Cinco Discos Para Conhecer: Glenn Hughes

10 de maio, 2012 | por Van do Halen
Cinco Discos Para Conhecer
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Excepcionalmente nesta semana a coluna “Cinco Discos para Conhecer” será publicada hoje, e não na sexta-feira, dia em que a seção habitualmente se faz presente.
Por Igor Miranda (publicado originalmente no site Van do Halen)

Trapeze – Medusa [1970]
Lançado no fim de 1970, Medusa é o segundo álbum do Trapeze, primeira banda em que Glenn Hughes tocou profissionalmente. O debut, lançado no mesmo ano, é bem confuso e diferente do que se encontra nos trabalhos posteriores. Por sorte, os responsáveis por isso (o vocalista John Jones e o guitarrista e tecladista Terry Rowley) logo caíram fora para sua banda de origem e o Trapeze se tornou um power trio, constituído por Hughes nos vocais e no baixo, Mel Galley (Whitesnake, Phenomena) na guitarra e Dave Holland (Judas Priest) na bateria. Medusa traz um blues rock com fortes influências de funk e soul music, sempre carregadas por Glenn. Bateria precisa, guitarras que destilam excelentes riffs, baixo pulsante e vocais extraordinários. Algo que, em 1970, deveria ter chamado a atenção. Mas por não estarem no cast de uma grande gravadora no momento do lançamento, trata-se de um álbum subestimado e que nunca atingiu o merecido sucesso. Os três integrantes conseguiram seus lugares ao sol posteriormente, mas Medusa, além de ser o verdadeiro início para esses três, é um baita disco de rock ‘n’ roll.
1. Black Cloud
2. Jury
3. Your Love Is Alright
4. Touch My Life
6. Makes You Wanna Cry
7. Medusa
Formação: Glenn Hughes (vocal, baixo); Mel Galley (guitarra, backing vocals); Dave Holland (bateria)

Deep Purple – Burn [1974]
No auge de sua formação clássica, o vocalista Ian Gillan decidiu abandonar o Deep Purple, e com ele também foi o baixista Roger Glover. Para substituí-los, foram escalados David Coverdale (vocal) e Glenn Hughes (baixo e vocal). Inicialmente, apenas Hughes seria convocado, permanecendo como vocalista principal e baixista, como fazia na sua antiga banda, o Trapeze. Mas os caras optaram por ter alguém só para os microfones, daí a entrada de Coverdale, que dividia as vozes constantemente com o baixista. Mesmo com tantas feras em uma só banda, ninguém foi ofuscado. Glenn exerceu forte influência na nova sonoridade adotada, principalmente pelas doses de funk, boogie e soul music, enquanto David intensificou a veia blueseira das composições. Os três remanescentes, competentes como sempre, deram o peso e a precisão necessária para que Burn se tornasse um clássico do rock, sem fronteiras ou rótulos.
1. Burn
2. Might Just Take Your Life
5. You Fool No One
6. What’s Goin’ On Here
8. A 200
Formação: David Coverdale (vocal); Ritchie Blackmore (guitarra); Glenn Hughes (baixo, vocal); Jon Lord (teclados, órgão Hammond); Ian Paice (bateria, percussão)

Black Sabbath featuring Tony Iommi – Seventh Star [1986]
Seventh Star foi todo concebido e gravado com a intenção de ser o primeiro disco solo do guitarrista do Black Sabbath, o lendário Tony Iommi. No entanto, por pressão dos magnatas da gravadora, levou o nome da banda – por isso contém featuring Tony Iommi. Para a empreitada, nenhum ex-integrante do conjunto. A cozinha foi emprestada por Lita Ford, noiva de Iommi na época, com Dan Spitz no baixo e Eric Singer na bateria, enquanto Geoff Nicholls se manteve nos teclados e Glenn Hughes foi convocado para os vocais. Por conta disso, há o estranhamento no que diz respeito à sonoridade aqui empregada, muito diferente do que se é conhecido do Sabbath. A influência do blues é muito forte – cortesia de Tony Iommi, um blueseiro de primeira –, e há a enorme presença de elementos do hard rock oitentista nas canções, sendo o single de divulgação do play, “No Stranger To Love”, a maior prova disso. Mas toda a formação arregaça, o peso é mantido como se deve em todo o álbum e Hughes, mais uma vez, faz a diferença, provando a razão do humilde apelido “the voice of rock” (a voz do rock). Um dos melhores da discografia da trupe de Iommi.
1. In For the Kill
2. No Stranger to Love
4. Sphinx (The Guardian)
5. Seventh Star
7. Heart Like a Wheel
8. Angry Heart
9. In Memory…
Formação: Glenn Hughes (vocal); Tony Iommi (guitarra); Dave Spitz (baixo); Eric Singer (bateria); Geoff Nicholls (teclados); Gordon Copley (baixo na faixa 2)

