Consultoria Recomenda: Temáticas de Guerras

Consultoria Recomenda: Temáticas de Guerras
Tema Escolhido por Anderson Godinho
Participação de: André Kaminski, Marcelo Zappellini, Mairon Machado, Líbia Barros e Fernando Bueno
Editado por Fernando Bueno

Aztlán – Revolución (2021)
Recomendado por Anderson Godinho

Quando fui sorteado e, assim, propus o tema “Guerra” imaginava que o Sabaton seria a primeira a aparecer e que o Blind Guardian seria o segundo (valia guerras não reais), o que sequer ocorreu, e aí me veio na cabeça a brasileira Armahda ou mesmo Cangaço que abordam temas que envolvem conflitos brasileiros de alguma forma. Porém, acreditei que poderiam aparecer por aqui também. Foi então que lembrei dos mexicanos do Aztlán. Tinha em mente o álbum Legion Mexica, mas ao me deparar com o Revolución me encantei e resolvi trazê-lo. A temática do álbum é a Revolução Mexicana (1910) que elevou as disputas políticas, decorrentes de mais de 30 anos de ditadura, às vias de fato. Líderes, até hoje lembrados, aparecem nos discursos, letras e passagens do álbum: Emiliano Zapata, o ‘Atilla del Sur’ (cuja luta origina o movimento zapatista, ainda forte no sul do México) ou Francisco Villa, ‘Centauro del Norte’ (o famoso Pancho Villa, recorrente na cultura mexicana) estão lá. Achei legal ouvir um pouco de ‘coisa nova’ misturada no metal, e ainda mais do contexto latino americano. Musicalmente o álbum é pesado, apresenta guturais interessantes, peso nos riffs, melodias sombrias e que apresentam certa progressividade combinando totalmente com o tema. A maior parte das músicas são longas com mais de 7 minutos, possuem momentos mais folk, mais metal, passagens de discursos políticos antigos, ou letras da banda . Os caras exploram bastante os instrumentos deixando um pouco de lado as letras. Realmente me diverti conseguindo mergulhar nas músicas de forma hipnótica. Ressalto ainda os elementos folclóricos relatados! A começar pelos instrumentos como a famosa ‘Jarana’ (aquela de todo estereótipo de mexicano que você já viu, usa), sim a viola mariachi, está presente em muitas das músicas, assim como aquele trompete que os acompanha geralmente. Outros instrumentos, pelo que pesquisei, pré-hispânicos, como a Huéhuetl (percussão) ou o silbato jaguar (instrumento de sopro) dão uma cara especial para o trabalho. Boa parte das melodias também retratam a cultura mexicana tradicional. É uma banda, ainda, nova que tem potencial para crescer, possuem ideias boas, bem executadas. Nada de novo ou revolucionário, mas bem interessante. Fica a sugestão.

André: Eu particularmente adoro essas viagens sonoras e misturebas de instrumentos e estilos com o metal. Não posso dizer que achei este trabalho nota 10, eu ainda acho que há umas falhas nestas misturas que a banda promove, mas vejo potencial para coisas muito melhores no futuro. Não conheço muito de história do México para saber de que guerra ou revolta se trata, mas a banda é nova e vai crescer muito ainda. Tem cara de que vai acertar em cheio num próximo disco.

Marcelo: A mesma coisa que escrevi sobre o Turisas cabe aqui: não conheço nada da cena metal do México; única vez que ouvi uma banda mexicana foi quando o Concrete Blonde lançou um disco com a banda Los Illegales. Na verdade, fora dos EUA e Europa, conheço pouco da cena musical, portanto nunca ter ouvido falar do Aztlán não é nada que me surpreenda. Como sempre, fui tentar descobrir alguma coisa, e no website tinha a formação do septeto, descrito como “progressive folk metal” ou “folk death metal” (pausa para arregalar os olhos), e se indicava que este era o terceiro álbum do grupo. Quando li que o grupo misturava heavy metal com a música mexicana tradicional, mais uma vez pensei “o que vai sair daí?” De cara, saiu um violão dedilhado que soa mais mexicano do que um taco al pastor. “Muerte y Libertad”, primeira música do disco, que ainda traz trompetes mariachi e um belo trabalho de percussão; a música é praticamente instrumental, trazendo algumas vozes que parecem ser gravadas de rádio ou TV. “Patria Muerta”, na sequência, também destaca a percussão e o violão e apresenta os vocais de General Centauro ou Attila (tem dois músicos creditados com vocais, não sei quem é quem). “Centauro del Norte” também traz uma gravação que parece de El Presidente (quem quer que seja ele) na introdução, e melodicamente é mais interessante do que as anteriores – teria sido melhor se fosse inteiramente instrumental. “Honor y Valor” parece ter sido juntada artificialmente – o ritmo não combina com as cordas dos violões e da guitarra – mas nessa o vocal impressionou. “Soldaderas” e “Attila del Sur” não me chamaram muito a atenção, para ser honesto, embora esta última tenha dado mais destaque para a guitarra de Muerto. “1910” é mais interessante, especialmente pelo bom trabalho vocal. “Revolucionarios” também não foi muito do meu agrado. No final das contas, acabei achando que as primeiras músicas foram as melhores. No todo, o Aztlán tem uma proposta que me soou inovadora e diferente, mas não gostei da mistura; o trabalho dos mexicanos é sem dúvida muito criativo, mas não é para o meu bico. Dos discos selecionados para essa seção foi o único que não me agradou muito, e acabei não o ouvindo mais vezes para formar uma opinião definitiva – o que teria sido útil, porque achei o disco um pouco cansativo. Um dia talvez volte a eles, mas atualmente não sinto vontade de fazê-lo. Agora, com licença, mas vou comer um burrito e tomar uma Dos Equis (desculpem, mas não resisti).

