Por Daniel Benedetti

Prezados leitores, esta é a terceira e última parte da Discografia Comentada do Motörhead, analisando os últimos trabalhos de estúdio da banda até o seu derradeiro momento, com a morte de Lemmy.

Com a mesma formação (Kilmister, Campbell e Dee), a banda se juntou ao Judas Priest no Los Angeles Universal Amphitheatre, em 3 de abril de 1998, para começar sua turnê Snake Bite Love. Em 21 de maio, o Motörhead foi gravado no The Docks, em Hamburgo e as faixas desta performance foram lançadas mais tarde como Everything Louder Than Everyone Else. O grupo foi convidado para participar do Ozzfest Tour e tocou em todos os Estados Unidos durante o início de julho até o início de agosto; e esteve na Europa do início de outubro até o final de novembro.

Em 1999, o Motörhead fez uma turnê entre 20 de abril e 2 de junho, antes de ir para o Karo Studios em Brackel, na Alemanha, para gravar seu próximo álbum, We Are Motörhead, que seria lançado no ano seguinte. Durante o tempo em que as sessões do álbum aconteciam, a banda tocou em locais da Europa, o primeiro deles no Fila Forum, em Assago, perto de Milão, onde James Hetfield, do Metallica, juntou-se à banda em “Overkill”.

Em outubro e início de novembro de 1999, o conjunto fez uma turnê com o Nashville Pussy. Durante o resto de novembro, a banda realizou sua turnê europeia ‘Monsters of the Millennium’ com Manowar, Dio e Lion’s Share, terminando-a com dois shows no London Astoria.


We Are Motörhead [2000]

We Are Motörhead foi gravado entre junho e agosto de 1999, no Karo Studios, na Alemanha e finalizado no estúdio American Recorders, na Califórnia, entre dezembro e março do ano seguinte. A produção ficou por conta da própria banda, juntamente aos produtores Bob Kulick, Bruce Bouillet e Duane Baron. O disco foi lançado em 15 de maio de 2000 pelo selo Steamhammer. O álbum é aberto com “See Me Burning”, uma composição violenta e agressiva, quase um Thrash Metal. “Slow Dance” é mais cadenciada e se demonstra com um certo balanço, mas sem abrir mão do peso, muito graças a um bom riff de Campbell. Já em “Stay Out of Jail”, a sonoridade única do conjunto é reencontrada, portanto, trata-se de uma canção rápida, pesada e extremamente direta. A banda apresenta uma divertida e competente versão para “God Save the Queen”, do Sex Pistols. “Out to Lunch” resgata o tradicional Motörhead, em mais um petardo direto ao ponto. “Wake the Dead” é a típica faixa mais lenta e ultrapesada do grupo, com vocais mais contidos de Lemmy e ótimo trabalho do baterista Mikkey Dee. “One More Fucking Time” é uma boa balada da banda, com forte influência bluesy e grande atuação de Campbell nas guitarras. “Stagefright/Crash & Burn” é uma música intensa e feroz, com destaque para o solo de Campbell, enquanto “(Wearing Your) Heart on Your Sleeve” é mais cadenciada, mas, simultaneamente, densa e pesada. “We Are Motörhead” é uma porrada que remete aos tempos de Overkill e Bömber. “God Save the Queen” e “We Are Motörhead” foram os singles lançados para a promoção do disco, com a primeira atingindo a 93ª colocação da principal parada britânica desta natureza. O álbum atingiu a 91ª posição da principal parada britânica, conquistando o 21º lugar na parada alemã. Se não é brilhante, We Are Motörhead é bastante consistente e um trabalho altamente digno dentro da discografia da banda.

Em maio de 2000, o lançamento de We Are Motörhead e o single dele, um cover de “God Save the Queen”, do Sex Pistols, coincidiram com o início da turnê ‘We Are Motörhead’ na América do Sul em maio e junho, com mais nove shows na Europa em julho. Shows nos Estados Unidos e na França foram seguidos pelo lançamento de uma coletânea dupla, The Best Of, em 26 de agosto. Quatro datas no Japão precederam o show de 25 anos da banda, no dia 22 de outubro, na Brixton Academy, em Londres, onde participações especiais foram feitas por Eddie Clarke, Brian May, Doro Pesch, Whitfield Crane, Ace, Paul Inder e Todd Campbell. O show também contou com o retorno do equipamento de iluminação de Bömber. O evento foi filmado e lançado, no ano seguinte, como o DVD 25 & Alive Boneshaker, e o CD do show, Live at Brixton Academy, foi lançado dois anos depois disso.

