Discos de estreia geralmente são álbuns que marcam a carreira de um artista. Hoje, um grupo de sete consultores recomenda sete álbuns de estreia que fazem parte de suas audições rotineiras, com um apanhado desde a década de 60 até os dias atuais.

Cream – Fresh Cream (1966)
Recomendado por Ronaldo Rodrigues

Talvez um dos primeiros casos da história do rock em que havia especulação da crítica musical sobre o que aconteceria com um disco. Se o compacto de estreia da banda tratava a questão com irreverência, o disco completo que traz a estreia do supergrupo Cream não deixa nada a desejar. O som da banda acendeu a fagulha que catalisou a conversão do blues britânico naquilo que viria a ser o rock pesado dos anos seguintes. Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce escreveram, a toque de caixa, parte importante da história do rock e Fresh Cream é seu prólogo.

Mairon: Os cientistas, através da teoria do Big-Bang, conhecem perfeitamente como o universo surgiu a partir de 10^{-34} segundos após a grande explosão que criou tudo o que há hoje em dia. Entre o tempo zero e o tempo 10^{-34}, nada se sabe. Felizmente, em termos do rock pesado, a coisa é diferente, já que temos aqui o Big-Bang da guitarra, bateria, baixo e vocalizações despejadas com potência sonora para quebrarmos pescoços. A voz de Jack Bruce (baixo) casa muito bem com a do chapadaço Eric Clapton (guitarra), recém saído das fraldas do Yardbirds, e doido para causar um rebuliço. Não à toa ele recebe o apelido God, pois é ele quem cria praticamente toda a rifferama e escalas de solos que Hendrix, Gibbons, Lee, Iommi e outros usariam a partir de então. Na bateria, uma locomotiva Ginger Baker que só não faz chover durante “Rollin’ and Tumblin'”, mas causa terremotos e tsunamis durante a espetacular “Toad”, aula inicial para todas as outras bandas saberem como se faz um solo de bateria. É muita energia para ser emanada através das caixas de som, e clássico em cima de clássico, principalmente através de “I Feel Free” e “I’m So Glad”, os maiores expoentes de Fresh Cream. As melhores para mim são o grandioso blues de “Sleepy Time Time”, e “Sweet Mine”, cuja versão posterior, lançada pela Ginger Baker’s Airforce é a definitiva. Fecham o track list deste que talvez seja o principal disco de estreia de todos os tempos, a pancada “N. S. U.” e a instrumental “Cat’s Squirrel”. Fresh Cream peca apenas na fraca versão de “Four Until Late” (original de Robert Johnston) e em “Dreaming”, balada com clima anos 50 e totalmente injustificável perto de tantas canções fortes. Grandiosa e essencial recomendação.

Davi: Tiro certeiro. Banda clássica. Álbum emblemático. Isso aqui não tem erro, né? Power trio de primeiríssima. Três gênios. “I Feel Free”, “N.S.U.” e “Spoonful” são clássicos absolutos. Ginger Baker dava uma aula de bateria em “Toad”. Eric Clapton já roubava a cena em faixas como “Sleepy Time Time”, “Sweet Wine” e “Cat´s Squirrel”. Jack Bruce era outro louco. A única tristeza que bate em ouvir esse álbum é notar a qualidade das bandas e dos discos que se faziam nessa época e comparar ao que o pessoal tem feito hoje possuindo equipamentos melhores, técnicos com mais estudo, salas de gravação mais preparadas, recebendo instrumentos de ponta como patrocínio das melhores marcas. O que aconteceu?

Fernando: Já escrevi uma discografia comentada do Cream aqui para a Consultoria do Rock. A junção de três músicos fantásticos tinha que acertar logo de cara. Imagine um disco ruim de caras tão conhecidos. Acredito que isso fez com que várias versões de músicas de outros artistas fossem usadas e que não tenham dado tanta importância para as letras das canções próprias. São ótimas faixas no geral, mas considero esse disco apenas como um cartão de visita, já que eles acertaram a mão mesmo no seu sucessor.

Nilo: Introduzir o Cream e seus integrantes me parece desnecessário a esta altura. Tamanha a fama, chega a ser redundante afirmar que trata-se de uma estreia “jogo ganho”: eram músicos de alto calibre, já com certa rodagem e com plena ciência do que estavam fazendo. Os moldes do blues rock não permitiam plena desenvoltura técnica de cada um, tampouco era necessário. O básico, executado de maneira competente e convincente. Mas convenhamos que, se Fresh Cream vive “na sombra” de Disraeli Gears, não é injustiça – a atmosfera lisérgica deste forneceu maior liberdade criativa ao trio. Na verve bluezeira, creio que a estreia do Bluesbreakers (com o Clapton, lançada meses antes no mesmo ano) é mais interessante.

Alisson: O time era inegavelmente lendário, apenas as três maiores referências em seus instrumentos. O problema da estreia é o grupo ainda estar engessado demais no blues rock da época e precisar mostrar serviço em conjunto. A técnica está acima de qualquer suspeita, as composições, porém, não vão muito além do que era produzido no período (muitas vezes de qualidade até inferior). Se hoje é visto como sombra do clássico Disraeli Gears, não é por falta de motivos.

Adrian: Baita disco de uma banda acima da média. “I Feel Free” vicia logo de primeira. O sempre excelente Eric Clapton em seu “debut” como protagonista de uma banda, mostrou para o que veio, sem claro deixar de mencionar Jack Bruce e Ginger Baker (o que é aquilo em “Toad”?). Ah, um disco com “I’m so Glad” sempre vai ser ótimo.

