Por Mairon Machado

O Na Caverna da Consultoria de hoje vai para São Paulo, visitar Gustavo Scafuro. Com uma longa estada na Europa e Estados Unidos, Gustavo é o criador do blog e canal do youtube Metal Open Mind, no qual apresenta diversos vídeos com álbuns e curiosidades sobre música, e possui ainda muitos outros hobbies ligados com a música. Dentre eles, usa seu tempo para tocar bateria, sendo líder do grupo Katamarock. Nessa entrevista, o amigo conta um pouco de sua história com a música, bem como apresenta parte de sua coleção e conta sobre as origens e o blog Metal Open Mind.


Olá Gustavo, tudo bem? Obrigado por compartilhar um pouco de seu conhecimento e paixão pela música. Por favor, apresente-se para nossos leitores.

Olá Mairon, é um prazer para mim poder falar sobre música, afinal ela tem sido uma grande fonte de inspiração em minha vida. Eu nasci na capital de São Paulo no finalzinho da década de 60, e morei cerca de 20 anos fora do Brasil (Portugal e EUA). Sou formado em Economia e Digital Arts & Design, sou músico (baterista), e desde a virada do milênio desenvolvo o projeto Metal Open Mind, exercendo funções como redator, jornalista, promotor, fotógrafo, editor de áudio e vídeo, podcaster, e mais recentemente youtuber também.

Quais as suas primeiras lembranças sobre ouvir música, e o que o levou a virar um colecionador.

O meu interesse por música surgiu na década de 80 com o advento do Walkman e cassetes de áudio virgem. Lembro de ficar ouvindo programas de rádio FM por horas a fio, a espera de gravar músicas interessantes, para poder ouvi-las novamente quando eu quisesse sem as interrupções dos locutores, é claro. No entanto o hábito de colecionar discos só surgiria anos mais tarde quando eu entrei no colegial e fiz amizade com colecionadores. A admiração e o cuidado que tinham com seus discos me inspiraram a fazer o mesmo. A primeira edição do Rock in Rio também foi muito importante, pois me ajudou a definir o estilo de música que passaria a colecionar.

Com quantos anos você comprou seu primeiro disco? Qual era o álbum e por que esse foi o responsável pela abertura ao mundo das coleções? Você ainda tem ele?

Com meu próprio dinheiro só quando recebi meu primeiro salário em 1989, na altura que começaram a surgir os lançamentos em CD. Antes disso comprei muitos Lp’s, principalmente na Woodstock Discos a partir de 86. Eu fiz faculdade no Mackenzie, e lembro de guardar o dinheiro do lanche e da condução, e ir a pé até o Anhangabaú para comprar alguma novidade. Lembro que comprei o álbum The Warrior da banda Inglesa Chariot, que foi o primeiro lançamento do selo Woodstock. Infelizmente acabei vendendo toda a minha coleção de Lp’s quando já vivia em Portugal (93/94). Fui vendendo aos poucos para amigos e também na Feira da Ladra em Lisboa. Com o dinheiro fui comprando Cd’s que coleciono até hoje.

O que, especificamente, o levou a se apaixonar pelo rock e o Metal? São as melodias, as letras, ou o conjunto da obra?
Quando descobri bandas como Iron Maiden, Scorpions, AC/DC e Judas Priest nos anos 80 fiquei realmente encantado. Era diferente de tudo o que já tinha ouvido até então, os refrões marcantes, a energia debitada nos álbuns e também ao vivo, e claro, as capas e todo o imaginário associado. Estar presente na primeira edição do Rock in Rio com apenas 15 anos também foi uma experiência muito marcante para mim. Com certeza foi o conjunto da obra que me fez querer conhecer mais do gênero.

Ao mesmo tempo, o que o afasta diretamente em uma audição?

