Por Marcio Costa

Há décadas já se ouve que o rock’n’roll está no CTI, ou em coma, ou com morte cerebral… mas, será que o próprio rock tem culpa nisso? Para elucidar melhor o que está acontecendo com a música nos últimos anos, precisamos voltar algumas décadas e entender, de forma breve, o funcionamento da indústria musical. Quando o rock surgiu, nos anos 50, da maneira que nós hoje entendemos como tal, teve sua formatação dada por Chuck Berry que começou a usar as características de acordes com duas notas do blues no piano em uma guitarra de maneira agressiva, o que estabeleceu o ritmo e a característica do rock, nítido na música “Maybellene”. Não estou falando que ele inventou o rock, mas formatou-o dessa maneira.

Veio então uma sequência de músicos como Elvis Presley, Bill Haley, Little Richard entre outros, mas foi Elvis quem disseminou a imagem do rock. Chuck Berry sempre agradeceu o fato de Elvis ter aparecido, um homem branco, pintoso e cantando o mesmo estilo que ele, senão ele continuaria no gueto.  OK, mas quem vai salvar o rock?

Chuck Berry e Elvis Presley: os pais do rock ‘n’ roll

Calma aí… o rock foi criado pelos americanos e na década seguinte aparecem os Beatles, que formataram o estilo em uma maneira MUITO mais simples de se executar, elevando a música a todos os cantos do mundo. Surgiu aí talvez uma primeira receita para se quebrar excessos: a simplicidade. Os próprios Beatles decidiram refinar mais o próprio som e apresentar um trabalho mais maduro, elaborado, atemporal e estenderam o tapete para as bandas britânicas invadirem o mundo.

Analisando os expoentes musicais por décadas, vamos percebendo a oscilação artística que o rock apresentou: – Anos 50: Chuck Berry, Elvis Presley, Bill Haley, Little Richard, todos eles apresentavam um som agressivo para os padrões da época, eram artistas solo de indiscutível qualidade. – Anos 60: Beatles, Rolling Stones, Jimi Hendrix e o início da psicodelia, tornando a música basicamente feita por grupos, que começou a década com um som simples e terminou de forma requintada. – Anos 70: Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath e Yes são alguns dos exemplos da explosão fractal do rock que surgiu nessa década. Para se fazer música, tinha que ser um artista diferenciado, pois não havia espaço para enganação, era tudo real, viril e meritocrático.- Anos 80: consolidação do AC/DC, Van Halen, Metallica e Iron Maiden como exemplos de que o rock continuava a sua mutação, ainda impondo qualidade musical, novidades constantes e autenticidade. – Anos 90, o início do fim do rock: Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam e Guns and Roses formam a última linha de frente do gênero e até hoje são consideradas bandas sinônimo de rock e se tornando verdadeiros dinossauros a cada dia que passa.

Ok, o Guns não se encaixa no perfil das outras bandas que citei, mas eles foram a última grande banda de rock do planeta. Receita? Um guitarrista que não lembrava o Eddie Van Halen (e tirou a Gibson da falência) e letras dignas de submundo. Os jovens se identificaram com isso.  Anos 2000? O que tivemos do ano 2000 para cá de significativo no rock? O que apareceu e marcou cenário, lotou estádios ou pelo menos já se tornou clássico? Aonde foi parar a espontaneidade, a capacidade de composição, as músicas atemporais? Vamos então entrar mais a fundo para entender o que realmente enterra o gênero.

The Winery Dogs, a esperança da salvação do rock, mas…

 

Como não surge mais nada mundialmente relevante no estilo, as esperanças recaem sobre os ícones de décadas anteriores. Quem não ficou animado ao saber da junção de Richie Kotzen, Billy Sheehan e Mike Portnoy? Bingo! Teríamos uma voz impecável, com uma guitarra de execução brilhante, junto a um dos baixistas vivos mais importantes da história e um baterista que é uma verdadeira lenda… não tem como dar errado, certo? Pois é, mas mesmo as músicas sendo boas, o som agradável, um verdadeiro prazer ver o show da banda, parece que foi nem um pouco suficiente para salvar o rock…

As gerações que viveram os primórdios do rock se desinteressaram completamente pela renovação do estilo, enquanto os fãs jurássicos vivem em bolhas do próprio interesse musical, com ajuda da internet que não os deixam ficar isolados. A geração X ainda desfila suas camisas pretas de bandas já antigas com um orgulho ímpar, mesmo que elas já estejam surradas, mas ainda são um santo sudário no meio do cenário atual.

Venho de uma geração em que rock tocava nas rádios, foi mania no Brasil nos anos 80 com uma forte vertente própria e que nos ajudava a segmentar amigos, lugares a frequentar e até participar de reuniões de audição de discos! Comprar um disco novo era garantir um momento sabático de pelo menos meia-hora em frente ao aparelho, sem NINGUÉM te atrapalhar, concentração total nas novas faixas, sentar no melhor sofá da sala (que geralmente era ao lado do aparelho de som), apreciação da capa, do encarte, da ficha técnica e todo esse momento catártico garantia futuras audições da obra, por várias e várias vezes, até a absorção por completo. E tudo isso foi se perdendo. Então, começamos a perceber que existem vários fatores responsáveis pelo que estamos vivendo hoje.  O principal motivo, porém não único, da perda do interesse pelo rock é exatamente o que foi encarado por alguns como esperança de popularização do movimento: a proliferação digital.

Depois que as músicas começaram a caber em um pen drive ou serem armazenadas em um computador, perdeu-se o momento lúdico e a audição perdeu a importância, onde atualmente se houve música por horas, seja lavando o carro, arrumando a casa, no trabalho ou durante uma viagem. Não há mais a necessidade de carregar consigo um álbum, de olhar a arte que acompanha o disco, de saber o nome das músicas e a ordem delas. A concepção de um álbum de rock perdeu o seu status a partir do momento que começou a ser armazenada junto a outros estilos musicais e de forma desordenada. O rock estava condenado à dissipação.  Nos últimos 15 anos, as bandas de rock que surgem, além de descartáveis e sem novidades, apresentam sonoridade plastificada, com todas guitarras soando iguais, no mesmo volume, com baterias completas de replace, triggers, tudo quantizado, vozes super afinadas em AutoTunes da vida, baixos inaudíveis e produtores que metem a mão em tudo.

Mas a culpa deles é até pequena em comparação ao que os próprios ouvintes proporcionaram. Existem ainda produtores como o Kevin Shirley que salvam bandas, como os trabalhos que fez com o  Rush e Mr. Big quando os fãs já haviam perdido as esperanças. Tive a oportunidade de assistir uma palestra do André Matos, importante vocalista do cenário nacional, na qual ele citava a ligação direta da qualidade musical com a quantidade de pessoas que tinham acesso a ela, citando desde os primórdios da música registrada e pautada até a atualidade. Brilhante maneira a qual ele abordou a fase da criação da música clássica e seu público até o bendito funk atual e seu respeitoso público: quanto maior a facilidade que a música chega até as pessoas que não tem a capacidade de entendê-la, pior ela se torna em um cenário amplo. Quanto mais desconhecedores tem acesso, mais ela se torna impura, digna. É como se fosse uma prostituição da música. Na minha época de adolescente, nas festas rolava rock nacional e estrangeiro, de vez em quando um pop. Hoje só rola o quê em festa de criança? FUNK! E ninguém toma providência…

 Black Country Communion reúne verdadeiros gênios em suas posições. Então?

Com a total ausência de novos talentos, seja solo ou em conjunto, é ao mesmo tempo MUITO empolgante ver uma banda como a Black Country Communion surgir e também é meio “já imagino o que vem” por conhecermos os integrantes. A voz mais impressionante do rock + uma lenda da guitarra blues + um tecladista de altíssimo nível + um baterista de sobrenome icônico… agora vai!! Glenn Hughes, Joe Bonamassa, Derek Sherininan e Jason Bonham com certeza vão tocar em todas as rádios, lotarão estádios e terão sua música eternizada, mas… peraí… também não acontece por quê? Eles tem todos pré-requisitos para fazerem boa música, assim como o Winery Dogs e já provaram por décadas que sabem fazer e… alguém compra o disco? Não, a maioria absoluta “baixa” o trabalho e está nem aí para a concepção do trabalho.

Os grandes discos clássicos do rock sempre abordaram histórias, o título era tema abundante nas músicas e assim caminhou a humanidade… até o fim do século passado.  Talvez a resposta seja simples: não só o cenário mudou, mas O MUNDO todo mudou. Infelizmente a guitarra está com seus dias contados, os nossos ídolos (aqueles músicos que mudaram a história de seus respectivos instrumentos) estão morrendo, os estúdios de gravação estão acabando, estamos vendo lendas do rock tocando em clubes pequenos, sem qualquer tipo de apoio, com uma avalanche de turnês mundiais para lembrar o “disco tal mais bem sucedido da banda”. Não vou citar outros gêneros musicais ou questionar suas qualidades, mas está nítido que nunca mais surgirão outros Rush, ou um sopro de genialidade do Dream Theater (que, meu Deus, já tem mais de 30 anos de carreira!)… mas, realmente, será que nada surgiu de diferente nesses anos todos de escuridão?

 Animal as Leaders, a última excelente banda inovadora que surgiu até então.

