Review Exclusivo: Festival Totem Prog (São Paulo, 11 e 12/03/2017)

21 de Março, 2017 | por Ronaldo Rodrigues
Resenha de Show
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Por Ronaldo Rodrigues

Desde o fim do ano passado, observava-se pelas redes sociais uma movimentação a respeito de um festival que resgataria grandes nomes do rock progressivo brasileiro. A coisa foi sendo apresentada a conta-gotas, mas a partir de meados de janeiro foi anunciado o nome e o logo do evento que viria a ser ostensivamente comentado a partir de então. Por iniciativa do empresário paulistano Roberto Oka, nascia o Festival Totem Prog, tendo como headliners as clássicas bandas brasileiras Som Nosso de Cada Dia, Terreno Baldio e Humahuaca e contando também com os nomes de Elias Mizhrai (ex-Veludo) e Lee Eliseu (Recordando o Vale das Maçãs). Apoiado nesses pilares, pouco a pouco, foram sendo confirmadas bandas contemporâneas como os paulistas Dialeto e os brasilienses Protofonia. Poucas semanas antes do evento, toda a escalação já estava definida. O evento também anunciava as projeções psicodélicas do VJ Fabrício Bizu, exposição de fotografias e vendas de CDs/LPs no espaço do show.

O local escolhido para o festival não é, até então, um palco tradicional da capital paulista. Localizado na zona oeste da cidade, o teatro pertence à Universidade de Mogi das Cruzes (Campus Villa Lobos) e tem boa estrutura. Amplo  e confortável, com um grande palco, mostrava-se logo de cara ser um espaço à altura de uma música tão elaborada quanto a que seria apresentada naquele sábado e naquele domingo de festival.

Com algum pequeno atraso, cheguei ao local do festival enquanto tocava uma banda chamada Faixa de Pedestre, que parecia ser um grupo iniciante e com o objetivo de ser um pequeno teste para o local. Não consegui acompanhar seu som, apenas o ruído que vazava para a bilheteria, na curta apresentação que realizaram. Quando a banda saiu, entrei no recinto e a primeira banda a subir no palco foi o Dialeto, trio paulista capitaneado pelo guitarrista Nelson Coelho, que contava com a cozinha talentosa e proeminente de Gabriel Costa (baixista, membro também do Violeta de Outono) e Fred Barley (baterista, atual membro do Terço). Ambos são músicos muito requisitados na cena paulistana e a expectativa por vê-los juntos era alta de minha parte. Contudo, o show iniciou-se um tanto morno e atribuo isso à equalização do som no palco. A medida em que o show chegou na metade essa questão foi superada e a banda começou a fazer a cabeça do público, com intricadas linhas de baixo e sequências insanas de solos de guitarra sob uma sólida guarnição rítmica. Tendo se redimido sonoramente, o Dialeto foi calorosamente saudado pelo público, que ainda chegava ao local (o show encerrou-se por volta das 19h30).

Dialeto

Devido ao tamanho do teatro e de seus corredores, era possível entrar e sair com bastante facilidade do recinto. O controle da portaria também não tinha nada de paranóia; frequentemente, o próprio Roberto Oka era quem fazia essa função. Isso ajudou bastante a dinâmica do festival, favorecendo a interatividade do público entre si e com os artistas. Durante todo o tempo, sentia-se em um ambiente de grande confraternização. Era possível ver Elias Mizhrai (Veludo) perambulando pela área externa e assistindo os shows das outras bandas, Gerson Conrad (Secos Molhados) e Zé Brasil (Apokalypsis) mesmo sem estarem no palco aparecendo por lá pra curtir, Willie Verdaguer (Secos e Molhados, Humahuaca) batendo um papo com a galera e posando pra fotografias, etc.