A banda em 2000.

Entre junho e agosto de 2001, o Motörhead tocou em vários festivais de rock na Europa; incluindo o Graspop Metal Meeting na Bélgica, o Quart Festival na Noruega e o Wacken Open Air, em 4 de agosto, onde quatro músicas foram gravadas para o DVD 25 & Alive Boneshaker. A banda retornou aos Estados Unidos para uma turnê de sete shows entre o final de setembro e início de outubro daquele ano. Em abril de 2002, um DVD, com algumas das performances do Motörhead nos anos 1970 e 1980, juntamente a algumas imagens da banda, foi lançado como The Best of Motörhead. Duas semanas antes, o álbum Hammered foi lançado e apoiado pela turnê homônima, que começou nos Estados Unidos, na mesma época.


Hammered [2002]

Gravado durante o ano de 2001, nos estúdios Henson Studios e Chuck Reed’s House, ambos nos Estados Unidos, Lemmy afirma que a composição do disco foi diretamente influenciada pelo 11 de setembro e suas consequências naquele país. A produção ficou a cargo de Thom Panunzio e do próprio Motörhead. Hammered foi lançado em 9 de abril de 2002 e foi o primeiro trabalho do grupo a ser distribuído na América do Norte pela Sanctuary Records e sua subsidiária Metal-Is. No resto do mundo, a Steamhammer continuou responsável. “Walk a Crooked Mile” abre o trabalho com um flerte com o Hard Rock e, portanto, é mais cadenciada e não tão pesada, contando com bons vocais de Lemmy. “Down the Line” segue a pegada de sua antecessora, optando por mais cadência e menos fúria enquanto “Brave New World” já é uma faixa que segue a cartilha universal do conjunto. “Voices from the War” é um ótimo Heavy Metal padrão, graças a um riff muito inspirado de Campbell, ao mesmo tempo em que “Mine All Mine” se apresenta como um Heavy Rock bem malicioso e muito melódico. “Shut Your Mouth” também conta com um andamento mais cadenciado e certa malemolência enquanto “Kill the World” conta com um peso absurdo e guitarras bem afiadas. “Dr. Love” flerta mais abertamente com o Boogie Rock e é bem divertida contrapondo-se à pesadíssima “No Remorse”, a qual se encontra em um misto de vocais distorcidos e guitarras furiosas. “Red Raw” é veloz, pesada e muito dinâmica, com Lemmy berrando as letras no refrão. “Serial Killer” é uma declamação, com pouco mais de 1 minuto. Hammered ficou com o 113º lugar da principal parada britânica, mas conquistou as 18ª e 34ª posições nas paradas de Suécia e Finlândia, respectivamente. Enfim, Hammered sofre por ser um disco irregular, pois mistura faixas poderosas como “Voices from the War” e outras pouco inspiradas como “Red Raw”.

Em abril e maio de 2003, a banda continuou a promover o álbum Hammered nos Estados Unidos, e nas três datas em que Phil Campbell teve que se ausentar, pois sua mãe havia falecido, Todd Youth tocou por ele. Entre o final de maio e meados de julho, a banda cumpriu sete datas nos Festivais de Verão na Europa e do final de julho até o final de agosto, eles estavam em turnê pelos Estados Unidos, com o Iron Maiden e o Dio.

Lemmy em 2002.

Em 7 de outubro, uma coleção abrangente de cinco discos das gravações da banda, cobrindo o período entre 1975 e 2002, foi lançada como Stone Deaf Forever!. Em 1º de setembro de 2003, a banda retornou ao clube Whisky A Go-Go, em Hollywood, para a Hollywood Rock Walk of Fame Induction. Em 9 de dezembro, o álbum gravado anteriormente, Live at Brixton Academy, foi lançado. O Motörhead realizou um concerto somente para convidados no Royal Opera House em Covent Garden, Londres, em 22 de fevereiro de 2004; em festivais na América do Sul em maio; e na Europa durante junho, julho e agosto. O conjunto já havia passado algum tempo no estúdio, trabalhando em Inferno, que seria lançado no dia 22 de junho.