Um comparativo magnífico que toma força cada vez mais é de que o rock é uma religião. Nunca foi tão fiel essa afirmação! Cada indivíduo está retendo sua fé em determinada banda ou estilo dentro do rock, os shows estão sendo feitos em locais do tamanho de igrejas, muitas dessas bandas lançam caça níqueis comparáveis a dízimos para os fãs, mesmo sendo questão de sobrevivência da dignidade artística.  Sim, surgiram ótimas bandas nesse período, como a inovadora System of a Down,  que teve sucesso e reconhecimento merecidos, e Foo Fighters, com uma qualidade de rock inquestionável, porém tenho lá minhas dúvidas se teria 1/3 do sucesso sem o Dave Grohl nos vocais. Temos também o Animal as Leaders, uma banda com um som inovador, super antissocial, instrumental, com duas guitarras e uma bateria, nada mais.

Essa sem dúvida não iria lotar estádios, mas tem sido extremamente prazeroso ver surgirem fãs fiéis, discos relevantes em sequência e um reconhecimento que realmente Javier Reyes, Tosin Abasi e Matt Garstka merecem. Quando o som é diferente, vira influência para outras bandas! Já se vê a influência que o Matt tem causado em alguns bateristas de rock, mesmo sabendo que o som não precisa ser bom pra ser copiado, vide Coldplay… mas quem tiver a oportunidade de ver o Animal as Leaders dia 29 no Carioca Club, não pode perder aquele último suspiro de qualidade no rock, de músicos competentes e influentes, ao vivo em São Paulo. E serve como registro e propaganda do Carioca Club porque é uma casa que passa tudo de bom que ainda vem ao Brasil.

Uma frase que diz muito!!

Pois é, amigos. Jogo pra vocês a pergunta: num cenário tenebroso para a boa música como o atual (e vindouro), com a disseminação catastrófica do conceito de rock ao misturá-lo com todos outros gêneros indiscriminadamente, ainda será possível alguém salvar o rock? Comentários serão muito bem vindos…

87 comentários

  1. Rivaldo p. Souza jr

    O rock nunca morrerá, pq boa música é atemporal, rock é estilo de vida não é só estilo musical, dentro dele vc consegue ver, sentir, perceber que ouve vários estilos musicais (pop,blues,prog,metal, baladas, clássico)Eu vivo o rock no meu dia a dia: qdo durmo, trabalho,passeio,transo..(principalmente….RS)

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    • Mairon

      É isso aí. Música boa é para sempre. Mas acredito que o texto do Marcio vai além disso. Ele pede para nós dizermos quem serão as grandes bandas do rock, que revolucionaram o estilo como outras que ele citou. É difícil mesmo. Gosto de várias bandas dos anos 2000, de Beardfish e Big Big Train a El Efecto e O Terno, mas confesso que nenhuma delas atingiu o status de um gigante. É para se pensar

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      • MARCIO COSTA

        Perfeito, MaIron. Apareceram bandas q tocam melhor até q as clássicas, tem composições fantásticas, mas no fim derivam da mesma fonte básica! Por isso citei o Animal e o System como novidades reais do.periodo

    • MARCIO COSTA

      Exato, Rivaldo! Citei o seu exemplo no texto, q é parecido comigo: nós acabamos nos isolando e vivendo como se fosse uma religião. Eu mesmo só ando de camisa.preta e fico até com pena de usar as clássicas. Até no trabalho eu ouço minha lista de youtube. Não me canso de ouvir as mesmas.músicas durante anos a fim. Será q estamos errados ou nos isolando cada vez mais? Esse é o debate! Show

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  2. Thiago Reis

    Mais um texto excepcional. E que nos leva a refletir a questões não somente sobre a música, mas sobre o ambiente em que vivemos, mergulhado de mediocridade. E claro, que o Rock de qualidade nunca morra. E acredito que não morrerá, pelo fato de que os que são realmente fãs viverem e sentirem o estilo.

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    • MARCIO COSTA

      Se vc quiser gravar hoje como se gravava antigamente, torna-se inviável economicamente. Nos anos 60 chegavam a fazer 60 takes da música até escolher a melhor. O No More Tears do Ozzy teve isso, assim como o Black Álbum do Metallica: ambos tiveram centenas de gravações até decidirem.pela.melhor. Nos gravadores de rolo dos.anos 70, rolava o desespero do “tá gravando!!” e as emendas eram complexas demais de serem feitas. Talvez essa espontaneidade tenha tb feito a diferença.

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  3. Eduardo Pilad Nóbrega

    Nossa sociedade está convergindo cada vez mais para um mundo como no descrito pela obra: “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, escrito há mais de 100 anos. E esse texto explica alguns dos porquês, no âmbito musical, dessa evolução, de alguma forma com uma certa “entropia negativa cognitiva”. Excelente como sempre.

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    • Eduardo Pilad Nóbrega

      Problema é esse, o pessoal não quer debater, discutir, pensar. Salve o FORD do Admirável Mundo Novo.

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    • MARCIO COSTA

      Cito, além de sua bela referência, o livro de Ayn Rand, q originou o 2112. A variável mais.importante dessa equação é a disseminação gratuita da música, que é uma característica da sociedade moderna q não há mais volta. Genio

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  4. Cleibsom Carlos

    Textinho preconceituoso! Me lembrou demais o péssimo filme INVASÕES BÁRBARAS, ou seja, o bom gosto dos ditos “entendidos” está sendo engolido pela ignorância das massas. A quantidade de consumidores não tem relação nenhuma com a qualidade do produto, biscoito fino também pode ser para as massas, portanto o autor e André Mattos, com suas visões elitistas, estão equivocados. O ROCK está vivo e forte, mas mudado pois já tem 50 anos, e quem se dispuser à procurar irá encontrar novas bandas excelentes que não perderei meu tempo citando aqui…O que acontece é que o estilo perdeu a relevância comercial e está direcionado à um nicho de mercado. Como eu nunca liguei para isso, para mim o estilo vai muito bem, obrigado!!!O que eu acho engraçado é que, mesmo sem querer, o texto expôs um os maiores males da internet: como este site é direcionado à patota que pensa da mesma forma, qualquer texto vira uma pregação para convertidos e se torna verdade absoluta com a “bateção de bumbo” dos comentários favoráveis…

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    • Mairon

      Não exagere Cleibsom. Cite uma banda dos anos 2000 do porte de um Led Zeppelin ou até Pearl Jam. Acho que isso vale o debate

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      • Eduardo Pilad Nóbrega

        Problema é esse, o pessoal não quer debater, discutir, pensar. Salve o FORD do Admirável Mundo Novo.

      • Cleibsom Carlos

        Mairon, acho melhor você esperar sentado porque bandas de rock do porte de Led Zeppelin e Pearl Jam não mais existirão…O estilo perdeu importância comercial e relevância cultural, infelizmente. Penso que o rock está na mesma situação do blues e do jazz. Deve haver novos artistas talentosos nesses gêneros, mas só os aficionados sabem e o resto do mundo não sabe, não viu e não tem vontade de saber! Me parece que o rock virou coisa de “tiozinho”, e nessa afirmação não vai nenhum demérito.

      • Mairon

        Pois é, mas quando o Pearl Jam surgiu, alguém esperava algo naquele estilo? Slipknot não é uma grande surpresa? Eu gosto muito do El Efecto, os caras fazem uma música inovadora, mas poucos conhecem a banda até mesmo no Brasil

    • Thiago Reis

      Nossa, quem disse que esse texto é verdade absoluta? Só acho que nunca haverá um Black Sabbath, nunca haverá a potência de novidades como foi nos anos 1970 e 1980, por exemplo. “Como eu nunca liguei para isso, para mim o estilo vai muito bem, obrigado”. Isso mostra que sua opinião é extremamente pessoal. Hoje em dia não se tem mais o apoio que se tinha ao Rock, não existe mais a MTV dos anos 80 e começo dos 90, a segmentação está cada vez maior, o preconceito dentro do próprio estilo está cada vez maior, etc…Mas mesmo com todos esses problemas, o estilo não vai morrer porque sempre existirão as grandes bandas, os dinossauros e também algumas novidades que sempre são bem vindas. Mas quem irá tomar o lugar do Sabbath, Purple, Metallica, Megadeth, Slayer, Led Zeppelin, no ano 2047? É para se pensar sim!

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      • MARCIO COSTA

        Acho q tudo fundamental e referencial.foi criado nos.anos 70. Mais de 90% do que veio depois seguiu um fluxo desse genero

      • Cleibsom Carlos

        Ora, Thiago, e o texto não é a opinião “extremamente pessoal” do Mairon? O que sei é que eu era adolescente quando Iron Maiden, Def Leppard, Motley Crue e Metallica estouraram e os “tiozinhos” da época ficavam resmungando que “bandas boas são Deep Purple, Led Zeppelin, BlacK Sabbath, etc, etc”…Qual a diferença do texto do Mairon para a choradeira dos “rockeiros” de 400 anos atrás? Se formos levar ao pé da letra o “antigamente era melhor” em breve estaremos vivendo na era das cavernas porque esse discurso sempre existiu…

      • Diogo Bizotto

        Beleza, Cleibsom? Apenas informando que o texto não é de autoria do Mairon, ele apenas foi responsável pela postagem. O autor é Marcio Costa, colaborador recente nosso, que está citado na abertura do texto.

      • Thiago Reis

        Sim, Cleibsom. Porém mesmo os “tiozinhos” reclamando, as bandas que vc citou não desapareceram. Porém, nos últimos 15 anos, pouquíssimas bandas que apareceram serão capazes de continuar trazendo novidades ao mundo do rock, ao contrário da década de 70 e 80.

      • Mairon

        É isso, o texto é do Marcio, não meu. É que o Marcio é um colaborador, e eu fiz a edição do texto.

    • MARCIO COSTA

      Show, Cleibsom! Sinto que vc é uma pedra fundamental na manutenção do rock vivo. Vou ser sincero em.afirmar que eu não dissemino mais, apenas fiquei recluso em meu universo e me concentrei em encontrar meu mundo de convivência do rock. Sou longe de ser entendido do assunto, tem gente que ate vive disso, mas sua observação tem um ponto de vista bem definido em relação a sua posição no cenário, que serve pra justamente balancear a paixão.pelo rock.

