Discografias Comentadas : Moby Grape

12 de junho, 2011 | por Mairon
Discografias Comentadas
8

Skip Spence, Bob Mosley, Jerry Miller, Don Stevenson e Peter Lewis
Por Mairon Machado
Extravagância, erros de produção, exageros individuais, prisões, escândalos, pedofilia, sucesso rápido e declínio vertiginoso, carreiras destruídas por drogas, ídolos esquizofrênicos e completamente insanos, tudo isso e muito mais acabou sendo misturado para formar a melhor banda de San Francisco. Estamos falando do Moby Grape, talvez o grupo mais importante já surgido nos Estados Unidos.
Com uma carreira repleta de baixos, e mais baixos ainda, não por questões musicais, mas sim pelos diversos conflitos entre grupo, gravadora, empresário e as drogas, o Moby Grape lançou, entre suas idas e vindas, oito álbuns, sendo seis de estúdio e dois ao vivo somente com músicas inéditas. Tendo na sua formação principal três guitarristas (Skip Spence, Peter Lewis e Jerry Miller), mais o baixista Bob Mosley e o baterista Don Stevenson, o grupo influenciou nomes como Led Zeppelin (principalmente Robert Plant), Free e Doobie Brothers, foi responsável direto pelo surgimento de bandas como Poco, Eagles e Dire Straits e virou ícone para Michael Stipe, líder do REM. 
Formado em 1965, sendo a formação citada acima a primeira de muitas, o Moby Grape revolucionou o rock, apresentando cinco membros que cantavam maravilhosamente bem (sendo o baterista o principal vocalista) e sendo o primeiro a fazer muitas coisas que hoje são comuns no mundo da música, além de ter sido pioneiro ao empregar fortemente o country em suas canções (dando origem ao country rock), fazer discos extremamente versáteis, que iam do blues ao psicodelismo naturalmente, e ser a primeira banda a dar aos fãs um disco bônus, em 1968. Para os desinformados, Jerry Miller é simplesmente o cara que mudou a forma de tocar de Jimi Hendrix, ensinando-o tudo o que ele precisava fazer com a guitarra e com a produção das canções ainda em 1964, que o tornaram depois o Deus Negro do instrumento.
Então, vamos saborear a geleia de uva dos nove LPs do grupo (oito oficiais e mais o LP bônus)
Moby Grape [1967]
A estreia do Moby Grape é praticamente perfeita. Com um contrato de cinco anos com a gravadora Columbia, o grupo fez um álbum repleto de clássicos. Desde a abertura com o boogie de “Hey Grandma“, até o encerramento com “Indifference”, podemos perceber quão avançados eram Miller, Lewis, Spence, Stevenson e Mosley tanto do ponto de vista vocal quanto do ponto de vista instrumental. Desconsiderando a vinheta “Naked, If I Want To”, Moby Grape é composto de canções lindamente trabalhadas (“Someday”, “Sitting by the Window“), rock típico da Califórnia (“Fall on You”, “Mr. Blues” e “Come in the Morning“), country-rock (“8:05“, “Ain’t No Use”), jazz (“Someday”) e rock pesado (“Changes”, “Lazy Me”) misturam-se em uma receita única, que deu certo por que a versatilidade de cada membro foi fundida em uma panela mágica que cozinhou cada canção com um tempero mais que especial. Destaque maior para a viajante “Omaha“, uma espetacular faixa que revela ao mundo o talento de um gênio indomável, Skip Spence, através de um ácido punk onde os solos individuais das guitarras de Miller e Lewis mostravam para Cream e Experience como destruir o mundo com solos de guitarra sem esforçar-se em longos minutos. A versão original de Moby Grape vinha acompanhada de um pôster gigantesco com a mesma foto da capa. Aliás, a capa original acabou sendo proibida, já que nela, Stevenson aparece com o dedo médio erguido em posição ofensiva, sendo este dedo banido nas capas posteriores, em um grotesco corte. A festa de lançamento do álbum foi cercada de polêmicas e prisões que abalariam o resto da carreira do grupo, uma grande injustiça para uma banda tão importante, que não se entregou com tudo o que ocorreu naquela noite e também com o boicote que o empresário Matthew Katz e a gravadora Columbia Records começaram a fazer depois. Moby Grape é essencial, eleito pela crítica especializada o melhor do grupo, mas o quinteto estava apenas começando sua carreira, e tinha muito mais para dar.

