War Room: Metallica – Beyond Magnetic [2011]

29 de maio, 2012 | por Mairon
Diversos
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Por Daniel Sicchierolli
Convidados: Fernando Bueno (FB), Leonardo Castro (LC), Mairon Machado (MM) e Micael Machado (Mica)

Caros leitores, mais uma edição do War Room. Nesse episódio, ouviremos juntos o mais recente lançamento do Metallica, o EP Beyond Magnetic, onde a banda coloca a disposição do público músicas não utilizadas no Death Magnetic, lançado em 2008. O Metallica, por si só, já é uma banda polêmica, pois lança albuns que não são uma unanimidade e, de certo modo, fogem do passado que os consagrou. Prontos para mais um War Room?
1. Hate Train 
Mica: U-hulll! “Blitzkrieg”! Começo matador! 
MM: Porrada animalesca essa entrada, melhor que todo o Death Magnetic
LC: Belo riff!!! Muito “Blitzkrieg” mesmo! 
Mica: Como que deixaram essa de fora do Death Magnetic
DS: Começo pesado, beirando um punk rock. É bom ver a banda com energia, mas a bateria não é mais a mesma… Sem contar que não simpatizo nem um pouco com o novo baixista. Hetfield cantando bem rasgado, mas tambem mostrando sinais da idade. Esse meio modernoso, lembrando os anos ruins da banda, estragam a musica. Eles estão se esforçando, mas longe do que foram, e ao vivo então, perdem totalmente a energia. Boa música, nada mais, não entraria numa coletânea da banda se eu estivesse escolhendo as músicas. 
LC: Bem legal essa música, entraria fácil no Death Magnetic. O riff é bem NWOBHM, e a levada da música vai bem na linha de outras músicas do disco, como “Cyanide” e “Judas Kiss”. Bem melhor que coisas como “Unforgiven III” ou “The Day That Never Comes”.


Mica:
 “The Day That Never Comes” é uma das melhores do disco! Sacanagem falar mal dela! 
FB: Essa é animal mesmo, Micael.

FB: Eu sempre conecto o Death Magnetic ao … And Justice For All, mas essa música tem uma introdução que lembra as coisas do disco preto. A introdução é legal, mas quando vai entrar a música parece que muda o andamento e fica estranho, mas as coisas se ajustam depois. O solo é muito bom, apesar de curto. E isso é curioso já que a música não é curta. 

DS:
 Solo? Que é isso?? Barulho sem sentido. Esse cara é muito ruim. Salve o Mustaine! 

Mica: Peso como há tempos não ouvia, bem NWOBHM mesmo. Nem a parte lenta no meio conseguiu estragar. Uma das melhores deles nos últimos tempos. Não entendo como ficou de fora do (bom disco) Death Magnetic

MM: Baita faixa. Eu sou simpatizante do Death Magnetic, gosto bastante do disco, mas essa canção me surpreendeu pelo peso e pela quebradeira. Impressionante o Kirk Hammett como está tocando cada vez mais. Hetfield e Lars é que não são mais os mesmos, mas de qualquer forma, poderia ter entrado facilmente no álbum original, pena que ficou de fora, e ainda bem que fomos apresentados a esse petardo agora 

2. Just a Bullet Away
LC: Muito … And Justice for All esse riff. “Shortest Straw” total! Mas achei meio insossa, um … And Justice for All requentado, e dá pra entender por que ficou de fora. 
Mica: Concordo. Até o Lars tá bem na parte dele! Eu tô curtindo pacas aqui … air guitar rolando solto! 
LC: Não é ruim, mas nao se destacaria no disco… mas é melhor que “Unforgiven III”, o que não é mérito nenhum.
DS: Bom começo, pesado e o vocal entra e, sim, é uma boa música. Não me lembra a fase antiga, mas tenho certeza que se só fizessem música assim, não teriam metade dos fãs de “FM” que gostam das baladas e músicas mais acessiveis. 
MM: Outra boa faixa, mas compreensível de ter ficado de fora do Death Magnetic, até por que é bem similar as demais canções. Essa virada no centro da canção, trazendo o solo do Hammett, me remete direto ao … And Justice for All. EP rendendo bem aqui, curtindo bastante 
DS: Que é isso? Pararam para fazer algo lento? Não combina em nada com a banda! Solo infantil e simples, só para quem tá começando. 
FB: Riff bem thrash. Abafado, pesado. Mas essa música já não tem a mesma qualidade que “Hate Train”, apesar de ter passagens interessantes. As estrofes são boas, mas falta uma melodia mais marcante. Depois da parada parece outra música. Aliás, acho que poderiam ter feito uma outra com essa parte. Gostei desse solo antes da parada. 

