Capa de Unleash the Fire.
Note os detalhes: a pichação de “Johnny”, as ruas com os nomes de “Reale Way” e “Blood st.” e o prédio com o nome da banda.

 

Por Ulisses Macedo

Todos os que acompanham a banda nova-iorquina certamente estão cientes de que seu fundador, o guitarrista Mark Reale, faleceu há seis anos atrás vítima de complicações causadas pela Doença de Crohn, que afeta o sistema digestivo e contra a qual ele lutou bravamente até o fim de sua vida. Reale morreu poucos meses após o lançamento do excelente Immortal Soul, disco que trouxe de volta a aclamada “Thundersteel lineup”(com a adição, na época, do parceiro Mike Flyntz), e foi um dos melhores álbuns de 2011 – pra mim, o melhor. Apesar do grande sucesso da volta, era esperado que o grupo, em que Mark foi o único membro permanente em seus mais de trinta anos de atividade, se dissolvesse para sempre devido à sua falência.

Mas não foi isso que aconteceu: com o apoio dos fãs e da família Reale, Don Van Stavern (baixo) e Mike Flyntz (guitarra) decidiram seguir em frente e carregar a tocha. Com a adição de Nick Lee (guitarra, e aluno de Mike), Frank Gilchriest (bateria) e de Todd Michael Hall (vocais), o Riot adicionou um “V” ao nome, em alusão ao fato de que esta é a quinta vez que um novo vocalista entra no grupo, e prometeu entregar mais discos clássicos em sua linha de power metal americano, dedicando este 15º álbum ao eterno líder Mark Reale. A capa, contendo a mascote Johnny segurando um machado elétrico, é animadora. Mas será que a nova versão do Riot consegue manter o nível alto de seus vários lançamentos, mesmo sem a presença de Reale?

Todd e Nick

Ride Hard Live Free” inicia a pancadaria com pedais duplos e guitarras velozes. Quando Todd entra em cena, logo percebemos que estamos diante de mais um competente registro na discografia do Riot. “Metal Warrior” traz uma rápida introdução de bateria para nos lembrar de Frank, que ficou com a ingrata tarefa de substituir o parrudo Bobby Jarzombek, a qual ele realiza com louvor, como se pode notar em vários momentos do álbum. Outra típica canção power metal, “Metal Warrior” traz várias referências à “mitologia” do grupo, contendo palavras como ‘Shine On’,‘Johnny’ e ‘Bloodstreets’, e finaliza com um grito agudo – daqueles que todo mundo precisava ouvir. Substituir Tony Moore não é nada fácil, especialmente por causa de seus agudos absurdos, mas Todd faz isso muito bem. Sem deixar a peteca cair, “Fall From the Sky” deixa Frank Gilchriest brilhar novamente, numa passagem toda sua logo antes dos solos de guitarra. “Bring the Hammer Down” é mais pesada, trazendo um refrão grudento e evidenciando uma ótima interpretação vocal de Todd Michael Hall, que solta notas agudas com maior frequência aqui.

A faixa-título também é pesadíssima, trazendo riffs quase thrash e vocais que se esforçam em emular o Rob Halford. Todd não é nenhum Tony Moore, mas é super competente e demonstra que foi uma boa escolha para o cargo, trazendo em seu currículo bandas como Reverence e Jack Starr’s Burning Starr. A seguir, o Riot homenageia o Japão, terra onde sempre manteve certo prestígio, com a faixa “Land of the Rising Sun“, que traz riff e andamento mais alegres e convidativos ao sing-alongcom o público, com um clima mais voltado a discos como Narita (1979) e Fire Down Under (1981).  Já “Kill to Survive” surpreende com alguns momentos de groove e uma sonoridade bem moderna, destacando-se no tracklist. “Return of the Outlaw”, “Take Me Back” e “Fight Fight Fight” seguem velozes e mantém o nível satisfatório, mas sem maiores destaques.

Flyntz e Stavern. O baixista foi o principal compositor de Unleash the Fire.

Flyntz e Stavern. O baixista foi o principal compositor de Unleash the Fire.

A primeira homenagem a Reale aparece na balada “Immortal“, cuja letra fala sobre a vida do lendário guitarrista:‘Your time on this earth was so very brief / But your star burned so bright / You encouraged us to shine‘. “Until We Meet Again” é a outra, finalizando o disco com muito feeling em linhas voltadas ao blues, onde o baixo de Stavern destaca-se. Impossível não se emocionar com a letra e com o senso melódico da faixa. Ponto para o quinteto, que fecha o disco em grande estilo!

Unleash the Fire mostra que o Riot não está disposto a desistir. Apesar da dúvida angustiante de muitos fãs sobre a capacidade da banda de seguir em frente sem Reale, o grupo nova-iorquino entrega um ótimo trabalho e um recomeço promissor. Esperamos que sigam sempre aprimorando a sonoridade e entregando mais petardos como este. ‘Until we meet again, my friend’. Shine On!!

Frank, Nick, Todd, Stavern e Mike

Frank, Nick, Todd, Stavern e Mike

Tracklist:

1. Ride Hard Live Free

2. Metal Warrior

3. Fall from the Sky

4. Bring the Hammer Down

5. Unleash the Fire

6. Land of the Rising Sun

7. Kill to Survive

8. Return of the Outlaw

9. Immortal

10. Take Me Back

11. Fight Fight Fight

12. Until We Meet Again

1 comentário

  1. Tiago Bittencourt França

    Bela resenha. Nunca entendi esse mascote deles. Só o que me vem à cabeça é que foi criado de zoeira.

    Responder

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