Maravilhas do Mundo Prog: Rush – Cygnus X1 Book Two: Hemispheres [1978]
Por Mairon Machado
Depois de terem bancado sua vontade de seguir explorando as experimentações musicais de longas suítes, e verem o sucesso ser alcançado com o álbum 2112, em 1976, destacando a Maravilhosa faixa-título, o trio canadense Rush construiu os pilares para montar a sua mansão prog durante o final da década de 70.
A turnê de divulgação de 2112 gerou o belíssimo ao vivo All the World’s a Stage(1976), lançado no formato duplo e que começou uma tradição na carreira de Geddy Lee (baixo, vocais, teclados), Alex Lifeson (guitarra, vocais, teclados) e Neil Peart (bateria), o qual foi o lançamento de um álbum ao vivo após quatro álbuns de estúdio, algo que manteve-se até os anos 2000, quando uma avalanche de lançamentos ao vivo foi feita pelo grupo.

Mas a carreira precisava continuar, e com a fama alavancada, o jovem trio (Neil Peart, o mais velho deles, tinha apenas vinte e quatro anos) voltou para os estúdios no início de 1977, concentradíssimos em manter o alto nível de 2112. No dia primeiro de setembro daquele ano, o grupo lançou A Farewell to Kings, que apesar de não ter repetido o mesmo sucesso comercial que seu antecessor, é tido pelos fãs como o primeiro álbum realmente progressivo do Rush.
Um dos méritos de A Farewell to Kings foi o de ter sido o primeiro álbum do trio a alcançar ouro no mercado estadunidense, feito esse consumado dois meses depois de seu lançamento (2112 alcançou platina, porém em novembro de 1977, após A Farewell to Kings chegar na mesma marca), mas musicalmente, o álbum traz ainda muito mais méritos, a começar pela linda faixa-título, com Alex Lifeson exibindo-se graciosamente no violão clássico, apresentando uma nova faceta para os fãs da banda. Os teclados também surgem pela primeira vez nessa canção, porém de forma muito tímida.

Para comprovar mais ainda a confiança nas suítes, o grupo apresenta duas em A Farewell to Kings. A primeira concluindo o Lado A, batizada de “Xanadu”, com pouco mais de onze minutos de duração e que é mais uma das diversas Maravilhas Prog que os canadenses fizeram em sua carreira, e que será certamente tratada por aqui no futuro. A segunda surge depois de três canções mais acessíveis, “Closer to the Heart”, “Cinderella Man” e “Madrigal”, que abrem o lado B preparando o ouvinte para uma incrível experiência sonora chamada “Cygnus X-1 Book One: The Voyage”.
Essa Maravilhosa faixa, com dez minutos de duração, conforme dito em seu título, é apenas a primeira parte de uma viajante história que foi completada no lançamento seguinte do grupo, Hemispheres, de 1978, trazendo a nossa Maravilha de hoje, o “segundo livro” de Cygnus X-1, batizado “Cygnus X-1 Book Two: Hemispheres”. Porém, elucidar o contexto lírico da Maravilha de hoje sem enfatizar a importância de sua parte antecessora seria como contar a história da vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial sem citar a importância dos nazistas para a mesma.
Desta forma, vou resumir “The Voyage” não por conta de sua parte instrumental, mas com o conteúdo informativo que a mente genial de Neil Peart desenvolveu para criar uma história incrível, que traça as constantes brigas entre a razão e a emoção durante seu Segundo Livro, mas que no Primeiro Livro contém a origem da história, quando somos apresentados ao protagonista da mesma, viajando pelo espaço próximo ao buraco negro que dá nome a canção, localizado na constelação de Cygnus. Vale ressaltar que “Cygnus X-1 Book One: The Voyage” instrumentalmente também é Maravilhosa, mas seus detalhes, assim como “Xanadu”, ficarão para o futuro.
