Cinco Discos Para Conhecer: Avant-Garde Music

13 de novembro, 2015 | por Mairon
Cinco Discos Para Conhecer
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Luigi Russolo (1885 - 1947) the futurist artist with his assistant Piatti and the noise machine invented by him for futurist 'symphonies', one of which was performed at the London Coliseum in June 1914. He was also a painter. (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

Por Mairon Machado

Quando você ouve falar sobre Avant-Garde Music, o que você pensa? Eu sempre via um bando de doidos tocando música de doidos, e jamais entendia o por que disso existir. Depois de muito ouvir free jazz, um dos estilos que mais gosto, resolvi me adentrar nas maluquices e obras ligadas às experimentações e inovações (ou seriam deboches e desaforos) registradas para a posteridade em incontáveis álbuns que estão no mercado há algum tempo, aliás, escondidos, pois a maioria não vendeu praticamente nada.

Inspirado pelo colega Alisson Caetano, que trouxe para nós Cinco Discos Para Conhecer o Drone e o Noise Rock, estilos claramente influenciados pela Avant-Garde Music, trago hoje cinco obras que recomendo para quem quer iniciar nesse estilo, deixando claro que há muitas outras peças atemporais a serem preparadas para audição.

As escolhidas talvez sejam as que menos preparação o ouvinte deva ter, apesar do estado mental das criaturas que as gravaram (ou o nível de chapação) não ser dos mais recomendáveis para um ser humano, mas ouvidos atentos descobrirão a genialidade / absurdez que é a Avant-Garde Music, e principalmente, o choque que ela causa em ouvidos acostumados a ouvir música apenas com ritmos e melodias. Prepare seus cogumelos, amarre sua camisa de força e deixe a loucura entrar em sua mente.


1729089John Lennon & Yoko Ono – Unfinished Music n° 1: Two Virgins [1968]

Um dos maiores representantes da cena Avant-Garde foi o casal John Lennon e Yoko Ono. Quando eles se uniram, seus primeiros álbuns geraram muitas polêmicas entre apreciadores dos Fab Four e também com a imprensa, que não entenderam as ideias malucas do inglês e da japonesa. O primeiro nome que veio à mente para a lista foi Wedding Album, terceiro disco da dupla, que consta no lado A com a estranhíssima “John, Yoko”, peça de 23 minutos onde um grita/geme o nome do outro enquanto mastigam. Mas o lado B tem uma peça de 25 minutos, “Amsterdam”, que trata-se apenas de conversas em um passeio pela cidade holandesa, além de algumas passagens acústicas, e portanto, não trata-se realmente de um registro musical. Mas a estreia do casal sim, é o suprassumo do que podemos definir de Avant-Garde Music. Composto apenas pela faixa-título, a qual é dividida em 10 partes, e com uma breve participação de Pete Shotton fazendo os tradicionais tape loops (ficar repetindo uma gravação em uma fita), nos pouco mais de trinta minutos do LP temos assovios, gravações, barulhos diversos, notas e acordes soltos e irritantes de piano e baixo, gemidos de Lennon e muitos vagidos, choros e gritos histéricos de Yoko, em uma insanidade brutal. A EMI, gravadora dos The Bealtes na época, recusou-se a lançar o disco, considerando-o anticomercial e sem fundamento. Unfinished Music n° 1: Two Virgins saiu por gravadoras independentes, e hoje é considerado uma peça de colecionador, principalmente em sua versão original, com a polêmica capa do casal nú, sendo um disco muito complicado de se ouvir, assim como seus sucessores, mas que com o passar do tempo, ganha seu sabor. Outro detalhe é que o álbum foi gravado em uma única tomada, durante a madrugada do dia 19 de maio de 1968. Na época, John Lennon estava casado com Cynthia Lennon, que naquele dia estava de férias na Grécia. Cynthia acabou voltando antes, e pegou o casal dormindo junto após as gravações. Foi o estopim para a separação, e o início de um dos casamentos mais famosos do rock.