Meu gosto musical se tornou bem eclético ao longo dos anos. Aprendi a apreciar música com isenção, deixando de lado alguns preconceitos típicos dos fãs de Rock/Metal. Quando era mais jovem não queria saber de nada que estivesse fora da minha zona de conforto, mas morar fora do Brasil, me deu a oportunidade de conhecer diferentes culturas do mundo, fez-me abrir os horizontes para o desconhecido, e hoje respeito os mais variados estilos musicais. Talvez por isso mantenho uma admiração especial por bandas que fundem diferentes gêneros musicais (a partir do Rock), em detrimento de outras que se limitam a repetir a mesma fórmula até a exaustão.

Quais os principais formatos que você tem em sua coleção? Quantos itens de cada formato?

A minha maior coleção é a digital, por motivos óbvios. Atualmente tenho cerca de 28 mil álbuns em mp3 devidamente organizados em 3 HDs de 1 Terabyte cada. Em CD tenho cerca de 2 mil (incluindo digipacks, digibooks, mini-albuns, promos, SMDs, singles, e demos), e em DVD musical cerca de 100 apenas.

Com Walcir Woodstock

Você chegou a colecionar vinis? Se sim, por que acabou se desfazendo dos mesmos?
Sim, colecionei durante 10 anos e cheguei a ter cerca de 400 LP’s. Quando me mudei para Portugal em 1991 levei comigo aqueles que mais gostava, e continuei a colecionar por mais alguns anos. Numa das vindas ao Brasil de férias, acabei levando o restante da coleção. Depois passei a frequentar feiras e reparei que havia um grande interesse por vinis, então comecei a vendê-los para poder comprar lançamentos em CD. Era muito mais prático para mim naquela época pois eu sequer tinha um toca discos. Hoje tenho apenas 2 exemplares, um split picture disc 7” de edição limitada que recebi de uma promotora de Portugal, e um disco quadrado mono 45RPM 7” Lo-Fi que mandei fazer de um single da minha banda Katamarock. Exemplar único! 🙂

Pretende voltar a colecionar vinil um dia?
Se eu tivesse dinheiro para isso, sim. Mas eu seria bem seletivo, só grandes clássicos a partir dos masters analógicos, em edições de luxo, novos ou bem conservados, e em vinil de 180 gr. Ahh, eu teria que ter uma sala exclusiva para eles também 🙂

Como você organiza o tempo para classificação, garimpo, audição e demais tarefas que todo colecionador necessita fazer para ter seu acervo em dia?

A música sempre fez parte da minha vida, então é algo natural para mim. Desde que criei o projeto Metal Open Mind em 2002, a música faz parte da minha rotina diária. O fato de trabalhar com computador também ajuda muito, então estou sempre ouvindo algo mesmo quando não estou prestando atenção. Teve uma época que eu só dormia com os fones ligados, mas deixei este hábito de lado pois quero preservar a minha audição. Sempre tive o costume de organizar minhas coleções, e recentemente cataloguei grande parte dela no site discogs.com. Mas claro, não abandono a planilha offline. Quanto ao garimpo, é tudo uma questão de oportunidade/dinheiro, então sempre que posso visito um sebo ou alguma loja que faça promoções. Hoje em dia é raro eu comprar discos novos, pois considero muito caros aqui no Brasil. Prefiro esperar que apareçam nas promoções ou compro em segunda mão mesmo. A exceção são as viagens ao exterior, pois tenho o hábito de comprar discos de bandas locais como souvenir.

Quais os álbuns mais raros que você tem?
Dos álbuns que tenho cadastrado no discogs, o mais valioso é o Salival do Tool (box set cd+dvd, edição original com erros tipográficos, de 2000). Mas se considerarmos raridade independente do valor de mercado, tenho aqui inúmeros lançamentos de edições bem limitadas (50/100 cópias) que recebi diretamente de bandas independentes, a maioria da Europa. Estes álbuns (incluindo demo-CDs), nunca foram reeditados. Então com certeza, esses são os mais raros, o problema é que ninguém conhece essas bandas, por isso nem vale a pena citar. (risos)

