Ouve Isso Aqui: Metal Industrial
Tema escolhido e editado por André Kaminski
Com Anderson Godinho, Davi Pascale, Mairon Machado e Marcelo Freire
Finalmente chega a minha vez (sempre estou entre os últimos sorteados), e como de costume ao que faço com meus colegas, tiro-os sempre da zona de conforto e os obrigo a ouvir discos e gêneros que a maioria aqui nunca ouviu falar ou que não fazem parte de seus gostos pessoais. Dessa vez os apresento ao metal industrial que está aí há décadas mas que sempre foi considerado um subgênero de nicho mesmo dentro do metal (que já é nichado por si só). Estes cinco discos foram selecionados por década apresentando aí como vem sendo a evolução das bandas dentro do estilo. Dê um chance a estes discos e veja se este subgênero, amado e odiado por tanta gente não te surpreende com aquela sonoridade pesada, hipnótica e ao mesmo tempo caótica de suas bandas. (André Kaminski)

Ministry – The Mind is a Terrible Thing to Taste [1989]
André: Junto ao Godflesh, uma das pioneiras do gênero. Com vocais ao estilo thrash de Al Jourgensen, a banda foi uma das primeiras a misturar o uso pesado de sintetizadores, o caos e o peso do thrash e aquela tonalidade de protesto vinda do punk. Samplers e aquela pegada de bateria reta acabaram por influenciar muitas outras bandas que viriam na década de 90 e nas seguintes. Deste disco destaco o caos de “Never Believe”, “Cannibal Song” e sua bateria e efeitos que o Rammstein copiaria muito nos anos seguintes e “Faith Collapsing” com aquele baixo liderando a canção junto a vozes diferentes.
Anderson: Apesar da relevância para o gênero, particularmente não é do meu agrado. Considerando o ano e a própria carreira da banda, assim como o gênero musical em si, o material é muito original. Não à toa é considerado um importante marco do estilo, mas é caótico e de absorção ou compreensão complicada. De modo geral você encontra tudo que configura o metal industrial aqui: aquelas batidas eletrônicas, samples repetitivos e muita agressividade. Os boatos que correm remontam a um período de conflitos internos na banda e de forte influência de ilícitos, combina bem com a brutalidade e caos do material. Nesse caso prefiro não recomendar nenhuma, pois, como dito, não gostei do que ouvi.
Davi: Ah, sim, o Ministry é considerado um dos criadores do gênero. Sempre que a expressão metal industrial é utilizada, um dos primeiros nomes que vêm à mente é o deles. E esse disco é considerado um clássico do grupo, portanto sua indicação, é certeira. De fato, o álbum é bacana e é o meu preferido dessa lista. Os arranjos são bem variados, há um ar meio experimental, e os caras são feras, o nível deles é muito alto. No caso desse trabalho, meus momentos preferidos ficam por conta de “Burning Inside” e “Breathe”.
Mairon: O Ministry é uma banda que conheço relativamente, já que meu irmão Micael Machado é um grande admirador do trabalho de Al Jourgensen, líder e faz tudo do grupo. Confesso que fazia muitos, mas muitos anos, que não ouvia este disco, e olha, não sei o que dizer. Para o final da década de 80, certamente o som dos caras foi revolucionário, mas ouvindo hoje, putz, achei chato pacas. Lembro mais do Psalm 69, um disco que me “perturbava” de alguma forma, mas este aqui me pareceu uma tentativa de revisitar o Can, inserindo algo de Hawkwind, só que soando péssimo. Muito ruim, muito chato, muita perda de tempo ouvir 50 minutos disso, cujo melhor momento foi quando acabou.
Marcelo: Industrial Metal não é muito a minha praia, mas esse eu comprei quando tinha 15 anos e é o único da lista que conheço; lembro que vi uma resenha deles na saudosa revista Bizz e logo fui atrás. No entanto, confesso que tinha bem uns 20 anos que não o ouvia. Hoje, achei-o bom, mas bem menos empolgante do que lá nos distantes anos 80 do século passado. Ok, quando se fala em industrial metal, muita gente corre para o Ministry e seu Psalm 69, mas eu tenho a impressão (e a chance de estar enganado é grande) de que foi aqui que o Ministry realmente definiu os contornos do que o gênero poderia ser. As guitarras já aparecem em posição de destaque, mas ainda convivem com programações, ruídos e uma atmosfera quase mecânica de paranoia urbana (pra mim, sempre pareceu ser trilha sonora de filme). Faixas como “Thieves” e “Burning Inside” ajudaram a estabelecer um vocabulário que seria copiado por uma geração inteira de bandas. Creio que seja o mais importante da lista.