Jorge Carvalho (baixista da banda carioca Arcpelago), com Ze Brasil (Apokalypsis) e Willy Verdaguer (Humahuaca)

A banda Protofonia com Cezar de Merces, Gerson Conrad e Victor Valentim (do selo Miniestereo da Contracultura). Foto obtida na página do grupo no Facebook. 

A próxima banda a subir ao palco foi o sexteto Marcenaria. Também oriundo da capital paulista, o grupo estreou em disco no final do ano passado, com o álbum intitulado lançado pelo selo Editio Princeps em parceria com o Museu do Disco. Sua música é uma surpreendente fusão entre diversas vertentes da música brasileira, com fortes tintas de jazz e enriquecida com uma abordagem rock-progressiva. Contando com um naipe de sopros (clarinete e sax barítono) a banda agitou o festival; letras interessantes e inusitadas, bons jogos vocais e convenções instrumentais tortuosas, remetiam quase que simetricamente tanto ao Gentle Giant como a vanguarda paulistana. O guitarrista e vocalista Augusto Mendonça nem sequer se incomodou em ter estourado uma das cordas de sua guitarra, tendo tocado quase que toda a segunda metade do show sem ela. Com um conteúdo inteiramente autoral e bastante autêntico, a banda assinou seu nome dentro do festival, que já de então, mostrava-se como uma grande ocasião musical. Naquele momento sim, já estava tudo a mil por hora – som devidamente equalizado, público acomodado e belas imagens projetadas ao fundo pelo VJ Fabrício Bizu, fazendo um contundente diálogo som-imagem.

Marcenaria

Após um curto intervalo (de cerca de 25 minutos), as cortinas se abriram novamente para receber o trio Protofonia, apresentando seu recém lançado álbum A Consciência do Átomo, que teve a produção de Pedro Baldanza (Som Nosso de Cada Dia). O trio iniciou sua apresentação de maneira bastante introspectiva e psicodélica, apresentando ruídos interpostos por percussão, em cima de camadas de efeitos de guitarra; depois desse prólogo, o grupo apresentou um som bastante denso e intricado, chocante até. Influenciados pelo lado mais dark do rock progressivo setentista e com uma potência sonora digna de bandas de stoner rock, a música do grupo era atordoante e, simultaneamente, muito inteligente. As passagens e variações eram muito bem amarradas. O ponto alto do show foi a participação especial do lendário tecladista Lelo Nazário (Grupo Um), em uma suculenta intervenção freak-jazz na música do Protofonia. A plateia reagiu com ênfase na curiosa faixa “Blá-Blá-Blá”, que brincava com cacofonias vocais.

Protofonia

A musicalidade do festival era unidirecional – apenas incrementava-se, apresentando diferentes espectros de todas as possibilidades desse grande balaio de música que se convencionou batizar progressivo.

Seguindo a programação, subiria ao palco um dos headliners anunciado destacadamente na arte do evento – Humahuaca e Willy Verdaguer. O baixista argentino completava 50 anos de carreira no Brasil e chegou já mostrando com quantos paus se faz uma canoa. O som de seu baixo era uma alucinante locomotiva, que despejava grooves com uma rara inteligência e conduzia uma magistral banda de apoio, que contava com Derico (famoso por ter integrado o quinteto de Jô Soares) e o baterista Fernando Thomaz, neto do veterano baterista Marinho Thomaz (Casa das Máquinas). A única coisa que desabonou o que seria um show perfeito é que o tecladista do grupo (Lucas Vargas) não tinha um equipamento condizente a sua disposição, com timbres pobres em todos os sentidos. O repertório apresentado foi magistral, músicas com belíssimos arranjos, muito variadas e tocadas com garra. Não foi mencionada, ao longo do show, nenhuma música que o Humahuaca tenha tocado junto com Elis Regina, o que era minha expectativa inicial, e várias das músicas do repertório foram compostas mais recentemente, sem grandes menções ao pouco conhecido repertório setentista do grupo. Willy aproveitou a ocasião para fazer um auto-tributo tocando “Alegria, Alegria”, lendária música na qual tocou com o grupo Beat Boys no festival da Record de 1967 e que marcou o início de sua carreira musical no Brasil. Ao apresentar a canção, pediu desculpas a algum eventual purista; ao encerrá-la, pôde perceber que não havia ali nenhum purista, já que foi ovacionado não só por essa música, como por toda a obra musical apresentada ao longo de cerca de 1h de intensa apresentação. No bis, apresentou a clássica linha de baixo que desenvolveu para a música “Amor”, dos Secos & Molhados. Mais aplausos para Willy & Humahuaca e o Totem Prog já ecoava na boca de todos os presentes como algo memorável.