Coleção do Tool

Musicalmente, o que todo mundo gosta e você não consegue gostar? O que só você gosta?
Bom, eu raramente me preocupo com o que os outros gostam. Reconheço que tenho uma certa aversão a cultura popular, música de massas, etc. O rock, e em particular o Heavy Metal, me fez compreender que a popularidade nem sempre é sinônimo de qualidade. É tudo uma questão de conhecimento. Quanto maior for a sua bagagem musical, menos valor se dá a música pobre de conteúdo. A fórmula da repetição de melodias fáceis e dançáveis, embora compreensível e amplamente aceita, é quanto a mim, completamente descartável. Desde que aprendi a gostar de música progressiva, dou imenso valor a trabalhos conceituais ou outros que parecem estar muito a frente de seu tempo, explorando fusões de estilos ou criando novas fórmulas musicais. Esses trabalhos mais desafiadores, são em geral incompreendidos, pois vivemos numa era em que poucos tem paciência para uma audição mais profunda dessas obras. As massas preferem a segurança das margens plácidas, mas eu prefiro mergulhos mais profundos no caos inquietante do desconhecido.

Você costuma ir a shows? Se sim, quantos já foram, e quais os mais marcantes?
Sim, já perdi a conta de quantos shows já testemunhei em mais de 3 décadas. Lembro por exemplo que fiz um bate e volta para assistir Judas Priest no Rock in Rio 2 em 1991, foi uma aventura inesquecível, e de quebra ainda assisti Queensryche e Megadeth pela primeira vez. Em 2001 fiz a cobertura do festival Machina na Espanha, e quase tive uma overdose de adrenalina para acompanhar os shows de 20 bandas, entre elas nomes como Symphony X, Kreator, Gamma Ray, In Flames, Grave Digger, Kamelot, Axel Rudi Pell, Axxis, Lacuna Coil, Iron Savior, Rhapsody, etc… Em Portugal tive a oportunidade de assistir Tool no Ozzfest em 2002, o Ozzy deu o cano, e eles foram a atração principal logo depois de Slayer. Inesquecível!

Prateleira de CDs (acima) e alguns dos shows que Gustavo já foi (abaixo)

Quais são aqueles discos seus amigos veem na coleção e dizem: “Meu Deus, essa joça está aqui!!”? Ao mesmo tempo, qual é aquele disco que quando alguém chega em casa para ver sua coleção você faz questão de mostrar?
Tenho pelo menos uns 200 CD’s que recebi para resenhar no site do Metal Open Mind. Alguns deles são bem fraquinhos, mal produzidos, com capas amadoras, etc… mas nunca me desfiz de nenhum, guardo todos sem exceção, e com certeza estes seriam alvo de gozação se alguém os visse. Na época que garimpava sebos atrás de vinis obscuros, eram mais comuns as gozações. Os alvos principais eram bandas como Jaguar, Cirith Ungol e Zebra. Por outro lado, lembro que em 1984 meus pais viajaram para os EUA e me trouxeram alguns discos que fizeram muito sucesso entre meus amigos da altura, principalmente o Ride the Lightning do Metallica e o Hail to England do Manowar. Ninguém tinha por aqui, e faziam fila em casa para gravá-los kkk.

Qual aquele disco que você ainda está buscando comprar, mas ainda não conseguiu encontrar por um preço justo?
Muitos! Do meu TOP30 de 2017 ainda me faltam comprar 24! A maioria nem saiu no Brasil, mas o problema nem é o valor em si, mas sim a demora na entrega. O último que comprei pela internet foi em Dezembro (Grécia) e ainda não chegou, então isso desanima um pouco. Ahh, me faltam apenas dois álbuns de estúdio para completar a coleção do Rush, o Signals e o Clockwork Angels. Não são muito caros, mas quero ver se completo agora que a banda acabou.

Que principais lojas e sites você recomenda para os garimpadores ampliarem suas coleções?

Tenho tido sorte com o OLX aqui no Brasil, mas só compro cd’s usados pessoalmente. O marketplace do discogs também é interessante, tive experiências positivas com compra e venda, porém teve uma compra que fiz no ano passado (da Tailândia) que também ainda não chegou, então é esperar para ver. Muitas vezes os CD’s ficam retidos na alfândega ou nas centrais de distribuição. Agora para quem tiver oportunidade de viajar para os EUA, não deixem de visitar as lojas de penhora ou do exército da salvação onde o CD usado custa em média 1 dólar.