John Lennon (vocais, piano, órgão, percussão, efeitos, loops), Yoko Ono (vocais, loops)

Participação especial

Pete Shotton (loops)

1. Two Virgins


DSC01745_edited-1Cromagnon – Orgasm [1969]

Considero esse o melhor álbum dos aqui apresentados, sendo que inclusive já escrevi sobre ele para a Consultoria, e a UOL HOST comeu. O grupo Cromagnon foi uma experiência magnífica da dupla Austin Grasmere e Brian Elliot, que acompanhados por uma banda de apoio e por pessoas que foram “raptadas” pela dupla enquanto passavam na frente do estúdio de gravação, pariu um dos discos mais raros da história. Sobre Orgasm, em homenagem ao aniversariante da semana, Ronaldo Rodrigues, resgato o que escrevi naquela oportunidade: “Em uma época que o Iê-Iê-Iê dos Beatles já não estava mais em alta, que a psicodelia levada por ácidos lisérgicos fervilhava nas diversas bandas flower-power de San Francisco, e que o Velvet Underground era a referência da anti-música, e contra-cultura, o Cromagnon colocou a trupe de Lou Reed enrolados em pedaços de comida em estado de putrefação, ingeriram eles sem dó nem piedade e, para piorar, a la G. G. Allin, cuspiram e comeram os dejetos fecais originários disso, dando origem a talvez a maior gema underground e anti-comercial que a América pariu“. São oito faixas regadas de distorções, barulhos, gritos e efeitos em geral que arrepiam e muito, com destaque para a estripação gratuita de “Ritual Feast of the Libido”, a insanidade de “Fantasia” e os dez alucinantes minutos de “Toth, Scribe I”, a qual é a mais perfeita canção do álbum, com seu início totalmente progressivo nos acordes de sintetizador e explosões, percorrida então por uma trilha sonora angustiante, com as explosões e o sintetizador explodindo os miolos do ouvinte. Há alguns momentos de racionalidade em Orgasm, mas esses não devem atingir um minuto de duração se somados. O resto, é experimentação em seu estado bruto. Orgasm chegou a ser apresentado na íntegra, tendo no centro do palco um gigantesco útero com a banda em seu interior. Pelo palco, pessoas semi-nuas passeavam sob luzes estroboscópicas, enquanto a sonoridade fervilhava, e o ponto de êxtase da apresentação ficava para a explosão do útero com um lança-chamas, ainda em “Caledonia”, permitindo que a banda saísse para executar o resto do álbum, com todos os “instrumentos” que pudessem obter naquele dia. Orgasm saiu pelo famoso selo EPS, responsável por muitos lançamentos ousados, e aos poucos, vem sendo descoberto nas mais profundas estantes de especialidades em obscuridades, e sinceramente, é só para os fortes.

Austin Grasmere (vocais), Brian Elliot (vocais), Peter Bennett (baixo), Jimmy Bennett (guitarra), Vinnie Howley (guitarra), Sal Salgado (percussão), Mark Payuk (vocais), Gary Leslie (vocais)

1. Caledonia
2. Ritual Feast of the Libido
3. Organic Sundown
4. Fantasia
5. Crow Of The Black Tree
6. Genitalia
7. Toth, Scribe I
8. First World Of Bronze


capaplanetalamaDamião Experiência – Planeta Lamma [1974]

Não podia deixar de jeito maneira essa obra-prima da Avant-Garde brasileira de fora. A estreia de Damião Experiência é uma obra conceitual, que trata do Planeta Lamma, o destino final de todo ser humano, localizado obviamente sete palmos debaixo do chão. É uma experiência sonora única. Ou você se contamina com a insanidade, ou acaba descobrindo que sempre pode ter algo pior do que você considerava a pior coisa que você já ouviu. Temos grunhidos, vagidos e gritos alucinantes e doentios de Damião, cantando em Lammês (?!), a língua do Planeta Lamma, acompanhado por uma gaitinha de boca sem vergonha e um violão de apenas uma única corda, desafinada ainda por cima, além de um chocalho que foi amarrado ao violão, o registro foi feito em um k7, e depois virou um raríssimo LP prensando, embalado e vendido pelo próprio Experiência, que ainda era responsável pelo layout da capa, gerando seguidores como os Novos Baianos, que consideraram Damião um dos maiores gênios da música nacional, mas por outro lado, conquistou uma legião de detratores, que amaldiçoam o disco – e a carreira do artista – sem se quer ter se dado o trabalho de ouvir, e quando ouvem, acabam concluindo que aquilo que imaginavam é ainda pior. Entre tapas e beijos, há vários destaques entre as 13 e nada convencionais canções do álbum, como o ritmo dançante de “Planeta Bicho”, a alucinação da faixa-título, a doentia “Linguagem do Planeta Lamma Música do Planeta Lamma”, e principalmente a paulada “Minha Dor”, e material descartável, como “Que Dor Eu Sinto”, ou a insanidade dos gritos de “A Vida É Sempre Assim”, sendo inegável que as primeiras audições são um choque e tanto. Um álbum para ser ouvido sem pré-conceitos, e que seus ouvidos e coração deem o veredicto final. Aconselho também a buscar a obra de Experiência, pois existem muitas pérolas escondidas nos mais de trinta discos que ele já gravou.

