Cinco Discos Para Conhecer: Templos do Rock: Shepherd’s Bush Empire

Cinco Discos Para Conhecer: Templos do Rock: Shepherd’s Bush Empire

Por Marcello Zapelini

Localizado em Londres, é um dos menores templos do rock abordados nessa seção, e, ao mesmo tempo, um dos mais antigos e tradicionais da capital da Inglaterra. Construído em 1903 como uma sala para apresentações teatrais e concertos musicais, o Empire Theatre se localiza no bairro de Shepherd’s Bush. Na época da Segunda Guerra, quase foi destruído pelos bombardeiros da Luftwaffe, sobreviveu e passou (na década de 50) a ser a sede do estúdio de TV da BBC, voltou a ser um espaço musical nos anos 90 e hoje faz parte do grupo O2. Com capacidade para cerca de 2000 pessoas, o Empire hospedou atrações como o jovem Charlie Chaplin (em 1906), foi o local de gravação do programa Old Grey Whistle Test, um dos mais famosos shows musicais da BBC TV, e em 1993 foi adquirido por um empresário britânico para se dedicar exclusivamente à música, sendo utilizado por grandes bandas que decidiram fazer um show mais intimista, mais próximo da plateia, e por grupos e artistas menos populares que aproveitam a mística do lugar para suas apresentações.

Nesses últimos 30 anos, muitos shows foram gravados e lançados em CD ou DVD, entre eles o concerto de despedida do The Mission, o da veterana Siouxsie e seus Banshees, e os neoprogs do Transatlantic. Alguns shows, inclusive, foram registrados especificamente para serem lançados em vídeo, como no caso do primeiro registro ao vivo de Amy Winehouse, cujo áudio só foi lançado postumamente numa box com suas obras completas. Essa abundância de filmagens se reflete nos discos escolhidos para esta seção, pois somente os de Gary Numan e do The Who não têm lançamento em DVD ou Blu-Ray. Quase incluí alguns desses DVDs como bonus tracks, mas decidi homenagear um grupo que merecia aparecer nos templos do rock e nunca tivera um lançamento seu resenhado nesta série: The Who.

A lista – como sempre, baseada no meu gosto pessoal – é provavelmente a mais eclética de todos os templos do rock até o momento, pois temos os veteranos Stones e Stills, um bluesmen contemporâneo, um dos pioneiros da New Wave britânica e uma banda de prog death metal (!). Os discos são apresentados na ordem de gravação, não de lançamento (tanto o dos Stones quanto o de Gary Numan foram disponibilizados anos depois do evento que documentam), e naturalmente o leitor poderá ter alguma sugestão interessante que acabou faltando; coloque nos comentários, por favor!

Shepherds Bush Empire interior

GARY NUMAN – Live at Shepherd’s Bush Empire (1997, lançado em 2004)

O cantor inglês que começou sua carreira no Tubeway Army (uma das bandas pioneiras da New Wave na Inglaterra) experimentara novamente o sucesso comercial em sua terra natal depois de alguns anos quando lançou este CD duplo contendo um show registrado sete anos antes, em que ele revisita vários momentos de sua carreira (embora com maior atenção no trabalho registrado em Sacrifice e Exiles, então seus últimos lançamentos de estúdio) num período em que ele estava deixando um pouco de lado o rock eletrônico tradicional que fizera sua fama em nome de uma sonoridade mais próxima do industrial.. Algumas de suas músicas mais conhecidas, como a obrigatória “Cars” (sempre ótima de ouvir, ainda que numa versão um pouco acelerada), “Jo The Waiter” (do primeiro LP do Tubeway Army), “Are ‘Friends’ Electric?” e “Down in the Park” garantem o interesse de um fã ocasional como eu, que pouco acompanhei sua carreira depois do começo dos anos 80. O som gélido que notabilizou Gary nos seus primeiros anos aparece em músicas como “Films” e “Dead Heaven”, e sua voz soa bem sobre o acompanhamento instrumental. O som industrial que ele passou a fazer nos anos 90 atinge seu melhor momento em canções como “Voix”, “Bleed” e a sombria “Metal”, com aquele sintetizador que parece estar vindo do espaço sideral. Infelizmente, a capa é bastante pobre e não traz quase nada de informações, não havendo nenhuma sobre os músicos que o acompanhavam (sei apenas que ele tinha um guitarrista chamado Steve Harris consigo); ele até apresenta a banda, mas nunca consegui entender direito os nomes. A qualidade sonora fica um pouco aquém dos múltiplos lançamentos ao vivo de Numan, mas o disco se sustenta bem, embora seja mais direcionado para os seguidores do esquisitão que influenciou muito mais gente do que se imaginava (Depeche Mode que o diga – embora nesse caso os influenciados sejam melhores do que o influenciador…).