Como sua família se relaciona com sua coleção?
Minha esposa coleciona livros, então a coisa fica bem equilibrada em nosso apartamento, cada um com seu hobby preferido.

Além de discos e material ligado à música, você coleciona outro tipo de memorabilia?
No passado colecionei álbuns de figurinha, selos e revistas em quadrinho. Hoje em dia, para além da música, coleciono livros, filmes, séries e documentários em DVD.

Conte-nos um pouco também de sua relação com a bateria. Quando começou a tocar, qual a principal e influência, bandas que tocou e por aí vai.
A minha relação com a bateria surgiu meio por acaso quando eu tinha 16 anos. Eu estava no colegial e minha mãe me levou numa escola de música e me perguntou que instrumento eu gostaria de aprender. Eu sabia que era para ocupar os tempos livres e concordei, pensei um pouco (1 minuto foi o suficiente) e escolhi a bateria. Não demorou muito e eu já estava tocando em bandas, primeiro no conservatório, e depois em projetos mais sérios. Diferente dos meus amigos daquela época que queriam ser “rockstar”, o meu sonho era tão somente aprender o básico do instrumento, inspirado por caras como Lars Ulrich, Rob Reiner e Philty Taylor. Pensava em ter uma banda e fazer alguns shows é claro, mas era puro escapismo de adolescente que não queria ser “quadrado” ou economista como o pai. Na verdade eu não tinha qualquer afinidade ou dom natural para percussão, e mesmo assim fui em frente na base do “seja o que Deus quiser”, muito mais na intuição do que no estudo ou técnica. No fundo eu sabia que era um pouco tardio, e inoportuno naquele momento da minha vida. Eu tinha que conciliar banda com namorada, faculdade e família, e meus pais também tinham outros planos para mim. Católicos recém convertidos ao espiritismo, não enxergavam futuro na carreira de artista. Mesmo assim me ajudaram a bancar o conservatório, aulas particulares, minha primeira bateria (uma Saema nacional em segunda mão), e também a minha primeira bateria profissional, uma Tama Rockstar (ironia do destino) que levaria para Portugal posteriormente. Minha primeira banda a “sério” no Brasil foi o Ranger (Heavy Metal) que formei em 1987, depois toquei no Lakeland (Hard’n Heavy), e no Skid Row Cover (tributo). Em Portugal formei o Hot Stuff (Hard Rock) em 91, e depois toquei no Dear Old Dad (Hard Rock), no Big Bang (covers), e no Karma (Rock/Metal Alternativo). Depois de regressar ao Brasil em 2010, comprei uma bateria eletrônica (Shelter nacional) e voltei a estudar. Em 2015 montei o Katamarock (Hard Rock Alternativo), e no ano passado lançamos nosso primeiro EP. Quem quiser dar uma conferida basta acessar nossa página no bandcamp.

Você também possui um belíssimo canal no youtube, o Metal Open Mind. Conte-nos como surgiu a ideia desse canal e o que é divulgado por lá.
Bom, o projeto Metal Open Mind já tem uns 15 anos. Começou como uma webzine em Portugal, e depois virou um site profissional. Em 2004 decidi parar com o site devido a problemas de ordem pessoal. Em 2006 fui morar nos EUA e retomei o projeto como blog. Depois que voltei ao Brasil em 2010 passei a dedicar mais tempo ao projeto, comecei a criar playlists para web rádios, e me aventurei no universo dos podcasts. Inicialmente o canal no youtube surgiu como forma de praticar edição de vídeo, algo até então novo para mim. Fiz muitos mash-ups, e videos experimentais também. Algumas pessoas começaram a me perguntar por que eu não publicava meus podcasts no youtube, mas eu sempre respondia que não fazia sentido um podcast áudio de duas horas numa plataforma de vídeo. No ano passado soube que o youtube iria abrir um espaço no Rio de Janeiro para usuários que tivessem mais de 1000 inscritos no canal, então em Abril comecei a produzir conteúdos semanais com esse objetivo em mente. Lá divulgo teasers de podcasts especiais (Atlas do Rock), entrevistas de minha rubrica mensal para um programa de rádio em Portugal (Bastardos do Brasil), videos de reação (Two Minutes in the Dark), comentários de discos (Papo de Colecionador), entre outros.

