Melhores de 2015: Fernando Bueno

12 de Janeiro, 2016 | por Fernando Bueno
Melhores do Ano
15

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As listas de melhores do ano, que publico em outros sites e aqui desde 2010, mudaram um pouco o modo que acompanho os lançamentos musicais. Até alguns anos atrás eu apenas me preocupava em saber dos lançamentos das minhas bandas favoritas e aqueles discos legais de outras bandas eu acabava ouvindo depois que outras pessoas já tinham ouvido e me indicavam. Claro que desse modo conhecer bandas mais desconhecidas eram casos raros, já que muitas já tinham passado pelos filtros desses amigos. Hoje eu procuro muito mais, fico mais atento e estou conhecendo muito mais coisas. Esse hábito também refletiu na minha coleção de discos. A partir de 2010 a quantidade de discos que eu tenho de cada ano é equivalente aos anos mais importantes do mundo da música, como 1984, por exemplo. No todo achei o anos de 2015 um pouco inferior que o ano passado. Não sei explicar o motivo, é só minha impressão. Espero que todos identifiquem discos interessantes desses dez que selecionei.

Iron Maiden – The Book of Souls

Quando sua banda favorita lança um material novo sempre ficamos numa expectativa enorme e torcemos para que o resultado seja bom. Como disse aqui, a expectativa para The Book Of Souls era a maior que a dos discos anteriores. Felizmente o que se houve aqui é uma banda que nem de longe parece cansada e em inércia. A veia progressiva dessa nova fase está lá, mas temos faixa rápidas, refrãos marcantes e uma lindeza de 18 minutos. Ouvir em LP triplo é um deleite…

Ghost – Meliora

O Ghost deve ter aprendido com a história de diversas bandas como fazer para as coisas darem certo. Eles lançam discos com uma frequência razoável, materiais extras em intervalos bem definidos e sempre mantém seu nome em evidência, porém todo o planejamento não seria eficiente se a parte musical pecasse em qualidade. E os caras acertaram em cheio de novo. Um pouco mais melódico que o álbum anterior, mas com o mesmo som característico. Eles têm tudo para se tornarem gigantes. “He is” é fantástica!

Soulfly – Archangel

Desde Enslaved que a banda tem me agradado, o que nunca tinha acontecido com os discos mais nü metal que o Max fez depois de sua saída do Sepultura. Caíram um pouco em Savages, é verdade, mas Archangel é demais! “We Sold Our Souls to Metal” e a faixa título ficam grudadas na cabeça. Fora que a capa é linda!

 

Tribulation – The Children of the Night

Não conhecia o Tribulation e depois que ouvi esse disco fui atrás do restante, mas não achei nenhum deles nem próximo desse. Gostei tanto do disco que desde a primeira vez que ouvi já sabia que ela entraria nessa lista. Apesar da voz a melodia impregada nas músicas é fascinante. Procurem por “Melancholia” e ouçam o que eu quero dizer.

Luciferian Light Orchestra – Luciferian Light Orchestra

Christofer Johnsson, do Therion, resolveu participar do recente crescimento de bandas de occult rock e o fez com maestria. Misturou o clima das bandas setentistas com várias influencias de blues rock com um vocal suave feminino. Certas passagens são tão lindas que é difícil acreditar que eles estão falando mesmo é do Capiroto.

David Gilmour – Rattle That Lock

Ouvi bastante esse disco antes do show de dezembro. Claro que eu já tinha identificado as boas faixas que sempre existem em discos do genial Gilmour. Mas aquelas músicas que eu mais tinha gostado do disco ao vivo transformaram-se em pérolas, em especial a faixa título que não me saiu da cabeça por dias. Basta dizer que um músico com uma carreira tão longa e cheia de clássicos como Gilmour conseguir tocar seis músicas de seu recente álbum em um set list de duas horas mostra a força do material.

The Neal Morse Band – The Grand Experiment

Em um DVD do Transatlantic Neal Morse diz para o público que quem não gosta de músicas longas estava no lugar errado. E isso diz muito sobre sua carreira. Ele sempre gostou de faixas longas, bastante longas, e seus discos possuem sempre um par delas. Porém nesse disco são as três faixas mais curtas que são os destaques. Ao longo do disco como um todo a qualidade das melodias e as passagens intrincadas chamam atenção, mas músicas simples como “Waterfall” e a faixa título são as que mais me marcaram. As parcerias com Portnoy que vem do Transatlantic e do Flying Colours me intrigam um pouco. Será que se os dois tivessem uma banda fixa, oficial, focando as ótimas idéias diluídas nesses vários projetos, não seriam melhor avaliados e não seriam muito melhor sucedidos?

Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase.

Steven Wilson vem acertando a cada disco. Depois de deixar o Porcupine Tree em stand by ele caiu de cabeça numa carreira solo muito prolífica e abrangente musicalmente, isso sem contar com seu trabalho de produtor. E no momento que escrevo essas linhas fico sabendo que já tem coisa nova saindo ainda em janeiro de 2016. Vem se mostrando um dos caras diferenciados da música da atualidade.

Praying Mantis – Legacy

Os problemas do Praying Mantis, que não os favoreceram em um maior reconhecimento do público, foram sempre relacionados com as constantes trocas de formação. Para se ter uma idéia os três últimos discos foram gravados com três vocalistas diferentes. Porém os irmãos Troy nunca desistiram e com Legacy eles fizeram o melhor disco desde o clássico debut  Time Tells No Lies. Canções cheias de gancho, passagens melódicas e muito bom gosto. A balada “The One” é o destaque maior do disco.

Luca Turilli´s Rapshody – Prometheus, Symphonia Ignis Divinus

Sem entrar no mérito da bizarrice de termos duas bandas com o nome de Rapshody esse disco tinha que entrar. Mesmo com a idéia (estranha? egocêntrica? babaca?) de se querer criar um novo estilo, no caso o Cinematic Metal Luca Turilli se superou. Acredito que hoje eles poderiam ser enquadrados mais na categoria de symphonic metal do que na de power metal. A grandiosidade não é só em termos de musicais e passagens cheias de coros, solos, escalas exóticas e muitos instrumentos, mas onde mais você teria a oportunidade de ouvir músicas em inglês, latim, italiano e até mesmo na língua negra de Mordor? E as em italiano para mim são as melhores, como “Il Tempo Degli Dei”. Fora que a parte lírica também é bastante audaciosa misturando temas religiosos (“King Solomon and the 72 Names of God”), tolkieanos (“One Ring to Rule Them All”), apocalípticos (“Of Michael the rchangel and the Lucifer´s Fall’s Part II: Codex Nemesis”) – um épico de 18 minutos – e até Sir Isaac Newton. Um daqueles discos que vale a pena ouvir com o encarte na mão.


Outros 15 bons álbuns (sem ordem de preferência)
Adele – 25
Angelus Apatrida – Hidden Evolution
Beardfish – 4626 Confortzone
Caligula´s Horse – Bloom
Denner / Shermann – Satan´s Tomb (EP)
Moonspell – Extinct
Night Demon – Curse of the Damned
Orden Ogan – Ravenhead
Paradise Lost – The Plague Within
Rock Candy Funk Party – Groove is the King
Sweet & Lynch – Only to Rise
Vintage Trouble – 1 Hopeful Rd
Visigoth – The Revenant King
Von Hertzen Brothers – New Day Rising
Year of the Goat – The Unspeakeble


Melhor Show

Fui à dois festivais nesse ano. No Monsters of Rock tivemos uma ótima organização e diversas bandas que são sempre garantia de bons shows. Destaque para os shows do Kiss, Accept, Rival Sons… Pena que com a indisposição de Lemmy ficamos com um gostinho amargo em relação à sua saúde. O Rock in Rio também foi bastante proveitoso, porém por ser um festival mais amplo em termos de estilos não agrada à todos. O show do Motley Crüe vai ficar na minha memória por ter sido o meu primeiro deles apesar de estarem em sua turnê de despedida. Porém nenhum festival teve o mesmo impacto em mim do que essa primeira passagem de David Gilmour pelo Brasil. Showzaço que descrevi, juntamente com o Mairon Machado, aqui.