Inferno [2004] 

Inferno foi lançado em 22 de junho de 2004 pela Steamhammer Records. As gravações aconteceram naquele mesmo ano nos NRG Studios, Paramount Studios e Maple Studios nos Estados Unidos. Cameron Webb foi o produtor. A porrada “Terminal Show” abre o disco, sendo uma das melhores composições ‘mais recentes’ do grupo. “Killers” continua com o ritmo frenético, em uma roupagem mais Hard Rock, com ótimo desempenho de Campbell. “In the Name of Tragedy” é brutal e Mikkey Dee se destaca enquanto “Suicide” soa como um Blues Metal, cadenciado, mas extremamente pesado. “Life’s a Bitch” é rápida e violenta, entretanto, flerta levemente com o Rockabilly ao mesmo tempo em que “Down on Me” mantém esta mesma musicalidade. “In the Black” é Heavy Metal até os limites, apostando em um riff inspirado de Campbell, e “Fight” acelera ainda mais, tornando-se um Thrash Metal visceral. A curiosa “In the Year of the Wolf” possui um ritmo mais malemolente enquanto “Keys to the Kingdom” tem um andamento mais lento, conquanto, ambas, sejam muito pesadas. “Smiling Like a Killer” contém influências de Ramones e “Whorehouse Blues” encerra o trabalho em um fantástico Blues acústico, com Lemmy inspirado na gaita. Inferno acabou atingindo a 95ª posição da principal parada britânica, embora tenha conquistado a 10ª colocação de sua correspondente germânica. Em suma, Inferno pode parecer até longo para os padrões do Motörhead, mas é um álbum consistente e com ótimas canções.

Uma longa turnê com o Sepultura aconteceu em 2004, com um show no dia 4 de dezembro, em que o Motörhead se juntou ao Sepultura no palco, tocando a música “Orgasmatron”, em comemoração ao 20º aniversário do conjunto brasileiro.

Show em 2004

O Motörhead ganhou seu primeiro Grammy, na premiação de 2005, na categoria Melhor Performance de Metal por seu cover de “Whiplash”, do Metallica, presente no disco Metallic Attack: The Ultimate Tribute. Em 20 de setembro de 2005, uma compilação contendo as aparições da banda na BBC Radio 1 e uma gravação de um show no Paris Theatre, em Londres, foi lançada como BBC Live & In-Session.


Kiss of Death [2006]

Mais uma vez pelo selo Steamhammer, o Motörhead, em 29 de agosto de 2006, lançou Kiss of Death, oficialmente, seu 18º álbum de estúdio. O disco foi gravado nos Estados Unidos, nos estúdios Paramount Studios, NRG Studios e Maple Studios, com produção de Cameron Webb, também em 2006. “Sucker” é a típica faixa furiosa do Motörhead, abrindo o disco com intensidade e agressividade. “One Night Stand” é mais cadenciada e mais próxima de uma musicalidade Hard, com ótimo trabalho de Dee, e assim também é “Devil I Know”, a qual apresenta um riff inspirado de Campbell. “Trigger” é pesada e rápida, seguindo a cartilha do grupo. “Under the Gun” conta com muito peso e muito groove, graças à participação especial de Mike Inez, baixista do Alice in Chains. “God Was Never on Your Side” é uma ‘power ballad’, a qual conta com participações do guitarrista C. C. DeVille (Poison) e do cantor Zoltán ‘Zoli’ Téglás. “Living in the Past” é um Heavy Metal tradicional, novamente com muito groove, e vocais inspirados de Lemmy em contraponto à maliciosa e roqueira “Christine”. “Sword of Glory” é mais uma canção muito veloz e com ótima presença de Dee, bem como “Be My Baby”, esta, mais cadenciada, e acelerada apenas no refrão. “Kingdom of the Worm” flerta com vertentes mais extremas do Metal, ou seja, demonstra-se com um peso absurdo e, finalmente, “Going Down” finaliza o disco em referência à fase clássica do conjunto. “Kingdom of the Worm” foi a escolhida como single, mas não causou maiores sucessos. Kiss of Death atingiu a 45ª posição da principal parada britânica de discos, conquistando o 4º e o 9º lugares nas correspondentes alemã e norueguesa, respectivamente. Por fim, pode-se afirmar que Kiss of Death mantém a fase consistente no que diz respeito à qualidade dos álbuns lançados pelo grupo nos anos 2000.