FB:
 Antes não, depois…rs 

LC: A música, apesar de boa, é um tanto genérica, pouco memorável, o que justifica sua não inclusão. O interlúdio melódico do solo ficou meio deslocado do resto da música… 
3. Hell and Back
Mica: Essa parte com vocais já é mais Load/Reload
LC: Sim, ia falar isso. O começo foi bem Black Album, mas essa levada mais melódica/melancólica é bem Load.
Mica: Começo bem na linha do … And Justice For All, mais lenta que a anterior, mas um convite ao “air guitar”. Um peso que o Metallica já não fazia há tempos, chega a impressionar. Muito bom. Parte lenta dá uma caída, fica mesmo meio deslocado, mas não chega a comprometer não. Depois volta a parte pesada. Curti bastante! 
MM: Kirk Hammett continua um mestre na guitarra, olha essa introdução que espetáculo de composição. Essa já é mais “Metallica fase moderna”. 
DS: Kirk Hammett mestre?? Acho que você nunca escutou o Megadeth. Qualquer um do Megadeth mandou um abraço! 
MM: Daniel, eu gosto muito de Megadeth, mas o Kirk Hammett toca pacas, isso é inegável.
Mica: Concordo com o Mairon na questão da “fase moderna”. Parece algo do Load/Reload, mas está legal! 
DS: Essa terceira faixa tem tudo o que eu não suporto do Metallica. Arrogância extrema numa música meia-boca e metida a “grande”. Eles precisavam escutar o Master of Puppets para aprender, com eles mesmos, como se faz. CHATA! 
FB: Essa já tem um jeitão de Load/Reload. Mas das coisas mais chatas desses discos, que tem sim coisas boas. Fica o sentimento que um belo riff foi desperdiçado. 
LC: O riff inicial remete ao Black Album, mas o andamento mais lento e melancólico da música é mais na linha Load/Reload. Também não causa um impacto maior, e certamente não caberia no Death Magnetic
Mica: É legal, mas a mais fraca até aqui! Opa, velocidade!
LC: Velocidade com o freio de mão puxado.
FB: É…já sabemos porque essa não entrou em Death Magnetic
MM: Frustração idêntica, Bueno. Início muito bom, mas depois, caiu nos anos 90, e daí vira um som sem gosto e sem fundamento. Moderno demais para o meu gosto. Gostei do início, e nessa, nem o solo do Hammett escapou. Barulho demais para velocidade de menos. Como disse o Bueno, entendemos por que ficou de fora 
Mica: Gostei da música, mas lembra muito as coisas os anos 90 mesmo. A mais fraca até aqui, apesar de eu ter curtido, principalmente o refrão! 
DS: Deveria ficar de fora do EP também. Porcaria. 
Mica: Aí já é exagero! 
FB: Dá para perceber que o tempo dessa música foi esticado. Poderia ter acabado faz tempo.
LC: O solo do Kirk parece do Ace Frehley…. e isso nao é um elogio, apesar de eu amar o Ace Frehley.
4. Rebel of Babylon
DS: Blem blem…. Que é isso? Estão imitando o Nirvana ou algo assim? Oito minutos assim será muito sofrimento. Para quem escreveu um disco como o Master of Puppets, isso aqui é uma ofensa. Para não ser tão chato, acho que eles estão se esforçando, mas não adianta, o Lars esqueceu como se toca, o James não consegue cantar com antes, Kirk nunca fez algo que me faça acreditar que é um guitarrista que mereça o título de um dos melhores e o baixista pode até tocar, mas não gosto dele, não adianta. 
Mica: Robert Trujillo é “O” cara. No Metallica, melhor que ele só o saudoso Cliff Burton! 
MM: Começo difícil, depois engrena. O riff é bem thrashzão, fazia horas que não ouvia algo assim na carreira do Metallica, mas soam meio estranhas essas variações. Ora é thrash, ora é NWOBHM, ora é punk rock anos 90. Daniel, não acredito que tu não gostas do Kirk Hammett, o cara é um animal.
FB: Novamente o começo da música lembra a fase Load/Reload. As partes mais rápidas já dá para imaginar o público no show se debatendo. Mas ela parece uma colcha de retalhos se formos analisar como um todo. 
LC: Não gostei do começo, mas o riff rápido melhorou. Música meio sem pé nem cabeça… O inicio lento é esquisito, mas a levada rápida da música é legal. Pena que o refrão seja ruim, assim como a parte quebrada depois desse. Poderiam ter feito uma música muito melhor aproveitando só a parte rápida e jogando o resto no lixo … 
FB: A biografia do Metallica tira vários mitos. O Daniel fala que o Lars desaprendeu a tocar. Mas na verdade ele nunca foi bom. Isso é citado diversas vezes no livro. 