  1. Introduction
  2. Down In The Park
  3. Dominion Day
  4. Friends (Pure Version)
  5. Films
  6. A Question Of Faith
  7. Voix
  8. Everyday I Die
  9. Dark
  10. You Walk In My Soul
  11. Noise Noise
  12. An Alien Cure
  13. Cars
  14. Absolution
  15. Dead Heaven
  16. Metal
  17. Bleed
  18. Are ‘Friends’ Electric?
  19. (Band Introduction)
  20. We Are So Fragile
  21. Jo The Waiter

THE ROLLING STONES – Welcome to Shepherd’s Bush (1999, lançado em 2024)

Um show fantástico da banda durante a No Security Tour, que serviu de aquecimento para os concertos em Wembley no mesmo ano (a plateia no Shepherd’s Bush foi de cerca de 2.000 pessoas, no estádio, 70.000…). Como todo show de pequeno porte dos Stones, o repertório inclui músicas pouco comuns, como “Route 66”, “Shattered”, “Respectable”, e uma sequência inacreditável com “Some Girls”, “Melody” (com um solo jazzy de trombone que fez Charlie Watts contente), “I Got the Blues”, “Brand New Car” (Ronnie cheio de efeitos na guitarra) e “Moon is Up” (em versão que deixa a de Voodoo Lounge no chinelo). Os quatro empedrados da época, Jagger, Richards, Watts e Wood são acompanhados pelos suspeitos de sempre, Chuck Leavell, Bobby Keyes, Darryl Jones, mais um naipe de metais e os backing vocals de Bernard Fowler, Lisa Fisher e Blondie Chaplin. Leah, filha de Ronnie Wood, se junta no backing vocal em “Before They Make me Run” e Sheryl Crow (que fizera a abertura) canta “Honky Tonk Women” com Jagger. A essa altura do campeonato, se alguém não gosta dos Rolling Stones, não vai ser este disco que vai mudar sua opinião, mas para quem é fã, é imperdível, até porque “Brand New Car” e “Moon is Up” foram executadas ao vivo uma ou duas vezes cada. E ouvir Charlie abandonar a sutileza e a elegância jazzística que o caracterizava para tocar “Respectable” é uma delícia. O álbum foi disponibilizado em combo CD duplo + DVD (ou Blu-Ray), e é engraçado ver aquela multidão se espremer no palquinho do Shepherd’s Bush. A banda está bem energizada pela resposta do público, e este responde à altura. O show já tem quase 30 anos, e desde então, os Stones fizeram algumas turnês bastante extensas, outras nem tanto, Charlie foi se juntar a Brian Jones na eternidade, e não sabemos se eles tocarão ao vivo novamente – mas sempre há belos shows como este para a gente se consolar.

Mick Jagger (vocais, guitarras, harmônica), Keith Richards (guitarra, vocais), Ron Wood (guitarra), Charlie Watts (bateria)

Com

Sheryl Crow (vocais em 11)
Darryl Jones (baixo, vocais de apoio)
Blondie Chaplin (violões, percussão, vocais de apoio)
Bernard Fowler (percussão, vocais de apoio)
Leah Wood (vocais de apoio)
Lisa Fischer (vocais de apoio)
Chuck Leavell (piano, teclados)
Tim Ries (teclados, saxofone)
Bobby Keys (saxofone)
Kent Smith (trompete)
Michael Davis (trombone)

  1. Shattered
  2. It’s Only Rock ‘n’ Roll (But I Like It)
  3. Respectable
  4. All Down The Line
  5. Some Girls
  6. Melody
  7. I Got The Blues
  8. Brand New Car
  9. Moon Is Up
  10. Saint Of Me
  11. Honky Tonk Women
  12. Band Introductions
  13. You Got The Silver
  14. Before They Make Me Run
  15. Route 66
  16. You Got Me Rocking
  17. Tumbling Dice
  18. Brown Sugar
  19. Jumpin’ Jack Flash

OPETH – Lamentations (2003)

O Opeth já tinha sete discos de estúdio quando lançou seu primeiro álbum ao vivo, gravado (e filmado, já que há uma edição em DVD) durante a turnê de Damnation em 2003. O quarteto (Mikael Akerfeldt, guitarra e vocais; Peter Lindgren, guitarra; Martin Mendéz, baixo; Martin Lopez, bateria) é ampliado com a presença de Per Wiberg (teclados e backing vocals) e apresenta o último disco na íntegra, além de algumas músicas de Blackwater Park e de Deliverance. Particularmente, nunca prestei muita atenção à versão de estúdio de Damnation; as gravações ao vivo podem não introduzir muitas variações, mas trazem um Mikael Akerfeldt um tanto tagarela entre as músicas. “Windowpane”, “In My Time of Need”, a instrumental “Ending Credits”, “Hope Leaves” e “Weakness” são os destaques dentre as músicas de Damnation, e apenas “Harvest” interrompe o fluxo do disco. O CD 2 me é menos interessante por causa dos vocais guturais empregados por Akerfeldt em algumas músicas, mas as músicas são boas (mesmo com toda a minha tradicional bronca com esse estilo de cantar). “The Drapery Falls”, por exemplo, não perde em nada para o material do primeiro disco, e o encerramento com “A Fair Judgement”, além de revelar o quanto o público londrino estava apreciando o show dos suecos, revela o talento do grupo em compor músicas envolventes e quase hipnóticas. Uma curiosidade: antes de “Death Whispered a Lullaby”, Akerfeldt menciona que o seu produtor Steven Wilson estava em algum lugar por ali – se ele realmente estava, acabou decidindo não subir ao palco. Gosto mais dos discos do Opeth em que Akerfeldt canta como gente em vez de urrar as letras, mas Lamentation é um ótimo álbum mesmo assim.

Mikael Akerfeldt (guitarra e vocais), Peter Lindgren (guitarra), Martin Mendéz (baixo), Martin Lopez (bateria)

Com

Per Wiberg (teclados, vocais de apoio)

  1. Windowpane
  2. In My Time Of Need
  3. Death Whispered A Lullaby
  4. Closure
  5. Hope Leaves
  6. To Rid The Disease
  7. Ending Credits
  8. Harvest
  9. Weakness
  10. Master’s Apprentices
  11. The Drapery Falls
  12. Deliverance
  13. The Leper Affinity
  14. A Fair Judgement

STEPHEN STILLS – Live at Shepherd’s Bush (2009)

Stephen Stills era, no começo dos anos 70, um dos mais fortes candidatos a uma carreira de sucesso crítico e popular nos EUA – e não realizou essa profecia. Neste álbum gravado em 2008, Stills ainda está cantando bem – quando eu o assisti em 2012 com Crosby e Nash, sua voz tinha se deteriorado bastante. Aqui Stephen revisita toda a sua carreira, desde os tempos do Buffalo Springfield até sua carreira solo, e aproveita os intervalos para contar histórias sobre as músicas para a plateia, num clima intimista e agradável. O show começa com um segmento acústico (e Graham Nash acertou em cheio quando afirmou que quem acha que Clapton é Deus devia ouvir Stephen Stills tocar violão), e conclui com um elétrico em que ele é acompanhado por uma banda – uma ideia semelhante à de Stephen Stills Live, de 1975. O repertório traz maravilhas como “Treetop Flyer”, “Johnny’s Garden” (do Manassas, em que ele atinge agudos inesperados), “4+20” (aqui a voz dele rateia bastante), “Change Partners”, “Suite: Judy Blue Eyes” (que faz o público vir abaixo e onde ele dá um show no violão; a banda entra no final), e no set elétrico, “Rock’n’Roll Woman”, “For What it’s Worth”, “Bluebird” (mais lenta e cadenciada – sinto falta da paulada da versão original), todas do Buffalo Springfield, e “Isn’t About Time”, do segundo (e pouco conhecido) LP do Manassas. Ele é acompanhado pelos veteranos Kenny Passarelli (baixo, vocal) e Joe Vitale (bateria e vocal) e o relativamente desconhecido Todd Caldwell (teclados, vocal) nessa parte do show. Ainda há espaço para uma boa versão de “Girl from the North Country”, de Bob Dylan, outra para “Wrong Thing to Do” (Tom Petty), e tudo termina com “Love the One You’re With”, novamente voz e violão. Stills sai-se melhor no set acústico do que no elétrico, ainda que este não comprometa; o álbum é uma viagem ao passado de um veterano que merece mais reconhecimento do que recebeu ao longo de seus mais de 60 anos de carreira.

Stephen Stills (vocais, violão)

Com

Kenny Passarelli (baixo, vocais de apoio), Joe Vitale (bateria, vocais de apoio), Todd Caldwell (teclados, vocais de apoio)

Acoustic Set

  1. Treetop Flyer
  2. 4+20
  3. Johnny’s Garden
  4. Change Partners
  5. Girl From The North Country
  6. Blind Fiddler
  7. Suite: Judy Blue Eyes
    Electric Set
  8. Isn’t It About Time
  9. Rock & Roll Woman
  10. Wrong Thing To Do
  11. Wounded World / Rocky Mountain Way
  12. Bluebird
  13. For What It’s Worth
  14. Love The One You’re With

JOE BONAMASSA – Tour de Force: Shepherd’s Bush Empire (2014)

Parte de uma série de shows feitos por Joe em Londres em quatro locais diferentes (incluindo o mítico Royal Albert Hall), este CD duplo (também disponível em DVD) abre com a vinheta “Albion” (que abre todos os quatro álbuns/DVDs que registram os shows londrinos) e engata com “Slow Train”, que se encerra com a guitarra em destaque para não deixar ninguém em dúvida do que esperar. A cover de “Midnight Train”, da fase blues de Gary Moore, é um dos grandes destaques do primeiro disco, com a guitarra de Bonamassa quase chorando; outra homenagem ao blues britânicos vem quando ele interpreta “So Many Roads”, tornada famosa por John Mayall e seus Bluesbreakers nos anos 60, e mais uma surge no final do show, quando ele ataca de “Further Up on the Road”, que Clapton tantas vezes registrou em seus discos ao vivo. Originais de Joe aparecem aqui e acolá, e tanto ele quanto a banda estão muito bem; em “Last Kiss”, uma música “suspeitamente” parecida com “Rollin’ and Tumblin’”, um naipe de metais diz “presente”, e continua nas músicas seguintes, em que Joe revisita Otis Rush, Little Walter e B. B. King, em “Lonesome Road Blues”, na qual armam a base para o melhor solo de guitarra do álbum, e permanecem até a versão de “Stop!”, balada gravada por Sam Brown (que você provavelmente conhece de backing vocals para o Pink Floyd de David Gilmour). “The Great Flood”, “The Ballad of John Henry” (com longos solo do chefe e de teclados) e “Asking Around for You” expandem significativamente os trabalhos, todas durando mais de 10 minutos (“John Henry” supera os 13). Tudo termina em clima de festa com “Further Up…”, com os metais de volta numa versão que me lembra um pouco aquela de Clapton com The Band em The Last Waltz. Bonamassa é acompanhado por uma boa banda, em que o veterano baixista Carmine Rojas, o tecladista Arlan Schiernbaum, o baterista Tal Bergman se somam a Lee Thornburg (trompete), Mike Feltham (trombone) e Sean Freeman (sax) – o único dos quatro shows em que os metais fazem parte dos arranjos. Toda a coleção Tour de Force é digna de audições cuidadosas, com poucas músicas repetidas, e este álbum dedicado ao Shepherd’s Bush pode não ser o melhor (para mim, essa honra cabe ao show no Hammersmith Apollo), mas vale muito a pena.