Mairon: Desconhecia o Aztlan, e não tinha nem ideia do que poderia vir quando vi que a banda pertencia ao estilo Folk Metal. O álbum trata da Revolução Mexicana de 1910, destacando o herói nacional Emiliano Zapata, que lutou contra a ditadura de Porfírio Diaz, e ao longo de suas canções, mistura elementos culturais do país latino com muito peso advindo de guitarras distorcidas e uma percussão forte. A longa introdução de “Muerte Y Libertad” serve como uma “Overture” que nos envolve para a obra que virá., com destaque para o solo de guitarra. A sequência do disco vai misturando elementos culturais com muita pancadaria, e um vocal gutural que não tenho mais ouvidos para aguentar. Se ficasse só na parte instrumental, vide “Soldaderas”, seria um baita disco. Afinal, é muito interessante como o hepteto faz essa sobreposição de estilos, principalmente em “Revolucionarios”, “Centauro Del Norte” e na excelente introdução de “Honor Y Valor”, mas o resultado final, quando coloca o gutural, não é mais para mim. Há uns 20 anos atrás teria achado esse álbum fantástico, mas hoje, fica apenas o respeito para quem ainda consegue apreciar esses vocais que não te permitem entender o que está sendo expresso (apesar que para falar de uma insurreição, é bem apropriado um gutural).

Fernando: Aqui foi surpresa mesmo. Não só pelo som, mas por ser uma banda oriunda de um país que nós buscamos pouco ou quase nada. Eu mesmo já citei apenas uma banda mexicana aqui no site, o Megaton, naquela matéria sobre o heavy metal em espanhol. Imaginem um death metal em que os instrumentos de cordas não tenham praticamente nenhuma distorção, é o que é entregue em “Muerte y Libertad”, a faixa de abertura. Disco para se ouvir mais de uma vez para pegar melhor a ideia, pois é tanta surpresa que as vezes te tiram um pouco da imersão.


The Groundhogs – Thank Christ for the Bomb (1970)
Recomendado por Marcelo Zappellini

The Groundhogs é provavelmente o menos conhecido dos grupos do boom do blues britânico no final dos anos 60 (a turma do Savoy Brown, Fleetwood Mac, Chicken Shack…), mas nem por isso menos interessante. Este terceiro álbum marcou o início de uma sequência de quatro bons discos em que a banda se afastava do blues e se tornava cada vez mais ambiciosa, lançados entre 1970 e 1972, e que fez razoável sucesso na Inglaterra. A produção é assinada pelo guitarrista, vocalista, compositor e dono-da-bola Tony “T. S.” McPhee e Martin Birch foi o engenheiro de som. A capa mostra o trio (além de McPhee, Pete Cruickshank no baixo e Ken Pustelnik na bateria) como soldados da Primeira Guerra Mundial, e o disco apresenta nove composições que formam duas “suítes”, sendo as quatro primeiras relacionadas a temas ligados a um senso de alienação humana: enquanto “Strange Town” e “Darkness’ No Friend” mostram um homem solitário, “Soldier” o coloca nas trincheiras, pronto para a luta, mas condenado à morte em batalha. A faixa-título mostra o nosso soldado nos tempos atuais, agradecendo à bomba atômica por impedir as guerras. Tudo é perpassado por um senso de distanciamento da realidade, quase alienação, que nos faz pensar em um militar que não sabe por que está lutando. As cinco músicas seguintes narram a história de um homem excêntrico e rico que também se aliena de sua vida e vai viver nas ruas. O som do grupo neste álbum é violento e pesado, quase anárquico. A longa faixa-título é indubitavelmente o grande destaque, com a letra sardônica de McPhee cantada sobre uma melodia no violão, para cair em uma extensa coda instrumental (mais de quatro minutos e meio) com a banda, que mostra que o guitarrista não deixava a desejar em termos de habilidade – até tudo acabar com as explosões. Aliás, Captain Sensible (do The Damned) afirmou que Tony McPhee era um bluesman punk, muito superior a Clapton ou qualquer outro guitarrista de blues inglês. Não sei se chega a tanto, mas que o cara é bom, isso é. E The Groundhogs é uma banda que não merece ser esquecida. Para finalizar, em 1986, ouvi pela primeira vez “The Ultimate Sin”, do Ozzy, e adorei a letra de “Thank God for the Bomb”, que achei muito mais inteligente do que as que o Madman escrevia normalmente. Ingenuidade minha…

