Por Diogo Bizotto

Convidados: Marco Gaspari e Vinícius Moretti

A edição de hoje da coluna “War Room” coloca à prova um dos discos menos conhecidos entre meus lançamentos favoritos da década de 70. Moxy, álbum autointitulado da banda canadense, é uma coleção de pedradas hardeiras tipicamente setentistas, calcadas principalmente nos riffs do guitarrista Earl Johnson. Infelizmente, a banda nunca chegou a obter grande reconhecimento, restringindo seu sucesso à escala regional, mais especificamente ao estado norte-americano do Texas, onde esse disco chegava a ser executado na íntegra em rádios locais. O fato do grupo poder ser definido como pertencente ao terceiro escalão do hard rock setentista, porém, não diminui minha admiração pelo álbum, que ainda conta com participação especialíssima do grande Tommy Bolin (Deep Purple, James Gang), responsável pela maioria dos solos de guitarra presentes em Moxy, e que hoje completa 46 anos de seu falecimento.


1. Fantasy

Marco: O Bolin que está tocando?

Diogo: Tommy Bolin executa o solo dessa faixa. As guitarras, em geral, são do Earl Johnson, guitarrista da banda.

Marco: Muito bom, mas datado demais o som.

Diogo: O timbre pesado de Earl Johnson dá as caras logo nos primeiros segundos e mostra que ele é o principal condutor da sonoridade do Moxy. “Fantasy” pode não ser exatamente a melhor canção para abrir o álbum, pois é mais lenta e não mostra logo no início todo o poder de fogo da banda. Apesar disso, curto muito a música.

Vinícius: Essa primeira faixa me agradou bastante, principalmente o vocalista. Conhecia a banda só de nome, nunca tinha parado pra escutar nada deles.

Marco: O Bolin deu as caras, hehe…

Diogo: Esse solo, assim como o da maioria das músicas, é de autoria de Tommy Bolin, que estava registrando seu primeiro disco solo, Teaser, logo ao lado.


2. Sail on Sail Away

Marco: Eita… estamos nos rincões de São Caetano do Sul.

Vinícius: Baladinha com levada country.

Marco: Maravilhosa essa introdução.

Vinícius: Retiro o “baladinha”, hehe.

Diogo: Gosto muito dessa introdução ao violão, que logo abre espaço para a sonoridade furiosa que tanto me agrada na banda, com baixo e guitarra trabalhando em conjunção, com muita garra e personalidade.

Marco: Quem produziu? Você sabe, Diogo?

Diogo: O som da caixa da bateria não é exatamente do meu agrado, mas, em geral, a sonoridade do intrumento está boa o suficiente. A banda produziu o disco junto a um tal de Mark Smith, que não conheço de outras produções. O solo, ao contrário da maioria dos registrados no disco, é de autoria do próprio Earl Johnson.

Marco: Tinha um Mark Smith que tocou com o Guess Who ou o Bachman. Como a banda é canadense, vai ver é ele.

Diogo: É bem possível, Marco. Vou pesquisar.

Vinícius: Gostei dessa música


3. Can’t You See I’m a Star

Marco: Ôpa, Budgie… Tem toda a cara dos riffs do Budgie.

Diogo: Gosto do riff malandro que abre essa canção e da maneira que o vocalista Buzz Shearmann trabalha sobre eles. Meio funkeada, cheio de balanço, ideal para contrabalançar o lado mais mastodôntico que aflorará na canção seguinte.

Vinícius: Solo do Bolin também?

Diogo: Esse solo é do Earl Johnson. Aliás, por mais que Tommy Bolin seja “o cara”, é fato que Earl também mandava muito bem.


4. Moon Rider

Vinícius: Uma caixa menos abafada daria um efeito melhor

Diogo: Esse riff inicial é uma das coisas mais lindas que a década de 70 pariu. Aliás, em um mundo idealizado por mim, essa música estaria pau a pau com aquelas canções de grandes bandas tidas como clássicos de uma era.

