Na Caverna da Consultoria: Tomas Gouveia

Na Caverna da Consultoria: Tomas Gouveia

Por Fernando Bueno

Colecionar discos vai muito além de acumular itens em uma prateleira. É construir memória, identidade e relações afetivas através da música. O entrevistado desta edição da Consultoria do Rock conhece bem esse universo. Participante ativo do grupo ligado à Collector’s Room, de onde o conheci, Tomas Gouveia é daqueles colecionadores que conseguem falar com a mesma paixão sobre Rush, Black Sabbath, Marisa Monte, Maniac Street Preachers ou um CD garimpado em uma loja esquecida nos anos 90. Entre lembranças da Galeria do Rock, viagens internacionais, histórias de garimpo e reflexões sobre o mercado fonográfico, Tomas abre as portas de uma coleção construída ao longo de décadas.


Olá Tomas, seja muito bem-vindo à Consultoria do Rock. Para começar, conte um pouco sobre você: quem é o colecionador por trás da coleção?

Meu nome é Tomas Gouveia, engenheiro civil, 47 anos, casado, pai de uma linda menina e morador da cidade de Osasco na Grande São Paulo. E aproveito antecipadamente para agradecer a Consultoria do Rock por este espaço incrível para que eu possa falar um pouco deste meu hobby.

Como a música entrou na sua vida? Houve alguém que ajudou a formar seu gosto musical?

A música primeiro veio através da minha mãe, que virava e mexia estava com um disco de vinil tocando no antigo 3 em 1 que tínhamos em casa. Ela foi a primeira pessoa a me presentear com um disco, uma coletânea de capa prata da Som Livre chamada simplesmente The Beatles. Além dela, tive dois primos, infelizmente falecidos, José Renato e Fabio que sabendo que eu gostava de música e já tinha uma inclinação a gostar de rock, deixavam LPs da coleção deles comigo em casa, para que eu pudesse escutar e gravar uma fita K7. Ah sim, e desde aquela época eu já tinha bastante zelo tanto com os meus poucos discos e fitas quanto com os itens que eles me emprestavam. Por último, mas não menos importante, meu primo João Carlos, o maior fã de Deep Purple que conheço, que me presenteou em 1988, no meu aniversário de 10 anos, com o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles e também foi a pessoa que lá nos 90 me levou a primeira vez na Galeria do Rock para que eu pudesse comprar uns CDs com meu primeiro salário.

Muito legal essa diversidade de pessoas que te ajudaram nesse início. Você se lembra do primeiro disco que comprou com o próprio dinheiro? Ainda está na coleção?

Se podemos chamar um dinheiro ganho de presente como próprio dinheiro, sim! Foi em 1991, o CD No More Tears do Ozzy Osbourne. E sim, ele ainda está na coleção.

Em que momento você percebeu que não era apenas fã de música, mas um colecionador de fato?

Acredito que foi quando eu fiz questão de completar minha primeira discografia em CD, do Ozzy Osbourne. Isso por volta de 1996 quando foram relançados a primeira série de CDs dele, remasterizados. Completei, mas o No More Tears permaneceu o primeiro lá comprado em 1991.

Existe algum artista, gênero ou período da música que domina sua coleção?

A predominância é do rock, do clássico ao heavy metal. Mas também tem muita coisa de blues, jazz, pop, trilhas sonoras de filmes (as não incidentais) e bossa nova instrumental.

Sua coleção nasceu por paixão, obsessão, completismo ou curiosidade histórica?

Paixão pela música, indiscutivelmente, já que não me considero um completista pois algumas bandas e artistas eu acabo tendo a discografia completa de apenas uma fase ou ainda, de alguns recortes de carreira.

Hoje você busca mais CDs, LPs, fitas, DVDs, box sets ou itens promocionais?

CDs e LPs importados. Tenho essa predileção por conta da qualidade do material nacional que era vendido nas décadas de 80 e 90. Não foram poucos os CDs nacionais que comprei na década de 90 e que acabei trocando depois por CDs importados. E isso se manteve. E hoje com os canais de importação de outrora fechados por conta dos impostos acabo me atendo às promoções em sites especializados.