Damião Experiência (voz, grunhidos, violão, gaita de boca e percussão)

1. 1308 Registrou Gravou Rose Olíria Experiença
2. Que Dor Eu Sinto
3. A Vida É Sempre Assim
4. Linguagem do Povo do Infinito ao Universo de Rose 1999
5. Loucura total 1999 a Damião Experiença
6. Amente astrologica 1999
7. Planeta Lamma
8. Minha Dor
9. Som Planeta Lamma
10. Planeta Bicho
11. Mundo no Espaço
12. Meu Passado? Meu Presente
13. Linguagem do Planeta Lamma Música do Planeta Lamma


4a4192f476695d57c1c0f4f4d810eb9a37a80d3aLou Reed – Metal Machine Music [1975]

O quinto álbum solo de Lou Reed é considerado por muitos como o pior disco da história. Depois de três álbuns muito bons (Lou Reed, Transformer e Berlin) e do aclamado Sally Can’t Dance, Reed brigou com a sua gravadora, a RCA, e então decidiu gravar em sua casa as microfonias de duas guitarras, tocadas com diferentes tipos de distorção pelos próprios amplificadores, para lançar por conta das obrigações contratuais com a RCA. Sim, isso mesmo, nenhum ser humano toca nas guitarras. O que temos é o registro das guitarras no centro de grandes amplificadores, os quais, ligados em um volume considerável, fizeram as cordas vibrarem. Com os instrumentos afinados em afinações distintas, o efeito gerado é incrível e inovador, e Reed só se deu o trabalho de gravar as microfonias e depois, mixá-las. Mas não foi isso que fãs e mídia pensaram. As quatro longas faixas, em torno de 16 minutos cada uma, ocupam cada lado de um vinil duplo, renegado e linchado até mesmo pelo mais ardoroso seguidor da antiga banda de Reed, o Velvet Underground, que também tem seus momentos Avant-Garde. O que ficou para a história é um álbum de revolta, ou de deboche, mas esquizofrênicos e pirados em geral ouviram as microfonias com ouvidos calorosos, e acabaram divulgando o álbum para outras gerações, que influenciados pelo disco, o qual na contra-capa traz destaque para os amplificadores Sunn, gerou um novo estilo, o Drone, e não por acaso, o nome de uma das principais bandas desse novo estilo, Sunn O))). Metal Machine Music tem vários fatos curiosos, como o de ter vendido mais de 100 mil cópias, pois ao que parece, as pessoas não acreditavam nos comentários da imprensa – e de quem havia comprado – de que o disco fosse tão ruim, mas o mais interessante está na contra-capa, a qual fazia ênfase que no álbum não havia sintetizadores, teclados, e o mais curioso de tudo, música!! Esse realmente é para poucos, e detalhe, sugiro pegar a versão em CD, pois assim, não haverá distinção de uma faixa para outra!

Lou Reed (?) (guitarras, distorções, efeitos)

1. Metal Machine Music Part 1
2. Metal Machine Music Part 2
3. Metal Machine Music Part 3
4. Metal Machine Music Part 4


220px-Studio_TanFrank Zappa – Studio Tan [1978]