Humahuaca. Foto por Jorge Carvalho.

Para encerrar o primeiro dia, o aguardado Som Nosso de Cada Dia, vinha com Pedro Baldanza como membro original da formação da banda e a participação do percussionista/vocalista Rangel, que integrou as últimas formações do grupo nos anos 1970. O restante do grupo trazia outros três músicos que acompanharam o retorno do SNCD na última década – o tecladista Fernando Cardoso (Violeta de Outono), o guitarrista/tecladista Marcelo Schevano (atual Casa das Máquinas) e o baterista Edson Ghilardi (também membro do Terreno Baldio). Completando o line-up do grupo, havia o percussionista/backing vocal Pedro Calasso. O grupo veio poderoso com a infantaria de teclados de Fernando Cardoso e um arsenal completo de todos os timbres necessários para nos transportar à íntegra de Snegs, clássico disco de estreia da banda (ali celebrava-se o aguardado relançamento do disco, com som remasterizado em formato digipack)A banda encontrava-se entrosada, o som à mil por hora e a plateia empolgada. O único ponto baixo da apresentação foram os vocais – Pedro Baldanza, pelo peso da idade, não conseguia segurar os vocais nos registros originais; Rangel dava uma força em alguns agudos e o percussionista Pedro Calasso não supria essa função adicional (nem tampouco se destacava na percussão) como era de se esperar. Então, dos 3 que tinham um microfone à frente, nenhum conseguiu transmitir ao público uma interpretação que remetesse ao vocalista e baterista Pedrinho Batera, ou uma interpretação diferente no mesmo nível. O show teve como destaques reproduções poderosas e incrivelmente bem executadas de “Som Nosso de Cada Dia”, “Snegs de Biufrais” (que se tornou uma deliciosa sessão de improvisos de guitarra) e “A Outra Face”, com intervenções esmagadoras dos teclados de Fernando Cardoso e linhas de baixo magnânimas de Pedro Baldanza. A plateia ensandecida, levantou-se para aplaudir o grande show que encerrava com toda a pompa o primeiro dia do Totem Prog.

Som Nosso de Cada Dia. Foto (abaixo) por Marcos Vinicius Troyan

No segundo dia e com um público ligeiramente menor que no dia anterior, a programação se iniciou com o grupo Stratus Luna, do tecladista Gustavo Santhiago. Gustavo ganhou certa notoriedade por seu trabalho solo Anima, lançado de forma independente em 2016 e apresentou um repertório de composições bastante trabalhadas, ricas em climas e texturas. Músicos muito jovens, demonstravam bom entrosamento e talento individual, mas enfraqueceram sua performance ao misturar composições próprias de grande qualidade com releituras, que ainda que bem executadas, mostraram-se desnecessárias de músicas como “Kashmir” (Led Zeppelin), “Lunar Sea” (Camel) e “21st Schizoid Man” (King Crimson). Também foi bastante sentida a ausência de um baixista na formação do grupo; Gustavo Santhiago fazia algumas linhas de baixo no próprio teclado.