Alguns dos episódios que mais curti foram o “Conceituais”, “Povos Indígenas na Música”, “Década de 70” e “Edições Limitadas”. Como surgem as ideias para os episódios.
Estes episódios que mencionou fazem parte do quadro “Papo de Colecionador” que criei em conjunto com o Edilson Pichiliani, um dos amigos de longa data que me iniciou no universo da música pesada. Já havíamos trabalhado juntos numa fanzine (Metal On Metal) aqui no Brasil em 2000, e depois decidi fazer algo mais abrangente e criei a webzine Metal Open Mind já em Portugal. Quando nos reencontramos aqui no Brasil, surgiu a vontade de fazermos algo juntos outra vez. No ano passado propus a ideia de destacarmos 5 álbuns cada um, mas tinha que ser temático, e só de álbuns físicos de nossas coleções. Ele topou e acabamos gravando uma série que se estendeu por 15 episódios. Assim que gravávamos um, surgia imediatamente a ideia para o próximo. Temos ainda umas quantas ideias de programa na gaveta, e pretendemos retornar com o quadro muito em breve.

Com o amigo Edilson Pichiliani, e a baqueta de Stefan Schwarzmann, baterista de bandas como Running Wild, Helloween, Krokus, entre outros …

Outra parte que curto do seu canal são as entrevistas. Já levou algum “fora” de um ídolo para uma entrevista, que acabou decepcionando-o?
Durante os 2 anos que mantive o site Metal Open Mind em Portugal com conteúdos atualizados diariamente, surgiu a oportunidade de entrevistar inúmeras bandas que nos enviavam material físico. Naquela época a maioria das entrevistas eram feitas por email mesmo. Lembro que preparei uma em especial para Katherine Thomas (The Great Kat), mas ela só respondeu o que quis. Achei aquilo muito bizarro, indaguei o porquê, e ela só respondia abobrinhas… Pesquisei na net e descobri que a maioria das respostas eram copy/paste de outras entrevistas, ou seja, ela nem se tinha dado ao trabalho de fazer a lição de casa. Resultado: Nunca publiquei a tal “entrevista”, e apaguei a “artista” da minha memória. Mais de um década depois, advinha quem me manda um cd querendo agendar uma entrevista?

Quais os programas que você mais curtiu, e que você usa para divulgar seu canal?
Tem dois quadros novos que estou curtindo fazer, um é sobre gravadoras, e o outro é a agenda de shows. O primeiro comecei a fazer em podcast áudio no ano passado, e agora resolvi fazer em vídeo também. Basicamente escolho uma editora que me envia material regularmente, e faço um especial sobre ela. O da agenda de shows comecei a fazer no mês passado, e como o nome indica, destaca os shows mais relevantes acontecendo no mês seguinte. Nele também incluo a cobertura de algum show que eu tenha testemunhado no mês anterior através de videos e fotos de minha autoria.
O canal no youtube é uma extensão daquilo que sou, do que faço através do blog, dos podcasts que produzo, e daquilo que divulgo nas redes sociais. A ideia é quebrar barreiras, derrubar esteriótipos, estimular o respeito entre diferentes gerações através do conhecimento, e reforçar a união entre as bandas, entre os promotores, entre as editoras, e em última instância, entre os fãs de música. O canal tem um novo teaser de apresentação, e ainda um video retrospectivo desta nova fase no youtube, e ambos são usados para divulgação.
Somados, os videos do canal tem quase 900 mil visualizações, porém nunca ganhei 1 centavo com eles por causa da utilização de material protegido por copyright. A política de monetização do youtube também foi alterada recentemente, e só canais com mais de 1000 inscritos e 4000 horas de execução anuais poderão ser remunerados. Ainda estou chegando nos 800 inscritos, então ainda há muito trabalho por fazer em termos de conteúdos próprios para poder almejar algum retorno financeiro. Até lá contamos exclusivamente com o apoio dos assinantes para que com seus compartilhamentos possamos atingir um público maior.

