Discografias Comentadas: Eagles – Parte II

Discografias Comentadas: Eagles – Parte II

Por Diogo Bizotto

Damos prosseguimento hoje à discografia comentada do Eagles, chegando ao momento mais crucial da carreira do grupo: o lançamento do álbum cuja faixa-título, para o bem e para o mal, virou sinônimo da banda ao redor do globo, talvez mais especialmente em países como o Brasil, onde o sucesso do grupo foi mais limitado. Isso acabou fazendo com que o Eagles ficasse associado em excesso a “Hotel California”, gerando desgaste e críticas feitas no “piloto automático” por pessoas que sequer se deram ao trabalho de ouvir a canção mais de uma vez. Felizmente, a grandeza do álbum definitivamente não fica restrita a essa faixa. Acompanhe abaixo o porquê…


MI0003501116Hotel California [1976]

O desejo da banda em ser encarada como uma formação essencialmente roqueira, além de abranger o aspecto musical, também dizia respeito à sua imagem. Com a saída de um músico cheio de recursos, como Bernie Leadon, era necessário substituí-lo por alguém de habilidade tão grande quanto. Um candidato com postura de rock star e credibilidade no meio fazia ainda mais sentido. Sendo assim, a banda não precisou pensar muito para chegar ao nome de Joe Walsh, que além de trabalhar com o mesmo produtor e o mesmo empresário, já havia contado com a participação especial de integrantes do Eagles em sua carreira solo. Confirmada a mudança, o grupo partiu para a gravação do álbum cuja faixa-título se tornaria sinônimo de Eagles pelo mundo: Hotel California. Enquanto a recém-lançada coletânea Their Greatest Hits (1971-1975) acumulava milhão após milhão vendido, transformando-se, segundo algumas fontes, no disco mais vendido da história nos Estados Unidos, o quinteto trabalhava com afinco no estúdio Criteria, em Miami, e no Record Plant, em Los Angeles, pronta a oferecer seu material mais variado e contundente. Se em Desperado a banda já havia tomado um rumo semiconceitual, em Hotel California ela foi além, olhando para seus próprios umbigos e retratando a realidade que rodeava os cinco músicos, que, saídos de diversas regiões do país, acabaram por se unir em busca de fama e fortuna na “terra prometida”, a Califórnia. Talvez com exceção de “Pretty Maids All in a Row” e “Try And Love Again”, o Eagles buscou, através de diversas metáforas focadas no universo californiano de excessos que o grupo vivenciava, apresentar as benesses e as agruras, a pujança e a decadência dos Estados Unidos como um todo. Não à toa as mais mirabolantes teorias surgiram a respeito da temática utilizada nas letras do álbum, especialmente em se tratando da faixa-título. O “hotel” em questão já foi tido como um hospital psiquiátrico, uma igreja tomada por satanistas e até mesmo a mansão de Aleister Crowley, entre outras coisas. O é certo é que, apesar das críticas, muitas vezes feitas por pessoas que mal ouviram a canção sequer uma vez, “Hotel California” não chegou ao status de clássico universal à toa. Foi Don Felder quem teve a ideia inicial e mostrou o esqueleto da canção para Don Henley e Glenn Frey, quando ela contava com o título provisório de “Mexican Reggae”, em alusão ao estilo com o qual o guitarrista rotulou seu estilo pouco ortodoxo. Arranjada com o auxílio de Frey e Henley, e com letra deste último, a canção foi um golaço digno de final de Copa do Mundo, carimbando o número 1 na Billboard apesar de seus mais de seis minutos de duração. Destaco especialmente sua letra, que, mais que apenas um amontoado de estrofes que causam tanta discussão até hoje, constitui uma inteligentíssima escolha de palavras, contribuindo para a construção das lindas melodias vocais de Henley; além da longa e melodiosa sequência de solos da metade para o final, momento de êxtase para Felder e Walsh, digno de ser citado como um dos mais memoráveis já criados. Uma importante mudança no álbum foi a ascensão definitiva de Henley como principal vocalista do grupo, cantando cinco das nove canções (uma é instrumental), razão que pode ter acirrado uma possível guerra de egos, mas que até então não havia se manifestado explicitamente. O espaço vocal de Frey é a belíssima “New Kid in Town”, cujo tempero country torna-a mais próxima do passado do grupo, além de ser um protótipo perfeito daquilo que viria a ser definido como “soft rock”. Mais um número 1 nas paradas e mais um prêmio Grammy. A influência de Walsh dá as caras na hardeira “Life in the Fast Lane”, com uma carga de distorção acima do normal para os padrões da banda e um riff inicial dos mais marcantes. “Wasted Time”/”Wasted Time (Reprise)” traz Frey no piano e Walsh no órgão, além de arranjos de cordas, embelezando esse ambicioso e compacto épico que conta com uma excelente interpretação de Henley, inclusive sem tanto uso das habituais harmonias, mostrando-se um vocalista cada vez mais impressionante e capacitado. A roqueira “Victim of Love” é a única canção do álbum não tão digna de ser chamada de “clássico”, mas também é boa. Melhor é “Pretty Maids All in a Row”, balada conduzida pela voz fanhosa de Walsh, em uma veia mais melódica que seu trabalho mais furioso no The James Gang, mas alinhado com parte de seu material como artista solo. A emocionante “Try and Love Again” é a filha única de Randy Meisner, que deixaria o grupo após alguns meses de turnê, cansado da vida estradeira, recolhendo-se a sua casa no estado de Nebraska junto com sua família. Nela, o baixista demonstra toda sua sensibilidade lírica, casando seus vocais agudos com uma letra de romantismo explícito, mas não exacerbado. A faixa que fecha Hotel California, “The Last Resort”, constitui a obra mais ambiciosa do grupo até então, levando o ouvinte a uma épica viagem narrada por Henley, constituindo, talvez, a maior realização da banda em sua carreira. É claro que o sucesso, que já vinha em doses cavalares, foi elevado exponencialmente após o lançamento do disco, que vendeu mais de 16 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos. Meisner foi substituído por Timothy B. Schmitt, o mesmíssimo baixista que havia ocupado sua vaga no Poco, e o grupo seguiu em turnê, movimentando plateias e cifras de fazer inveja a muitos artistas realmente de grande porte.


