Por Mairon Machado

Há 20 anos, um dos mais ousados e ambiciosos projetos da história do rock progressivo, e por que não da música, estava sendo parido. Nada mais nada menos que o álbum Union entra hoje, 23 de abril, na sua segunda década. Em homenagem a esse, que na verdade é uma das maiores falcatruas (em termos de lançamento) do rock, iremos contar um pouco sobre sua história, passando pelas canções do álbum, e traçando alguns pontos que até hoje ainda geram dúvidas nos fãs.

Décimo terceiro LP do Yes, na época de seu lançamento Union foi cercado de grande expectativa tanto pelos fãs quanto pela imprensa, afinal, oito dos 12 músicos que passaram pelo grupo estariam tocando as canções do álbum juntos, em um mesmo estúdio. Até hoje, quem conhece o Yes e não conhece Union fica bastante excitado somente em pensar que Steve Howe e Trevor Rabin estariam dividindo os solos de guitarra neste disco.

Os oito membros que foram reunidos. De cima para baixo: Jon Anderson, Trevor Rabin, Bill Bruford, Chris Squire, Steve Howe, Rick Wakeman, Tony Kaye e Alan White.

Os outros seis integrantes eram Jon Anderson (voz, percussão), Chris Squire (baixo, voz), Tony Kaye (teclados), Rick Wakeman (teclados), Bill Bruford (bateria) e Alan White (bateria), sendo que Howe e Rabin também cantavam. Ficaram de fora – por um motivo que logo iremos entender – Peter Banks (guitarra), Trevor Horn (vocais), Geoff Downes (teclados) e Patrick Moraz (teclados). Mas o que está nos sulcos de Union na verdade não é o que se espera, já que nenhuma canção apresenta os oito músicos juntos.

Para entendermos isso, precisamos voltar três anos antes, em 1988. Nessa época, Anderson, insatisfeito com os rumos do Yes após o lançamento do álbum Big Generator (1987), saiu pela terceira vez do grupo (as outras duas ocorreram ainda em 79, quando ele saiu, voltou e saiu novamente em menos de 5 meses). Mas, como sua carreira solo não deslanchava, Anderson, em uma excelente jogada de marketing, chamou os velhos companheiros de Yes: Bruford, Howe e Wakeman.

Surgia assim o novo Yes. Mas, os direitos do nome Yes pertenciam tanto a Anderson quanto a Squire e White, que continuavam ao lado de Rabin e Kaye ensaiando e compondo para o novo álbum, que sucederia Big Generator, o qual havia contado com esse mesmo quarteto, mais Anderson.

Anderson, Howe, Bruford e Wakeman
Para não gerar ainda mais problemas, Anderson e cia. não levaram o nome Yes adiante, criando assim um novo grupo, batizado como “Anderson, Bruford, Wakeman & Howe”, ou simplesmente ABWH, que lançou um disco em 1989, partindo para uma bem sucedida turnê pela Europa e pelos Estados Unidos. Enquanto isso, o Yes de Squire permanecia nos Estados Unidos compondo material. Como nada acontecia para eles, a imprensa europeia (e depois a americana) batizou o quarteto de Yes West (ou Yes do ocidente), com ABWH recebendo as honras de serem o Yes East (ou Yes do oriente).

O sucesso da turnê de ABWH foi tamanho, que em menos de dois meses o quarteto já estava com material pronto para o segundo LP. Ao mesmo tempo, Squire convidou Anderson para ouvir as novas canções que o Yes West estava fazendo, dando palpites e sugestões no que ele achava que podia ser melhorado. Anderson gostou tanto das novas músicas que se auto-convidou para cantá-las, o que foi aceito por Squire e Rabin com um certo receio.

Famosa foto de divulgação da união

Só que Anderson novamente percebeu que estava próximo de um negócio de marketing muito grande. Depois de muito conversar com os colegas de ABWH, partir atrás de uma gravadora e de um produtor que aceitasse trabalhar com eles, Anderson chegou no que ele chamou de “sonho”, que era a união do Yes West com o ABWH, nascendo assim Union.