Quais eram/são os principais problemas das edições nacionais? Tem algum CD nacional que te decepcionou muito e te fez ter essa predileção?

Acho que o meu erro foi ter acesso à edições importadas ao mesmo tempo que comprava alguns itens nacionais. O próprio No More Tears já citado aqui. Comprei o importado e um amigo comprou o nacional. O disco nacional simplesmente não tinha encarte ou sequer a arte impressa no CD. Essa também foi a época que o passei a curtir muito o Queen. Tinha poucos CDs nacionais da banda e foi o momento que os americanos, remasterizados e relançados pela Hollywood Records chegaram ao mercado. A diferença entre os itens era gritante. Fiz questão de trocar todos.

Quantos itens aproximadamente compõem a coleção atualmente?

Recorrendo ao aplicativo CLZ Music que é onde cadastro minha coleção, tenho 2.382 itens na coleção, sendo 245 discos de vinil e o restante em CDs.

Como você organiza tudo?

Por ordem alfabética por artista ou banda e cronológica dentro de cada uma das discografias, em duas prateleiras na sala principal de casa, sendo uma para CDs e outra para os discos de vinil. 

Você cataloga digitalmente ou prefere controle “na cabeça e na estante”?

Uso o CLZ Music para a coleção geral e como são um número menor, tenho a coleção de discos de vinil também cadastrada no Discogs. 

Qual é o item mais raro da coleção?

Não sei se raros, mas os mais valiosos, segundo o Discogs é um Powerslave do Iron Maiden em vinil japonês, original de época, seguido de um Sonic Boom do Kiss também em vinil laranja não oficial e por fim, o vinil do Ritual De Lo Habitual do Jane’s Addiction, original de época. A história do Sonic Boom inclusive é muito interessante. Tenho um amigo, André Galeazzo, fanático pelo Kiss. Ele comprou este Sonic Boom na época sabendo que não era oficial, de forma a ter a discografia toda da banda em LP. E ele mesmo confessou que não foi um item barato. Porém, algum tempo depois a banda lançou oficialmente o álbum em vinil e ele me presenteou com o não oficial. E aí veio a surpresa um dia que eu estava consultando o Discogs quando elenquei os itens mais valiosos da coleção.  

E qual é o item mais valioso emocionalmente, mesmo que não seja raro?

Acredito que alguns discos de vinil que herdei do meu falecido primo José Renato. No meio deles têm de Stanley Clarke à Iron Maiden e Motörhead, o vinil colorido do álbum Holding All The Roses do Blackberry Smoke, com a capa assinada por toda a banda, incluindo o falecido baterista Britt Turner, na primeira vez que os assisti ao vivo, no Sweden Rock em 2015 e por fim, o vinil do Luck And Strange do David Gilmour, comprado na lojinha de merchandising de um show dele que tive o prazer de assistir no Royal Albert Hall em 2024, por ter sido um show muito marcante.

Não vou conseguir continuar falando de colecionismo antes de nos aprofundar um pouco nessa sua experiência no Royal Albert Hall. É um templo da música. Como foi essa experiência? Ainda mais por ser em um show de um artista tão importante.

