Por André Kaminski

Chega o final dos anos 2000 e a banda segue na luta. Com uma carreira de discos bem recebidos e outros nem tanto, o Exodus enfrentou problemas para estabilizar sua formação até então. Apesar de eu gostar de Rob Dukes, faço parte da minoria que o apoiava enquanto esteve na banda. Sua personalidade “doce” ao estilo Paul Di’Anno sem as drogas e o álcool não ajudava muito a ganhar a simpatia dos fãs. Mas aí então a banda toma lá uma decisão não muito sábia e…


Let There Be Blood [2008]

Existe um problema no mundo da música que bandas e artistas devem tomar muito, mas muito cuidado ao tentar mexer ou modernizar clássicos. A imensa maioria das vezes dá errado. E mais especificamente o público thrash é ainda mais exigente em relação a isso. Você tem os seus fãs, tem o seu passado, acho bom valorizar aquilo pelo que vivenciou… mas acho muito complicado querer agradar o seu público remexendo em um disco que muitos amam e ainda por cima quando não possui todos os membros originais que o gravaram. Bem, o Exodus falhou aqui… e feio. A banda vive outro momento, com outros membros e uma história de evolução nesse meio. Nem adianta comentar muito este disco que é uma regravação do primeiro álbum Bonded by Blood [1985] em que a banda o moderniza e obriga a Rob Dukes meio que emular a Paul Balloff mesmo ele tendo uma voz muito mais adequada para o hardcore e um thrash mais moderno do que para o thrash oitentista. Tudo bem, queriam homenagear o falecido vocalista, mas… simplesmente não. Foi uma ideia ruim e muito mal recebida. Os fãs desceram o cacete sem piedade e, bem, dou uma certa razão a eles.


Exhibit B: The Human Condition [2010]

Sem esperar muito, a banda já lança seu oitavo álbum de estúdio e o último com Rob Dukes. Este eu considero melhor que o Exhibit A e a banda criou composições mais afinadas que resultaram em um bom disco, mesmo que longo. Começo destacando a ótima “Hammer and Life” contando com bastante peso das guitarras e um solo bem ardido e cheio de técnico. “Burn, Hollywood, Burn” é veloz, extremamente thrash e também dona de riffs excelentes e criativos, coisa que Holt e Altus estavam devendo há algum tempo. “Good Riddance” é outra que gosto bastante fechando o disco que novamente traz uma cozinha de bateria e baixo muito bons (Hunting estava devendo algo melhor também há tempos) e velocidade constante com algumas paradinhas bem feitas. As outras faixas variam entre boas e algumas inferiores mas até que o disco passa bem sem perder o interesse. Pelo menos aqui a banda conseguiu apresentar um desempenho digno de um grande nome do thrash que eles sempre foram.


Os anos avançam e pelo menos desde 2011 Steve Zetro dá várias entrevistas na imprensa dizendo que ele sentia falta do Exodus e estaria pronto para voltar a qualquer momento que fosse chamado. Aparentemente, o emprego lá na carpintaria não deu muito certo…

Holt descartou por alguns anos esta reunião, todavia, as vendas de discos não iam lá muito bem e as críticas dos fãs quanto a Rob Dukes persistiam. Chegou 2014 e é aquela coisa: o dinheiro minguando e os fãs pedindo a volta de Zetro fez com que os caras decidissem pela demissão de Dukes. Pouco tempo depois, já anunciavam o retorno do velho vocalista. Logo já lançariam o que seria o seu décimo primeiro álbum de estúdio.


Blood In Blood Out [2014]

Considero que, apesar de tudo, os caras se empenharam bem e voltaram animados em relação a essas novas composições do Exodus. O disco é muito bom, segue a linha de thrash mais moderno que bandas como os contemporâneos do Testament também vem fazendo (inclusive há participação de Chuck Billy como convidado em uma das canções) e gerou ótima recepção tanto do público quanto dos críticos. As vendas também melhoraram e atingiram mais charts mundo afora desde Tempo of the Damned [2004]. Músicas como a abertura “Black 13” e sua longa intro e “Salt the Wound” com solo de guitarra do velho fundador Kirk Hammett são grandes destaques no álbum que solta porrada atrás de porrada do início ao fim. Steve também chegou com gana. Seus vocais estão mais agressivos e esganiçados do que nunca. Dá de perceber que ele quis que sua volta fosse marcante. Ótimo disco, um de meus favoritos com ele.


Persona Non Grata [2021]

Este disco era para ter sido lançado antes, mas como Gary Holt estava ocupado tocando com o Slayer e do qual só foi se “livrar de seus compromissos” com eles em 2019 em sua tour de despedida, aí ele pôde finalmente voltar à sua atenção total ao Exodus e lançarem o seu mais novo e último álbum até então. Além disso, Tom Hunting voltou a sofrer com sua saúde tendo sido diagnosticado com câncer no estômago em fevereiro de 2021. Entretanto, imagino que ele tenha gravado todas as baterias antes do seu tratamento já que o álbum foi lançado apenas 9 meses depois, com o batera nas fases finais de seu tratamento. Mas voltando ao disco, posso dizer que a banda ganhou técnica nos últimos anos e fez dois ótimos discos thrash sem muito aquele ar juvenil dos anos 80 e com uma sonoridade amadurecida. Gosto mais do anterior, mas acho este aqui também muito bom. Apesar do início do tracklist ser bem consistente, minhas faixas favoritas estão em sua parte final. Uma delas é “Lunatic-Liar-Lord” em que Holt inicia batendo de maneira meio louca nas cordas de sua guitarra (com som sem distorção) demonstrando bem a atmosfera temática da canção ao tratar Deus como um louco. Aliás, as letras desse álbum possuem umas tiradas bem fortes por parte da banda o que acho positivo e demonstrando amadurecimento com o passar dos anos. “Antiseed” possui uns riffs de guitarra ao estilo groove metal do qual veria facilmente o Pantera ou o Machine Head gravando algo similar antes de cair para a velocidade típica do thrash. Riff inicial de arregaçar os tímpanos. E o cd é de fato muito bom, pena que não o ouvi no ano passado porque seria sério candidato a entrar no meu Top 10 de discos de 2021.


Ano passado ainda, John Tempesta do The Cult substituiu Hunting por alguns poucos shows de promoção (a COVID ainda atrapalhava os planos para tours) mas já neste ano e com o velho baterista recuperado, a banda já agendou uma batelada de shows nos próximos dois meses no Estados Unidos e mais um monte no verão europeu a partir de julho. O Exodus está aí, com a formação estabilizada já há 8 anos e seguindo em uma carreira que não parece ter vistas de terminar tão cedo. A banda cresceu bem, tem shows agendados já em sold out e após muito tempo tem colhido os frutos de uma carreira digna dentro do heavy metal. Agradeço a todos que acompanharam esta discografia comentada!

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