Um dos primeiros pontos dessa união que precisa ser comentado é que ela foi aceita pelos outros sete membros participantes primeiramente porque muito dinheiro estaria envolvido no projeto. Na maioria das entrevistas pós-Union, passados 10, 15 anos do lançamento, Howe e Wakeman sempre revelam que não gostaram do projeto final. Isso foi o principal fato para os quatro outro membros que passaram pelo Yes não serem chamados para a União, já que o que estava envolvido não era apenas o nome Yes, mas o ego de pessoas como Howe, Rabin, Wakeman e Bruford. Além disso, nove das 13 canções a entrar no LP pertenciam ao ABWH. Portanto, apenas quatro eram do Yes West.
20 anos da união de oito membros do Yes no mesmo palco
Anderson pensou no LP tanto como uma gigantesca turnê que ressuscitaria o nome Yes para os velhos fãs, que não gostavam da fase pós-90125 (1983), como também um brinde para os novos, que não tiveram a oportunidade de ver o Yes no auge da carreira. Assim, o velho palco giratório da turnê de Tormato (1978) foi reativado. Outro ponto foi o lançamento de um documentário chamado YesYears (1991), trazendo entrevistas com os oito participantes do projeto e narrando a história do grupo desde seu início, em mais um lance de marketing para aumentar a expectativa sobre o álbum. O Yes começou a ensaiar as canções para os shows, já que o material para o álbum estava praticamente gravado ou pelo ABWH ou pelo Yes West, necessitando apenas de uma melhoria aqui ou ali na mixagem e na produção final.

Mas, para piorar, o produtor Jonathan Elias promoveu uma verdadeira lambança com a mixagem, que teve de ser corrigida às pressas. Foram contratados 23 (!) músicos de estúdio (entre eles, o próprio Jonathan nos teclados) para refazer as partes originais e outras novas, em uma tentativa desesperada de corrigir a [email protected]#@$*@ que Jonathan fez, já que o octeto original estava em turnê. A mixagem e a produção final desagradaram tanto aos membros do Yes que Howe e Wakeman, por exemplo, sempre que podem citam o álbum como “Onion” (cebola).

Esses músicos contratados foram: Richard Baker, Rory Kaplan, Steve Porcaro, Gary Barlough, Jerry Bennett, Sherman Foote, Jim Crichton, Brian Foraker (sintetizadores); Alex Lasarenko (teclados); Jerry Bennett e Allan Schwartzberg (percussão); Jimmy Haun (guitarra); Deborah Anderson, Gary Fallowe, Tommy Funderburk, Ian Lloyd, Michael Sherwood e Danny Vaughn (vocais).

Tour Book da “Union Tour”
No dia 23 de abril de 1991, chegou às lojas Union. A mixagem e a adição dos novos músicos prejudicaram bastante o que está contido no LP, que teve duas versões diferentes: uma para o mercado europeu, com quase 70 minutos, trazendo uma canção a mais (“Give & Take”) e outra para o resto do mundo, com 65 minutos de duração. Por vezes, estamos ouvindo uma guitarra semelhante à de Rabin em uma canção do ABWH, justamente por ser tocada por um músico de estúdio.

Seguiremos a versão americana, como se fossem apenas os músicos originais que estão participando das canções, sempre lembrando que ou é o ABWH (acompanhado de Tony Levin no baixo) ou o Yes West (com Anderson nos vocais) quem está tocando. Essa versão abre com a interessante “I Would Have Waited Forever”, onde Anderson canta o refrão, seguido pelo tema de Howe e o acompanhamento de Wakeman, Bruford e Levin. Durante a letra, percebemos a presença dos backing vocals de Squire (que realmente é ele quem está fazendo).