Em novembro de 2006, a banda concordou com um patrocínio com o time de futebol americano, categoria sub-10, Greenbank B, de North Hykeham, em Lincoln, colocando o nome da banda, bem como o War-Pig nas camisas do time. Lemmy era um velho amigo de Gary Weight, o gerente da equipe. Em 26 de fevereiro de 2008, No Sleep ‘till Hammersmith foi reeditado novamente como um CD duplo.

A banda em 2006


Motörizer [2008]

Motörizer foi lançado pela Steamhammer em 26 de agosto de 2008, com as gravações ocorrendo entre o final de 2007 e o início do ano seguinte, em Los Angeles, nos estúdios chamados Studio 606 e Sage & Sound, com o produtor Cameron Webb. O brasão da arte da capa é uma obra de Mark De Vito. “Runaround Man” é uma verdadeira porrada no queixo do ouvinte, extremamente pesada e repleta de intensidade. Um Hard Blues Rock de primeira linha é “Teach You How to Sing the Blues” enquanto “When the Eagle Screams” é um Heavy Metal tradicional mais cadenciado. “Rock Out” é uma canção com a identidade musical da banda em paralelo com “One Short Life”, uma música com muito groove e peso, e um andamento mais lento. Mais uma real paulada do Motörhead está em “Buried Alive”, uma composição em que Mikkey Dee está impecável, e “English Rose” possui mais swing e malemolência, um Hard/Heavy classudo. “Back on the Chain” é criativa e chega a lembrar a musicalidade do Queens of the Stone Age enquanto “Heroes” é mais lenta e menos intensa, mas sem abrir mão de ser pesada. Novamente, o grupo aposta em uma música pesada, rápida e direta com “Time Is Right”, com um bom refrão. A derradeira faixa do disco é “The Thousand Names of God”, soando bem roqueira e com a participação de Wesley Mishener na slide guitar. “Rock Out” foi o single, o qual não repercutiu nas paradas de sucesso. Motörizer ficou com a 32ª posição na principal parada britânica de discos, conquistando a 82ª colocação na correspondente norte-americana, a Billboard 200, ainda abocanhando o 5º e o 9º lugares nas paradas de Alemanha e Finlândia, respectivamente. Portanto, a boa repercussão de Motörizer reflete sua qualidade e o bom momento vivido pelo conjunto.

Entre 6 e 31 de Agosto de 2008, o Motörhead juntou-se ao Judas Priest, Heaven & Hell e Testament na Metal Masters Tour. Em 6 de março de 2009, a banda tocou no Oriente Médio pela primeira vez, no anual Dubai Desert Rock Festival. Naquele ano, no mês de setembro, o baterista Matt Sorum substituiu Mikkey Dee apenas em uma turnê pelos EUA.

Motörhead em 2008

Em uma entrevista, em novembro de 2009, Lemmy disse que o Motörhead entraria no estúdio, em fevereiro de 2010, para ‘ensaiar, escrever e gravar’ seu 20º álbum de estúdio, que seria lançado no final do ano. Em julho de 2010, o baterista Mikkey Dee anunciou que o álbum estava pronto, “com 11 faixas” (na realidade, 10) e que seu nome era The Wörld Is Yours. Em 3 de novembro de 2010, a Future plc, uma empresa de mídia do Reino Unido, anunciou que o Motörhead lançaria The Wörld is Yours através de um contrato exclusivo de publicação com a revista Classic Rock, em 14 de dezembro de 2010. O lançamento padrão do CD de The Wörld is Yours estaria à venda em 17 de janeiro de 2011, através da própria gravadora do Motörhead, a Motörhead Music.


