Cinco Discos Para Conhecer: Os Renegados do Hard Rock – Parte II

21 de outubro, 2011 | por Van do Halen
Cinco Discos Para Conhecer
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Por João Renato Alves (originalmente publicado no Blog Van do Halen)

Esses são cinco discos que não chegaram a marcar época, mas possuíam qualidade para tanto. Todos altamente recomendáveis para os fãs do bom Hard Rock. 

Little Caesar – Little Caesar [1990]

A história da banda começa na ensolarada Los Angeles, berço de quase todo o agito da época. Quando o segurança de puteiros (sim, estou falando sério!) e vocalista Ron Young foi apresentado aos guitarristas Loren Molinaire e Apache – esse último conhecido no meio musical como músico de apoio da cantora de R&B e gospel Etta James – ficou claro que havia uma afinidade instantânea. Em comum, a paixão pelo Hard e o Classic Rock com influências da música negra de raiz. O estouro na cena underground foi imediato, chamando a atenção da Geffen Records, que lhes ofereceu um contrato e tempo livre em estúdio. 
Produzido pelo lendário Bob Rock, o álbum de estreia do grupo agrada tanto os fãs da cena Hard oitentista quanto a galera da velha guarda, graças à grande influência de grupos como Rolling Stones e The Faces em sua sonoridade. Ouvir esse disco é ter uma aula de feeling. Canções executadas por músicos de verdade, com alma e coração, sem se preocupar com modismos baratos – e foi aí que os “engravatados” começaram a se incomodar. Ron mostra porque é um dos melhores vocalistas de sua geração, enquanto Apache e Loren mandam riffs e solos certeiros, enquanto Fidel Paniagua e Tom Morris seguram a bronca com talento. 
Ron Young (vocals) 
Apache (guitars) 
Loren Molinare (guitars) 
Fidel Paniagua (bass) 
Tom Morris (drums) 
Special Guest 
John Webster (keyboards) 
01. Down-N-Dirty 
02. Hard Times 
04. In Your Arms 
05. From the Start 
06. Rock-N-Roll State of Mind 
07. Drive It Home 
08. Midtown 
09. Cajun Panther 
10. Wrong Side of the Tracks 
12. Little Queenie 

Harem Scarem – Harem Scarem [1991] 
Alguns trabalhos tornam-se referência não apenas de uma banda, mas do estilo como um todo. Para mim, pensar em Melodic Rock e não lembrar a estreia do Harem Scarem é praticamente impossível. Embora alguns fãs prefiram o trabalho seguinte, Mood Swings, foi com seu primeiro disco que o quarteto canadense pavimentou o caminho para o sucesso, atingindo um êxito comercial que jamais seria alcançado novamente até o encerramento de suas atividades. Muito desse êxito aconteceu graças a uma série de TV local, chamada Degrassi Junior High, que utilizou oito das dez músicas do álbum em sua trilha sonora e no longa metragem que marcou seu final. 
Humildemente, devo dizer que oito em dez para essa obra-prima é pouco, muito pouco. Aliás, até gostaria de saber quais as duas que ficaram de fora para poder destratar os produtores por tamanho pecado. Temos um trabalho que empolga os adeptos do estilo, sem deixar muito tempo para respirar. Desde a abertura com a clássica “Hard To Love”, já podemos notar que estamos diante de algo diferenciado. Seguem a sutil “Distant Memory” e a agitada “With A Little Love”, antes de chegarmos em um momento realmente emocionante. Poucas baladas têm o poder de tocar a alma como “Honestly”, um dos exemplares mais bonitos da espécie. Daquelas músicas que fazem o cidadão acompanhado puxar a moça para mais perto e aqueles que sofrem se desmanchar em lágrimas e abrir mais uma garrafa. 
Harry Hess (vocals, guitars) 
Pete Lesperance (guitars) 
Mike Gionet (bass) 
Darren Smith (drums) 
Special Guest 
Ray Coburn (keyboards) 
01. Hard To Love 
02. Distant Memory 
03. With A Little Love 
04. Honestly 
05. Love Reaction 
06. Slowly Slipping Away 
07. All Over Again 
08. Don’t Give Your Heart Away 
09. How Long 
10. Something To Say 

Bangalore Choir – On Target [1992] 
Digo sem medo de errar, é um dos melhores discos de Hard Rock que ninguém conhece (o ninguém, obviamente, é força de expressão). Mas o caso é que, após ter fracassado no Accept, onde lançou Eat the Heat, David Reece resolveu assumir sua postura Hard de vez. Para isso juntou-se aos guitarristas do Razormaid, Curt Mitchell e John Kirk com o objetivo de fazer um trabalho explicitando suas raízes. Para completar a formação, chamaram a cozinha do Hericane Alice, outro ótimo grupo que não teve chance de alcançar o sucesso. Com Ian Mayo no baixo e Jackie Ramos na bateria, estava completo o line-up para a gravação do debut. 
Com grande investimento da gravadora, chamaram um time de estrelas para ajudar na empreitada. Na produção, Max Norman, responsável pelos primeiros discos solo de Ozzy Osbourne e vários clássicos do Megadeth, só para ficar nos mais conhecidos. No trabalho de composição, ninguém menos que a dupla Jon Bon Jovi e Aldo Nova. Impossível destacar alguma faixa, pois todas são absurdamente boas! Tem aqueles rockões furiosos, guiados pelas guitarras, as baladinhas típicas, as mais cadenciadas, enfim, tudo aquilo que o fanático espera de uma produção do estilo. O single lançado para divulgação foi a baladaça “Loaded Gun”, som altamente viciante, daqueles que a gente ouve e é automaticamente conquistado. 
David Reece (vocals) 
Curt Mitchell (guitars) 
John Kirk (guitars) 
Ian Mayo (bass) 
Jackie Ramos (drums) 
02. Loaded Gun 
03. If the Good Die Young (We’ll Live Forever) 
04. Doin’ the Dance 
05. Hold on to You 
06. All or Nothin’ 
07. Slippin’ Away 
08. She Can’t Stop 
09. Freight Train Rollin’ 
10. Just One Night 