O andamento é típico do Yes de 90125, com a diferença no estilo de tocar de Bruford, Wakeman e Howe. O refrão é repetido, e, após uma sessão vocal, a letra continua em seu andamento moderno. Eletrônicos e percussão nos levam a mais uma repetição do refrão, chegando ao solo de Howe, com suas escalas tradicionais e sem invenções, fazendo o básico, que já é o suficiente para levantar os cabelos, enquanto Burford, este sim, inventa e muito no seu kit. O refrão é repetido, encerrando a canção com o riff feito pelo violão e tendo um bom acompanhamento de Levin, Wakeman e Bruford.

“Shock to the System” é a segunda canção do ABWH, onde o bom e pesado riff de baixo e guitarra surge com um acompanhamento bumbo-caixa de Bruford e muitas vocalizações. Howe novamente é o centro das atenções, com uma boa participação no dedilhado do violão da sessão central da canção, onde os acordes de Wakeman acompanham Anderson para retornar a canção com o solo de Howe, onde ele executa escalas e acordes jazzísticos, trazendo o encerramento com muitas vocalizações.

O dedilhado de violão está presente em “Masquerade”, a primeira canção ao violão composta por Howe para o Yes desde “Mood for a Day” (Fragile – 1972). Bem diferente das canções conhecidas de Howe, ela está na mesma linhagem de outras belezuras concebidas para seus álbuns solo Beginnings (1975) e Steve Howe Album (1979), como por exemplo “Surface Tension” e “Ram”.

Single de “Lift Me Up”

“Lift me Up” é a primeira do Yes West a surgir, com uma introdução muito boa, onde a bateria eletrônica apresenta um virtuoso solo de Rabin, que então entoa o monumental riff, com Kaye em sua companhia. Rabin esbanja virtuosismo nesse momento. Apesar da bateria ser eletrônica, é supostamente White quem está tocando o instrumento. Um violão dedilhado e notas do baixo dão espaço para a voz de Anderson. Rabin passa a cantar junto, chegando ao refrão, com todos cantando sobre o andamento simples mas muito gostoso de se ouvir, nessa canção que é uma boa sequência para o álbum Big Generator.

Voltamos para as composições do ABWH com “Without Hope You Cannot Start the Day”, tendo apenas o clima new age dos teclados de Wakeman (!) acompanhando a voz de Anderson. Sintetizadores são adicionados, bem como Howe usando uma guitarra sintetizada (!) para fazer um curto solo. A entrada de Levin e Bruford leva para mais um curto solo de Howe, e então temos a sequência da letra, contando novamente com os backing vocals de Squire, e com destaque para o andamento quebrado de Bruford e Levin.

Single de “Saving My Heart”
“Saving My Heart” é a segunda canção do Yes West a estar presente no álbum, começando com o ritmo de White seguido pelo solo de Rabin, onde Kaye e Squire comandam uma espécie de reggae, o qual é cantado por Anderson. O refrão possui o vocal de Rabin e Anderson, com Rabin cantando boa parte da segunda estrofe. Todos passam a cantar juntos o refrão, em um clima paz e amor que leva ao tímido solo de Rabin, encerrando o lado A sem muita empolgação.

O lado B abre com “Miracle of Life”, mais uma do Yes West, onde o riff dos sintetizadores de Kaye (!) são acompanhados por um andamento tradicional feito por White. O som é interrompido, e vocalizações surgem para cantar o nome da canção, voltando ao ritmo inicial, onde Rabin faz um curto solo. Então, um mandolim passa a acompanhar a melodia do riff dos sintetizadores, entre vocalizações que cantam o nome da canção, que é muito próxima a “Lift Me Up”, porém um pouco mais veloz, com Anderson e Rabin dividindo os vocais durante o refrão. Muitas vocalizações surgem na sessão central, onde Squire e White fazem o leve acompanhamento, encerrando com a repetição do refrão.

Já “Silent Talking” traz de volta as canções do ABWH, com mais sintetizadores apresentando o complicado riff de Levin e Howe, com o acompanhamento de Bruford impossível de não ser reconhecido, dando ritmo para os teclados de Wakeman e o baixo de Levin acompanharem o curto solo de Howe. O complicado tema surge novamente, assim como Anderson cantando com um delay na sua voz. Essa é uma das melhores canções do LP, bem trabalhada e com Wakeman e Howe nos remetendo aos bons tempos do Yes de Fragile. A canção muda no refrão, onde violão e sintetizadores fazem os acordes que acompanham a voz cristalina de Anderson, que encerra a canção cantando “Beautiful World“.

