Melhores de 2011: por Eduardo Luppe

6 de janeiro, 2012 | por Eduardo Luppe
Melhores do Ano
2

Alice Cooper

Nesta primeira semana de janeiro, de segunda a sexta, diversos colaboradores da Consultoria do Rock estarão apresentando listas com suas preferências particulares envolvendo os novos álbuns de estúdio lançados em 2011. Cada redator tem a oportunidade de elaborar sua listagem conforme seus próprios critérios, escolhendo dez álbuns de destaque, além de uma surpresa e uma decepção (não necessariamente precisam ser discos). Conforme o desejo de cada um, existe também a possibilidade de incluir outros itens à seleção, como listas complementares, enriquecendo o processo e apresentando sugestões relacionadas ao ano que acabou de se encerrar. Como culminância do processo, no sábado, os dez álbuns mais citados serão compilados e receberão comentários de todos os colaboradores, não importando o teor das opiniões.

Por Eduardo Luppe

Um trabalho árduo para um ano repleto de lançamentos regulares, onde bons álbuns foram lançados e muitas das bandas optaram em ficar na zona de conforto, ou seja, evitar o risco de tentar algo novo e consequentemente dar com os burros n’ água.

Álbuns do ano

Alice Cooper – Welcome 2 My Nightmare

Quando ouvi que esta lenda do rock estaria prestes a lançar uma sequência de um dos álbuns mais bem sucedidos e duradouros da história do Rock, Welcome to My Nightmare (1975), fiquei intrigado, talvez um pouco cético, pois muitos que enveredaram por esse caminho foram massacrados pela crítica e pelos fãs. Como um bom apreciador de rock clássico, acredito que reuniões musicais são sempre um deleite, e você tenta manter boas esperanças. O novo álbum é ousado, pois tem toda aquela grandiosidade que todo disco conceitual pede; por outro lado é divertido, ou seja, é tudo aquilo que deixa o fã de Alice Cooper satisfeito, rock ‘n’ roll bem tocado, letras pra lá de assustadoras e clima lúgubre. A produção é de Bob Ezrin, isso resume tudo. Destaque para as faixas, “I Am Made of You”, “Caffeine”, “I’ll Bite Your Face Off” e a ótima balada “Something To Remember Me By”.

Machine Head – Unto the Locust

Em tempos de vacas magras, o Machine Head fez o mais difícil, lançar um trabalho melhor que o já clássico The Blackening (2007). Unto the Locust surpreende pela criatividade e pelo excelente trabalho de guitarras da dupla Robert Flynn e Phil Demmel. Um álbum denso, forte e bem trabalhado, nada mais nada menos que o futuro do Thrash Metal. Destaque para as faixas “Locust”, “This Is The End” e a cinematográfica “Who We Are”.

TNT – A Farewell to Arms

Se você quer ouvir um álbum de hard rock que foge dos ditos clichês que se têm por aí, corra atrás deste, pois com certeza está entre os melhores do gênero. Depois do fraco Atlantis (2008), A Farewell to Arms traz um TNT forte e renovado, com Tony Mills cantando horrores e mostrando definitivamente que Tony Harnell (ex-TNT) não faz falta alguma ao grupo. Outro grande diferencial no petardo é o timbre característico da guitarra de Ronnie Le Tekro e seu estilo único de tocar, resultado disso: criatividade e desenvoltura na construção das harmonias. Destaque para as excelentes faixas “Refugee”, “Ship In The Night”, “Farewell To Arms” e a linda balada “Marie”.

Dream Theater – A Dramatic Turn of Events

Muito já foi dito sobre esse álbum, sendo assim, posso dizer que o Dream Theater hoje está em sua melhor forma. Um álbum bem trabalhado, dotado de boas melodias e absurdamente técnico. Tudo que um fã de Dream Theater espera. Quanto ao baterista Mike Mangini… Por favor, ouça a faixa “Outcry” e faça a seguinte pergunta… Quem é Mike Portnoy mesmo?

Anthrax – Worship Music

Simplesmente matador! Mais um ótimo álbum de thrash metal para acrescentar à lista de 2011. Para quem curtiu o último trabalho de inéditas do grupo, We’ve Come for You All (2003), com esse fica a prova do poder de fogo da dupla Scott Ian e Charlie Benante. A produção do álbum é excelente, as músicas bem executadas… tudo que os fãs esperavam, ou seja, um ótimo retorno do Anthrax com um trabalho poderoso que pode facilmente transitar entre os melhores álbuns da rica discografia da banda, embora não tenha o mesmo fôlego dos seus primeiros discos. Destaque para as faixas “The Devil You Know”, “In The End” e “Judas Priest”.

Megadeth – Th1rt3en

Através de boas composições, de modo a satisfazer o gosto musical de seus fãs, nos últimos anos Dave Mustaine e cia. vêm mantendo certo padrão de qualidade, ou seja, sem surpresas desagradáveis, mas por outro, lado nada que possa figurar entre os clássicos de outrora. Simplesmente Thrash Metal bem tocado e bem feito por quem conhece do assunto. Destaque para as boas faixas “Sudden Death”, “Public Enemy Nº 1”, “Never Dead” e a trabalhada “13”.

