Cinco Discos Para Conhecer: Templos do Rock – BBC
Por Marcello Zapelini
A mítica rádio britânica, fundada em 1922 e reorganizada em 1927, foi responsável por gravar em seus estúdios – e em auditórios selecionados – os principais músicos do rock desde os anos 60. Uma cláusula legal exigia que uma porcentagem elevada das músicas a serem tocadas na British Broadcast Corporation tinha que ser gravada nos próprios estúdios da rádio, assim, os músicos britânicos logo perceberam que tinham que fazer sessões lá para garantir que seu último single fosse tocado nela. Felizmente a BBC tinha bons engenheiros de som e o equipamento, se não era o mais avançado, era de boa qualidade. O resultado eram versões relativamente diferentes das músicas originais, muitas delas gravadas ao vivo em estúdio (às vezes com plateias convidadas) que por anos se tornaram objeto de desejo dos colecionadores e fizeram a festa dos piratas. Até hoje, a BBC é o maior serviço de rádio e teledifusão do mundo.

Posteriormente, a BBC começou a gravar shows em auditórios, teatros e cinemas, com plateias formadas muitas vezes por convidados e a presença de um de seus DJs como mestre de cerimônias. Essas gravações eram prensadas em discos enviados a rádios sindicalizadas, e se tornaram também itens muito procurados pelos fãs. Por fim, a BBC também gravou programas de TV, algumas vezes com os músicos efetivamente tocando ao vivo, outras, com apenas o vocalista ao vivo sobre uma base pré-gravada e, em alguns casos, mera dublagem da música original. Em alguns casos, esses programas de TV são os únicos registros em vídeo de qualidade das bandas, tornando-os também peças de coleção.
Em termos de rock e suas variações, a BBC sempre manteve um bom número de programas, e, em alguns casos, os seus DJs se tornaram figuras muito conhecidas, como por exemplo o lendário John Peel. Ouvir as gravações mais antigas dos anos 60 é sempre curioso, pois as vozes dos músicos contrastam bastante com a dicção límpida dos DJs (como esquecer do DJ perguntando para o Yardbirds sobre suas resoluções de ano novo?). A lista de álbuns gravados na BBC e lançados oficialmente é tão grande que é praticamente impossível dar uma visão de conjunto deles. Praticamente todo grande artista do rock teve pelo menos um lançamento, seja de show, seja de sessões, e escolher cinco para uma lista é um desafio e tanto – mesmo quando se usa o critério de só colocar os artistas favoritos da casa.

Primeiro tirei aqueles álbuns que já tinham sido abordados em outras matérias minhas, como os dois volumes dos Beatles; segundo, optei por incluir apenas o pessoal mais conhecido, evitando artistas mais obscuros; ainda assim, preparar a lista final foi complicado, pois precisei retirar muita gente boa! Por fim, tentei evitar os álbuns já resenhados por mim e pelos outros consultores, já que tem muita coisa boa ainda não explorada.
Ainda assim, a lista ficou tão longa que decidi dividi-la em três partes: a primeira é dedicada a sessões feitas em estúdio, a segunda, para gravações ao vivo com plateias e a terceira para box sets.
1) Sessões
Aqui escolhemos cinco álbuns que contém material gravado em múltiplas sessões, algumas gravadas ao vivo com plateias convidadas, outras nos estúdios da rádio. O “fio condutor” é que os álbuns tragam em sua maioria versões de estúdio, para se diferenciar da segunda parte, dedicada a discos integralmente gravados ao vivo. Como se pode notar, a seleção se concentrou nos anos 60 (sim, eu sei que o Led Zeppelin e o Yes são associados à década de 70, mas ambos estrearam em disco no fatídico ano de 1969).
Decidi não incluir o excelente Bowie at The Beeb porque já há no site uma ótima resenha do Mairon Machado, nem os dois volumes de The Beatles Live at the BBC por já tê-los comentado na discografia da banda publicada em 2025. Ainda assim, o volume de discos para essa parte é impressionante, e acredito que cada pessoa que ler esse artigo terá pelo menos um álbum que gostaria de ver comentado e não apareceu por aqui. Assim, quem sabe a gente não faz uma parte 4 com os discos que faltaram?