Moby Grape – Moby Grape (1967)
Recomendado por Mairon Machado

Várias poderiam ter sido as recomendações de álbuns de estreia que eu poderia fazer. Algumas até foram escolhidas aqui. Mas o nome que me veio à mente de cara foi essa obra-prima do rock flower-power norte-americano. Praticamente uma coletânea de sucessos de uma banda que teve tudo para ser a maior de todos os tempos (três guitarristas, um deles, um monstro chamado Jerry Miller, além de duelo de guitarras, inexistentes em 1967, trabalhos vocais e quatro vocalistas espetaculares, apoio de uma grande gravadora, a criatividade do gênio Skip Spence, entre outros), mas acabou pecando pelos excessos, isso em uma época onde se falar em excessos era apenas uma que outra aventura amorosa com a prima adolescente (Jerry Lee Lewis #Modeon). Mesmo os momentos amenos de “8:05”, “Mr. Blues”, “Someday”, “Naked, If I Want To” mostram extremas qualidades para 1967. Moby Grape, o álbum, inspirou uma galera mundo a fora, com suas influências de country, blues, jazz e muita, mas muita psicodelia. Um deles, principalmente, foi um carinha loiro, chamado Robert Plant, que ao ouvir faixas espetaculares, velozes e destruidoras, como “Changes”, “Fall On You”, “Hey Grandma”, “Lazy On Me”, “Omaha” e a viajante “Sitting by the Window”, simplesmente pirou. Tanto que gravou “8:05” e “Naked If I Want To” como singles, em 1993, e nunca cansa de citar o Grape como sua principal influência. Admire o country rock de “Ain’t No Use”, as vocalizações precisas de “Come in the Morning” e “Indifference”, enfim, tudo o que há aqui. Os excessos já começam na polêmica capa, com o batera Don Stevenson estancando o dedo médio para o mundo, um pôster gigante promocional da banda que acompanhava a edição original, e a festa de lançamento do álbum, com prisões que abalaram o resto da carreira do grupo, através do boicote que o empresário Matthew Katz e a gravadora Columbia Records fizeram. É um disco para se ouvir com toda a curiosidade de quem quer conhecer algo novo, e se maravilhar com faixas fantásticas lançadas em um ano fundamental para a história da música. Mais sobre essa joia aqui.

Ronaldo: A estreia do Moby Grape é cheia de vitalidade e rebate para o clima árido da California o lado mais cru do som dos Beatles. Guitarras espertas, composições funcionais e ótimos vocais. Apesar da lisergia reinante a partir de 1967, o som do Moby Grape vai direto ao ponto, sem delongas. Acima de tudo, um delicioso disco de rock sessentista.

Davi: Banda bem interessante da cena de San Francisco. Esse trabalho foi lançado no ano de 1967, no meio da efervescência da cena flower power. Como não poderia deixar de ser, a sonoridade do álbum é repleta de psicodelia, o que já fica claro na faixa de abertura “Hey Grandma”. “Fall On You” e “Come In The Morning” trazem um belo trabalho de harmonia vocal nos backing vocals. Também gosto de quando fazem um som mais basicão como ocorre na ótima “Mr. Blues”. As baladas cruzavam elementos do folk com o country rock, conforme podemos notar em músicas como “Naked, If I Want To” e “Lazy Me”. Discaço! Gostei bastante.

Fernando: Já havia ouvido O Moby Grape quando estava descobrindo essas bandas do final da década de 60. Porém, por algum motivo que não sei dizer, acabei não ouvindo mais. Assim, foi quase como se tivesse conhecendo uma banda nova. O som é o esperado e o que nos acostumamos das bandas californianas do período. Muita melodia nas vozes, belos arranjos dos instrumentos e uma energia bastante positiva. Gostei de revisitar uma banda que há muito tempo não ouvia.

Nilo: Faz jus à capa. Outro disco sem grandes ambições além de juntar os amigos e fazer música, e tal proposta é bem cumprida. São 13 faixas de rock raiz, que olham tanto para o lado elétrico do blues como para a calmaria acústica do folk. É daqueles LPs pra se ouvir na vitrola do coroa, sentado numa cadeira de balanço no fim da tarde. Um acento psicodélico ronda os pouco mais de 30 minutos aqui, e pelo visto já servia como sinal para o que o estado metal do vocalista Alexander Spence….

Alisson: A ambição passa longe do objetivo do primeiro disco do Moby Grape (diferente do que skip Spence faria sozinho), mas como muitos discos de estreia, a ideia era mais se estabelecer com um disco coerente ou entregar um produto interessante para a gravadora. Nisso, esse disco cumpre os objetivos, mas não consegue ir além disso.

Adrian: Outra banda que não conhecia (não me julguem, ainda estou aprendendo rs). Mas é um rock’n’roll sessentista muito agradável de se ouvir. Como guitarrista (frustrado), algo que sempre presto mais atenção são os riffs e solos, e aqui tá recheado, portanto excelente, assim como os outros elementos da banda.