Glenn Hughes – From Now On… [1994]
Depois de ter sua vida ferrada pelo uso contínuo de drogas, Glenn Hughes tomou vergonha na cara e largou seus vícios. Devidamente limpo, lançou L.A. Blues Authority Volume II, álbum repleto de participações especiais, em 1992. Dois anos depois, the voice of rock colocou um excelentíssimo trabalho nas prateleiras: From Now On…. A intenção era que esse disco fosse lançado apenas na Suécia, mas acabou sendo editado no Japão e nos Estados Unidos também. O direcionamento do registro é curioso, pois é bem orientado para o AOR e o hard rock melódico. A banda de apoio colaborou para tal direção, já que conta com dois ex-integrantes do Europe: o baixista John Levén e o tecladista Mic Michaeli. Há uma participação de Ian Haugland, mas apenas nas faixas bônus, sendo as baquetas assumidas por Hempo Hildén. Todos, inquestionavelmente, fazem muito bem, assim como os guitarristas suecos Thomas Larsson e Eric Bojfeldt, e o próprio Glenn, que nunca decepciona – até fazendo AOR, o cara brilha muito! Um dos melhores álbuns de sua (extensa) carreira solo.
1. Pickin’ Up the Pieces
2. Lay My Body Down
3. The Only One
5. Walkin’ On The Water
6. The Liar
8. You Were Always There
9. If You Don’t Want Me To (Allyson’s Song)
10. Devil in You
11. Homeland
13. Burn [Faixa bônus para EUA e Japão]
14. You Keep on Moving [Faixa bônus para o Japão]
Formação: Glenn Hughes (vocal); Thomas Larsson (guitarra); Eric Bojfeldt (guitarra); John Levén (baixo); Hempo Hildén (bateria); Mic Michaeli (teclados, backing vocals); Ian Haugland (bateria nas faixas 13 e 14); Meja (backing vocals na faixa 9)
Black Country Communion – Black Country [2010]
Após uma jam entre Glenn Hughes e o guitarrista Joe Bonamassa (conhecido principalmente por sua carreira solo altamente influenciada pelo blues) no Guitar Center’s King of the Blues, evento ocorrido em Los Angeles (EUA), os dois decidiram que precisavam tocar juntos em um novo projeto. O Black Country Communion estaria formado pouco depois, quando o produtor Kevin Shirley sugeriu a adesão de dois caras que dispensam comentários: Jason Bonham e Derek Sherinian, respectivamente para a bateria e para os teclados. Shirley acabou ficando para produzir o primeiro registro. Black Country saiu na segunda metade de 2010 e impressionou. Pode-se esperar tudo de um supergrupo, mas o resultado não poderia ser melhor: um trabalho versátil e fora de qualquer rótulo. Ora funk rock, ora hard rock, ora rock ‘n’ roll clássico, ora blues rock, ora moderno. O quarteto simplesmente detona em mais de 70 minutos de boa música, com destaques para todos os instrumentos, mas principalmente para Hughes, que com quase 60 anos canta com a mesma disposição que tinha há mais de 30 anos.
2. One Last Soul
3. The Great Divide
5. Beggarman
6. Song of Yesterday
7. No Time
8. Medusa
9. The Revolution in Me
10. Stand (At The Burning Tree)
11. Sista Jane
12. Too Late for the Sun
Formação: Glenn Hughes (vocal, baixo); Joe Bonamassa (guitarra, backing vocals, vocal nas faixas 6 e 9, co-vocal nas faixas 11 e 12); Jason Bonham (bateria, percussão); Derek Sherinian (teclados)



3 Comentarios

  1. Todos discos clássicos. Glenn Hughes é um dos verdadeiros herois da música. Saiu das drogas e hoje vive mandando ver (e muito bem) na sua discografia solo. Um cara excepcional dentro do mundo do rock, com uma voz belíssima, e uma capacidade de cantar que muito marmanjo metido a vocalista de banda grande não tem.
    Das bandas citadas, concordo com o Medusa (melhor disco do Trapeze),
    o Burn (apesar de achar o Come Taste the Band muito melhor), pois no Burn é onde o Hughes toca mais, e o Seventh Star (baita performance vocal do cara). Discordo do From Now on. Colocaria o Songs in the Key of Rock ou o Soul Mover, dois discaços, que colocam a casa para baixo sempre que ouço. Na minha lista, não entraria o BCC, mas sim o HTP 2, só que entendo a ideia do Igor, e claro, é bem difícil colocar todas as pérolas que o Hughes gravou em apenas cinco discos, e que gravou pérolas como Hughes/Thrall, Phenomena, Windows e vários outros. Enfim, ótimas escolhas para começar na carreira desse monstro como músico, seja vocalista e baixista.

  2. Carlos disse:

    Trapeze foi um dos maiores power trios da história, tanto Medusa como You Are The Music…We're Just The Band estão entre os melhores discos da década de 70, o que Glenn Hughes, Mel Galley e Dave Holland fizeram ofusca várias bandas com mais integrantes, dois discos perfeitos, onde tudo tá no lugar certo, nada de excessos de estrelismo por parte de seus integrantes..
    já no Deep Purple, gosto de todos discos dos quais ele participou, só ao vivo que não gosto, a disputa pra ver quem gritava mais é de doer os ouvidos, mas em estúdio o casamento das vozes de Hughes e Coverdale é de arrepiar, já em carreira solo prefiro o Soul Mover, a sonoridade AOR do From Now On não é minha praia…
    já do Black Country Communion gostei mais do Black Country Two, embora ao vivo ache um porre imenso, principalmente por causa das jams que não levam à lugar nenhum…
    ah e sobre o disco com o Sabbath, pra mim é um disco totalmente nada a ver com o Sabbath que eu gosto, e depois do Ozzy (minha fase preferida) e a fase DIO (que gosto bastante tb) definitivamente não foi digerido bem pelos meus ouvidos…
    se for pra recomendar só um disco de Hughes recomendaria Meduza do Trapeze…
    abs, parabéns peloblog

  3. micaelmachado disse:

    Uma carreira excelente na década de 70. que caiu no ostracismo na maioria da década seguinte por conta das drogas, mas que virou exemplo de recuperação e superação dos 90 em diante. Já o assisti ao vivo, e foi um showzaço, canta e toca muito. Dos discos citados, prefiro a fase Purple (do qual acho Burn o melhor indiscutivelmente), não curto o 7th Star, nem o da carreira solo. Trapeze não é muito minha praia, e o BCC acho muito bom, trazendo o espírito dos 70s para o século 21.

    Bela matéria!

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