The Wörld is Yours [2010]

Através de seu próprio selo, Motörhead Music (ligado à EMI), o Motörhead lançou primeiramente The Wörld Is Yours em 14 de dezembro de 2010, com produção de Cameron Webb e com as gravações ocorrendo na Califórnia. O trabalho é aberto com a inspirada “Born to Lose”, a qual é embalada por um ótimo riff de Campbell, assim como é a veloz “I Know How to Die”, em mais um bom momento do guitarrista Phil. “Get Back in Line” é uma amostra de que Phil Campbell estava afiado neste álbum, também trazendo um ar Hard Rock à bolacha, como em “Devils in My Head”. “Rock ‘n’ Roll Music” faz jus ao seu nome, com boas doses de malícia, em uma roupagem boogie. A velocidade direta do Motörhead é referenciada em “Waiting for the Snake” enquanto o groove e um certo ar de modernidade são os apontamentos na interessante “Brotherhood of Man”. Mikkey Dee é quem dá as cartas em “Outlaw” e a rapidez alucinada retorna em “I Know What You Need”. Para encerrar o disco, a velha veia Rockabilly de Lemmy aparece em “Bye Bye Bitch Bye Bye”, muito divertida e empolgante. “Get Back in Line” e “I Know How to Die” foram os singles, novamente sem nenhuma repercussão. The Wörld Is Yours atingiu a 45ª colocação na principal parada britânica, ficando com a 94ª posição em sua correspondente norte-americana. Em síntese, The Wörld Is Yours é um bom álbum, mesmo que levemente inferior a seu antecessor, mas mantendo o nível do grupo.

Para coincidir com o lançamento do álbum, o Motörhead embarcou em uma turnê do 35º aniversário do conjunto, pelo Reino Unido, de 8 a 28 de novembro de 2010. Eles também viajaram para as Américas, em 2011. Em outubro de 2011, a banda gravou uma versão blues e lenta de seu hit de longa data “Ace of Spades”, para um comercial de cerveja. Em 2 de março de 2011, o Motörhead se apresentou no programa Late Night com Jimmy Fallon. Em 9 de julho de 2011, o ex-guitarrista Würzel morreu vítima de um ataque cardíaco. Em comemoração aos seus 35 anos de turnê, no final de 2011, a banda lançou o DVD ao vivo The Wörld Is Ours – Vol 1 – Everywhere Further Than Everyplace, incluindo apresentações no O2 Apollo Manchester, no Best Buy Theatre, Nova York e no Teatro Caupolicán, em Santiago do Chile. Em 12 de janeiro de 2012, foi anunciado que o Motörhead estaria em turnê pelos EUA e pelo Canadá, no início de 2012, juntamente a três outras bandas de metal: Megadeth, Volbeat e Lacuna Coil.

Rock in Rio, em 2011

A Gigantour ocorreu de 26 de janeiro a 28 de fevereiro de 2012, mas o Motörhead perdeu os quatro shows finais porque Lemmy teve uma combinação de infecção viral respiratória e esforço vocal, resultando em uma laringite grave. O Motörhead lançou o DVD ao vivo The Wörld Is Ours – Vol. 2 – Anyplace Crazy Anywhere Else, em setembro de 2012. Em 23 de outubro de 2012, Lemmy disse à Billboard.com que a banda planejava entrar no estúdio, em janeiro, para gravar um álbum para possível lançamento em meados de 2013.


Aftershock [2013]

Aftershock foi gravado durante o ano de 2013 nos estúdios NRG Studios, Sound Factory & Sunset Sound e no Maple Studios, com produção novamente de Cameron Webb. O primeiro lançamento oficial aconteceu em 18 de outubro de 2013, pelo selo Motörhead Music. O 21º álbum oficial de estúdio do Motörhead seguiria a cartilha criada pela própria banda, sem muitas inovações. O álbum é aberto com a porrada “Heartbreaker”, faixa típica do conjunto, mas bastante inspirada e dinâmica. “Coup de Grace” apresenta um grande riff inicial de Campbell, “Lost Woman Blues” é um lindíssimo Hard Blues Rock e “End of Time” é matadora, flertando com o Thrash Metal. “Do You Believe” possui o inegável toque Rockabilly da banda, “Death Machine” mantém o peso, embora mais cadenciada, e “Dust and Glass” é intimista, um Blues competentíssimo, com toques de Stevie Ray Vaughan. “Going to Mexico” é uma brincadeira com outra canção do conjunto (“Going to Brazil”, de 1916), “Silence When You Speak to Me” é cadenciada e criativa e a excelente “Crying Shame” é um Hard Rock bem malemolente e swingada. “Queen of the Damned” é mais uma típica música da banda, “Knife” é um Hard Rock bem direto e “Keep Your Powder Dry” contagia pela ótima melodia. “Paralyzed” encerra o disco com mais uma pancada com o selo Motörhead de qualidade. “Crying Shame” foi a escolhida como single, sem maiores repercussões. Aftershock atingiu a ótima 22ª posição da principal parada norte-americana, alcançando a 110ª colocação da correspondente britânica. Certamente, Aftershock é um dos melhores álbuns pós-2000 do Motörhead.