Anderson: Os anos 70 foram os melhores do rock, não tenho a mínima sombra de dúvidas e mais uma prova disso é esse (originalmente) disco. Entretanto, não conhecia esse som, pois, apesar de amar os anos 70, sempre deixo pra depois a ideia de aprofundar…e sempre me arrependo. Bom, o contexto aqui é de guerra fria, conflitos envolvendo as potências de modo indireto e sob uma ameaça nuclear. A banda lembra isso em alguns momentos de modo direto como o som das bombas explodindo (em referência ao Japão no fim da 2ª Guerra Mundial) ou a música título. Outro retrato interessante é o da sociedade estadunidense dos anos 1970. Um tom de sarcasmo parece emergir em algumas letras como Status People ou Eccentric Man. Lembrando que nessa mesma época os EUA se afundavam no Vietnã e isso era transmitido ao vivo gerando um movimento pacifista grandioso. O álbum abre enganando o ouvinte com a boa “Strange Town”, rápida e de certo modo animada música. Na sequência a ótima “Darkness Is No Friend” me chamou a atenção. De modo geral elementos blues e até um pouco de jazz aparecem. No entanto não se engane pois se trata de um disco progressivo. Muito bom!

André: Um bom disco de blues rock com uma certa veia psicodélica. Meus ouvidos não são muito acostumados a este estilo mais “mão pesada” das guitarras (que as vezes soltam umas notas a mais do que deveria como se o guitarrista estivesse realmente tocando com a mão dura), mas este peso extra dá um charme a mais para o disco. Como o instrumental chama mais a atenção do que a temática ou as letras, confesso que o ouvi sem ter muito o que comentar sobre a temática. Mas posso dizer com certeza que é um álbum legal e que dá de digeri-lo bem.

Mairon: Da série Clássicos da Liberty (Leonardo Aronna, cadê você meu filho?), o The Groundhogs é daquelas gemas hard setentistas para ser descobertas pelos admiradores de um bom hardão, e que neste álbum em especial é considerado como um embrião do grunge. O baixão de Peter Cruickshank, as batidas avassaladoras de Ken Pustelnik  e a guitarra ácida, misturado com um vocal igualmente ácido de Tony McPhee, o grande líder da band nos levam por um álbum que retrata temas de guerras diversos, com grandes destaques para os improvisos de “Soldier”, a suavidade amedrontadora de “Garden”, e com certeza, a surpreendente mistura folk/jazz/acidez da sensacional faixa-título. Trazendo dois lados distintos, que tratam sobre como a guerra fria causa medo (a ameaça termonucler) e alienação (um cara extremamente rico que prefere viver na rua), o power trio faz um som redondinho, trazendo todos os elementos essenciais para fazer um hard de qualidade, que são misturas de acordes de blues com muito peso, vide “Eccentric Man”,  “Strange Town” e “Status People”. O dedilhado das guitarras em “Rich Man, Poor Man” e “Ship on the Ocean” me lembra um pouco o que o Captain Beyond fez dois anos depois, mas ainda de uma forma crua. Um belo álbum resgatado aqui com propriedade para o tema escolhido.

Fernando: Se procurarmos dá para encontrar uma banda diferente por dia. Para quem ama música isso é um deleite, para quem coleciona é uma tortura. Fosse uma banda com um disco isolado ainda seria normal, mas quando se descobre que é uma banda com mais de dez discos, aí a coisa fica mais séria. Totalmente desconhecida para mim, vi que surgiu de um berço de onde saíram diversas outras bandas, o John Mayall’s Bluesbrekers, o que garante a certeza de ser um blues rock de primeira qualidade! Não me aprofundei no tema, mas pela época que foi lançado imagino que a crítica tenha sido por conta da Guerra do Vietnã, apesar de que a bomba que acabou a guerra foi a de Hiroshima. Uma curiosidade que pode passar desapercebida é que o álbum teve engenharia de som de um tal de Martin Birch.



Pink Floyd – The Final Cut (1983)
Recomendado por Mairon Machado

Esse álbum é o clássico AME ou ODEIE. Foi o primeiro disco do Pink Floyd que tive e todo ele, principalmente as explosões que surgem do nada, aviões voando, conversas tensas, sirenes, enfim, todo um aparato instrumental envolvendo a guerra, foi marcante para mim. A voz dolorida de Waters, lamentando a morte do pai e ampliando a história de The Wall de maneira comovente, assusta-me até os dias de hoje. Quem critica o álbum por não existir nele o Pink Floyd de outrora, na verdade é uma viúva marota de David Gilmour. As letras fortes, os arranjos fabulosos, uma interpretação tocante, tudo construído pela genial mente de Waters, em um dos melhores discos da banda. Claro, se tivesse sido lançado como obra da carreira solo de Waters, com certeza os detratores não torceriam tanto o nariz para The Final Cut. Difícil destacar uma canção em especial, já que o álbum inteiro se complementa através das histórias relacionadas com a morte de Eric Fletcher Waters (o pai de Waters) durante a segunda guerra mundial (a faixa-título, “One of the Few”, “Paranoid Wyes”, “The Hero’s Return” e “Your Possible Pasts”) e as críticas contra os políticos (““The Fletcher Memorial Home”) e as guerras que ocorriam no início dos anos 80, como a guerra das Malvinas (“Not Now John”) e a guerra fria entre U.R.S.S. e EUA (“Two Suns in the Sunset”). Porém, não tenho como não citar as lindas construções de “The Gunner’s Dream”, os efeitos de “Your Possible Pasts”, a dor exalada em cada poro da alma de Waters em “The Fletcher Memorial Home”, e claro, todo o fenomenal trabalho de “The Final Cut”. Curiosamente, essas três contém uma participação maior de Gilmour, e é naquela em que ele é o centro das atenções que encontro o único deslize de The Final Cut, “Not Now John”, e que por outro lado é a única que os xiitas relevam por conta justamente de fugir do que foi apresentado no resto do disco. Perdoem-nos, Mr. Waters, eles não sabem de nada.

