Editado por Fernando Bueno
Tema escolhido por Diego Camargo
Com Alisson Caetano, Davi Pascale, Diogo Bizotto, Fernando Bueno, Mairon Machado e Ulisses Macedo

Ah o rock alternativo dos anos 90! Tão característico e ao mesmo tempo tão díspar que consegue abranger no mesmo balaio Faith No More e Alice In Chains, Oasis e Red Hot Chili Peppers.

Eu desde sempre acompanho o tal do rock Alternativo já que era criança no meio dos anos 90 e foi nesse período que comecei a ouvir música, logo as bandas dessa época e o som daquela década me cativam ainda hoje. Tanto que uma das minhas coisas favoritas é ainda encontrar uma daquelas bandas que eu ainda não conhecia e que acabam por virar minhas favoritas (alguém aí falou de You Am I?).

No entanto, na lista abaixo o time da Consultoria do Rock focou realmente no ALT da palavra ‘alternativo’ e escolheu discos que passaram debaixo do radar popular e que, provavelmente você não ouviu. Na verdade, se tudo correr como o planejado, na maioria dos casos o leitor não vai ter nem ouvido falar nas bandas aqui presentes.

Mas com certeza você leitor vai lembrar de milhares de outras bandas que poderiam estar nessa lista, então seja bem vindo aos comentários e ajude todos os outros a descobrir suas mais nova velha favorita banda!


Sterling – Monterlingo (1997)
Recomendado Por Diego Camargo

O Sterling pra mim é um daqueles casos que todos os meus amigos mais próximos já estão cansados de ouvir a história. Quando me mudei pra região central de São Paulo em meados de 2002 ia regularmente ao ‘Centrão’ da cidade (especialmente aos sábados) para me perder nos sebos atrás de vinis que custavam 1 real cada e para me perder no que eu carinhosamente chamava de ‘loja de forró’. As ‘lojinhas de forró’ eram lojas bem pequenas no Centro que eram abarrotadas de CDs do chão ao teto e que SEMPRE tinham como trilha sonora algum forró saindo dos falantes da loja. Isso assustava a maioria dos ‘roqueiros de plantão’ que nunca nem entravam nessas lojas e se dirigiam direto à Galeria do Rock, eu, em contrapartida, entrava nessas lojas e saia cheio de CDs. Uma loja em particular na rua Dom José de Barros era a minha favorita, sai de lá com muitos discos que eram raridades como o Lateralus do Tool edição europeia por 10 reais, o G-Force do Gary Moore por 5 reais entre muitas muitas outras pechinchas, incluindo o Monsterlingo, do Sterling. Comprei parte pela capa, parte pela curiosidade, paguei 5 reais no CD e ao chegar em casa e colocar o disquinho no play foi paixão de cara! Por anos foi impossível achar qualquer informação sobre a banda já que Sterling é um sobrenome pra lá de comum na Ilha Britânica, foram anos até conseguir saber mais sobre a banda e mesmo assim as informações não são grande coisa. A banda gravou apenas 4 singles, 1 EP e um disco completo entre 1996 e 1997 e sumiu. O grupo deixou um impacto tão grande em mim que hoje em dia tenho tudo que a banda lançou, incluindo um single só lançado em vinil 7 polegadas em que as duas músicas estão incluídas no EP, que eu também tenho… vai entender. Pra mim fica complicado falar do som da banda já que eles estão tão próximos e já que eu ouvi o disco tantas vezes que é algo que se tornou como um ‘melhor amigo’, posso esquecer do disco por um tempo, mas sempre que quero relembrar de algum momento da vida ou sempre que quero apenas cantar um disco do começo ao fim, é Monsterlingo que vai pro play. Bem vindo você também se quiser um novo amigo, nunca é tarde!

