Por André Kaminski

Mais um conjunto de canções, desta vez com minha lista particular de boas músicas em discos ruins. Novamente, repito que o julgamento sobre discos ruins não cabe a mim, inclusive, há discos aqui que eu particularmente gosto. Usei como base as opiniões e notas disponíveis na internet em alguns sites para servirem de base para este tipo de matéria. Achar grandes músicas em discos ruins é uma tarefa difícil, mas julgo que as opções aqui apresentadas são, no mínimo, boas canções que poderiam estar em álbuns muito melhores de suas respectivas bandas. Deixe seus comentários opinando sobre as escolhas e recomendando mais algumas para nós.


Black Sabbath – Heart Like a Wheel (Seventh Star – 1986)

Considero este disco do Sabbath um tanto fraco, mas entendo perfeitamente quem gosta dele por ter uma união azeitada entre Hughes e Iommi. Todavia, não tenho como negar que “Heart Like a Wheel” é uma ótima canção, a melhor do disco e provavelmente uma das melhores composições do combo Hughes/Iommi sempre que eles trabalharam juntos. Praticamente um “blues metal” temos o bigodudo fazendo o que sempre sonhou sem interferência dos outros caras (solar muito) e Glenn Hughes fazendo um de seus melhores trabalhos vocais desta década, decaindo pouco tempo depois devido aos excessos (mas retornando em boa forma nos últimos 9 anos, no mínimo). A música é a cara do Sabbath e não imagino Ozzy ou Dio se saindo tão bem quanto Hughes se eles a tentassem cantar. O disco em si é muito inconsistente a meu ver, mas esta música…


UFO – Night Run (Misdemeanor – 1985)

“Night Run” é talvez uma das poucas que se salvam da terrível fase AOR do UFO da década de 80. Muitas bandas setentistas quiserem adaptar seus sons ao novo modismo do período, mas poucas conseguiram algum êxito sem se descaracterizar completamente gerando assim a ira dos fãs antigos. A canção aqui em nada lembra o UFO exceto pelo vocal marcante de Phil Mogg, porém devo admitir que até que ficou legalzinha, principalmente a bateria inicial. Sim, é extremamente datada. Mas para quem curte um AOR (meu caso), consigo ver qualidades nestes teclados e guitarras. Entretanto, sim, concordo que a praia do UFO é o hard rock e o heavy metal, estilos que eles deveriam ter seguido naquele período.


Dio – Institutional Man (Angry Machines – 1996)

Acho que todo mundo que pegou o Angry Machines na época e ouviu a faixa de abertura “Institutional Man” deve ter pensado: “caralho, Dio soando mais pesado do que nunca!”. Mas aí vai ouvindo as músicas na sequência e… percebe-se que o vocalista estava passando por um bloqueio criativo, visto as ideias confusas resultando em um álbum pouco coeso quando se trata de boas composições. A guitarra está com uma tonalidade mais baixa que o usual para Dio, quase soando doom, e o riff lento e cadenciado dão um ar de agonia, me remetendo diretamente ao Sabbath da era Ozzy, ao qual Dio afastou quando esteve com os britânicos. Uma pena que o resto do álbum não dá conta das expectativas criadas por essa ótima canção.


Yngwie Malmsteen – Locked & Loaded (Unleash the Fury – 2005)

O eterno amado e ultimamente muito mais odiado sueco com um disco que nem os fãs aguentam, quem dirá seus detratores. Mas também há uma parcela de sujeitos por aí que aprecia o disco e eu sou um deles. Sei de seus defeitos tais como a produção crua demais e o próprio Doogie White ter feito trabalhos vocais muito melhores em outros discos, mas eu não consigo desgostar deste álbum. Daqui, eu gosto muito mesmo de “Locked & Loaded” a faixa de abertura em que Malmsteen faz suas tradicionais fritadas em uma canção que me rememora ótimos momentos do speed metal e do neoclássico. É uma recomendação minha. Ouve aí, vai que tu gosta.


Yes – Lift Me Up (Union – 1991)

Este disco do Yes já teve um artigo especial publicado pelo Mairon há 8 anos. Quando membros antigos e a formação da época do Yes se uniram para gravar um disco, os fãs da época devem ter ficado eufóricos. Mas quando o álbum finalmente saiu, vixe… que decepção. Depois que foram revelados os bastidores por trás deste trabalho, explica-se o motivo do fracasso (crítico, não comercial, visto que o disco vendeu muito). Ainda assim, daqui saiu “Lift Me Up”, uma boa faixa em que Trevor Rabin é o líder vocal e conta com pequenas participações de Anderson e de Squire nas vozes. A pegada é ainda aquele Yes oitentista, mais pop do que prog, porém feito com bom gosto principalmente pela dupla de compositores Rabin e Squire. Nem de longe temos a qualidade dos dourados anos 70, mas dentro da fase pop deles, é uma boa canção.