LC: Mas pelo menos ele tentava, disfarçava… agora nem isso. Robert Trujillo toca muito, mas eu acho que visualmente ele não se encaixa no Metallica… Ele de camiseta e fazendo o passo do caranguejo no palco é meio como colocar o Flea vestindo só uma meia e um capacete de lâmpada no palco com o Judas Priest. 
FB: Olha esse riff depois de cinco minutos e meio da música. Ótimo!! Novamente fica a impressão de que desperdiçaram um bom riff. 
MM: Gostei das guitarras gêmeas, e essa variação (de novo) me fez ouvir essa música com outros ouvidos. Vou ter que ouvir mais vezes, mas me chama a atenção o trabalho instrumental. De uma hora para outra, passei a gostar dela 
FB: Verdade…a música se transforma depois de um tempo. 
Mica: Vai mudando os climas, a gente vai se acostumando a ela! 
MM: Caraca, que música complicada. Tiraram da versão final por que é impossível tocar ela ao vivo. 
Mica: Eles tocam coisas mais complexas que isso ao vivo! Começo indeciso, mas, quando pega ritmo, sai da frente que é só porrada! Aí muda de novo, por quê? Tava indo tão bem! Enquanto fica na porradaria é legal, é outra que lembra demais a NWOBHM enquanto é rápida, mas a parte quebrada eu não curti muito não, assim como a parte mais ao final, depois das percussões! Apesar das milhares de variações, curti bastante, melhor que a terceira! Merece mais audições para me acostumar melhor com ela! 
Comentários finais
DS: São músicas que realmente parecem sobras mal-acabadas. O disco Death Magnetic merece um War Room também. O Metallica atual é isso. Um apanhado de ideias mal aproveitadas e eles tentando não parecerem velhos. Ainda bem que eu que escolhi o disco, poderia ter sido pior e escutarmos o Lulu, que não passo nem perto. 
MM: Surpreendente. Gostei muito do EP. Com exceção de “Hell and Black”, as demais são muito boas. A última faixa mesmo é um petardo que deve ser ouvido de novo para tentar assimilar melhor o que ali acontece. Colocaria duas das quatro faixas do EP na versão final de Death Magnetic, principalmente esta última, que se fosse melhor trabalhada, teria tudo para ser uma das melhores do grupo pós-Black Album.
FB: O EP tem apenas uma música que poderia ter entrado com certeza em Death Magnetic: “Hate Train”. Um detalhe é que as quatro composições são creditadas para todo mundo. Ou seja, é mais que o Jason Newsted teve de créditos em quase 20 anos de banda … rs. Analisando as quatro músicas como um todo, eu as compararia com a segunda metade do Death magnetic. A primeira metade dele é excelente e a segunda é mais irregular.
Mica: Eu curti o EP, pelo menos “Hate Train” merecia lugar no Death Magnetic. Mas as outras são legais. Prefiro o Metallica agora que na fase Load/Reload/St. Anger. Pelo menos musicalmente estão mais interessantes no que fazem. Um belo lançamento, que acho vem a agregar na discografia desta que é uma das melhores bandas da história do metal, apesar das várias mancadas!
LC: Em resumo, uma ótima faixa, uma boa, uma péssima e uma com boas ideias, mas mal aproveitada. Não vale a pena para o fã ocasional, mas os mais apaixonados pela banda vão querer por causa de “Hate Train”. Pelo preço que o EP está sendo vendido nos EUA, U$5,00, vale o investimento, mas não mais do que isso…
MM: Eu acho essa fase atual beeeeeeem melhor que qualquer coisa entre o Black Album e o St. Anger.
FB: Acho um bom lançamento. Mas creio que só foi lançado para disfarçar/mascarar um pouco as críticas que estavam recebendo depois do lançamento do álbum com o Lou Reed. Acho que isso poderia servir de exemplo para muita banda. Lançar as sobras de estúdio mesmo não estando totalmente satisfeitas com elas. É algo a mais para os fãs.
MM: Pode ser Fernando, pode ser.
Mica: Podem me bater, mas não acho o Lulu tão ruim assim. Mas claro que isso aqui é muito melhor! E concordo plenamente com o Bueno. Como fã, eu quero é música boa, não perfeição! É só não lançar tranqueira que tá tudo certo! Este EP é mais para os fãs mesmo, os quais, aliás, não vão ter muito do que reclamar!
MM: Bom senhores, obrigado por participarem de mais um War Room, e agora, aguardemos os comentários sobre mais um álbum analisado aqui no Consultoria do Rock. Abração. 
FB: Abraço galera.
Mica: Valeu, forte abraço.
LC: Obrigado pelo convite. Abraços.
DS: Abraço a todos!



