Por André Kaminski

Confira aqui a parte II.

É isso mesmo. Ao menos se você contextualizar tudo o que ocorreu dentro da banda internamente, as letras de várias músicas e a própria história de seu protagonista Tuomas Holopainen, o compositor finlandês e líder do Nightwish.

Continuando com os disclaimers, é bom deixar claro que não há nenhuma declaração do próprio Holopainen confirmando estes sentimentos em nenhuma das entrevistas que ele já deu em sua vida. Já o perguntaram uma vez diretamente, na época da demissão de Tarja, e ele tirou o dele da reta: “tudo o que eu posso dizer é que entre eu e Tarja havia uma química muito grande entre a sua voz e as minhas composições”.

Todavia, a situação seria muito diferente vindo do lado de Tarja Turunen e de seu marido e empresário Marcelo Cabuli. Em uma série extensa de perguntas e respostas ao qual ele respondeu vindas de centenas de fãs, ele afirmou categoricamente que Tuomas sempre foi apaixonado por Tarja e rejeitado por ela, que isso tudo está contido nas próprias músicas do Nightwish e do qual um fato ocorrido em outubro de 2004 foi a gota d’água final para, digamos, definir a demissão da vocalista ocorrida um ano depois. Como foi o próprio Cabuli que escreveu, é óbvio supormos que a vocalista endossa o marido em tudo o que ele declarou. Comentarei mais sobre este fato em uma parte futura desta série de artigos especiais.

Evidentemente, há a possibilidade de toda essa série de artigos que pretendo escrever ser uma tremenda bobagem por parte de alguém que interpretou essas letras de maneira equivocada. Entretanto, na própria biografia oficial do Nightwish aparecem trechos em que Tuomas admite sentimentos pessoais muito fortes em duas canções que são “Gethsemane” do disco Oceanborn [1998] e “Ever Dream” do disco Century Child [2002]. Só estas duas já valeriam o título da série. Porém, não creio que isso se restringiu a apenas estas duas canções e que tem muito mais coisa escondida no meio de várias outras letras que irei debulhar mais para frente.

Primeiramente, precisamos falar sobre a própria biografia de Tuomas Holopainen falando sobre sua infância e formação da banda e aí seguirmos para as interpretações das letras que, muito possivelmente, corroboram com o título desta matéria.

A maior parte destas informações foi retirada do livro da banda Once Upon a Nightwish [2007].

O tecladista nasceu no exato dia de Natal de 1976 em Kitee, uma pequena cidade da Finlândia, sendo o mais novo de três filhos (tendo uma irmã e um irmão). De acordo com o livro, ele foi uma criança muito feliz até os seus 15 anos de idade. Tão feliz e com uma vida tão perfeita que isso o tornou, inclusive, uma pessoa bastante ingênua. Isso soa até meio alienígena para nós aqui do Brasil. Basicamente, ele viveu numa cidade pequena tendo um ótimo padrão de vida, sem preocupações com insegurança e violência, seus pais sempre foram amorosos com ele, tinha muitos amigos e o próprio adorava ir à escola. Tudo isso permitiu que ele fosse muito precoce já aos dois anos ao ter aprendido um básico da leitura. Adorava a época de Natal, ganhava muitos presentes, era fã da Disney (também refletido no próprio Nightwish) e tinha grande contato com a natureza.

Vivenciar a infância dos sonhos de qualquer criança o fez até mesmo se tornar ingênuo visto que seu mundo se reduzia à toda a paz e harmonia daquela pequena Kitee. Não dá para afirmarmos que ele teve uma infância mimada, mas é aquela coisa: a gente amadurece enfrentando os tradicionais problemas da vida. Como o jovem finlandês não teve muitos, isso colaborou para torná-lo uma pessoa introspectiva e que demonstra não saber lidar muito bem com conflitos (refletido em suas próprias atitudes dele em relação a banda). Sendo assim, Tuomas sempre teve dificuldades em expressar sentimentos que pudessem gerar algum tipo de reação que o causasse dor e sofrimento (como uma rejeição amorosa por exemplo). Então a relação dele com a banda e seus problemas nunca foi de falar diretamente e enfrentá-los frente a frente, guardando tudo para dentro de si e com um medo de se expor mais como líder de tudo relacionado à banda.

Seu início na música se deu principalmente na adolescência em que ele teve Plamen Dimov como influenciador, um búlgaro professor de música que se tornou até famoso dentro da Finlândia. Um vídeo de uma apresentação escolar mostra Tuomas (o segundo da esquerda para a direita, o que parece o Harry Potter) tocando saxofone, Dimov aos vocais e teclados e logo em seguida uma tímida e iniciante Tarja fazendo um dueto com o professor. Ele foi também o professor de música do guitarrista Emppu e do baterista Jukka.

O tecladista só passou a gostar de heavy metal após uma viagem de intercâmbio aos Estados Unidos com 16 anos em que a família que o abrigou o levou a um show do Guns N’ Roses e do Metallica como headliners em Kansas. Aí ele se converteu de vez.

A família de Tuomas possui uma pequena casa em uma ilha no meio de um lago na Finlândia. Lá, junto com seus amigos das bandas em que tocava (Nattvindens Gråt e Darkwoods My Betrothed) no meio de uma fogueira ele deu a ideia do que queria fazer e que se tornaria o embrião do Nightwish: um projeto mais acústico, mas que teria teclados, sopros e uma voz feminina já que ele gostava das bandas Theatre of Tragedy e The Gathering. O encontro de Tuomas e Emppu se deu durante a substituição do guitarrista do Nattvindens Gråt em que o tecladista simpatizou com a personalidade dele. Foi o primeiro nome que o veio à cabeça para tocar em seu projeto e Emppu o aceitou de cara. Como Emppu já havia tocado com Jukka há alguns anos e eram amigos e vizinhos, ele ligou para que tocasse bateria no projeto de Tuomas.