Fernando: Me senti em uma prova de gincana tentando encontrar esse disco para ouvir. Nos lugares que eu costumo usar e encontrar tudo o que procuro não tinha. Daí lembrei que o link do álbum no Bandcamp foi enviado junto quando montamos essa lista. Acho que é banda com apelo mais pop das que entraram aqui. No geral é interessante, os músicos me parecem competentes, mas não me comoveu.

Ulisses: Tocam bem, mas fora isso a maioria das composições são completamente descartáveis. Geralmente algum elemento se sobressai, como a linha de baixo (“Dream Queen”) ou o vocal, mas não o suficiente para tornar a audição algo realmente prazeroso… O som é tipicamente noventista, mas com tantas boas bandas no período eu não sei por quê alguém ouviria esta aqui.

Davi: Esse foi um dos grandes destaques da lista, na minha opinião. Os caras conseguem mesclar direitinho a bateria e as passagens de guitarras distorcidas típicas do rock alternativo com linhas vocais pops repletos de refrãos radiofônicos. O trabalho é bem consistente e deve agradar em cheio aos fãs de grupos do chamado post grunge como Seether, Puddle of Mudd e afins. Faixas de destaque: “Is This The Time”, “Intravenous”, “Headless” e “The Good Sun”.

Alisson: Tem coisas que são segundo, terceiro escalão por motivos justos. Tirando o detalhe interessante de Justin Chancellor (baixista do Tool) ter feito parte da banda em algum momento da vida, mais nada chama atenção para qualquer aspecto aqui. O som é anos 90 em todos os sentidos, pegando tudo que deu certo na época e misturando, e jogue aí influências de Oasis dos dois primeiros discos, Weezer, um pouco de grunge, e pronto. “Qualquer coisa” é um adjetivo bem pertinente.

Diogo: O Sterling tem uma coisa em comum com minha indicação, que é um foco maior nas melodias do que nos riffs ou em algum outro elemento. Esse fato acaba tornando a audição relativamente palatável. Cabe o rótulo “alternativo”, mas sem aquele ranço indie que muitas vezes me incomoda. Claro, a repetição no fim de “Shiver” é desnecessária, mas não dá pra cobrar perfeição de algo que está muito longe de ser perfeito. Apesar de algumas características positivas, trata-se de um disco apenas razoável, que apresenta seu melhor no início do tracklist (especialmente “Intravenous” e “Out of the Sunlight”) e depois dá uma caída de nível. Da segunda metade, gostei de “Dream Queen”, que me lembrou o Velvet Revolver. Bota uma Gibson Les Paul na mão do guitarrista no lugar da provável Fender Jaguar (será?) enquanto a banda a toca que eles até passam por hard rockers.

Mairon: Isso é rock alternativo da mais pura origem alternativa que poderia esperar por aqui. Há um pé no grunge, seja pelo baixo distorcido ou pelas guitarras envenenadas, e por vezes uma lembrança ao Nirvana, e consequentemente ao Pixies (pedras, podem jogar) no vocal, mas o grupo não é uma cópia/filhote de Seattle. Gostei do lado soturno de “Addlestone Rock”, o baixão da intro de “Crawl Mary”, o embalo de “Three Hand Man” . Não curti “Headless” e “Out Of The Sunlight”, mas elas são bem genéricas com relação a outras bandas de sucesso do Rock Alternativo. Pelo que pesquisei, é o único disco dos americanos. Uma lástima, pois tinham calibre para fazer mais. Não conhecia a banda e achei-a interessante.


Morphine – Cure for Pain (1993)
Recomendado por Fernando Bueno

Essa edição foi a mais difícil para mim. Como não podíamos citar banda mais “famosas” as minhas opções se reduziram drasticamente e foram a quase zero. Sorte que lembrei desse disco aqui. O Morphine chegou para mim pelo fato de ser uma formação inusitada e confesso que nas primeiras eu ouvi com um pouco de desdém. Ainda bem que eu insisti, porque o som do trio é muito bom. Difícil desvincular o som de um bar vazio e com pouca luz ao ouvir o som da bateria, sax e baixo com a voz calibrada de whyskie de Mark Sandman. Podia ter indicado tanto o disco anterior quanto o posterior, mas é Cure for Pain que os fãs mais celebram, assim a tendência que seja mais bem recebido pelos amigos consultores. Sua música cheia de sentimento, seja de tristeza, saudade, dor ou qualquer outra coisa que normalmente te deixaria para baixo acaba sendo um prazer de ouvir. Sei que de todos os discos da lista esse pode ser o mais conhecido e também o mais diferente.