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    • Erick Leal

      Cara, não vi NADA de preconceituoso no texto do Márcio e essa resposta do Cleibsom me lembra aquela galera que só gostava de uma banda enquanto a banda era “dele” (traduzindo, quando estava limitada a um determinado universo ou segmento). Todo mundo que foi adolescente na década de 90 conheceu alguém que falava alguma coisa do tipo “essa banda é boa, mas virou moda e ficou ruim”, ou “eu não gosto disso porque até toca na rádio”. E olha que todo mundo reclamava que os diversos estilos de música pesada não tinham (e continuam não tendo) espaço na mídia, hein! Mas quando conseguiam era porque a banda ficou pop e se vendeu. Falar que o rock vai muito bem obrigado……. quantas bandas realmente originais e relevantes dentro do cenário musical mundial apareceram nos últimos 15 anos? Sim, porque falar pra mim de Rival Sons, Arcade Fire, Cage The Elephant, Catfish and the Bottlemen, Vance Joy…. apresentam algo de novo é no mínimo piada. O rock nunca vai morrer enquanto movimento, mas voltar a ser mainstream? Sinceramente não vejo essa luz no fim do túnel, não. E parabéns pelo texto, Márcio. Mais uma vez genial.

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      • Marcio Costa

        A sua genialidade é que ilumina meu saber. Mas sem viadagem.

  5. Skarilha4

    Só pra variar, genial, acurado e muito bem concatenado (as Always, com abas e tamanho extra large).
    Pra não ser repetitivo e me estender demais, concordo com as colocações do Mairon, Rivaldo e Pilad. Não há no texto nenhum “elitismo” ou nerdismo musical, apenas uma análise nua e crua dos fatos cronologicamente muito bem expostos. Arrojo, técnica e timbre deixaram de ser sim, no cenário atual, tão importantes como já foi, por exemplo, o citado “ritual” de curtir o álbum, o encarte, o contexto, a arte etc.
    A impressão que tenho é de que ficou tudo meio fast-food pra se tornar o mais palatável possível à maior gama de gostos alcançável (por obra e graça de produtores inescrupulosos que “ditam” do que se deve ou não gostar) e se perde muito da essência, da alma…não me furtarei a dizer isso por medo de soar purista ou saudosista, é o que sinto. Longe de querer rotular (inclusive as vindouras, na base do “no meu tempo é que era bom, hoje é lixo”), como arrematou por último o Thiago, dá o que pensar na cama sim, Joelmir (Betting)!!

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    • Thiago Reis

      E esse ritual de curtir o encarte, o disco, as letras, dedicar um tempo para determinado álbum está se tornando cada vez mais escasso. Este tema está presente na história do disco “The Astonishing”, criado por John Petrucci do Dream Theater…ou seja, é um tema cada vez mais recorrente nas discussões a respeito do futuro da música.

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    • MARCIO COSTA

      A contemplação que acontecia ao álbum só acontece hoje em um lugar: cinema ou séries. Já viu como as trilhas sonoras precisaram evoluir tanto a ponto de reter o espectador? Antigamente os filmes eram silenciosos, hj até pro cara peidar tem música de fundo! Isso é para quê? Para RETER a pessoa e dar atenção maior ao q se passa. Não era isso que os discos faziam antigamente? Os discos eram feitos pra promover a turnê, hj a turnê é feita pra promover e pagar o disco, que raramente alcança milhões de cópias.

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      • Eduardo Pilad Nóbrega

        Cara estou uma série atual com a trilha feita por Trevor Rabin. 12 Monkeys, genial.

      • Marcio Costa

        Trevor é genial mesmo. Cidadão raro no planeta.

  6. Rafael biga

    Esse texto é uma patada de Urso na nuca!!! Realmente a música está ficando cada vez mais em segundo plano. Mas não é só o rock não… é a música em geral. A MPB já era.. rapaz… até o pagode já era kkk. Hoje é a vez do sertanejo, que já vem perdendo espaço para o reggaeton. Estilos de plástico, com letras de plástico! Tudo é business. Vou investir em duas gordas lá de goiana porque eu sei que está na moda e isso vai me dar uma grana para os próximos 3 anos. Depois eu encerro o contrato e invisto numa gostosinha rabuda por mais uns 2… e a música que se foda!

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  7. Figurótico

    Muito bom!!! Bela análise através da história do rock. Pergunta sem resposta esta. O rock se mantém vivo longe dos holofotes aqui no Brasil, e se em algum outro momento voltará a ter o protagonismo que deveria, esperamos por isso.

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    • Marcio Costa

      E Figurótico DENTRO do holofote! V.Sa. é um dos que abraça a causa, põe embaixo da asa e o skarilha^4! Falando nisso, para quem ainda não conhece aqui no blog, o Figurótico tem o belo canal FIGUROCK Talk Show no Youtóba! Vale a pena conferir! Alohapaziada!

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  8. Edison Borba

    Excelente Márcio!
    Nunca é demais de falar sobre o Rock.
    Eu tive o privilégio de viver essa época.

    Entre tapas e beijos, o rock viveu um romance conturbado com a sociedade. Numa hora, era o queridinho de todos, para logo depois ser chutado e escorraçado como um cão sem dono, massacrado pela Igreja, explorado por publicitários.

    Mas o meu comentário e sobre sua colação! (curtir o encarte, o disco, as letras, dedicar um tempo para determinado álbum) realmente era assim que eu curtia o som, ao lado do Toca disco, ficava mergulhado no LP.

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    • Marcio Costa

      ESSE É MEU EX-CHEFE!!! Agora com tempo de sobra para escrever a ainda sendo remunerado!! Genial comentário! Pena que não conversamos isso enquanto ganhávamos bem…

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  9. Diogo Bizotto

    Gostaria de frisar aos leitores que a Consultoria do Rock é um site feito por diversas pessoas: integrantes fixos e colaboradores eventuais. Apesar do caráter colaborativo, as opiniões manifestadas em cada publicação refletem apenas o ponto de vista de seu autor, não do site como uma totalidade. Ninguém aqui é obrigado a concordar com nada nem aplaudir de graça. Essa publicação, em especial, não contempla meu ponto de vista a respeito do assunto.

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      • Diogo Bizotto

        Que ninguém, por ser integrante do site, é obrigado a concordar com o teor do que é aqui publicado. Referia-me, em especial, à “bateção de bumbo” dos comentários favoráveis, citada pelo Cleibsom. Diversas vezes nos criticamos. Observa o que é a série “Melhores de Todos os Tempos”, o que não falta são críticas entre nós mesmos.

      • Thiago Reis

        Mas acredito que isso seja óbvio. Apesar de sermos colaboradores, temos o direito de criticar, mas também temos o direito de concordar. E essas críticas são essenciais para que o debate exista. O fato de não concordar é saudável também, acredito que a partir daí que surgem grandes questionamentos. E falo por mim, não concordo em 100% do texto, mas em sua essência é o que acredito.

      • Marcio Costa

        No fim do texto eu peço justamente os comentários e opiniões de todos! Foi feito pra isso! E, como diria a Chiquinha: “da discussão, nasce a luz!” Se todos concordassem, se tornaria unanimidade. E já sabemos o que isso significa.

  10. Eduardo Farias

    Fantástica percepção e escrita. Parabéns pelo texto Márcio.

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  11. Serena

    (Se possível gostaria que o Cleibsom Carlos perdesse um pouco de seu tempo citando novas bandas excelentes, e também que o Diogo Bizotto compartilhasse sua opinião.)

    Quem vai salvar o rock do que? Afinal, qual o grande perigo que o rock corre, porque, sem exagero, há mais de 20 anos que ouço dizer que o rock precisa ser salvo, e quando ouvi isso pela primeira vez logo em seguida eu ouvi alguém dizer “há mais de 20 anos que dizem que o rock precisa ser salvo”, e nunca consegui enxergar nenhuma ameaça, nem também nenhum salvador.

    Qual é o perigo? Qualquer um que procurar vai achar uma infinidade de boas bandas, bons discos, sejam descobertas de coisas antigas, sejam lançamentos. Tem bandas seguindo com originalidade, tem bandas com sonoridade retro, com som pesado, com som ameno, voltado para nicho, para as massas, tudo que se procurar hoje se acha.

    Agora é importante ter algumas coisas em mente:

    1º: o mundo mudou, com isso mudou a forma de se consumir música, e ela hoje, independente do estilo já não é algo que centraliza a vida de tantas pessoas como há até não muito tempo atrás. O que digo é que a música em si não é mais tão importante para a sociedade como já foi, e isso tem inúmeras causas e consequências, positivas, negativas e todas elas referenciais. Por exemplo, já cansei de ouvir falar da tal da “despacito”, mas até agora, a música mesmo não ouvi, tenho certeza que se fosse, uns 10 anos atrás eu já teria involuntariamente ouvido a música, como cansei de ouvir involuntariamente “macarena” por exemplo. O que digo é que hoje a música não tem mais o poder de se impor na vida das pessoas como já teve.

    2º: uma infinidade de sujeitos que ouvem rock/metal se acham superiores simplesmente por ouvir o que ouvem, se queixam às lastimas pelo que ouvem não ser a música mais popular do mundo, e assim que alguma coisa do gênero rompe a barreira da mídia logo surge uma legião para alertar aos desavisados que aquilo não é rock de verdade, ou condenar aquela banda que se vendeu. Só para ilustrar nos agradecimentos do “Harmony Corruption” do Napalm Death o Barney Greenway e o Mick Harris mandam um belo “fuck off” a todos que os acusam de serem “rockstars” e terem se vendido mudando seu som do grindcore por death metal. Isso mesmo, a banda que, até onde eu saiba, inaugurou o grindcore em 1987 em 1990 já era uma banda vendida por passar a tocar death metal, bem, como dizem por esses lados, me faça uma garapa viu!