Rolaram momentos de apreensão para este show, mas a história é boa. Em 2024 estávamos, minha esposa e eu, consultando destinos de viagem na Europa. Buscando oportunidades com passagens mais baratas. E apareceu uma passagem a preço justo para Londres, cidade para a qual nunca tínhamos viajado juntos. Compramos os bilhetes e dois dias depois o David Gilmour anunciou a turnê. Conversando com a minha esposa, expliquei a importância e tal e se ela se importaria de em uma noite ficar sozinha no hotel com a nossa filha e eu ir pro show. Ela entendeu e fui atrás do ingresso. Esgotaram-se rapidamente e acabei comprando em um site de revenda. Informaram que até um mês antes do show o ingresso seria enviado. Imagine você ficar de abril à outubro esperando e nada do ingresso chegar. E-mails e mais e-mails enviados e nada de resposta. No dia do show, já em Londres depois de muita cobrança, veio um e-mail do site informando que estavam estornando o meu valor naquele momento e que infelizmente eles não tinham conseguido um ingresso, mas que através de um link do próprio Royal Albert Hall eram comercializados ingressos destinados à patrocinadores que acabavam voltando para a bilheteria. Acabei comprando um ingresso sem saber a poltrona ou localização, por metade do valor. Ao me indicarem o local, era uma localização muito melhor do que o ingresso que eu havia comprado inicialmente. Me sentei e fiquei contemplando o lugar. Saí de mim pelas 3 horas seguintes. Um sentimento de vivenciar aquilo de forma plena junto de um sentimento de descrença de que de fato eu estava ali. Naquele momento eu já tinha o Luck And Strange como possivelmente o melhor álbum do ano, e o show só serviu para ratificar isso. Gilmour acompanhado de uma banda com Greg Phillinganes nos teclados e o monstruoso Guy Pratt no baixo e ainda, sua filha Romany, fazendo backing vocals e tocando harpa. Passados mais de um ano e meio daquela noite não são poucas as vezes que sou transportado pra lá novamente quando coloco “Between Two Points” do Luck And Strange ou “Sorrow” do Pink Floyd pra rolar novamente no meu som.

Muito legal, deve ser inesquecível, mas voltando, existe algum disco que você procurou por anos até encontrar?

Quando a Castle inglesa relançou na década de 90 os CDs remasterizados do Black Sabbath, Uriah Heep, Motorhead, Nazareth e Emerson Lake And Palmer, estes eram vendidos a preço de banana nas lojas do Mappin aqui em São Paulo, e eu sempre estava por lá comprando. Mas acabei bobeando e não comprando o Volume 4 do Black Sabbath. Fui achar ele em um sebo aqui de São Paulo menos de 10 anos atrás. 

Qual foi a compra mais improvável ou inusitada que já fez?

Minha esposa ama a Marisa Monte, então eu tenho comprado os discos dela em vinil para que nossa filha possa entender e ter acesso em mídia física, tanto ao gosto musical do pai, quanto o da mãe. Esses discos acabam fugindo um pouco dos demais itens que tenho na coleção. 

Já passou algum perrengue para comprar algum disco?

Na primeira vez que estive nos Estados Unidos em 2013, o mercado de CDs estava acabando por lá. E nas lojas da Best Buy eles estavam vendendo CDs de baciada por 4 ou 5 dólares. Pegamos o carro (meus amigos que estavam comigo por lá para um festival e eu) e fomos em um dia em todas as Best Buy em um determinado raio de onde estávamos hospedados atrás destes discos. Foram alguns quilômetros rodados e muitos CDs na bagagem de volta. 

E a maior pechincha da sua vida como colecionador?

Possivelmente o CD Nation do Sepultura que eu comprei por dez reais no restaurante Lago Azul na Rodovia Anhanguera aqui em São Paulo. Ele estava naquelas estantes giratórias de CDs em cima do caixa, no meio de algumas coletâneas de qualidade duvidosa. 

Já teve alguma decepção digna de nota?

Na década passada eu comprava muito CD japonês em leilão do Ebay. E alguns vendedores mandavam sem rastreio. Devo ter perdido nessa uns 5 ou 6 CDs que acabaram não chegando para mim. Hoje acabo só comprando de qualquer loja aqui ou no exterior que incluam o rastreio no envio. 

Como a família e as pessoas próximas enxergam essa paixão? Apoiam, toleram ou reclamam do espaço ocupado?