52The Long Run [1979]

The Long Run ganhou o apelido de “The Long One” entre os integrantes do Eagles em função de seu longo processo de gravação. Exauridos pelas longas e incessantes turnês e desgastados até criativamente, os músicos tiveram que, pela primeira vez, trabalhar em um regime menos espontâneo, enxergando o ato de registrar um álbum novo mais como uma obrigação do que um prazer. O resultado, como poderia se esperar, foi uma queda de qualidade em relação ao perfeccionismo de Hotel California. No entanto, ao menos metade das dez faixas de The Long Run é digna de efusivos elogios, a começar pela abertura, com a canção que lhe dá nome. Dotada de um balanço tipicamente rhythm ‘n’ blues e um trabalho rítmico de guitarra sutil, mas importantíssimo, a faixa, cantada por Don Henley, conquista com facilidade e dá uma boa impressão inicial. Essa sensação prossegue, pois a segunda música é “I Can’t Tell You Why”, contribuição de Timothy B. Schmitt, que, após vários anos tentando com o Poco, finalmente conseguiu um hit seu. A conquista, diga-se, foi merecida. Craque dos agudos, assim como seu antecessor, Randy Meisner, o baixista mostra-se uma adição das mais sábias, interpretando com muito talento essa belíssima balada. E a tendência de alta não dá trégua, pois a terceira é “In the City”, cantada por Joe Walsh. Na verdade, trata-se de uma obra solo do guitarrista, composta para a trilha sonora do filme “The Warriors” (1979), mas registrada para The Long Run junto ao Eagles. A opção por gravá-la revelou-se um grande acerto, pois configura-se em um destaque evidente. O mesmo não pode ser dito de “The Disco Strangler”, que até é interessante pelo fato de ser totalmente única na carreira da banda (tanto as linhas vocais quanto as guitarras são, de certa forma, “estranhas”), mas cujo resultado final não é dos mais positivos. “King of Hollywood” é boa, mas demorou para ser absorvida. Hoje em dia gosto bastante de seu jeito mais displicente e da maneira pouco habitual com que Glenn e Henley dividem seus vocais, assim como as elegantes intervenções guitarrísticas. O momento vocal solo de Glenn acabou resultando no maior sucesso extraído de The Long Run, rumando mais uma vez ao topo da Billboard: “Heartache Tonight”. Coescrita ao lado dos velhos parceiros Bob Seger e J. D. Souther, a faixa talvez seja a mais direta e descompromissada do álbum, cativando especialmente pelo seu refrão simples e irresistível, garantindo mais um prêmio Grammy à banda. Dali em diante, o disco tem uma queda de nível pelas mãos da mediana “Those Shoes”, cujo groove até é interessante, da mais pesada e distorcida “Teenage Jail” e da cômica “The Greeks Don’t Want no Freaks”, que não parece ser uma experiência das mais sérias. Uma recuperação ocorre na última faixa, a excelente “The Sad Café”, de instrumentação delicada e requintada, involuntariamente finalizando em alta aquele que seria o último álbum completo de estúdio do Eagles em 28 anos. The Long Runpode não estar no mesmo nível de seus antecessores, mas ainda assim reserva muita música de qualidade, em algo que já se desenhava como uma sonoridade de transição para a nova década que se apresentava. Além disso, o sucesso novamente sorriu para o quinteto, inflando vendas e cifras milionárias.