    3º: o cidadão precisa se conhecer e saber o que realmente quer. Você (pessoa qualquer) quer conhecer novas bandas, quer conhecer bandas antigas, quer conhecer bandas novas com sonoridade antiga, quer conhecer bandas novas com sonoridade nova, ou quer mesmo é reclamar que hoje nada é como antigamente, e bom mesmo era há 50 anos, mesmo que você só tenha 15, 20 ou 30 anos.

    Existem milhares de bandas obscuras de 30, 40 anos atrás para serem descobertas, e que somente hoje podem ser apreciadas, ou você acha mesmo que em 92 você teria uma mínima condição de conhecer aquela banda ucraniana que lançou um único disco de rock psicodélico em 1971 e só vendeu 10 cópias porque uma enchente inundou o depósito.

    Existem milhares de lançamentos dos medalhões completamente dentro de sua própria fórmula e de novas bandas fazendo um som retro no rock, ou old school no metal, assim como existe milhares de bandas antigas tentando criar coisas novas, como novas bandas buscando criar seu caminho.

    Concordo totalmente com o Cleibsom Carlos, e inúmeras vezes o texto cede a um elitismos barato, e por que tanta preocupação com “quem vai lotar estádios em 2047”, a menos que você só se interesse por shows em estádios e arenas. O Elvis morreu, a Elis Regina morreu, o rock não vai morrer, como o jazz não morreu, o blues não morreu, o chorinho não morreu, a MPB não morreu, porque simplesmente a música não morre, quem procurar vai achar, e só pra constar alguns dos melhores shows que já fui foram shows pequenos. Sinceramente eu prefiro shows em locais menores que em estádios e afins, claro respeitando em todos os casos a lotação.

    Bandas de grandeza considerável ligadas ao rock/metal pós-Pearl Jam (que atingiram alguma grandeza em minha opinião pelo menos, não são bandas que eu necessariamente goste, tão pouco que você deva gostar, e também não que eu me importe com essa grandeza, apenas respondendo a questionamentos):
    – Coldplay, vendeu mais de 80 milhões (wikipédia);
    – Linkin Park, vendeu mais de 70 milhões (wikipédia);
    – System of a Down e Slipknot, venderam mais de 40 milhões (wikipédia);
    – The Killers, vendeu mais de 22 milhões (wikipédia);
    – Muse, vendeu mais de 20 milhões (wikipédia);
    – The Strokes, as 5 músicas em destaque no Spotify somam mais de 381 milhões de execuções;
    – Hozier, o clipe de Take Me To Church tem mais de 161 milhões de visualizações no youtube.

    Na minha humilde opinião bons números que não dizem nada sobre as qualidades das bandas, que somente o gosto pessoal vai dizer se boas ou não, mas para quem gosta de um rock megalomaníaco espero que sirvam para alguma coisa.

    E antes de sair apontando a vulgaridade, mediocridade, simplicidade dos outros gêneros lembre-se que o rock também tem todos esses defeitos e outros mais para quem não gosta de rock. Lembre-se quantos de seus ídolos fazem jus ao “sexo, drogas e rock’n’roll”, e são reverenciados por uma vida de excessos. Quando pensarem em falar mal de funk, axé, pagode, sertanejo se lembre das letras dos Raimundos, da simplicidade do Sex Pistols, lembre-se que o Varg (Burzum) é neonazista e assassino. Lembro de uma entrevista do Alex Webster (Cannibal Corpse) da época do Gore Obsessed na Rock Brigade, em que ele diz algo como “letras eram importantes para o John Lennon porque ele tinha algo a dizer, nós não”,e seja honesto, o que tem de engrandecedor em:
    “Eu mijei em seu cu cheio de vermes
    Fodendo o podre
    Meu sêmem está sangrando
    O cheiro de podridão
    Vaza de sua cavidade genital
    O cheiro era insuportável
    Enquanto eu a desenterrava
    Eu gozo sangue da minha ereção” – Cannibal Corpse, I Cum Blood.

    No Brasil, um dos grandes problemas é que a maioria dos ouvintes não entendem o que é cantado em inglês e por isso acham que toda letra fala sobre algo muito importante, só por não entender.

    Parece até que eu não gosto de rock/metal mas eu adoro, como também gosto de outros estilos, o que eu não suporto é o elitismo, e muitas vezes certo vitimismo que acompanham muitos que também gostam.

    E a troco de nada deixo uma indicação de uma banda brasileira que eu acho que não vai salvar nada, nem revolucionar coisa alguma, mas que eu conheci ano passado e gostei. Meio na pegada blackgaze com algumas interferências de saxofone em algumas músicas que eu achei bem legais. O nome da banda é Fanttasma: https://www.youtube.com/watch?v=7J4xGYYxs-s

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    • Marcio Costa

      Serena, tô boquiaberto. Meus parabéns, seu comentário foi bem engrandecedor e embasado porque eu tive que pesquisar muitas das bandas que você citou para entender e poder dialogar sobre. Mas, no fundo, nada tenho a comentar. Sua posição foi perfeita na defesa de seu pensamento, assim como eu tentei defender o meu. Palmas, de pé. Você já escreveu algo aqui no blog? Gostaria de ler mais sobre…

      Responder
      • Thiago Reis

        Serenam parabéns pelo belo comentário, mas o meu comentário não foi perguntando sobre quem vai lotar estádios em 2047. Eu disse assim:
        “Mas quem irá tomar o lugar do Sabbath, Purple, Metallica, Megadeth, Slayer, Led Zeppelin, no ano 2047?”
        Ou seja, quais serão as bandas atuais que serão lembradas por terem moldado um estilo ou uma “nova” forma de se fazer música?

      • Mairon

        Imaginem Serena e Marco Gaspari, o que não iria resultar???

      • Serena

        De minha parte eu não sei, mas com certeza quando o Marco Gaspari deixa de lado algumas brincadeiras sem graça e fala sério, costuma a sair muita coisa boa, e muitas vezes dedo na ferida e verdades inconvenientes, e claro que tem também as brincadeiras com graça, que essas sim são engraçadas.

    • Cleibsom Carlos

      Serena, acho a banda brasileira Sad Theory sensacional e as gringas Corrections House, Orphaned Land, The National e The Night Flight Orchestra excelentes, só para citar algumas. É uma pena que, em minha opinião, nenhuma delas conseguirá atingir o mainstrean. Das bandas que se tornaram gigantes creio que a última realmente criativa foi o System of a Down…

      Responder
    • Ser

      Marcio Costa, agradeço toda a simpatia e elogios. Fora alguns pitacos nas matérias dos outros nunca colaborei com o site, o Fernando já me fez um convite um tempo atrás mas o artigo não ficou a altura, e com certeza tem haver com uma crítica que o Diego Camargo fez a um comentário meu onde ele disse: “escreveu e escreveu e se repetiu bastante”. E eu concordei e concordo totalmente, depois de algum tempo relendo meu artigo até achei melhor ele não ter sido publicado, porque realmente não era tão bom, uma leitura meio massante, extensa e repetitiva. Enfim, não me aplauda de pé porque tenho certeza que você não concorda com tudo o que eu disse, se você adequar o que você concordou com o que ainda discorda e compartilhar ganhamos muito mais.

      Thiago Reis, agradeço também os elogios, e a minha questão é que independente de quem vai lotar o que ou quem vai ocupar o lugar de quem em 2047 deveríamos nos concentrar em ouvir o que temos disponível agora, o que não é pouca coisa, e se deixarmos acumulando pelos próximos 30 anos será bem mais difícil dar conta (rs). E quando o rock e o metal não corresponderem temos que lembrar que existe música fora destes estilos. Aqui mesmo, bem recentemente foi publicada uma ótima resenha de um ótimo disco da Björk, que eu adoro, e já foi regravada pelo Carcass mantendo a voz original e pelo Peter Tägtgren no Pain, por exemplo.

      Cleibsom Carlos, o Sad Theory é muito bom mesmo, mais ou menos nessa linha death/doom brasileiro tinha também o Monasterium que já acabou, mas deixou um disco muito bom, tem também a The Cross que voltou, mas essa já é bem mais cadenciada e mais centrada no doom mais puro (menos original, mas ainda muito bom). O Orphaned Land já ouvi algumas vezes e ainda não me fez a cabeça. O Corrections House eu acabei de ouvir uma música me pareceu um Tiamat industrial numa bad trip, vou ouvir mais com mais calma, parece bem promissor. The National e The Night Flight Orchestra ainda vou correr atras para ver.

