Ainda não conhece a seção “Do Pior ao Melhor”? Confira aqui nossa primeira edição e entenda sua concepção.

Por Diogo Bizotto

Todas as edições desta seção envolvem especial esforço em tentar ser o menos injusto possível, mas sem deixar de seguir meus instintos nem ignorar meu gosto pessoal. Digo isso pois cobrir toda a longa carreira do Deep Purple foi a experiência mais difícil que encarei desde que dei início a este trabalho. Nem mesmo avaliar e ordenar os álbuns do Black Sabbath foi tão complicado. Não foi tão custoso chegar a grupos de discos que seriam colocados no início, no meio ou no fim desta lista. Fatigante mesmo foi ordená-los a partir dessa colocação, tão semelhantes seus níveis de qualidade. No decorrer da leitura, vocês certamente perceberão algumas particularidade minhas que transcendem a simples enumeração desses discos em ordem de preferência e foram cruciais na elaboração desta lista. Acima de tudo, sou um admirador do grupo e tenho apreço maior ou menor por todas as suas fases. Aguardo seus comentários e listas particulares após a leitura.


21. Abandon [1998]

A estreia de Steve Morse rendeu Purpendicular, um álbum que soou fresco e criativo, como se a banda tivesse encontrado um rumo após anos de convívio burocrático que culminaram em mais uma saída de Ritchie Blackmore. Os admiradores poderiam imaginar que o ânimo renovado renderia bons resultados no estúdio, certo? Errado. Abandon soa como se houvesse sido feito no automático, sem 20% da criatividade de Purpendicular. Os mais saudosistas podem até ter curtido o fato de se tratar do álbum cuja sonoridade mais se aproxima daquilo que a Mark II fez nos anos 1970 desde, sei lá, 1973 (!) – e não digo isso por causa da desnecessária regravação de “Bloodsucker” (In Rock) – mas isso é insuficiente para fazer esquecer a grande quantidade de fillers que ocupam seu tracklist. O único momento realmente empolgante é “’69”, com um riff que poderia ter sido criado por Blackmore na época de In Rock ou Fireball. “Evil Louie” também é uma boa canção, enquanto “Any Fule Kno That” e a balada “Fingers to the Bone” são relativamente agradáveis. O resto eu ouço e logo em seguida não lembro de quase nada. Não chega a ser ruim (nenhum disco do Deep Purple merece esse rótulo), mas é fraco em sua maioria.


20. Bananas [2003]

Ao contrário de Abandon, Bananas não parece ter sido feito no modo automático. Fica evidente o esforço em criar algo fora da curva, ao ponto de o disco até soar descaracterizado. É um álbum que poderia ter sido gravado por diversas bandas veteranas, formadas por quase sexagenários que se esforçam por mostrar alguma relevância em uma época hostil. Há um foco especial em criar refrãos cativantes, mas o resultado não é lá dos melhores. Músicas como “House of Pain”, “Haunted” e “Razzle Dazzle” são bons exemplos disso. Provavelmente é coincidência, mas as duas canções coescritas por Jon Lord – que havia deixado a banda um ano antes e cedido lugar a Don Airey – “Picture of Innocence” e “I Got Your Number”, são justamente aquelas que mais se conectam com o passado do Deep Purple, além de contarem com arranjos mais caprichados e serem as melhores de se ouvir. “Silver Tongue” também dá uma leve empolgada, enquanto a singela “Never a Word” e a curta instrumental “Contact Lost”, cortesia de Steve Morse, fazem um contraponto interessante. De resto, nada minimamente memorável.


19. Rapture of the Deep [2005]

Lançado meros dois anos após Bananas (algo raro hoje em dia), Rapture of the Deep apontou para um caminho mais confortável que aquele traçado por seu antecessor. Por um lado, resvala no mesmo problema de Abandon, que é soar meio automático. Por outro, revela passagens interessantes para aqueles mais atentos, como é o caso da faixa-título, com grande performance combinada de Steve Morse e Don Airey em um riff com o inconfundível DNA do grupo. “Clearly Quite Absurd” é outra pequena porém brilhante pérola escondida no catálogo recente da banda, mostrando um Ian Gillan trabalhando bem em meio aos limites vocais que a idade traz. “Wrong Man”, “Back to Back” e “Kiss Tomorrow Goodbye” soam como sobras de Abandon que deveriam ter entrado no lugar de outras faixas. Não é grande coisa, mas prefiro isso ao jeito “tiozão descolado” de Bananas.


18. Concerto for Group and Orchestra [1969]

Refleti várias vezes sobre a inclusão de Concerto nesta lista. Afinal de contas, não é um álbum de estúdio. Considerando sua importância no catálogo do grupo, resolvi incluí-lo. Alguns podem estranhar a posição pouco privilegiada, mas o fato é que o disco nunca me cativou. Soa muito mais como uma experiência solo de Jon Lord ao lado dos outros integrantes do que como um grande esforço coletivo. Acredito que a inclusão de elementos eruditos na estrutura melódica de canções de rock é muito mais eficiente que uma fusão desse tipo. Os três movimentos são belos, especialmente o primeiro e o terceiro, mas dificilmente acertam “na veia”, entendem? Tome por exemplo o primeiro: quando Blackmore começa a solar e a orquestra fica de lado é que a coisa esquenta de verdade.