Anderson: Retratando o contexto da segunda guerra mundial em um momento pós-conflito o disco é bem sombrio e muito crítico (como não poderia deixar de ser). Entretanto, apesar de levar o nome da banda, tem muito mais a cara da carreira solo de Roger Waters. Muito teclado e piano proveniente de composições do próprio Roger Waters que monopolizou a construção do material. A ausência da criatividade dos demais membros é nítida, não vemos quase nada criativo na bateria e de guitarra são dois solos decentes. De modo geral é um álbum bem repetitivo e só não se torna maçante por ser relativamente curto. Por fim, musicalmente, me agradam mais a faixa título “The Final Cut”, “The Gunners Dream” e a derradeira “Two Suns in the Sunset”. Não é à toa que grande parte dos fãs não são entusiastas desse material. Vale pelas mensagens e reflexões, mas é de fato o espectro da banda e de um fim melancólico.

André: Depois do “Muro” pouca coisa do Pink Floyd me agrada. Eu o escuto e sinto falta daquele Floyd mais surpreendente. Eles já eram uma banda rachada aqui e isso se refletiu no disco. Já tive mais estima pelo álbum mas hoje me soa mais como mais um dos ranços políticos de Waters contra o sistema capitalista e sobre guerras que ele não compreende muito bem do que um disco decente tratando de um tema tão rico como os citados anteriormente.

Marcelo: A última obra de Roger Waters com o Pink Floyd é provavelmente o disco mais controverso de todos os que ele fez com Gilmour, Mason, e em tempos anteriores, Wright e Barrett. E, para muitos, o mais fraco de todos; para mim, não está à altura dos discos que o antecederam, mas nem por isso é um disco ruim – o problema está em suceder um dos mais impressionantes catálogos da história do rock. Subintitulado “A Requiem for the Post War Dream”, este disco é basicamente um libelo antiguerra, inteiramente concebido por Roger Waters a partir de sobras de The Wall e novas músicas compostas como protesto contra a guerra das Falklands. O disco começa com a vagarosa “The Post War Dream”, com Waters cantando sobre uma base orquestrada, e ganha vigor com “Your Possible Pasts”, com belo solo de Gilmour; essa última e “The Fletcher Memorial Home” são os melhores momentos do guitarrista no álbum – mas “The Fletcher…” é prejudicada pelo vocal choroso de Waters. “One of the Few” e “Get Your FIlthy Hands Off My Desert” são vinhetas de pouco mais de um minuto. “The Hero’s Return” sobe um pouco o nível de energia do disco, trazendo um riff insistente de guitarra. A bela “The Gunner’s Dream” é levada ao piano, e teria se beneficiado da voz mais agradável e expressiva de Gilmour; o solo de sax de Raphael Ravenscroft é o melhor momento da música. “Southampton Dock” – esta, mais uma música quase solo – seria a mais executada do álbum em shows de Waters, ainda que tocada pela última vez em 2008. Gilmour dá as caras em “Not Now John”, música mais pesada do disco, mas muito aquém do que ele fez com a banda. A faixa-título é outra que teria ficado melhor na voz de Gilmour (que faz outro bom solo), mas neste disco, mais do que em “The Wall”, as letras são pessoais demais, são Waters demais para se imaginar outro vocalista cantando. Waters compôs todas as músicas, fez o vocal solo em quase todas, e as ideias que norteiam este álbum se identificam diretamente com ele; poderia ter sido seu melhor disco-solo, mas, em vez disso, virou um dos discos mais malhados (senão o mais criticado) da história do Pink Floyd, ainda que, em vários momentos, esteja à altura de The Wall (embora não chegue aos pés de Dark Side of The Moon, Wish You Were Here ou Animals). Ao longo dos anos, Waters tocaria algumas músicas do álbum em seus shows solo, mas não há nenhuma performance ao vivo do material de The Final Cut com o Pink Floyd. E não acho que na atual turnê, ele venha a tocar muita coisa desse disco.

Líbia: É um daqueles álbuns que ou você ama ou odeia. Para mim, é um dos meus favoritos do Pink Floyd, tem palavras poderosas, música envolvente e arte impressionante. Este é um álbum totalmente envolvente e emocionante.  É verdade que a falta de solos de guitarra pode ser sentida por alguns, mas quando eles aparecem em músicas como “The Post War Dream”, “The Fletcher Memorial Home” e “Not Now John”, são simplesmente excepcionais. A infrequência de sua presença faz com que se tornem ainda mais impactantes quando surgem. No entanto, há outras faixas que são simplesmente incríveis, especialmente depois de ouvi-las repetidamente, como “The Gunner’s Dream”, “The Final Cut” e, especialmente, “When the Tigers Broke Free”. Eu costumo ouvir o álbum do começo ao fim, pois acabo mergulhando nas letras e na história por trás delas.

