Por Davi Pascale

Com apoio do selo Heavy Metal Rock, o guitarrista Kiko Shred chega ao seu quarto álbum. Com novo vocalista e nova produção, músico corrige erros de seu disco anterior e entrega trabalho consistente.

Tomei conhecimento do trabalho de Kiko Shred no lançamento de seu terceiro disco, Royal Art. Na época, comprei o CD no escuro. Resolvi arriscar por 3 motivos: a produção de Andria Busic (Dr. Sin), a participação do vocalista Mario Pastore e o impacto que o trabalho vinha causando em pessoas próximas à mim. Confesso que o disco não me impressionou. Sim, os músicos eram excelentes, mas a audição me deixou com a sensação de algo faltando.

Rebellion, por outro lado, está bem redondinho. As composições estão mais inspiradas, a produção está bem superior. Além disso, notei que o músico diminuiu a quantidade de faixas instrumentais, o que pode ajudar a atrair mais fãs. No play de 2019, era quase que meio a meio. Nesse, são 2 canções apenas (se não contabilizarmos a intro).

 

O guitarrista Kiko Shred, líder da banda.

A banda aposta em um power metal da melhor qualidade, enquanto Kiko usa referências do metal neoclássico nas linhas de guitarra. Uma audição um pouco mais atenta deixa clara a influência que o músico tem do sueco Yngwie Malmsteen. Algo perceptível nos 2 CD´s que escutei. Em Rebellion, dois exemplos claros seriam o solo de “Information War” e determinados fraseados presentes na instrumental “Mors Non Separabit”.

O time que o acompanha conta com a mesma cozinha de Royal Art – Lucas Tagliari na bateria e Will Costa no baixo. Nos vocais, contudo, houve uma mudança. Saiu o lendário Mario Pastore e entrou o talentoso Ed Galdin. Confesso que não conhecia o trabalho do rapaz e gostei bastante. Já na primeira faixa, “The Mirror”, é possível notar toda sua técnica e potência vocal.

Essa música, inclusive, que aposta em um power metal mais direto, com uma roupagem meio anos 90, é uma das mais fortes do disco, na minha opinião. Outras que seguem, mais ou menos, a mesma lógica são “Rainbow After The Storm” e a já citada “Information War”.

 

Nova formação da banda. Da esquerda para a direita: Kiko, Lucas, Ed e Will.

Em uma banda liderada por um guitarrista, é claro que o instrumento toma à frente diversas vezes. Cria-se até uma expectativa em relação à performance do músico, e ele não decepciona. Kiko demonstra bom gosto na construção de riffs (um que se destaca é o de “Honour To The Fallen Brothers”), solos e timbragem do instrumento. Na instrumental “The Hierophant” é possível perceber toda a habilidade que possui.

Outro que rouba a cena é Lucas Tagliari, que apresenta um trabalho bem técnico e criativo. Um de seus melhores momentos é justamente a cadenciada “Rebellion”, onde apresenta quebradas de tempo inspiradas. Outra faixa que traz uma pegada marcante é “Thorn Across My Heart”, que conta com uma levada de bateria meio Rainbow/Sabbath. Levada simples, mas que cai como uma luva na composição. Não teria realmente faixa melhor para a participação especialíssima de Doogie White. Como já era esperado, Doogie continua com a voz em dia e entrega um trabalho de alto padrão ao ouvinte.

Kiko Shred vem fortalecendo seu nome cada vez mais. Para quem frequenta a cena underground, seu rosto já é conhecido. O músico já chegou a dividir o palco com grandes nomes do gênero como Michael Vescera, Ripper Owens, além do falecido e saudoso André Matos. É só questão de tempos para que se torne um grande nome do gênero e Rebellion surge meio que abrindo o caminho para isso.

Faixas:

  • Intro
  • Mirror
  • Rainbow After The Storm
  • Rebellion
  • Thorn Across My Heart (c/ Doogie White)
  • Mors Non Separabit
  • Honour To The Fallen Brothers
  • The Hierophant
  • Voodoo Queen
  • Information War

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