Baroness: Por Que Ouvir?

Baroness: Por Que Ouvir?

por Bruno Marise

Quando comecei essa coluna, a ideia era não apenas mostrar que essa história de que não existe música boa e original é cascata, mas também dar uma maior atenção a grupos que sequer dão as caras na mídia especializada (e conservadora) nacional. O protagonista de hoje é um grande exemplo disso. O Baroness teve um ano bastante agitado em 2012. Lançou um disco que foi considerado o melhor de sua carreira, e até o melhor trabalho do ano por alguns (eu inclusive) mas infelizmente o que mais marcou a banda foi um terrível acidente durante uma turnê pela Europa. Felizmente não houve vítimas fatais, mas os integrantes ficaram bastante feridos a ponto de interromperem o restante da tour, o que freou a divulgação do disco.

O Baroness é uma banda americana de Savannah, na Georgia, formada em 2003. Os caras fazem uma mistura de Metal Alternativo e Sludge. Mas a experimentação se foca nas composições ao invés das performances instrumentais. O som é pesado, mas não extremo. O peso fica por conta da atmosfera densa criada pelos americanos.  O líder, vocalista e guitarrista John Blaizey também é artista plástico, e assina as capas de todos os discos do Baroness, e de outras bandas como Kylesa, Kvelertak e Skeletonswitch, que são um show à parte e fazem parte da identidade visual do grupo.

O grupo teve na sua formação inicial John Baizley (guitarra, vocais), Tim Loose (guitarras), Summer Welch (baixo) e Allen Blickle (bateria). Em 2005, Loose deu lugar ao irmão de Allen, Brian Blickle, o qual ficou na banda até 2008, tendo gravado o primeiro full lenght da banda, Red Album (2007). Com a entrada de Pete Adams para o lugar de Brian, vem o segundo disco, Blue Record (2009), até que Welch sai do grupo em 2011. Como um trio, e uma série de convidados, lançam o álbum duplo Yellow & Green (2012), e então, contratam Matt Mangionni como baixista oficial do grupo, lançando o EP Live At Maida Vale (2013). Porém, em março de 2014, Matt e Allen Bickle, decidiram deixar o grupo, sendo substituídos por Nick Jost e Sebastian Thomson.

A nova formação lança Purple (2015), que encabeça minha lista de melhores daquele ano, sendo um disco que soa como um renascimento, uma ligeira volta aos primórdios. Uma nova mudança na formação ocorre em 2017, com Pete sendo substituído por Gina Gleason, e então, estabelem-se lançando dois discos com a mesma formação: Gold & Grey (2019), que está na lista de melhores de Daniel Benedetti, e Stone (2023). Ao longo de 2024/25, o grupo fez uma longa turnê de divulgação de Stone, quando voltou aos estúdios. Infelizmente, em 5 de setembro de 2025, Allen faleceu, aos 42 anos, devivo à um câncer neuroendócrino.

O grupo continua na ativa, e promete um novo álbum ainda para 2026. Ao lado de nomes como Mastodon, Machine Head e outros, o Baroness prova que é possível ser uma banda de Heavy Metal, pesada, moderna, criativa e de extrema qualidade, sem precisar ficar copiando os grupos já consagrados de décadas passadas.

Por onde começar?

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Todos os discos do Baroness são de alto nível, e recomendo a audição completa, mas sem dúvida é melhor ir atrás primeiro do mais recente, Yellow and Green [2012]Mesmo sendo um álbum duplo, os seus 75 minutos passam voando. É com esse trabalho que o Baroness conseguiu unir as guitarras pesadas, o atmosfera melancólica e os experimentalismos com melodias bem elaboradas e mais acessíveis, que mesmo sendo um registro de Heavy Metal, é extremamente agradável de escutar. É uma pena que o fatídico acidente sofrido tenha interrompido a divulgação do melhor momento da banda.

Baroness

Gênero: Sludge, Metal Alternativo, 

Origem: Savannah, Georgia – EUA

Atividade: 2003 – Atualmente

Discografia:

First [EP] (2004)

Second [EP] (2005)

Red Album (2007)

Blue Record (2009)

Yellow and Green (2012)

Live At Maida Vale [EP] (2013)

Purple (2015)

Gold & Grey (2019)

Live At Maida Vale Vol. II [EP] (2020)

Stone (2023)

Para quem gosta de: Mastodon, Tool, Melvins, Kylesa.

Um comentário em “Baroness: Por Que Ouvir?

  1. Uma banda muito legal mesmo, mas depois do Purple perdi contato com o trabalho deles – até esse disco, tudo que o Baroness lançou é de alto nível. Vou atrás dos demais e espero que se confirme o lançamento de novo disco. Boa lembrança!!

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