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Por Mairon Machado
Há alguns tempo, fiz a resenha do box set Station to Station, de David Bowie, e ressaltei a minha decepção do ponto de vista musical que aquele box propicia ao fã. Salva aquele box um vasto material visual, como fotos inéditas, colecionáveis, bottons e o álbum ao vivo Live Nassau Coliseum ’76.
Pois a caixa Death Magnetic do Metallica supera a decepção que Station to Station me causou. Afinal, trata-se de um box caça-níqueis que serve apenas para arrancar algumas doletas dos fãs do grupo, e ser um grande objeto para pegar pó na sua estante.
A propaganda exalta: cinco vinis; o álbum completo, uma exclusiva arte do grupo; todas as letras das canções de Death Magnetic. Você fica pensando: “Cinco vinis, puxa, deve ter um monte de material inédito!”. Nada disso.
Metallica - deatha

Capa e contra-capa do Box aqui resenhado

Os cinco vinis possuem apenas as canções de Death Magnetic, e nada mais. Gravados em 45 rpm, cada lado vinil possui uma única canção, e assim, ocupam-se os dez lados dos cinco vinis. Decepção total.
Os vinis estão inseridos em capas individuais, e sim, existe uma litografia com a foto de Lars Ulrich (bateria), James Hetfield (guitarra, vocais), Kirk Hammet (guitarras) e Robert Trujillo, mas nada demais. Complementam esse fracasso de box set um encarte com as letras do álbum e o CD com as dez canções, inserido em um envelope para CDs totalmente branco.
Metallica - deathb

Capas dos vinis, encarte e litografia com a foto do grupo

Sinceramente, bem que o Metallica poderia ter caprichado e feito um Box decente como o de Live: Sh*t, Binge & Purge (1993), ou ao menos ter inserido o EP Beyond Magnetic, se bem que esperar coisa boa do Metallica nos últimos anos, não é algo que seja muito entusiasmante não.
Não jogue seu dinheiro fora. Compre o vinil original de Death Magnetic e junte seu dinheiro para o box citado acima, resenhado aqui por nosso colega Pablo Ribeiro. Esse sim, uma valiosa aquisição para o verdadeiro fã do quarteto californiano. Ou então, vasculhe pela versão de Death Magnetic no formato de caixão, a qual estou procurando para a minha coleção.
Metallica - deathc

Contra-capas e encarte com letras

Track list

1. That Was Just Your Life
2. The End of the Line
3. Broken, Beat & Scarred
4. The Day That Never Comes
5. All Nightmare Long
6. Cyanide
7. The Unforgiven III
8. The Judas Kiss
9. Suicide & Redemption
10. My Apocalypse

19 comentários

  1. Manoel

    Olá, Mairon! Vendo assim parece algo até redundante. Há coisas que não valem o investimento. Lançar cinco vinis nesse box parece ironia pura. Não podemos cair nesse conto do vigário.

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  2. Micael

    Eu possuo a versão em vinil duplo deste disco, em 33 1/3rpm, e com as mesmas músicas. O custo é muito menor, e o conteúdo é praticamente o mesmo, só não vem o CD, e talvez alguma(s) foto(s). A versão em CD também tinha uma pegadinha, pois comprei a “deluxe” na época, cuja única diferença é o encarte rasgado onde aparece o caixão, o que na verdade mais dificulta a leitura das letras do que “embeleza” o produto.

    Parece que existe uma versão com as demos do disco, né? Mas esta eu nunca vi para vender. E, pelo custo deste box que você resenhou, sem dúvidas é melhor adquirir o vinil duplo, pois as músicas são exatamente as mesmas…

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  3. Marcel

    Mairon, você levantou bons pontos, mas permita-me discordar.

    Talvez você não saiba, mas nessa época o Metallica relançou todos os seus discos em vinil (ainda antes do catálogo passar para o seu próprio selo, o Blackened Records), e cada disco foi lançado em versão vinil 180g “normal” (em 33 1/3 rpm), em versão 45 rpm, e versão 45 rpm colorida (essa uma raridade muito buscada pelos fãs).

    A versão 45 rpm nunca teve o intuito de ser um box set definitivo e luxuoso, cheio de extras. Na versão a ideia era disponibilizar aos fãs o vinil com essa característica que, dizem, melhora a qualidade do som. Tanto é que os discos simples (o Kill’em All por exemplo) saiu apenas duplo em 45 rpm. Já os que já eram duplos (como o …And Justice for All), acabaram saindo em caixas para se conseguir armazenar a quantidade de discos necessária para que todas as músicas estivessem em 45 rpm. A propósito, eu tenho essa versão do AJFA com 4 discos de vinil, que só tem as músicas mesmo, nada além dentro da caixa.

    A parte de box sets mais luxuosos começou quando Metallica se apropriou do próprio catálogo alguns anos atrás, através da já citada Blackened Records. Por enquanto já saíram os 3 primeiros álbuns nessas versões que são realmente luxuosas, cheia de extras e materiais gráficos e recomendo demais, apesar do preço. Essa sim daria uma resenha com gosto!