Wow [1968]

Gravado durante um exílio em Nova Iorque, onde Spence pirou com as drogas, chegando ao ponto de tentar matar seu colega de seis cordas Peter Lewis a machadadas, levando Peter a sair da banda pouco antes do término das gravações, esse é o mais ousado LP da carreira da banda tanto musicalmente quando artisticamente. Falando primeiro da música, o Moby Grape contratou uma orquestra de cordas e metais para participar das lindas composições do quinteto, utilizando de muitas experimentações sonoras como buzinas e outros elementos percussivos, em uma espécie de Pet Sounds do grupo, que acabaram sendo massacradas pela crítica. As  orquestrações podem ser conferidas nas lindas baladas “The Place and the Time”, “Three Four”, “Bitter Wind” e “He”, essa uma das mais bonitas canções da história, com um arranjo vocal impecável. As experimentações sonoras tem destaque no rockzão de “Motorcycle-Irene” e no engraçado country de “Funky-Tunk“. O grupo capricha em ótimos rocks, destacando o duelo de metais e guitarra em “Can’t Be So Bad“, os pesados riffs de “Murder in My Heart for the Judge” e a versão elétrica de “Naked, If I Want To”. O psicodelismo também está presente, com “Rose Colored Eyes”, e a penúltima faixa do LP foi destinada para a melhor canção de Wow, talvez da carreira do grupo, e certamente, entre os 5 melhores blues da história: “Miller’s Blues“. Um blues sensacional que coloca a casa abaixo logo na introdução, com o belíssimo solo de guitarra e metais. Spence no piano e Miller nas guitarras dão show, e o naipe de metais é algo quase inexplicável de tão genial e belo, acompanhado pela excelente levada da canção. Não é a toa  que Led Zeppelin, Taste e Free beberam na fonte bluesística do Moby Grape anos depois. Ouçam o duelo de guitarras e metais e segurem o balanço do corpo. Sobre o lado artístico, o grupo apresentava inserido no LP de 33 1/3 rpm uma faixa que só pode ser ouvida em 78 rpm, “Just Like Gene Autry: A Foxtrot“, uma homenagem feita por Spence ao jazz dos anos 20, e que só foi conferida pelos fãs que não tem um toca-discos de 78 rpm quando saiu a versão em CD. Mesmo com as críticas negativas da imprensa, que torceu o nariz para as orquestrações e experiências sonoras, a maioria dos fãs veneram o disco, sendo que eu particularmente considero como o forte candidato a melhor do grupo, bem a frente de seu ótimo álbum de estreia. Wow ainda trazia mais uma surpresa: o primeiro disco bônus da história do rock, Grape Jam.

Grape Jam [1968]

Quando o fã do Moby Grape adquiria o LP de Wow, ele recebia junto um LP bônus, apresentando sessões de improvisos que o quarteto remanescente (sem Lewis) fez durante as gravações de Wow. Aproveitando a presença dos pianistas Al Kooper e Mike Bloomfield em duas canções, Miller, Spence, Mosley e Stevenson gravaram cinco improvisos que, em um clima de total descontração, são excelentes complementos para a aula musical do LP principal. Desde a abertura com outro lindo blues, “Never“, até o encerramento com “The Lake”, repleta de improvisos com o órgão elétrico de Spence e vozes sussuradas apresentando o poema de um fã do grupo, em uma viajante canção com muitos efeitos sonoros, destacando a cítara e a distorção nos vocais, Grape Jam é puro feeling e demonstrações do tipo “olha o que podemos fazer quando estamos a vontade”. A longa “Marmalade” é uma incrível improvisação, com Bloomfield fazendo solos complicados no piano, mas em perfeita harmonia com os ácidos solos de Miller. “Boysenberry Jam” é uma improvisação de Spence ao piano, em seis delirantes minutos de um grande funk, enquanto “Black Currant Jam“, contando com Al Kooper, é um blues embalado, com um excelente solo do pianista. O grande destaque é realmente “Never”, um blues triste, pesado, cuja melodia e parte inicial da letra foram posteriormente chupadas pelo Led Zeppelin em “Since I’ve Been Loving You”, e que assim como “Miller’s Blues”, mostra toda a potencialidade de Miller, um dos maiores guitarristas da história, com um solo que faz a guitarra simplesmente chorar.