17. Slaves and Masters [1990]

Não são poucos aqueles que julgam Slaves and Masters como o pior álbum do Deep Purple. A rejeição a Joe Lynn Turner, somada ao fato de o álbum soar mais como um Rainbow de segunda mão do que como o Deep Purple que conquistou milhões de fãs, foi uma mistura indigesta, especialmente para aqueles que não admitem  que o grupo tenha outro vocalista além de Ian Gillan. Considerando que eu não tenho nada contra Turner e acho que desde seu retorno, em 1984, a banda não fez quase nada tão bom quanto os álbuns lançados pelo Rainbow, sou bem mais condescendente. É uma pena que Jon Lord e Ian Paice pareçam não ter encampado o projeto desde o início, pois suas performances soam preguiçosas e pouco inspiradas, e isso prejudica o resultado. Blackmore até oferece boas linhas, mas ainda assim fica devendo em relação aos últimos discos lançados tanto por Rainbow quanto por Deep Purple. A produção de Roger Glover é excessivamente lustrosa e deixa um ranço AOR que é capaz de desagradar até mesmo aqueles que apreciaram Perfect Strangers e The House of Blue Light. Não posso negar, apesar de tudo, que gosto de algumas composições. “King of Dreams” é uma das melhores e mais cativantes canções que a banda lançou desde 1984. É AOR até o osso, mas eu não tenho nada contra isso. “The Cut Runs Deep” (mais pesada), “Fire in the Basement” (Rainbow puro) e “Wicked Ways” também são legais. “Breakfast in Bed”, “Fortuneteller”, “Too Much Is Not Enough” e a balada “Love Conquers All” soam mais como Giuffria ou House of Lords do que como Deep Purple, mas cumprem tabela sem constituir meros fillers.


16. Now What?! [2013]

Após uma longa pausa sem colocar os pés no estúdio, o Deep Purple voltou bem assessorado. Com Bob Ezrin na produção, registrou uma coleção de canções consideravelmente superior às que havia lançado nos três discos anteriores, com uma sonoridade mais encorpada e pesada, que ajudou a dar uma levantada nas composições. O que fica mais evidente é uma banda tocando com maior foco, afiada nos instrumentos e com vontade de mostrar serviço. Isso é muito bom pois, mesmo quando as faixas não são lá muito inspiradas, o resultado acaba não sendo desagradável. A climática “Vincent Price” é o melhor single do grupo em sei lá quanto tempo. “Uncommon Man” é outro destaque, mostrando que ninguém seria capaz de substituir Jon Lord tão bem quanto Don Airey. “A Simple Song”, que começa “na manha” e depois se  revela, assim como “Weirdistan”, também evidenciam como o Deep Purple estava bem mais inspirado do que em seu passado recente. O restante do tracklist passa longe de ser brilhante, mas é ouvido sem sobressaltos.


15. Infinite [2017]

A união com Bob Ezrin se repetiu em Infinite e deu bons resultados. O disco até soa levemente superior a Now What?!, especialmente em razão da ótima “Time for Bedlam”, uma das melhores e mais empolgantes músicas da banda pós-1984. “Hip Boots” tem a marca das canções mais balançadas da Mark II, enquanto “All I Got Is You” é dona de belas melodias, destacando Morse e Airey. “The Surprizing” apresenta uma aura misteriosa que encheria Jon Lord de orgulho e mostra uma banda madura e ainda na ponta dos cascos, sem nenhum resquício da preguiça de tempos passados. O cover para “Roadhouse Blues” (The Doors) é um pouco desnecessário e poderia ter sido substituído por uma canção original, mas não chega a incomodar.  Se Infinite for a despedida do grupo, será um adeus digno. Para uma banda nessa altura da carreira, sem mais nada a provar, lançar seu melhor disco nos últimos 20 anos já é mérito suficiente.


14. The Battle Rages On [1993]

Assim como ocorre com Slaves and Masters, não faltam detratores de The Battle Rages On. Não dá para negar que se trata de um álbum extremamente irregular. “Nasty Piece of Work” honra o nome e é uma das piores canções que a banda ousou lançar. “Lick It Up”, “Time to Kill” e “One Man’s Meat” não são muito melhores. Ao mesmo tempo, suas melodias eruditas e sua introdução flamenca fazem da sensacional “Anya” uma das três melhores músicas que o grupo registrou pós-1984, melhor que qualquer coisa lançada desde então. A faixa-título, bem mais agressiva que qualquer coisa que o grupo vinha fazendo nos últimos tempos, é outro motivo que faz com que eu veja The Battle Rages On com bons olhos. “A Twist in the Tale” traz aquele quê de Rainbow que muito me agrada. “Solitaire” é outra belíssima canção completamente esquecida por banda e fãs. Talvez seja o fato de ser muito mais admirador de Blackmore do que dos outros quatro integrantes, mas, para mim, The Battle Rages On tem excelentes momentos.


13. The House of Blue Light [1987]

Vejo Perfect Strangers e The House of Blue Light sendo colocados pelos fãs em patamares muito diferentes. Não concordo com isso. Para mim, as diferenças são bem menores do que se costuma considerar. Há um evidente acento mais AOR em várias faixas de The House of Blue Light, mas nada absurdo em comparação com seu antecessor. “Bad Attitude” e “Call of the Wild”, lançadas como singles, têm uma pegada mais pop (especialmente a última), mas são músicas divertidas e não chegam a soar forçadas. “The Unwritten Law” e “The Spanich Archer” também agradam, enquanto “Mad Dog” e “Black & White” até que são bem razoáveis. O grande destaque, entretanto, é “Strangeways”, com aquele jeitão incontestavelmente influenciado por Ritchie Blackmore e melodias que lembram o Rainbow. “Dead or Alive” então, é totalmente na cola de “Spotlight Kid” (também do Rainbow), só que inferior. Considerando as condições em que foi feito (sob grande estresse, conforme os músicos), até que o resultado é bem satisfatório.