    E aproveitando que você já citou, o Death Magnetic também saiu na famosa versão do caixão, que é bem legal, mas que só vinha com 2 CDs (não tinha vinil), um sendo o CD normal e o outro um CD com as demos, além de uma camiseta, um encarte também em formato de caixão, um chaveiro, 4 palhetas e uns cartões de download da loja digital deles.

    Desculpem o cometário gigante! um abraço!!

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    • Mairon

      Valeu Marcel, eu sei das outras versões de 45 rpm, mas não as tenho. Essa do Death Magnetic eu adquiri há algum tempo, e me indignei por que esperava mais. Essas caixas novas são fantásticas, e acredito que em breve terá consultor resenhando aqui.

      Abraços e obrigado.

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  4. André Kaminski

    O formato físico já está capengando, daí os poucos que ainda fazem questão de adquirir os formatos físicos procurando algo a mais, uma versão demo que seja de algumas canções ou algo diferenciado, recebe a mesma coisa praticamente.

    Aí as gravadoras reclamam da pirataria e dos streamings, mas valorizar o consumidor do produto físico que é bom…

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    • El comentarista

      Capengando como, se até um “retorno do k7” já está sendo cotado e com gente gastando mais dinheiro com vinil do que com mídia digital?

      E discordo do “querem algo mais”: tanto é que não falta colecionador comprando até bootleg pra completar coleção. (E basta ver a lista de títulos mais vendidos recentemente e conferir no Discogs se são edições cheias de parafernálias e afins; chuto que não!)

      Mas bem, considerando que a banda da matéria tem o Lars a reclamação até que tem sentido lol

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      • Mairon

        Estes são os 50 discos mais vendidos do mês de maio, segundo o discogs

        #1 – Pink Floyd – The Dark Side Of The Moon

        #2 – Sleep – The Sciences

        #3 – Michael Jackson – Thriller

        #4 – Fleetwood Mac – Rumours

        #5 – Pink Floyd – Wish You Were Here

        #6 – Pink Floyd – The Piper At The Gates Of Dawn

        #7 – The Beatles – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band

        #8 – The Beatles – Abbey Road

        #9 – Pink Floyd – The Wall

        #10 – The National – Boxer (Live In Brussels)

        #11 – Led Zeppelin – Untitled

        #12 – Dire Straits – Brothers In Arms

        #13 – Queen – A Night At The Opera

        #14 – Eagles – Hotel California

        #15 – The Beatles – The Beatles

        #16 – Dire Straits – Dire Straits

        #17 – Tracy Chapman – Tracy Chapman

        #18 – Miles Davis – Kind Of Blue

        #19 – Led Zeppelin – Led Zeppelin II

        #20 – Supertramp – Breakfast In America

        #21 – New Order – Blue Monday

        #22 – David Bowie – The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars

        #23 – Beach House – 7

        #24 – Bruce Springsteen – Born In The U.S.A.

        #25 – Sade – Diamond Life

        #26 – David Bowie – Welcome To The Blackout (Live London ’78)

        #27 – Guns N’ Roses – Appetite For Destruction

        #28 – Nu Guinea – Nuova Napoli

        #29 – Pink Floyd – Animals

        #30 – Bruce Springsteen – Greatest Hits

        #31 – Michael Jackson – Bad

        #32 – Prince And The Revolution – Purple Rain

        #33 – The Beatles – Revolver

        #34 – Pink Floyd – Meddle

        #35 – Michael Jackson – Off The Wall

        #36 – The Rolling Stones – Sticky Fingers

        #37 – The Beatles – 1962-1966

        #38 – The Beatles – Magical Mystery Tour

        #39 – The Doors – The Doors

        #40 – The Beatles – 1967-1970

        #41 – Queen – Greatest Hits

        #42 – Led Zeppelin – Led Zeppelin

        #43 – U2 – The Joshua Tree

        #44 – Steely Dan – Aja

        #45 – Black Sabbath – Paranoid

        #46 – Arctic Monkeys – Tranquility Base Hotel + Casino

        #47 – Nirvana – Nevermind

        #48 – AC/DC – Back In Black

        #49 – Sex Pistols – Never Mind The Bollocks Here’s The Sex Pistols

        #50 – The Beatles – Let It Be

      • André Kaminski

        “Capengando como, se até um “retorno do k7” já está sendo cotado e com gente gastando mais dinheiro com vinil do que com mídia digital?”

        Capengando que as vendas em relação a música no geral tem caído a cada ano. O fato de que vendas de vinil terem “aumentado” é ainda uma fração nanica perto do todo com relação a música e um possível retorno do K7 é justamente mais uma tentativa de pescar mais dinheiro dos que ainda preferem mídia física.

        “E discordo do “querem algo mais”: tanto é que não falta colecionador comprando até bootleg pra completar coleção. (E basta ver a lista de títulos mais vendidos recentemente e conferir no Discogs se são edições cheias de parafernálias e afins; chuto que não!)”

        E o próprio bootleg não é um “algo mais”? Algo até mais diferenciado do que o box set em questão?