Minha esposa foi a maior entusiasta quando nos casamos de que a prateleira de CDs ficasse na sala de casa pois aquilo estava muito relacionado com a minha identidade. Talvez hoje com o espaço para os CDs acabando e a probabilidade de que eu tenha que fazer uma nova prateleira em breve, talvez ela tenha se arrependido um pouco disso. Já as demais pessoas que vêm visitar aqui em casa, pouquíssimas entendem a ‘loucura’ de um colecionador.

Qual foi o lugar mais interessante onde você comprou discos? Sebo escondido, feira, outro país, internet?

Nas barraquinhas dos festivais que tive a oportunidade de ir na Europa, Sweden Rock e Hellfest e ainda, em uma loja de souvenirs, no meio de chaveiros, isqueiros e canecas na Beale Street, em Memphis, nos Estados Unidos. 

Comprar no exterior mudou sua visão sobre colecionismo? O que encontrou de diferente?

Muda pela quantidade de lojas ainda grandes que existem lá fora, principalmente na Europa e Argentina. Já nas oportunidades entre 2013 e 2019 que eu estive nos Estados Unidos, era um mercado em baixa e acabei encontrando meia dúzia de CDs em lojas de departamento e mercados como Wal-Mart e Target, e ainda, na já citada Best Buy. Quanto a itens diferentes acho que o que me chama atenção principalmente é em relação à itens usados. Existe muito mais curadoria dos itens que são colocados à venda. Já comprei por exemplo CDs na seção de usados de lojas como a Gibert Joseph em Paris impecáveis. E estamos falando de CDs de época da década de 90.

Essa baixa no interesse pelos CDs nessa época foi durante um período em que muitos já dizia que o vinil talvez já tivesse morrido. O vinil voltou com força nos últimos anos. Você acha que o CDs ainda ‘vai voltar’?

Como comprador e colecionador tanto de um formato quanto de outro, infelizmente acho pouco provável que o CD de fato volte com a mesma força que o vinil, principalmente pelo fato de que ele não é um objeto de fetiche como o vinil é para algumas pessoas. Essas pessoas que compram o disco de vinil simplesmente para terem um item do artista ou banda que gostam, mas que não colocam para tocar acaba movimentando o mercado de uma forma diferente do que o CD faz. O quê não é ruim. Hoje o preço dos lançamentos em vinil no exterior caíram bastante.

Existe algum item que você passou para a frente e depois se arrependeu profundamente?

A coletânea Chronicles do Rush que eu tinha dupla importada, e em caixa gorda e me desfiz quando completei a coleção de CDs da banda. Essa já tem um tempinho que estou tentando trazer de volta para a coleção. 

Tem algum “Santo Graal” que ainda falta na coleção?

Quero ainda comprar os CDs duplos da Castle do Iron Maiden que não tenho mais, já que quatro deles foram surrupiados da minha coleção na inocência de ter levado eles para escutar num encontro na casa de um amigo.

Bem, essa de levar CDs para festas e encontros sociais deve contrariar alguma regra da cartilha de colecionador, não é?

Você tem toda razão! Totalmente! Hoje não saem de casa mais nem por decreto. Mas entendia ali que estava entre amigos e que não iria ocorrer nenhum problema. Mas alguns ali não se mostraram tão amigos assim. 

Você escuta tudo o que compra ou também existem peças guardadas como acervo?

Escuto absolutamente tudo. As vezes em viagens exagero nas compras e os discos acabam passando mais tempo lacrados do que deveriam. Mas obviamente que pela realidade de vida de um tempo para cá, tem CD na prateleira que não coloco para tocar há uns dez anos. 

Qual disco você mais toca e qual você preserva quase como relíquia?

Invariavelmente por conta do quanto eu gosto da banda, sempre acaba indo uma peça do Rush para o toca-discos ou para a bandeja de CDs quando paro para escutar música em casa. Acho que o já citado Powerslave em vinil japonês é o que está mais preservado já que quando resolvo escutar, acabo optando por colocar o CD para rolar. 

Na sua opinião, qual formato entrega a melhor experiência?