Fernando: Muito já foi falado sobre esse disco. Tem aqueles que acham as músicas fracas, tem os que reclamam da postura ditatorial de Roger Waters (que é uma atitude bastante curiosa para alguém com o discurso que ele tem), muitos tratam o disco como apenas uma sobra do The Wall e tem aqueles que realmente gostam do disco e é nesse último grupo que eu me encaixo. Já falei sobre ele em uma discografia comentada e provavelmente esse é o disco que eu mais aprofundo no detalhamento. O disco fala mais detalhadamente sobre a morte do pai de Waters durante a Segunda Guerra Mundial e cita até mesmo a Guerra das Malvinas. É uma pena que a banda estivesse sem clima nenhum. Imagino se Gilmour estivesse mais focado no disco teríamos um novo clássico da banda. E por falar em guerra, não podemos esquecer que depois desse álbum uma verdadeira guerra entre os membros começou a acontecer.


Grave Digger – Tunes of War (1996)
Recomendado por André Kaminski

Adoro este disco falando sobre a Escócia e seus conflitos. Pesado, divertido e empolgante são poucos elogios para citar aqui. Daqueles disco dos quais me fazem sentir vontade de pôr o kilt e sair marchando ao som de gaitas de foles bradando pelo patriotismo escocês (do qual tenho zero descendência).

Anderson: Esse álbum é um clássico que forneceu músicas tocadas até os dias de hoje em seus shows, são exemplos “The Dark of the Sun” ou “Rebellion” (um hino do Heavy Metal) cantadas em coro pelos fãs nesse ano aqui no Brasil. Poderíamos falar de “Scotland United” ou “The Ballad Of Mary”, ainda.  Sobre a temática, o álbum trabalha os levantes jacobitas que ocorreram na Escócia (também na Inglaterra e Irlanda) no fim do século XVII visando a restauração da Casa Stuart após os atos da Revolução Gloriosa, a mesma que ajudou reduzir o poder do rei no Reino Unido, mas mantendo a papagaiada que vimos esses dias na coroação do Rei Charles III… o resto é história. Enfim, o álbum é totalmente conceitual e valoriza o que de melhor tem o Grave Digger: a simplicidade Heavy Metal com pitadas essenciais do Power Metal. Muito boa escolha!

Mairon: Esse é um clássico. Narrando as batalhas que o povo escocês fez buscando sua independência, Tunes of War é uma aula de power metal, e também de história. A bateria de Stefan Arnold é uma das principais atrações, assim como as ótimas performances vocais de Chris Boltendahl. Mas não dá para negar que o grande nome do Grave Digger é o guitarrista Uwe Lulis. Seus solos são exatamente aquilo que de melhor um fã de power metal quer ouvir, com melodia, velocidade e muita técnica, vide “The Bruce” e “The Truth”, e seus riffs, grudentos e trabalhados comos os de “The Dark of the Sun”, “The Battle of Flodden” cravam na cabeça. Melhores faixas para “Culloden Muir”, delirante, “Cry for Freedom” e “William Wallace (Braveheart)”, E também curti a inserção das gaitas de foile em “Rebellion (The Clans Are Marching)”, pena que por pouco tempo. Fica a pergunta aos entendidos, eles se inspiraram no filme Coração Valente para fazer o disco, já que Tunes of War saiu um ano depois do clássico de Mel Gibson?

Marcelo: O Grave Digger fez parte daquela cena do Power Metal alemão dos anos 80, época em que tomei contato com a banda. Eventualmente, perdi-os do radar, e ao receber essa lista fui verificar informações a respeito do álbum, que é conceitual e narra as lutas da Escócia contra a Inglaterra, mencionando inclusive o famoso William Wallace, que a maioria conhece por causa do filme “Coração Valente”, do Mel Gibson. As músicas do disco são muito boas, e mesmo com as muitas mudanças de formação a banda sempre teve um bom instrumental; não gosto dos vocais de Chris Boltendahl, mas francamente não sou fã da maioria dos vocalistas de metal da década de 80 para cá, então, não é problema para mim (o máximo que acontece é eu pensar como a música soaria com um cantor mais ao meu agrado). Deixando de lado a crítica, vamos às músicas. A abertura com “The Brave” é muito legal, trazendo a melodia tradicional de “Alba an Aigh”, hino não-oficial da Escócia, tocada numa gaita de fole de verdade (como convém), e na sequência, tem-se as boas “Scotland United” e “In the Dark of the Sun”, rápidas e com aquele sabor épico do metal alemão. Após a introdução enganadoramente suave, tem-se a paulada de “William Wallace”, um dos destaques absolutos do disco. A banda pesquisou bastante a história da Escócia, tendo inclusive visitado o país diversas vezes durante a fase de composição, abordando os famosos reis Robert (The Bruce), Mary (Stuart) e James VI (futuro James I da Inglaterra) em músicas específicas que mantêm o alto nível do disco; destaco em especial a balada dedicada à rainha Mary, muito bonita e com bela interpretação vocal de Boltendahl. “The Truth”, “Cry for Freedom” e “Killing Time” trazem o peso de volta e preparam para a melhor música, “Rebellion (The Clans are Marching)”, praticamente perfeita e com um emocionante solo de gaita de fole. Pena que as músicas seguintes não se comparam a ela, o que me faz pensar que “Rebellion” deveria ter encerrado o disco. No todo, um bom disco, com músicas bastante fortes e bem construídas. Fui atrás das letras e me surpreendi com sua qualidade, sendo muito bem escritas. Ao ouvi-lo, procure as letras e pesquise sobre os eventos históricos apresentados nas músicas, a experiência é bem interessante!