      Vou deixar algumas sugestões:
      Metal:
      Malefactor: https://www.youtube.com/watch?v=WiRRDMsF-ak
      Monasterium: https://www.youtube.com/watch?v=yPMgdz9SYDk
      The Cross: https://www.youtube.com/watch?v=VWX0_eu2pCA
      Yun-fat (ele começa bem comum, mas dá umas piradas no meio, então recomendo não desistir logo no inicio): https://www.youtube.com/watch?v=Sx_uKTlub3o
      Fanttasma: https://www.youtube.com/watch?v=7J4xGYYxs-s
      Carcass tocando Björk: https://www.youtube.com/watch?v=d5Uj5osbPKU
      Pain tocando Björk: https://www.youtube.com/watch?v=2_o5CjbZGo8
      Strapping Young Lad: https://www.youtube.com/watch?v=zwuReRw23_0
      Fleshgod Apocalypse: https://www.youtube.com/watch?v=xjKyzwqIT7s
      Abigail Williams: https://www.youtube.com/watch?v=BOvAMKE_ee8
      Anaal Nathrakh: https://www.youtube.com/watch?v=q8m4vGqJS4U
      Enslaved: https://www.youtube.com/watch?v=Rcssy33l04Y

      Rock:
      Tame Impala: https://www.youtube.com/watch?v=pFptt7Cargc
      The Black Keys: https://www.youtube.com/watch?v=a_426RiwST8
      Arcade Fire: https://www.youtube.com/watch?v=5Euj9f3gdyM
      The Lumineers: https://www.youtube.com/watch?v=v4pi1LxuDHc
      Mumford & Sons: https://www.youtube.com/watch?v=rId6PKlDXeU
      Dead Weather (banda com o Jack White, mas bem diferente do White Stripes): https://www.youtube.com/watch?v=M7QSkI6My1g
      Anathema: https://www.youtube.com/watch?v=c-AJEQFPmwo
      Antimatter: https://www.youtube.com/watch?v=hjoBCGZJwTA&list=PL8912B5DD8553C542&index=2
      Death Cab for Cutie: https://www.youtube.com/watch?v=pq-yP7mb8UE

      Nada que mude o mundo, só compartilhando algumas coisas que EU acho legais.

      Qualquer feedback é sempre bem vindo.

      Responder
      • Cleibsom Carlos

        Valeu pelas dicas, Serena, vou correr atrás daquelas que eu não conheço, que são umas 5 ou 6…Sério que você gosta de Mumford & Sons? Quando bandas como ela, Imagine Dragons, Nickelback, Articc Monkeys, Muse e Coldplay, por exemplo, são tratadas como grandes bandas de rock eu entendo o porque do estilo estar no buraco..E finalmente: como você é metódica! Neste ponto eu sou bem mais tosco e largado do que você.

      • Serena

        Cleibsom Carlos, valeu também pelas dicas, o Corrections House é bom, mas de uma digestão bem difícil, o oposto do The Night Flight Orchestra de assimilação imediata, já que apela para todos os cliches do 80’s de forma bastante eficiente, bom também. Agora o The National é fantastico! Que banda! E ainda casa perfeitamente com essa chuva que tá caindo aqui!

        Gosto não só de Mumford & Sons como também de Nickelback, Arctic Monkeys e principalmente de Muse. Só estranhei seu comentário quanto estas bandas levarem o rock ao buraco, já que pra mim elas são do mesmo saco de farinha do The National. Agora Imagine Dragons e Coldplay não são nem pro meu estômago!

        Espero que você goste de pelo menos umas 3 ou 4 bandas.

        E, pra mim, se tem uma coisa que pode levar a música pro buraco é turnê mundial de holograma, como a que vai ter agora do Dio, é difícil ser banda nova assim, tem a concorrência de bandas grandes, bandas cover, festa com DJ, e agora até os mortos excursionam, assim fica difícil!

      • Mairon

        Essas turnês com holograma são as maiores farsas da história. Me admira quem paga para ver aquilo que pode ver no youtube …

  12. Vinicius

    Esse eh o Marcio que eu conheci a 28 anos atras. Ja esbanjava, desde entao, uma personalidade marcante e profunda dedicacao às coisas boas da vida…dentre elas o rock.
    Achei o texto excelente e resume muito bem a p* toda. Realmente perdemos toda a magia lúdica envolvida a cada novo album. Somos refens da tecnologia. Coisa q alguns guerreiros ainda conseguiram resistir e preservam o bom habito retrô ate hoje.
    Agora quanto à questao levantada pelo Marcio…..eu realmente nao tenho resposta…..pelo menos por enquanto….mas a esperança eh a ultima que morre…nao eh msm?

    Responder
    • Marcio Costa

      Esse é a mente mais brilhante do meu tempo de segundo grau. Vinícius Mecatrônica! Gênio, valeu pelo comentário.

      Responder
  13. Leonardo Dantas

    A música é uma arte consumida como produto, ou um produto consumido como arte? Eu gosto muito de uma banda que há pelo menos uns 15 canta “porque meu nome é sr. sucesso, faça o que eu peço que eu te faço ser rico. Seja o que EU quiser e quando for pra parar EU te digo”. Infelizmente o rock está cada vez mais nicho, mas em relação à relevância, não vejo nenhuma expressão artística tão relevante como já foi ( e não é saudosismo), mas não vejo mais um livro​ relevante como os de George Orwell ou anterior a ele, nós quadrinhos ainda até temos coisas interessantes, mas nada se compararmos à Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman e pior que a música tem o cinema. Ah o cinema ainda emociona? Pra mim só explode!!!! Só tem sequência de ideias antigas.

    Responder
    • MARCIO COSTA

      Isso mesmo, Leonardo! Fiz um comparativo em uma das respostas aí sobre as trilhas sonoras de cinema, mas sem abordar a questão das tramas em si. Ótima analogia.

      Responder
  14. Glauco

    Parabéns Márcio, por mais uma matéria enriquecedora. Concordo plenamente com o texto!

    Responder
  15. Cleibsom Carlos

    Serena, acho a banda brasileira Sad Theory sensacional e as gringas Corrections House, Orphaned Land, The National e The Night Flight Orchestra excelentes, só para citar algumas. É uma pena que, em minha opinião, nenhuma delas conseguirá atingir o mainstrean. Das bandas que se tornaram gigantes creio que a última realmente criativa foi o System of a Down…

    Responder
    • MARCIO COSTA

      Também concordo, inclusive citei-os no texto. Esse bloqueio de acesso ao mainstream dificulta a manutenção em alta do estilo. Se bem que muitos preferem mante-lo em baixa. Eu até tenho preferido pra não distorcer muito do conceito. Show!

      Responder
  16. Evandro Markendorf

    Texto maravilhoso!
    Essas super bandas com super astros nao tem dado tão certo o pq eu realmente nao sei!O Rock nunca morrerá pq ele se renova!

    Responder
    • MARCIO COSTA

      Em que pontos, Davi? Seria legal darmos uma elucidada, caso queira. Abraço

      Responder
  17. Frederico

    Socador, Ta cada vez melhor! gerou até polêmica e ,por efeito, riquesa de comentários e da reflexões.

    Cara, Acho que o Rock só morre quando quem gosta do estilo morre, vc disse uma coisa importante tudo mudou! nós mudamos, a música mudou e mudará de novo. Tem coisa boa acontecendo, tem gente fazendo arte com competência e uma hora dessas um doido aparece com uma novidade impensada.
    O Eddie Van Hallen fez isso lá em 80! vai vir um outro doido e vai fazer uma parada fantástica e iniciar um novo ciclo!

    Gostei do texto me provocou e me fez usar meu miolo mole pra pensar nesse cenário que faz lembrar da década de 90 quando o aché apareceu (estilo que eu não curto) e um monte de outras merdas e parecia que seria o fim mas não foi!

    Grande abraço me avisa do próximo!

    Responder
    • MARCIO COSTA

      Apareceu o aché, a Boheringer e a Sintofarma! Aprendi muito do que escrevi aí contigo! Valeu, Mestre!

      Responder
      • Frederico Silva

        Hahahahahaha, áxé ,até a forma de escrever eu não gosto é foda!!!!

  18. Angie HanKs

    O texto está muitíssimo bem escrito, mas confesso que minha opinião está mais para a colocada pela Serena! Acredito que já tenhamos conversado sobre esse assunto ou algo similar. Tem muita coisa no mundo, no pensamento e comportamento mental dos jovens, na forma de se apresentar e difundir conteúdo que mudou completamente o modo de se consumir música.

    Falei hoje mesmo sobre isso: música na grande mídia e na indústria virou sinônimo de diversão em balada e só. Não precisa ter conteúdo; baste ser só algo pegajoso e raso, fácil de decorar e de fazer sacudir o esqueleto. Por outro lado, acredito que pra quem realmente aprecia a música enquanto arte sempre haverá espaço.

    O estilo tornou-se mesmo de um nicho específico, mas isso não precisa ser necessariamente ruim… Claro que seria maravilhoso se voltasse a ser consumido nacional/mundialmente com mais expressão e força – eu tenho banda, poxa, seria lindo, haha! Mas sou positiva e apaixonada demais por bandas dos anos 2000 para cá, tanto quanto por antigas, pra me deixar acreditar que o rock vai morrer ou morreu. Como já disseram, ouço isso desde os anos 90, quando nem ouvia rock direito ainda, hehehe!

    Sempre faço paralelo entre música e dança, por ser uma área de algum conhecimento minha: o balé clássico está aí, secular e cheio de amantes, porém no “submundo”. É a dança mais popular? Jamais. Tem coisas novas no estilo sendo produzidas? Sim! Sempre! Quem sabe disso? Os amantes do estilo! Duvido que ele vá morrer tão cedo!!!

    Quero dizer portanto que, pra mim, enquanto houver amor, paixão e interessados pela música como forma de arte, o rock está são e salvo.

    Quanto ao surgimento de clássicos e gigantes, ou de mestres do rock – como queiram chamar -, acho tudo muito relativo a questões de gosto e de opinião pessoal mesmo. A lista da Serena já mostrou o que eu tô dizendo.

    Quem me conhece sabe que eu digo muito isto: acho chatinha também essa necessidade de sempre esperar quem será o próximo inventor da roda. Pra mim, o importante é ter verdade, paixão e dedicação no que está sendo feito. E se o resultado não tiver nada de inédito, espetacular, inovador, mas for de boa qualidade, sincero e rico em estudo e conteúdo, criatividade e personalidade (que não precisam estar sempre vinculadas à inventividade) tá de excelente tamanho.

