Por Davi Pascale

Novo álbum. Nova voz. Novo nome. Nova fase. 2019 marca o recomeço para a turma do Matanza. O fim durou pouco, mas o retorno não foi exatamente como os fãs desejavam. O grupo voltou sem a presença do carismático Jimmy London. Sempre que uma banda perde sua figura de frente, boa parte de seus fãs olha com desdém para a nova formação. Sim, o principal compositor sempre foi o Donida, mas muitos fãs tinham o cantor como seu integrante favorito.

Os músicos parecem ter isso em mente e, provavelmente por conta disso, resolveram seguir os passos do Venom e adicionaram o termo Inc. ao nome da banda. Sim, meus amigos, foi exatamente daí que eles tiraram a idéia do novo nome. Louco, né? Se quisessem, poderiam ter seguido como Matanza numa boa, mas quiseram deixar claro que uma nova etapa se iniciava e assim foi…

Crônicas de Post Mortem prova que a banda ainda tem lenha para queimar. Os rapazes voltaram com um álbum forte, bem pensado, bem produzido. Confesso que fiquei com um pé atrás quando li que seguiriam com um novo cantor. Jimmy London tem um timbre bem peculiar e que, de certa forma, ajudou a moldar o som do grupo. Contudo, verdade seja dita, o novo vocal se encaixou como uma luva na sonoridade produzida pelos garotos.

Musicalmente falando, existem apenas 3 músicas que seguem a linha country hardcore que os consagraram: “Seja O Que Satan Quiser”, “As Muitas Maneiras de Arruinar A Sua Vida” e “A Cena do Seu Enforcamento”.  Nessas, até mesmo a linha vocal remete ao velho Matanza. O fato de Vital Cavalcante ter uma voz rasgada também ajuda a lembrar do antigo cantor. Nas demais faixas, contudo, o rapaz conseguiu imprimir sua identidade. Experiente e velho conhecido na cena underground, sabe melhor do que ninguém que para conquistar seu espaço é preciso demonstrar a que veio.

A nova formação do Matanza

Uma diferença desse álbum aos demais é que os músicos estão apostando mais em faixas cadenciadas. “Lodo No Fundo do Copo”, “Péssimo Dia” e “Pode Ser Que Eu Me Atrase” são fortes exemplos. As maiores surpresas, contudo, acredito que sejam a introdução de “Para o Inferno”, com clara referência da cena heavy dos anos 80, e a faixa que encerra o álbum, “Memento Mori Blues”. Exatamente! Trata-se de um numero instrumental, com arranjo inspirado no blues. Claro, nada muito complexo, mas não deixa de ser interessante ver esse tipo de abordagem em um álbum do Matanza. Essa parece ser uma marca da nova fase. Os arranjos estão mais variados. Os músicos estão mais soltos. E isso é bom!

O lado hardcore aparece de forma mais direta em faixas como “Guia Para Demônios e Espíritos Obsessores” e “O Elo Mais Fraco da Corrente”, essa última com a participação de Rodrigo Lima, vocal do Dead Fish. A participação de Rodrigo é sutil, mas funciona bem. O mesmo ocorre com o vocal de Vladimir Korg (The Mist) em “Para o Inferno” e o teclado que Marcelo Schevano (Golpe de Estado) criou para “Pode Ser Que Eu Me Atrase”. Entram como complementos e não como personagens centrais.

Em relação às letras, não há muita mudança. Os temas que estamos acostumados, com a linguagem que estamos acostumados. Ou seja, textos repletos de sarcasmos. Crônicas de Post Mortem é um trabalho muito bacana. Músicas diretas, divertidas, com bastante guitarra. O Matanza é uma banda que sempre funcionou bem dentro de sua proposta, sempre conheceu seus limites, e o novo álbum demonstra que os músicos continuam com sua ira afiada. A nova fase tem de tudo para funcionar…

Faixas:

01) Guia Para Demônios E Espíritos Obsessores

02) Seja O Que Satã Quiser

03) Lodo No Fundo Do Copo

04) O Elo Mais Fraco Da Corrente

05) As Muitas Maneiras De Arruinar Sua Vida

06) Péssimo Dia

07) Tudo De Ruim Que Acontece Comigo

08) Para O Inferno

09) Chumbo Derretido

10) A Cena Do Seu Enforcamento

11) Pode Ser Que Eu Me Atrase

12) Memento Mori Blues

1 comentário

  1. Anônimo Polêmico

    O Matanza é uma banda legal, tanto no passado como agora. Porém os fãs deles são os maiores babacas que existem, são aqueles tipos que se autodenominam “macho alpha” e nos shows arrumam encrenca com todo mundo. Fã do Matanza normalmente é aquele imbecil que usa coque no cabelo comprido, barba e acha “legal” zoar os mais fracos. E o mais absurdo disso tudo é que os integrantes da banda são anti-bolsonaristas mas os fãs são muito escrotos.

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