Por Ronaldo Rodrigues

O Mountain foi formado pelas circunstâncias do fracasso de Leslie West, guitarrista e vocalista de Nova York (EUA). Ele estava insatisfeito com sua então banda, o Vagrants, que não atingia um nível mínimo de sucesso. Felix Pappalardi era o produtor do grupo e colaborava, no outro lado Atlântico, com ninguém menos que o Cream de Eric Clapton e Jack Bruce. Tentando dar uma guinada, Leslie West apresentou algumas novas canções para Pappalardi, gravada em uma demo ainda em companhia de seus colegas no Vagrants e com um estilo mais condizente com aquele clima de 1968. Pappalardi rejeitou o material da forma como estava, mas sugeriu ele próprio assumir o baixo naquelas músicas para uma futura gravação. Juntando outros dois músicos de bandas que Pappalardi empresariava (N.D Smart, do Remains, e Steve Knight, do Devil’s Anvil), estava ali montado o time que gravaria o álbum solo de Leslie West, que batizaria sua futura banda e daria grande contribuição para o desenvolvimento do rock pesado. Com a rápida ascenção de Leslie West, sua trupe e seu repertório, a banda foi escalada para o festival de Woodstock. A participação do Mountain em Woodstock foi o terceiro show da banda adotando o nome. Já no ano seguinte, N.D Smart é substituído pelo baterista canadense Corky Laing, que assim como Leslie West, teve sua carreira intrinsecamente associada à banda. A partir de 1972 o Mountain deixou de ter uma carreira constante, com vários períodos de hiato. A primeira parte desta matéria aborda os discos que fizeram o nome do Mountain conhecido e venerado em todo o mundo.


Leslie West: Mountain [1969]
Considerado como o primeiro álbum do Mountain, mas lançado como um disco solo de Leslie West, até hoje não se sabe por que Mountain não consta no rol de pedras fundamentais do hard rock. Algo tão pesado e intenso quanto Led Zeppelin, Jeff Beck Group e Jimi Hendrix na mesma época, o álbum conta com um diferencial, que é a presença fortíssima do baixo de Felix Pappalardi, dialogando de igual pra igual com a guitarra. O disco é tão divertido quanto denso, atinado na garganta quente de Leslie West. O som tem um quê de hippie rock e, não à toa, fez a banda ser presença frequente em festivais ao ar livre nos EUA e adquirir grande reputação. Um álbum que merece ser cada vez mais resgatado e ouvido. “Blood of the Sun” e “Dreams of Milk and Honey” deveriam alçar o patamar de clássicos do rock para o grande público.

1. Blood of the Sun
2. Long Red
3. Better Watch Out
4. Blind Man
5. Baby, I’m Down
6. Dreams of Milk & Honey
7. Storyteller Man
8. This Wheel’s on Fire
9. Look to the Wind
10. Southbound Train
11. Because You Are My Friend


Climbing! [1970]
Pegando o mesmo fio da meada do disco de estreia, o Mountain cresce ainda mais em musicalidade. Climbing! é repleto de músicas cativantes e memoráveis, como “Mississipi Queen” e “Never in My Life”, duas pedradas na orelha. “Mississipi Queen” atingiu boa colocação na parada da Billboard e foi inclusa na trilha sonora do filme “Vanishing Point”, de 1971. O disco transborda o espírito rock n’ roll da época e em muitos casos faz pontes com o disco anterior – “Silver Paper” e “Sitting on a Rainbow” são tão hippies e estradeiras quanto “Long Red” e “Better Watch Out”; já a fantástica e densa “Boys in the Band” se sintoniza com a cinzenta “This wheels on Fire” e as acústicas “The Laird” e “Because You’re my Friend” são da mesma linhagem. Uma bela versão de “Theme from Imaginary Western”, composta por Jack Bruce, se faz presente aqui, mas chega a ser um pecado Felix Pappalardi assumir os vocais em uma banda que tem Leslie West para desempenhar essa função. “From Yasgur’s Farm” rememora a participação da banda em Woodstock, mas é um bocado melosa além da conta.

1. Mississippi Queen
2. Theme for an Imaginary Western
3. Never in My Life
4. Silver Paper
5. For Yasgur’s Farm
6. To My Friend
7. The Laird
8. Sittin’ on a Rainbow
9. Boys in the Band


Nantucket Sleighride [1971]
O terceiro álbum abre com uma das melhores canções da carreira da banda, “Don’t Look Around”, um petardo pesado e frenético, com riffs fortes e grande interpretação dos músicos. A faixa título, na sequência, é a mais icônica da banda, presença garantida em todos os shows dali por diante e que foi se metamorfoseando em longas e poderosas jam sessions nos palcos. “Nantucket Sleighride”, a faixa, sintetiza bem o conjunto do álbum – um Mountain mais refinado na seção instrumental e ainda com lenha pra queimar. Steve Knight, um solene coadjuvante no som da banda, aparece mais com seus teclados neste disco, fazendo boas complementações na massa distorcida da dupla Pappalardi-West. Corky Laing também ousa com levadas menos convencionais e muita intensidade nas batidas. “You Can’t Get Away”, “The Animal Trainer and the Toad” e “The Great Train Robbery” mantém o pique das faixas mais rockeiras de Climbing!, ao passo que “Traveling in the Dark” rememora o fraseado de guitarra do Wishbone Ash; já “My Lady” poderia passar batido e “Tired Angels” tem uma construção interessante, com muitas variações.