The Doors – The Doors (1967)
Recomendado por Davi Pascale

Quando foi jogado o tema, esse foi um dos primeiros álbuns que me veio à cabeça. Normalmente, procuro trazer para essa brincadeira álbuns não muito manjados, mas quando o tema foi disco de estreia, me pareceu obvio que seria interessante indicar alguém que conseguiu quebrar tudo já no primeiro disco. Tem muito artista que demora para criar uma identidade. O grupo de Jim Morrison foi o contrário. O primeiro disco já trazia um retrato de tudo que a banda representa. Textos elaborados, vocal hipnótico, teclados se sobressaindo, longas jams, flerte com outros gêneros. Inclusive, “Break On Through” foi inspirado na nossa bossa-nova (a levada de bateria, algo já reconhecido pelos músicos). Mais do que já ter uma identidade definida, diria que esse é seu trabalho definitivo. Embora goste dos demais álbuns produzidos na era Jim (em especial, Waiting For The Sun e Strange Days), se tivesse que indicar um álbum do grupo para quem nunca ouviu nada deles, entender o que significam, seria esse aqui. Como não bastasse, o repertório é repleto de clássicos como “Light My Fire”, “The End”, “Soul Kitchen”, “Back Door Man”, além da já citada “Break On Through”. Não tem nenhuma faixa ruim nesse disco. Trabalho perfeito. Clássico do The Doors, clássico do rock, clássico dos anos 60. Enfim, um álbum definitivo.

Ronaldo: Uma das estreias mais marcantes de toda a história do rock. O rock ficando cada vez mais ousado, ameaçador e misterioso. O som do órgão Vox, por influência de Ray Manzarek, seria a partir daí usado extensivamente no próximo par de anos, a delinquência e a afronta passariam a fazer parte cada vez mais do cardápio dos crooners e as escalas do blues continuariam sendo o passaporte para as viagens da psicodelia. Musicalmente há muitas inovações – harmônicas, rítmicas, em sonoridades e nas letras. Nem o próprio Doors conseguiria produzir algo tão importante depois dessa estreia.

Mairon: Aqui estão três grandes clássicos do rock, chamado “Break on Through (To The Other Side)”, “Light My Fire” e “The End”. Só por essas três faixas, o álbum já merece a recomendação. Mas há mais em The Doors. Canções como “I Looke at You”, “Soul Kitchen” e “Twientieth Century Fox”, marcaram o som dos teclados de Ray Manzarek como um dos mais relevantes para a comunidade flower-power, e as letras singelas, mas contagiantes, de Morrison. As baladas “End of the Night” e “The Crystal Ship” são feitas para arrancar lágrimas do busto roubado de Jim Morrison. “Alabama Song” e “Take it as it Comes” são para sair pulando pela casa, sem medo de bater em paredes ou derrubar as coisas. A versão de “Back Door Man” é pura chapação! Enfim, uma estreia fulminante, matadora, e que escrevi mais sobre essa obra-prima aqui. Belíssima recomendação!!!

Fernando: Aqui sim foi uma estreia de respeito. O Doors iniciou a carreira de forma arrasadora com clássicos atemporais como “Break On Through (To the Other Side)”, “Light My Fire” e “The End”. E não ficou só nisso, pois tem ainda músicas até esquecidas como a linda “Crystal Ship”. O nível ficou tão alto que fez a banda suar para manter o nível. E logo na capa o rosto em destaque de Jim Morrison mostrava quem era a figura central do grupo.

Alisson: A estreia do Doors sai do lugar comum em diversos sentidos. Ela vai na contramão ao entregador conteúdo completamente autoral, diferente dos vários covers de músicos blues que discos britânicos colocavam em seus discos. Segundo, que ele já deixa a marca registrada da banda de maneira definitiva, com seus longos ensaios improvisados, a sonoridade fortemente psicodelica e o lirismo acima da média de Jim Morrison. Até hoje não é meu favorito, mas sem esse, Strange Days (que ocupa esse posto) e os inúmeros seguidores do grupo, simplesmente não existiriam.

Nilo: Existe algo que ainda não tenha sido dito sobre este disco? Tenho preguiça da persona boêmio-messiânica do Morrison e, mesmo que os arranjos de Ray Manzarek amarrem os instrumentos (interessante notar que o teclado é tão etéreo quanto sustentação aqui) de forma eficiente, os timbres são magrinhos demais.Todavia, ninguém são vai negar que este é o início de uma das 3 bandas mais influentes do rock dos EUA. Outra delas também estreou em 1967, e até preferia que tivesse sido escolhida para tecer comentários mais elaborados aqui.

Adrian: Um digníssimo disco de estreia que bem parece uma coletânea de tão bom. Se “Break on Through” e “Light My Fire” que são as mais conhecidas pelo público já chamam a atenção, a excelente “Alabama Song”, a melancólica “Crystal Ship” e a épica “The End” também tem seu destaque, lançando ao mundo, o mito Jim Morrison.

Styx – Styx (1972)
Recomendado por Fernando Bueno

A primeira vez que ouvi o Styx foi um choque. O interesse pela banda foi pelo seu nome, já que a imagem de um rio do inferno é de algo tenebroso, misterioso, carrancudo e sisudo. Porém é exatamente o oposto da música do Styx e foi uma surpresa excelente. Conheci a banda pelo ótmo site Progarchives e também esperava algo mais sinfônico e o que ouvi foram excelentes músicas como muito apelo pop. A música da banda até chegou a ser um pouco mais pomposa ao longo do tempo, mas esse disco de estréia é um belo exemplo do que a banda fez, e muito bem, em sua carreira.