Sem dúvidas, o vinil, por ser mais ritualístico. Não dá para colocar um vinil para rolar e sair andando e ir fazer o jantar na cozinha. O vinil acaba demandando um cuidado maior e ele acaba sendo a opção quando você tem a certeza de que nada externo vai atrapalhar. 

Que mudanças você percebeu no mercado de discos nos últimos anos?

Durante muito tempo, com a popularização do mp3 e depois com a chegada dos streamings, colecionar discos para uma geração mais nova parecia ser algo de séculos atrás. Mas hoje enxergo que essa parcial retomada de produção e o fetichismo pelos discos de vinil têm trazido essa geração para perto de um assunto que eu jamais imaginava que voltaria à tona fora de um círculo restrito de pessoas. E obviamente, isso é benéfico para nós colecionadores de longa data, pois a oferta aumenta. 

Qual artista superestimado você nunca conseguiu gostar?

Seria besteira eu citar as bandas que de fato eu não gosto, como parte das do chamado BRock, mas aí eu estaria simplesmente criticando algo que não paro para escutar. Acho que superestimadas para mim acabam sendo aquelas que eu classifico como ‘bandas de coletânea’ como Journey (apesar de eu ter mais discos que eu gostaria), Motley Crue, The Doors e Twisted Sister. Sendo que algumas delas até uma coletânea seria exagerado, já que o que eu acabo gostando caberia em um EP de 5 músicas. 

E qual artista subestimado você defende com orgulho?

Vou tomar a liberdade aqui de citar alguns. Dentro do metal, o Armored Saint. Acho uma pena o John Bush ter deixado o Anthrax. De longe a fase que eu mais gosto da banda. Mas se ele não tivesse deixado, não teríamos o Armored Saint de volta. E o Armored Saint é uma banda com uma regularidade absurda no que diz respeito à discografia. Já dentro do hard rock, vou citar os ingleses do Thunder, que acabam sendo lembrados e achincalhados até hoje porque foram os escolhidos pelo Iron Maiden para abrir os shows que a banda fez por aqui em 1992. Acho uma banda fantástica com duas figuras centrais incríveis, o vocalista Danny Bowes e o guitarrista Luke Morley. Na cena de Seattle o Mother Love Bone e o Screaming Trees. Andrew Wood e Mark Lanegan eram duas forças da natureza. E dentro do britpop, duas bandas que pouco chegaram por aqui, Suede e Manic Street Preachers, que sempre trouxeram como influência os grandes nomes da música britânica.

Cite três discos que mudaram sua vida e explique por quê.

O primeiro certamente foi o Bridge Over Troubled Water de Simon & Garfunkel, que era um dos discos que a minha mãe não tirava da vitrola. O segundo foi a própria coletânea dos Beatles que a minha mãe me presenteou. Quando eu escutava era como se eu estivesse criando o meu próprio universo de gosto musical. E o terceiro foi o Roll The Bones do Rush, emprestado pelo meu falecido primo José Renato em CD na época do lançamento e que abriu a minha cabeça para que a banda se tornasse em pouco tempo, a minha preferida na vida.

Quais bandas ou artistas atuais merecem mais atenção dos leitores?

Apesar de não tão atuais, no metal, Mastodon e Gojira e também os australianos do Parkway Drive. Também Wolf Alice no indie e The Warning no hard rock. Ah sim, e eu tenho esperanças de que no futuro o Ghost retome a sonoridade que os consagrou e abandone a sonoridade dos dois últimos álbuns, que me decepcionaram bastante. 

E quais nomes clássicos esquecidos deveriam ser redescobertos?

Paul Weller, tanto em sua carreira solo, quanto nos álbuns do The Jam e The Style Council além de Ian Hunter, também tanto em sua carreira solo quanto nos álbuns do Mott The Hopple.

O que você ouviu bastante nos últimos meses?

Tenho escutado muito o Wolf Alice e seu último álbum The Clearing de 2025, que fez neste álbum um som bastante calcado tanto na sonoridade da fase americana do Fleetwood Mac como no Electric Light Orchestra e ainda, os álbuns lançados agora em 2026 por Social Distortion, Robbie Williams, Megadeth e Rob Zombie e também o álbum ao vivo lançado pelo The Warning no ano passado. 