1. Don’t Look Around
2. Taunta
3. Nantucket Sleighride
4. You Can’t Get Away!
5. Tired Angels
6. The Animal Trainer and the Toad
7. My Lady
8. Travellin’ in the Dark
9. The Great Train Robbery


Flowers of Evil [1971]

Flowers of Evil é fracionado entre o estúdio e o palco e de certa forma mostra a banda um pouco desgastada, sem o brilho de outrora e com uma maior presença de Felix Pappalardi nos vocais. Não é o exatamente o caso da faixa abertura, que batiza o álbum, uma composição empolgante com os vocais guiados quase que 100% por Leslie West e o piano esperto de Steve Knight. “King’s Chorale” e “One Last Cold Kiss” tem presença intensa do piano de Steve Knight, sendo a primeira inteiramente instrumental e a segunda cantada por Pappalardi. A coisa volta a esquentar com “Crossroader”, novamente cantada por Pappalardi, mas é nítido perceber que suas versões ao vivo davam a potência necessária para os riffs e solos suculentos da guitarra de Leslie West nesta música. “Pride and Passion” tem bons momentos, mas é exagerada e mostra o Mountain investindo novamente na seara da mini-suíte “Nantucket Sleighride”, contudo, sem bons ganchos. O lado B do álbum é ocupado por registros ao vivo da banda no Filmore East (Nova York) em 1971. Um meddley humildemente chamado de “Dream Sequence”, emenda a releitura de “Roll Over Beethoven” de Chuck Berry com uma improvisada versão de “Dreams of Milk and Honey” e apavora os ouvidos incautos! E para encerrar, o grande hit da banda, “Mississipi Queen”, do mesmo show.

1. Flowers of Evil
2. King’s Chorale
3. One Last Cold Kiss
4. Crossroader
5. Pride and Passion
6. Dream Sequence
7. Mississippi Queen


Live: The Road Goes Ever On [1972]

Desde o princípio de sua carreira, o Mountain se alimentou da relação com o público e o palco. Constando como um grande live-act de sua época, este disco ao vivo surgiu no momento em que a banda estava se rachando ao meio, com Leslie West e Corky Laing indo fritar válvulas com Jack Bruce no West, Bruce & Laing. Contudo, nada disso afeta o resultado musical apresentado em Live; apenas 4 músicas (sendo uma delas uma gigantesca versão para “Nantucket Sleighride”) são suficientes para mostrar o poder de fogo da banda, com muitos improvisos de guitarra e o baixo distorcido de Felix Pappalardi dando as cartas.

1. Long Red
2. Waiting to Take You Away
3. Crossroader
4. Nantucket Sleighride

6 comentários

  1. Marcello

    Ótima banda, com excelentes músicos, e que durou muito pouco nessa primeira encarnação. Climbing e Nantucket Sleighride são álbuns obrigatórios na coleção de quem gosta de heavy metal do começo dos anos 70. A coleção de gravações ao vivo lançadas nos Official Bootlegs é fantástica (apesar da qualidade escabrosa de som da maior parte). Conheci a banda por meio do álbum Woodstock 2, mas pelo que sei as músicas da banda nesse disco não foram gravadas no festival, e sim em outro show. Vou ouvir de novo já!

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  2. Mairon

    Banda excelente, mas só conheço essa fase. Os discos posteriores ainda não ouvi!! Leslie West é um guitarrista bastante injustiçado, pq tocava muito!

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  3. Diego S. A.

    Banda de cabeceira, uma das cinco bandas de Rock que mais me dão prazer em escutar, ao vivo então!!!

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  4. Francisco

    Mountain, para mim, está na mesma prateleira de Gun, Baker Gurvitz Army, Bloodrock, Bang, Crow etc. É uma daquelas bandas com o som datado, mas potente, de respeito. Leslie West é um monstro nas seis cordas. Felix Pappalardi e Corky Laing formam uma cozinha poderosa, das mais respeitáveis dos anos 60/70. Belo resgate!

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  5. Eduardo Sandoval

    mas chega a ser um pecado Felix Pappalardi assumir os vocais em uma banda que tem Leslie West para desempenhar essa função.

    Absurdo, o vocal dele é maravilhoso tambem !!!

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