Por Amancio Paladino
1992 foi meu último ano no colégio, dali em diante nova fase… 1992 foi também o último ano de Bruce Dickinson no Iron Maiden, dali em diante nova fase…

Lembro-me até hoje de minha formatura no colegial, da viagem ao litoral catarinense, das picardias estudantis no ônibus de excursão e da diversão nas praias, sempre intercaladas por pausas para ouvir o mais recente álbum do Maiden, Fear of the Dark, cuja fita cassete fiz questão de levar junto com meu walkman Sony Sports…

Lembro-me também do receio com a saída do mestre Dickinson. Várias notícias foram divulgadas anunciando o início de sua carreira solo e sua consequente saída do Maiden. Quem o substituiria? Quem poderia fazer frente a tão imenso legado construído ao longo de dez anos como frontman da maior banda de heavy metal de todos os tempos? A dúvida pairava no ar e o coração dos fãs se apertava a cada lembrança de que isso realmente aconteceria; foram tempos difíceis que somente os verdadeiros fãs puderam suportar…
Iron Maiden em 1992: Dave Muray, Steve Harris, Bruce Dickinson, Nicko McBrain e Janick Gers

Pairava no ar um clima de fim de festa: somadas à saída de Dickinson notícias da saída de Halford do Judas Priest em nada ajudavam a cena do heavy metal. Seria o fim? Teríamos de nos render as bandas de Seattle (EUA) que despontavam na cena mundial? Não gosto muito de lembrar desses fatos e prefiro ficar com as lembranças da viagem de formatura.

Fear of the Dark foi o primeiro álbum do Maiden a não ter uma capa desenhada por Derek Riggs: a banda preferiu o trabalho de Melvin Grant, que desenhou um aterrorizante Eddie-árvore. Particularmente achei o trabalho muito bom e completamente relacionado ao tema do disco.

A princípio, a música de maior sucesso foi “Be Quick or Be Dead”, que de forma rápida e avassaladora falava sobre as consequências de alguns escândalos financeiros que ocorriam à época. O primeiro single do álbum, lançado um mês antes, continha essa música e uma versão de “Nodding Donkey Blues”, além de uma faixa chamada “Bayswater Ain’t a Bad Place to Be” e a regravação de “Space Station #5”, do Montrose. O single chegou ao topo das paradas na Inglaterra, ganhou versão em videoclipe e não parava de tocar na MTV (inclusive na brasileira).

O single para “Be Quick or Be Dead”

Posteriormente outras músicas do álbum passaram a ser exploradas: “Wasting Love”, a única “balada” do Maiden, fez muito sucesso nas rádios e também ganhou um videoclipe. Apesar de não ter agradado muito aos fãs, a música não deixa a desejar, mantendo a atmosfera soturna da banda e contando a história de um homem que se entrega ao amor sem limites.

“From Here to Eternity” é uma canção que conta mais um capítulo da história de Charlotte the Harlot. Dessa vez, a periguete Charlotte parte para uma jornada com o demônio em sua poderosa motocicleta. A faixa também ganhou um videoclipe e foi bastante executada nas rádios. 
“Fear of the Dark”, música-tema do disco, se transformou talvez em uma das mais populares canções do Maiden, graças ao desempenho inigualável de Bruce Dickinson nos shows. Um clássico que conseguiu atrair toda uma nova legião de fãs para a banda e que até hoje é tocada nas rádios sem nenhum pudor. Para o ouvinte neófito, que nunca conheceu Powerslave (1984) por exemplo, trata-se de uma excelente maneira de começar ouvindo o Maiden.
A turnê para Fear of The Dark passou pelo Brasil: em 31 de julho de 1992 o Maiden tocou no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Já em 1º de agosto aconteceu o lendário show no Parque Antárctica, em São Paulo. Tocando para fãs desesperados em ver as últimas apresentações do mestre Dickinson, o Iron Maiden colocou o estádio abaixo e apresentou todos os merecidos clássicos que o público precisava ouvir. Logo depois, em 4 de agosto, a banda se apresentou no Gigantinho, em Porto Alegre.
Live at Donington em sua versão original

Na sequência da turnê, em 22 de agosto, foi gravado o famoso show Live at Donington, em Castle Donington, na Inglaterra, e que gerou um vinil (triplo!) que soou como a despedida do Mestre… 

Com doze músicas, e tido por muitos como um dos mais comerciais álbuns do Maiden, Fear of the Dark teve êxito. Lançou clássicos, agradou o público em geral, mas deixou um gostinho de quero mais para quem estava acostumado a ouvir obras da monta de Powerslave e Somewhere in Time (1986). Seria um prenúncio das mudanças que estavam por vir e dos tempos difíceis que estavam por chegar? Mal sabiam os fãs daquilo que os aguardavam nos próximos anos…

Track list

1. Be Quick or Be Dead
2. From Here to Eternity
3. Afraid to Shoot Strangers
4. Fear Is the Key
5. Childhood’s End
6. Wasting Love
7. The Fugitive
8. Chains of Misery
9. The Apparition
10. Judas Be My Guide
11. Weekend Warrior
12. Fear of the Dark

8 comentários

  1. fernandobueno

    Apesar de ser claramente inferior aos clássicos dos ano 80, Fear of The Dark e talvez o disco que mais conseguiu fazer o número de fãs crescer. Parece que se o cara ouvir Fear of the Dark, em especial suas versões ao vivo que conta com a participação massiva do público em todas as versões, vira fã na hora, como se tivesse sido enfeitiçado. Quando eu comecei a ouvir Iron Maiden o primeiro disco "novo" que ouvi da banda foi o No Prayer for the Dying, mas depois do lançamento de FOTD, com o enorme sucesso que conseguiu, com todo mundo ouvindo, acabei virando mais fã ainda…Wasting Love era incluída em quase todas as Mix Tapes que fazias para as garotas na época…rs.