Steve Harris

E pessoalmente, quais os principais nomes que você já teve a oportunidade de entrevistar, e como foi o momento?
Eu prefiro entrevistar músicos e bandas em início de carreira do que artistas consagrados. As vedetas só tem tempo para quem lhes puder proporcionar grande exposição, e eu não tenho feitio de ficar mendigando entrevistas. Tenho um amigo Brasileiro que foi roadie do Motorhead por muitos anos, e através dele consegui entrevistar o guitarrista Phil Campbell. Dos tempos de Portugal entrevistei bandas como Anvil, Hammers of Misfortune, Hatesphere, Ill Niño, Manticora, Steel Attack, Darkseed, Tarantula, etc e artistas como Jeff Scott Solo ou o ilustrador Mattias Noren. Desde que voltei ao Brasil entrevistei inúmeros artistas, dentre os quais destaco Lotta Lené, Amadeus Awad, Lanvall (Edenbridge), John V. (Need), Alan Zaring (The World Will Burn), Rob Miller (Tau Cross), Toni Scherrer (Megora), Killjoy (Monster Sound), Juho Niemela (Callisto), Alan Johnson (Exciter), Evan Harris (Black Majesty), Chris Klapper (Custard) e Ricardo Dias (Heavenwood).

Agora, as rapidinhas da Marília Gabriela:

Um show ou um disco? Disco
LP ou CD? CD
Kiske ou Deris? Kiske
DiAnno ou Dickinson? Dickinson
Angra ou Shaman? Angra
Metallica ou Megadeth? Metallica
Dio ou Ozzy? Dio

Quais os dez melhores discos da década de 60?
Arthur Brown – The Crazy World of Arthur Brown
The Beatles – Revolver
Big Brother & The Holding Company – Cheap Thrills
Coven – Witchcraft Destroys Minds And Reaps Souls
The Jimi Hendrix Experience – Are You Experienced?
Josefus – Dead Man
King Crimson – In The Court Of The Crimson King
Led Zeppelin – I
Renaissance – Renaissance
Steppenwolf – Steppenwolf

Quais os dez melhores discos da década de 70?
Aerosmith – Aerosmith
Black Sabbath – Black Sabbath
Deep Purple – Machine Head
Jethro Tull – Aqualung
Judas Priest – Killing Machine
Scorpions – Lovedrive
Motorhead – Overkill
Queen – A Night At The Opera
Rainbow – Rising
Rush – 2112

Quais os dez melhores discos da década de 80?

AC/DC – Back in Black
Accept – Restless & Wild
Anthrax – Spreading the Disease
Anvil – Metal On Metal
Dio – The Last in Line
Faith No More – The Real Thing
Helloween – Keeper of the Seven Keys I & II
Iron Maiden – Piece of Mind
Manowar – Battle Hymn
Metallica – Ride the Lightning

Quais os dez melhores discos da década de 90?

Dare – Blood From Stone
Dream Theatre – Images & Words
Extreme – Pornograffitti
Freak Kitchen – Appetizer
Harem Scarem – Mood Swings
Kings’s X – Dogman
Live – Secret Samadhi
Pantera – Cowboys from Hell
Tool – Aenima
Van Halen – Balance

Quais os dez melhores discos dos anos 2000 (de 2001 até agora)?
Ayreon – Human Equation
Clutch – Earth Rocker
Diablo Swing Orchestra – Pandora’s Piñata
Falconer – Falconer
Kamelot – The Black Halo
King Gizzard & The Lizard Wizard – Polygondwadaland
Leprous – The Congregation
Mastodon – Once More ‘Round The Sun
Opeth – Watershed
Twelve Foot Ninja – Outlier

Cite dez discos que você levaria para uma ilha deserta, e o que precisaria ter por lá para desfrutar do momento?
Bob Marley & The Wailers – Legend
Combo De La Muerte – Tropical Steel
Jason Becker – Perpetual Burn
Joe Satriani – Surfing With The Alien
Martone – When The Aliens Come
Pat Boone – In a Metal Mood: No More Mr. Nice Guy
Paul Anka – Rock Swings
Richard Cheese – The Sunny Side of the Moon: The Best of Richard Cheese
Steve Vai – Passion & Warfare
Tomas Bodin – Sonic Boulevard

