Nightwish – Oceanborn [1998]
Por Daniel Benedetti
Após atuar como tecladista em diversas bandas de heavy metal nos anos 1990, entre elas o Darkwoods My Betrothed, Tuomas Holopainen idealizou o Nightwish em julho de 1996, inspirado por composições acústicas experimentais criadas durante seu período no exército finlandês. A proposta inicial buscava reproduzir a atmosfera intimista das músicas tocadas ao redor de fogueiras, mas com identidade própria e protagonismo dos teclados.
Para concretizar o projeto, Holopainen convidou Erno “Emppu” Vuorinen e a cantora lírica Tarja Turunen. O trio gravou uma demo acústica no fim de 1996, da qual surgiu o nome Nightwish, retirado da primeira composição criada em conjunto. A formação ganhou novos contornos no início de 1997 com a entrada de Jukka Nevalainen e a substituição do violão pela guitarra elétrica, incorporando elementos de heavy metal que definiriam o estilo característico da banda.
Ainda em 1997, o grupo gravou a demo Angels Fall First, que chamou a atenção da gravadora Spinefarm Records e acabou sendo expandida para se tornar o álbum de estreia, lançado em novembro daquele ano. Pouco depois, o Nightwish realizou sua primeira apresentação ao vivo em Kitee, contando com músicos adicionais para suprir a ausência de um baixista fixo e reforçar os teclados e os vocais de apoio.
Em agosto de 1998, já como um quinteto, a banda iniciou as gravações de Oceanborn, trabalho que representou uma mudança decisiva em relação às raízes folk do álbum anterior. O disco adotou uma abordagem mais orientada ao power metal, marcada por maior velocidade, solos harmônicos entre guitarra e teclado e uma sonoridade mais grandiosa e dramática. A influência do Stratovarius sobre Tuomas Holopainen foi determinante para essa transformação, enquanto os teclados sinfônicos e os vocais de Tarja Turunen tornaram-se elementos centrais da identidade musical do grupo.
Segundo Mape Ollila, biógrafo da banda, Oceanborn, ao lado de Theli, do Therion, consolidou-se como um dos pilares do nascente gênero do metal sinfônico. Suas letras exploram predominantemente temas fantásticos, embora também incluam referências religiosas, como em “Gethsemane”, e abordagens teatrais, exemplificadas por “Devil & the Deep Dark Ocean”. Considerado um dos trabalhos mais sombrios do Nightwish, o álbum também incorporou os vocais ásperos de Tapio Wilska em duas de suas faixas.

A formação responsável por Oceanborn reuniu Tarja Turunen nos vocais, Tuomas Holopainen nos teclados e backing vocals, Emppu Vuorinen nas guitarras, Sami Vänskä no baixo e Jukka Nevalainen na bateria e percussão. O álbum também contou com participações adicionais de Tapio Wilska, além de músicos convidados em flauta, violinos, viola e violoncelo.
“Stargazers” abre o álbum com um power metal veloz e intenso, combinando imagens de constelações, tragédia clássica e transcendência. “Gethsemane” utiliza a referência ao Jardim do Getsêmani para abordar a angústia e a espiritualidade associadas aos momentos finais de Cristo antes da crucificação. “Devil & the Deep Dark Ocean”, com participação de Tapio Wilska, mistura elementos marítimos, demoníacos e simbolismos ligados à tentação e à destruição. “Sacrament of Wilderness” apresenta a natureza selvagem como experiência espiritual, tornando-se o principal single do disco e alcançando o primeiro lugar nas paradas finlandesas. “Passion and the Opera” trata da entrega total à arte e ao amor, utilizando a ópera como metáfora para emoções intensas.
“Swanheart” aborda o amor idealizado e a impossibilidade de preservá-lo diante das transformações inevitáveis da vida. “Moondance”, praticamente instrumental, mergulha no imaginário folclórico celta e medieval. “The Riddler” sugere que a busca intelectual e espiritual possui maior importância do que qualquer resposta definitiva. “The Pharaoh Sails to Orion”, também com Tapio Wilska, trabalha temas de transcendência, imortalidade e ascensão espiritual após a morte. “Walking in the Air”, versão da composição de Howard Blake, retrata o voo mágico de uma criança com um boneco de neve e alcançou o topo das paradas finlandesas como single.
O Nightwish consolidou sua relevância no cenário do metal entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, embora Oceanborn represente um momento anterior, de construção e definição de sua identidade artística. O protagonismo criativo de Tuomas Holopainen é destacado pela fusão entre elementos clássicos, power metal e influências progressivas, enquanto as guitarras e a seção rítmica contribuem para o peso e a complexidade das composições. Os vocais líricos de Tarja Turunen acrescentam dramaticidade às canções, com destaque para sua interpretação em “Walking in the Air”. Apontamos a influência do Stratovarius em faixas mais pesadas, a permanência de momentos bucólicos herdados do primeiro álbum e a valorização de canções como “The Riddler” e “Gethsemane”, como as preferidas.
Oceanborn representou uma evolução significativa em relação a Angels Fall First, adotando uma sonoridade mais técnica e progressiva e deixando de lado grande parte dos elementos ambientais e folk do álbum de estreia, com exceção de “Moondance”. O trabalho também incorporou os vocais agressivos de Tapio Wilska, ex-integrante do Finntroll e do Nattvindens Gråt, em contraste com a interpretação lírica de Tarja Turunen e pela decisão de Tuomas Holopainen de não voltar a assumir os vocais.
Lançado inicialmente apenas na Finlândia em 7 de dezembro de 1998, o álbum alcançou imediatamente a quinta posição nas paradas nacionais. O single “Sacrament of Wilderness” atingiu o primeiro lugar entre os compactos finlandeses e permaneceu no topo durante várias semanas, impulsionando o lançamento internacional do disco pela Spinefarm na primavera de 1999. No mesmo ano, o grupo gravou “Sleeping Sun (Four Ballads of the Eclipse)”, que vendeu 15 mil cópias na Alemanha em apenas um mês.
O sucesso obtido permitiu ao Nightwish participar da turnê europeia do Rage como banda de abertura em 1999. Em agosto daquele ano, Oceanborn, assim como os singles “Sacrament of Wilderness” e “Walking in the Air”, recebeu certificação de ouro na Finlândia. Posteriormente, em 2017, a Loudwire classificou o álbum como o décimo melhor disco de power metal de todos os tempos. A sequência da trajetória da banda ocorreu com o lançamento de Wishmaster, em 19 de maio de 2000.

Tracklist
- Stargazers
- Gethsemane
- Devil & The Deep Dark Ocean
- Sacrament Of Wilderness
- Passion And The Opera
- Swanheart
- Moondance
- The Riddler
- The Pharaoh Sails To Orion
- Walking In The Air