Marco: Desculpe, Diogo, achei médio. É legal, mas é mais do mesmo.

Vinícius: É, não consigo ver essa grandiosidade toda também.

Marco: Vale por ser uma banda menos expressiva. Aliás, elas compensavam em garra. Se achavam um produtor bom, aí então…

Diogo: Pra mim, “Moon Rider” é melhor que muito material de bandas como Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin tido como clássico, isso só pra ficar nas bandas realmente grandes e famosas. Sei que posso soar exagerado, mas sou realmente muito fã dessa canção.

Vinícius: Pra falar a real, acho que é a que eu menos curti até agora.

Diogo: Que solos de Tommy Bolin, meus amigos… urgentes, com a cara de quem gravou de primeira, na raça.

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5. Time to Move On

Marco: Tô com medo de dar palpite e o Diogo me jubilar.

Vinícius: Ahuauahuaha.

Diogo: “Time to Move On” traz a mesma aura funkeada de “Can’t You See I’m a Star”, mostrando que o “rock” do Moxy tinha muito “roll” também. Marco, é pra comentar o que quiser.

Marco: É bacana, Diogo, mas eu comia isso no café da manhã nos anos 70. Não vejo nada de especial.

Diogo: Se fosse pra jogar confete, eu escrevia uma resenha do disco, ao invés de colocá-lo à prova.

Vinícius: Tá me lembrando um pouco o Trapeze, pela levada das músicas, mas não com a mesma qualidade.

Diogo: É, tem algo a ver com o Trapeze sim, mas mais basicão, sem muito refino.

Vinícius: Sim, mais feijão com arroz mesmo.

Marco: Juro que o cantor já enjoou. O Bolin podia cantar também, hehe…

Diogo: Tem banda que fez uma carreira muito bem sucedida de décadas em cima de rock ainda mais básico, e, pelo menos pra mim, sem tanta qualidade, vide AC/DC.


6. Still I Wonder

Vinícius: Concordo totalmente com a afirmação do Diogo.

Marco: Concordo também. E você apelou ao citar AC/DC.

Diogo: Essa retoma o lado mais “mão pesada” de “Moon Rider”, com guitarra e baixo novamente trabalhando em conjunção. Sobre o vocalista Buzz Shearman, já vi afirmarem por aí que ele sofre do mesmo mal de outros vocalistas canadenses da época, que é a “síndrome de Geddy Lee”, algo que pode ser sentido com mais força nessa canção, quando ele resolve gritar um pouco mais que o normal.

Vinícius: Eu não tenho reclamação nenhuma com o vocalista até agora. Me agradou bastante o timbre da voz dele.

Marco: Tem coisas bem bacanas costurando cada música, mas no fim me soa como se estivesse ouvindo bandas que nem sei citar o nome. Um patchwork de chavões. Não significa que eu não esteja gostando.

Diogo: Eu gosto bastante do cara. Pra ser honesto, comparando com o Geddy Lee mais imaturo, dos primeiros discos do Rush, prefiro o Buzz.

Marco: Vou sair… começou esse papo de Rush.

Diogo: O Buzz tem mais noção da sua capacidade e não exagera nos gritos agudos e anasalados.

Vinícius: Eu já gosto do Geddy Lee na puberdade, enão nem vou comentar nada, huahauha.

Diogo: Não tô falando bem do Rush, se acalma, Marco.


7. Train

Vinícius: Bom esse riff inicial.

Marco: Isso é trem ou bonde?

Diogo: Esse trem começa lento, mas vai ficando melhor conforme a canção decorre, haha.

Marco: Pois é, ele está em uma estação chamada “bluesy” agora.

Diogo: Essa é a única canção do disco que traz tanto Tommy quanto Earl solando, e, como o Marco disse, com uma pegada bem mais blues que o restante do álbum, como a faixa pede.

Marco: Isso é música pra guitarrista e cantor… se não tivesse uma assim nos discos dos anos 70, o guitarrista ia embora e o cantor fazia beicinho.