Helloween – When the Sinner (Chameleon – 1993)

Aqui o negócio já é diferente. Chameleon é o meu álbum favorito do Helloween da fase Kiske. Mas entendo quem não gosta dele justamente por ser praticamente o oposto dos clássicos Keepers. O meu apreço por ele aumenta cada vez mais por considerá-lo muito original, com músicas que fogem dos próprios clichês que o Helloween impôs para si mesmo. Eu sei que muita gente diz que “Giants” é a melhor do disco por ser a mais parecida com os Keepers, mas eu, muito pelo contrário, a considero inferior pelos mesmos motivos. Essa veia mais pop do disco me agrada demais, e “When the Sinner” é a minha música favorita composta por Kiske. Animada, contagiante e aqueles metais maravilhosos… sem contar o pequeno solo final de oboé.


Wishbone Ash – Standing in the Rain (Strange Affair – 1991)

A banda lançou um clássico inquestionável que é Argus [1972]. Mas depois de dois bons discos, a banda decaiu bastante nas décadas seguintes, lançando alguns álbuns medianos, outros ruins e umas atrocidades como Trance Visionary [1998] e Psychic Terrorism [1999] que são discos de música eletrônica! Dentre os ruins, está Strange Affair, numa fase em que o Wishbone Ash patinava bastante. Mas as vezes, eles soltavam coisas boas, caso dessa faixa “Standing in the Rain”, uma espécie de hard com boogie rock sessentista com uma produção moderna e que agrada contando com as guitarras de Andy Powell e Ted Turner solando bastante. Um belo rock, não parece com o antigo Ash mas dá de curtir descompromissadamente.


Ozzy Osbourne – That I Never Had (Down to Earth – 2001)

Ô disquinho ruim. Nesse álbum, acho que Ozzy andou ouvindo demais Godsmack e Disturbed e quis lançar o seu metal groove/alternativo, gerando este álbum que muitos consideram como o pior de sua carreira. Mas até aqui tem alguns momentos que se salvam e “That I Never Had” traz Ozzy e Wylde se saindo bem, com um ótimo riff inicial por parte do guitarrista loiro. O disco é ruim, mas creio que podemos dar uma chance a esta faixa. Lembrou bons momentos de Ozzy  em seus melhores dias.


Scorpions – Wild Child (Pure Instinct – 1996)

A carreira do Scorpions sempre foi muito acima da média, com poucos momentos ruins eu diria. O grande problema de Pure Instinct é o seu excesso de “cheesy” e pouco rock pesado, coisa que eles sempre souberam dosar bem em seus discos de maior sucesso. A faixa que abre o disco “Wild Child” é um desses momentos, soando até leve para o Scorpions, porém, acaba sendo uma das mais enérgicas do disco. Uma boa canção, contendo até mesmo uma gaita de foles em seu início e fim, e daquelas canções animadas que o Scorpions sabe fazer bem. Pode soar repetitiva para alguns, que já ouviram esse mesmo tipo de música em outros trabalhos melhores, mas neste disco ela acaba se destacando bem.


The Who – You Better You Bet (Face Dances – 1981)

O primeiro disco após a morte de Keith Moon. E convenhamos, o The Who nunca mais foi o mesmo sem o baterista, sendo seus três trabalhos posteriores a ele os mais fracos de sua carreira. Infelizmente, o The Who dos anos 80 tenta se emplacar no meio do pop rock e Face Dances já demonstra o perigo que é quando os caras já acima dos 35 anos tentam soar como garotos. Só que sei lá, eu adoro essa canção, mesmo soando cafona. Eu realmente não sei o que dizer, quando pensei em fazer essa matéria, esta música foi a primeira que me veio a mente por eu gostar muito dela mesmo sabendo dos defeitos de seu álbum e dela própria. O videoclipe então, só aumenta a breguice. Mas que essa música é um chiclete para os ouvidos, aí isso ela é.

18 comentários

  1. Anônimo polêmico

    Ué, desde quando o Seventh Star é um álbum ruim? Além da citada Heart Like a Wheel, temos também Danger Zone, a rápida Turn to Stone, a balada N Stranger to Love e In for the Kill. Esse play ao lado do fraquíssimo e medíocre Never Say Die é uma obra-prima.

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    • André Kaminski

      De acordo com nosso “Do Pior ao Melhor”, rate your music, last.fm (menos execuções), encylopaedia metallum e mais alguns, está sempre entre as últimas posições. Dessas aí, somente “Turn to Stone” também é boa. As outras que citou as considero bem fracas.