’69 [1969]

Spence abusou demais das drogas e das loucuras, e a solução foi despedir seu principal fundador (igualmente como o Pink Floyd fez com Syd Barret). Com Spence sendo tratado para curar sua loucura, que não parava de piorar por causa do forte abuso de drogas, Lewis foi chamado novamente, mesmo começando a sofrer com problemas psíquicos. O grupo isolou-se no interior da Califórnia para mais uma vez fazer uma revolução. Em ’69, mostram ao mundo que o country também pode ser tocado por uma banda de rock, sendo pioneiro no que foi designado posteriormente por country-rock. Totalmente diferente de seus dois “megalomaníacos” álbuns anteriores, este é um álbum muito leve, como mostram os boogies de “Ooh Mama Ooh” (com um show de vocalizações) e “Hoochie”, as baladas country “Ain’t That a Shame“, “It’s a Beautiful Day Today” e “If You Can’t Learn from My Mistakes”, e as lindas “What’s to Choose” e  “I am Not Willing“, essa uma verdadeira balada comandada por piano e com Miller mostrando seus dotes também na steel guitar. O rock’n’roll puro aparece timidamente em “Trucking Man“, “Captain Nemo” e “Going Nowhere”. Destaque maior para “Seeing“, composta por Spence e que ficou fora de Wow, em um ritmo leve que vai crescendo com a entrada da bateria e do baixo, transformando-se em um dos mais pesados rocks do Moby Grape. ’69 foi um fracasso de vendas, mas sua importância musical foi fundamental para Don Henley (Eagles), Mark Knopfler (Dire Straits), Jim Messina (Poco) e tantos outros, encontrar a inspiração e fazer de suas bandas as melhores no estilo.

Truly Fine Citizen [1969]

Mosley brigou com todo mundo e largou a barca, indo para a Marinha americana, onde foi diagnosticado com esquizofrenia. Como o contrato com a Capitol exigia mais um disco, Lewis, Miller e Stevenson foram forçados a fazer mais um álbum. Chamando o baixista Bob Moore, foram para as três datas disponibilizadas pela gravadora e registraram uma sequência mediana para ’69. Ao lado do produtor Bob Johnston (Johnny Cash, Leonard Cohen, Willie Nelson), Truly Fine Citizen começa bem agitado, com “Looper” e a faixa-título, mergulhando em canções suaves como “Beautiful is Beautiful“, “Love Song” (parte 1 e parte 2), e o country de “Right Before My Eyes” e “Treat Me Bad”. Os maiores destaques vão para “Open Up Your Heart”, que lembra muito as canções de Wow, com ótimas vocalizações, “Tongue-Tied”, composta por Miller em parceria com Spence, e com Miller solando muito, e a doideira de “Now I Know High”, uma pseudo-balada repleta de solos de guitarra. Depois desse, o grupo encerrou as atividades, mas não por muito tempo.