Também é preciso citar aos que não sabem que um buraco negro surge na teoria da Relatividade Geral, e é uma região do espaço na qual a gravidade é tão intensa que nada consegue escapar, inclusive a luz. Dessa forma, a visão que se tem no universo é de uma imensa bola negra, diferente da cor roxa tradicional do espaço (apesar de muitos acharem que o espaço é completamente negro, na verdade ele possui uma emissão de frequência de luz próxima ao violeta).
As origens dos buracos-negros seriam o estágio final de uma estrela – sua morte – e existem vários indícios da existência desse tipo de “túmulo estelar” já verificados por astrônomos e astrofísicos. Inclusive, uma das especialistas em buracos-negros em todo o mundo é brasileira, a gaúcha Thaisa Bergmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Seu primeiro registro foi em 10 de abril de 2019, quando o Event Horizon Telescope tirou a primeira foto de um buraco negro, no caso o M87, no centro da galáxia Messier 87, a 55 milhões de anos-luz.
Voltando para “Cygnus X-1 Book One: The Voyage”, ela é uma canção quase que completamente instrumental. Sua letra começa apresentando o buraco negro, localizado à seis estrelas do Cruzeiro do Norte, com a força invisível de uma estrela que nunca morre, e cita algumas das características que ressaltei sobre buraco-negros nos dois parágrafos acima.
O protagonista surge viajando pelo espaço, exibindo-se a leste de Lyra, nordeste de Pegasus, tendo como referência a luz de Deneb através da via-láctea, até mergulhar no coração da constelação de Cygnus. Reparem aqui a inteligência de Peart nas citações para diferentes constelações, as quais são comuns no Hemisfério Norte.
Quando o protagonista encontra a constelação de Cygnus, começa a sofrer as consequências da atração gravitacional do buraco negro. Raios-x e sons de sirene aparecem na Rocinante, a nave que transporta o nosso personagem, e não há o que fazer, já que a nave não consegue resistir a tal força. Então, espiralando em queda, o protagonista sente seu corpo totalmente despedaçado, deixando notas de guitarra muito agonizantes soarem em tom decrescente, e a expectativa do que aconteceu com o protagonista.
Terá ele morrido?

Além de toda a fantástica performance instrumental dos pouco mais de dez minutos de “Cygnus X1: The Voyage”, com uma tensão e agonia muito marcante, o que chama bastante a atenção é o vocal de Lee.
Mesmo comparecendo em pouco tempo, é o suficiente para ele estraçalhar, sendo que no momento em que o protagonista grita “Every nerve is torn apart“, exatamente quando sente seu corpo despedaçado, o grito dado por Lee é de uma altura praticamente inalcançável por uma voz masculina, gerando um agudíssimo Bb5 (si-bemol na quinta), lembrando que por definição, a altura do som significa grave ou agudo. Quanto mais agudo o som, mais alto ele é.

Foi com ansiedade que os fãs aguardaram o desfecho da viagem da Rocinante e seu piloto, e que foi apresentada no dia 29 de outubro de 1978, quando Hemispheres chegou às lojas com nossa Maravilha de hoje. Para surpresa de todos, o que aguardava o personagem no interior do buraco negro foi uma viagem no tempo, que o levou às origens da humanidade na Terra, quando o ser humano começava a formar suas características.
Nesse tempo distante, ele vê uma batalha entre a razão e a emoção, e acaba sendo o principal personagem para resolver a mesma, usando sua experiência com o futuro, já que ele desafiou o buraco negro seguindo a confiança total na sua nave (a razão) mas também agindo por conta de sua vontade (a emoção).

“Cygnus X-1 Book Two: Hemispheres” desenvolve-se apresentando a eterna briga entre a razão e a emoção, recriadas por Peart através de analogias com a mitologia grega, envolvendo os deuses que representam a razão (Apolo) e a emoção (Dionísio). Além da fantástica letra, é inegável as qualidades musicais criadas por Lee e Lifeson, que viviam talvez a melhor fase de suas carreiras em 1978. A história é narrada em primeira pessoa, sendo essa o viajante de “Cygnus X-1 Book One: The Voyage”.