Qual foi a última aquisição?

Foram dois discos de vinil, o primeiro do Danzig, em sua primeira reedição em vinil de 2025 e também de 2025 uma reedição em vinil do álbum Gentlemen do The Afghan Whigs, de 1993, os boxes de vinil e CD do For Unlawful Carnal Knowledge e Balance do Van Halen e ainda em CD, os últimos álbuns do Megadeth e Alice Cooper.

Caramba. chegou muita coisa ao mesmo tempo. Vamos lá para uma variação da eterna pergunta da ilha deserta. Se tivesse que salvar apenas dez discos da sua coleção em caso de emergência, quais seriam?

A resposta para esta pergunta sempre muda, mas os da vez são:

Rush – Moving Pictures
Fleetwood Mac – Rumours
Black Sabbath – Black Sabbath
Pink Floyd – The Dark Side Of The Moon
Steely Dan – Can’t Buy a Thrill
Deep Purple – Fireball
Iron Maiden – Powerslave
Rainbow – Rising
Queen – A Day At The Races
The Dave Brubeck Quartet – Time Out

Agora o tradicional bate-bola da Consultoria do Rock:

Peço desculpas desde já pois alguns, ou muitos artistas serão repetidos no passeio pelas décadas à seguir.

 Os 10 melhores discos da década de 60

The Beatles – Revolver (1966)
The Beatles – Abbey Road (1969)
Van Morrison – Astral Weeks (1968)
The Rolling Stones – Let It Bleed (1969)
The Who – Tommy (1969)
Elton John – Empty Sky (1969)
Van Morrison – Moondance (1970)
Black Sabbath – Black Sabbath (1970)
Black Sabbath – Paranoid (1970)
Deep Purple – In Rock (1970)

Os 10 melhores discos da década de 70

Deep Purple – Fireball (1971)
Steely Dan – Can’t Buy A Thrill (1972)
Elton John – Goodbye Yellow Brick Road (1973)
Pink Floyd – The Dark Side Of The Moon (1973)
Queen – A Day At The Races (1976)
Rainbow – Rising (1976)
Lynyrd Skynyrd – Street Survivors (1977)
Ramones – Rocket To Russia (1977)
Thin Lizzy – Bad Reputation (1977)
Fleetwood Mac – Rumours (1977)

Os 10 melhores discos da década de 80

Michael Jackson – Thriller (1982)
Judas Priest – Screaming For Vengeance (1982)
Tears For Fears – The Hurting (1983)
Genesis – Genesis (1983)
Van Halen – 1984 (1984)
Iron Maiden – Powerslave (1984)
Bruce Springsteen – Born In The U.S.A. (1984)
Metallica – … And Justice For All (1988)
Depeche Mode – Music For The Masses (1987)
Faith No More – The Real Thing (1989)

Os 10 melhores discos dos anos 90

Metallica – Metallica (1991)
R.E.M. – Automatic For The People (1992)
Social Distortion – Somewhere Between Heaven And Hell (1992)
Manic Street Preachers – Generation Terrorists (1992)
Alice In Chains – Dirt (1992)
Rush – Counterparts (1993)
Anthrax – Sound Of White Noise (1993)
Pink Floyd – The Division Bell (1994)
Megadeth – Youthanasia (1994)
Oasis – (What´s The Story) Morning Glory? (1995)

Os 10 melhores discos dos anos 2000 em diante

Poxa, são quase 3 décadas. Só 10? Rsrsrs

Mas vamos lá!