Qual o futuro da sua coleção no dia que você partir para buscar os autógrafos de Jimi Hendrix, Lemmy Kilmister, Jeff Hanneman, Chuck Schuldiner entre outros
Minha coleção musical é o patrimônio mais valioso que possuo, por isso é provável que minhas filhas herdem a parte material. Se a situação financeira delas permitir, gostaria que mantivessem um pequeno museu dedicado a minha memória. Quanto a parte digital, pretendo disponibilizar integralmente em algum servidor na internet. Desta forma o acervo histórico poderá ser compartilhado com milhares de pessoas que nutram da mesma paixão.

Conte-nos alguma história engraçada/curiosa envolvendo a compra de um álbum, uma visita a uma loja, um encontro com determinado artista, enfim, algo envolvendo a música.
Eu participo de alguns grupos de doação no facebook, e recentemente alguém postou que estaria doando cerca de 700 cd’s, sendo a maioria de bandas nacionais. Quando eu comentei no post que tinha interesse no lote, reparei que umas 15 pessoas já o tinham feito antes de mim. Mesmo assim decidi enviar uma mensagem privada para o doador, explicando que colecionava Cd’s e divulgava bandas nacionais em programas de rádio, podcast e youtube também. Para minha surpresa, o rapaz entrou em contato no mesmo dia, dizendo que eu tinha o perfil adequado para a doação. Combinamos a entrega e no dia seguinte busquei 4 caixas de CD’s! Tratava-se de um promotor de eventos da casa de shows Hangar 110 que estava encerrando atividades. Os CD’s tinham sido enviados pelas próprias bandas ao longo dos anos, para seleção de festivais que eles organizavam. Para minha supresa haviam inúmeros CD’s lacrados, e muitos repetidos também. Do tipo, uns 20 lacrados de uma banda, uns 30 promos de outra… Enfim, também havia muito “lixo” no meio, demos desleixadas, e diversos Cdr’s. Acho que deu para aproveitar uns 400 cd’s, e isso deu um belo upgrade na minha coleção.

Alguma coisa mais que gostaria de passar para nossos leitores?
Gostaria de agradecer a oportunidade desta entrevista, e também pedir aos leitores que respeitem a diversidade musical, independente de suas preferências pessoais. Ter o hábito de ouvir música sem preconceitos é extremamente benéfico e gratificante também. São infinitas as possibilidades que a música pode proporcionar. Em última instância, a música é a trilha sonora de nossas vidas, e sempre haverá alguma mais adequada para cada momento vivido neste mundo.
Quem ainda não conhece o projeto Metal Open Mind, e ficou curioso com o que leu por aqui, pode sempre nos seguir na rede social de sua preferência. Estamos no facebook, twitter, instagram, e também nas plataformas de podcast como Podomatic, Mixcloud, hearthis.at e iTunes. Meu foco agora é o youtube, então assinem meu canal e fiquem por dentro do que melhor acontece no universo da música rock/metal sem fronteiras. Valeu!
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2 comentários

  1. Igor Maxwel

    Na lista de discos dos anos 70 feita pelo Gustavo, gostei bastante das citações do Lovedrive, Killing Machine, A Night at the Opera, Rising, Aqualung e Machine Head. Já em sua lista oitentista me agradaram muito suas citações a Back in Black, Restless and Wild, The Last in Line e Piece of Mind (minha mãe agradece!), só não gostei muito da citação dele ao “patinho feio” dos quatro primeiros discos do Metallica que é Ride the Lightning. As outras listas não tem assim nenhum disco que me agrade, quem sabe eu passe a ouvir-os melhor…

    Responder
  2. André Kaminski

    Orra, quem me dera receber 700 cds assim grátis, mesmo de bandas que não gosto. Sempre rola uns negócios com alguns sebos.

    No mais, belíssima coleção do Tool.

    Responder

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