Static-X – Wisconsin Death Trip [1999]
André: Foi muito estranho o jeito que conheci esta banda. Eu estava em um torneio de xadrez em 2005 e passei por um cara sentado fazendo algum trabalho em um notebook, mas com fones de ouvido. Mesmo nos fones, escutei um som pesado estranho bem baixo, aí perguntei para o cara o que ele estava ouvindo e ele só me respondeu “Estatique Xis, ouve aí”. Lembro que coloquei os fones e ouvi por uns 30 segundos, não lembro a faixa e nem o álbum. Só sei que achei incrível e anotei o nome da banda em um caderno que eu tinha em minha mochila. Cerca de um ano depois quando consegui comprar um PC e pela primeira vez na vida com internet banda larga, uma das primeiras coisas que lembrei quando fui pesquisar música é ir atrás deles. Ouvi seus álbuns e me admirei com o peso (as guitarras lembram um Pantera ainda mais eletrizado), as composições e o cabelo de sayajin do vocalista Wayne Static. Este que veio a nos deixar em 2013, resultando no fim da banda (que depois veio a lançar dois discos de sobras e materiais gravados pelo vocalista, e eles retornaram com um novo cantor para shows ao vivo). Uma das bandas que mais aprendi a admirar dentro do estilo e que conta com a rara condição de ninguém se parecer com eles, sejam em suas músicas ou nos shows.
Anderson: O álbum de estreia do Static-X foi sem dúvidas a audição mais positiva dentre os que compõem essa lista. O tempo passou rápido e até ouvi novamente. Muito interessante, diverso, pesado, algumas ótimas músicas como “I’m with Stupid”, “I Am” ou “Love Dump”. A sonoridade, pautada pelo metal industrial, apresenta bons elementos de Nu Metal e alguma coisa de Thrash o que torna tudo muito mais palatável para meus gostos. Recomendo fortemente.
Davi: O Static X eu conhecia algumas poucas músicas por conta de algumas compilações que tenho na minha coleção, mas nunca havia escutado um álbum deles do início ao fim. Esse debut dos rapazes é bem cultuado entre os amantes do gênero, mas ao menos em uma primeira audição, não me fisgou. O disco é bem gravado, os caras são bons músicos, mas sei lá, não me pegou. Nenhuma faixa ficou na minha memória e o vocalista achei razoável. Em alguns momentos, ele me lembrou o Rob Zombie em seus dias de Astro Creep, nos momentos mais gritados notei um ‘q’ de Marilyn Manson, mas ainda prefiro o trabalho que esses artistas fazem. O álbum gerou alguns clipes na época. Se não me engano, uma música foi parar na trilha de A Noiva de Chucky. Enfim… É um disco que é bem falado e que causou um certo barulho, portanto, se você for um grande fã do gênero e ainda não ouviu, arrisque.
Mairon: Esse eu conheço, estreia dos caras. Ouvi a primeira vez quando trabalhei em uma locadora de vídeo-games (isso existiu gurizada) na minha cidade Natal, e porra, qualquer um que jogou Duke Nukem sabe do que eu estou falando: “Push It”. A faixa que abre o disco é uma sonzeira, e ótima representação do que virá. Mas são faixas do porte de “I Am”, “I’m With Stupid” ou “Sweat of the Bud” que dão aquela sensação de sair batendo cabeça e/ou sair saltando pela casa. O som é diferente do industrial carregado de eletrônicos e tecladinhos, sendo bastante pesado nas distorções e com vocais bem interessantes de se ouvir. A faixa final, “December”, é uma excelente surpresa (a versão não-editada é uma viagem quase drone metal) após a pancadaria que comeu solta na pouco mais de meia hora anterior. Melhor disco deste Ouve Isso Aqui, disparado.