Ronaldo: Os primeiros minutos do disco de estreia do Styx podem passar a impressão de estarmos diante de um trabalho de hard rock tal como era a marca registrada do “early 70’s” – guitarras fortes, riffs inteligentes e uma cozinha poderosa. Contudo, a faixa de abertura mostra-se como uma suíte com construção inusitada, cheia de recortes e com uma boa dose de pompa e circunstância. Seu final traz todos os temperos progressivos daquela mesma época e o protagonismo dos teclados. O restante do disco passa por toda a riqueza musical do período, mostrando uma banda repleta de talentos instrumentais e com um faro enorme por melodias assobiáveis.

Mairon: Banda fantástica, renegada por muitos por conta das baladas que marcaram sua carreira, vide “Babe”, “Come Sail Away” e “Don’t Let It End”) ou de faixas mais pops, como “Blue Collar Man (Lonely Nights)” e “Too Much Time on My Hands”. Aqui é o Styx raiz, hardão setentista de primeira, misturado com progressivo a partir de uma cozinha fabulosa montada pelos irmãos Chuck (baixo) e John Panozzo (bateria), e com as guitarras de John Curulewski e James Young fazendo estripulias mágicas junto aos teclados de Dennis DeYoung. Há um certo ar de Deep Purple e Uriah Heep nas canções, mas nada que não traga uma originalidade animadora para 1972. Pelo contrário, “Right Away” parece ter sido uma força influenciadora do Purple para algumas faixas de Stormbringer, enquanto “Best Thing”, e os seus acordes de violão misturados com órgão, guitarra e altas vocalizações, eram um prenúncio – ou um contraponto – ao gigantismo de Magician’s Birthday. “After You Leave Me” poderia ser a balada do álbum, apesar de estar longe de ser algo se quer próximo disso – somente a melosa letra nos faz pensar assim – pois James Young e as vocalizações fazem brotar na cabeça aquela sensação de “coisa boa estar conhecendo algo novo”. “What Has Come Between Us” nos surpreende pelas variações (um início pesado, uma balada ao violão, um refrão grudento cheio de vocalizações e belos solos de guitarra). Falando em peso, “Quick is the Beat of My Heart” despeja potência sonora pelas caixas de som, sendo impossível não fazer um air keyboard durante o solo de hammond por DeYoung. O grande destaque é a sensacional suíte “Movement for the Common Man”, a qual ocupa quase todo o Lado A e é dividida em quatro partes, que já apresentam os vocais marcantes que consagrariam a banda anos depois, principalmente de DeYoung. Vocais estes que aliás, estão presentes em quase todo o álbum. Ótima indicação, e uma das minhas bandas favoritas, que comentei mais aqui.

Davi: Essa é uma banda que eu curto, mas nunca me aprofundei. Esse álbum mesmo, vergonhosamente, nunca havia escutado. A primeira faixa, “Movement For The Common Man” é espetacular. Gosto das mudanças de andamento, desde o início com uma sonoridade hard rock guiada pelas guitarras, passando por uma colagem de sons e chegando em uma passagem mais experimental na parte final. O solo de guitarra dessa canção é fantástico. “Right Away” também é muito boa, com uma pegada mais longe do progressivo e mais próxima do southern. Me remeteu um pouco às baladas do Lynyrd Skynyrd, mas é a única com essa atmosfera no álbum. A introdução de “What Has Come Between Us” me lembrou muito o Yes, a levada funky rock por trás de “Quick Is The Beat of My Heart” foi uma grata surpresa, assim como a versão de “After You Leave Me” do músico George Benson. Belo disco!

Nilo: Dentro do leque desta seleção, a maior qualidade da estreia do Styx é mostrar como uma banda pode evoluir. Embora não seja fã da mistura de AOR e progressivo que os consagrou nos discos seguintes, ao menos tal sonoridade exibe segurança; algo do tipo “É brega e pomposo? Sim, e azar o seu, vai ouvir na AM até enjoar!”. Dá pra dar um desconto e dizer que neste álbum aqui, poucas canções têm a assinatura dos integrantes. Não chega a aliviar a má impressão que fica após aguentar a faixa de abertura, com 13 minutos e recheada de cacoetes do prog, e nem dos sons hard rock mais curtos que seguem – igualmente insípidos.

Alisson: Não sei quem eram os músicos envolvidos no Styx na época, mas começar com um primeiro disco onde a primeira música possui 13 minutos de duração é corajoso. Enquanto não sendo uma das referências do AOR, o Styx emulava os principais chavões do hard rock e do progressivo do período, já com um pé no pop, bem evidente no foco excessivo nas melodias. Tudo redondinho, inofensivo, e nada memorável.

Adrian: Rock’n’Roll com boas doses de Progressivo, de boa qualidade (logo de cara uma faixa de 13min em um disco de estreia!!). Nunca dei muita atenção ao Styx, mas fiquei curioso em saber mais da banda. O instrumental é ótimo, com boas melodias e o vocal também me agradou. Aprovado!


Sarcófago – INRI (1987)
Recomendado Nilo Vieira

Creio que o maior mérito de grandes álbuns de estreia é conseguir traduzir o frescor da energia original do artista, independente de imaturidade artística ou condições técnicas desfavoráveis. Nesse sentido, não há melhor exemplo que I. N. R. I. A produção é precária. As letras são blasfêmias juvenis traduzidas em inglês raso. O instrumental é tão bruto que fica difícil classificar. E mesmo assim, não há como contrariar quão inovador e legítimo é o resultado final: quatro pé rapados de BH, logo após o fim da ditadura militar, criaram na raça uma música híbrida, que caiu como uma bomba na época. Um trabalho com muito mais atitude que a maioria dos discos nacionais elogiados daquela década, seu legado ainda ecoa forte Brasil afora. Ouso dizer que é o LP mais influente feito aqui nos anos 80, dada a repercussão internacional – até o Dead (Mayhem) tinha camiseta!