    🙂

    Responder
    • MARCIO COSTA

      Angie, vc é uma das que luta pelo rock e já te disse isso. Sua analogia com a dança foi perfeita. A idéia a que eu quis expor, mas talvez tenha começado o texto com um bordao que distorceu o viés do mesmo; não é que ele vai morrer, eu não disse isso, tanto que reforço lá embaixo que ele vive presente em muitos grupos e cada vez mas forte. A lacrada da Serena também foi espetacular, também concordo com MUITO do que ela escreveu. Mas, não seria bom voltar a termos boa música nas rádios e com acesso fácil a todos? Os carros passam na rua com que som alto? As rádios empurram q tipo de som? A criancada é exposta a que tipo de som? Nos já podemos decidir o que ouvir, mas sinto que também podemos ser responsáveis por dar uma limpada no que acontece a nossa volta. E, a propósito, BELA contribuicao sua! dhanks.com.br

      Responder
      • Serena

        (Eu acho que tem um comentário meu sinalizado como spam, se alguém puder aprovar ou me dizer o que tem de errado pra eu corrigir já agradeço)

        MARCIO COSTA, você começa seu artigo com uma lápide, então não nos culpe (rs).

        Vamos lá:

        1º: O que é boa música, boa para quem? Se eu for falar sobre isso eu levo uma semana escrevendo e não termino, então eu vou ficar com uma música dos Titãs de seu odiado disco A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana:
        “(…)
        Faça tudo ao seu gosto
        Que eu sigo a minha linha
        Fique com seu bom gosto
        Seu jeito, seu estilo
        Mesmo que seja o oposto
        daquilo que eu prefiro

        Fique com seu bom gosto
        Que eu vou ficar com o meu
        (…)

        Fique com seu bom gosto
        Pra mim o que falta é sal
        O que pra você é mau gosto
        Pra mim é o normal”.

        E é isso, cada um no seu quadrado, ninguém pode ser censor do gosto alheio, arrotando bom gosto na cara dos outros.

        2º: Quem precisa que toque qualquer música no rádio, sério? Eu nunca fui de ouvir rádio de música, mas era um suplício aguentar uma hora de clipes ruins, bocejar e perder o a hora de dar o rec pra gravar um clipe na MTV. Depois que veio o youtube, nossa que maravilha, eu posso ver o clipe que eu quero, na hora que eu quero, posso descobrir novos clipes, posso parar e voltar tudo à minha vontade, ninguém mais depende de rádio, tv ou o que for. Esse negócio de tocar na rádio me PARECE nostalgia ou vaidade, tipo, “é tão bom que toca na rádio para todo mundo ouvir”, mais nunca tocou na rádio por ser bom, ou por todo mundo gostar e sim porque tinha alguém que pagava pra tocar, simples assim.

        3º: Novamente, “acesso fácil a todos”, sério, quando o acesso à música foi mais fácil? O Cleibsom, que eu nunca vi, me indicou uma banda que eu jamais ouvi falar (Corrections House), e menos de 10 minutos depois eu já estava curtindo a banda e já sabia de onde ela era, quantos discos lançou, etc. Quando isso foi possível? Em 1990 se você recomendasse Beatles na sexta para um colega na escola sem um disco na mão e ele não quisesse gastar dinheiro pra conhecer como fazia? Ele ia ter que esperar pelo menos até segunda e eu não tô falando de uma banda underground do Uzbequistão, é Beatles!

        4º: Carro que passa com som alto na rua tem que ser multado, arrotar caviar ou frango com farofa não convence ninguém que um é melhor que o outro, só mostra falta de educação e civilidade.

        5º: A criançada é exposta ao tipo de som que os pais querem, e ao tipo de som de seus ambientes de convívio. Festa infantil nos anos 90 eram regadas a, entre outras coisas, Mamonas Assassinas e Raimundos. Vamos ver Raimundos:

        “Se é nas curvas ou nas estradas
        São situações propícias para o ato de sarrar
        No coletivo o que manda é a lei do pau
        Quem tem, esfrega nos outros
        Quem não tem só se dá mal” – Esporrei Na Manivela

        Uma das músicas mais famosas, o que ela diz? Bem quem não tem pau? Mulheres, o que elas tem que fazer no coletivo? Se dar mal, por que? Porquer queira ou não os homens tem o direito de esfregar o pau em você e você tem apenas o direito de ficar em silêncio. Não está convencido?

        “Libere seus instintos, girl , vai ser legal
        Menininha, eu nunca quis te fazer mal
        Eu sei que respeito e consideração
        Nunca tiveram nada a ver com tesão” – Aquela

        Ou seja, se o sujeito estiver com tesão tá liberado para esquecer do respeito e da consideração e pode fazer mal.

        Mamonas Assassinas:
        “Fui convidado pra uma tal de suruba
        Não pude ir, Maria foi no meu lugar
        Depois de uma semana, ela voltou pra casa
        Toda arregaçada, não podia nem sentar

        Quando vi aquilo, fiquei assustado
        Maria, chorando, começou a me explicar
        Daí então, eu fiquei aliviado
        E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar” – Vira-vira.

        Bom, muito claro né? E era a isso que as crianças estavam expostas nos anos 90. Mas eu tenho certeza que a grande maioria das crianças, se bem educadas pelos pais vai sobreviver e se tornar um bom cidadão apesar das músicas de sua infância.

        6º: “dar uma limpada no que acontece a nossa volta”, volto ao 1º e novamente, o que tem de musicalmente sujo a nossa volta? Sujo pra quem? Você é quem quer sair alardeando o Metallica com som alto por ai, sem se preocupar se do outro lado daquela janela tem alguém que só ou Chopin e Catra, ou mesmo se tem alguém enfermo! Em nenhuma outra época eu ouvi tão pouca música que me desagradasse como nos últimos 10 anos, justamente porque a música agora está muito mais confinada a fones de ouvidos e ambientes privados.

      • André Kaminski

        Sobre o comentário, eu apertei aqui para aprovar porque sempre que há um comentário com links para outros sites, ele cai direto na caixa de spam. Me avise se apareceu pra ti.

      • Serena

        Valeu André Kaminski, apareceu sim.

        E agradeço também a Consultoria e, obviamente, aos consultores pelo conteúdo, pelo ótimo espaço para o debate, e por permitir eu compartilhar minhas abobrinhas.

      • MARCIO COSTA

        Serena, tem , abobrinha nao, vc mandou bem. Perai q preciso de tempo pra ler sua resposta, to meio ocupado aqui, mas darei atenção.

      • Márcio Costa

        haha!! Impressionante sua argumentação, mandou muito bem! Muito bacana! Agora que li tudo e entendi. Acho que pra ficar mais fácil eu responder, precisarei fazer em tópicos respectivos aos seus. Vamos lá:

        pré-1) não fui eu quem pus a lápide. Eu enviei o texto ao blog, mas lhes dou o direito de arrumarem como quiser. Também não afirmo no texto que o rock está morrendo, eu começo afirmando que “ouvimos há muito tempo que ele está morrendo”. E eu não estou culpando nenhuma pessoa! hehe, vamos com calma!

        1) ok, concordo com sua posição, mas soou ligeiramente pesado se quis dizer (pelo que me parece, pela segunda vez), que eu estou posando de dono da verdade por “arrotar” meu ponto de vista. Só expus minha visão e você expôs a sua! Armas no chão, por favor!

        2) o André fez logo abaixo um comentário que coloca o mesmo ponto de vista de exposição nas rádios. Talvez o que esteja acontecendo em nossas argumentações seja a diferença de gerações. Eu não vivi essa fase de MTV, então você pode afirmar melhor que eu. Em relação ao Youtube, é uma das fontes de disseminação digital que eu expus no texto. Querendo ou não, o artista perdeu a remuneração direta que acontecia com venda de discos e até divulgação do mesmo em turnês. Hoje eu sinto uma tristeza quando vou aos shows e as pessoas batem palmas por 3 segundos após a música. A vibração diminuiu porque todos já vão pro show sabendo o setlist e já viram os 15 shows que antecederam a turnê. Talvez esse sentimento seja difícil de você entender pelo que citei, pelas gerações diferentes em que vivemos.

        3) A sua argumentação citando Beatles foi fantástica. Quis dizer acesso fácil porque, acredite se quiser, nem todos tem acesso à internet, crédito para ficar no celular ouvindo música. As rádios ainda são primários meios de comunicação na maior parte do país. O rádio ainda tem importância na projeção de um artista, aliás, a mídia televisiva também. Acesso fácil não é apenas posição na internet. Segundo estatísticas do governo, apenas 58% das pessoas tem acesso à internet. Ou seja, você tem e outro não. E a mesma fonte diz 89% das pessoas tem acesso ao rádio e 63% TV! Então, youtube não é tudo, internet, na nossa realidade brasileira, não é sinal de acesso fácil. Espero ter exposto melhor o meu ponto de vista!

        4) Concordo! Mas o arroto do caviar deve cheirar melhor que o de frango podre… esse é meu ponto de vista, concorde ou não! Mas, respeitá-lo é um princípio básico!

        5) ótimas citações de letras! Porém, tenho amigos pais que em sua maioria reclamam que põem música boa o tempo inteiro para os filhos ouvirem em casa, doutrinam de forma até certo ponto rígida para que tenham uma educação musical. Mas, é só ter a influência, dos amigos e das ruas que já começa a estragar. A luta é grande para manter um filho educado. E, quantos perdem essa luta?