20 Granite Creek [1971]

Esse é um daqueles discos com uma música que é tão boa, mas tão boa, que as demais mesmo sendo boas acabam parecendo ruins. O produtor David Rubinson (responsável pela produção de todos os LPs da era Columbia) conseguiu um contrato com a gravadora Reprise no mesmo período que Spence estava saindo do hospício. A formação original se reunia depois de três anos, adicionada de Gordon Stevens na viola, dobro e mandolim. Contando com a participação do próprio Rubinson no piano e Andy Narell na percussão, este é o álbum com mais canções country: “I’m the Kind of Man that Baby You Can Trust” (e sua parte final bem bluesística); “About Time”; “Apocalypse”, “Roundhouse Blues” e “Ode to the Man at the End of the Bar” (essa com a participação de Jeffrey Cohen no baixo e Mosley tocando bateria) são as representantes do estilo. Mas 20 Granite Creek conta ainda com bons rocks, como “Goin’ Down to Texas” e “Horse Out in the Rain” ou os boogies de “Gypsy Wedding” e “Road to the Sun”. O grupo ainda apresenta uma novidade em suas canções, o funk Motowniano de “Wilds Oats Moan”. Porém, todas elas juntas não conseguem superar a abertura do lado B. Única faixa que conta com a participação de Spence, “Chinese Song” coloca tudo o que você ouviu até o momento para o ar. Sua beleza acaba sendo um brilho ofuscante para as demais, tamanha a profundidade alcançada por mais uma grande composição de Spence, mostrando que mesmo sofrendo de excessos de loucura, ainda fazia as melhores canções do grupo. Comandando o koto (instrumento japonês), Spence cria o riff mais bonito da carreira do Moby Grape, e a canção é construída em seus cinco maravilhosos minutos instrumentais em cima desse embriagante riff, de forma suave, calma e relaxante. O clima zen da canção é fantástico, e apenas ela vale as doletas investidas no vinil /CD. Digna canção para ser uma maravilha prog. Depois disso, o Moby Grape novamente se separou, com Spence voltando a piorar e Mosley começando a sofrer suas instabilidades emocionais, que o levaram também a loucura anos depois. Mas a carreira não pararia por ai.

Live Grape [1978]

Apesar de não conter o nome do grupo na capa, devido à problemas judiciais, esse é sim um álbum do Moby Grape. Na verdade, não é apenas um álbum, mas o melhor álbum da carreira do grupo. Depois de seis anos afastados, onde Spence passou por uma sessão de exorcismo, chegou a morrer e no necrotério acabou ressucitando, para dias depois tentar novamente matar Lewis, a dupla Lewis e Spence, mais Miller, o ex-Doobie Brothers Cornelius Bumpus (teclados, saxofone), o baterista John Oxendine e o baixista Chris Powell se reuniram para mais uma vez resgatar Spence do Limbo. Mosley não pode participar do retorno, já que estava ao lado de Neil Young no The Ducks, e Stevenson estava ocupando trabalhando com compra e vendas de ações. Fazendo uma série de shows pela Califórnia, e que foram registrados pela Escape Records, esse é o mais versátil LP do grupo. Apenas com canções inéditas, Live Grape contém country (“Here I Sit” e “Love You So Much”), psicodelismo (“The Lost Horizon”), boogies estonteantes (“Your Rider” e “Must Be Goin’ Now Dear”, essa última com um excelente duelo de guitarras), jazz (“Set Me Down Easy”) e rock californiano (“Up in the Air”). Os melhores momentos são daqueles para ficar dias ouvindo. Eles estão no excelente funk de “You Got Everything I Need”, a melhor do LP, com um longuíssimo solo de Bumpus tanto no sax quanto no órgão, além de Miller tocando muito no seu solo, e nos blues de “Honky Tonk”, com outro espetáculo no duelo entre Miller e Spence, bem como um lindo solo de sax, que é o orgasmo da canção, e na fantástica “Cuttin’ In”, que desce suave como um uísque 15 anos em um dia frio, tendo cada nota do excelente solo de Miller aquecendo seu corpo à temperaturas elevadas. Essa é para os fãs de Stevie Ray Vaughan, onde eu sugiro que fechem os olhos e compreendam por que o guitarrista era tão influenciado em Jimi Hendrix, já que Miller demonstra por que ele era o professor de Hendrix, deixando claro que tudo o que o Deus Negro da guitarra tentava fazer no palco era imitar os solos do guitarrista do Moby Grape. Não é necessário dizer que Spence novamente surtou, e de novo, o grupo encerrou as atividades.

’84 [1984]

Depois de quinze anos em litígio com o ex-empresário Matthew Katz, onde inclusive um Moby Grape falso foi criado, uma trégua na briga entre os dois acontece, através da proposta de gravação de um álbum. ’84 (também conhecido como Heart Album) reuniu os membros da formação original (sem Skip) em canções medianas, que tentam adaptar a sonoridade sessentista aos anos 80, principalmente com a inclusão de sintetizadores e distorção. A abertura com “Silver Wheels” e “Better Day” é um dos grandes momentos do álbum, assim como o boogie de “Too Old to Boogie”, os rocks de “Sitting and Watching” e “Suzzam” e a belíssima “Queen of the Crow“, mas existem deslizes em “Hard Road to Follow”, “Think It Over”, “I Didn’t Lie to You” e “American Dream”, muito anos 80 para meu gosto. O country-rock ainda está presente, dessa vez em “City Lights“. Além disso, ’84 conta com uma vinheta chamada “Reprise” que não diz para que veio. Destaque maior para a recriação de “Lost Horizon”, repleta de distorções mas mantendo as linhas vocais de sua versão original. O álbum não pegou, as brigas entre Katz e grupo continuaram, e ’84 se tornou o mais raro LP da carreira da banda, mas não o último.