As tensões entre os integrantes do Eagles, que já se faziam notar nos anos anteriores e durante a produção de The Long Run, acirraram-se no decorrer da turnê de 1979-80. O controle exercido por Glenn Frey a respeito das decisões sobre o destino da banda incomodava especialmente Don Felder, que não manifestava interesse em atitudes diplomáticas não exatamente ligadas à música. A culminância disso ocorreu após um ato do grupo em apoio ao senador californiano Alan Cranston, quando Felder expressou desdém em relação à atitude em si e àquilo que isso representava para a banda e o político. Glenn notou, ficando furioso. Toda a carga emocional explodiu no palco, quando os dois guitarristas começaram a trocar ameaças enquanto tocavam, prometendo chegar às vias de fato. A dupla não chegou a trocar socos após o término da apresentação, mas aquilo representou a culminância de um processo de desgaste que havia chegado ao limite. Em 31 de julho de 1980, o Eagles encerrou atividades, com a promessa, diria Don Henley tempos depois, de que tocariam juntos novamente apenas “quando o inferno congelasse”.

Joe Walsh, Timothy B. Schmit, Don Henley, Glenn Frey e Don Felder
Eagles em 1994: Joe Walsh, Timothy B. Schmit, Don Henley, Glenn Frey e Don Felder

 

Cada integrante seguiu então seu próprio caminho. Don Henley foi, sem dúvida, o mais bem sucedido artisticamente, lançando três álbuns que, além de contarem com vários hits, revelaram um artista que passou longe da estagnação, ganhando inclusive respeito da crítica. Glenn Frey também teve grande sucesso, especialmente ao emplacar canções em trilhas sonoras de cinema e televisão. Além disso, investiu em sua carreira de ator, participando de filmes e séries de televisão, além de anúncios publicitários. Joe Walsh, que já tinha uma carreira solo de respeito mesmo antes de se juntar à banda, deu prosseguimento a ela, mas sem tanto êxito, trabalhando também com diversos outros artistas, incluindo uma passagem pela banda de Ringo Starr, com quem estabeleceu grande amizade. Don Felder, por sua vez, lançou apenas um disco solo, mas tornou-se mais ativo em estúdio, colaborando com músicos variados e em trilhas sonoras, como do emblemático filme “Heavy Metal” (1981). Timothy B. Schmitt lançou alguns álbuns, mas nenhum obteve grande destaque. Sua carreira como vocalista de apoio, porém, foi muito prolífica, emprestando suas harmonias para diversos hits de inúmeros artistas.

