Por Adrian Dragassakis

O Theocracy começou como uma One Man Band, um projeto pessoal idealizado por Matt Smith, vocalista e multi-instrumentista, natural de Athens, Geórgia, nos Estados Unidos. Inspirado por bandas de Power Metal, como Stratovarius, Avantasia, entre outros, Smith poderia montar apenas mais uma banda do estilo, exceto pelo diferencial, que são as letras inspiradas no Cristianismo, sendo muitas vezes incluída nos rótulos do White Metal, mas apreciada também por fãs de música que não seguem os ideais religiosos das letras. Ao longo de sua carreira, o Theocracy lançou 4 álbuns de estúdio, até então. Apresentamos a discografia comentada logo abaixo.


Theocracy [2003]  
O álbum de estréia e auto-intitulado do Theocracy foi inteiramente composto por Matt Smith, que gravou todos os instrumentos e vocais. A produção em si, originalmente, é “humilde”, mas a qualidade das composições fez jus a um relançamento do álbum remasterizado em 2014. “Prelude” abre o álbum, introduzindo a excelente “Ichthus”, que simboliza e mostra logo de cara a intenção de Matt Smith em expressar seus ideais religiosos em uma grande canção de Power Metal com um refrão que gruda na sua cabeça nas primeiras audições. “Serpents Kiss” segue com uma linha mais progressiva, contendo várias passagens com alterações de compassos e instrumentais bem complexos em seus quase 12 minutos de duração. “Mountain” começa com um órgão, que logo de cara, já avisa que uma composição épica vem por ai. E não é pra menos, se aproximando bastante do chamado “Symphonic Metal”. A faixa-título é uma das melhores da carreira da banda, com todos os clichês do Metal Melódico, orquestras, guitarras dobradas, bateria e baixo “comendo solto” e um refrão pegajoso. “New Jerusalem” é outra excelente faixa, contendo uma clara influência de Angra nos riffs de guitarra (banda a qual Matt Smith é fã declarado). A sensação depois de ouvir esse primeiro trabalho do Theocracy é parar e pensar: “como esse cara compôs e gravou tudo isso sozinho em um Home Studio?”.


The Mirror of Souls [2008] 
Depois do lançamento do álbum de estréia, o baterista Shawn Benson e o guitarrista Jon Hinds juntaram-se a Smith para uma tour e shows, entre eles, no famoso festival ProgPower USA. A boa recepção motivou o líder da banda a compor mais um álbum, agora como uma banda mais completa, Mirror of Souls foi lançado em 2008 pela Ulterium Records. O trabalho abre com a rápida “A Tower of Ashes” e a animada “On Eagle’s Wings”. Seguindo pelo petardo “Laying the Demon to Rest”, com 9 minutos de duração, tratando sobre tentação e a perda da fé em momentos difíceis, é uma das melhores músicas do álbum e uma das mais pesadas da banda, possuindo um incrível trabalho vocal, tanto instrumental. É sem dúvida, uma canção muito forte. Após esse belo “exercício pro pescoço”, o álbum segue acalmando os ânimos com a bela “Bethlehem”, que possui belas passagens acústicas, com Matt praticamente narrando a história do nascimento do menino Jesus de maneira emocionante. “Martyr” é outra canção com grandes riffs de guitarra e um trabalho vocal caprichado, sendo uma das mais legais do disco, que fecha com a épica faixa-título, com seus 22 minutos de duração, começando com um dedilhado acústico e os vocais quase sussurrados, o que seria só o início para uma grande e épica composição.

 

Jonathan Hinds (guiitarras), Shawn Benson (bateria), Matt Smith (vocais e guitarra), Jared Oldham (baixo e vocais) e Val Allen Wood (guitarras)

 


As The World Bleeds [2011] 
Esse é o disco que talvez tenha mostrado o Theocracy ao mundo e popularizado seu nome em meio aos grandes ícones do gênero, tanto do Power Metal, quanto aos fãs de Metal Cristão. Agora como uma banda de 5 integrantes, contando com o excelente guitarrista Val Allen Wood e o baixista Jared Oldham, o processo de composição contaria também com suas participações. “I AM” abre o álbum surpreendendo com seus 11 minutos. Uma obra épica com uma poesia em primeira pessoa, o “Eu sou” nas palavras de Deus. A música inicia com grandes riffs, passagens progressivas e até um toque de Folk Metal e vocais em contrapontos, acompanhados de coros envolventes e incríveis solos de guitarra. O trabalho segue com a animada “Master Storyteller” e a pesada “Nailed”. “Hide in the Fairytale” é primeira faixa a ganhar um videoclipe. Segundo Matt, a escolheram por ser uma canção que descreve bem a banda e por ser um meio termo entre uma balada e uma canção extremamente rápida. Sendo uma boa jogada comercial, que serviu também de porta de entrada para quem não conhecia a banda. Outros destaques são “30 Pieces of Silver”, cuja introdução lembra bastante os melhores tempos do Stratovarius, mas que te envolve ao decorrer da canção, “The Gift of Music”, que simboliza um agradecimento à música e tudo o que ela representa, algo que nós, fãs de Rock em geral, levamos para nossas vidas, e também ao “dom” da música concedido pelo Criador (por mais cético que eu às vezes possa ser sobre isso, muitas vezes acredito que tamanho talento só pode ser mesmo um dom divino). A faixa-título é mais densa e traz reflexão, quanto aos cristãos, de apenas buscar a Deus quando lhes convém, trazendo também, grandes melodias épicas, características da banda.


Ghost Ship [2016] 
Cinco anos após o excelente As The World Bleeds, o Theocracy lançaria mais um álbum, sem abandonar suas características, tanto musicais, quanto nas letras. “Paper Tiger” abre bem o disco, sendo uma canção animada que levanta qualquer defunto. A faixa-título ganhou o segundo videoclipe da carreira da banda, sendo bem aceito pelos fãs e crítica especializada. “The Wonder of it Wall” segue o peso enquanto “Wishing Well” e “Around the World and Back” são mais cadenciadas, porém excelentes. “A Call to Arms” tem riffs muito semelhantes a bandas de Metal dos anos 80, sendo uma das melhores do álbum, lembrando um pouco o tema lírico de “Soldiers Under Command” do Stryper (banda referência no Hard Rock, com letras cristãs). O álbum finaliza com a épica “Easter”, mais uma grande composição do talentoso Matt Smith, com grandes passagens sinfônicas e progressivas durante a canção, que conta a história da ressurreição de Jesus, na Páscoa, em um épico de 9 minutos. Ghost Ship conseguiu acompanhar a boa qualidade de seu antecessor, o que tende a ouvirmos um ótimo trabalho do Theocracy em um próximo lançamento.


Apesar dos rótulos, o Theocracy é uma das bandas, (que junto ao Stryper, por exemplo), pode ser apreciado por quem gosta de boa música, ou que até tenha enjoado de tanto Power Metal e que gostaria de ouvir algo diferente. Também abriu portas para que cristãos conheçam esse estilo de música, que pode ser considerado como “Worship Music” (ou louvor, como conhecemos por aqui), mas sem impor nenhuma ideologia ao ouvinte. Ou seja, todos são bem-vindos. E que venha mais um ótimo disco do Theocracy.

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