Por Davi Pascale

War of Words foi lançado em 1993. Rob Halford aparecia acompanhado de um novo time com num novo som, nova imagem e nova postura. Apesar do disco ser inspirado e estar de acordo com a época, os caras não conseguiram deixar de ser uma promessa. Vamos lá entender um pouco melhor essa história…

Em Maio de 1992, os fãs de heavy metal ficaram chocados ao receberem a notícia de que Rob Halford havia pedido as contas no Judas Priest. Na cabeça dos fãs, aquilo não fazia sentido. Painkiller, seu mais recente álbum, estava sendo aclamado pela crítica e pelos seus fieis seguidores. Os músicos estavam em uma fase brilhante. Halford estava cantando como nunca. O que poderia ter acontecido?

Toda a confusão teve start quando o cantor demonstrou interesse em criar alguns projetos paralelos. Em entrevista à revista inglesa Classic Rock Magazine, Glen Tipton afirma: “Não foi um choque quando Rob disse que gostaria de fazer um projeto solo. Inicialmente, ele teve nosso apoio. Disse, vai lá e faça”. Só que logo, tudo complicou. Várias histórias surgiram ao longo dos anos. Há quem diga que seus projetos exigiriam que a banda ficasse parada por um período muito longo e isso causou tensão entre eles. Há quem diga que já existia uma tensão entre o cantor e o empresário da banda.

Na época, o metal god, acusou a gravadora como pivô da separação. Em entrevista à MTV, Halford declarou: “Os executivos me proibiram não apenas de fazer um álbum, que eu acredito que dará origem à uma grande banda. Eles, literalmente, forçaram a separação do Priest”. Contrariando a expectativa de todos, o cantor não desistiu de seus projetos paralelos e, sim da banda que o tornou mundialmente famoso. E seu primeiro projeto longe do Judas Priest foi, justamente, o Fight.

 

 

Em sua última turnê ao lado do Judas, o Pantera havia sido escolhido como número de abertura e o cantor havia se apaixonado pelo som do grupo. Tinha o desejo de fazer algo mais naquela linha. Não cantando gutural, nem criando uma banda que soasse como uma cópia, mas desejava fazer algo com mais groove, mais peso e que soasse, até mesmo, mais moderno. “Basicamente, o Fight foi uma demonstração de explosão de algo que vinha crescendo dentro de mim”, declarou o cantor ao Eric Blair Show.

War of Words já começa de maneira apoteótica com Scott Travis mandando ver no bumbo duplo e Rob Halford dando seus famosos agudos na empolgante “Into The Pit”. Em “Nailed To The Gun” ainda era possível pegar referência de Judas Priest. Tanto nos riffs criados por Brian Tilse e Russ Parrish (atualmente conhecido como Stachel no divertido grupo Steel Panther), quanto nas linhas vocais de Halford, mas tudo já começa a mudar em “Life In Black”. Pesada, arrastada, tensa. Um dos riffs presentes na música me lembra um pouco o Black Sabbath e, até mesmo, o Danzig…

Aliás, não foi apenas o som que deu uma mudada. Seu visual também modificou um pouco. Sim, ele já estava raspando a cabeça na época do Judas, mas aqui decidiu abandonar seu traje de couro e passou a adotar um visual mais despojado. Provavelmente, para não causar um contraste muito grande com a garotada que o acompanhava nessa nova empreitada. Tirando o já citado Scott Travis, que já havia o acompanhado em Painkiller, o resto do time era tudo molecada que estava em busca de um sonho.

 

 

“Immortal Sin” e “Little Crazy” foram as duas faixas de maior projeção e tiveram seus clipes exibidos com uma certa regularidade na MTV. Inclusive, na nossa MTV Brasil. Eu mesmo tenho esses clipes gravados em VHS aqui em casa. “Immortal Sin” considero uma faixa muito boa, arrastadona, com uma guitarra bem suja, afinação baixa, porém pensando na proposta de música de trabalho, acho “Litte Crazy” mais forte. Sejamos honestos, o refrão dela é memorável.

Rob Halford estava determinado a conquistar o mercado com sua nova banda. No entanto, sua preocupação ia além dos executivos. Seria necessário reconquistar os fãs. “Eu neguei utilizar o nome de Rob Halford´s Fight porque eu queria sumir no meio da música. Como descobri mais tarde com o disco Two, o público cria uma perspectiva muito única a seu respeito. É como Sylvester Stallone ou Arnold Schwarzenegger. Se não for o Rocky ou o Exterminador, esquece. Mas eu ainda acredito que seja nossa obrigação tentar quebrar esses rótulos”, declarou o cantor em entrevista ao site LouderSound.

Os outros grandes destaques, para mim, são “Reality, a New Beginning” e especialmente a faixa-título. As letras, como um todo, são sombrias retratando temas como ganância, traição e sofrimento, mas nessa ele pega um pouco mais pesado. Na letra, há a citação da Primeira Emenda. Há quem diga que a canção era uma crítica à censura, mas a teoria mais aceita é de que seja uma resposta às pessoas que disseram que sua música teria incentivado dois jovens a cometerem suicídio.

 

 

Para quem não está por dentro, o caso ocorreu em 1985. Dois garotos – Raymond Belknap e James Vance – cometeram suicídio depois de ouvirem o álbum Stained Class. A mãe de Vance moveu um processo em cima da banda e da gravadora pedindo 6 milhões de dólares. Era defendida a ideia de que o disco continha mensagens subliminares, especialmente na faixa “Better By You, Better Than Me”.

O processo demorou 5 anos, mas a banda saiu vitoriosa. Rob Halford comentou o caso ao Yahoo Entertainment: “Era uma loucura! Éramos uma banda de heavy metal que estava sendo levada à corte por conta de um incidente que achávamos ser absurdo. Passamos por esse longo julgamento, que durou mais de um mês. Totalmente ridículo! Nós amamos nossos fãs. Nunca colocaríamos algo em nossa música com a intenção de prejudicá-los”. O cantor foi mais além e declarou: “Existem pessoas que continuam culpando o heavy metal, o que é triste porque sempre acreditei que a música ajuda as pessoas a vencerem suas dificuldades”.

O Judas Priest venceu o processo, mas o Fight, apesar de suas inúmeras qualidades, não venceu a pressão da gravadora e a expectativa do público. Embora tenham surgido com um grande álbum de estreia e fossem extremamente competente, o grupo não durou muito. A banda encerrou as atividades 3 anos após sua criação, com apenas 2 álbuns lançados. Contudo, como dizem, o que é bom sobrevive ao tempo e não me resta dúvidas, ao reouvir esse disco 27 anos depois, que esta é uma das grandes obras do mestre Rob Halford. Audição obrigatória!!!

 

Faixas:

  1. Into The Pit
  2. Nailed To The Gun
  3. Life In Black
  4. Immortal Sin
  5. War of Words
  6. Laid To Rest
  7. For All Eternity
  8. Little Crazy
  9. Contortion
  10. Kill It
  11. Vicious
  12. Reality, a New Beginning

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