Em meados de novembro de 2013, a vida pouco regrada de Lemmy Kilmister começava a cobrar o seu preço. O Motörhead deveria embarcar em uma turnê europeia ao lado do Saxon, seguida por uma turnê na Alemanha e na Escandinávia com duração até meados de dezembro de 2013, mas as datas foram adiadas e remarcadas para fevereiro e março de 2014, devido a problemas de saúde de Lemmy.

Lemmy em 2014

No entanto, em janeiro de 2014, o Motörhead anunciou o cancelamento das novas datas de fevereiro e março de sua turnê, uma vez que Lemmy ainda estava em plena recuperação devido a problemas de saúde relacionados ao diabetes. Em uma entrevista, em setembro de 2014, Lemmy afirmou que o Motörhead ‘provavelmente’ entraria no estúdio, em janeiro de 2015, para começar a trabalhar em seu 22º álbum de estúdio para uma tentativa de lançamento no final de 2015.


Bad Magic [2015]

Bad Magic foi gravado durante o ano de 2015, no NRG Studio e no Maple Studios, ambos nos Estados Unidos, sendo lançado em 28 de agosto daquele ano, pelo selo Motörhead Music. Cameron Webb foi, mais uma vez, o produtor, deste que seria o último álbum de estúdio da banda. “Victory or Die” começa o trabalho com a intensidade natural do grupo, ainda mais elevada na pancadaria total chamada “Thunder & Lightning”. Já “Fire Storm Hotel” aposta em um Hard bem malicioso e safado, Mikkey Dee faz um competente trabalho em “Shoot Out All of Your Lights” e Brian May (do Queen) faz uma participação na pesadíssima “The Devil”. “Electricity” é rápida mas com um toque boogie, “Evil Eye” segue com esta mesma pegada da faixa anterior, bem como a efervescente “Teach Them How to Bleed”. O disco tem um momento de respiro na contida “Till the End” para, logo depois, voltar à quebradeira com “Tell Me Who to Kill” e continuar pesado em “Choking on Your Screams”, esta, com um bem-vindo toque de modernidade. “When the Sky Comes Looking for You” é veloz e bem agressiva enquanto o cover para “Sympathy for the Devil”, dos Stones, fecha o disco com estilo. “Thunder & Lightning” foi escolhida como single, também sem maiores resultados em termos de paradas de sucesso. Bad Magic conquistou a 35ª colocação da principal parada norte-americana e a 10ª posição de sua correspondente britânica, ainda ficando com os 1º lugares das paradas de Áustria, Finlândia e Alemanha. Bad Magic é um álbum bem rápido e muito pesado, respeitando todo o legado do Motörhead.

Em 27 de maio de 2015, a banda lançou teasers em sua página no Facebook com o número romano ‘XXXX’. Em 4 de junho o novo álbum (que seria o último deles) Bad Magic foi lançado para pré-encomenda na Amazon, revelando seu título e capa que também mostrava o ‘XXXX’, coincidindo com o 40º aniversário da banda. O grupo se apresentou no Glastonbury Festival, no Reino Unido, em junho de 2015. Seu último show naquele país foi no Eden Project, em 27 de junho de 2015. Enquanto excursionava como a “40th anniversary Tour”, o Motörhead teve que interromper seu show em Salt Lake City, em 27 de agosto de 2015, devido a problemas respiratórios de Lemmy (como resultado de uma doença de altitude). A turnê foi retomada em 1º de setembro de 2015, no Emo’s, em Austin, Texas, mas o grupo foi novamente forçado a abandonar seu set depois de três canções e a cancelar os shows subsequentes.