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    • Mairon

      Eu curto pra caralho o Seventh Star, mas eu sou eu quanto a Sabbath …. “Turn To Stone” é demais!!

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      • Anônimo polêmico

        A Danger Zone não acho nenhum pouco fraca, sobretudo as versões ao vivo dessa música que existe tanto com o Glenn Hughes nos vocais, quanto com o Ray Gillen que foi quem substituiu o Glenn Hughes nos vocais. Talvez tu não curta ela por lembrar as bandas de hair metal dos anos 80. E Heart Like a Wheel é um bluesão de primeira, um dos melhores solos de guitarra do Tony Iommi.

      • Anônimo polêmico

        A Turn to Stone seria uma cruza de Deep Purple com Black Sabbath. Eric Singer começa a introdução da música como talvez o Ian Paice faria em uma música acelerada do Purple.

  2. Fernando Bueno

    Do disco do Helloween eu tiraria Step Out of Hell para a sua coluna. Conforme comentei na discografia comentada da banda que fiz. Já na do Scorpions concordo com vc.

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  3. Davi

    Dessa lista, eu gosto do disco do Yes, do disco do Ozzy e, especialmente, do disco do Sabbath. Gosto muito do Seventh Star. Acho que se tivesse sido lançado com outro nome, a galera aceitaria melhor. De fato, ele não soa como Black Sabbath, mas tem bastante música bacana…

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    • Anônimo polêmico

      É isso mesmo, se o álbum tivesse sido lançado como um projeto solo do Iommi, teria sido mais bem aceito do que sob o nome Black Sabbath, que aliás não tem nada a ver com a sonoridade clássica da banda esse disco.

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  4. leandro

    Só lembro aqui de Wonderland do Demon 😀 gosto muito, mas acho que é a única coisa boa que essa banda tem. Nunca ouvi nada mais porque o instinto nunca falha

    Age Of Reason – John Farhan nesse álbum as outras músicas são razoáveis, mas só conheço essa

    Do Scorpions qualquer álbum só tem uma música boa …. Exemplo é o álbum que tem Send me an Angel…

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    • Igor Maxwel

      “Do Scorpions qualquer álbum só tem uma música boa…” Que bobagem, meu caro Leandro! Gosto de vários discos e músicas deles – apesar de achar o Accept em termos de bandas alemãs bem mais interessante do que o Scorpions – e o disco de “Send Me an Angel” que você se refere é Crazy World, de 1990 (pra mim o melhor deles desde Blackout, de 1982). Agora em questão ao tema citado desta matéria, em relação aos Scorpions, eles tem vários discos onde as músicas quase todas são boas, agora o exemplo mais óbvio de “música boa em um álbum fraco” deles pra mim é “Coming Home” do Love at First Sting, de 1984 (que para mim é um álbum fraco sim, e pouco me importa que ele tenha feito um enorme sucesso em todo o mundo). A verdade é que LAFS não é exatamente o que os fãs dos escorpiões germânicos e os críticos especializados (incluindo os nossos consultores) dizem que ele é…

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      • paulo ricardo

        Já acho o LAFS o último grande álbum do Scorpions , inclusive vi a Tour do álbum n primeiro RIR em 85 !

      • Igor Maxwel

        O problema é que LAFS não me mostra o Scorpions que EU conheço e admiro… Passo bem longe disso!

  5. Davi

    “Love At First Sting” e “Blackout” são perfeitos. Comece por esses, Leandro.

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    • Igor Maxwel

      Olha Davi… Costumo dizer a alguém que quer começar a ouvir o Scorpions, eu recomendo a trinca sagrada formada por Lovedrive, Animal Magnetism e Blackout (esses sim são álbuns clássicos), mas acho que depois desses três, a pessoa pode se decepcionar um pouco com Love at First Sting, assim como EU me decepcionei…

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  6. Marcello

    Lift Me Up foi uma das melhores músicas do YES com Trevor Rabin, na minha opinião. O Union é um disco muito fraco, mas essa aí me fez comprar o CD depois que fiquei sem ter como ouvir o CD.
    Legal ver Standing in the Rain do Wishbone Ash ser lembrada, o solo de Ted Turner no final é maravilhoso, um dos melhores da carreira dele!

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  7. Mairon

    É um álbum que eu amo do início ao fim, mas jurava que “Under Pressure” ia aparecer aqui, até por causa da pressão daqueles que não apreciam a beleza de Hot Space!!

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    • André Kaminski

      Eu pensei justamente nessa música, mas ela aparece em todas as listas com esta temática então, por isso, quis pegar umas diferentes.

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