Diego: Fazia muito tempo que eu não ouvia Morphine e como foi bom retornar ao som da banda! Lá pelos idos de 2000, quando do lançamento do disco The Night, foi quando eu ouvi falar do Morphine pela primeira vez, graças à extinta rebista Bizz. No entanto, ainda nessa época, não era tão fácil digitar o nome da banda no Google e ouvir o disco, como todos sabemos, então corta para 2008 quanto eu ouvi a discografia toda da banda sem parar e adorei. Cure For Pain sempre foi o meu disco favorito da banda mas nunca rodou tanto no meu player, não pela falta de interesse ou qualidade, mas porque Morphine não é para todos os momentos. A música da banda é melancólica e cheia de dor e por mais que essa melancolia e dor sejam de alta qualidade, você não ouve um disco assim a todo momento. De qualquer forma foi bom ter relembrado deles, pois não pretendo esquecer do grupo por tanto tempo a partir de agora. Cure For Pain traz aos nossos ouvidos o som único da banda com bateria, saxophone e baixo de duas cordas (isso mesmo que você leu). Tudo regado com o vocal carismático de Mark Sandman. Um deleito aos ouvidos que deve ser apreciado com calma e com o coração aberto!

Ulisses: O Morphine faz parte do seleto grupo de bandas que desafia a norma de fazer rock com guitarra. Ao invés, o power trio aposta numa combinação de saxofone e baixo de duas cordas, unidos ao groove do baterista Jerome Deupree e à própria voz grave e melancólica de Mark Sandman. O resultado é um disco que, embora marcado pela atmosfera alternativa dos anos noventa, preserva o jeitão cool de seu jazz-rock com sabor de blues, e entrega vários hits no decorrer do tracklist, entre os quais a famosa faixa “Buena”.

Davi: Esse segundo álbum do Morphine foi lançado em 1993, justamente quando o grunge vivia seu auge. Aqui no Brasil tivemos a histórica edição do Hollywood Rock que contou com alguns dos grandes nomes do gênero (L7, Alice In Chains e Nirvana). Enquanto as bandas buscavam fazer um som mais pesado, com vocais raivosos, buscando inspiração no punk , no noise e no heavy metal, a galera do Morphine apresentava o oposto. Canções repletas de sax jazzísticos, violões blueseiros e vocal quase tão calmo quanto ao do Jack Johnson. Cure For Pain é um trabalho bem desenvolvido, bem interpretado, mas não faz muito meu gosto pessoal. Para quem quiser uma dica do que aprontavam, recomendo ouvir seu ‘quase little hit’, “Thursday”.

Alisson: Gosto do Morphine mais pela ideia e proposta do que por gostar realmente do som. Acho bacana a ideia de aproximar jazz e rock de um jeito sem parecer erudito ou complicado ao extremo. As ideias se juntam em músicas que sempre caem no inusitado ou onde a pegada e o feeling são o foco. É lembrado com carinho pelos fãs de alt-rock dos anos 90 com justiça.

Diogo: Sem dúvida trata-se da audição mais, digamos, tranquila entre todas as indicações. O som do Morphine é tão classudo que o rótulo “alternativo” causa algum estranhamento, mas considerando a amplitude que essa palavra pode denotar, não discordo da recomendação. Falar que a escassez de guitarras é compensada pelo bom uso dos saxofones é lugar comum, então acrescento a isso a citação das canções em que esse formato melhor encontra sua expressão, que são “I’m Free Now”, “All Wrong”, “Sheila” e a faixa-título. Não sei se isso procede, mas sinto uma (grande) possível influência de Tom Waits ao longo das faixas. “In Spite of Me”, então, poderia facilmente ter sido gravada pelo trovador de voz rouca. Sem dúvidas trata-se de um belo disco.