Plamen Dimov e Tarja Turunen (a primeira da direita).

Após Plamen Dimov conseguir pressionar a direção do colégio para criarem um estúdio lá, eles conheceram o produtor Tero Kinunnen e as demos instrumentais ficaram prontas. Mas ainda sem a vocalista que a banda precisava. Eis então que Emppu lembrou de uma menina do colégio que gostava de cantar. Sim, ela mesma…

O tecladista foi até a casa dela. Eles já se conheciam dos tempos de colégio visto que a mãe de Tuomas foi a professora de piano de Tarja. Não tinham um contato maior do que apenas pequenos cumprimentos na época de escola. Naquela ocasião, deixou com Tarja as demos das três primeiras músicas do projeto junto com as letras com ela e a pediu que cantasse da maneira que quisesse. São as demos “Etiäinen”, “Nightwish” e “The Forever Moments” que podem ser ouvidas no YouTube. Quando as gravaram no estúdio, percebendo a potência da voz de Tarja, ele teve o clique de mudar o estilo do projeto para algo mais pesado. Iniciou o Nightwish que conhecemos hoje.

Todo o histórico que escrevi até agora teve como fonte o próprio livro do Nightwish. Eu particularmente leio sempre desconfiando um pouco dessas biografias “oficiais” visto que o árbitro quase sempre costuma apitar beneficiando o time da casa. Mas em relação a estas partes sem polêmicas, acredita-se que dá de confiar. Agora começarão algumas interpretações minhas em relação aos sentimentos de Tuomas por Tarja.

É bom deixar claro o ponto principal que representa o Nightwish: a banda, principalmente em seus 6 primeiros discos, nada mais é do que a autobiografia do próprio Tuomas. Quase todas as letras da banda, com poucas exceções, tratam dos gostos pessoais do líder e também de seus sentimentos que nunca teve a coragem de expressar a ninguém.

Como seria um espaço muito grande postar a letra em inglês aqui, deixo como hiperlink dentro do título da música.

O primeiro álbum Angels Fall First [1997] é mais um compilado dos gostos pessoais de Tuomas, tais como o mundo de Tolkien (“Elvenpath”), cristianismo (“The Carpenter”) e mitologia egípcia (“Tuthankamen”). Todavia, a segunda faixa do disco “Beauty and the Beast” me chamou a atenção.

Beauty and the Beast: Aqui há uma reinterpretação do filme da Disney “A Bela e a Fera” em que a Bela rejeita a Fera. Uma coisa interessante de se ressaltar é o fato de que Tuomas se chama de vários nomes em várias músicas do Nightwish (beast, poet, songwriter, etc) e ele se refere a Tarja também por vários nomes (beauty, beautiful, angel, etc). Já ouvi declarações dizendo que ele escreveu esta canção por não ter gostado do final de a Bela e a Fera devido a Fera ter virado o príncipe novamente. Mas… creio eu que aqui foi meio que o início dos sentimentos do tecladista pela vocalista. A grande impressão que Tarja deixou em todos quando cantou pela primeira vez causaria aí uma reviravolta nos sentimentos de Tuomas. Então, dá para se interpretar que ele seria a Fera, rejeitada pela Bela devido aos seus defeitos. E aqui haveria um apelo à Bela pelo fato de “lembra-se da história do que acontece quando a princesa beija o sapo?”. Algo como se quisesse dizer que com o amor de Bela, a Fera se tornaria uma pessoa melhor e que ela ajudaria a lidar com seus defeitos. O “coração ocupado de Tarja” seria o fato de que a vocalista ainda não estava de corpo e alma na banda visto que ela tinha interesse em continuar seus estudos de canto clássico do qual foi completar apenas muitos anos depois. E que ela precisaria de mais do que Tuomas (e consequentemente o Nightwish) pudesse oferecer.

Com o sucesso posterior da banda, Tarja acabou ficando. Tuomas, além de escrever músicas sobre seus gostos e hobbies, também foi se aprofundando cada vez mais em seus sentimentos com o passar dos discos. Para o artigo não ficar muito longo, terminarei esta primeira parte por aqui apenas com este primeiro disco e continuarei com os dois próximos discos Oceanborn [1998] e Wishmaster [2000] na próxima parte.

6 comentários

  1. CLEIBSOM CARLOS ALVES CABRAL

    Eu não acredito nisso…Para mim Tuomas é homossexual e nunca se interessaria pela Tarja. A demissão da vocalista ocorreu porque ela começou a ter atitudes de diva e a se achar mais importante do que a banda.

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    • André Kaminski

      Atualmente, Tuomas é casado com a cantora finlandesa Johanna Kurkela.

      Responder
      • CLEIBSOM CARLOS ALVES CABRAL

        São tantos os artistas homossexuais com casamentos heterossexuais de fachada que isto não “comprova” nada…

  2. Fernando Bueno

    Eu já li sobre essa história em algum lugar que não me lembro agora. Lembro que fazia todo sentido com o que ocorreu com a banda. Quantas partes terão esses textos André? Publica logo o restante….rs
    Abraços

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    • André Kaminski

      Valeu pela força, Fernando!

      Cara, estou com planos de fazer mais 2 partes e fazer uma a mais de bônus com as mágoas da Tarja por Tuomas em sua carreira solo.

      Responder

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