2 Comentarios

  1. Bom pelo número inexistente de comentários, vou assumir que ultimamente o Metallica não tem o mesmo carisma e apelo Heavy Metal de antes.

    É indiscutível que a banda teve grande participação para o mínimo reconhecimento que o Heavy Metal tem nos dias de hoje, mas é igualmente indiscutível que após o "Black Album" e o episódio "Napster", o Metallica não fez nada que preste.

    Me parece que os membros da banda se perderam em meio a uma nuvem de fumaça, sem saber se são integrantes de uma banda de Heavy Metal ou se são integrantes de uma banda pop.

    Muito da atitude que as músicas antigas traziam se perdeu, as composições novas provavelmente mantém o mesmo padrão técnico, ou superior, mas não tem a mesma atitude a mesma garra, que fez deles uma banda imensa.

    Nos shows era evidente que só a presença deles no palco era o suficiente para fazer a multidão gritar como louca…

    Se me recordo bem, foi a única banda a lotar um estádio para a audição de um album, onde NÃO HAVERIA SEQUER APRESENTAÇÃO AO VIVO… Não me lembro de alguma outra banda no mundo (de pop, rock ou Heavy Metal) realizar essa proeza.

    Eu sou muito, muito, muito mesmo, suspeito para falar de Metallica (veja aqui porque: http://truemetalbrazil.blogspot.com/2011/08/colecao-metallica.html), mas para mim, a banda de Heavy Metal conhecida como Metallica morreu no "Black Album", até que lancem algum album que tenha o mesmo tipo de atitude e musicalidade que tinham até então…

    Desculpe-me não falar nada sobre o assunto do post, mas eu até ouvi o EP, mas as linhas acima representam as minhas sensações ao ouvir o EP.

    Valeu

  2. DanXP168 disse:

    Sou só eu ou mais alguém acha a a primeira parte de Just a Bullet Away parecida com músicas do Pantera?

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