THE ROLLING STONES – On Air (2017)
Este álbum foi disponibilizado em duas versões, em CD simples e duplo, e essa última será a que irei resenhar. Com 32 músicas e cerca de 84 minutos, On Air mal arranha a superfície, cobrindo apenas os anos 1963 a 1965, mas vale por incluir algumas covers que a banda nunca registrou em estúdio, bem como por trazer músicas pouco usuais. Começando com o primeiro single do grupo, “Come On” (de Chuck Berry), o disco ganha vigor com uma boa “(I Can’t Get No) Satisfaction”, “The Last Time”, “It’s All Over Now”, todas músicas bem posicionadas nas paradas inglesas e/ou americanas. Mas também temos raridades não lançadas em outros discos oficiais, como “Roll Over Beethoven”, “Beautiful Delilah”, “Memphis Tennessee” (aliás, são nada menos que seis músicas de Chuck Berry interpretadas pela banda no disco), “Crackin’ Up” (posteriormente ressuscitada em Love You Live), “Ain’t that Lovin’ You, Baby”, “Cops and Robbers” (um crime não ter sido disponibilizada oficialmente antes!) e músicas praticamente esquecidas como a instrumental “2120 South Michigan Avenue” (endereço da Chess Records), “Mona (I Need You Baby)”, “Oh Baby (We’ve Got a Good Thing Goin’”, “Little by Little”, “Cry to Me” (grande momento guitarrístico de Keith Richards). Em algumas músicas você ouve alguns aplausos e gritaria feminina, indicando a presença de uma plateia no estúdio, e em pelo menos uma (“Mercy, Mercy”) há um overdub, pois se ouve a voz de Mick Jagger em seu registro normal e em falsete sobrepostas. A qualidade de gravação é boa a maior parte do disco, mas em algumas faixas (como “I Wanna be Your Man”) dá uma caída sensível, e em outras (como “I’m Moving On”) a mixagem não é muito boa e alguns instrumentos somem ou ficam muito baixo. The Rolling Stones On Air é um registro importante porque há poucos registros ao vivo da banda em seus primeiros anos, e é muito legal conferir a energia primitiva da banda, com Mick Jagger se esgoelando nos vocais, Keith Richards fazendo seus solos simples e sem técnica e Brian Jones brilhando no slide e na harmônica.
Mick Jagger (vocais, harmônica), Keith Richards (guitarra), Brian Jones (guitarra), Bill Wymann (baixo), Charlie Watts (bateria)
- Come On
- (I Can’t Get No) Satisfaction
- Roll Over Beethoven
- The Spider And The Fly
- Cops And Robbers
- It’s All Over Now
- Route 66
- Memphis, Tennessee
- Down The Road Apiece
- The Last Time
- Cry To Me
- Mercy, Mercy
- Oh! Baby (We Got A Good Thing Goin’)
- Around And Around
- Hi Heel Sneakers
- Fannie Mae
- You Better Move On
- Mona
- I Wanna Be Your Man
- Carol
- I’m Moving On
- If You Need Me
- Walking The Dog
- Confessin’ The Blues
- Everybody Needs Somebody To Love
- Little By Little
- Ain’t That Loving You Baby
- Beautiful Delilah
- Crackin’ Up
- I Can’t Be Satisfied
- I Just Want To Make Love To You
- 2120 South Michigan Avenue
THE ZOMBIES – Live at the BBC (2003)
The Zombies é um grupo que pouco aparece na Consultoria do Rock, então, decidi incluir este álbum aqui. Praticamente a única forma de ouvir o quinteto britânico ao vivo nos anos 60, Live at the BBC traz 29 faixas que incluem os hits “She’s Not There” e “Tell Her No” (em duas versões) gravadas entre setembro de 1964 e abril de 1968 – e à exceção de duas músicas (“Friend of Mine” e um medley que inclui “Time of the Season” e “Rose for Emily”, mas essas aparecem apenas em pequenos trechos), deixa de lado a obra-prima do grupo, Odessey and Oracle, mas funciona bem como coletânea do grupo (diferentemente de outros álbuns da BBC, este não tem muita repetição), e mesmo quem tenha os discos e coletâneas de compactos vai encontrar algumas músicas inéditas aqui. Rod Argent se mostra um dos melhores tecladistas britânicos da primeira metade dos anos 60 (ouça “Just Out of Reach”), Colin Blunstone consegue reproduzir ao vivo a voz afetada das gravações de estúdio (e se mostra inadequado para a tórrida “Road Runner”) e o batera Hugh Grundy acaba tocando mais pesado do que nas versões de estúdio. O guitarrista Paul Atkinson não brilha tanto, mas faz um solo bem interessante em “What More Can I Do”, e Chris White é um baixista discreto, mas eficaz. “You Must Believe in Me”, ‘She’s Coming Home”, a versão com piano de “Tell Her No”, “If it Don’t Work Out” (que soa como psicodelia de São Francisco), “Whenever You’re Ready” e “Sitting in the Park” são outros destaques desse álbum, que pode não ser tão conhecido quanto os outros, mas nem por isso é menos interessante.
Rod Argent (teclados, vocais), Colin Blunstone (vocais), Paul Atkinson (guitarra, vocais), Chris White (baixo), Hugh Grundy (bateria)
- Road Runner
- You Make Me Feel Good
- Early In The Morning
- She’s Not There
- Tell Her No
- What More Can I Do
- I’m Going Home
- For You My Love
- Tell Her No (Acoustic Piano Version)
- Soulville
- Rip It Up
- Can’t Nobody Love You
- You Must Believe Me
- She’s Coming Home
- I Must Move
- Just Out Of Reach
- If It Don’t Work Out
- Whenever You’re Ready
- It’s All Right
- Will You Love Me Tomorrow
- When The Lovelight Starts Shining Through Her Eyes
- Just A Little Bit
- Sitting In The Park
- Gotta Get A Hold Of Myself
- Goin Out Of My Head
- This Old Heart Of Mine
- Friends Of Mine
- The Look Of Love
- Kenny Everett Show Jingle-Medley
THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – BBC Sessions (1998)
Gravado em sessões em 1967 e 69, e trazendo (de acordo com a produção) todas as gravações sobreviventes do Experience original (com Noel Redding e Mitch Mitchell), BBC Sessions traz 37 faixas em pouco mais de 107 minutos, mas algumas são basicamente papo de DJ – incluindo um dos pais do blues inglês, Alexis Korner, que inclusive toca slide numa versão de “Hoochie Coochie Man”. O álbum traz várias raridades além dessa: “Can You Please Crawl Out Your Window?”, de Bob Dylan, “Hound Dog”, recheada de latidos (e inclusive um miado), “Little Miss Lovin’”, “Love or Confusion” e “Wait Until Tomorrow”, três originais do Experience pouco executados ao vivo (e Noel Redding estraçalha no baixo na segunda), a famosa versão de “Hey Joe/Sunshine of Your Love” em que Hendrix é cortado da transmissão, a versão de “Day Tripper” (que se jurava que trazia John Lennon nos backing vocals, mas era Noel mesmo) e a cereja do bolo: uma versão instrumental de “I Was Made to Love Her”, de Stevie Wonder (com o próprio na bateria), precedida por um improviso dos dois (“Jammin’”), que sozinha vale o disco inteiro. Claro que há algumas repetições, pois “Hey Joe” e “Driving South” aparecem três vezes, “Foxy Lady” e “Hear My Train A’Comin’”, duas, mas são poucas para o tamanho do pacote. Ainda há “Radio One”, um jingle para a rádio que Hendrix compôs especialmente para a BBC, e um monte de coisas boas. Este BBC Sessions é uma versão expandida de Radio One, lançado em 1988, e foi relançado em vinil triplo (com 30 faixas –as introduções dos DJs e de Lulu foram cortadas) e em uma edição digipak com 2CDs e 1DVD (trazendo uma segunda versão de “Burning of the Midnight Lamp” como bônus) em 2010.
Jimi Hendrix (guitarra, vocais), Noel Redding (baixo, vocais), Mitch Mitchell (bateria)
- Foxy Lady
- Alexis Korner Introduction
- Can You Please Crawl Out Your Window?
- Rhythm And Blues World Series
- (I’m Your) Hoochie Coochie Man
- Traveling With The Experience
- Driving South
- Fire
- Little Miss Lover
- Catfish Blues
- Stone Free
- Love Or Confusion
- Hound Dog
- Hey Joe
- Killing Floor
- Manic Depression
- Driving South
- Hear My Train A Comin’
- Purple Haze
- Radio One
- Wait Until Tomorrow
- Day Tripper
- Introducing The Experience
- The Burning Of The Midnight Lamp
- Spanish Castle Magic
- A Brand New Sound
- Hey Joe
- Jammin’
- I Was Made To Love Her
- Hear My Train A Comin’
- Foxy Lady
- Driving South
- A Happening For Lulu
- Voodoo Child (Slight Return)
- Lulu Introduction
- Hey Joe
- Sunshine Of Your Love
PETER GREEN’S FLEETWOOD MAC – Live at the BBC (1995)
A fase blues do Fleetwood Mac em sessões gravadas entre 1967 e 71, algumas com o quarteto original, a maioria com Danny Kirwan, e apenas uma sem Peter Green (“Preachin’”, já com Christine McVie como membro oficial). No total, 35 músicas, das quais pelo menos 20 podem ser consideradas raridades. A performance do grupo é fantástica, como fica evidenciado já na abertura com “Rattlesnake Shake”, com uma extensa coda instrumental. Peter Green, Jeremy Spencer e Danny Kirwan brilham o tempo todo nas guitarras (e Spencer, particularmente, também nos vocais, imitando Elvis, Buddy Holly e outros rockers antigos), e a cozinha de John McVie e Mick Fleetwood mostra porque Peter batizou a banda com os nomes dos dois músicos. O blues de Green e Kirwan se mescla com o rock’n’roll (e a influência de T-Bone Burnett) de Kirwan, revelando as razões que tornam o Fleetwood Mac uma das melhores bandas britânicas de sua geração (o álbum de estreia e o de John Mayall, Bluesbreakers with Eric Clapton, são unanimemente considerados os melhores discos de blues gravados na Inglaterra). Não faltam destaques: “Sandy Mary” (Peter veste a capa de rocker), “Heavenly” (Elvis encarnado em Jeremy), a versão de “Honey Hush” (que só perde para a do Foghat), a maravilhosa “Need Your Love So Bad”, Danny exponso sua alma torturada em “Although the Sun is Shining”, a sempre linda “Albatross” (um exemplo de como fazer uma instrumental cativante), a cansada e desiludida “Man of the World”, que já prenunciava o fim da participação de Peter no grupo que criou, e inclusive uma bela cover para “Hang on to a Dream”, clássico de Tim Hardin. Christine (então Perfect, futura McVie) ainda aparece como tecladista convidada em três músicas transmitidas em setembro de 1968, o pianista Eddie Boyd se junta à turma em “I Can’t Hold Out” e um percussionista chamado Nick Pickett também participa de duas músicas transmitidas em maio de 1970. Live at the BBC é um álbum imperdível para os fãs do grupo original, antes do megassucesso da metade dos anos 70, e indispensável para quem quer que goste do blues britânico.
Peter Green (guitarra, vocais, harmônica), Jeremy Spencer (guitarra, vocais, piano), Danny Kirwan (guitarra, vocais), John McVie (baixo), Mike Fleetwood (bateria)
Com
Christine Perfect (teclados)
Eddie Boyd (piano)
Nick Pickett (percussão)
- Rattlesnake Shake
- Sandy Mary
- Believe My Time Ain’t Long
- Although The Sun Is Shining
- Only You
- You Never Know What You’re Missing
- Oh Well
- Can’t Believe You Wanna Leave
- Jenny Lee
- Heavenly
- When Will I Be Loved
- When I See My Baby
- Buddy’s Song
- Honey Hush
- Preachin’
- Jumping At Shadows
- Preachin’ Blues
- Need Your Love So Bad
- Long Grey Mare
- Sweet Home Chicago
- Baby Please Set A Date
- Blues With A Feeling
- Stop Messing Around
- Tallahassee Lassie
- Hang On To A Dream
- Linda
- Mean Mistreatin’ Mama
- World Keeps Turning
- I Can’t Hold Out
- Early Morning Come
- Albatross
- Looking For Somebody
- A Fool No More
- Got To Move
- Like Crying Like Dying
- Man Of The World
LED ZEPPELIN – BBC Sessions (1997)
Inicialmente lançado como CD duplo e posteriormente (2016) como triplo quando Jimmy Page recolocou o catálogo do Led Zeppelin como edições Deluxe, já como The Complete BBC Sessions, este álbum fez a alegria dos fãs da banda quando foi lançado. A edição tripla será a comentada aqui; afinal, ela traz material adicional em relação à primeira versão. No total, são 33 faixas gravadas em seis sessões entre março de 1969 e abril de 71, mas apenas 19 músicas diferentes; há nada menos que cinco versões para “Communication Breakdown”, “What Is And What Should Never Be”, “You Shook Me”, “Dazed and Confused” e “I Can’t Quit You Baby” aparecem três vezes cada uma, “Whole Lotta Love”, duas. Além das músicas já conhecidas, há algumas raridades: “The Girl I Love She Got Long Black Wavy Hair”, “Somethin’ Else” e “Sunshine Woman” nunca tinham sido lançadas oficialmente pela banda, e “Travelling Riverside Blues” só era conhecida da box set Led Zeppelin (1990). As sessões de estúdio ocorreram todas em 1969, e numa delas a banda teve inclusive a oportunidade de fazer alguns overdubs (afinal, em “Travelling…” há pelo menos três guitarras),mas, de todo modo, as versões são diferentes das originais. E, claro, ouvir o Led Zeppelin ao vivo no começo da carreira é sempre um prazer: o CD 2 é dedicado a um show em abril de 1971 gravado no Paris Cinema, que se completa no CD 3 com o encore de “Communication Breakdown”, e 50 minutos de uma apresentação no Playhouse Theatre estão espalhados nos CDs 1 e 3. É interessante ver que o público pouco reage a “Stairway to Heaven”, então pouco conhecida, e que a BBC deu ao grupo a chance de incluir uma “Dazed and Confused” de mais de 18 minutos no show do Paris Cinema. The Complete BBC Sessions é uma oportunidade e tanto de ouvir o Led Zeppelin já grandioso num paloo, mas ainda não gigantesco como se tornaria entre 1971 e 75, e um prato cheio para quem gosta da banda no seu período mais bluesy – com direito a uma generosa dose de Robert Plant tocando harmônica.