12. Perfect Strangers [1984]

Perfect Strangers é tido em alta conta por grande parte dos fãs, mas considero esse culto exagerado. Ele sofre do mesmo problema de outros discos do quinteto, que é ter algumas excelentes canções em meio a outras bem menos interessantes. “Knocking at Your Back Door”, com seu jeito envolvente, melodias bem sacadas e um riff cremoso, é a melhor canção que o grupo lançou desde sua reunião. Depois dela, no entanto, pouca coisa realmente se destaca. A faixa-título, apesar de ser extremamente carne de vaca, é boa, mas não a ponto de merecer toda a exposição que recebeu nas últimas três décadas. “A Gypsy’s Kiss” e “Hungry Daze” também são músicas bem legais, muito por lembrarem o que Ritchie Blackmore vinha fazendo com o Rainbow nos lançamentos imediatamente anteriores. A primeira chega, inclusive, a remeter um pouco a “Fire Dance”, da banda do arco-íris. “Under the Gun” e “Nobody’s Home” quebram o galho, mas são as outras que citei que realmente levantam a bola de Perfect Strangers.


11. Who Do We Think We Are [1973]

O “patinho feio” da era clássica do grupo não chega a ser um lindo cisne, mas é um bom disco, cujo óbvio carro-chefe é a excelente “Woman from Tokyo”, dotada de um dos melhores riffs de Blackmore e uma performance coletiva que é puro carisma. “Mary Long” é outra que muito me agrada, principalmente pelas linhas vocais de Gillan. “Rat Bat Blue” também tem seu charme, especialmente por mais um bom riff de guitarra e mais ainda pela performance encapetada de Jon Lord, que sola feito louco. Para ser bem sincero, acho que apenas “Place in Line” dá uma frustrada, pois o restante – “Super Trouper”, “Smooth Dancer” e “Our Lady” – até que dá para o gasto, apesar de nenhuma delas ser especialmente memorável.


10. Shades of Deep Purple [1968]

Os três primeiros discos do Deep Purple soam equilibradíssimos. É tarefa das mais difíceis ordená-los conforme minha preferência, então preciso ater-me aos mínimos detalhes a fim de ser o menos injusto possível. Shades of Deep Purple não apenas conta com o grande hit da Mark I, o ótimo cover para “Hush”, mas mostra um grupo afiado, transitando pela psicodelia, pelo hard e pelo prog com muita habilidade, praticando uma sonoridade diferente daquela que o tornou famoso, mas muito competente. Rod Evans era um cantor de evidente tino mais pop, e isso fica especialmente claro na açucarada “One More Rainy Day”, por ele coescrita. Entre covers com arranjos mais ou menos diferentes dos originais, destaca-se, além de “Hush”, a ótima instrumental “And the Address”, de autoria da banda. A versão para “Hey Joe”, famosa pelas mãos de Jimi Hendrix, também é um destaque positivo.


9. Deep Purple [1969]

É no terceiro disco que se encontra a mais marcante composição da Mark I. Refiro-me a “April”, ambiciosa peça que se estende por 12 minutos e expõe como nenhuma outra faixa a dicotomia Blackmore x Lord, que logo seria vencida pelo guitarrista. No início e no fim, é na guitarra de Blackmore que ela encontra seu fio condutor. No meio disso, um interlúdio instrumental no qual Jon Lord faz mais bonito do que em qualquer movimento de Concerto. “The Painter” é outra bela mostra de que o reinado de Blackmore estava chegando para ficar, mais incisiva e caprichada nos solos. Seus riffs em “Bird Has Flown” também empolgam, apesar dos vocais de Evans não serem lá muito adequados. Em “Chasing Shadows”, é Ian Paice que mostra seus dotes percussivos. Definitivamente, não foi um fim melancólico para a Mark I.


8. The Book of Taliesyn [1968]

Três são os maiores motivos para que eu julgue The Book of Taliesyn como o melhor disco lançado pela Mark I. O primeiro chama-se “Wring that Neck”, peça instrumental cativante, perfeita para ser executada ao vivo e colocar a plateia inteira para balançar o pescoço. O segundo atende por “Anthem”, balada que traz minha performance favorita de Rod Evans no grupo, com muita melodia, cordas e delicadeza. O terceiro é o ótimo cover para “River Deep, Mountain High”, que evolui em um belo crescendo até seu refrão apoteótico. Também gosto bastante da versão para “Kentucky Woman”, que mostra como o grupo também se saía bem em território mais pop. Mesmo “The Shield”, que soa muito mais como a psicodelia californiana do que a britânica, é uma canção interessante, ajudando a fazer de The Book of Taliesyn a obra máxima da Mark I. Ressalto ainda a força da instrumental “Exposition”, especialmente pela performance de Jon Lord.


7. Purpendicular [1996]

Para mim, ninguém foi tão importante para o Deep Purple quanto Ritchie Blackmore. Admito, porém, que sua saída fez bem ao grupo. A entrada de Steve Morse trouxe um frescor que floresceu de ideias em Purpendicular, melhor disco do quinteto após seu retorno. Morse não se preocupa em emular Blackmore, tocando do seu próprio jeito e apresentando uma série de ideias que dão forma a diversas composições de alto nível. O que é a introdução de “Vavoom: Ted the Mechanic”? Sensacional! A singeleza de sua performance em “The Aviator” também é tocante, sem falar na versatilidade de “Hey Cisco”. Quer riffs? Toma a paulada “Somebody Stole My Guitar” e “A Castle Full of Rascals”. Seus solos ajudam a fazer de “Sometimes I Feel Like Screaming” a melhor (semi)balada do grupo desde “This Time Around” (Come Taste the Band). “Loosen My Strings” é outra grande faixa, infelizmente quase nunca tocada ao vivo pela banda. Pena que os álbuns imediatamente posteriores não chegaram nem perto do mesmo nível de qualidade.


6. Fireball [1972]

O único problema de Fireball é estar ensanduichado entre dois discos espectaculares, fato que acaba ofuscando um pouco seu brilho. Tirando isso, trata-se de um álbum poderoso, puxado por uma faixa-título que é uma das mais fortes conexões do grupo com o heavy metal, mostrando todo o tempero jazz que Ian Paice era capaz de incluir em meio à porradaria. Outro evidente ponto alto é “The Mule”, dotada de outra performance irrepreensível de Paice, além de um Blackmore em exibição de gala. “Demon’s Eye” (presente na versão inglesa) e “Strange Kind of Woman” (incluída na norte-americana) evidenciam uma veia mais pop e são ótimas canções. O lado mais grooveado do grupo dá as caras em “No No No”, equanto “Anyone’s Daughter” mostra uma surpreendente influência country. “Fools” não atinge o mesmo resultado de outras faixas longas e ambiciosas da banda, mas também ajuda a compor um tracklist forte e consolidar a posição do Deep Purple como uma das três grandes forças do rock pesado britânico.


5. Come Taste the Band [1975]

A saída de Ritchie Blackmore e a entrada do norte-americano Tommy Bolin, cujo background tinha muito mais a ver com as influências de David Coverdale e Glenn Hughes, ajudou a fazer de Come Taste the Band um álbum muito peculiar na carreira do grupo, com total predomínio das ideias do trio sobre Jon Lord e Ian Paice, que ficaram escanteados. É possível, inclusive, que pessoas que nunca gostaram do Deep Purple possam apreciar este disco. Ao lado de Bolin, Coverdale contribui com o lado mais hard, destacando a vigorosa “Comin’ Home” e “Love Child”. Hughes, por sua vez, também junto a Bolin, garante o balanço com a irresistivelmente funkeada “Getting Tighter” e o mais intenso feeling com a espetacular “This Time Around”, que é seguida por uma belíssima seção instrumental chamada “Owed to ‘G'”, cortesia de Bolin. Coverdale e Hughes ainda protagonizam sua melhor performance coletiva na forma de “You Keep on Moving”, mesclando suas vozes de maneira magistral.


4. Stormbringer [1974]

Desde Burn, Coverdale e Hughes já haviam mostrado que não ocupariam posição de coadjuvantes. Com o sucesso do álbum, a confiança cresceu, assim como a importância dos dois em Stormbringer, deixando Blackmore e Lord cada vez mais de lado. A soul “Holy Man”, com performance esplêndida de Hughes, não tem nada a ver com qualquer coisa que o grupo já havia lançado. Blackmore inclusive rendeu-se às influências funky da dupla e tocou com surpreendente malemolência, como atestam as ótimas “Love Don’t Mean a Thing”, “Hold On” e “You Can’t Do It Right”. Isso não quer dizer que o guitarrista não tenha seus momentos para descer a mão sem dó. A faixa-título é uma porrada acachapante que também mostra os dotes mais agressivos de Coverdale. “Lady Double Dealer” é outra para satisfazer os sedentos por rock pesado, com Ian Paice em destaque. A balada “Soldier of Fortune”, por sua vez, é uma das mais emocionantes criações do grupo, com Coverdale mostrando por que se tornaria meu vocalista favorito em todos os tempos.


3. In Rock [1970]

Concerto é o escambau! Em In Rock, o Deep Purple protagonizou uma das mais famosas e radicais “viradas de mesa” da história da música popular. Junto a Ian Gillan e Roger Glover, além da mão forte de Ritchie Blackmore e seus riffs potentes, a banda esbanjou sangue nos olhos e cunhou canções que forjaram uma nova identidade, a começar pela espetacular “Speed King”, até hoje um testamento de peso e agressividade, metalizando o rock dos anos 1950. Além de uma canção dinâmica e estupenda, “Child in Time” é o melhor exemplo de por que Gillan é conhecido como “silver voice”. “Flight of the Rat”, com seus riffs e viradas monstruosas, é outra bomba nuclear pronta para explodir o passado recente da banda e abrir caminho para recomeçar do zero. Na verdade, todo o tracklist esbanja qualidade, ainda com algum destaque para “Bloodsucker” e “Hard Lovin’ Man”. Não à toa, In Rock é muitas vezes apontado como o melhor álbum do grupo. Méritos não faltam.