Flyer de divulgação de Union
Sintetizadores também abrem “The More We Live – Let Go”, que parece sair de algum LP do grupo Tears for Fears, desenvolvendo-se com um leve andamento feito por White, Squire e Kaye. Vocalizações e a entrada de Rabin apenas servem para preencher os vazios de mais uma canção do Yes West que não chega a empolgar, mas que tem como destaque a primeira participação do guitarrista Billy Sherwood na produção. Billy entraria para o Yes em 97, gravando os álbuns Open Your Eyes (1997) e The Ladder (1999).

Howe faz o riff introdutório de “Dangerous”, com samplers (!) acompanhando o baixo de Levin, que utiliza-se de slaps e bends, em uma canção similar à clássica “Owner of a Lonely Heart” e que também conta com a participação dos backing vocals de Squire. Já “Holding On” é uma viajante canção, com vocalizações e sintetizadores abrindo espaço para os eletrônicos de Bruford. Howe faz um curto tema no violão, trazendo um riff similar ao de “I Would Have Waited Forever”. Muitos efeitos estão presentes tanto na guitarra de Howe (!) como nos sintetizadores (!), e o destaque principal é a marcação de Bruford. Durante o refrão, a canção muda, com muitos eletrônicos levando ao solo de Howe, em uma mescla da fase solo de Anderson com ABWH.

“Evensong” é uma breve vinheta entre Levin e Bruford, levando ao encerramento do LP com “Take the Water to the Mountain”. Originalmente composta por seis minutos de belíssimos momentos new age, aqui ela aparece em uma versão de pouco mais de três minutos, onde percussão e sintetizador fazem a viajante introdução saída de alguma trilha desconhecida composta por Vangelis. Howe e Levin surgem na ponte entre as estrofes, e mais eletrônicos são adicionados. A ponte novamente é repetida, e a canção ganha um ritmo percussivo, com vocalizações ao fundo e o embriagante clima new age que termina momentaneamente um dos melhores momentos instrumentais do álbum.

Alguém pode se perguntar o porquê dos pontos de exclamação. Bom, isso é exatamente para enfatizar que o que estamos ouvindo na verdade é um músico contratado que está fazendo, e não o Yes original como seria o esperado. Basta ver por exemplo que alguns solos de Howe são muito mais na linhagem Trevor Rabin do que no estilo jazzístico que o guitarrista britânico costuma tocar.

Union alcançou a posição número 7 das paradas britânicas e a número 15 nas americanas, onde permaneceu durante 19 semanas consecutivas. O single de “Lift Me Up” atingiu a primeira posição na Billboard em maio de 91, permanecendo lá por seis semanas. Já “Saving my Heart” chegou na nona posição, permanecendo entre as 100 mais durante 11 semanas.

No dia 09 de abril de 1991, começava a Union Tour, antes mesmo do lançamento do álbum, com uma apresentação em Pensacola, Flórida (Estados Unidos). Nesse primeiro show, foram apresentadas as seguintes canções:

“Firebird Suite”, “Yours Is No Disgrace”, “Rhythm of Love”, “City of Love”, “Heart of the Sunrise”, “Leaves of Green”, “The Clap”, “Owner of a Lonely Heart”, “And You and I”, “Hold On”, “Shock to the System”, “Solly’s Beard”, “Changes”, “Take the Water to the Mountain”, “Soon”, “Long Distance Runaround”, “Whitefish”, “Amazing Grace”, “Lift Me Up”, “Wakeman Solo”, “Awaken”, “Roundabout” e “Starship Trooper”.