Motörboat, em 2015

Apesar de seus contínuos problemas de saúde forçar o Motörhead a interromper ou cancelar vários shows nos Estados Unidos, Lemmy Kilmister conseguiu voltar a tempo para o cruzeiro anual (Motörboat), de Miami para as Bahamas, de 28 de setembro a 2 de outubro de 2015, incluindo apresentações de bandas como Slayer, Anthrax, Exodus, Suicidal Tendencies e Corrosion of Conformity. Para esta ocasião, o Motörhead apresentou ao vivo dois sets (idênticos), completos, em 30 de setembro e 1 de outubro de 2015. O Motörhead continuou a “40th Anniversary Tour” na Europa, em novembro e dezembro. O grupo fez shows na Alemanha, Suécia, Noruega e Finlândia. Seu último show foi em Berlim, Alemanha, em 11 de dezembro de 2015.

Em 28 de dezembro de 2015, Lemmy faleceu, quatro dias depois de celebrar seu 70º aniversário. Ele foi o segundo membro do Motörhead a morrer em 2015, após Phil Taylor no mês anterior. Uma autópsia em Kilmister mostrou que as causas da morte eram câncer de próstata, arritmia cardíaca e insuficiência cardíaca congestiva. ‘Fast’ Eddie Clarke morreu em 10 de janeiro de 2018, após uma batalha contra a pneumonia, aos 67 anos, fazendo dele o último membro da formação clássica da banda a morrer.

Lemmy

O legado deixado por Lemmy e o Motörhead são imensuráveis. Ao final da década de 1970, nenhuma banda tocava tão rápido e tão alto como ela e, desta maneira, influenciariam uma gama gigantesca de grupos que surgiriam nas décadas seguintes. Se o Motörhead não criou o Speed e o Thrash Metal, ele certamente foi sua influência mais decisiva. Oficialmente, a discografia do Motörhead tem 22 álbuns de estúdio, 13 álbuns ao vivo, 14 coletâneas, 5 EP’s, 34 videoclipes e 29 singles.

10 comentários

  1. Mairon

    Phil “Philty Animal” Taylor completaria hoje 65 anos. Saudades eternas!!

    Responder
    • Anonimo

      O melhor baterista do Motorhead, ele podia não ter a técnica apurada do Mikkey Dee porém seu estilo de tocar combinava muito mais com o som da banda e seu carisma em cima do palco eram incomparáveis. E fora que se duvidar, algumas das viradas sensacionais que ele fez nos primeiros discos do Motorhead eram bem mais interessantes do que aquele pedal duplo usado à exaustão pelo Mikkey Dee nos álbuns do ano 2000 até o fim.

      Responder
    • Daniel

      Phil “Philty Animal” Taylor, Clarke e Lemmy eram, incomparavelmente, a melhor formação da banda! Bela lembrança, Mairon!

      Responder
  2. André Kaminski

    Não sou lá o maior fã de Motörhead, mas tenho imenso respeito por Lemmy e sua trupe e suas influências trazidas ao rock.

    Lembro de acompanhar com angústia as notícias sobre sua saúde. Alguns anos antes, ele dizia que morreria em um palco. Lançando disco no ano de sua morte e fazendo shows poucas semanas antes de sua internação, ele realmente cumpriu o que falou.

    Quero parabenizar ao Daniel por nos brindar com essa incrível discografia comentada!

    Responder
    • Daniel

      Muito obrigado, André. Eu sou muito fã do Motorhead, e, por isso, tentei não ser tão parcial nas avaliações, mas não sei se foi possível. Foi muito bom deixar esta homenagem ao grupo e ao Lemmy.

      Lembro-me de 2015, quando o Lemmy começou a ficar bem debilitado, cancelando muitos shows e infelizmente já estava esperando pelo pior. Mas ele deixou um legado único.

      Responder
  3. Gabriel

    Felizmente o Motörhead nos presenteou com uma grande balada que é “Till The End” antes da partida do Lemmy.

    Responder
  4. Geraldo

    Olá. Por que a parte dois da discografia comentada do Motorhead não abre a página? Já tentei várias vezes e nada…

    Responder
  5. Geraldo

    Agora deu certo. Parabéns pela excelente resenha dos discos da banda. Como disse DAVE MURRAY, guitarrista do IRON MAIDEN: “Uma pessoa que não curte AC/DC e MOTORHEAD, não pode ser considerado um fã de ROCK”

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.