2. Machine Head [1972]

Machine Head é a culminância de uma transformação que havia se iniciado em In Rock, com foco invejável e precisão absurda. Fica muito claro que o quinteto estava azeitadíssimo, tamanha é a fluidez de suas faixas. Não há ponto fraco. Seja o proto-heavy metal acelerado e exuberante de “Highway Star” ou o estilo jam de “Lazy”, passando pela cremosidade deliciosamente pop de “Never Before” – infelizmente esquecida pela banda em seus setlists – tudo funciona bem demais. Não dá para negar que “Smoke on the Water” é muito cativante, mas seu poder de fogo apequena-se ao lado da impetuosa “Pictures of Home”, com direito a momentos solo de cada um dos integrantes. O estilo suingado de “Maybe I’m a Leo”  e a força bruta de “Space Truckin'” completam um álbum que não tem pontos fracos, apenas favoritas conforme o gosto do cliente.


1. Burn [1974]

Machine Head pode ser o preferido da maioria e In Rock constituir uma verdadeira revolução na carreira do grupo, mas nenhum deles explode nos alto-falantes como Burn. Admito que o fato de Coverdale e Hughes estarem entre meus músicos favoritos tem muito a ver com esta escolha, mas esse é apenas um dos detalhes que tornam Burn uma obra tão avassaladora. Blackmore, que já havia ocupado espaço de protagonismo desde In Rock, está endiabrado, riffando como louco e esbanjando feeling. “Mistreated” é, de longe, a melhor incursão pelo blues que o Deep Purple já gravou, com direito a grande performance de um ainda imaturo Coverdale, mas que já dava pistas do fantástico vocalista que logo seria. Paice, que desde sempre é um grande baterista, está virado em um trator, enchendo o disco de linhas e grooves que são verdadeiros solos, como o que se ouve na estupenda “You Fool No One” e na faixa-título. “Burn”, aliás, é o melhor exemplo de como essa formação veio para não deixar saudade da Mark II; é minha música favorita do grupo. A dose extra de malemolência, que tem muito a ver com Hughes, ajuda a fazer de “Might Just Take Your Life” e “Lay Down, Stay Down” dois musicões. “Sail Away” é outro grande desempenho de Coverdale, cantando em seu registro mais grave. Os fãs da Mark II que me perdoem, mas não há como competir com um time igual ao que gravou Burn.

48 comentários

  1. Igor Maxwel

    Eu, como fã do Deep Purple, sou dos que gostam APENAS dos álbuns da fase Mark II (formação que inclui Ian Gillan e Roger Glover), em especial In Rock (1970) e Machine Head (1972). Sinceramente, não curto muito os discos do DP com outras formações, inclusive escutei recentemente o campeão desta lista do melhor ao pior, o aclamado Burn (1974) e não achei lá essas coisas. Fico pensando como seria Burn se Glover e Gillan não tivessem saído (pela primeira vez) do DP… Seria um álbum maravilhoso, no mesmo nível de In Rock e Machine Head. Lembrando que isso não é uma ofensa, é apenas uma crítica no sentido construtivo da palavra.

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    • Diogo Bizotto

      Fico pensando como seria Burn se Glover e Gillan não tivessem saído (pela primeira vez) do DP… Seria um álbum maravilhoso, no mesmo nível de In Rock e Machine Head.

      O disco certamente não existiria como tal, uma vez que Hughes e Coverdale estão entre os principais compositores. Além disso, Gillan e Blackmore não se suportavam mais, minando todo o processo. “Who Do We Think We Are” tem essa mesmíssima citada formação e não é maravilhoso. Conjecturas como essa são apenas achismo.

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      • Igor Maxwel

        São histórias que sempre acontecem com muitas bandas famosas, a tensão entre seus membros sempre acabam em um resultado trágico. Mas é como diz o ditado: “há males que vem para o bem”.

    • Emerson Mello

      Igor,você é o primeiro fã do Purple que vejo falar que não curte Burn. Realmente incomum. Mas gosto é gosto. Considero o Burn um dos melhores álbuns de rock de todos os tempos.

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  2. André Kaminski

    Talvez pela sua discografia tão longa, o Purple eu considero aquela banda que há discos excelentes com outros que me dão sono. Diferente do Diogo que comentou que não há um disco tão ruim deles, eu já os acho muito irregulares, mesmo em sua fase mais clássica. Eu ouço Burn (também o meu favorito) e depois ouço The Battle Rages On (o pior deles) e parecem duas bandas completamente diferentes.

    Dentre os discos clássicos que eu não gosto tanto, por incrível que pareça, eu derrubaria In Rock umas oito posições (e eu não prestaria para fazer desta banda porque provavelmente eu não sairia vivo dos comentários), enquanto eu subiria o Bananas umas sete posições, não achando ele ruim como tantos. Outro que subiria umas oito posições é o The House of Blue Light que acho um disco bastante underrated na discografia deles.

    O restante mudaria poucas posições, mas atualmente meu 5 favoritos são:

    1) Burn
    2) Fireball
    3) Stormbringer
    4) Come Taste the Band
    5) The House of Blue Light

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    • Diogo Bizotto

      “The House of Blue Light” em quinto é POLLÊMIKA na certa, mas “In Rock” fora das dez primeiras posições é HERESIA mesmo. Quanto ao “Bananas”, por bem pouco não o coloquei em último, mas como o “Abandon” é o tipo de disco que eu ouço e ao menos metade das músicas não fixam nada na minha cabeça, preferi deixá-lo nessa posição. Sobre “The Battle Rages On”, não curte nem “Anya”? Eu acho essa música sensacional.