Johnny Cash – American IV: The Man Comes Around (2002)
Bruce Springsteen – The Rising (2002)
Volbeat – Beyond Hell / Above Heaven (2010)
Rush – Clockwork Angels (2012)
Jack White – Lazaretto (2014)
Ghost – Meliora (2015)
Gojira – Magma (2016)
Metallica – Hardwired… To Self-Destruct (2016)
Mastodon – Emperor Of Sand (2017)
David Gilmour – Luck And Strange (2024)

Queria aprofundar em um outro assunto que você comentou lá no início da nossa conversa. Você é um frequentador antigo da Galeria do Rock. Pode falar um pouco como foi sua primeira impressão lá no início? Achou o ambiente intimidador para um garoto? E como você viu a evolução do espaço ao longo dos anos?

Fui instruído na época pelo meu primo a coisas do tipo ‘não entre nessa loja pois o dono é careiro e mal educado’ e sigo o conselho até hoje com alguns deles. Quanto à ser intimidador, acho que é até hoje, mesmo sendo já um adulto, com as poucas lojas que sobraram com essa finalidade. O sistema de comércio da Galeria onde na grande maioria das vezes o lojista se posta atrás do balcão e simplesmente diz se tem ou não o disco e te entrega ele com o preço na capa, tira a liberdade do consumidor de pensar se vai levar ou não, de explorar o que mais ele poderia comprar além daquilo que inicialmente ele está procurando. E infelizmente acho que não teve evolução para melhor nesse sentido. Mas sim, acho válida e necessária a evolução do local para o que se tornou hoje, como um ambiente cultural que abraça o rock de várias formas, com bares, lojas de acessórios e também discos e que acabou transformando ela em um ponto turístico da cidade.

Uma pergunta que não pode faltar pensando no futuro. Qual vai ser o destino de sua coleção? Ela tem um fim? Sua filha já demonstra interesse por esse monte de plástico?

Não tenho uma wishlist para determinar um fim para as minhas compras, mas sinto que hoje estou mais voltado à comprar edições especiais ou discos clássicos que ainda não tenho. Sinto que os lançamentos se tornarão cada vez mais raros por aqui. Para você ter uma ideia e recorrendo mais uma vez ao CLZ Music, em 2015 eu comprei 93 álbuns lançados naquele ano. O número caiu para 27 em 2025, dez anos após. Este ano estamos em Maio e só comprei até o momento o álbum novo do Megadeth. E quanto a minha filha, apesar de amar “Feed My Frankenstein” do Alice Cooper, ela ainda não tem lá um gosto musical muito definido, afinal também ama as músicas da Shakira das trilhas sonoras de Zootopia. Mas ela para pra ver quando coloco principalmente os discos de vinil para escutar. Acho que do ponto de vista cultural, ela entender e respeitar esse hobby, será importante para o aprendizado dela. E óbvio, se ela pegar gosto pela coisa, tudo que é meu será dela.  

Tomas, muito obrigado pela sua participação e pelo ótimo papo. Deixo aqui o espaço para você dar os últimos recados para nossos leitores.

Eu que mais uma vez agradeço a oportunidade de estar em um espaço como este falando do meu hobby. E se eu posso dar uma dica a quem está se propondo a seguir este caminho é que não deixe que os outros ditem regras sobre como você deve consumir música. Acima de tudo consuma música, não importando se o seu único recurso no momento é usar um streaming no seu celular, ou se seus recursos financeiros te impedem de ter mais discos do que gostaria ou ainda, se o seu toca-discos é um modelo de entrada. A melhor coleção de discos ou a melhor aparelhagem é a que você pode ter. Não existe conta certa de quantos álbuns você têm que ter ou de qual aparelho você deve ter para escutar eles. Temos de lembrar que mesmo nos tempos áureos da produção de vinil ou de CD, poucas pessoas tinham o recurso para de fato ter muitos discos ou ainda, aparelhagens melhores do que as vendidas no mercado para a grande maioria. Hoje, nosso nicho é reduzido e temos de agradecer por ele ainda existir. E você, disposto a consumir música, será sempre lembrado por ajudar a manter a sua paixão e a de muitos outros acesa, não importando a porcentagem que você contribui para isso. Ah, e como sempre digo, boa música agora e sempre! Forte abraço à todos.

 

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