se perderam. Drones pra mim foi a volta ao básico, embora algumas letras deixem a desejar.

  4. Francisco Júnior disse:

    Eu sou fã do Muse desde 2008 e já tive uma banda que tocava várias músicas deles. Meu álbum preferido é o “Absolution”, que acho um clássico insuperável. Eles mudaram consideravelmente o direcionamento musical e isso me desagradou um pouco. Não é à toa que o “The Resistance” é o que menos gosto da discografia. Mas ainda sim é uma banda que consegue agradar a vários públicos com experimentalismo, boas melodias, riffs, solos, passagens eletrônicas e progressivas. Espero que tenham vida longa, pois os três são grandes músicos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *