Discografias Comentadas: Wapassou

Discografias Comentadas: Wapassou

Por Mairon Machado

Quando se fala no rock progressivo europeu, é claro que o Reino Unido é a principal fonte de matéria-prima do gênero. Com os cinco gigantes (Pink Floyd, Yes, King Crimson, Emerson Lake & Palmer e Genesis), e mais os igualmente grandiosos Van Der Graaf Generator, Renaissance, Curved Air, Gentle Giant entre outros, a ilha da Rainha (agora Rei) é com certeza o maior celeiro de bandas que imortalizaram o estilo.

Porém, atravessando o canal da mancha, a França também disponha de bons nomes do rock progressivo, principalmente nos anos 70 e 80. É o caso de Ange, Art Zoyd, Catharsis, Malicorne e também, o Wapassou. O grupo de Estrasburgo surgiu em 1972, com uma sonoridade bastante influenciada pela psicodelia londrina, e não pelo progressivo. Porém, logo na sequência, o Wapassou criou algumas das melhores obras progressivas da França, tornando-se um dos maiores nomes do rock daquele país ao longo dos anos 70, fazendo uma mistura única e exclusiva de guitarras, violinos, teclados, vozes femininas e muitos elementos clássicos fundidos, em uma banda que não contava nem com baixista e tão pouco com um baterista. Como afirma o texto da contra-capa do primeiro disco da banda, o Wapassou não é um grupo de músicos, é o refúgio da música.

Venho aqui então apresentar a Discografia Comentada desta bandaça, praticamente desconhecida por terras brasilis. O grupo era formado pelo trio Freddy Brua (teclados, piano, sintetizadores), Karin Nickerl (guitarras, vocais) e Jacques Lichti (violino), além de contarem com a colaboração do engenheiro de som Fernand Landmann nos equipamentos acústicos. Além de revolucionar musicalmente, seus shows eram um verdadeiro espetáculo, com projeções de imagens que não havia sido visto antes na França, obra de Gisele Landmann.


Wapassou [1973]

Lançado pelo pequeno selo Prodisc Strasbourg, e somente na França, Wapassou é um disco bastante exploratório dos teclados de Brua. Logo de cara, já somos surpreendidos pelas camadas de teclas e efeitos na belezura de “Mélopée”, uma linda faixa instrumental, com um belíssimo arranjo de cordas, além da participação da flautista Geneviève Moerlen. Outra participação vem em “Musillusion” (Wapassou)”, desta vez com o clarinete de Jean-Jacques Bacquet, em uma faixa onde os vocais sobrepostos de Karin se destacam junto do violino. Bacquet e Moerlen estão juntos em “Châtiment”, que também traz o percussionista Jean-Michel Biger, em uma canção mais acessível dentro dos padrões musicais comuns na indústria musical, e cujos vocais sussurrados de Karin são arrepiantes, além das gigantescas camadas de teclados, do lindo tema de violino e claro, o belo solo de Moerlen. São nas duas faixas longas do disco que podemos ver mais a fundo o que é o som do Wapassou. “Rien” é uma hipnotizante canção carregada de variações entre o órgão, piano, piano elétrico e sintetizadores, com o delicado vocal de Karin tomando conta da primeira parte da canção, e o longo e viajante solo de violino na segunda metade, fazendo estripulias. Já “Trip”, contando com a participação de Biger e do baixo de Jean-Pierre Schaal, é uma maluquice sensacional onde os teclados e a percussão são contagiantes em toda a primeira parte, e na segunda parte, é a vez da guitarra de Karin brilhar sobre as camadas de teclados. A faixa conta ainda com a tímida participação, ao final, de Christian Laurent (Sitar) e de Benoît Moerlen (tumba), dando um ar oriental para uma grandiosa faixa. Wapassou foi relançado na França e no Japão em 1987, tendo recebido edições em CD na França e Coréia do Sul (1997) e no Japão (2009), assim como um lançamento em CD e LP nos Estados Unidos (2015).

Após os lançamentos discretos do 1º álbum, e do compacto gravado em outubro de 1974 com duas faixas inéditas, “Femmes-Fleurs” / “Borgia”, o Wapassou começou 1975 com uma série de shows locais. Tocando em igrejas e recitais, o grupo havia se tornado puramente instrumental, eliminando os vocais de Karin. Os shows chamam a atenção da Crypto, que assina um contrato de três discos com o trio. Assim, criam suas obras-primas, no caso os três álbuns conceituais sobre a vida (Messe En Ré Mineur), morte (Sallambô) e eternidade (Ludwig (Un Roi Pour L’Eternite))


Messe En Ré Mineur [1976]

Este disco é daqueles para se parar o que se está fazendo e apenas admirar a obra exalando dos sulcos do vinil. O trio aqui cria uma canção única, com um ar étereo e singular de quase 40 minutos (39’57”), somente com teclados, violão/guitarra e violino, além dos doces e belos vocais da convidada e soprano Eurydice, de apenas 17 anos. As mudanças nos andamentos musicais, ora com o órgão sendo destaque, ora com o violino mandando ver, ora com o violão sendo o centro das atenções, ora com os agudos arrepiantes de Eurydice, é o que faz ser a chave-mestra do som do Wapassou. Destaca-se o uso de efeitos no violino, com um belo solo exclusivo do instrumento ocupando um bom trecho do lado B do vinil, os intrincados arranjos das escalas na guitarra e no violão, os diversos instrumentos de teclas (órgão hammond, farfisa, mellotron, piano, cravo, sintetizadores, …), a incansável alternância de ritmos, enfim, uma vasta imensidão de sonoridades para ser admirada e explorada por ouvidos apaixonados pelo rock progressivo, em um dos melhores discos do grupo, que certamente irá agradar fãs de Mike Oldfield. Lançado somente na França no formato LP, depois teve relançamentos em CD na França (1994) e Japão (1995 e 2009)

A música do Wapassou passou a ser comparada ao krautrock, mas se por um lado ela se aproxima dela na forma, com sua proposta intelectual, sua repetitividade e a difusão de atmosferas, no conteúdo ela se afasta completamente por causa da ausência de facilidades nos temas, pela diversidade e beleza deles, pela evolução constante, pela escrita estruturada da música e pelo apelo ao sonho, à evasão, pelos sentimentos de plenitude, mas também de angústia e tensão que ela gera. O Wapassou desenvolve uma música original, impressionista, sugestiva, fascinante por sua beleza melódica. A formação inusitada, em trio (órgão, violino usado tanto na base rítmica quanto como solista, guitarra elétrica com função de base ou de guitarra solo, guitarra acústica e baixo), sem bateria, sem baixo de verdade, desnorteia no início e depois demonstra sua eficácia e convence o público pela riqueza, pela coesão e pela perfeição. Ainda, a audição de Messe en Ré Mineur nos traz uma mescla de emoções,  uma música atmosférica, ora angustiante, torturada, atormentada, ora pacífica e serena. Uma genialidade que veio a seguir em seus dois discos sucessores.

Após uma turnê pelo sudeste francês ao longo do verão de 1975, na qual Messe En Ré Mineur era apresentado na íntegra, e da prisão de Brua – então com 18 anos – por insubmissão militar, no qual ele acabou sendo internado durante três meses, sendo declarado com problemas mentais, e então, liberado, o grupo retomou aos poucos o caminho dos shows. Apresentam-se em Luxemburgo e em Frankfurt, e no início de 1976, fazem uma apresentação épica na igreja de Estrasburgo, onde condensam sua obra com potência e impacto na composição. Ali nascia sua obra-prima, a qual veio à luz em 1977.


Salammbô [1977]

O disco que me apresentou ao som do Wapassou, Salammbô foi gravado em setembro de 1977, e é um álbum muito soturno. A faixa de 37 minutos traz logo de cara o piano, as vocalizações de Monique Fizelson e as falas nazistas mostram que o tema da morte irá permear o que sairá das caixas de som. O álbum é baseado na obra de Gustave Flaubert, lançado originalmente em 1862, e que trata sobre a queda de Cartago, na Tunísia. Segundo o próprio Flaubert, ela lhe causou “angústia que me sacudia como um oceano de imundície“. O texto no encarte mostra que a história é pesada, com “forças obscuras que se apoderam do homem, levando-o a infligir sofrimento, sofrer, amar e morrer, a amar e matar. Confrontos de forças, carnificina, ossuário e apodrecimento“. Musicalmente, a peça é concentrada inicialmente nos teclados de Brua, com pouca ou mínima participação do violino e do violão, principalmente em comparação a Messe en Ré Mineur. Em uma segunda etapa, o órgão e o violino são os instrumentos que criam as atmosferas dramáticas e sombrias da suíte, onde sintetizadores e efeitos também brilham. A terceira etapa finalmente traz o violão, com camadas de teclados, órgão e uma leveza singular. O trecho onde a guitarra e o violino são os instrumentos principais é dramático, encantador, e de arrancar lágrimas até de seu animal de estimação. A canção vai se desenvolvendo criando uma trilha sonora perfeita para o livro, acompanhando os movimentos do romance em sua marcha incessante rumo à destruição de Cartago, com cada instrumento ganhando seu espaço, sempre acompanhado por longas e sinistras camadas de teclados, culminando com o fulminante solo de teclado sobre um ritmo espetacular do violão e do violino – imagino uma percussão aqui, ficaria mais que perfeito. A faixa encerra-se com barulhos que parecem de um coração de um feto, dando a ideia de que a vida será continuada, apesar da destruição, ou, como consta no encarte (em latim, francês, japonês e em inglês): “isto faz claro que a força não resolve nada, que isto não é um fim, mas somente um meio execrável“. A linda arte da capa, obra de Gustave Dore, dá um caráter ainda mais especial para um disco impactante, que prefiro a definição de Claude Roynette, na contra-capa do álbum: “Uma contemplação mórbida da morte para impressionar a burguesia? Um sonho de paz, por que não?“.

O lançamento de Salammbô foi seguido por uma turnê promocional de 8 dias seguidos no sudeste, já em 1978, que começou no dia 24 de janeiro em Avignon e terminou em Béziers no dia 31 de janeiro. O Wapassou interpretava Salammbô, mas também trechos do 3º ato da trilogia, o qual começou a ser composto durante o ano de 77. Uma homenagem ao rei Ludwig, da Baviera.

Freddy Bbrua, Karin Ncikerls e Jacques Lichti (acima); Fernand Landmann e Gisele Landmann (abaixo). Wapassou em 1979

Ludwig (Un Roi Pour L’Eternite) [1979]

Gravado em um período de 10 dias, durante novembro de 1978, e com a presença de Gisele Landmann e Fernand Landmann na contra-capa (luz e som dos shows do Wapassou), Ludwig encerra a trilogia em alto nível. Lançado em julho de 1979, aqui Brua, Nickerl e Lichti criam uma peça de 34 minutos que consegue extrair exatamente o que o álbum propõe, a eternidade, em uma obra inspirada na vida de Louis II da Baviera. A primeira parte da canção é destacada pela presença dos diversos teclados de Brua (órgão, sinclavier, piano elétrico, sintetizadores), com uma sutil participação do violino e do violão na base, inicialmente de forma leve, quase como uma valsa, e depois mais pesado, onde a guitarra também sola entre as inúmeras camadas de teclados. A mudança com a entrada do violino e dos sintetizadores dá um ânimo diferente para a canção, ainda mais pesada, com um riff marcante, e Brua usando e abusando dos teclados (moog, cravo, sintetizadores, hammond …). A sequência da suíte, ao longo do lado B, dá mais espaço para a guitarra – com um interessante uso do wah-wah – e o violino, com um ritmo que lembra as grandes danças das cortes francesas, mas ao mesmo tempo, novamente chama a atenção a abundância de teclados que brotam na suíte. Tem-se ainda uma revisão de “Lac de Starnberg – 1886” (Richard Wagner), com somente o violino fazendo o tema da canção sob barulhos de água, e a curtinha “L’adieu Au Roi”, tendo os belos vocais de Véronique Nickerl (irmã de Karin) e os sintetizadores de Marc Dolisi. Aqui vale lembrar a parte histórica da relação – homossexual? – entre o rei Louis e Richard Wagner, sendo que o rei foi o responsável por salvar a vida financeira de Wagner, levando-o a morar justamente no lago de Starnberg, local onde o próprio rei veio a falecer afogado anos depois.

Vale aqui relembrar as palavras de Brua sobre a obra: “ela representa uma homenagem à arte em geral e uma visão da eternidade através da arte. Como representar a eternidade de maneira mais bela do que pela arte? Mesmo após o fim do mundo, o que restará do homem é a sua arte. As civilizações hoje desaparecidas subsistem essencialmente pela sua arte. Ludwig não era louco. Ele era um visionário e um profeta. Ele foi a origem de toda a nova cultura contemporânea. Era também um grande romântico. Eu afirmo que Ludwig II era um grande rei pacífico porque sempre preferiu a arte à guerra. Para nós, Ludwig se identifica com os heróis da Idade Média. Sua maior realização é a sua morte, e os heróis não morrem de velhice. Sua morte permanecerá para a eternidade como um mistério. É por isso que, em vez de lhe dedicar um hino fúnebre, escrevemos um hino cheio de vida. É o álbum que o grupo colocou mais amor e paixão“.

A versão em CD, lançada somente em 1994, ainda traz “Hymne Au Nouveau Romantisme”, excelente faixa composta em 1979, mas que acabou não sendo lançada na época por questões de direitos autorais, já que a ideia da mesma surgiu do apresentador Gonzague St-Bris, que exigia seu nome nos créditos. Ela traz a presença de uma bateria, indicando os novos caminhos que a banda ia seguir nos anos 80.

No dia 2 de dezembro, o Wapassou se apresentou como atração principal na Taverne de l’Olympia, e continuou em turnê ao longo de 1979, ano que Brua começou a compôr uma sequência para a trilogia, agora baseada na loucura de Torquemada, monge espanhol da inquisição responsável por condenar à morte na fogueira mais de 10 mil pessoas. A ideia era “combater todas as formas estúpidas de estupidez da religião”. Mas a chegada da new wave, e a queda do rock progressivo,  fez com que o público diminuisse, e o Wapassou busca-se uma nova sonoridade, acrescentando agora um baterista, Guy Heller, no que ficou conhecido como Wapassou 2.

Em janeiro de 1980, Guy Heller deixou o grupo e entrou para o Tangerine, sendo substituído por Tchouk, o qual, por envolvimento com drogas, foi preso e o Wapassou o substituiu por Francis Gentel, assim como a cantora Christine Maillard, junto da menina de 20 anos Joëlle Kopf, em junho de 1980, e o tecladista Marc Dolisi novamente participando de algumas canções. Abandonando os projetos grandiosos, e as suítes muito longas e complexas demais para tocar no rádio, Freddy Brua pensou em oferecer ao público uma música mais rítmica, mais fácil e composta por faixas curtas e comerciais. Assinam então com a Sterne, e assim, lançam seu quinto disco.


Genuine [1980]

Gravado nos estúdios Möhrensound, em Möhrendorf, Alemanha, Genuine acabou sendo distribuído somente na França, e o sonho de conquistar novos mercados acabou naufragando. O som é totalmente diferente do que foi ouvido nos discos anteriores. A única faixa instrumental é a épica “Torquemada”, resquícios da ideia original de Brua, com seus mais de 11 minutos, e com certeza a melhor canção do álbum. Os teclados brilham, além de um belo destaque para a guitarra de Karin aqui, que comanda o ritmo de um solo bastante rock. Mas nas variações da canção, o seu andamento arrastado é o que sobressai, permitindo que violino e teclados solem com uma lindeza tipicamente Wapassou, o que ganhou muito com a presença do baixo e da bateria. As vocalizações sutis de Christine, duelando com o violino, são arrepiantes, e a presença dos fantasmagóricos sintetizadores e moog de Brua mostram que o Wapassou ainda tinha muito para criar no progressivo, ainda mais com a presença da bateria. Uma música fantástica! Porém, ao longo de Genuine, o que temos é uma banda muito diferente do que se podia imaginar. Logo de cara, “L’Etranges” apresenta os vocais de Christine e a bateria de Francis, com um som que lembra uma espécie de Blondie francês, bastante voltado para a New Age, onde o violino é um dos poucos momentos que lembram o velho Wapassou. As experimentações eletrônicas, numa mistura de New Wave com Synth Pop e disco music, seguem na faixa-título e “Phenyx Ode”, essa em especial com um bom ritmo percussivo e uma maior presença dos teclados e do violino, mas confesso que os vocais exagerados de Christine, parecendo uma mistura de Nina Hagen com Cindy Lauper, só que francesa, não me agradam. Por outro lado, há bonitas canções através de “Late Revenge” e “Quien Sabe”, essa com a presença do trompete de Charly Kolb, nas quais os vocais franceses de Christine trazem um bom e gostoso charme na audição. Por fim, “Concertino”, uma bonita canção onde Christine faz vocalizações acompanhando os solos de teclados e violino, chamando a atenção a participação de Karin no baixo, algo que também ocorre nas demais canções. No geral, é impressionante como o grupo mudou totalmente sua sonoridade, e virou algo realmente estranho para quem conhecia os discos anteriores, com exceção de “Torquemada”, uma das grandes faixas da banda sem sombra de dúvidas.

O segundo single do Wapassou sai daqui, “L’Etranger” / “Phenyx Ode”. Christine Maillard deixou o grupo e foi substituída por Bettina. Em fevereiro de 1981, Brua foi ao Festival de Midem para tentar “vender” Genuine, mas não encontrou nenhuma gravadora interessada em comprar seu disco para o exterior. Desiludido, enojado com o show business e com a atitude da mídia, indiferente à sua música, considerada pouco comercial, ele declarou que “preferia morrer em beleza com sua música a ceder as chantagens de personagens que se acham influentes“. Anunciou então o fim do Wapassou em 1983.


Orchestra 2001 – Le Lac D’argent [1986]

Depois de três anos de silêncio, o Wapassou volta com o trio clássico (Lichti, Brua e Karin, agora efetivada somente ao baixo) e mais Dominique Metz (bateria), Rémy Weiss (guitarras) e a dupla vocal Patrick Alès e Silvia B, a qual faz lindas vocalizações durante a bonita “Ode Au Matin” e também na belíssima “Introduction Pour Un Reve”, aqui dando um belo show vocal, lembrando muito Annie Haslam em seus agudos. A única canção com letras tem Silvia nos vocais, e é a leve “Lac D’argent”, que novamente, lembra um pouco Renaissance do fim dos anos 70, início dos 80, sendo forte candidata a melhor do disco, ainda mais com o solo de guitarra muito legal na segunda metade da canção, que é a única também a ultrapassar seis minutos. No mais, as canções apresentam vocalizações bem encaixadas harmonicamente com o instrumental, e no geral, são curtas, mal chegando a cinco minutos de duração. O álbum representa bem a sonoridade dos anos 80, como mostram “Kingston Opera”, a mais fraquinha do disco, e a boa “Jericho”, onde os sintetizadores modernosos e o baixão de Karin são as principais atrações. Na mesma linha, estão “Printemps De Paix” e “Orchestra 2001”, ambas com sintetizadores em voga, tendo andamentos mais suaves, um interessante arranjo vocal na primeira, na qual conferimos melhor quem é Patrick Alès, e bons solos de guitarra na segunda. Destaque também para a bela “Ballade Pour Gwendoline”, uma linda canção com o brilho do violino elétrico. Um álbum bem melhor que Genuine, e que encerra com dignidade a carreira do Wapassou.

A banda se separou oficialmente no final de 1986, com mais de 300 shows em seu currículo, e deixando um pequeno apanhado de ótimos discos para serem descobertos pelos fãs de progressivo, música clássica e boa música em geral.

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