Líbia:

Fernando: Vários álbuns do Grave Digger poderia estar aqui nessa sessão. Eles realmente são especialistas em trazer esse tipo de temática para o heavy metal. Mas provavelmente Tunes of War seja o melhor de seus álbuns. Vi a banda ao vivo pela primeira vez recentemente no Summer Breeze Brasil e foi excelente. Desse disco foram tocadas “Rebellion (The Clans Are Marching)” e “The Dark of the Sun”. Fica como curiosidade uma banda alemã com tamanho interesse na história escocesa, lembrando que eles fizeram até mesmo uma sequencia para esse álbum (The Clans Will Rise Again de 2010).


Turisas – Stand up and Fight (2011)
Recomendado por Líbia Barros

Recentemente descobri essa banda e, quando o tema da guerra surgiu aqui no Consultoria do Rock, ela foi a primeira que me veio à mente. Ele não é tão comentado de forma geral, e olha, esse álbum me prendeu. Os finlandeses da TURISAS combinam metal sinfônico, folk e viking de forma muito teatral, o show deles que assisti no Youtube é matador, representam toda a força do seu som. Bom, o Stand Up and Fight é um álbum muito elogiado entre os fãs, principalmente em relação a sua produção. Começa com a direta mas envolvente “The March of the Varangian Guard”, que dá uma ótima ideia do que a banda pode fazer. A partir daí, as músicas ficam em sua maioria mais longas e intrincadas, culminando na épica “End of an Empire”. “Hunting Pirates” é uma mistura fantástica de metal e música folclórica. “Stand up and Fight”, “Fear the Fear” e “End of an Empire” dependem muito do trabalho orquestral e são musicalmente e emocionalmente mais complexas do que “March” ou “Hunting Pirates”. No geral, é um álbum que continua sendo apreciado mesmo após várias audições.

Anderson: Esse álbum é um dos mais aclamados do Turisas, sem dúvida. A temática de guerra é constante nas obras da banda que nesse bom álbum trazem retratos do que foram ‘atos vikings’ (lembrando que não são uma etnia) representados em plenitude quando mostrados nas músicas por interesses próprios e como mercenários, tal qual de fato ocorreu em maior ou menor grau. O álbum em si mostra uma banda com bastante criatividade, que apresenta ao menos três diferentes momentos até chegar ao ápice. Diria que uma base power metal é bem constante e algumas músicas como a primeira “The March of the Varangian Guard” que não se destaca e a boa “Stand Up and Fight”. Porém, é quando se voltam ao Folk que o disco fica mais atraente, colocaria “Take the Day” ou “Βένετοι! – Πράσινοι!” (Venetoi! – Prasinoi!)”, esta uma das mais divertidas, nesse contexto. Por fim, uma pegada mais épica mesmo, com teclado se destacando e músicas mais longas como as três derradeiras. É um álbum que cresce com o passar das músicas e termina em seu apogeu. Não sou muito fã dessa banda, mas esse álbum é um que vale a pena dar uma chance.

André: Adoro a banda! Conseguem fazer um som inspirador e guerreiro e ao mesmo tempo divertido. Não escutei tanto este álbum quanto os anteriores mas já reparei que perdi muita coisa boa aqui. Cheio de cornetas, momentos de reflexão, velocidade e gritos de marcha, é um álbum para fazer subir o sangue e sair por aí combatendo as tropas invasoras invisíveis da sua casa.