Zappa sempre foi um apreciador e divulgador da Avant-Garde Music. Edgar Varése, um dos pais do estilo, era seu maior ídolo. Vários discos de Zappa trazem o estilo em voga, como Lumpy Gravy (1967), Weasels Ripped My Flesh (1971), Orchestral Favorites (1979) ou Francesco Zappa (1984), sendo que o último por algum tempo foi o principal nome para entrar nessa lista. Porém, decidi trazer um material construído pelo próprio Zappa. O lado A de Studio Tan é o responsável pelo LP estar aqui. Afinal, “Greggery Peccary” é uma maluca história sobre o pequeno javali genial que inventa um calendário revolucionário, acaba trazendo caos ao mundo, e que exigiu a Zappa a contratação de mais de trinta músicos para poder concluí-la, já que ela começou a ser gravada em 1972, mas só foi finalizada em 1974. Entre um humor sarcástico e comentários políticos muito ácidos, Zappa mistura música clássica, barulhos, cacofonia e efeitos enquanto narra a história com profundidade e certo exagero, parecendo mais uma trilha sonora de um desenho animado cujo tema central é a suspense. Há seus momentos de “racionalidade”, com algumas melodias soltas nos mais de vinte minutos da faixa, mas a sensação geral é de uma maluquice total. As experimentações Avant-garde continuam no lado B, em diversas passagens desconcertantes na belíssima “Revised Music for Guitar & Low Budget Orchestra”, com deliciosas misturas de orquestra, percussão e guitarras, mas há canções bastante ortodoxas, como o rock animado de “Let Me Take You to the Beach” e a comovente faixa de encerramento “REDUNZL”, fácil um dos Top 10 dos melhores solos de Zappa, mas que também possui seus momentos de experimentalismo. Se você deseja entrar nesse mundo, dos cinco aqui citados comece SEM DÚVIDAS por esse.

Frank Zappa (guitarra, vocais, percussão), George Duke (teclados), John Berkman (piano), Tom Fowler (baixo), James “Bird Legs” Youmans (baixo), Edward Meares (baixo), Terry Bozzio (bateria), Paul Humphrey (bateria), Davey Moire (vocais), Eddie Jobson (teclados), Max Bennett (baixo), Don Brewer (bongo), Ruth Underwood (percussão, sintetizadores), Pamela Goldsmith (viola), Murray Adler (violino), Sheldon Sanov (violino), Jerry Kessler (violoncelo), Bruce Fowler (trombone), Don Waldrop (trombone), Jock Ellis (trombone), Dana Hughes (trombone), Earle Dumler (oboé), JoAnn Caldwell McNab (baixo), Mike Altschul (flauta), Ray Reed (flauta), Graham Young (trompete), Jay Daversa (trompete), Malcolm McNab (trompete), Victor Morosco (saxofone), John Rotella (instrumentos de sopro), Alan Estes (percussão), Emil Richards (percussão)

1. Greggery Peccary
2. Let Me Take You to the Beach
3. Revised Music for Guitar & Low-Budget Orchestra
4. REDUNZL

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52 Comentarios

  1. José Leonardo G. Aronna disse:

    Boa matéria! Dessa lista tenho apenas os discos do Zappa e do Lou!Nunca consegui ouvir mais de cinco minutos desse último! Me lembro que no início dos anos 80 vi num sebo o Metal Machine em vinil por um preço astronômico.

    Uma curiosidade, que eu saiba o disco do Lennon/Yoko saiu pela Apple…

    • maironmachado disse:

      Sim José Leonardo, saiu pela Apple, mas foi relançamento. Inclusive, é a versão que eu tenho. O original foi pela Tetragramatton Records (EUA) e a Track Records (RU)

      • maironmachado disse:

        José Leonardo, uma coisa que não entendo é como que MMM foi lançado em versão quadrifônica!! Eu vi uma vez ele lá na Galeria Chaves (uma famosa loja do local) por duzentinhos, isso quando 200 era um valor absurdo!

        • José Leonardo G. Aronna disse:

          Mas bah!

          Sempre achei que a ediução da Track do Two Virgins fosse o relançamento…

          Segundo a wikipedia: “Unfinished Music No.1: Two Virgins was released by Apple Records in the US in stereo on 11 November 1968, and in the UK in mono and stereo on 29 November 1968. The album was distributed by Track Records in the UK and Tetragrammaton Records in the US after EMI refused to produce the cover or sleeve the record, unless it was changed. EMI, however, pressed the record in Britain, while the album cover was printed by Technik. Apple employee Jack Oliver got around the sleeve packing problem by hiring several Apple scruffs to package the album into sleeves “in the basement of the old Apple shop”.