A suíte surge diferente de sua primeira parte, mais alegre através de uma longa introdução, batizada “Prelude”, com o barulho da nave espacial e batidas marcadas, como se a nave estivesse atravessando uma série de obstáculos, entrando no primeiro riff, levado pelo baixo cavalgante de Lee, o dedilhado da guitarra, batidas fortes de Peart e breves acordes de sintetizador, que trazem o segundo riff da canção, com guitarra, baixo e bateria repetindo as mesmas batidas em um ritmo marcial, deixando espaço para marcações que acompanham o dedilhado da guitarra.
Um terceiro riff aparece com uma sequência de notas feitas exatamente iguais por baixo e guitarra, com um complicado acompanhamento da bateria, e “Prelude” vai nos apresentando os diferentes riffs que irão surgir ao longo dos dezoito minutos de nossa Maravilha. Uma série de harmônicos cria o quarto riff, junto de batidas no chimbal e a marcação de baixo e bateria. O baixo passa a imitar as notas dos harmônicos, para a guitarra então explodir com a distorção fazendo as notas do quarto riff, e começar a segunda parte da história.
Com um novo riff, Lee nos introduz a história que ocorreu há muito tempo atrás. Os deuses do Amor e da Razão lutam para ver qual deles irá governar a fé dos homens, em uma batalha que durou eras, com o povo dividido entre a Razão e o Amor nos mais diversos campos de batalha. A guitarra e o baixo dedilham acompanhando a voz de Lee, que narra a história como uma pessoa que assiste os fatos que estão acontecendo, encerrando “Prelude” com um dedilhado mais grave da guitarra e a repetição do primeiro riff da suíte.
“Apollo (Bringer of Wisdom)” é a segunda parte de “Cygnus X-1 Book Two: Hemispheres”. O Deus do Sol e das Artes na mitologia grega representa o lado esquerdo do cérebro na suíte, sendo este o lado criativo do ser humano, já que diversas pesquisas mostraram que as pessoas que possuem o lado esquerdo do cérebro mais desenvolvido (ou utilizam mais o lado esquerdo) são pessoas voltadas para o pensamento, aptas para ciências como Física, Matemática, Química entre outros.
A base musical é o terceiro riff de “Prelude”, e na letra, Apolo apresenta-se. A apresentação é declamada pausadamente, acompanhando a melodia do riff, e nela, Apolo diz trazer a verdade, a compreensão, sagacidade e sabedoria, todos presentes preciosos e incomparáveis. Apolo afirma também que somos capazes de construir um mundo maravilhoso. Esses presentes ajudarão o homem a encontrar comida e abrigo, a fazer o fogo para aquecê-lo durante tempestades de inverno. O homem viverá com graça e conforto em um mundo no qual ele mesmo será capaz de transformá-lo para melhor.
As marcações do início de “Cygnus X-1 Book Two: Hemispheres” nos levam para o quarto riff, e com a voz mais solta, Lee volta a representar o contador da história, falando que as pessoas ficaram encantadas com as palavras de Apolo, e prontamente estimularam-se a construir cidades e trocar ideias.
Mas um dia, as ruas ficaram silenciosas, e o povo não sabia o que tinha acontecido. O desejo de construir essas coisas maravilhosas não estava mais presente. A solução foi dada pelos sábios: cruzar a ponte da morte em busca de Dionísio, para tentar descobrir o que havia sido perdido.
Aqui surge o primeiro solo de Lifeson, carregado de distorção e bends, feito sobre uma levada acelerada de baixo e guitarra, e apesar de curto – menos de um minuto – é suficiente para deixar os ouvintes boquiabertos com a agilidade de seus dedos e a velocidade das escalas.
Um breve dedilhado e retornamos ao riff de “Apollo”, agora em “Dionysus (Bringer of Love)”, a terceira parte, que apresenta o contra-ponto da razão: a emoção, sendo Dionísio o lado direito do cérebro. Pessoas que tem o lado direito do cérebro mais desenvolvido são voltadas para o dom artístico, como atores, músicos e palhaços, e são muito mais sensíveis. Na mitologia grega, Dionísio é o Deus do vinho e da fertilidade.
Ele surge além da ponte da morte, trazendo o amor para confortar, seja na escuridão da noite ou na luz eterna do coração. Dionísio afirma que é necessário confiar em seus sentimentos, que somente o amor pode guiá-los, e assim trazer risadas, música, alegria e lágrimas, acalmando os medos primitivos. Por fim, o Deus do Amor pede ao povo para que as correntes da razão sejam jogadas fora, para livrar-se da prisão que paira sobre eles.
O quarto riff de “Prelude” retorna, e a história continua através da voz de Lee, novamente como o interlocutor da mesma, com as cidades construídas com a Razão sendo abandonadas, e as pessoas indo morar junto à natureza, nas florestas, onde passou a ecoar uma canção enquanto elas dançavam e viviam como irmãos, sabendo que o amor não poderia estar errado. Lá eles tinham comida e vinho à vontade, e dormiam abençoados sob as estrelas. O povo estava feliz, e os deuses os observavam de longe.
Mas, quando o inverno chegou, pegou-os totalmente desprevenidos. Lobos famintos, fome e frio atingiram os povos, e então seus corações entraram em desespero.
A introdução de “Prelude” é retomada, com a presença dos sintetizadores, e então surge um novo riff, feito por baixo e guitarra ao mesmo tempo. Repetida a introdução dos sintetizadores, Lifeson sola com uma dupla série de escalas que sobem e descem em tons diferentes, e mais uma vez temos os sintetizadores, abrindo a batalha entre a razão e a emoção, enaltecida na quarta parte, “Armageddon: The Battle Of Heart and Mind”.
O andamento desse novo riff lembra o do segundo riff de “Prelude”, e com ele ao fundo, o narrador nos conta que o universo foi dividido, com o coração e a mente entrando em colisão e deixando as pessoas desnorteadas. Os anos que passaram-se foram conturbados, com uma nuvem de medo e dúvida sobre o céu, até o mundo ser dividido em dois hemisférios ocos.
Os povos começaram a lutar entre eles, e até dentro deles mesmos, mas a maioria apenas seguia uns aos outros, perdidos e sem rumo como irmãos. Os que seguiam o Coração (Amor) estavam escuros, e os da Verdade (Razão) não apareciam. Os espíritos foram divididos em hemisférios cegos.
Então, eis que surge o personagem de “Cygnus X-1 Book One: The Voyage”, através do primeiro riff de “Prelude”. Ele apresenta-se como alguém que nunca lutou, trazendo contos do passado para iluminar estes povos.
Ele viajou na nave Rocinante através da noite, e seu último voo foi em direção ao coração de Cygnus, quando uma força temível fez sua nave espiralar através desse espaço atemporal, levando-o para o meio do mundo antigo, um lugar imortal. Aqui que descobrimos que o narrador da história é exatamente o personagem central de “Cygnus X-1 Book One: The Voyage”.
Um breve solo de sintetizador, ainda sobre o riff de “Prelude”, leva ao encerramento da quarta parte, o qual resgata um pequeno trecho de “The Voyage”, com um crescendo de acordes que explode em três batidas fortes, deixando a guitarra dedilhar suavemente de forma igual ao encerramento de “Book One”.
“Cygnus: Bringer Of Balance”, a quinta parte, é iniciada com longos acordes de sintetizador e inserções de trechos instrumentais de “The Voyage”, até que sobre as camadas de teclados, surge nosso viajante, dizendo ter memória e consciência, apesar de não ter forma. Ele virou apenas um espírito sem corpo, que não morreu e nunca nasceu. O viajante passou por Olimpo, como nos velhos contos, vendo a cidade dos imortais, com o mármore branco e ouro puro.