Surpresa

Quem acompanha mais atentamente os textos aqui do site sabe que eu tenho bastante interesse na New Wave of British Heavy Metal. Claro que mesmo existindo diversas bandas da época que ainda estão na ativa hoje, não faz com que o movimento sobreviva já que ele é datado e deve ser considerado por no máximo cinco anos. Alguns autores são até mais radicais que isso. Mas o que eu queria destacar como uma surpresa é o fato de que muitas daquelas bandas lançaram bons discos nesse ano de 2015. Não só o Iron Maiden e o Praying Mantis, que comentei acima, mas também o Satan (Atom By Atom), Saxon (Battering Ram), Venon (From the Very Depths), Def Leppard com seu disco homônimo, Tank (Valley of Tears), Girlscholl (Guilty As Sin), TysonDog (Cry Havoc), Raven (ExtermiNation) e Savage (7). Posso até ter esquecido de mencionar algum deles e também é sabido que muita banda está apenas aproveitando o recente interesse por essas bandas para ganhar uns trocados. Outra surpresa, mais relacionada com nós brasileiros, é o episódio da entrada de Kiko Loureiro no Megadeth. Todos conhecemos as qualidades musicais do brasileiro e sabemos que tecnicamente ele poderia assumir o posto de qualquer guitarrista em qualquer banda do mundo, mas os brasileiros nunca tiveram uma chance em uma banda desse porte antes. Boa sorte Kiko e que venha o disco novo do Megadeth!


Decepção

Para quem teve o mínimo contato com o Dr. Sin nesses últimos anos sabe que as coisas não estavam tão boas entre eles. Os irmãos Busic já não estavam se entendendo com Eduardo Ardanuy. É uma pena uma banda que durou tanto acabar dessa forma, mas conhecendo o cenário brasileiro talvez chegássemos à conclusão de que eles duraram até muito. Pelo menos deixaram como legado muito discos de alta qualidade como descritos nessa discografia comentada.


Obituário

Demis Roussos, B.B. King, Chris Squier, Phil Taylor, Scott Weiland… Todos esses músicos nos deixaram esse ano. Foram os que eu consegui me lembrar nesse exato momento que escrevo essas linhas e pode ter havido outros. Desses que eu citei, apenas Scott Weiland acabou morrendo antes da hora e por culpa dele mesmo, os outros foram todos por doenças decorrentes da idade. Porém a última morte do ano, a que comoveu todo mundo, foi a de Ian Kilmister, ou Lemmy Kilmister, ou apenas Lemmy. Um músico que conseguiu unir diversas tribos do rock que muitas vezes brigam entre si. Um unanimidade que era o sinônimo de rock and roll. Ele já tinha 70 anos de idade e sua morte não foi exatamente uma suspresa, mas mais uma vez percebemos que nossos ídolos não são imortais, que nossos heróis não tem superpoderes. Vi algumas pessoas dizendo que esse ano foi cruel com o rock and roll, porém temos que nos acostumar porque ídolos como Roussos, King, Squier e Lemmy não estão ficando mais novos e a cada ano que passa isso tende a ser pior. E para comprovar tudo isso, ontem ficamos sabendo da morte de David Bowie. Infelizmente…



15 Comentarios

  1. Caio disse:

    Achei o Hand. Cannot. Erase. inferior a The Raven That Refused to Sing, mas eh nossa manina desgraçada de viver comparando td, hehe

  2. André Kaminski disse:

    Pelo que andei lendo (e escutando) de ambos os Rhapsodies, a verdade é que a versão do Luca Turilli está recebendo mais atenção dos fãs do que a do Lione e do Staropoli. O cara está empolgado e pega aquilo que a banda sempre fazia e deixa ainda com mais cara de épico, sinfônico e fantasioso, enquanto a versão dos outros caras parece sem saber o que fazer.

    No mais, me interessei em conferir esse disco do Soulfly que me passou batido.

  3. maironmachado disse:

    SÓ TEM METÁU!!!

  4. Marco Gaspari disse:

    Vou dar um desconto porque essa deve ser a lista dos melhores do ano lá de Porto Velho.Vendo por esse ângulo, bonita lista, Fernandinho.

  5. Eudes Baima disse:

    Adoro estas capas de metal…repetitivas, mas divertidas. Agora essa aí do besouro é campeã.

    Ótimo texto do Bueno é mais uma guia para eu chegar finalmente a 2015.

  6. Rhapsody ninguém merece.

  7. Ulisses Macedo disse:

    Poxa, não fiquei sabendo desse Luciferian Light Orchestra. Ouvindo aqui, muito bom mesmo;

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