          • maironmachado disse:

            Agora confesso que fiquei confuso. Mas talvez o Wikipedia tenha razão, e fico feliz, pois sei que minha versão é a original :v

            http://www.discogs.com/John-Lennon-And-Yoko-Ono-Unfinished-Music-No-1-Two-Virgins/release/485652

          • Marco Gaspari disse:

            Não sei muito a respeito desse original inglês, mas sei que o americano da tetragrammaton (aquele que tem o saco bege) foi muito pirateado. E as diferenças entre o original e o pirata são bem frágeis, sendo a principal um adesivo branco circular que lacrava a cópia original. Tenho um aqui que vai brilhar no Siri da Gaita, provavelmente bootleg (não acredito em Papai Noel).

  2. Marco Gaspari disse:

    Não é segredo para ninguém que me conhece que eu adoro a Yoko Ono. Não a ponto de beijar o chão onde ela pisa e achar que até peido que ela solta tem seus encantos. Ao contrário, tem coisas que ela gravou que eu não suporto ouvir. Entre elas esses primeiros discos “vanguardistas” que ela cometeu com o Lennon. Mas justiça seja feita, Yoko tem sua aura presente em um dos movimentos que eu mais amo no rock: a kosmische musik alemã (mais tarde enfiada no mesmo saco do krautrock). Eu já contei essa história por aqui e não vou me furtar de aproveitar esta nova oportunidade, mas quando a Yoko se envolveu com o Lennon, era uma artista conhecida nos meios vanguardistas e, de certa forma, admirada por alguns por seu trabalho junto ao grupo Fluxus. Os alemães, por exemplo, a tinham em muita conta e até reconhecem que a união de Lennon e Yoko funcionou como uma espécie de metáfora vívida de que o rock poderia se juntar à vanguarda e gerar frutos (o que, afinal, é o conceito por trás da kosmische musik), tendo “Revolution #9” e “Two Virgins” como modelos. Mas eu prefiro muito mais os discos da Yoko onde ela entra como elemento, digamos, de vanguarda numa formação que tem características roqueiras, como foi o trabalho dela mais tarde com a Plastic Ono Band e em seus discos solo, esses sim trabalhos que merecem uma oportunidade de audição, mas com ouvidos livres da imagem preconceituosa que as viúvas dos Beatles, onofóbicas frustradas de carteirinha (alimentados justamente por Two Virgins e o Wedding Album), criaram ao longo dos anos e que os preguiçosos e manipulados de plantão trataram de assumir como verdade. Quanto aos discos escolhidos pelo Mairon, quero manter meu raciocínio para dizer que acho alguns péssimos exemplos (caso do MMM do Lou Reed – um disco que já nasceu raivoso e equivocado) e o Damião Experiença que na minha opinião é, na falta de adjetivo melhor, “naif”, justamente o oposto da vanguarda. Gosto da vanguarda como tal, tipo Stockhausen, Varese, Pierre Henry, Cage e por aí vai. E gosto, como citei acima no caso da Yoko, quando esses artistas inspiram ou são elementos dentro de uma banda de rock, caso por exemplo da parceria do Pierre Henry com o Spooky Tooth no disco Ceremony. Mas, de toda forma, que ótima esta matéria! Espero que inspire outros consultores a escreverem a respeito e tirar mais discos interessantes do limbo.

    • maironmachado disse:

      É aquela história né Marco, gosto é que nem (_o_) e cada um tem o seu. Particularmente, eu acho MMM um disco que só pelas três letras diz bastante (basta lembrar que o meu nome do meio é M). Alguns chamam de Muita Merda Misturada, e claro que não sou louco de dizer que o disco é bom, mas acho interessante o fato de Reed ter gravado as microfonias e ficar ali apertando pedais para gerar a música. Damião Experiência é um caso a parte. Por exemplo, os discos dos anos 80 são muito bons. Uma banda afiadíssima, e com uma guitarra lisérgica que lembra Lanny Gordin, mas Planeta Lamma é um caso a parte. Não sei se ele vai contra a vanguarda, e posso ter errado em clássifica-lo como Avant Garde Music, mas de qualquer maneira, é um disco bem fora do convencional. E tb gosto de Stockhausen, Varese e Cage (aliás, Carese e Cage bem que podiam aparecer por aqui, pois são gênios)

      • Marco Gaspari disse:

        Você não precisa dizer que gosto é quem etc… Você acha que eu não sei ou que não respeite o seu? Só dei minha opinião. E não sabia que o Lou Reed tinha didicado um disco a você. Soubesse disso e teria mais consideração por ele. Aliás, citei MMM como um péssimo exemplo de vanguarda, assim como o Damião. E não como péssimos discos. No caso do MMM, quem disse que ele é ruim foi você.