Legendary Grape [1989]

Lançado originalmente apenas em cassete, numa tiragem de 500 cópias, escondido sob o nome The Melvilles, esse álbum só foi reconhecido como um álbum do Moby Grape em 2003, quando ganhou sua versão digitalizada. Os cinco membros haviam se reunido para angariar fundos para o tratamento de Spence e Mosley (que também foi diagnosticado com esquizofrenia), e com a adição de Dan Abernathy nas guitarras, registraram um álbum muito bom, gravado ao vivo nos estúdios, com pouquíssimos ensaios e aonde Spence foi creditado como tocando atmosfera e inspiração. “Give it Hell”, “On the Dime”, “Lady of the Night”, “All My Life” e “Talk About Love” são canções pesadas, com um show de vocalizações que mostram novamente por que o Moby Grape foi um dos melhores grupos vocais da história. Há ainda leves canções, como “Bitter Wind in Tanganikya”, “Nightime Ride” e “You’ll Never Know”, o funk de “You Can Depend on Me” e a leve derrapada em “Took it all Away, que não atrapalha em nada nesse que foi o último lançamento do grupo, e que está na minha lista dos cinco melhores (atrás de Live Grape, Wow, Grape Jam e Moby Grape).

Como complemento, Skip não aguentou a sequência de tratamentos e faleceu em 1999 vítima de câncer no pulmão. O Moby Grape permanece fazendo shows nos dias de hoje, sem a pretensão de gravar discos, apenas trazendo aos novos e velhos fãs as canções que marcaram sua carreira e sempre homenageando seu principal fundador, Skip Spence, já que o filho de Skip, Omar Spence, tem participado da maioria dos shows tocando guitarra.



8 Comentarios

  1. Grande Mairon!
    blz de texto sobre o Moby Grape, conheço apenas o primeiro, que acho muito bom msm, e o 20 granite creek, disco que já ouvi algumas vezes e sempre passou batido, nunca me despertou emoção nenhuma. Esse disco de jams já ouvi tb, mas não me lembro muito bem, somente da Boesenberry Jam, uma baita sonzeira. Agora, cara, Jimi Hendrix tentar imitar o Jerry Miller, caramba…essa foi inédita. Tem certeza msm que vc acha isso? kkkkk!! olha a polêmica hein man?! vou escutar novamente pra tentar captar isso.
    Abraço!!
    Ronaldo

  2. Grande Ronaldo

    Pois é, na verdade é polêmico mesmo. só que pelas pesquisas que fiz, todos os textos ligados a Miller indicam que entre 1962 e 1965 ele fez muitas apresentações em Seattle, e que lá, um jovem guitarrista negro passou a acompanhá-lo aonde fosse, chegando inclusive a fazer diversas "jams sessions" com Miller. Miller simpatizou-se com o menino e começou a ensinar técnicas de gravação e também de tocar. O menino era Hendrix! Prestando atenção nos solos de Miller (principalmente nas bluesísticas canções do Moby Grape) daí fica claro que o Hendrix fazia muita coisa igual. Só que com uma diferença bem obvia, o Hendrix usava muito mais distorção que o Miller. Mas as escalas, a maneira de tocar, e talvez até a apropriada intervenção de acordes com arpejos, creio que certamente o Hendrix foi influenciado pelo Miller. É dificil reconhecermos isso pq Hendrix veio primeiro para 99% as pessoas, mas na verdade o Miller já fazia misérias na guitarra quando Hendrix ainda estava com o Little Richard

    Nem Chinese Song te agrada do 20 Granite Creek? Será que só eu acho essa musica um espetaculo sonoro?