Paul Shortino/JK Northrup – Back on the Track [1993] 
Uma verdadeira obra-prima de dois dos melhores músicos do gênero entre os que não alcançaram o estrelato. Logo após deixar o Quiet Riot, Shortino reencontrou seu grande amigo Jeff Northrup, ex-King Kobra. A afinidade não apenas pessoal, mas também musical, deu início a essa parceria. Coincidentemente, o guitarrista já preparava algumas composições para um álbum solo. Foi apenas uma questão de aproveitá-las e completar com novas. 
Back on the Track é um espetáculo de Hard com alma blueseira, focado em riffs, solos e vocais de primeiríssima categoria. Para ajudar a dupla, uma verdadeira constelação. Poucos discos podem se dar ao luxo de contar ao mesmo tempo com figuras tão imponentes como Jeff Pilson, Sean McNabb, Carmine Appice, James Kottak e Matt Bissonette. Destaques? Simplesmente todas as faixas. Ouçam e atestarão que não estou exagerando. Anos mais tarde, Paul e Jeff se reuniriam para mais um bom trabalho, embora sem alcançar a excelência desse aqui, obrigatório na coleção dos amantes dos bons sons. 
Paul Shortino (vocals) 
JK Northrup (guitars) 
Sean McNabb (bass) 
Jeff Pilson (bass) 
Matt Bissonette (bass) 
Larry Hart (bass) 
James Kottak (drums) 
Carmine Appice (drums) 
Glenn Hicks (drums) 
Richard Baker (keyboards) 
Brant Harradine (keyboards) 
01. When There’s Smoke 
02. Body and Soul 
03. Bye Bye to Love 
04. Forgotten Child 
05. Rough Life 
06. Remember Me 
08. Everybody Can Fly 
09. Give Me Love 
10. Pieces 
12. Holy Man 
13. Used to Be 
14. Far Too Long 
15. Wishing Well 
AdrianGale – Crunch [2004] 
Alguns discos fazem a gente ter vontade de abrir a porta de uma gravadora na base do pontapé e espancar os executivos engravatados na hora. Crunch, do AdrianGale, certamente é um desses casos. Simplesmente um dos melhores álbuns de Melodic Rock da década e passou despercebido até mesmo em meio a quem curte o estilo. Talvez por isso tenha sido o último lançamento da banda, que se não anunciou o fim oficialmente, entrou em estado de hibernação desde o ano de 2006. Se você curte Van Halen, Harem Scarem, Def Leppard, Danger Danger e outros desse gênero, aqui está um álbum indispensável em sua coleção. 
Atualmente, Vic Rivera dedica seu tempo a outros projetos, quase sempre com a Frontiers Records. O mais conhecido é com o nosso camarada Ted Poley, o cidadão que vira e mexe está dormindo em um sofá de produtor de show no Brasil, no Poley/Rivera. Quanto a Jamie Rowe, havia se especulado uma possibilidade de nova união com o Guardian, mas por enquanto fica no campo das especulações mesmo. Uma pena que não seguiram com o AdrianGale, pois foi sem dúvidas um dos grandes nomes do Hard Rock a surgir recentemente. 
Jamie Rowe (vocals) 
Vic Rivera (guitars, drums) 
Scott “Riff” Miller (guitars) 
Scott Novello (bass) 
01. Breaking Stride 
02. Crunch 
03. Faith 
05. Tougher Than It Looks 
06. When In Rome 
07. Long Gone 
08. The Thin Line 
09. Question 
10. Freedom 
11. This Time 
12. Last Call



2 Comentarios

  1. diogobizotto disse:

    Não tenho condições de opinar a respeito de três das bandas citadas, Bangalore Choir, Little Caesar e e Paul Shortino, mas a curiosidade foi aguçada. O Accept pode ter ficado descaracterizado com David Reece, mas gosto de "Eat the Heat", e a respeito de Paul Shortino, bem… ouçam a banda Rough Cutt e comprovem que o cara tem tino pro negócio. O Little Caesar por ora me é uma incógnita.

    Quanto aos outros dois: conheço bem esse álbum do AdrianGale, que foi uma bela descoberta da década passada. O vocalista Jamie Rowe tem as manhas e Vic Rivera se sai bem em diversas composições, especialmente a rápida "Faith". Sobre o Harem Scarem: putz… acho que o que escrevi a respeito do álbum nessa edição da minha coluna I Wanna Go back já diz tudo: http://consultoriadorock.blogspot.com/2011/02/i-wanna-go-back-harem-scarem-1991.html Bandaça! Uma de minhas favoritas.

  2. Southern Man disse:

    David Reece tem um vocal que lembra muito o grande Jeff Scott Soto…
    ou seja, canta pra carvalho, e esse disco é clássico e fuderoso até o osso do dedo mindinho, com uma produção excelente, onde todos os instrumentos são ouvidos com uma nitidez digna de discos dos anos 70…
    e outra coisa, com um vocalista que realmente canta e dispensa aquelas distorções horrendas que muitos insistem em usar hoje em dia, os outros vô baixar e ver qual é, ouvi algumas músicas e gostei, depois comento
    parabéns pelo blog e os textos,

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