  3. Bela matéria Mairon. Eu conheço mais coisas Avant-Garde dos anos 90 em diante. Dos anos 60 e 70 eu conheço esse disco da Yoko com o Lennon, que é bom, mas nada fabuloso, e o infernal MMM. Servirá muito como guia para mim.

    É claro que não poderia deixar de citar alguma coisa “que poderia ter entrado”, mas acredito que o Filth ou o Soundtracks for the Blind do Swans servem muito bem para conhecer o lado Avant-Garde da música contemporânea, discos que tenho em alta conta aqui em casa.

    Parabéns pela matéria, Mairon, e que venham mais nesse estilo.

    • maironmachado disse:

      Obrigado Alisson, e esqueci de dizer que é em sua homenagem. Swans é muito bom, mas fiquei com receio de colocar ele aqui (alguém podia achar que estou de deboche …)

  4. Realmente este lou reed e o maior lixo já face da terra;

  5. André Ribeiro disse:

    Parabéns pela matéria Mairon. Acompanho o site e curto muito suas matérias. Tenho o Studio Tan em vinil. Foi um dos primeiros do Zappa que comprei. Achei por sorte em um sebo de BH. Sei que você é um grande fã de Zappa assim como eu. Que tal desbravar essa complexa discografia dele?? Grande abraço.

    • maironmachado disse:

      Obrigado André. Tenho esse compromisso firmado com o site, assim como a discografia do Yes e a discografia do Santana. O problema é tempo para ouvir com calma novamente mais de 30 discos (no caso do Zappa, mais de 50). Um dia sai

  6. Ronaldo disse:

    Valeu a menção, mestre Mairon!

  7. Ronaldo disse:

    Excelente texto, preciso recuperar esses trabalhos que conheço, mas há tempos que não ouço, até pq não são coisas pra se ouvir com frequência. Talvez dos mencionados, o que mais me frequenta os ouvidos seja o citado Last Ceremony, do Spooky Tooth e Pierre Henry.
    Mas eu gosto mais mesmo de trabalhos que beliscam a vanguarda sem serem exatamente vanguarda, como algumas coisas do Pink Floyd, Amon Duul II, Can, Ash Ra Tempel, Third Ear Band, Hampton Grease Band, etc…

  8. Erick Cordeiro disse:

    O gênero mais vanguardista dentro da música “conhecida” é o kosmische,e,a banda que melhor representa essa vanguardice é o Ash Ra Tempel,procede Gaspari?Ou eu estou maluco que nem um copo d’água em países inexistentes?

  9. Erick Cordeiro disse:

    Mairon,quero lembra-ti,que você disse que faria brevemente uma discografia comentada do VdGG,nos tempos em que o CR era entrelaçado,computadoramente falando,com a UOL.No mais,descobri agora que o fundo do site é a capa do DSOTM…E,CLARO,ótima matéria Mairon!!O MMM é a obra mais da DESARTE,sendo a desarte da mesma obra,por isso já tentei ouvir,porém meus ouvidinhos já estão divididinhos…A CULPA??fone.

    • maironmachado disse:

      Hahaha. E ujá prometi muita discografia meu caro Erick, mas infelizmente, falta tempo. Agora, estou me dedicando para uma com sete discos, que vai gerar polêmica aqui no site, primeiro por que vou fazer em duas partes – irei acrescentar dois discos solo de artistas envolvidos com essa banda que não podem ficar de fora de jeito nenhum, e segundo, por que acho que é uma banda que só eu gosto.

      Mas um dia sai essas bandas mais boas

      • Antonio Marcos disse:

        Olá, parabéns pelo texto e pelas indicações. Gosto muito de seus comentários e de suas análises, pois são pertinentes e contribuem muito para dar um significado mais consistente à obra analisada.Em relação a sua nova empreitada, pode dar uma pista do nome da banda?