Marcelo: Nunca tinha ouvido o Turisas. Na verdade, da cena musical finlandesa, só conhecia o Tasavallan Presidentti, e ainda assim porque um amigo tinha o “Milky Way Moses” e gostava de tocá-lo quando a turma o visitava, porque era raridade!! Mas não conheço nada do metal finlandês, então fui ouvir este disco na base de “o que será que vou encontrar?” – até porque, pesquisando sobre a banda, descobri que estão até no ProgArchives! O sexteto neste disco inclui uma acordeonista e um violinista, elementos que não são comuns nas bandas que costumo ouvir. Com tudo isso, fiquei curioso para ouvir. O começo do disco me assustou; pensei que o disco do Rei Arthur de Rick Wakeman tinha sido regravado com participação do vocalista do Crash Test Dummies. Mas a impressão durou pouco. “The March of the Varangian Guard” abre o disco com um clima épico, e coloca em destaque a orquestração e o coral que dominam os arranjos das músicas. “Take the Day!” é muito boa, a introdução faz pensar num exército em marcha, e o vocal do Mathias Nygard se aproxima mais do padrão metálico. “Hunting Pirates”, que vem a seguir, não deixa nada a desejar em relação às duas primeiras; a introdução me fez lembrar um pouco Fairport Convention dos anos 70, fiquei imaginando Dave Swarbrick cantando essa. “Venetoi! Prasinoi!”, em seguida, baixou um pouco o padrão atingido pelas primeiras músicas (o que cargas d’água significa o título, by the way?), mas não comprometeu – muito bom o trabalho do baterista Tude Lehtonen nessa música. A faixa título vem em seguida, reduzindo um pouco o peso e a velocidade das músicas, e dando a Nygard uma oportunidade de mostrar sua voz mais limpa – mas estou mais para “Stand Up and Shout”… A guitarra de Jussi Wickström conduz “The Great Escape”, talvez a música mais convencional do disco, mas nem por isso desinteressante: ela “quebra” um pouco o padrão definido pelas demais, e o trecho puramente orquestrado no final é muito bonito. “Fear the Fear” vem na sequência, e nesse caso pareceu-me que a orquestra não combinou muito com a música. “The End of an Empire” é bem melhor, alternando momentos suaves com pesados nessa que é a mais longa composição do disco. “The Bosphorus Freezes Over” encerra bem o álbum, com uma introdução melancólica e um belo arranjo vocal; ótima música, no mesmo nível das três primeiras. No balanço, o disco foi uma agradável surpresa, muito bem produzido e arranjado, e com uma qualidade de gravação fantástica, e me fez sentir vontade de ouvir os outros lançamentos da banda. “Stand Up and Fight” também me deixou curioso para saber como diabos os nórdicos (a tal Varangian Guard) foram parar no Império Bizantino. No final das contas, valeu a pena!

Mairon: Não conhecia o Turisas, e então, fui atrás para entender o que era. Folk Symphonic Metal me fez pensar na hora em Manowar, mas não é bem assim. O disco conta a história da Guarda Varangiana, que pertenceu ao exército bizantino, exaltada e apresentada logo na primeira faixa, “The March of the Varangian Guard”. O som dos filandeses é muito centrado em sintetizadores e guitarras pesadas, com a presença de cordas, e a voz do vocalista altera entre um Glenn Danzig em dias sonolentos com um gutural não tão estrondoso como o do Aztlan, cercado ainda por vozes de apoio que funcionam como uma espécie de coral. Não consegui nutrir sentimentos com o disco. A sgunda metade do disco é muito fraca, e no disco em si faltam solos marcantes, riffs empolgantes, algo que é fundamental para se curtir uma novidade. Mas posso afirmar que em “Hunting Pirates”, onde há presença de um acordeão, achei bem interessante a ideia, e claro, “Βένετοι! – Πράσινοι!” (Venetoi! – Prasinoi!) é disparada a melhor faixa de Stand Up and Fight, com uma baita construção instrumental.

Fernando: Nunca tinha tido interesse em ouvir o Turisas e fiquei surpreso. Eu imaginava um produto genérico do Amon Amarth e não foi o que encontrei. Primeiro que não temos a voz gutural guiando a música toda e o peso não é o que podemos considerar como metal extremo. Gostei bastante da dosagem da mistura de elementos, pois facilmente essas bandas acabam exagerando em algum aspecto. Vou ouvir mais. Gostei.


Ex Deo – The Imortal Wars
Recomendado por Fernando Bueno

Talvez as pessoas vão se lembrar do tempo de escola quando eu falar de Guerras Púnicas. Provavelmente ninguém se lembra do que se trata, mas esse termo foi usado para descrever as guerras entre Roma e Cartago. O Ex Deo trouxe essa temática romana para o heavy metal, mais precisamente para o death metal, e foram muito assertivos. Dá para imaginar um general romano usando aquela voz característica do estilo na hora de dar uma ordem para as suas legiões. Nesse terceiro disco a temática foi dividida para que em metade do disco a perspectiva romana tivesse em destaque e na outra a história é contada sob o ponto de vista dos cartagineses. Excelente disco. A discografia comentada, somente dos três primeiros discos você pode encontrar aqui.

Anderson: O Ex Deo é uma banda com temática romana de modo geral. Aqui nesse disco são retratados os eventos da segunda guerra púnica em que o general Aníbal cruza os alpes com elefantes de guerra para atacar os romanos e até hoje não temos certeza do porquê não o fez. O fato é que esse curto álbum é muito bom. As quatro primeiras músicas são arrebatadoras. “The Rise of Hannibal” abre o álbum elevando a expectativa contando com uma introdução curta e uma cadência interessante. “Hispania (The Siege of Saguntum)” é uma das mais rápidas e combina com a proposta enunciada na primeira música. Ela é seguida da ótima “Crossing of the Alps” que apresenta os primeiros elementos sinfônicos mais significativos. Agora o ponto alto mesmo é “Cato Major: Carthago Delenda Est!”. Destruidora, com o perdão do trocadilho! É bem agressiva, e as orquestrações transformam a música, dando um tom bélico, algo que acontece também na ótima “Ad Victoriam (The Battle of Zama)”. Creio que para quem curte história clássica e música esse material é um prato cheio. Talvez se usássemos esse tipo de incentivo na escola teríamos mais alunos empolgados. E fica a grande questão: Qual mundo poderíamos ter hoje se Aníbal tivesse vencido em Zama ou, antes, invadido e dominado a República Romana?! Bom, o único problema desse álbum é ser tão curto!!