Tsunami – obra de Roger Dean para contra-capa de Union

Até 21 de maio, o Yes fez 32 shows pela América do Norte, com quatro apresentações no Canadá e encerrando essa primeira parte da turnê com uma apresentação em Seattle. Depois, foi a vez da Europa ser invadida pelo octeto, começando em Frankfurt (Alemanha), no dia 29 de maio, passando por mais 23 cidades entre Alemanha, França, Suíça, Itália, Grécia, Iugoslávia, Hungria, Bélgica, Holanda e Inglaterra. A turnê encerrou-se com mais 20 datas pela América do Norte e mais quatro apresentações no Japão, já em março de 1992, fechando o que ficou conhecido como Around the World in 80 Dates. Foi exatamente com um show dessa turnê que eu conheci a banda e me tornei fã graças a canções como “Yours is no Disgrace”, “And You And I” e “Roundabout”, as quais foram reproduzidas em um antigo programa da TV Bandeirantes, o Hollywood Rock in Concert.

As canções que fizeram parte da turnê (em ordem alfabética) foram as seguintes, sendo que não necessariamente, todas elas foram apresentadas no mesmo show, o que de fato nunca ocorreu:
And You and I; All’s a Chord; Awaken; Changes; City of Love; Close to the Edge; Firebird Suite; Gimme Some Lovin’; Heart of the Sunrise; Hold On; I’ve Seen All Good People; Leaves of Green; Lift Me Up; Long Distance Runaround; Mood for a Day; Owner of a Lonely Heart; Pennants; Ram; Rhythm of Love; Roundabout; Saving My Heart; Shock to the System; Solly’s Beard; Starship Trooper; Surface Tension; Take the Water to the Mountain; The Clap; Yours Is No Disgrace; Wakeman Solo; Whitefish.
Poster de divulgação da Union Tour

O palco da turnê, na maioria dos shows, era o mesmo da turnê de Tormato (1978/79), com seu formato giratório onde cada integrante de mesmo instrumento ficava posicionado de frente um para o outro, com exceção de Howe e Rabin, bem como Anderson e Squire, que tinham liberdade para andar por todo o palco.

Por diversas vezes nas apresentações dessa turnê, como podemos perceber nos diversos vídeos bootlegs e também no excelente box Union Live, a indiferença entre Howe e Rabin é visível. Raros são os momentos onde ambos se aproximam ou trocam algum olhar mais amistoso. O mesmo ocorre entre Howe e Anderson, sendo que muitos afirmam que foi depois dessa turnê que a guerra de egos entre os dois chegou ao ponto de ambos não se falarem mais a não ser profissionalmente.

Para se ter uma visão mais clara de quão desgastante era a relação entre os músicos, basta ver a última apresentação do grupo, onde Wakeman simplesmente “avacalha” quase todas as canções com timbres e barulhos que não fazem parte do contexto da canção, além de invenções e palhaçadas no palco, como chutar a bunda de Rabin e outras manifestações que demonstravam toda sua insatisfação com o que estava sendo feito.

Caixa Union Live, com DVDs e mimos para os fãs

Outro que também ficou pouco a vontade com o projeto foi Bruford, que, logo após encerrar o que estava previsto no contrato, caiu fora, voltou para o King Crimson e depois foi seguir carreira com seu grupo de jazz, o Earthworks. Howe foi seguir carreira solo, mas antes participou com Bruford do projeto Symphonic Music of Yes, onde, com a London Philarmonic Orchestra, o London Community Gospel Choir e a English Chamber Orchestra, regravaram canções do Yes em formato de música clássica, saindo o seu álbum homônimo em 1993. 

Anderson sentiu a força que as composições de Rabin ainda tinham e decidiu seguir com o Yes para gravar mais um álbum com a formação de 90125, o bom Talk, de 1994, com destaque para a maravilhosa suíte “Endless Dream”. Depois, o Yes foi desmantelado, e, em 96, Wakeman, White, Squire, Anderson e Howe voltaram para uma série de shows que culminou nos álbuns Keys to Ascension e Keys to Ascension 2, trazendo diversas gravações inéditas em estúdio e que colocaram o nome Yes novamente entre os mais comentados da mídia musical, o que não ocorria desde o término da Union Tour.