Ronaldo: Uma das coisas mais mal gravadas que já ouvi em toda a minha vida (e não foram poucas). Qualquer outro característica, positiva ou negativa, que o disco tenha fica nublada frente a uma gravação tão tacanha. Se isso foi de alguma forma proposital, meu desprezo por esse som aumenta em progressão geométrica.

Mairon: Um brasileiro que causou impacto no mundo inteiro é raro, ainda mais na cena metálica. I. N. R. I. é o bisavô de quase todo o black metal, com fortes influências de Celtic Frost e Slayer (“Nightmare” e “Ready to Fuck”), ou Possessed e Sodom (“Christ’s Death”, “Desecration of Virgin”, “The Last Slaughter” e a faixa-título) mas com o diferencial de não ter tanta técnica quanto os citados, Wagner “Antichrist” é o cara que consegue se destacar musicalmente, com um bom gutural. Acho a bateria muito mal tocada, e infelizmente, a produção abafou demais baixo e guitarra (pelo menos no link que peguei). De qualquer forma, é notável o estilo dos guris, principalmente “Deathrash”, “Satanic Lust” e “Satanas”. Não é algo que hoje eu aprecie, mas teve sua importância em 1987.

Davi: Essa é uma banda que a galera morre de amores e nunca consegui compreender a razão. Esse disco é o exemplo clássico de tudo o que havia de amadorismo na primeira cena de heavy do Brasil. Sem dúvida, existiam as exceções, mas eles não faziam parte desse território. Disco extremamente mal gravado, bateria martelada e sem a menor criatividade, trabalho vocal ruim, as letras são risíveis. Desde o texto tentando soar malvado, mas aparentando ter sido escrito por uma criança de 3 anos, até pela nítida falta de domínio da língua inglesa. É um marco dentro da cena (não sei como, mas conseguiu o feito), mas é um trabalho que vale conferir apenas pelo seu contexto histórico mesmo porque o trabalho musical, olha…

Fernando: Vou começar uma briga com os fãs do Sárcofago. Gosto muito do Laws of Scourage, já até escrevi sobre ele aqui na Consultoria do rock, mas os outros discos, mais diretos e sem o esmero que esse disco que citei tem, acho puro barulho. Sei que muita gente vai citar a já falada influencia que a banda teria sobre as bandas realmente importantes lá nos países nórdicos. Será que a importância foi tão grande assim?

Alisson: Antes de criticar a falta de esmero técnico e as letras simplórias (para não dizer amadoras) do primeiro disco do Sarcófago, é bom que se coloque em perspectiva o mundo em que esse disco saiu. Basicamente quatro adolescentes revoltados recém saídos de um duro regime militar com muita vontade de se fazerem ser notados. Essa vontade é sentida durante o disco todo. O que falta em técnica, sobra em brutalidade e chucrice, já que o som é tão básico e simples que soa enérgico e, por vezes, até sombrio. Se na época o disco era blasfemo desde a capa, servindo de influência até para a galera da Noruega, hoje ele soa mais como um grito de rebeldia e a vontade de uns garotos de fazer a diferença através da música.

Adrian: Nunca fui tão fã do Sarcófago, mas tenho que reconhecer o clássico e a importância da banda e desse disco para o Metal Brasileiro (e mineiro). Bruto, direto e sem frescura.


Demilich – Nespithe (1993)
Recomendado por Alisson Caetano

Um registro singular dentro da historia do Death metal, Nesphite permanece influenciando gerações, mesmo que nada se assemelhe em qualquer nível com o que está registrado neste que acabou sendo a única mostra de genialidade do grupo. Usando tempos estranhíssimos e dissonâncias de guitarra sem preocupações, Nesphite cria uma musicalidade abstrata, intensa e imersiva em níveis nunca vistos antes no estilo. Os vocais (que o encarte faz questão de ressaltar que foram feitos na raça, sem uso de efeitos digitais) aumentam o grau de estranheza enquanto as letras saem do lugar comum do gore tradicional para proferir histórias bizarras e surreais. Obra ímpar na história do estilo, continua irretocável, mesmo com anos de seu lançamento e tantas tentativas (muitas frustradas) de inovações de outras bandas.

Ronaldo: Do ponto de vista instrumental, o disco dos finlandeses do Demilich traz elementos bem interessantes e originais, aplicando atonalismos nos riffs, usando e abusando de muitas variações rítmicas de andamento e compasso. Mantém-se as características tétricas do heavy metal extremo, mas com um senso de urgência e uma matriz mais expandidas de climas e tensões nas músicas. Como de praxe nesse tipo de som, o disco é pessimamente gravado e todos os instrumentos parecem distantes do ouvinte. Mas nada se compara ao espanto causado pelo vocal, que realmente é horroroso e nos dá a impressão de que não deve ser nem levado em consideração.

