Por Fernando Bueno

O Tribulation apareceu para mim de um modo que nem me lembro muito bem como foi. Mas foi um daqueles discos – no caso foi o The Children of the Night – que nós acabamos ouvindo aleatoriamente depois de olhar a capa – muito adequada, por sinal –, porque o Youtube indicou ou por indicação de algum amigo das redes sociais. Os suecos (sempre eles) acabaram de lançar um novo álbum Down Below, com grandes chances de entrar em várias listas de melhores do ano lá em dezembro e que ouvi bastante nesses últimos meses fazendo eu ficar preso à banda por dias e dias. Isso me fez reouvir o disco anterior The Children of the Night, que vai ser o tema desse texto e foi incluído na minha lista de melhores do ano de 2015, e os outros dois já lançados pelo Tribulation. Mas antes de falar do disco em questão, um rápido resumo sobre a banda.

Johaness Andersson, Adam Zaars, Jonathan Hultén e Jakob Ljungberg

Formado em 2004, o Tribulation lançou já no ano seguinte uma demo chamada The Ascending Dead e no ano seguinte o EP de quatro faixas Putrid Rebirth. Esses lançamentos talvez não tenham sido bem aceitos, já que seu primeiro álbum, The Horror, sairia somente em 2009 e por um selo de Singapura. É curioso que em um país como a Suécia, onde boas bandas crescem em árvores, eles não conseguiram estimular alguém para assinar um contrato. Para quem, assim como eu, conheceu o grupo por seus álbuns mais recentes vai estranhar a crueza de The Horror. O death/black metal aqui era mais puro e algumas doses a mais de thrash metal foram acrescentadas ao caldeirão do Tribulation em The Formulas of Death (2013), que é ao meu ver o disco que os colocou no trilho do que que a banda ser tornaria. Para situar melhor o leitor diria que a banda segue bastante a linha do Dissection. Talvez nesse longo tempo entre o debut e a sequência tenham sido determinantes para que a banda apurasse suas influências, que devem ser bastante amplas, basta saber que Adam Zaars, guitarrista fundador do grupo foi por cinco anos membro do Enforcer, banda de heavy metal tradicional bastante conhecida por aqui. Também foi membro do Repugnant que, para quem não conhece, foi a primeira banda do então baixista Tobias Forge, hoje vocalista do já conhecidíssimo Ghost. Aliás, o baterista Jakob Ljungberg que entrou um ano antes do segundo disco também teve uma passagem pelo Enforcer. Completam a banda o guitarrista Jonathan Hultén e Johaness Andersson no baixo e voz. Todos eles passaram por outras bandas menores antes do Tribulation o que nos diz que eles trouxeram bastante experiência para a banda.

Em The Children of the Night os suecos acrescentaram ainda mais elementos em seu som. Diminuíram a velocidade em alguns momentos, acrescentaram climas, instrumentos diferentes – até xilofone – e, apesar de manter a crueza, muita melodia. A bateria por exemplo não faz uma só sequencia de blast beats, o que era bastante frequente nos discos anteriores. Já em “Strange Gateways Beckon” podemos perceber alguns teclados fazendo um clima carrancudo, que vai te dar a tônica do disco como um todo. Em “Melancholia”, talvez a faixa principal do álbum, uma guitarra heavy tradicional acompanha a música toda dando uma dinâmica muito interessante. Essa música foi lançada um ano depois como tema de um EP, ou mini-CD, com mais duas versões remix da própria música, algumas faixas em versão demo de músicas que entraram no disco e uma inédita. Por isso que entendo ela ser a principal faixa do disco já que a banda mesmo deu destaque à ela. “In the Dreams of the Dead”, a mais direta até então, também rapidamente se torna uma das preferidas do ouvinte, com destaque para o solo que vai até quase o fim da música. Já os riffs de “Winds” nos traz a impressão que eles passaram alguns dias ensaiando junto do Amon Amarth.

A instrumental “Själaflykt” – que segundo o Google Translator significa algo como ‘fuga da alma’ ou ‘alma em fuga’ – aumenta o tom sombrio do disco. O clima de horror gótico que permeia o álbum como um todo te faz ficar no clima de ouví-lo sempre do começo ao fim como se estivesse assistindo um filme. Outro ponto alto do disco é “The Motherhood of God”, que tem um dedilhado quase sem distorção fazendo a melodia do que podemos entender como refrão da música. Na parte final um trecho que me parece até as dobras de guitarra de alguma música do Iron Maiden. “Strains of Horror” é a que mais se aproxima ao black metal cavernoso que muitas bandas suecas sabem fazer muito bem. “Holy Libations” tem um riff progressivo e solo bastante marcante. Outra instrumental “Cauda Pavonis” é quase um trilha sonora de filme de terror/suspense. Por fim, “Music From the Other”, que a exemplo de “Strains of Horror” seria um black metal típico se não fossem as melodias de guitarras que mudam totalmente o clima da faixa. A versão que tenho tem duas faixas bônus – “One Hundred Years” e “Laudanum Dreams” – que mantém a qualidade das músicas regulares.

Depois que você ouvir The Children of the Night sugiro buscar o mais recente Down Below e daí ouvir os outros dois. Eu deixaria o The Horror por último para que as diferenças sejam absorvidas mais gradualmente. Ainda não consegui encontrar um show completo do grupo para assistir, pois tenho curiosidade de como a banda resolve questões de timbre de guitarras durante a execução das músicas já que nos primeiros discos elas são muito mais sujas e nos dois seguintes soam bastante limpas. Acredito que algum desses grupos de músicas deve ficar bastante diferente. O Tribulation soa como um sopro de criatividade e originalidade no meio do metal.

Tracklist:

01 – Strange Gateways Beckon
0
2 –  Melancholia
03 – In the Dreams of the Dead
0
4 –  Winds
0
5 –  Själaflykt
0
6 –  The Motherhood of God
07 –  Strains of Horror
0
8 – Holy Libations
0
9 – Cauda Pavonis
10 –  Music From the Other
11 – One Hundred Years (bonus)
12 – Laudanum Dreams (bonus)

 

 

 

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