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      • André Kaminski

        Desse disco, só a faixa título me agrada mais ou menos. É aquela coisa de se esperar muito e receber de bandeja um disco meio estéril, sem vida. Por isso até prefiro o Bananas nesse ponto porque não espero muita coisa dele.

  3. Mairon

    “Quanto a “Wring that Neck” e “Child in Time”, bem, são ótimas músicas, mas as versões de estúdio são bastante superiores.”

    Essas só aparecem na versão do CD relançamento versão dupla. Nem no VHS original estão, assim como também não estão presentes no relançamento em CD simples

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    • Diogo Bizotto

      Obrigado, Mairon, já executei a correção. Felizmente esse fato não altera posição alguma na lista.

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  4. Mairon

    Bom, não consigo gostar de nada das Marks VI em diante. Então, segue minhas listas considerando até o Battle Rages On (o último com a Mark II)

    Do Pior ao Melhor

    House of Blue Light
    Battle Rages On
    Who Do We Think We Are
    Perfect Strangers
    Slaves & Masters
    Machine Head
    Fireball
    Shades Of Deep Purple
    In Rock
    The Book of Taliesyn
    Concerto For Group
    Deep Purple
    Stormbringer
    Burn
    Come Taste The Band

    Dos discos do Morse, não tenho capacidade para catalogar uma ordem. Mas acho que o pior dos piores é o Bananas. Sei lá, o Abandon tb é terrível

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    • Diogo Bizotto

      Rapaz, nem o “Purpendicular” salva? E “Slaves and Masters” na frente de “Perfect Strangers” e “Who Do We Think We Are” é certeza de incomodação com os puristas. É fácil entender por que você dividiu nossa Discografia Comentada do Deep Purple com o Micael.

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      • Mairon

        Hahahaa. Cara, o Purpendicular é o menos pior, mas acho um saco, de verdade. Os solos do Morse não me agradam para o Purple

  5. Marco

    Essa matéria deveria se chamar “Do Pior ao Pior”, uma vez que Burn também não é lá essas coisas. E que pecado a posição do Concerto para Grupo e Orquestra.

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    • Diogo Bizotto

      Se eu colocasse “Concerto” em posição mais privilegiada estaria mentindo para mim mesmo, Marco. Sob uma análise bastante fria, posso dizer que se trata de um álbum superior a outros citados em melhores posições, mas o fato é que dificilmente sinto vontade de ouvi-lo e isso conta bastante na minha avaliação. “The Battle Rages On”, por exemplo, é um disco muito criticado com certa justiça, pois é bastante irregular, mas direto eu coloco “Anya” e “Solitaire” pra tocar e vibro conforme as músicas evoluem.

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    • Fernando Bueno

      Como assim Marco?
      Duvido que vc não tenha curtido esse disco lá no lançamento.

      Responder
      • Marco

        Nem ouvia mais DP nessa época, Bueno. Esse negócio de ficar seguindo discografia é só para bandas do coração e DP já tinha deixado de ser. Por outro lado essa sua geração paga pau pra Hughes e Coverdale. Glen Hughes até vai, mas a Farrah Fawcett do rock nunca me convenceu.

  6. Raphael

    Apesar do Purple ser a minha banda preferida, precisaria também de fazer uma audição mais apurada pra fazer um rankeamento integral da discografia.
    O Top 5, ordenaria assim do 1° ao 5° repectivamente:
    In Rock
    Fireball
    Machine Head
    Burn
    Perfect Strangers(esse é um caso que além de eu gostar tecnicamente do disco, pesa a parte afetiva de algumas faixas que me marcaram)

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  7. Igor Maxwel

    Estranho é que nos comentários sobre Machine Head a faixa “When a Blind Man Cries” não foi citada… Pra mim o álbum de 1972 do DP não tem graça sem ela, uma linda balada que o tio Blackmore não quis que a incluíssem no álbum geral…
    Pô Blackmore, dá um jeitinho aí, cara!!!

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    • Diogo Bizotto

      Não foi citada porque não entrou originalmente no álbum. Mesma coisa com “Black Night”, “Emmaretta” e “Son of Alerik”.

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      • Igor Maxwel

        Pois eu acho que essas e outras faixas bônus do DP deviam ter entrado nos seus respectivos álbuns sim e deviam ser citadas nesta análise sim!

      • Diogo Bizotto

        Fica achando aí na sua casa que eu sigo não achando na minha.

    • Leonardo

      When a Blind Man Cries saiu originalmente como lado B de Never Before, em 1972

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  8. Thiago

    Porque as formações são divididas em “mark”? nunca entendi bem como funciona.

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    • André Kaminski

      São basicamente as formações da banda. Como o Deep Purple mudou muito com o decorrer dos anos (o baterista Ian Paice é o único que participou de todas elas) convencionou-se chamar cada formação por esse nome. Aí quando o pessoal diz “gosto mais do Deep Purple Mark II” é porque prefere a banda com Gillan. Tem gente que só gosta do Purple com Coverdale e Hughes, outros apenas com Gillan, outros só com Rod Evans. Enfim, é uma convenção que os fãs criaram para facilitá-los a se referir a alguma fase em específico da banda.