Robert Plant (vocais, harmônica), Jimmy Page (guitarra, violões), John Paul Jones (baixo, teclados, mandolin), John Bonham (bateria, percussão)
- You Shook Me
- I Can’t Quit You Baby
- Communication Breakdown
- Dazed And Confused
- The Girl I Love She Got Long Black Wavy Hair
- What Is And What Should Never Be
- Communication Breakdown
- Travelling Riverside Blues
- Whole Lotta Love
- Somethin’ Else
- Communication Breakdown
- I Can’t Quit You Baby
- You Shook Me
- How Many More Times
- Immigrant Song
- Heartbreaker
- Since I’ve Been Loving You
- Black Dog
- Dazed And Confused
- Stairway To Heaven
- Going To California
- That’s The Way
- Whole Lotta Love (Medley)
- Thank You
- Communication Breakdown
- What Is And What Should Never Be
- Dazed And Confused
- White Summer
- What Is And What Should Never Be
- Communication Breakdown
- I Can’t Quit You Baby
- You Shook Me
- Sunshine Woman
Bonus track:
Para bônus, escolhi um CD duplo do Yes que traz duas músicas gravadas para a TV francesa como faixas adicionais, portanto, não é “apenas” uma gravação da BBC. Como gosto bastante desse álbum, já que nos dá a oportunidade de apreciar melhor o talento de Peter Banks e de Tony Kaye no grupo, decidi que valia a pena incluir.
YES – Beyond and Before: The BBC Recordings 1969-70 (1998)
O Yes que se apresenta na BBC aqui é sua configuração original com Peter Banks na guitarra e backing vocal e Tony Kaye nos teclados, e o material é quase integralmente extraído dos dois primeiros LPs do grupo. Começando com “Something’s Coming”, que a banda lançou como lado B de “Sweetness”, o primeiro CD se concentra quase todo em sessões de 1969, com uma versão (mal gravada) de “No Opportunity Necessary, No Experience Needed” para o programa alemão Beat Club como bônus – e que bônus! Essa versão é melhor do que a de Time and a Word, em minha opinião, especialmente porque a banda se esforça para preencher os buracos deixados pela ausência da orquestra. O interlúdio instrumental de “Everydays” mostra que o early Yes manjava do assunto, e as harmonias vocais de “Sweetness” não perdem em nada para as dos anos 70. Gosto bastante do órgão tocado por Kaye em “Looking Around” e do riff introdutório de guitarra de Banks em “Sweet Dreams”, em que o subestimado guitarrista faz um belo solo. O Yes mostra seu pendor para a improvisação instrumental em “Every Little Thing”, em que a introdução é diferente da versão de estúdio e Banks escancara uma influência de jazz nos seus solos. Há que se destacar também aquela que seria a única versão gravada de “For Everyone”, que seria parcialmente ressuscitada como parte b de “Starship Trooper” em The Yes Album (1971), já com Steve Howe na guitarra. O CD 2 traz “Beyond and Before”, com Chris arregaçando os agudos do seu baixo no começo, mas essa versão foi gravada para a TV francesa (da mesma forma que “No Opportunity…”, o tape foi fornecido por Banks), e talvez por isso Peter toque “Frére Jacques” na sua Rickenbacker ao final. Chris Squire, Jon Anderson e Bill Bruford já mostram neste álbum que fariam parte dos grandes em suas áreas, Tony Kaye e Peter Banks revelam talentos maiores do que se imaginava a partir dos discos originais, e a edição original (que posteriormente seria relançada como Something’s Coming) com luva, pôster da capa e livreto com texto assinado pelo guitarrista e várias fotos inéditas é obrigatória para quem gosta
de Yes.

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