André: Já tinha ouvido falar mas não lembro de ter ouvido esta banda. Curti demais que é um death metal melódico com temática romana, mesmo os caras sendo canadenses. Falando sobre a Terceira Guerra Punica, o disco é bem rico nesta parte de pesquisa histórica (assim como foi o Grave Digger) e apresenta umas letras bacanas envolvendo canções mais levadas pelo lado metal mesmo do que de simular um chamado para a guerra. Vou atrás de mais coisas dessa banda.

Mairon: Este álbum conta a história de Hanniball, um dos grandes inimigos do império romano, e que travou batalhas épicas contra aquele império, inclusive com o uso de elefantes (que estão presentes no álbum). O disco inteiro é construído sobre arranjos pomposos e impactantes, e claro, os vocais de Maurizio Iacomo são uns dos grandes destaques (aqui acho que o gutural cai bem), além das orquestrações, que se casam muito bem com a pegada pesadíssima dos canadenses. As várias mudanças de andamento também se destacam, principalmente em “Ad Victoriuan (The Battle of Zana)”, “Hispania (The Siege of Saguntum)” e “Cato Major: Carthago Delenda Est!”. Disco muito interessante, para ser ouvido como uma espécie de trilha sonora para um filme de guerra!

Marcelo: Uma das coisas que mais gosto ao participar dessa seção é a oportunidade de ouvir bandas e discos que provavelmente nunca conheceria. Não conhecia esta banda, muito menos o Kataklysm, que lhe deu origem, e nem em pesadelo teria imaginado um grupo de rock usando uniforme de legionário romano. Bem, antes isso do que maquiagem de palhaço (Zal Cleminson na época da Sensational Alex Harvey Band já era o bastante). O álbum é baseado na história de Aníbal, o rei cartaginês que desafiou o Império Romano – um ótimo ponto de partida para um álbum épico, mas curto. O início da música “The Rise of Hannibal” me lembrou o clássico “Crusader”, do Saxon, não porque sejam parecidas, mas porque o clima é semelhante. Os vocais de Maurizio Iacono são sem dúvida poderosos, mas não são meu estilo, não adianta. A música, no entanto, é muito boa. “Hispania (The Siege of Saguntum)” é mais rápida e mais pesada sem perder o clima épico. O baterista Oli Beaudoin toca muito nessa música, lidando com as mudanças de ritmo sem dificuldade. Na sequência, “Crossing of the Alps”, cuja bela introdução faz pensar em uma música mais melodiosa – para depois o pau comer solto. Um breve interlúdio instrumental, “Suavetaurilia”, prepara o terreno para “Cato Major: Carthago Delenda Est!”, que menciona o orador e senador Catão, que encerrava suas intervenções com a exortação a que os romanos destruíssem Cartago. “Ad Victoriam (The Battle of Zama)” narra a batalha em que Aníbal é derrotado por Cipião Africano, e Cartago é destruída. A introdução lembra um exército marchando para a batalha e chega a impressionar. A música é muito bem trabalhada e foi a que mais gostei no disco (só queria alguém cantando em vez de urrar a letra…). “The Spoils of War” vem em seguida, que não chegou a me chamar muito a atenção, e o disco termina com “The Romans”, que me soou como uma marcha triunfal após a guerra. A orquestração chama mais a atenção do que nas outras músicas. Indubitavelmente, Maurizio Iacono, líder do Ex Deo, soube fazer bem a lição de casa nesse projeto. The Immortal Wars é um bom disco, com uma proposta criativa e um instrumental de ótima qualidade – ainda que as guitarras deixem um pouco a desejar; são pesadas e distorcidas, mas não brilham. Mas para quem, como eu, não gosta dos vocais do estilo, não enseja muitas audições. E, definitivamente, Oli Beaudoin é ótimo baterista. Valeu muito ter conhecido!

6 comentários sobre “Consultoria Recomenda: Temáticas de Guerras

  1. Três comentários:
    a) Acertei um dos responsáveis pelas indicações (estou melhorando, hehehe);
    b) Bom ver que a turma gostou da minha indicação!
    c) Acho que estou enrolando muito ao escrever…

    1. 1) Qual que vc acertou?
      2) Gostei mesmo. Vou ouvir mais
      3) Pode escrever quanto quiser. Aqui a gente gosta de textão…

      1. 1) A do Final Cut (mas acho que essa era fácil)
        2) Ótimo! Se puder te recomendar, ouça também o Split deles, que é melhor ainda
        3) Não diz uma coisa dessas, acabarei escrevendo mais ainda…

  2. Será que eu me confudi com o Ex Deo, é a segunda ou terceira guerra púnica que eles mencionam?

  3. E hoje li que o Tony “T. S.” McPhee morreu aos 79 anos no último dia 6 de junho… 2023 está levando todos os guitarristas…

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