      • El comentarista

        “Capengando que as vendas em relação a música no geral tem caído a cada ano. O fato de que vendas de vinil terem “aumentado” ”

        Não adianta usar aspas, tem várias matérias* que mostram que, neste ponto, você está errado sim. Os números de streaming subiram? Sim. As vendas de vinil cresceram? Também. Evidente que não voltamos aos anos 70, mas não dá pra contrariar os fatos, independente de proporção.

        “E o próprio bootleg não é um “algo mais”? Algo até mais diferenciado do que o box set em questão?”

        Negativo. Muitos inclusive são prensagens porcas (além do som masterizado errado, a arte gráfica é mal feita – capas pixeladas, fontes nível Comic Sans etc), que colecionador compra por puro completismo** – SABENDO que o produto é defeituoso. Creio que o “algo mais” a que você se refere não se aplique aqui, e sim a encartes detalhados, capas com efeitos, bônus e etc – como no boxset da matéria, por exemplo, a rotação em 45rpm 🙂

        A lista que o Mairon colou engloba todas as versões dos discos citados, e é interessante ver que no top 10 só o The National seria ponto fora da curva na conversa aqui; a prensagem em LP é registro exclusivo e colorido da RSD ’18

        * pra não parecer corneteiro, cito esta:

        http://mixmag.com.br/read/vendas-de-discos-de-vinil-disparam-vendas-de-musica-digital-em-queda-news

        ** pelo que vejo, tal completismo não é do tipo “quero ter TODAS AS VERSÕES”, e sim “falta este LP, mas o artista não lançou físico oficialmente / nunca foi relançado e a versão original custa caro”. Um exemplo é a recente prensagem “japonesa” (kkkkk) do Racional, que um pessoal comprou pra não ter de desembolsar 1000 reais – e pelo visto foi dinheiro jogado fora mesmo assim!

        Abraço!

      • André Kaminski

        Cara eu li essa mesma matéria como fonte do meu comentário anterior e ela diz claramente o que eu comentei. Todas as vendas com relação a música caíram (apenas que as de mídias físicas caíram menos) e somente o vinil cresceu 3,1% (que ainda representa uma fatia nanica do mercado)… agradeço por novamente confirmar o que eu disse. Esse título sensacionalista da matéria é que não condiz em nada com os dados que eles mesmos apresentaram.

        E quando eu falo sobre o bootleg ser uma peça diferenciada, não estou falando da capa ou das fotos mas sim do conteúdo do disco. Se a banda tocou um cover novo no show, uma versão acústica de algum sucesso ou mesmo o fato de ser ao vivo e não ter o risco de overdubs de produção após, já é algo diferente de um box set com as mesmas músicas que se encontra no cd comum.

        No mais, apenas estou falando e concordando com o Mairon que box sets são um formato que visa agradar aqueles que tem um carinho maior por uma banda e que querem algo mais caprichado e exclusivo, não apenas um repeteco daquilo que já saiu. E que essas pessoas normalmente querem algo a mais nos box sets. Não me refiro a colecionadores compulsivos como você está comentando que são uma minoria e que compram absolutamente qualquer coisa com o nome da banda em questão. Nenhuma banda sobrevive apenas agradando aos compulsivos.

      • El comentarista

        Estava comentando de boa, mas sua leitura seletiva está complicando, amigo.

        Quanto ao capengando, pelo visto não chegaremos em acordo – embora não tenhamos, de fato, discordado completamente (tanto que admiti que nem de longe esse boom do vinil é um retorno às vendas dos anos 70).

        “E quando eu falo sobre o bootleg ser uma peça diferenciada, não estou falando da capa ou das fotos mas sim do conteúdo do disco. ”

        Não vou cometer a soberba de me autocitar, volte e leia o fim do meu comentário anterior, por favor. Os bootlegs em questão aqui são apenas prensagens REGULARES (ou seja, apenas o repertório original do disco) que certos colecionadores compram por falta de opção. Não entrei em momento algum no mérito de bootlegs ao vivo…

        “Nenhuma banda sobrevive apenas agradando aos compulsivos.”

        Foi exatamente isso que quis dizer na parte em que discordei de você e afirmei que essa questão do “querer algo mais” não procede tanto assim – e que vários dos discos mais vendidos ali são prensagens simples.

        Mas, de fato, quando se trata de box set a exigência é maior, nisso tens plena razão!

        Peço perdão se não me fiz entender direito, ótima tarde à todos…

      • Mairon

        El Comentarista, dá uma lida na matéria do box do Bowie que cito nessa mesma matéria aqui do Metallica. Box cheio de memorabilia, mas conteúdo musical bem fraquim

  5. Cleibsom Carlos

    Antigamente apenas discos clássicos mereciam lançamentos assim, mas agora parece que “qualquer um” merece a honraria…Se o Metallica quer fazer mega relançamentos do seu catálogo, que faça dos discos lançados até o Black Album, se não a coisa fica ridícula.

    Responder
    • Mairon

      Essas versões dos clássicos do Metallica são lindas – apesar de caras – e creio que já tão merecendo resenha aqui há algum tempo.

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  6. El comentarista

    Gastos que poderiam ser evitados com uma checada no discogs xdddd

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