Bootleg com o verdadeiro Union e outras raridades

Para quem quer ouvir o Union verdadeiro, sem a mixagem de Jonathan Elias, existe um bootleg chamado The Perfect Union, apresentando quase todo o álbum e muitas raridades. Union ainda marcou o retorno de Roger Dean a produzir uma capa do Yes, depois de 10 anos (o último trabalho havia sido o álbum Drama, de 1980), bem como contou com Eddie Offord, que produziu o grupo no auge da carreira, entre 1971 e 1974.
“Awaken” durante Union Tour

Por fim, apesar de todos os problemas e indiferenças, um ponto não pode ser negado para a importância de Union. Graças a ele, o Yes voltou a ser badalado e agraciado pelos fãs. A turnê deste álbum, apesar de todas as brigas, foi um marco principalmente para os que a presenciaram, já que foi a última a contar com Bruford no Yes, e também a contar com os membros que gravaram os álbuns mais marcantes da carreira do grupo, como Close to the Edge, Tales from Topographic Oceans e 90125.
Se não é um excelente disco, se os membros não estavam em boa forma, o que ficou são 20 anos de história (até os dias de hoje) de um álbum que ainda tem muito o que ser comentado, que aos poucos vai sendo descoberto pelos fãs mais novos do grupo, e que dificilmente algum fã das antigas (como este que vos escreve) o colocaria como o melhor do grupo, mas que não há dúvidas do seu potencial como o mais importante projeto comercial já realizado por Anderson, Bruford, Wakeman, Howe, Squire, Rabin, Kaye e White.

8 comentários

  1. Groucho KCarão

    Do Pink Floyd eu já ouvi todos os álbuns de estúdio. Dos Stones idem. Do Magma ainda falta um monte de coisa, mas aos poucos eu tô conhecendo tudo. Já o Yes… Das minhas bandas preferidas, é a única que eu não conheço a discografia de estúdio, e não é por preguiça, é por aversão! Bem que eu tento, mas os únicos que consegui ouvir bem desses discos novos foram os Keys to Ascension. Mas paciência, um dia eu terei ouvido e quem sabe até gostado desses discos. O legal é que o disco aniversaria no mermo dia que eu! =P

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  2. Groucho KCarão

    Ouvi uma música do Magnification no rádio, "Spirit of Survivor", meu irmão tem ela gravada em cassete – é o novo! Ela é um dos motivos que me desempolgam de ouvir esses discos… A voz do Anderson só é tolerável até o Tormato.

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  3. diogobizotto

    Em se tratando de Yes eu meio que parei no "Big Generator". Preciso continuar, mas antes preciso voltar para uma fase mais prog, hehehe…

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  4. Mairon Machado

    Não é 100% prog, mas o Talk tem uma das melhores canções do Yes: "Endless Dream"

    Groucho, perde o preconceito e ouve o Magnification inteiro. Tu ouviste a pior musica do disco. Te aconselho essas duas: In the Presence Of (a melhor do Yes desde Mind Drives) e Magnification. Depois do The Ladder, o Yes voltou a ser prog. A turne com orquestra e a excelente Masterworks Tour são as melhores provas disso.

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  5. Groucho KCarão

    Sim, Mairon, é um pouco de preconceito, mas não é só isso.. Eu tentei ouvir o Open Your Eyes, mas é fato: não curto a voz do Anderson atualmente, nem acho o prog atual deles empolgante como o do passado. Mas eu sempre tive a consciência de que um dia eu vou ouvir todos os discos novos do Yes. Só que eu tenho que tah com muita paciência, hehe.

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  6. - Lima -

    Realmente o Union foi um grande sucesso comercial. A relação do Wakeman e as palhaçadas, ja eram de costume mesmo dele, tanto que o Rabin se tornou um amigo intimo e próximo tendo contribuído para o album Return to the Center of the Earth. Mas fora dos palco o descontentamento de todos artistas era grande mesmo.

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