Apesar dos discursos dando conta de que a banda não se reuniria e da segurança financeira de seus integrantes, o tempo se encarregou de atenuar as diferenças do passado. Inicialmente, Glenn era o único que não queria uma reunião, preferindo dar sequência à sua carreira solo. O fator que ajudou a encaminhar um novo encontro foi o álbum-tributo Common Thread: The Songs of the Eagles (1993), para o qual o cantor country Travis Tritt registrou sua versão de “Take It Easy”. Tritt, que não é bobo nem nada, convidou os membros da última encarnação do grupo para participar do videoclipe que gravaria para a canção. O quinteto aceitou e a faísca acendeu o fogo novamente, finalmente projetando uma reunião.


cd-hell-freezes-over-eagles-rock-14494-MLB4482573967_062013-FHell Freezes Over [1994]

O encontro nos palcos e no estúdio só foi acontecer efetivamente após a tomada de uma atitude que se fazia necessária havia muito tempo: Joe Walsh precisava se desintoxicar e dar um rumo para sua vida, priorizando a sobriedade. O guitarrista era conhecido desde os anos 1970 por seu comportamento selvagem na estrada, ainda mais com a parceria do lunático baterista do The Who, Keith Moon, seu companheiro na tarefa de destruir o maior número possível de quartos de hotel, às vezes até portando uma motosserra. Acima dos danos ao patrimônio, Walsh vinha sistematicamente causando danos ao próprio corpo, consumindo grandes quantidades de álcool e drogas, fato que motivou o envio do músico para um centro de reabilitação como exigência para tomar parte na reunião do Eagles. O grande retorno ocorreu com uma apresentação especial para a MTV, alternando versões elétricas e acústicas para hits do passado, além da adição de quatro músicas novas registradas em estúdio. A primeira é “Get Over It”, que reativou a parceria entre Glenn Frey e Don Henley (que também a canta) de maneira objetiva e totalmente rock ‘n’ roll, apontando o dedo para aqueles que só reclamam da vida e não fazem nada para mudá-la, a não ser chamar a atenção. “Love Will Keep Us Alive”, interpretada por Timothy B. Schmitt, é uma belíssima balada sem vergonha alguma de soar mela-cueca, enquanto “The Girl From Yesterday” tem todo o jeitão da faceta country rock de Glenn Frey. “Learn to Be Still”, por sua vez, tem mais a cara do trabalho solo de Don Henley do que de música do Eagles, fato que não diminui nem um pouco suas qualidades. O material ao vivo, como não poderia deixar de ser em se tratando de uma banda tão perfeccionista, exala qualidade e segurança. “Hotel California”, em especial, recebeu um tratamento diferenciado e uma introdução estendida, renovando o interesse de muitos na canção, cuja versão tornou-se muito popular. Além de músicas da banda, o álbum ainda conta com a ambiciosa “New York Minute”, do disco solo de Henley The End of the Innocence (1989). A versão em vídeo de Hell Freezes Over (título extraído da citação de Henley afirmando que a banda tocaria junta novamente apenas “quando o inferno congelasse”) traz, além de versões ao vivo de todas as canções registradas em estúdio, “Help Me Through the Night”, extraída do álbum de Walsh So What (1975), e “The Heart of the Matter”, que julgo ser provavelmente a melhor obra de Henley em carreira solo, também extraída deThe End of the Innocence. Apesar do cenário pop ter passado por muitas transformações entre 1980 e 1994, Hell Freezes Over foi um sucesso arrebatador ao ponto de surpreender os próprios integrantes, e a turnê decorrente, que se estendeu até 1996, uma das maiores de que se tem notícia.

Reforçados por um time de músicos de apoio, o quinteto prosseguiu empreendendo excursões pelo mundo, cobrando bem por isso e mesmo assim reunindo multidões. A insatisfação, porém, voltou ao seio da banda, novamente manifestada através de Don Felder, que não aceitava o fato de Glenn Frey e Don Henley ganharem uma porcentagem maior dos lucros do que ele e os outros integrantes. A situação culminaria em sua demissão, em 2001, e em dois consequentes processos judiciais de Felder contra a banda. A dupla não deixou por menos e contra-atacou com outra ação. Anos depois,as partes chegaram a um acordo e os processos foram retirados, com Felder recebendo um valor não revelado. A banda seguiu em frente e, apesar de oficialmente ter voltado a ser um quarteto, o guitarrista Steuart Smith ocupou o lugar deixado por Felder, ajudando a pavimentar o caminho para mais turnês de muito êxito, incluindo sempre nos setlists canções dos membros do Eagles em suas carreiras fora do grupo.