Diogo: Haha, acho que você tem razão, Marco, especialmente tendo em vista os momentos solo tanto de um quanto de outro no final da música.


8. Out of the Darkness (Into the Fire)

Diogo: Não é segredo que, apesar de gostar do disco em sua totalidade, são as pedradas que me agradam mais, como é o caso dessa “Out of the Darkness”.

Marco: Estou esperando acontecer alguma coisa… opa… solinhos.

Diogo: Além de gostar muito dos riffs (pra variar), também curto especialmente a melodia vocal do refrão, simples, mas, como eu disse antes, melhor que muitos grupos que também lançavam mão de poucos recursos para construir suas canções.

Marco: Eu nem ligo se é simples ou não. O problema são os chavões. A banda é boa, as músicas idem, mas não me anima.

Diogo: Apesar de, musicalmente, gostar muito do disco, não é difícil de notar que as letras da banda não eram exatamente um primor. Rimar “fire” com “desire”, por exemplo, é clichê entre clichês.


Considerações finais

Marco: Bom, agradeço imensamente pela oportunidade de vencer meu medo de “War Room”, esse épico da Consultoria do Rock. E agradeço mais ainda por me fazer economizar uma grana preta com um disco que não ia acrescentar nada na minha coleção.

Diogo: Minha intenção, como já deixei claro antes, era colocar o álbum à prova e saber se encontrava mais alguém que também o tinha em alta conta, como eu. Confesso que, ao término desta edição, mais parece que eu deveria ter escrito um artigo para a coluna “Discos que parece que eu só gosto”, hehehe.

Vinícius: Eu gostei do disco, agradável de se ouvir, a meia hora passou rapidinho, mas nada conseguiu me chamar muito a atenção, fora o vocalista, que realmente achei muito bom.

Marco: Aí é que você se engana, Diogo: o disco é arroz de festa em qualquer grupo de hard rock ou classic rock do Facebook e só li elogios a ele. Como eu sou um velho rabugento, resolvi não gostar e contrariar as massas, hehe…

Vinícius: Quem sabe, com mais audições, o álbum cresça um pouco mais na minha visão, mas de primeira, assim, não consegui ouvir nada de mais que deveria ter alçado a banda a um patamar mais alto.

Marco: Você vai ouvir de novo, Vinicius?

Diogo: Deixei explícito logo na introdução ao álbum que considero o Moxy uma banda de terceiro escalão, nada mais que isso, apesar de todo meu gosto pelo álbum. No entanto, como afirmei mais acima, há outros grupos que fizeram fama e fortuna apresentando material ainda mais simples e basicão, e, reforço, sem a mesma qualidade.

Vinícius: Mas eu também ando um chato pra caralho pra música, hauhua. Vou deixar nas minhas listas aqui, Marco, daqui uns tempos eu ouço de novo. Eu não costumo deletar nada, tenho um dó desgraçado, hauauah.

Marco: Vamos marcar um novo “War Room” com esse disco para o ano que vem. Assim eu ouço ele de novo e quem sabe ele cresça.

Vinícius: HUAHAHAUHUAHAU

Marco: Deleta não, senão o Diogo magoa.

Diogo: Bom, pessoal… valeu mesmo pela participação. Eu havia dado upload em outros discos aqui além de Moxy e, dependendo de quem participasse, faria a escolha.

Vinícius: Agradeço a oportunidade e o convite. Gostei da experiência.

Marco: Você escolheu esse disco pensando em nós, Diogo? Que frustração a sua. Também gostei.

Diogo: Bom, valeu aí, pessoal… abrasssssss…

Marco: Um dia eu escolho então. E o Vinícius também. Abração aos dois.

Vinícius: Abraço!

1 comentário

  1. Marcello

    Disco fantástico. Tommy Bolin praticamente não fez coisa ruim em sua curta carreira, e aqui ele estava muito afiado. Muita gente só o conhece por causa do disco do Purple – não sabem o que estão perdendo!

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