        6) Não precisa me acusar! Calma! Hands and guns down, please! ôpa… respira fundo, vamos lá! Sim, as pessoas estão cada vez usando mais fones de ouvido e esse é um fenômeno citado por muitos profissionais de otorrinolaringologia como o loudness war, mas pode ser abordado em um próximo tópico.

        Serena, resumindo, quero MUITO ler algum artigo seu. O embasamento e paixão que você usa em seus argumentos é nota 10! Você tem algo publicado aqui no blog? Se não, fica aí a sugestão para o pessoal! Show de bola, abraço!!

        Marcio

      • Serena

        (tem um outro comentário meu que o André Kaminski só conseguiu liberar hoje que eu acho que você não viu)

        Márcio Costa, gostei, acho que ainda não concordamos propriamente, mas estamos evoluindo, vamos lá.

        Pré-1) Foi uma brincadeira, ainda é (rs).

        1) Desculpe se soou pesado, ofender não é de maneira alguma é minha intenção, e sem armas, nem no chão, por favor. O meu problema é quando você diz: “bom voltar a termos boa música nas rádios”. O caso é: quem diz/define o que é boa música? Conheço muita gente que usa as letras de bandas mais gore e satânicas de parquinho, e eventos como o assassinato do Dimebag para defender que o metal não é boa música e que estimula a violência por exemplo, e em vários tópicos essas pessoas tem ALGUMA razão, como quando se analisa o discurso de ódios de bandas neonazistas por exemplo, ou mesmo a apatia do próprio meio em combater esses discursos de ódio. Ainda assim ninguém tem o direito de que querer dizer que metal não é boa música, tão pouco querer proibir, como parecem querer fazer alguns “metaleiros” com relação ao funk por exemplo. Por isso insisto e vou insistir sempre, esse papo de boa música e proibir estilo não só é balela como muito perigoso, pra todo mundo.

        2) Apesar de gerações diferentes entendo perfeitamente o que você diz, mas é preciso aceitar que o mundo mudou, a tecnologia evoluiu, e hoje muita coisa que era impossível se tornou trivial, como esse debate, de que outra maneira ele aconteceria senão na internet? Com certeza não existe mais aquela ansiedade em saber se vão tocar aquela música no show porque todo mundo já decorou o setlist, mas fazer o que? Por outro lado se o show não vai passar na sua cidade é possível ter um gostinho vendo a transmissão on line. Enfim, tem prós e contras, e quando a isso não há o que fazer, antigamente não tinha vinil e pra ouvir uma música do Bach só indo ver o Bach tocar. Um ponto que você tangenciou e que eu acho muito mais importante é: “como remunerar de maneira justa o artista?”.

        3) Bom ponto, mas vamos lá. Hoje é inegável que quem não tem acesso à internet são as camadas mais humildes da população, essa mesma camada há vinte anos atrás, quando a internet no Brasil engatinhava, tinha um acesso ao rock mais facilitado que hoje? E ela tinha interesse em rock? E há 30 anos atrás? Primeiro é importante reconhecer que o acesso à informação de modo geral se tornou muito mais simples, qual era o acesso ao rádio e tv há 20, 30, 40 anos atrás? É como eu vejo muitos dizerem que antigamente se lia mais, como? Em 1960 a população do Brasil possuía um relação 39% de analfabetos, hoje 8%. Enfim, eu menosprezei um pouco a importância do rádio hoje, mas eu ainda acho que você supervalorizou.

        4) Pra mim arroto é arroto, e eu nunca vou tolerar nem de caviar, nem de frango fresco, nem podre na minha cara. E ai parece estar um pouco daquele elitismo que o Cleibsom Carlos falou, achar que caviar é melhor que frango, quando na verdade é gosto, tem quem prefira um, tem quem prefira outro.

        5) Filho tem que ser educado para estudar, para saber votar, ser um bom ser humano antes de tudo, depois um bom cidadão. Pai/mãe não é dono do filho, não pode escolher gosto musical como não pode escolher profissão ou sexualidade. Se o pai quer apresentar seu gosto musical ao filho ótimo, mas de maneira nenhuma deve impor, se ele quer gostar do que o pai gosta tudo bem, se não quiser tudo bem também. Filho tem é que cumprir com suas obrigações, respeitar o próximo e ser feliz, e se pra ser feliz ele prefere Exaltasamba do que Brutal Truth ou Genesis que mal há?

        6) Calma nada, se eu ver uma arma eu corro! E eu ACHO que você se confundiu um pouco quanto aos otorrinos e a loudness war. O que faz mal é ouvir som alto, com ou sem loudness war, com ou sem fone de ouvido. A loudness war surgiu em tempos do domínio do rádio sobre o fone, graças a possibilidades técnicas que o CD proporcionou em relação ao vinil, enfim, isso foge um pouco um tema tão rico como o atual e é também muito rico para agora. O que eu quis dizer é que como a música hoje não tem mais o poder de invadir a vida das pessoas eu não ouço mais música que me desagrada, porque as pessoas as ouvem em seus fones de ouvido, em suas casas, não mais em lojas de aparelhos eletrônicos com os vendedores brigando pra ver quem coloca o som mais alto, lá o destaque agora é mostrar a tv com melhor imagem. Eu posso estar falando uma grande bobagem quanto à razão, e se alguém puder, por favor, me corrija, mas o fato é que nos anos 90 eu sabia o refão de um monte de funk, pagode, axé e Sandy e Junior de tanto ouvir por ai, hoje eu praticamente só ouço o que me interessa.

      • Mairon

        Por essas e outras que procuro não saber o set list dos shows que eu vou!!!

      • Mairon

        Tentei de tudo que é jeito fazer meu enteado gostar de rock, mas os coleguinhas dele na escola só ouvem funk carioca e sertanojo universitário. #Chateado

  19. Gugu

    De 2011 pra cá a safra está melhorando, dou o destaque para a banda witchcraft com o criativo magnus pellander,
    E o rock está morrendo,? Não! Ele está dormindo, em via de despertar.
    O rock nos seus primórdios não tinha o tal de mainstream, mas conseguiu sobreviver e evoluir e ter boas sequência por décadas. Hoje estamos sem o mainstream outra vez.
    ,é praticamente na estaca zero..
    Se quizermos fazer rock ter o seu auge, precisrá romper com o seu passado e fazer um novo conceito, ou uma nova roupagem

    .

    Responder
    • MARCIO COSTA

      Heheh boas citações, Gugu. Só reforço o que já escrevi em outras respostas: eu não disse que o rock está morrendo, eu afirmo que NOS OUVIMOS que ele está morrendo há muito tempo! Valeu pela participação.

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  20. André Kaminski

    Meu tempo é curto para elaborar um comentário melhor, mas vou escrever o que dá.

    Tem muita coisa que concordo com o texto do Márcio, mas acho que poucos se atentam para um detalhe importante ao qual o rock tinha até o início dos anos 2000 e que não possui mais: espaço na mídia.

    Cheguei a conclusão que para algo fazer sucesso e vender milhões de cópias e lotar estádios está ligado simplesmente a duas coisinhas básicas: rádio e televisão.

    Sim, ambos. A velha mídia ainda é aquilo que determina o sucesso de uma banda. As vezes um sucesso passageiro, mas que garantirá um dinheiro farto as bandas que estão recebendo atenção da mídia.

    Eu não falo em qualidade, complexidade, letras em inglês ou o caralho que for. Isso tudo é fator pequeno. Falo em quantas rádios o single toca e quantos programas de grande audiência tal banda ou cantor aparece que vai fazer automaticamente uma nova massa de fãs que comprarão seus discos (baixarão, enfim) e irão aos seus shows.

    A verdade é que as pessoas gostam do que estão na mídia. E o rock simplesmente não está mais nela. Não porque não tem qualidade, simplesmente é porque os grandes meios de comunicação não querem mais o estilo lá.

    Auge do progressivo, no início dos anos 70. Pink Floyd, Yes e contemporâneos vendiam horrores e lotavam shows. Ninguém entendia bulhufas de seus discos. A música era mais complexa e mesmo assim vendiam. Por quê? Porque suas músicas tocavam nas rádios. Tocavam nas tvs. Era popular. E sendo popular, as pessoas compravam.

    Mesmo uma banda de pouca qualidade como The Darkness fez um sucesso meteórico no início dos anos 2000. Porque MTV tocava seus clipes. Rádios tocavam suas músicas. Os vendiam como o novo “Guns”. Os egos inflados e a gerência ruim fizeram a banda naufragar.

    E o rock pode ressuscitar a qualquer momento quando um grupo de grandes gravadoras e rádios resolverem que a banda X é a melhor banda dos últimos tempos. Vai todo mundo comprar. Vai ter gente amando o rock. E se surgem umas 6 ou 7 de um estilo que toquem constantemente, será criada uma nova “fase”.

    Tudo se resume a dinheiro. Deu grana, é sucesso, tem qualidade, moldou um estilo, criou novas influências. Sempre foi assim desde que surgiram os grandes meios de comunicação.

    O que pode acontecer com o rock é o que já aconteceu com a música sinfônica, blues, jazz, mpb e tantos outros estilos: vai virar um nicho.

    Com mais tempo, vou escrever as minhas percepções sobre os meus alunos adolescentes que ouvem rock e as bandas que ouvem para vocês terem uma noção de como, talvez, seja o futuro do estilo.

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    • Serena

      Aguardo com ansiedade seu texto mais elaborado, mas disto que você já falou tem coisas que concordo e outras que discordo, mas vou deixar pra discorrer melhor quando você no brindar com a versão completa, só queria que você levasse em consideração alguns pontos, se quiser claro.