        • maironmachado disse:

          Obrigado Antônio Marcos. Sobre a nova empreitada, posso dizer que vem da Escandinávia. O resto são especulações, mas em quatorze dias todos saberão quem são! (adoro um mistério, hehe)

          • Marco Gaspari disse:

            Meu Deus, teremos que aguentar Agnetha e cia!!!

          • maironmachado disse:

            Boa Marco. Vou mudar aqui, e já comecei a ouvir a disografia desse grupaço tb. Não era a ideia inicial, mas agora, só por desaforo vou trazer essa pérola

          • Marco Gaspari disse:

            Você é bem capaz de nos brindar com discografias comentadas até do Roxette. Com podcast e tudo.

          • maironmachado disse:

            Roxette é com o Davi, mas eu toparia uma discografia deles facinho. Quero um dia também fazer a do Erasure

  10. Eudes Baima disse:

    Excelente artigo, para variar, Mairon.

    Mas, como outros acima, não sou muito fã dos discos listados. Na verdade, porque penso que discos como os de Lennon e Ono e o de Lou Reed não se movem por anseio e vanguarda,mas pela autocomplacência e quem chegou num status em que “pode tudo” e, quem sabe, pela preguiça. O de Damião, concordo com Gaspari, é muito mais “naif”, ou seja, primitivista, portanto, o oposto da vanguarda e, pior, acho chatérrimo.
    Curiosamente, entre os Beatles, quem tinham mais conhecimento e causa na área era o “pop” Paul McCartney que teve a finesse de enfiar procedimentos vanguardistas em faixas populares da banda e, de quebra, brigou para colocar John Cage na capa de Sgt. Pepper’s…

  11. Eudes Baima disse:

    …ou é o Stockhausen que está na capa?

  12. Eudes Baima disse:

    Neil Young também caiu na armadilha da autocomplacência com aquele disco de microfonia.

    • Mairon Melo Machado disse:

      Neil Young tem muitos discos TERRÍVEIS

      • José Leonardo G. Aronna disse:

        Os discos mais fracos do Neil Young são da fase Geffen Records, de 1982-1987. O pior de todos é o Landing On Water (86). Para um cara com uma discografia extensa, até que não tem tantos discos ruins assim. Mas isso é opinião de fã! rs

        • maironmachado disse:

          Eu tenho coragem em defender MMM, Damião Experiência, Wedding Album e outros discos considerados bombas, mas to pra ver um vivente que defenda Landing on Water. Acho que é o pior disco da história!!

          • Marco Gaspari disse:

            Outro dia vocês estavam xingando as minhas meninas Shaggs. Isso sim era vanguarda.

          • José Leonardo G. Aronna disse:

            Se não for, é um grande concorrente…

          • maironmachado disse:

            Putz, Marco. Acho que consegue ser pior que o Neil Young, bem lembrado

          • Micael disse:

            Pior que eu já vi gente dizer que gosta do “Landing On Water”… aquilo ali é brabo…

            Eudes, o tal “disco das microfonias” é o EP Arc… outro custoso para ouvir…

            Quanto aos discos da lista em si, não ouvi nenhum deles. E, confesso, não pretendo não (há uns 20 anos tenho medo do Metal Machine Music, e ainda não me sinto confortável de enfrentar a “fera”….)

          • maironmachado disse:

            Defender o Landing on Water??? É coragem. Micael, se EU consegui aturar o MMM, é sinal que não é recomendado para ti, hehehehee

        • Eudes Baima disse:

          Dizem que Young se sabotou de propósito nestes discos da Geffen. Nas não discos avant-garde.

          • José Leonardo G. Aronna disse:

            A gravadora Geffen processou Neil pois os discos desta fase eram bem distintos e não lembravam em nada o som do velho Neil. Senão vejamos, Trans (82) flertava com sintetizadores, Everybody’s Rockin’ (83) era de rockabilly, Old Ways (85) era de country tradicional, Landing On Water (86), tb abusa da sonoridade eletrônica e Life (87), retorno com o Crazy Horse, era fraquinho sem muita inspiração.

          • maironmachado disse:

            Ou seja, Alisson, todos terríveis. Para quem fez discos de fundamento na década de 70, esse é uma vergonha

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