Essa apresentação fica mais tensa nos sintetizadores, enquanto ouvimos explosões, e o viajante diz que viu os deuses em batalha, sem poder se mexer ou se esconder, e sentindo um grito silencioso surgir dentro dele. Os teclados dão lugar a uma melodia seguida por guitarra e vocais, falando que a aparição do espírito cessou o caos. Um longo silêncio surgiu em um clima de paz, com os guerreiros caindo em lágrimas, tornando-se místicos.
O riff final de “Prelude” acompanha o encerramento de “Cygnus: Bringer of Balance”, com Apolo assustado, Dionísio parecendo louco. Mas ao ouvir a história do espírito que viajou no tempo, maravilhados, ficaram tristes por suas atitudes.
Olhando para o Olimpo, eles viram um mundo de medo e dúvidas, com a superfície separada em dois hemisférios. Os deuses sentaram-se em silêncio, e falaram para o espírito: “Nós o chamaremos Cygnus, o Deus do Equilíbrio você deverá ser“, e uniram-se para trazer a paz ao mundo.
A introdução da suíte é repetida, para uma série de acordes dedilhados acompanhar os últimos momentos da quinta parte, destacando as escalas de baixo, para sintetizadores encerrarem a coroação do espírito do equilíbrio, concluindo com quatro marcações fortes de guitarra, baixo e bateria.
“Cygnus X-1 Book Two: Hemispheres” encerra-se com “The Sphere: A Kind Of Dream”, levada apenas pelo violão acompanhando a linda mensagem deixada no final da canção, que diz que podemos caminhar nossas estradas juntos, se os objetivos são os mesmos, e podemos correr sozinhos e livres, se objetivamos alvos diferentes.
O importante é deixar a verdade do amor acender, e o amor da verdade brilhar forte. Afinal, a sensibilidade, de braços com o sentido e a liberdade, tornam o coração e a mente unidos, em uma única e perfeita esfera, e nossa Maravilha conclui-se com um longo acorde de sintetizador.
Uma história viajante, que fez do trio ainda mais reconhecido, aumentando sua importância para o hall do rock progressivo e ultrapassando nomes de “dinossauros” como Pink Floyd, Emerson Lake & Palmer e Yes.

A exploração do tema foi levada inclusive para a polêmica capa de Hemispheres. Ao apresentar um homem nu de costas, as pessoas inicialmente ficaram chocadas com tal visão. Porém, ao perceber os detalhes da capa, somos hipnotizados pela simplicidade e genialidade, mostrando os dois hemisférios do cérebro tanto na frente quanto na contra-capa. A diferença é que na frente, temos de um dos hemisférios (o hemisfério esquerdo) um homem bem-vestido, representando a razão, e o tal homem nu no hemisfério direito, representando o Amor. Na contra-capa, os dois Hemisférios estão unidos em dois cérebros lado a lado, sem os homens, mostrando a união para a perfeição. Detalhes que tornam a obra ainda mais genial.

Depois de Hemispheres, que ainda contém a Maravilhosa “La Villa Strangiatto“, a pérola “The Trees”, uma das melhores letras de Neil Peart, e o hard pesado de “Circumstances” preenchendo o lado B, o Rush continuou sua carreira, e desfrutou de ser a principal banda do rock progressivo mundial no final da década de 70, início da década de 80, com os aclamados álbuns Permanent Waves (1980) e Moving Pictures (1981), cada um deles detentor de pelo menos duas Maravilhas prog em cada álbum (“Natural Science” e “Jacob’s Ladder” no primeiro, “YYZ” e “The Camera Eye” no segundo). Veremos qual delas surgirá aqui em junho.