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      • Fernando Bueno

        Será que a pergunta do Thiago não seria mais na linha do “pq Mark x”? Afinal todas as bandas tiveram mudanças e só as do Deep Purple acabou sendo chamadas dessa forma. Imaginem quantas marks não teria o Black Sabbath…

      • Diogo Bizotto

        Ontem mesmo li o Leif Edling referindo-se à fase em que ele foi o único integrante original do Candlemass (fim dos anos 1990) como “Mark 2” da banda, mas realmente é algo meio raro de se ver por aí. E se o Candlemass fosse fazer como o Deep Purple, na real essa seria a Mark 4 ou 5, na real…

  9. Diogo Maia de Carvalho

    Vou ter que reouvir toda a discografia para fazer o ranking Há meses eu não ponho um disco do Purple para rodar.

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      • Diogo Maia de Carvalho

        Claro, mas é uma discografia extensa, então pode demorar um pouco.

  10. Fernando Bueno

    Parabéns pelo empenho em fazer uma discografia tão longa quanto essa do Deep Purple. Eu não colocaria o Burn na primeira colocação, mas ele ficaria em um pódio junto do In Rock e o Machine Head. Achei curioso vc citar tanto o Rainbow na resenha. Parece que vc é mais fã da banda do arco irís do que do próprio DP.

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    • Diogo Bizotto

      Valeu, Fernando. Minhas várias citações ao Rainbow justificam-se no fato de eu acreditar que muito daquilo que o Deep Purple fez de 1984 a 1993 tem muito a ver com o que Ritchie Blackmore (e Roger Glover também, não nos esqueçamos) fez no Rainbow. Não são poucas as linhas de guitarra, as melodias que remetem mais ao Rainbow do que aquilo que o Deep Purple fez nos anos 1970. Não posso negar que também tenho um apreço gigante pela banda do arco-íris, na real até os considero mais constantes em qualidade que o Deep Purple. Não à toa, várias das músicas que citei como destaque dessa fase 1984-1993 têm muito a ver com o Rainbow, como “Anya”, “Solitaire”, “Strange Ways”, “A Gypsy’s Kiss” e “Hungry Daze”.

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  11. Francisco

    “Machine Head” é um greatest hits… Um dos poucos discos que deixo rodar na boa. Acho superestimada a fase com Tommy Bolin, apesar de gostar de muita coisa dele.

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    • Diogo Bizotto

      Francisco, por mais que eu tenha colocado “Come Taste the Band” em posição privilegiada, entendo quando você diz que considera essa fase superestimada. É um fenômeno relativamente recente que tenho observado, um número considerável de pessoas incensando o período com Tommy Bolin. É tipo o que tem ocorrido com “Born Again”, do Black Sabbath, com a diferença que “Come Taste the Band” é bem superior.

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    • Igor Maxwel

      Francisco, concordo com sua opinião sobre Machine Head, mas sem “When a Blind Man Cries” no lado B (depois de “Smoke on the Water” e antes de “Lazy”), o álbum pra mim não tem graça!

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  12. Marcel

    Taí uma discografia que eu não consigo opinar, me falta bagagem. Tem muito disco aí que eu nunca ouvi! Mas os meus preferidos mesmo acabaram ficando nas primeiras 5 posições. Interessante que o Deep Purple realmente conseguiu ter várias fases dentro da sua carreira, com “caras” distintas. Não sie se tem alguma outra banda assim.

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    • Diogo Bizotto

      Marcel, é realmente difícil encontrar uma banda que tenha isso tão explicitamente quanto o Deep Purple. Talvez o Black Sabbath se encaixe nesse caso também, mas creio que a presença constante de Tony Iommi deu uma segurada e harmonizou um pouco as coisas. Pensei na The James Gang, cuja identidade tinha muito a ver com seus guitarristas, mas posso estar exagerando, pois não conheço a banda tão bem assim em sua fase pós-Joe Walsh.

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  13. Ronaldo

    Legal o texto! eu não conheço nenhum disco completo do DP após o Perfect Strangers (1984), só faixas isoladas. Acho que a banda, assim como a grande maioria das bandas oriundas dos 60-70 não se encaixa na sonoridade e na forma como os discos foram produzidos nos anos 80-90. Soa deslocado, não convence.
    Minha queixa maior com a posição proposta pelo Diogo foi com relação a Mark I, na qual o Book of Taliesyn é justamente o que considero menos bom dentre os 3 álbuns, estando o auto-intitulado (1969) no topo. Concordo quanto a Burn, ali a banda tava impossível…

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    • Diogo Bizotto

      Obrigado, Ronaldo. Creio que não tenham sido poucas as bandas cujo auge ocorreu nas décadas de 1960/1970 e que penaram para se manter com alguma relevância nas décadas de 1980 e 1990, especialmente na de 1980. Alguns nomes conseguiram aos trancos e barrancos (Black Sabbath, Bad Company, Kiss…), alguns sucumbiram (tantos que nem vale a pena citar) e outros se reinventaram ou se adaptaram (Aerosmith, The Moody Blues, Yes, Chicago…), frisando que uma reinvenção de sucesso não é sinônimo de qualidade intacta). Alguns passaram por todas essas etapas e mais um pouco, como Alice Cooper.

      Sobre “The Book of Taliesyn” e “Deep Purple”, bem, a diferença para mim é mínima. Confesso que “Wring that Neck” pesou bastante na minha avaliação, pois o nível é muito, muito semelhante, e apenas um degrau acima de “Shades…”.

