Por Diogo Bizotto
O lançamento de The Final Jolly Roger não poderia ter chegado em momento mais oportuno. O material, colocado no mercado como DVD simples e CD duplo, traz o registro daquele que deveria ter sido o último show realizado pelo Running Wild, finalizando uma carreira de mais de 30 anos, e 25 desde o primeiro lançamento, o hoje antológico Gates to Purgatory (1984), ajudando a construir a história do heavy metal alemão com personalidade e muita qualidade, especialmente até meados dos anos 90.
Como eu disse, o CD/DVD traz aquele que deveria ser o último show da banda, realizado no dia 30 de julho de 2009, no maior festival de heavy metal do mundo, o Wacken Open Air, que acontece anualmente na Alemanha. Ocorre que, em outubro deste ano, o eterno líder do grupo, o guitarrista e vocalista Rolf Kasparek, conhecido como Rock ‘n’ Rolf, anunciou que o Running Wild estava retomando atividades, inclusive com um novo álbum de estúdio anunciado para o dia 20 de abril de 2012, cujo nome será Shadowmaker. Dessa maneira, The Final Jolly Roger revela-se como um ótimo aquecimento para aqueles que estão no aguardo da novidade, além de um bom somatório da carreira do grupo para aqueles que quiserem se aventurar por seu metal tradicional carregado de referências daquilo que foi conhecido como speed metal nos anos 80, além de diversos momentos hardeiros espalhados por sua discografia.

Rolf Kasparek ostentando seu tradicional traje pirata

Alguns seguidores mais fiéis podem sentir a ausência de músicas registradas do álbum Masquerade (1995) em diante, ausentes no CD/DVD, mas a seleção apresentada pelo grupo certamente é satisfatória, focando em especial no álbum Port Royal (1988, três faixas) e no fantástico Death or Glory (1989, quatro faixas). Desde o início do show, o afoito público que se aglomerava na grade do Wacken é premiado com clássico atrás de clássico, começando com “Port Royal” e seguindo com as avassaladoras “Bad to the Bone” e “Riding the Storm”, mostrando que, apesar do Running Wild nunca ter alcançado grande sucesso a nível mundial como os compatriotas do Scorpions e do Accept, pode se dar ao luxo de despejar canções desse calibre logo de cara, sem medo de que o clima esfrie no decorrer do show. Entre outras grandes músicas executadas bem antes do término da apresentação, enquanto ainda anoitecia, é possível destacar “Prisoner of Our Time” (clássico de Gates to Purgatory e uma de minhas favoritas no heavy metal em geral), a épica “Battle of Waterloo” e as velozes “Whirlwind” e “Tortuga Bay”.

Durante a apresentação, entre a execução de “Black Hand Inn” e “Purgatory”, é levado ao palco um fã do grupo, vencedor de um concurso que premiou o possuidor da melhor tatuagem relacionada ao Running Wild. Também há a execução de um curto solo de bateria de Matthias Liebetruth, que, penso eu, poderia ser substituído por mais um clássico, como as ausentes “Marooned” e “Lead or Gold”. O final do show é bastante intenso, trazendo “Branded and Exiled”, rica em interação com o público, a energética “Raise Your Fist” e “Conquistadores” (favorita de muitos), além da despedida apoteótica com aquela que talvez seja a mais conhecida canção do grupo, e dá título ao álbum que deu origem à temática pirata explorada pelo Running Wild, em 1987: “Under Jolly Roger”. Para adicionar um pouco mais de emoção, no DVD, imagens de apresentações antigas são intercaladas com o show do Wacken, atiçando a nostalgia dos fãs. Seria um final digno para uma carreira mais que digna, mas felizmente Rolf Kasparek voltará a nos apresentar seu heavy metal sem frescuras a partir de 2012.

Os músicos que o acompanham nessa empreitada executam seu trabalho com competência e manuseiam seus instrumentos com segurança, mas soando como se divertissem. O mais concentrado é o guitarrista Peter Jordan, que toca com fluidez e divide solos com Rolf (acompanhado de sua inseparável guitarra modelo Explorer), de maneira a não deixar saudade de qualquer outro guitarrista que tenha passado pelo grupo. Jan Sören Eckert (baixo) completa a formação. o guitarrista/vocalista pode não cantar mais como outrora (e carregar no sotaque), mas compensa com muita garra e satisfação de estar sobre o palco, fechando sua história com honra. De negativo, é possível apontar a falta de legendas em todo o decorrer do DVD, sentida em especial pois Rolf comunica-se seguidamente com a plateia em seu idioma natal, o alemão. Isso também acaba tornando difícil a compreensão dos extras do DVD, que incluem entrevistas com Kasparek, além de diários de turnê e estúdio.

Felizmente, o mais importante no pacote é a execução dos diversos clássicos do Running Wild, que certamente vão satisfazer os fãs do grupo. O lançamento nacional foi  uma boa iniciativa da gravadora Hellion, dado que a quantidade de admiradores do grupo no Brasil parece ser grande, tendo em vista o fato de que, seguidamente, enquetes apontam o grupo como uma das bandas que os fãs locais mais gostariam de ver ao vivo. Esperamos que esse retorno às atividades possa resultar em uma visita ao nosso país. “Rockers of the underground, black and heavy is our sound!”

Track list:

1. Intro
2. Port Royal
3. Bad to the Bone
4. Riding the Storm
5. Soulless
6. Prisoner of Our Time
7. Black Hand Inn
8. Purgatory
9. Battle of Waterloo
10. Der Kaltverformer [solo de bateria]
11. Raging Fire
12. Whirlwind
13. Tortuga Bay
14. Branded and Exiled
15. Raise Your Fist
16. Conquistadores
17. Under Jolly Roger

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