Marcelo: Disparado o melhor da lista. Ministry e Static-X são consensuais quando se fala do gênero, mas realmente eu não conhecia esse álbum – se o ouvi na vida, não me lembro; e foi o único que me fez voltar e ouvi-lo mais de uma vez. O disco me soou agressivo e divertido ao mesmo tempo. O sujeito, o tal do Wayne Static, pegou elementos do industrial, do groove metal e até da música eletrônica e os transformou em algo extremamente acessível sem perder peso. “Push It”, “I’m with Stupid” e sobretudo “Bled for Days” me confirmaram uma tese bem pessoal que tenho: no final das contas, um riff simples executado com convicção ainda é uma das armas mais eficazes do metal. Fez a lista valer a pena e foi direto, o álbum inteiro, para a minha playlist da academia.

Raubtier – Det Finn’s Bara Krig [2009]
André: Quando os ouvi pela primeira vez, já pensei: o Rammstein da Suécia. E pensaram o mesmo que a banda alemã de gravarem suas composições na língua natal. É uma banda que venho gostando demais de seus discos principalmente por terem mais solos de guitarra tal como o heavy metal tradicional e se levarem um pouco mais a sério que os alemães (porém ainda com algum humor). Aparentemente, estas línguas germânicas (guturais e cheias de consoantes) se encaixam bem no gênero.
Anderson: Não conhecia a banda, até porquê não ouço metal industrial regularmente, mas uma sensação de estranheza é o resultado da audição do material. Tem uma cara de metal europeu, com umas passagens que trazem lembranças do power metal de Sabaton e PowerWolf, por exemplo. Muitos refrãos capazes de ficar na cabeça (ao menos quanto a melodia, já que cantam em sueco). Impossível, porém, é não associar ao Rammstein e mesmo ao Ministry. Destacaria o vocal em sueco, grave e agressivo, em relação a sonoridade em si não percebi nada fora do comum para o gênero. Assimilei muito mais a segunda parte do material, creio que é mais palatável quanto aos elementos sintéticos e eletrônicos que caracterizam o gênero. Destaco as boas “En Starkare Art”, “Kamphund” e “Hjärteblod”.
Davi: O Raubtier nada mais é do que a versão sueca do Rammstein. Se eu já não morro de amores pelo grupo de Till Lindemann, o que dirá da cópia… Mais uma vez, o disco é muito bem gravado. Os caras, no que se propõem a fazer, são bons. O fato deles cantarem em sua língua natal, acaba sendo curioso, mas esse estilo de cantar do Hulkoff, uma espécie de lenhador raivoso, me soa extremamente cansativo e um tanto caricato. As músicas também não me agradam. Se tivesse que escolher uma faixa para apresentar à alguém, se tivesse que incluí-la em alguma coletânea ou algo do tipo, provavelmente ficaria com a faixa-título, acredito que seja a menos pior. Mas como já disse, nunca fui um fã do Rammstein e os caras são meio que discípulos. Portanto, se ao contrário de mim, você for um admirador dos alemães, vá fundo.
Mairon: A grande sacada do André nessa lista foi escolher uma banda por década para representar o estilo do Industrial. O Raubtier lembro de um amigo ter me mostrado quando do lançamento exatamente desse disco (porra, já fazem quase 20 anos), por conta do meu ranço com o Rammstein (que eu havia conhecido exatos 10 anos antes), e na época, detestei. Ouvindo agora, com ouvidos mais treinados (e por que não, mais selecionáveis), lembrei por que não gostei. Afinal, os caras são uma espécie de Rammstein da Shopee, mas só que suecos. Felizmente, as músicas são curtas, e há algumas que até são legais (“Kamphund” me lembrou um pouco System of a Down, e o solo de guitarra em “Änglar” não é dos piores). Mas há outras que eu larguei um soco na mesa, pensando em chutar o André (que m*** de músicas são “Dieseldöden”, com uns tecladinhos toscos, e a chatíssima “En Starkare Art”, tá louco). Torturante!