The_Eagles-Long_Road_Out_of_Eden-FrontalLong Road Out of Eden [2007]

Levou ainda mais alguns anos para que a banda finalmente assumisse a tarefa de apresentar um novo álbum de inéditas, mas ao menos os músicos mostraram serviço. Nada menos que vinte músicas fazem parte de Long Road Out of Eden, disco duplo que estabelece uma ligação forte com o passado do grupo, equilibrando produção e sonoridade contemporânea com aquilo que os fãs normalmente esperam do Eagles. A mais forte conexão com o passado é “How Long”, canção composta pelo amigo J. D. Souther que a banda chegou a executar ao vivo diversas vezes na década de 1970, mas nunca havia registrado em estúdio. A pegada country e os vocais divididos entre Glenn Frey e Don Henley transmitem segurança e conquistam de cara, configurando-se uma acertada escolha como prieiro single. O segundo, “Busy Being Fabulous”, é outro tiro na mosca, um pop rock de letra irônica que mostrou que a parceria Frey/Henley continuava azeitada. Também são boas mostras da capacidade da dupla em ganhar o ouvinte “Fast Company” e “Fail Grasp on the Big Picture”. Timothy B. Schmitt pode não aparecer tanto quanto os patrões, mas quando o faz sempre é de maneira marcante. “I Don’t Want to Hear Anymore” é uma boa canção, mas “Do Something” é facilmente um dos grandes destaques do álbum, mostrando que sua especialidade, desde os tempos no Poco, é interpretar baladas. Joe Walsh, de quem normalmente se espera mais, contribuiu com apenas uma composição (ao lado de J. D. Souther), “Last Good Time in Town”, com balanço e malandragem, mas não tão boa quanto “Guilty of the Crime”, que pode não ser obra sua, mas que parece ter sido escrita para seus vocais e seu jeitão displicente. Steuart Smith, por sua vez, mostrou iniciativa e contribuiu coescrevendo quatro músicas, entre elas a longa “Waiting in the Weeds”, evocando as boas e velhas harmonias vocais, e “Business as Usual”, que poderia ter sido extraída de algum disco solo de Henley da segunda metade dos anos 1980. Destaque especial para suas texturas guitarrísticas. Já “Somebody”, coescrita pelo velho parceiro de Frey Jack Tempchin, remete ao trabalho solo do guitarrista. A verdade é que Long Road Out of Eden tem tudo para agradar, mesmo que calculadamente, aos velhos fãs da banda, e isso já foi mais que suficiente para empilhar outro sucesso, ainda mais com o esquema de venda exclusiva na rede varejista Wal-Mart, iniciativa que seria copiada posteriormente. Quem já não gosta da banda ao conhecer seu material dos anos 1970, bem, esses certamente não se interessarão pelo disco. Como fã, admito não se tratar de uma coleção tão concisa e acertada de faixas como são Hotel California, One of these Nights ou Desperado, mas, a cada vez que ouço, mais gosto de Long Road Out of Eden. Aliás: não posso deixar de mencionar a longa e ambiciosa música que dá nome ao disco, cujos mais de dez minutos não nos levam a uma viagem tão prazerosa quanto “The Last Resort”, mas mostram que a banda não estava simplesmente no piloto automático, conseguindo reservar algumas pequenas surpresas. A possibilidade de que o grupo lance mais um álbum de estúdio é reduzida, e se isso realmente não vir a ocorrer, ao menos Long Road Out of Eden encerra a trajetória do Eagles com muito mais dignidade do que tantas bandas com mais de quatro décadas de estrada por aí, cuja relevância e capacidade de mobilização já se perdeu no tempo.

Eagles-band
Eagles em 2013: Timothy B. Schmitt, Don Henley, Glenn Frey e Joe Walsh

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