Joe Bonamassa (guitarra, vocais), Carmine Rojas (baixo), Tal Bergman (bateria), Arlan Schierbaum (teclados), Sean Freeman (saxofone), Mike Feltham (trombone), Lee Thornburg (trompete)

  1. Albion (Intro)
  2. Slow Train
  3. So It’s Like That
  4. Midnight Blues
  5. Last Kiss
  6. So Many Roads
  7. You Better Watch Yourself
  8. Chains & Things
  9. Lonesome Road Blues
  10. Stop!
  11. I Got All You Need
  12. The Great Flood
  13. The Ballad Of John Henry
  14. Asking Around For You
  15. Further On Up The Road

Bonus track:
O bônus desta seção será uma banda que era baseada na região na década de 60, aquela que foi alegremente introduzida pelo MC no festival da Ilha de Wight: That nice little band from Shepherd’s Bush… The ‘Oo! – isto é, The Who! A banda registrou parte do seu álbum The Blues to the Bush em Chicago e parte no Shepherd’s Bush, e por isso não poderia deixar de aparecer aqui. Como, diferentemente dos outros, o álbum foi apenas parcialmente registrado no Bush, The Who virou bonus track desta vez.


THE WHO – The Blues to the Bush (2000)

Este álbum duplo foi lançado em 2000 e documenta quatro shows no House of Blues de Chicago (12 e 13 de novembro de 99) e no Shepherd’s Bush (22 e 23 de dezembro de 99), e hoje mais difícil de se encontrar do que mosca branca. A banda (Pete Townshend, Roger Daltrey e John Entwistle) se apresenta com John “Rabbit” Bundrick nos teclados e Zak Starkey na bateria. O repertório traz os cavalos de batalha que todo mundo está acostumado a ouvir, bem como algumas músicas raras e difíceis de encontrar – infelizmente, não há informações sobre onde cada uma foi gravada. A qualidade de gravação varia um pouco, e cada música termina em fade out – ou seja, não temos a conversa entre as músicas. O show começa bem com “I Can’t Explain” e “Substitute”, ganha força com “Anyway, Anyhow, Anywhere”, “Pinball Wizard”, “My Wife” (em que o acompanhamento vocal de Daltrey é bem proeminente) e “Baba O’Riley”. “Pure and Easy” é uma bela surpresa, mas a versão é um pouco fraquinha e “You Better You Bet”, na sequência, não ajuda. O disco volta a ganhar vigor com “I’m a Boy”, “Getting in Tune” (duas músicas pouco executadas pela banda desde que ela voltou a se apresentar) e “The Real Me” (boa versão – mas o baixo está enterrado na mixagem e os teclados de Rabbit estão sobrando). O CD2 traz outra ótima sequência inicial (“Behind Blue Eyes”, “Magic Bus” – uma versão sensacional – e John revisitando “Boris the Spider”) que acaba sendo interrompida por outra raridade, “After the Fire” (da carreira-solo de Roger), ótima para os fanáticos pelo grupo, mas que deve ter mandado os fãs ocasionais ao banheiro ou ao bar durante os shows. Mas dali em diante o show pega fogo novamente, com “Who Are You”, “5:15” (com o solo de baixo de Entwistle, sempre uma maravilha de se ouvir), “Won’t Get Fooled Again” (Roger estava em boa voz), “The Kids are Alright” (bem semelhante à original) e o encerramento com “My Generation”, numa das melhores versões dos últimos 30 anos, com Pete entusiasmado liderando a banda. The Who tem discos ao vivo melhores, é claro, mas The Blues to the Bush resiste bem ao teste do tempo e é um dos últimos a contar com o magistral Entwistle no baixo. É pena que seja tão difícil de obter.

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