Mairon: O bom de participar do Recomenda é que sempre aparece um disco que você dúvida que realmente foi lançado. Essa é daquelas bandas cujo logo você não consegue identificar o nome, e que faz um Death Metal bastante competente instrumentalmente. Realmente, as guitarras e a bateria são empolgantes. O problema é o vocal, o qual parece um lagarto falando, e não um ser humano cantando (talvez um ser humano arrotando seja uma boa descrição). Desculpe ao consultor, mas o nível mental para entender essa obra não foi alcançado por mim ainda …

Davi: Cara… De vez em quando vocês desencantam cada coisa que vou te contar. Não vou nem ficar citando música porque, para mim, todas as faixas possuem os mesmos defeitos. Mudança de andamento além da conta. Parece que os músicos estavam mais preocupados em demonstrar que sabiam tocar do que escrever algo realmente cativante. Ou então não conseguiram definir sobre o que trabalhar e o que não trabalhar na canção. Tenho que reconhecer que o guitarrista e o baterista, embora pentelhos, são bons músicos. A qualidade de gravação é meia bomba. O bumbo da bateria tem som de peido. E esse vocal chega a ser cômico. O cara quis soar como o demônio, mas parecia que estava arrotando uma lata de coca-cola. Muito fraco no gutural. Uma das piores coisas que já ouvi na vida.

Fernando: Nunca fui um fã de death metal. Só mais recentemente comecei a ouvir algumas bandas de black ou de thrash mais extremo que beiram o death. Mas alguma coisa nas bandas mais tradicionais dos estilos não me agrada. Outra coisa que costuma atrapalhar minha audição é quando associado aos termos e classificações de metal tem as palavras technical, math, crust entre outras. Parece que cria uma mensagem em meu cérebro dizendo de antemão que não vai me agradar. Porém o instrumental não se aproxima do nível que eu costumo não gostar e o que atrapalha aqui é mesmo a voz. O gutural do vocalista Antti Boman é tão propositalmente cavernoso que chega a ser até cômico. Imagino que deve ter feito bastante sucesso entre os fãs do estilo, mas me estranha em ser o único álbum da banda.

Nilo: O primeiro e último disco dos finlandeses é uma peça rara no death metal. Guitarras em afinação absurdamente baixa (em Lá, pra ser exato), vocais cavernosos profundos, riffs dissonantes, letras sobre experiências bizarras (incluindo relato sobre sentir vontade de vomitar e perceber que seu sistema digestivo, de repente, criou vida própria)… sábio o comentário que diz que “se você imaginar que são os integrantes da banda na capa, tudo fará mais sentido”. Permanece entre os trabalhos mais originais e copiados do estilo. Obrigatório para entusiastas do metal extremo!

Adrian: Não conhecia a banda, mas por esse álbum, gostei do que ouvi, apesar do vocal não me agradar muito, os riffs insanos e impossíveis de guitarra e instrumental bem tocado, compensam a audição. (Se os nomes gigantes das músicas foram feitos para dar aquela descontraída, foi uma boa sacada! Haha) Porrada na orêia!


Akashic – Timeless Realm (2000)
Recomendado por Adrian Dragassakis

De longe, o álbum mais recente de todos da lista (e até meio fora da curva), mas trata-se de um álbum de estreia de uma banda gaúcha que infelizmente não vingou. O som remete bastante ao Prog Metal do Symphony X, mas com grande personalidade. “Heaven’s Call” abre o disco já mostrando esse lado, enquanto “Dove” é uma das mais belas baladas que já ouvi. “Veiled Secrets” conclui o álbum, quase que como uma ponte para o álbum sucessor (A Brand New Day, que abre com a faixa “Revealed Secrets”). Ah, o guitarrista é o Marcos de Ros, hoje, youtuber e professor de guitarra.

Ronaldo: Eu cultivo uma teoria de que discos de estreia são interessantes, em sua maioria, por retratar toda a trajetória do músico antes dele ser de fato músico. É possível imaginar que para a maioria dos casos, as composições de um disco de estreia foram gestadas ao longo de toda a adolescência, durante muitos anos, até encontraram os elementos humanos e a estrutura necessária para saírem do campo das ideias e chegarem até um disco. Esse frescor se perde quase que imediatamente após o primeiro disco, no qual muitos outros fatores entram em jogo. Ao ver que essa banda brasileira foi fundada em 1988 e lançou a estreia apenas em 2000 essa imaginação fica ainda mais forte. O trabalho tem seus trunfos e um brilho especial no cenário do prog metal, apesar da produção modesta e do som abafado. Musicalmente, é um disco muito trabalhado e o instrumental virtuoso se acopla muito bem nas composições – existe uma coerência entre intenção e execução.

Mairon: Prog Metal não é o tipo de Heavy Metal que eu gosto, com excessos de virtuosismo e variações no estilo “orquestrais” dos sintetizadores. O vocalista lembrou muito Tony Martin, e me surpreendeu saber que a banda é daqui do Rio Grande do Sul, mais precisamente de Caxias. Apesar de não ser algo que eu aprecio, vejo qualidade musical dentro do estilo, principalmente no guitarrista Marcos de Ros. Se não fossem os teclados, seria bem melhor. De qualquer forma, um disco surpreendente!

Davi: O Akashic lançou esse debut no início dos anos 2000 e, na época, era considerado uma das grandes promessas da cena heavy brasileira. A jogada do Akashic era prog-metal, estilo que estava em destaque na época. A grande diferença entre os demais grupos brasileiros é que, enquanto seus colegas sonhavam em ser a versão brazuca do Dream Theater, eles queriam ser a versão brazuca do Symphony X. Marcos de Ros é considerado um dos destaques da cena brasileira atualmente e, aqui, já demonstrava um enorme domínio nas seis cordas. O trabalho vocal de Rafael Gubert não tinha a mesma força do vocal do Russell Allen, mas era satisfatório. Além de De Ros, o grande destaque do álbum fica por conta do tecladista Eder Bergozza e o ponto baixo fica pelo baterista Maurício Meinert (bem fraquinho). Era um grupo ok, mas faltava um pouco de personalidade e canções mais fortes. Faixas de destaque: “For Freedom”, “Salvation” e “Gates of Firmament”.