Edguy – Age of the Joker

Embora o projeto Avantasia tenha recebido ultimamente mais atenção por parte de seu criador, Tobias Sammet, o Edguy continua mantendo certa regularidade em seus lançamentos, não apenas em se tratando do estilo musical, mas também na qualidade indiscutível de suas composições, tudo isso graças à criatividade que transborda de seu líder. Ouvir Age of the Joker é uma tarefa muito fácil, pois são canções muito bem construídas, às quais você, logo na primeira audição, sente aquela vontade de cantarolar junto. Um álbum coerente sem ser cansativo. Mais um ponto para Tobias. Destaque para as ótimas faixas “Nobody’s Hero”, “Pandora’s Box” para a pesada e arrastada “Face In The Darkness” e para a épica “Behind The Gates To Midnight World”.

King Kobra – King Kobra

King Kobra, outra volta que deu certo! O retorno dessa boa banda de hard rock oitentista, traz qualidade e feeling para os tempos atuais. Boas composições, grandes performances, e tendo à frente um vocalista que, além de ter uma voz muito técnica, potente e característica, coloca Paul Shortino entre os melhores do gênero. O King Kobra está de volta e com eles a certeza de boas músicas. Destaque para as faixas “Rock This House”, “Turn Up The Good (Times)”, para a envolvente “Top Of The World” e para bonita balada “Cryin’ Turns To Rain”.

Chickenfoot – III

Com a promessa de salvar o bom e velho rock ‘n’ roll, o que ouvimos em Chickenfoot III é um hard rock bem feito com muita técnica, entrosado e com um clima que exala amizade, sem aquela velha “guerra de egos” que é perceptível em um trabalho executado somente por estrelas. Longe de ser um clássico, mas é um trabalho perfeitinho, com tudo bem encaixado, boas composições, bem produzido, porém nada que vá render recordações na prova do tempo. Destaque para as faixas “Last Temptation”, “Alright Alright” e para a boa “Up Next”.

Black n’ Blue – Hell Yeah!

O Black ‘n Blue está de volta depois de um longo período de 23 anos sem gravar nada de inédito. Enquanto Tommy Thayer está com o burro na sombra trabalhando com Gene Simmons e Paul Stanley, Jaime St. James & cia arregaçam as mangas e mandam bala em um Hard Rock direto, pesado e sem firulas. Impossível ficar indiferente às musicas “Fool’s Bleed”, “Target”, “Hail Hail” e a briguenta “Angry Drunk Son Of A Bitch”. Em suma, outro grande álbum de hard rock, porém com todos os clichês que o gênero permite.

Menções honrosas:

Mastodon – The Hunter
Symphony X – Iconoclast
Rival Sons – Pressure & Time
Adele – 21
Whitesnake – Forevermore
Mr. Big – What If…
Amorphis – The Beginning Of Times
HeadCat – Walk The Walk… Talk The Talk

A surpresa

White Wizzard – Flying Tigers

Há um bom tempo venho acompanhando a carreira do White Wizzard, porém, ao anunciar a segunda debandada geral em sua formação, restando somente o líder e baixista John Leon, fiquei preocupado com relação ao direcionamento da banda e consequentemente ao trabalho a ser lançado, mas felizmente Flying Tigers me surpreendeu positivamente. O álbum não chega a superar os anteriores, mas tem tudo para agradar especialmente aos fãs de Iron Maiden, ou seja, arranjos bem elaborados, baixo cavalgado e ótimas linhas vocais cantadas por quem conhece e sabe. Destaque para as faixas “Starchild”, “Flying Tigers” e “Fight to the Death” que apresentam a veia mais Heavy Metal com influências da NWOBHM.

A decepção

Queensrÿche – Dedicated to Chaos

Confesso que esse álbum foi um tiro nos meus colhões. Não que o álbum seja de todo ruim, ele tem algumas composições razoáveis e outras que chegam a ser interessantes, mas por se tratar de Queensrÿche, é muito pouco. Na verdade Dedicated to Chaos traz à tona aquele Rock simples e cheio de groove que o grupo começou a fazer quando passou a trabalhar com o cansativo produtor Kelly Gray. A maior parte das canções não chamam a atenção do ouvinte, à exceção das boas “Get Started”, “Broken”,” Hard Times” e a interessante “Wot We Do” que tem uma levada bem ao estilo Cabaré.



2 Comentarios

  1. Este blog é uma representação exata de competências. Eu gosto da sua recomendação. Um grande conceito que reflete os pensamentos do escritor. Consultoria RH

  2. diogobizotto disse:

    Escutei apenas uma vez esse álbum do Queensrÿche e não fiquei muito inclinado a ouvi-lo novamente. Por mais que eu goste do grupo e tenha sua carreira até "Promised Land" em altíssima conta, não posso negar que certas horas eles me decepcionam bastante. Preciso ouvir "Dedicated to Chaos" novamente para emitir uma opinião mais embasada.

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