Marcelo: Há algo muito “Consultoria do Rock” numa banda sueca que canta em sueco, mistura industrial metal com clima militarista, tem toda a pinta de viking metal e, ainda assim, consegue soar acessível. Nunca tinha ouvido falar nesse povo, mas da lista foi a única banda que me fez abrir imediatamente o Spotify. Se teve um dos álbuns da lista que justificou o nome da coluna “Ouve isso aqui”, foi esse. Se o Ministry nasceu das fábricas americanas, o Raubtier parece ter surgido em algum complexo militar perdido nas florestas escandinavas. A mistura do trio, que ainda leva pulsação eletrônica e uma estética marcial que poderia facilmente soar caricata (ao menos para mim, estranho aos gêneros que eles emulam), funcionou justamente pela convicção com que é executada. Mesmo para quem não entende uma palavra de sueco, meu impacto foi imediato.

Shaârghot – Vol.2 The Advent of Shadows [2019]
André: Outra banda que conheci por acidente e bem recentemente. Estava em casa, julho do ano passado, em mais um típico dia frio do inverno guarapuavano nas minhas férias de julho (sou professor), e rodando os canais da TV por assinatura da casa de minha mãe, parei em algum desses canais que ninguém do Brasil assiste ao ver tocando essa banda em um palco sem ninguém assistindo. Eu “ué, que porra é essa?”, achei que era só um videoclipe e daí foram emendando músicas e percebi que era um show completo da banda só que para ninguém. Uma hora a tv mostrou uma ficha com o nome da banda e que o show aconteceu no Hellfest de 2021. Liguei os pontos com o ano e percebi que era por causa da pandemia. Logo saquei o celular e escrevi e pesquisei o nome deles pela internet, assisti o show inteiro e vi seus clipes. Que banda fantástica, estética visual cyberpunk, o vocalista Etienne Bianchi se esgoelando com um chapéu coco britânico (embora sejam franceses) e uma energia contagiante. É a banda mais recente da qual eu digo que me tornei fã.
Anderson: Isso daqui sim é uma real evolução no gênero! Para além da música existe todo um universo desenvolvido em torno de um mundo distópico no melhor estilo cyberpunk. A música em si, se desenvolve a partir desse contexto e desses conceitos, é parte de um todo maior. A sonoridade mescla bastante coisa do Prodigy e, novamente, do Rammstein. Existe uma aura macabra que permeia as músicas e a sensação de terror é muito bem explorada ao longo do cenário estabelecido. As músicas “Black Wave”, “Wake up”, “Doom’s Day” e a saideira “Shadows” dão um panorama geral do que encontrar no material de quase uma hora de caos. Muito interessante.
Davi: De todos os que eu não conhecia (o Static X já conhecia algumas músicas e o Ministry tenho 2 álbuns em minha coleção), esse foi o que eu mais gostei. A sonoridade praticada aqui não é algo que eu considere exatamente original. O som praticado aqui – tanto os arranjos, quanto as linhas vocais – me remeteram diretamente ao que o Marilyn Manson fazia no início de sua carreira. A qualidade de gravação poderia ser melhor, achei o som geral um pouco magro, mas o álbum é bem resolvido. Os músicos são bons, as músicas são bacanas, o disco é bem consistente. Certamente, pararei para ouvir o trabalho mais recente deles. Boa indicação.
Mairon: Nunca tinha ouvido falar desta banda (não que eu conhecesse a próxima também, mas enfim) e cara, até que não achei tão ruim não. Gostei das misturadas de batidas e dos eletrônicos que aparecem em músicas como “Bang Bang”, “K. M. B.”, “Now Die!!!” . O disco é pesado, meio insano, experimental na medida, e foi interessante de ouvir, principalmente “Wake Up” e “Break Your Body” (que baita clipe hein, assim como o de “Z//B”). Há uma raiva que soa legítima através da audição, e as músicas no geral não se tornam maçantes. Não irei adquirir este material, mas foi uma grata surpresa.