Stratus Luna

Em seguida, entrou no palco o projeto Lee Recorda, grupo montado pelo tecladista e vocalista Lee Eliseu, da banda Recordando o Vale das Maçãs. O grupo apresentou um bom balanço entre uma música progressiva suave e rock rural, resgatando músicas do LP de 1977, como “Besteira”, “As Crianças da Nova Floresta” e “Rancho, Filhos & Mulher”, bem como composições mais recentes de boa qualidade. A banda mostrou-se pouco esmerada com a sonoridade dos instrumentos; um cuidado maior nesse sentido, traria um resultado mais empolgante, a despeito da apresentação ter sido agradável ao público.

Lee Recorda. Foto obtida no perfil de Eliseu no Facebook. 

Se as guitarras apareceram em destaque no primeiro dia, parecia que o segundo dia seria dedicado aos teclados. Gustavo Santhiago e Lee Eliseu vieram precedidos do lendário Elias Mizhrai, tecladista e vocalista do Veludo; apesar de ter sido anunciado seu retorno com banda, a apresentação foi solo, devido a problemas com os músicos que havia escalado para a empreitada. E nos bastidores do festival, foi sabido que Elias Mizhrai também teve problemas também com o transporte de seu teclado e teria que tocar com um teclado emprestado. No fim das contas, o equipamento que Elias teve a sua disposição ficou aquém do necessário; o próprio pediu desculpas à plateia e se esforçou sobremaneira para conseguir oferecer suas composições e sua interpretação com o que tinha nas mãos; em alguns momentos, a coisa funcionou bem, mas em outros, o som deixou a desejar. O músico ficou abalado e emocionado; primeiramente, por estar retornando aos palcos depois de anos afastado de apresentações ao vivo; depois, por não estar conseguindo oferecer a experiência planejada para ser ofertada ao público. Elias, de forma muito expressiva, conversava com o público e fez o melhor que era possível com o equipamento disponibilizado; mesmo em um momento que titubeou encurtar a apresentação e desistir, o público o incentivou e apoiou, tornando o momento único dentro do festival do ponto de vista da interação artista-plateia. Ao sair do palco foi abraçado pelo empresário Roberto Oka. Suas novas composições, se executadas com banda, seriam muito aclamadas. Bastante aplaudido, Elias saiu do palco bastante energizado e acolhido pelo público, após ter passado por uma intempérie.

Elias Mizhrai. Foto por João Pirovic

Em seguida, um novo ataque de guitarras surgiu com uma apresentação relâmpago do grupo hard rock Cosmo Drah; tocando apenas 3 canções, sacudiram todas as cadeiras do teatro com um som potente e bem trabalhado; o show foi curto porque a banda, com exceção do vocalista Ruben Yanelli e a inclusão do tecladista Jimmy Pappon (Bombay Groovy) seria o apoio para Cézar de Mercês (O Terço), que viria em seguida. A banda apresentou músicas do trabalho lançado em 2015 e composições inéditas, com solos lancinantes do guitarrista Anderson Ziemmer (também clarinetista, que esteve no dia anterior com a banda Marcenaria) e uma cozinha monstruosa montada pelos irmãos Renato e Elton Amorim.

Cosmo Drah

Em um mínimo intervalo, apenas para checagem do som dos teclados e da segunda guitarra, o palco recebeu Cézar das Mercês e a banda, batizada de Filhos do Tempo, para executar a íntegra do disco Mudança de Tempo, d’O Terço, lançado em 1978. Com um repertório pouquíssimas vezes resgatado ao vivo, o show teve ar de novidade pra muita gente e foi calorosamente apreciado pela plateia. Cosmo Drah + Jimmy Pappon + Cézar de Mercês tiveram uma liga incrível juntos, executando magistralmente o repertório, tanto em termos instrumentais quanto vocais. Cézar aproveitou para homenagear seus ex-companheiros de banda, especialmente os já falecidos Luiz Moreno (bateria) e Sérgio Kaffa (teclados). O Totem Prog chegava próximo do fim com um saldo pra lá de positivo, mesmo que já na avançada hora para um show no domingo; mas a felicidade e empolgação da plateia era patente no aguardo da atração final, o Terreno Baldio.

