Com Daniel Benedetti, Fernando Bueno,  Mairon Machado, Micael Machado e Ronaldo Rodrigues

O grupo sueco de stoner Besvärjelsen lançou no último mês de agosto seu EP Frost. Formado em 2014, o grupo apresenta influências de prog metal, punk rock e classic rock. Na carreira, esse é o terceiro EP, após Villfarelser (2015) e Exil (2016), além do álbum Vallmo (2018). Frost foi assim analisado por cinco de nossos consultores.


Daniel: A banda sueca Besvärjelsen traz Frost, seu novo EP, o qual foi gravado em um lugar isolado nas florestas da região de Dalarna, no país escandinavo. Curto e com apenas cinco canções, Frost se apresenta em uma sonoridade Doom/Stoner a qual serve de base para a aplicação de melodias que se configuram etéreas e, algumas das vezes, psicodélicas. Em sua maior parte, o trabalho é pesado e bons riffs são bases das canções, como em “Human Habits” e “When We Fall”. Destaco a sombria “In The Dark” e seu clima de desolação e a minha preferida, “All Things Break”, com clara inspiração de Black Sabbath. Em suma, Frost é um bom trabalho.


Fernando: A água da Suécia deve ter algo especial. Pega uma banda nova que você não sabe de onde vem e chute que ela vem de lá que a possibilidade de você acertar é grande. O Besvärjelsen faz um stoner/doom metal, mais ou menos uma seara que não costuma me agradar. O fato de ter uma mulher no vocal é algo que está bastante em voga hoje em dia e a coisa funciona bem aqui. Algumas passagens são tão arrastadas que parecem um disco de 45 rpm tocado em 33⅓. Gostei mais desse EP do que do álbum completo Vallmo, que ouvi também, por ter músicas mais diretas sem ficar apenas na repetição de riff pesadões.


Mairon: O EP abre com o peso de “When We Fall”, e cria uma expectativa interessante, mas ao longo de sua audição, fica uma sensação incômoda – ao menos para mim – de que o Black Sabbath acabou gerando muitos frutos, e a diversidade ampliada ainda mais pelo culto da banda pós-anos 90 acabou criando muita banda mais do mesmo. É isso o que o Besvärjelsen me passa. Apesar de fazer arranjos interessante, e músicas legais, parece que falta uma pimenta, ou um açafrão da terra, sei lá, um tempero especial para dar um verdadeiro sabor à coisa. Eu gostei de ouvir o EP, não dá para dizer que é ruim, mas honestamente, não é algo que fica marcante nas audições, e olha que eu ouvi umas vezes para ver se conseguia entrar no clima da banda, mas não foi … Sucesso aos suecos, mas acho que vão ter muito que pastar para poder provar que não são boi no meio de um rebanho de ovelhas.


Micael: Confesso que nunca antes tinha ouvido falar no Besvärjelsen, que lança agora em 2019 seu segundo EP, Frost (na sequência de seu álbum de estreia, intitulado Vallmo, de 2017). O quinteto é mais uma dos tantos conjuntos suecos que parecem ter sido congelados em algum momento da década de 1970, e, aos poucos, vão sendo “liberados” para existir no século XXI, (re)fazendo a música daquela época como se os tempos ainda fossem movidos a ácidos lisérgicos, cannabis e ocultismo. O “problema” é que toda essa turma de escandinavos que resolve enveredar por esse caminho parece ter algo no código genético que os impede de fazer música ruim, e, no caso do Besvärjelsen (êta nomezinho difícil, sô!), a coisa é ainda melhor, pois eles não perecem uma cópia de ninguém (pelo menos não de ninguém famoso), ainda que as influências setentistas estejam todas ali (ouça, por exemplo, o teclado de “When We Fall” ou a melodia de “Past In Haze” e me diga de que outra época esses sons poderiam ter saído), e as próprias composições durante os pouco mais de 25 minutos da bolachinha conseguem ser bem diferentes entre si, sem causar um cansaço aos ouvidos de quem a ouve. Gostei bastante do disco, especialmente de “All Things Break” (que, por algum motivo, me remeteu ao Blues Pills, não por acaso conterrâneos do Besvärjelsen) e da psicodelia explícita de “Human Habits”. Embora acredite que seja bastante difícil de encontrar em formato físico aqui no Brasil, recomendo com entusiasmo a quem tiver a chance. E boa “viagem” a quem aproveitar a oportunidade!


Ronaldo: A banda é muito feliz na descrição apresentada em seu release, ao dizer que passeia por diversas paisagens do rock pesado. É exatamente isso. Trata-se de stoner rock com realmente algo a dizer. Você encontra nesse EP um trabalho instrumental de altíssimo nível, sofisticado, com boas passagens instrumentais, solos e convenções bem construídas e vocais equilibradíssimos. Frequentemente, mulheres no vocal de bandas de rock tenta a cantar de forma exagerada, mas não é o caso aqui. O vocal de Lea Amling Alazam é elegância pura e se encaixa magistralmente na massa sonora da banda. Uma massa muito consistente, diga-se de passagem. As composições vão desde as névoas baixas do doom metal, passando pelas flutuações do rock psicodélico até chegar na solidez do heavy-blues contemporâneo.

1 comentário

  1. Mairon

    Bah, dessa vez eu fui o único que deu uma de ovelha negra … Pior que achei bem sem gracinha esse disco!!!

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.