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  14. Ronaldo

    Do pior para o melhor, na minha opinião (MKI, MKII, MKIII e MKIV):

    Book of Taliesyn
    Concerto for Group and Orchestra
    Stormbringer (acho fraco no geral, com algumas músicas muito boas)
    Shades of Deep Purple
    Who do You Think We Are
    Deep Purple
    Fireball
    Come Taste the Band
    In Rock
    Machine Head
    Burn

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    • Diogo Bizotto

      Quais seriam as fracas e quais seriam as muito boas de “Stormbringer”, Ronaldo?

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  15. Emerson Mello

    Olá Diogo.

    Agora você mexeu com fogo,pegou logo a minha banda preferida!!rsrs

    Diogo que discordo de varias posições em sua análise. A primeira foi colocar “Battles Rages On” numa posição inferior e ainda abaixo de House of Blue Light,que merece estar lá embaixo junto com “Slave and Master” e “Abandon”(este sim numa posição justa). Battle Rages On é sem dúvida um ponto alto na discografia da banda pos “Perfect Strangers”, e consenso entre muitos fãs. Outra injustiça foi deixar o álbum com orquestra lá embaixo. Belíssimo álbum na discografia da banda, mostra que muitos até hoje não entenderam a proposta vanguardista do Mestre Jon Lord. Um álbum diferenciado na carreira da banda e com certeza para poucos, devido a sua complexidade. Pra gostar e entendê-lo tem que mergulhar por completo e dedicar sua alma na audição. Mostra a genialidade de Lord como compositor`.

    Colocar o confuso “Shades of Deep Purple” acima de “Perfect Strangers”, o retorno triunfal nos anos 80,também ficou duvidoso. A banda ainda não havia achado a sua sonoridade e prova disso são inúmeros covers presentes pra completar o repertório. Adoro o Evans, mas no Captain Beyond aonde ele se encontrou. Não era vocalista pro Purple.

    Pra não falar que não gostei de nada,as primeiras posições ficaram boas, discordo somente de ordem,mas só por questão de gosto mesmo já que o IN ROCK até hoje é o meu preferido. Nunca mais a banda fez aquele hard cru e visceral deste disco. E também você fez justiça ao injustiçado Who Do We Think We Are.

    No mais parabéns pelo artigo e pela iniciativa de analisar a melhor banda e Rock de todos os tempos!

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    • Diogo Bizotto

      Emerson, primeiramente obrigado pelo seu comentário. O bom de uma seção como esta é justamente estimular questionamentos como os seus. Vou por partes.

      Fico surpreso quando alguém diz que leva “The Battle Rages On” em alta conta. O que vejo por aí, majoritariamente, tanto em se tratando de fãs quanto da imprensa (e da banda, creio eu), é esse disco sendo escanteado. Até me considero entre aqueles mais condescendentes com o álbum, especialmente por causa de “Anya” (sensacional), “Solitaire” e da faixa-título. Considero-o em um nível bem proximo ao de “The House of Blue Light”, que por sua vez é minimamente mais fraco que “Perfect Strangers”.

      Sobre “Concerto”, bem, justifiquei-me desde o meu comentário. É um belo disco sim, mas para mim nunca funcionou muito bem, até porque não sou lá muito chegado no formato, e isso pesou muito na avaliação.

      “Perfect Strangers”, como já deixei claro, considero um álbum superestimado. “Shades…” ainda é meio desencontrado, carecendo de um foco melhor, mas, ao menos atualmente, deixa-se ouvir melhor que “Perfect Strangers”, que soa meio burocrático em grande parte do tracklist. Quanto a Rod Evans, eu até acho que ele era um bom vocalista para o que o Deep Purple era, mas jamais para aquilo que a banda se tornou. Mesmo no Captain Beyond não o considero um grande vocalista. Por seu estilo, ele soa como um cara dos anos 1960 que teve uma sobrevida na década seguinte.

      Responder
  16. Diogo Maia de Carvalho

    A minha lista dos discos rankeados do Deep Purple segue abaixo. Escutei todos os álbuns novamente para relembrar alguns trabalhos. Nunca tinha escutado o Infinite e me surpreendi com a qualidade da obra. Alguns dos títulos subiram no meu conceito (entre os principais estão o Stormbringer, o CTTB e o Fireball), enquanto outros caíram bem no meu ranking, principalmente o THOBL e o PS. Curiosamente o In Rock nunca me despertou a atenção, em grande parte devido à produção, suja demais para o meu gosto. Parabéns por mais uma edição desta série, que é a minha favorita do site depois do fim da Melhores de Todos os Tempos.

    1º – Burn
    2º – Machine Head
    3º – Fireball
    4º – Stormbringer
    5º – Come Taste The Band
    6º – Deep Purple In Rock
    7º – NOW What?!
    8º – Purpendicular
    9º – Concerto For Group And Orchestra
    10º – The Book Of Taliesyn
    11º – Shades Of Deep Purple
    12º – Infinite
    13º – Perfect Strangers
    14º – The Battle Rages On…
    15º – Who Do We Think We Are
    16º – Bananas
    17º – Deep Purple
    18º – Rapture Of The Deep
    19º – Abandon
    20º – Slaves And Masters
    21 º – The House Of Blue Light

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    • Diogo Bizotto

      Obrigado pelo elogio, Diogo. Vale muito! Fiquei um pouco surpreso com “Now What?!” tão bem colocado. O que esse disco tem de tão especial para ti?

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