Por Jose Leonardo Aronna

Continuando minha análise de alguns discos lançados pelo selo Neon Records, vamos falar desta vez do grupo Raw Material. Antes de começar, informo que não foi possível escrever um texto muito fidedigno, pois as informações consultadas além de não serem muito aprofundadas, continham inúmeras divergências.

A banda foi formada em Londres, em 1968, por Colin Catt (teclados) e Philip Gun (baixo), que já atuavam juntos desde os tempos de escola. Completavam a fortmação original do Raw Material, o guitarrista John Brockhurst e o baterista Paul Young. Enquanto tocavam em bares e faculdades, a banda gravou algumas demos que interessaram a pequena gravadora Evolution Records. Assim, por este selo é lançado o primeiro single do grupo, “Time and Illusion/Bobo’s Part”, em setembro de 1969. Em janeiro de 1970, mais um single é lançado, “Hi There Hallelujah/Days Of The Fighting Cock”. Apesar de não ter sido um sucesso, esse single despertou o interesse pela banda e várias apresentações foram agendadas. Numa dessas apresentações, na Suíça, a banda conheceu o músico Mick Fletcher (sax, flauta), que estava atuando com um grupo chamado Daniel. Mick tinha participado das bandas Mobile Vulgars, onde tocava piano e, mais recentemente da banda Steam, onde era vocalista e flautista. De volta a Inglaterra, Mick Fletcher é efetivado na banda, que com isso, ampliam seus horizontes musicais, lançando seu terceiro single “Traveller Man (part 1+2)” que sai em maio de 1970. Mas, enquanto gravavam o seu primeiro Lp, o guitarrista John Brockhurst sai do grupo e é substituído por Dave Green. Ainda pelo selo Evolution, o Lp Raw Material é lançado em dezembro de 1970. Todos esses singles, bem como o disco de estréia são valiosos itens de coleção, podendo chegar a preços astronômicos. Nesses trabalhos lançados pelo selo Evolution, a banda, segundo alguns críticos, se mostra como estivesse em crise de identidade, não sabendo ao certo se devem tocar prog, blues ou psicodelismo e muitas dessas composições tem um feeling dos anos 60. Eu não posso opinar, pois não conheço esses trabalhos.

Rara foto da banda

Rara foto da banda

Em 1971, a banda foi contratada pela RCA, que estava investindo no selo Neon para lançar artistas da cena progressiva inglesa. Sendo assim, em novembro de 1971 o excelente álbum Time Is … é lançado. O disco inicia com “Ice Queen”, com uma semelhança com a canção Killer do Van der Graaf Generator, que abre com sons de vento congelados, apresentando ótimos riffs de sax e guitarra, além de um interlúdio jazzy ao piano e um solo de flauta interessante. A próxima faixa, “Empty Houses”, talvez seja a canção mais sofisticada no disco, com sua melodia algumas melodias inspiradas, vocais fortes e solos ligeiramente psicodélicos. Em seguida temos a última faixa do lado A, “Insolent Lady” com um início lento, suave com violão e flauta. Isto dá lugar a solos de piano, que, por sua vez, se transformam num prog rock com guitarra e sax.

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Capa dupla do Lp

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Capa interna do Lp

Virando o disco temos “Miracle Worker”, com influência do folk britânico, mas com um toque progressivo. A seguir, “Religion” traz de volta a semelhança com o som do VdGG com o sax e órgão Hammond a todo o vapor. O Lp se encerra com “Sun King” que começa bastante suave, com o uso de algum synth. Sax e órgão entram em ação por um tempo, antes da canção se tornar novamente acústica, então temos um bom solo de guitarra e a a volta da seqüência de início no synth. Dai o retorno do tema original, e em seguida, uma passagem de guitarra fantástica se segue.

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Selo do Lp

Importante salientar que, de acordo com algumas fontes consultadas, ainda em 1971 a banda se tornou um sexteto, com a entrada de mais um membro, o guitarrista Cliff Harewood (ou Homewood), que tocava numa banda chamada Welcome. Inclusive, Cliff consta como guitarrista do álbum em questão, mas o mesmo não é creditado na ficha técnica do disco, apesar do nome Homewood aparecer como co-autor da faixa Ice Queen. Isso se for a mesma pessoa. Só alguém da banda para esclarecer isso!

Anúncio do Lp em publicação inglesa

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No início do ano seguinte duas canções da banda apareceriam num single promocional, “Ride On Pony” (cover do grupo Free) e Religion, do álbum Time Is. Desnecessário dizer que esse single é uma valiosa peça de coleção! Como a meta de obter sucesso não foi atingida, a banda encerrou suas atividades, provavelmente em 1972.

Pouco se soube de seus integrantes depois disso, apenas que o guitarrista Dave Green apareceria na banda Shoot, formada pelo ex-Yardbirds e ex-Renaissance Jim McCarty (vocal, teclados), que junto com Bill Russell (baixo) e Craig Collinge (bateria) lançaram o álbum On The Frontier e o single “On The Frontier” / “Ships and Sales” em 1973, ambos pela EMI, além de gravarem uma BBC session para o célebre DJ John Peel.

Raw-Material-band

Track list

1. Ice Queen
2. Empty Houses
3. Insolent Lady: a) Bye The Way; b) Small Thief; c) Insolent Lady
4. Miracle Worker
5. Religion
6. Sun God: a) Awakening; b) Realization; c) Worship

5 comentários

  1. Ronaldo

    Eu conheço só o primeiro álbum e os singles, acho bem interessante. Esse segundo ainda não ouvi. Mas essa citada “falta de direcionamento” acho que era como se fosse uma marca do período, parecia tudo muito fluido após aquela alvorada lisérgica de 67-69 e os músicos pareciam que queriam absorver tudo que rolava. Não a toa que o pessoal que gosta de música dessa época é bastante eclético, pq o som daquela época era eclético. Creio que as bandas que conseguiram ter mais foco e se aprofundaram em um daqueles veios possíveis (fazendo-os com qualidade, obviamente) foram as que se deram melhor, fizeram a melhor escolha.
    Ótimo texto!

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    • Leonardo

      Obrigado, Ronaldo. Baixei e ouvi o primeiro disco que tb tem umas bonus tracks. Gsei bastante, mas esse segundo trabalho considero superior.
      Abs

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