Fernando: Não conhecia a banda, nem de nome. As surpresas ficaram por conta do tempo que isso foi lançado, que era uma banda brasileira e com o Marcos De Ros na guitarra. Gostei muito do som, apesar de ter ouvido apenas uma vez, e achei bem na linha do que o Symphony X faz. Na época do lançamento eu era muito ligado ao metal progressivo e melódico e mesmo assim não fiquei sabendo dessa banda. Talvez tenha faltado um pouco mais de divulgação e acredito que esse motivo é que fez com que a banda tenha acabado 10 anos atrás. Muito potencial com pouca exposição.

Nilo: Me parece um trabalho que, acima de tudo, buscava cavar espaço na crescente cena prog nacional (uma demo homônima foi gravada no ano anterior). E não o faz com a intenção de reinventar a roda, o que pode não ser ruim. Pra quem é fã do estilo e/ou acha que o principal componente para boa música é a veia melódica, cá está um prato cheio. Caso contrário, fuja: tudo aqui é tão limpo (mesmo a distorção da guitarra é comportada) e correto (exceto as letras, em inglês bem básico – algo muito criticado no outro integrante br desta seção) que enjoa. Vocais melodramáticos estilo Symphony X e teclados muito plásticos à la Stratovarius na mix são os principais entraves. Inegável que são rapazes estudados e composições trabalhadas, mas não saberia apontar diferenciais perante outros grupos famosos e contemporâneos do estilo.

Alisson: Coincidentemente liberado no auge de interesse pelo metal progressivo nos anos 2000, Timeless Realm é só um monte de cacoete burocraticamente executado sem grande inspiração. Vale ressaltar que, se você é conivente com as letras desse disco, você não possui argumentos suficientes para criticar o I. N. R. I., do Sarcófago. Enquanto aquele ainda entrega algo blasfemo em tentativas inocentes, esse aqui só entrega algumas letras bobas de temática mais que rasa. Não sei como anda a situação da banda, mas espero que o guitarrista Marcos De Ros esteja se saindo melhor como youtuber do que como músico.

21 comentários

  1. André Kaminski

    Moby Grape… tá aí uma banda que ouvi pouquíssimo. Uma boa ideia ouvir hoje.

    Gosto do Akashic, mas só ouvi o disco seguinte deles “A Brand New Day”. Demilich eu baixei aqui e não lembro de ter ouvido, parece uma boa. Sarcófago não é muito do meu gosto. Styx eu não ouvi essa estreia. O Cream já falaram sobre esse disco muito melhor do que eu falaria, assim como o do The Doors.

    Eu recomendaria o primeiro do Scorpions que eu resenhei esses dias ou o primeiro do Asia Minor, um disco que mistura o prog sinfônico tradicional setentista com um tanto de música folclórica turca (e a banda em si surgiu na França).

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    • Mairon

      Chegou a ouvir André? O que achou? Se gostou, ouça também o Wow, Grape Jam e Live Grape!!

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  2. Diogo Bizotto

    Fácil fácil uma das melhores edições dessa seção. É bem mais interessante ver uma edição que traz maior familiaridade ao leitor, até pela temática muito ampla e tranquila. Apresentar coisas bem diferentes pode ser bom, mas em excesso traz desinteresse. Dos sete indicados, estou bem familiarizado com seis. Apenas nunca ouvi o Moby Grape, mas conheço a fama do grupo e tenho uma noção de sua sonoridade. Entre os seis que conheço, todos são no mínimo trabalhos bem feitos, dignos de mais de uma audição, isso sem falar em alguns clássicos citados. Mesmo o The Doors, banda pela qual não morro de amores, apresentou uma coleção muito memorável de faixas em sua estreia.

    Acho uma pena que o pessoal seja, na maioria, tão reticente em relação ao metal extremo. Sei que o Alisson às vezes dá uma abusada nas suas indicações, uma provocada mesmo, mas o Demilich apresenta, em seu único disco, um trabalho muitíssimo especial, peculiar mesmo, sem relação óbvia com alguma “escola” do death metal noventista. Diria que inclusive adiantou tendências que só se confirmariam anos depois. Quanto ao Sarcófago, bem, é toscão? As letras são juvenis? É tocado “nas coxas”? É claro que a resposta é “sim” para todas as perguntas, mas a soma de cada um desses detalhes, positivos, negativos e questionáveis, o tornam um dos álbuns mais importantes nessa era meio inocente, de meados dos anos 1980, quando o metal extremo ainda não estava bem definido em subestilos e muitas bandas faziam trabalhos que hoje em dia podem ser avaliados como uma mescla atoscalhada disso tudo. Bricando brincando, o Brasil teve sua importância nisso e “I.N.R.I.” é um grande expoente nesse cenário.

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    • El comentarista

      Boas palavras, Diogo. E há de se considerar que produção de alto nível, naquela época, era algo no alcance de poucos – e, bem, chegou uma época onde o próprio Sarcófago pirou tanto com lances de estúdio (vide a famigerada bateria programada) que ficou artificial.