Cézar de Mercês e os Filhos do Tempo. Foto (abaixo) por Bel Mercês

Sendo quase que uma exceção entre os grupos do passado ainda ativos, o Terreno Baldio conta com 3 membros originais em sua formação atual – Roberto Lazzarini (teclados), João Kurk (vocais e flauta) e Mozart Mello (guitarra). O complexo repertório da banda, com intricadas convenções, foi executado com a precisão esperada em todos os sentidos. Talvez pelo horário, a banda mostrava-se um pouco irreverente com a ocasião: em algumas passagens instrumentais de violino, teclado ou guitarra, era possível ouvir os membros conversando algo entre si, sem muita preocupação com o vazamento do som. Mas isso foi uma gota de água doce em um oceano de musicalidade. Alternando músicas de seus dois discos com músicas da época que não chegaram a ser gravadas nestes, fizeram um belo show e um encerramento digno de um grande festival.

Terreno Baldio. Foto por Cléber Lessa.

Cabe mencionar honrosamente o quanto as projeções conduzidas por Fabricio Bizu contribuiram para que a plateia tivesse não só contato com música de qualidade, mas sim com uma bela experiência multimídia. O festival todo foi um grande encontro de talentos do mais fino do nosso rock – veteranos como Pedro Baldanza, Roberto Lazzarini, Mozart Mello, Elias Mizhrai, Willy Verdaguer e Cézar de Mercês, que figuram entre os melhores instrumentistas/compositores do país, junto com novos expoentes que vem escrevendo a história rock contemporânea Gabriel Costa, Fernando Cardoso, Fred Barley, Anderson Ziemmer, Renato e Elton Amorim, Gustavo Santhiago, Jimmy Pappon, André Gurgel… Por mais Totens Progs como o Totem Prog.

 

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6 Comentarios

  1. maironmachado disse:

    Fazendo uma analogia com o PF:”How I wish to be there”. Cara, deve ter sido ALGO esse festival. Tomara que outros sejam realizados, e não só em sampa. Parabéns Ronaldo, por teres vivenciado esse momento. Duas perguntas: Por que a Arcpélago não participou? O Terço não foi convidado? Era um bom momento para voltar a tocar com o Mercês ao vivo.

    Abração

    • Ronaldo disse:

      Realmente, foi incrível Mairão! uma sequência desbaratada de bons shows…foi demais!
      Da participação do Arcpelago…com exceção do Protofonia, todas as bandas eram de SP. Mas pelo que conversei com o Roberto Oka, há pretensão de levar o festival pro RJ nos próximos meses e também um vislumbre pra outras capitais. Creio que nessas situações, as bandas locais, como o Arcpelago e outras, serão acionadas.
      Sobre O Terço, realmente eu não sei, seria lindo se eles tivessem participado…até onde eu saiba, o Roberto Oka também empresaria o grupo.
      Abraço!

  2. Marcelo Moura disse:

    Parabéns Ronaldo, bela resenha sobre o que foi esse grande eventos, que nos fez lembrar da época de outro dos Festivais de Rock, e que venham outros Totem Prog e afins para que a chama do Rock Progressivo permaneça em nossos corações.

  3. Marcelo Moura disse:

    Parabéns Ronaldo, bela resenha sobre o que foi esse grande evento, que nos fez lembrar da época de ouro dos Festivais de Rock, e que venham outros Totem Prog e afins para que a chama do Rock Progressivo permaneça em nossos corações.

    • Marcelo Moura disse:

      Parabéns Ronaldo, bela resenha sobre o que foi esse grande evento, que nos fez lembrar da época de ouro dos Festivais de Rock, e que venham outros Totem Prog e afins para que a chama do Rock Progressivo permaneça.

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