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  2. Mairon Machado

    Foi a partir desse disco que eu comecei a ouvir o Iron com outros ouvidos. Antes, era o Micael tentando me provar que o Bruce Dickinson era o maior vocalista da historia, e eu detestando muito tudo isso. Canções como Afraid to Shoot Strangers, Fear is the Key, Childhood's End e Judas Be My Guide acabaram fazendo eu gostar do Iron, não tanto como muita gente aqui do blog, mas o suficiente para ter os vinis da discografia oficial, e admirar um talento nato chamado Paul DiAnno. Parabéns ao Amancio pela resenha

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  3. micaelmachado

    Um dos mais fracos discos da primeira fase do Iron, mas, graças ao talento do grupo, conseguiu ter o status de clássico mesmo assim. Curiosamente, prefiro as músicas menos conhecidas, como "Afraid to Shoot Strangers"(a melhor do disco, ainda!), "Childhood's End" (baita refrão), "The Fugitive" (seria ela uma sequência para "The Prisoner"?) e "Judas Be My Guide" (maravilhosa!). Mas não reconhecer o valor de "Fear Of The Dark" (apesar de ter virado carne de vaca há anos, cada vez que ouço a galera – seja de que país for – cantando aquele refrão, sinto arrepios pelo corpo!), da rápida e agressiva "Be Quick or Be Dead" (uma das melhores neste estilo na carreira do grupo) e de "Wasting Love" (que levou o Iron a ouvidos que não o conheciam nem de nome) seria besteira!

    Ao contrário do Bueno, este foi o primeiro disco "novo" da banda que conheci depois de virar fã (e conhecer toda a discografia), e achei decepcionante na época, por não parecer com os álbuns mais antigos. Depois, aprendi a respeitar mais, ainda mais que os discos posteriores conseguiram fazer a qualidade cair ainda mais… mas não posso incluir entre os meus favoritos!

    Mairon, procurei na minha abalada memória, mas não lembro nem de achar que o Dickinson fosse o melhor vocalista da história em algum momento, que dirá de tentar te convencer disso! Tudo bem que és mais novo que eu, e a memória tá melhor, mas não precisa forçar tanto assim para me denegrir aqui no blog…

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  4. Daniel Araujo

    Esse disco tem momentos muito bons que eu considero mal aproveitados.

    Por exemplo: não conheço um fã que não ache "Judas be my guide" uma das melhores músicas da carreira do Maiden. Outra que eu acho genial, mas poucos concordam comigo, é "Chains of misery". Os pré-refrões dessas duas músicas têm umas tensões que vão crescendo a cada nota e arrepiando cada espinha da coluna, hehe.

    Ainda assim, eles preferiram dar destaque pra "From here to eternity" (emulação de AC/DC) e "Wasting Love". Clara carona no movimento hair metal, que dominava a época.

    Já "Be quick or be dead" é uma das minhas preferidas de todos os tempos, mas só foi tocada na turnê do disco e nunca mais. ("Man on the edge", minha preferida do disco seguinte, parece ser uma tentativa de preencher essa lacuna)

    Já a faixa título… eu virei fã de metal e do Maiden na época desse disco e imediatamente percebi o quão desinspirada "Fear of the Dark" era. Não que seja ruim, mas parece que foi feita em cima de um template de ideias fáceis. Acho que ela só "pegou" por causa da versão do "A Real Live One"… "Fear of the dark… you… fear of the dark… yes"

    Agora, uma coisa que me dá tristeza é ouvir gravações ao vivo da época. Nicko e Janick estavam extremamente displicentes com seus instrumentos e até mesmo nos registros oficiais dá pra sentir isso. Hoje, pra mim, o Maiden vive seu melhor momento. Ainda mais agora que, depois de fazer as pazes com o homem lá em cima, o Nicko fez as pazes com o metrônomo 🙂

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  5. Fábio RT

    Bom disco ! tirando Wasting love que é péssima o resto é muito consistente…assim como toda a carreira do Iron…que em estúdio gravou apenas dois albuns fracos: o No Prayer e o Virtual Eleven
    Concordo sobre as performances ao vivo da época…além do Bruce estar cantando mal… os demais também não viviam um bom momento…tocando de forma errática e descuidada …

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  6. Unknown

    fã do Maiden desde 1982 eu estive na época muito ansioso, lembro de ter visto a capa em uma revista de fora nates do lançamento e a minha expectativa era enorme…pena que o trabalho não tem aquela pegada dos clássicos. Esse foi o meu primeiro CD importado que comprei, lembro que comprei na Galeria antes de ter um aparelho de CD player para tocar…isso em 1992..Em relação as musicas mais lentas…rs…recomendo prodigal son e remember tomorrow..abs a todos

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  7. Igor Maxwel

    Dos dois discos do Iron sem Adrian Smith e com Dickinson nos vocais, este é pra mim o mais decente e o que dá pra ouvir do começo ao fim, sem pular nada.

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