      Espero que o sr esteja presente na próxima edição, por que a porradaria tá loooonge de acabar hahahaha

      Abraço!

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      • Diogo Bizotto

        Não estarei presente, mas espero que o metal extremo continue sendo representado. Desta vez foi muito bem representado. E bem lembrado, mesmo bandas de países com maior acesso a bons estúdios e técnicos capacitados ainda penavam com produções fracas nessa época. Ouçam “Obsessed By Cruelty”, do Sodom, e depois ouçam “I.N.R.I.” para terem uma ideia.

    • Mairon

      E aí Diogo, bora participar do Recomenda!! Teu disco que ia ser recomendado é ótimo!

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    • Ronaldo Rodrigues

      Ficou muito bom o texto mesmo, as indicações tb foram bem legais. É importante ter algo fora do óbvio, mas creio que a intenção da seção fica mais certeira quando aquilo que é mais representativo do tema de fato aparece.
      E Diogo, procuro escutar essas coisas de metal extremo com a maior boa vontade…mas é impossível também não analisar minimamente os aspectos técnicos da composição e da gravação tendo alguma noção disso e em boa parte dos casos as críticas são pra lá de merecidas nesses quesitos. Obviamente, que não é só isso que faz com que alguém goste de um som, mas de forma alguma eu desprezo que aprecia essas vertentes.
      Abraço,

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  3. El comentarista

    “Será que a importância foi tão grande assim?”

    Foi sim! O documentário “Ruído das Minas” dá uma noção boa sobre isso. E não foi só o pessoal da Inner Circle a reverenciar o Sarcófago: além da influência perdurar em território nacional, bandas como o Blasphemy utilizaram do disco como ponto de partida para o que ficou conhecido como “war metal”!

    “Muito fraco no gutural.”

    Pô, não gostar é perfeitamente compreensível. Mas chamar de “fraco” é apelação… é bem difícil atingir o nível de profundidade do Boman. Apesar do timbre ogro, requer muita técnica pra soar assim na raça!

    No mais, foi uma seleção diversificada (talvez não por estilo musical, mas pelos contextos de cada estreia) e justa. Pena que o disco do Suede caiu fora, tinha feito um comentário mó bonitinho sobre kkkkk não era amor, era cilada 🙁

    Até a próxima!

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    • Fernando Bueno

      Sem dúvida a banda é citada sempre quando os músicos nórdicos são entrevistados. Mas eu vi muito mais citações quando é uma revista ou entrevistador brasileiro. Isso acaba influenciando.

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  4. Mairon

    Ótimas indicações no início. As do fim nem tanto. Mas tem muito comentário aí que valeram mais do que os discos, hehehehehe.

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    • Mairon

      Adoro a banda!! Uma das melhores!! Mas não me passou indicar ela. De cara pensei no Grape!!

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      • Diogo Bizotto

        O Sergio Alpendre que me perdoe (ouvi esse PoeiraCast e foi ele que formulou essa ideia), mas esse papo de discos pares do Styx é uma balela sem tamanho, e nem digo por causa do primeiro. Além de eu ter me apaixonado pela banda com “Equinox” (quinto), seu melhor disco é “The Grand Illusion” (sétimo), um bom degrau acima de “Pieces of Eight”. Aliás, sozinha, a sequência “Man in the Wilderness” e “Castle Walls” detona com as bases dessa mística barata.

    • Ronaldo Rodrigues

      Eu tb! mas quando vi o Moby Grape já matei a charada! da California, acho que tem várias estreias emblemáticas naqueles anos 60 – se eu fosse colocar alguma, mandaria a do Quicksilver Messenger Service, que acho seminal!

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      • Fernando Bueno

        Pensei no Styx por um motivo. No PoeiraCast, num dos primeiros, falaram sobre a banda e sobre a maior relevância dos “discos pares” da banda. Porém o primeiro seria a exceção que confirmaria a regra. Pensei no primeiro do Sabbath, no primeiro do Led, no primeiro do Maiden… Mas quis variar um pouco mais.

  5. Davi Pascale

    “Até o Dead (Mayhem) tinha camiseta”. Até aí… O Edgard Vivar tem camiseta do Sepultura.

    5 segundos de Sr. Barriga no Chaves >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Qualquer coisa gravada pelo Mayhem.

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    • El comentarista

      Ih rapazeada, chegou o ouvidos de porcelana :p

      Bootlegs do Mayhem >>>>>>>>>> a discografia do Kiss

      <3

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      • davipascale

        Kkkk Achou que ia me incomodar com o comentário do Kiss. Não estou nem aí kkkkkkkkkkk

        Gosto de som pesado, mas bem feito, né? Pantera, Slayer, Korzus, Sepultura, Kreator, acho muito bom. Mas Mayhem e Sarcófago não dá. Muito ruim!

      • El comentarista

        Não, amigo, foi na brincadeira! Tanto que botei um corasebo ali embaixo (e caretinha acima). Gosto do Kiss até 77 hahah

        E bem, apesar de Mayhem e Sarcófago não serem chegados em grandes produções, não é como se habitassem um universo totalmente oposto das que você citou aí hehe (o Morbid Visions que o diga!) enfim… #aguarde

  6. Ronaldo Rodrigues

    Fazia algum tempo que eu não ouvia a estreia do Moby Grape e foi ótimo tê-lo feito pra resenhar. Disco sensacional!

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