Marcelo: Só me toquei que a lista estava seguindo por décadas quando cheguei neste disco. Mais uma rapaziada que nunca vi mais gordos, o grupo francês constrói um universo próprio, misturando industrial metal, música eletrônica pesada e uma estética cyberpunk que parece saída de um desses filmes distópicos de baixo orçamento. Não curti muito (Se com o Static-X e o Raubtier eu estava elogiando mentalmente o André, com esse povo eu o estava xingando), mas deve ser favorito dos curtidores do gênero. A única música que me chamou a atenção do disco foi “Rage”.

Neurotech – In Delta Negative [2026]
André: Por fim, um disco fresquinho lançado em maio agora de 2026. Wulf, um esloveno, lidera o projeto e gravou tudo sozinho como já vem fazendo há vários anos. Além do estilo industrial de suas guitarras e cozinha, o disco também apresenta algumas tintas góticas e sinfônicas. Wulf não tem lá uma voz marcante diferente dos outros discos citados aqui, mas tem um bom gosto em gravar composições que, dentro do universo altamente mecanizado do industrial, soam até bonitas.
Anderson: Novamente uma banda que não conhecia e que chamou a atenção. Metal industrial não é minha praia, acabo perdendo o interesse rápido e raramente ouço álbuns completos, porém a sonoridade desse aqui fez com que eu ficasse instigado. A atmosfera criada por meio de elementos que eu diria remeter ao metal sinfônico e, ainda, com um flerte com um EBM mais melódico tornam a experiência muito interessante. A voz mecanizada e com uma espécie de eco nos carrega para fora do planeta, no estilo ficção científica mesmo. O material abre com uma das melhores “In Delta Negative” que imediatamente nos situa sobre o que vem pela frente, “Anomaly” eu destaco como uma das mais enérgicas e a boa “Star-Crossed” representa bem o álbum como um todo. Irei ouvir mais coisas dessa banda com certeza.
Davi: Mais um disco que não me bateu. Bem feito, mas achei meio chatinho. Agora, eu tenho 2 críticas. A primeira é que embora seja bem gravado, nas horas em que a bateria vai simular uma bateria “tradicional” de heavy metal, utilizando 2 bumbos, achei que o instrumento soa artificial. Quando ele aposta em uma levada mais cadenciada, acho que consegue um resultado superior na programação. Outra coisa é que não sei se eu consideraria o som dele metal industrial. Ok, há o crossover das programações com a guitarra pesada. Contudo, tanto o trabalho vocal (oras mais limpo, oras mais agressivo), quanto as próprias programações, em muitos momentos há um apelo mais comercial. O som praticado aqui considero mais próximo do Amaranthe do que do Ministry. Foi legal conhecer, mas não é um disco que eu compraria.
Mairon: Como não sou nada adepto do gênero, comecei por este álbum mais recente, para ver o que o industrial metal vem produzindo (a minha principal lembrança era algo relacionado ao Ministry e o Rammstein, como falei acima). É brabo de aturar hein. Têm poucos momentos que se salvam (um instrumental no início de “The Great Treason”, algumas vocalizações aqui e acolá, a introdução de “No Matter the Rain”), e até que curti a atmosfera sonora de “Misaligned”, com os violões bem encaixados entre as camadas de sintetizadores e os vocais sussurrados. Mas assim, depois de quase uma hora ouvindo isso, eu já queria enforcar o André em um pé de couve.
Marcelo: Rapaz, esse sim foi descoberta! Ok, o industrial metal sempre conviveu com a tecnologia, mas há muito tempo não ouço um trabalho que explore essa relação de forma tão natural. O Neurotech combina peso, eletrônica e melodias(!) com uma fluidez que evita tanto a agressividade gratuita quanto a esterilidade excessiva de parte da música digital contemporânea. “In Delta Negative” concorre a uma das melhores músicas do ano, sem dúvida alguma. Que disco bom! Depois do Static-X com seu Wisconsin Death Trip, esse é o melhor da seleção. Claramente o André se mostra um conhecedor do gênero, pois (se eu estiver enganado, espero que ele me corrija) o Neurotech me pareceu ser desses grupos que se apoiam em um gênero ao mesmo tempo em que apontam novos caminhos – na verdade, nem chamaria de grupo, pois, pelo que encontrei na internet, é mais precisamente um projeto esloveno conduzido por Wulf/Andrej Vovkpelo.