      A mídia está em colapso, a tradicional (rádio, TV e publicações impressas) recebe cada vez menos dinheiro, seja de publicidade, seja de jabá. A nova mídia (em geral meios digitais difundidos na internet), mesmo em ascensão é absurdamente descentralizada e não consegue mover um décimo da mesmo decadente mídia tradicional. Assim temos uma mídia lutando para sobreviver e outra que não consegue se pagar (basta ver a recente crise de anúncios/repasses do youtube, ou a queixa constante de artistas dizendo que serviços como spotify não dão lucro, e qualquer um que fizer uma conta vai ver que não dá mesmo).

      Antes a tv/rádio apresentavam a nova tendência, que muitas vezes se confirmavam, mas que inúmeras vezes naufragavam. Hoje, quando algo vai para um programa de grande audiência ele já é sucesso de público, e é a TV correndo atrás, não na frente como antigamente. Eles mostram um sujeito que eu nunca ouvi falar em um show lotado, com fãs ensandecidos, e eu sempre me pergunto “de onde veio esta gente?”.

      A formula do sucesso ainda é um mistério, apesar de ser bem menos obscura hoje. Com certeza a mídia, nova ou tradicional, tem grande influencia sobre isso, mas é bem mais complexo do que passou no Raul Gil vai estourar. Existem inúmeros casos de artistas que foram exaustivamente veiculados nos meios de comunicação e simplesmente não vingaram, dando prejuízo aos seus financiadores. Esses casos só não saem na mídia porque ninguém vai ao Jornal Nacional fazer balanço e prestação de contas, e ai a gente fica com a impressão que fulano fez um enorme sucesso e depois sumiu, quando na verdade ele nunca fez sucesso. E é claro que os detentores dos meios de comunicação de massa querem que achemos que eles decidem o que é sucesso ou não, isso aumenta o poder deles, tipo, é claro que o Faustão quer que todos acreditem que tudo que passa no programa dele é/será sucesso, isso aumenta o valor de seu tempo no ar. Quando algo simplesmente não vinga todo mundo logo varre pra debaixo do tapete, e claro, ninguém vai ficar lembrando, pois, como já disse um tempo atrás, ninguém garimpa lixo.

      O auge do progressivo foi nos anos 70, mas com certeza as músicas que geralmente bombavam eram as mais palatáveis, não se tocava single de 20 minutos na rádio, e isso nos shows muitas vezes gerava desconforto, pois muita gente conhecia apenas a musiquinha de 4 minutos da rádio e chegava ao show se torturava com longas peças de 20, 30 minutos, mais improvisações intermináveis. Cansei de ver relato de gente acusando os integrantes do Pink Floyd de meros apertadores de botões.

      A gente tem que lembrar também que quem mais se beneficiou desse negócio de próximos Beatles, novo Led, isso e aquilo foram os publicitários que precisavam de uma forma para chamar atenção para o novo grupo que precisavam promover, o público foi lá e comprou essa ideia e até hoje espera o próximo Elvis, e esquece de ver o atual grupo tal.

      Com certeza o rock pode renascer para as massas a qualquer momento, e como sempre vai aparecer um monte de gente dizendo: “ah isso não é rock de verdade”, “eles se venderam!” “bom era quando ninguém conhecia”, “virou modinha ficou ruim!”.

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  21. Tiago Bittencourt França

    Ótimo texto do Márcio. Porém concordo com o Cleibsom quando diz que o rock está caminhando para o mesmo destino do blues e do jazz, música de nicho para um público específico que se reúne para assistir um concerto em uma casa de espetáculos, e não vejo problema nenhum nisso. Nada de grandes estádios e festivais superlotados mais pra frente, até porque público de Rock in Rio hoje em dia tá mais preocupado em andar de roda gigante e tirolesa pra postar no instagram do que assistir aos shows. E quanto ao medalhões de 2047?? Serão os mesmos Led Zeppelin,Pink Floyd, AC/DC, Kiss e Iron Maiden de sempre, só que em holograma como já vem sendo ensaiado com Renato Russo e Michael Jackson. E por fim, banda boa vai sempre surgir e manter o rock vivo e muito bem, obrigado.

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  22. Mauro Reis

    Escrevo este comentário influenciado por um show que assisti com minha esposa, na praia de Ipanema, no dia 03/09. O evento chamava-se “Sinfonia Samsung Rock”, e consistia na apresentação da Orquestra de Heliópolis, com quatro guitarristas brasileiros convidados: Luiz Carlini (ex guitarrista da Rita Lee nos anos 70), Edgard Scandurra, do Ira!, Lucio Maia (Nação Zumbi) e Tim Bernardes (O Terno).

    Foi um belo show, tocaram Beatles, Stones, Clash, Led, Pink Floyd, Ramones, Legião, Rita Lee, entre outros… era um show de músicas óbvias, uma ideia já batida de fazer arranjos de música clássica em músicas de rock, mas adequado à plateia e à ocasião.

    Saí de lá pensando: daqui a 30 anos, quem vai ouvir isso? Claro, novas bandas irão surgir, mas tenho a impressão de que, aos poucos, o trabalho das grandes bandas de Rock da década de 70 será lembrado apenas por poucos hits, “cada vez mais poucos hits”. Isto é, acredito que daqui a alguns anos as pessoas ainda conhecerão “Another Brick in the Wall”, mas o contexto da obra, aos poucos, será esquecido.

    Por isso, acredito que quem vai “salvar” o rock somos nós, através de sites como este (brilhante, por sinal), incentivando nossos filhos (e netos) a ouvir as bandas antigas, as não tão antigas assim, e, quem sabe, incentivando-os a criar suas próprias bandas.

    Salvamos o rock também mostrando as músicas no Youtube, mas incentivando a leitura do trabalho das bandas, disponível na Internet ou em biografias.

    Com relação ao argumento de que o Rock não precisa ser salvo, concordo em parte, sob a ótica das bandas, da existência de excelentes bandas novas de rock e de seus subgêneros. Nesses aspecto, realmente, não precisa ser salvo. O Youtube até facilita, porque hoje qualquer grupo de pessoas grava um “clipe” e faz circular pelas redes sociais.

    Mas sob a ótica do público, acredito que o rock mereça uma atenção especial. As bandas precisam sim que em 2047 os estádios estejam lotados, porque é disso que elas sobrevivem; é nesses mega shows (Rock in Rio de 1985 é um bom exemplo) que muitos aventureiros se interessam em conhecer melhor o trabalho de uma banda (faziam comprando vinis e lendo a Rock Brigade e a Bizz na década de 80, hoje procuram no youtube). O mega show é ruim pra gente, que já conhece e quer ouvir quase que com exclusividade. mas isso não sustenta ninguém; não sustentaria Beatles na década de 60, nem Stones, etc.

    O Rock precisa atingir um número maior de pessoas, da mesma forma que hoje chegam os despacitos, desculitos e que tais. Sem isso, ele vai minguando, vai ficando interessante apenas pra gente, que é fã. O Rock precisa de novos fãs, em quantidade; desses, alguns formarão novas bandas; dessas, surgirão “novos dinossauros”.

    Parabéns pelo site

    Responder
  23. Filipe Teixeira

    Olá, estou descobrindo agora este site, por coincidência, pois estava pesquisando bandas de rock que usam Hammond em seus trabalhos e que eu ainda não conhecia. Então, primeiramente, parabéns aos idealizadores!
    Li alguns comentários sobre a longevidade do rock e acredito que, mesmo com as discordâncias apresentadas, estão todos com razão.
    Acredito que essa “pouca saúde” do rock é fruto de tudo isso que foi dito, mas vou dizer algo que a turma mais underground não ficará satisfeita: só faz sentido ser artista se você tiver público. E não vejo o público do rock (que ainda é imenso) exigir seu gênero no mainstream, mas também não vejo muitos artistas se empenhando em tornar o rock mais atraente para o seu público.
    Assim como muitos de vocês (imagino), já toquei em meia dúzia de bandas de rock. Moro no interior de Minas Gerais, aqui se escuta sertanejo até sem querer, mas na década de 90 e anos 2000 o rock era essencial na minha cidade. As bandas de garagem brotavam, era inaceitável exposição agropecuária sem banda de rock, disputando espaço com o axé que estourava Brasil afora. Mas a galera que ouvia o rock era movido por ideologias, seja a defesa da liberdade de expressão, ou a necessidade de afirmação, oi ainda, apenas o prazer de escutar rock. Hoje em dia, continuo vendo pessoas que gostam de rock, mas sem qualquer tipo de atitude, sem vontade de buscar pelo rock – público e músicos – que se tocar rock tá ótimo, mas se não tocar, apenas joga a culpa na mídia.
    A mídia poderia perfeitamente ser uma aliada do rock, como foi nos anos 80 e 90 e concordo que muito roqueiro turrão desdenhou desse espaço, quando o tinha. Mas a mídia irá sempre atrás do apelo do público e, acreditem: existem pessoas que escutam o sertanejo, mas adorariam escutar o rock também e se um evento de rock acontecesse, prestigiariam.
    A maior imbecilidade que nós roqueiros podemos fazer é rotular uma pessoa e excluí-la do nosso público alvo só por ela escutar outro gênero.
    Se as pessoas mais comprometidas com o rock se empenhassem em fortalecer o gênero – não falo de quantidade, mas unidade – se cada evento de rock, mesmo que em pub’s for algo agradável e expressivo, mais adeptos teríamos, pois não podemos nunca nos esquecer que o artista só existe porque tem seu público.

    Responder
    • Mairon Melo Machado

      Olá Filipe, bem vindo ao site. Obrigado pelas palavras, e concordo com vc. Um pouco de empenho está realmente sendo sentido falta no rock. Abraços

      Responder

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