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Por Alisson Caetano

Hoje, o termo “pop” é sinônimo de lixo descartável e bizarrices de “artistas” pré-moldados pela mídia para arrecadar alguns milhões. Talvez a grande quantidade de porcarias despejadas dia a dia nas rádios e mídias em geral tenha causado este mal estigma pois, acredite você ou não, existem muitos grupos pop de qualidade por ai.

Os Franz Ferdinand são escoceses e juntam, em seu indie rock, doses intensas de disco music, new wave e dance, tudo muito bem amarrado com referências claras de Talking Heads e alusões vindas dos gêneros citados, e ai vão New Order, Duran Duran, dentre outras inspirações menos evidentes. Pode parecer que é muita coisa para juntar sem deixar as músicas forçadas ou desconexas, mas essa mistura, inusitada até, resultou em discos de música pop de extrema qualidade.

Tonight:, o terceiro disco de sua discografia, mostra-se um trabalho conciso em suas ideias, de músicas fáceis de serem absorvidas, com um clima dançante reinando absoluto em sua totalidade. Para arrematar e dar todo um tom especial, os teclados criam um clima disco muito interessante, sem tornar as músicas datadas. As letras também são um caso à parte, todas sacanas e muito bem humoradas: “Bem, eu estou entediado, estou entediado / Vamos lá, vamos ficar chapados”.

“Ulysses” dá o tom do disco em pouco mais de 3 minutos de baixo pulsante, refrão “lalalá” explosivo e um belo trabalho vocal de Alex Kapranos, quase uma homenagem aos ídolos da longínqua new-wave. “Turn It On” deixa o andamento mais cadenciado, as guitarras levemente distorcidas, mas o ritmo contagiante e o refrão decorável permanecem. O mesmo pode ser dito de “No You Girls”, aliada ao ritmo sacana e letras que fazem jus a isto: “Oh, me beije / Lamba seu cigarro depois me beije / Beije-me onde seus olhos não irão me encontrar”.

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O melhor do disco, porém, ficou reservado em sua segunda parte. “Send Him Away” e “Twilight Omens”, apesar de curtas, surpreendem: a primeira pelo seu arranjo soft rock e linhas de baixo encantadoras, a segunda pelas ótimas trilhas de teclados e clima completamente retrô. O disco segue em alta com “Bite Hard”, onde os teclados agora relembram o hard setentista. “What She Came For” remonta aos melhores momentos do funk e lembra vagamente “Another One Bites the Dust”.

“Live Alone” é uma gostosa composição construída sobre um ritmo de músicas de jogos de videogame 16-bits e, para finalizar os destaques, “Katherine Kiss Me” encerra o disco de forma simples, apenas um violão e Alex cantando uma letra boba sobre estar apaixonado: “Você olha de relance e se desvia dos machos alfa atrás de mim / Olhos como bolhas na máquina de lavar roupas / Eu me pergunto / Como os garotos se sentem”.

Contagiante, vibrante, inusitado, variado: não faltam adjetivos para enaltecer as qualidades deste disco, uma verdadeira pérola da música pop, feita com qualidade e que, logo à primeira vista, se destaca da obviedade e da mediocridade que assolam o cenário pop mainstream da atualidade.

Tracklist:

  1. Ulysses

  2. Turn It On

  3. No You Girls

  4. Send Him Away

  5. Twilight Omens

  6. Bite Hard

  7. What She Came For

  8. Live Alone

  9. Can’t Stop Feeling

  10. Lucid Dreams

  11. Dream Again

  12. Katherine Kiss Me

5 comentários

  1. Manoel

    Concordo com tudo que você disse. Esse foi um dos discos das ultimas décadas, além do Reflektor de Arcade Fire, que eu ouvia exaustivamente. Só faltou uma pitada de palavras sobre a hipnótica e apoteótica Lucid Dreams. Parabéns pelo Post.

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  2. Marcello

    Gostei dos quatro primeiros discos do Franz Ferdinand, mas achei o último bem fraco… O que você achou dele?

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    • Alisson Caetano

      Meu interesse parou nesse e no s/t, que acho bem simpático. O restante eu nunca fui atrás pra saber como eram.

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