    Abração

  3. Aos que tiverem interesse/curiosidade em conhecer um pouco mais da historia do grupo, o bau do mairon tem duas materias sobre a banda

    http://baudomairon.blogspot.com/

    Abraços

  4. "…onde Spence passou por uma sessão de exorcismo, chegou a morrer e no necrotério acabou ressucitando, para dias depois tentar novamente matar Lewis…" WTFF?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!
    Por um instante achei que tivesse lendo o Medo B ou otro blog de terror e não o Consultoria do Rock!
    Moby Grape é uma banda que tô devendo ouvir há teeeeeempos. Essa discografia comentada foi decisiva! Vou pegar e não é só o primeiro, como eu poderia ter feito..

  5. Groucho, essa historia do exorcismo do Spence é muito bizarra. Coloquei um pouco do que aconteceu no bau do mairon, mas para encurtar caminho, coloco aqui os fatos como foram narrados por Peter Lewis (espero que sejas bom em ingles)

  6. The last really profound thing that happened to the band was when I took Skippy to get an exorcism. Skippy was just hanging around. He hadn't been all there for years, because he'd been into heroin all that time. In fact he actually ODed once and they had him in the morgue in San Jose with a tag on his toe. All of a sudden he got up and asked for a glass of water. Now he was snortin' big clumps of coke, and nothing would happen to him. We couldn't have him around because he'd be pacing the room, describing axe murders. So we got him a little place of his own. He had a little white rat named Oswald that would snort coke too. He'd never washed his dishes, and he'd try to get these little grammar school girls to go into the house with him. He was real bad. One of the parents finally called the cops, and they took him to the County Mental Health Hospital in Santa Cruz. Where they immediately lost him, and he turned up days later in the women's ward. When you put Skippy with crazy people, he's like god – real powerful. Even at his weakest he can really fuck with you, mentally. It's the same thing that made him so loveable when I first met him. He could look in your eyes and play these things on the guitar that only he could think up. It was super-cool.

    Through my dad, who'd become a born-again Christian, I'd met these monks in Lucia, above Big Sur, who were really serious about rational metaphysics. Their faith beyond reason overwhelms you every time. Since the doctors couldn't help Skippy – they kept objectifying his problem: "He's a paranoid schizophrenic" – and were never going to heal him – all they were interested in was keeping him out of McDonald's with a machine gun – it was the only place I could think of to take him. So I get him in this little car, driving down Highway One (the Pacific Coast Highway). He's asleep in the back seat and I'm getting really freaked out and started thinking the only reason he came back from the dead at the morgue was to get me, right? The closer I got to the monastery, the worse it got. We pulled up outside these little cells – they knew I was coming – and I woke him up. He went into one and I went into another, real late at night, with no sound.

  7. I started dreaming there was an angel who pulled back the curtain, and I could hear this terrible cracking and flashes of light and screaming from the next cell, and the sound of somebody being thrown up against the wall. It was like something out of The Exorcist, and I got real scared. I'd been scared of Skippy anyway since they locked him up in the Tombs. He'd been a nice guy before, but afterwards he'd sit there and snarl. So I had to control my fear to keep him from coming in after me. The next morning I went out in the courtyard, and Skippy was the same guy I'd first met in San Francisco – absolutely lucid, nothing wrong with him at all. We went and had lunch at this place at the bottom of the hill. But as the night came he began to slip back.

    That's when they told us we had to leave because they'd heard what went on the night before. "You'll have to go," one of the monks told us. "Don't touch him, don't stop the car and don't give in to your fear. I'll be praying for you." So we started driving away, and I was scared to death. Halfway down the hill he started to snarl like a dog and he came across the front seat and tried to strangle me. His hands were around my neck, while I'm trying to drive on this winding little road. But I controlled my fear and wouldn't let him have power over me. Soon as my fear started to subside I got angry, and then he'd get afraid and start whimpering. The more afraid he got the angrier I got. All of a sudden I heard voices telling me to stop the car and kill him. And I recognized that as the voice of Satan. So now I'm turning into him. Then I get afraid again, and he starts getting angry and coming across the car at me. It goes on like that for as long as it takes you to drive from Lucia to San Jose (about two hours). It was the most insane thing I've ever been through. By the time we got back to San Jose I was talking normal to him, just like that morning. And that was the end of Skippy's demonic phase.

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