Mairon: Dos álbuns aqui apresentados, com certeza esse é o que mais pessoas devem dizer que conhecem. A mistura de rock com jazz, levada pelos inusitados instrumentos (baixo de 2 cordas e saxofone), além de uma bateria cadenciada e um vocal que pega nos ouvidos, conquistou diversos fãs pelo mundo. O álbum é sinuoso e apreciativo, exalando um cheiro de modernidade para quem vivia um período onde o grunge parecia dominar o mundo do rock. Como não se surpreender com os bandolins da linda “In Spite Of Me”, faixa com grandes inspirações na clássica “Going To California” (Led Zeppelin). O saxofone é o instrumento que mais me chama a atenção, fazendo os ouvidos sorrirem durante “I’m Free Now” e na animada “Mary, Won’t YoU Call My Name?”. O baixo e o saxofone, juntos, fundem-se confortavelmente nos riffs de “All Wrong”, “Buena”, e “Thursday”. E atirem as pedras quem não se diverte com a ótima “A Head With Wings”, ou não se emociona com “Miles Davis’ Funeral”. Disco fundamental e emblemático do rock alternativo, e muito bem-vindo por aqui.


Living in the Shit – Chá Magiológico (1995)
Recomendado por Ulisses Macedo

Inegavelmente uma das bandas mais importantes da história da música alagoana, o Living começou como uma banda meio punk rock que foi, pouco a pouco, deixando o som mais recheado, com influências que iam do hardcore e metal ao manguebeat, reggae e ska, acabando por se tornar mais uma daquelas efervescentes bandas do rock alternativo noventista, com criatividade e originalidade de sobra. Independentes, misturavam inglês e português num caldeirão musical que combinava composições pesadas (“Essência da Mata”, “Protect Your Freedom” e a faixa-título) com outras mais acessíveis e até engraçadas (“Raputenga” e “Degustação”), mas sempre com bastante energia e aquela pegada orgânica e viva, para fazer o ouvinte bater cabeça. Único álbum de estúdio do grupo, e ainda assim uma peça essencial da história do rock alagoano.

Diego: São dezenas e dezenas de bandas independentes surgidas na década de 90. A ascensão do CD e o barateamento da tecnologia e dos estúdios de gravação fez com que centenas de bandas gravassem e lançassem trabalhos independentes naquela década. Por isso mesmo fica impossível conhecer tudo, e por isso mesmo, eu nunca tinha ouvido falar no Living In The Shit, apesar de conhecer o baterista da banda e seu projeto Sonic Junior. Chá Magiológico tem produção modesta mas é competente naquilo que se pretende fazer: Mangue Beat/Funk Metal/Hardcore/Rap Rock. O problema, acredito eu, mora justamente nessa mistureba toda, a banda não consegue uma identidade própria. Ora quer ser Planet Hemp, ora quer ser Chico Science & Nação Zumbi e ora quer ser o Suicidal Tendencies. No final a banda não é nenhuma das influências e também não é o Living In The Shit… Uma pena, se a banda tivesse durado mais um disco eles poderiam ter conseguido atingir uma identidade própria que poderia ser interessante. Li comentários que um segundo disco teria sido gravado, no entanto não encontrei rastro nenhum dele, sendo assim Chá Magiológico fica como o único registro da banda Alagoana.

Fernando: Só eu que achei que estava ouvindo alguma coisa do Planet Hemp nos primeiros minutos da música? Claro que foi só uma impressão inicial já que no todo o som do Living in the Shit está mais próximo ao manguebeat, mesmo que o discurso ‘Legalize Já’ também dê as caras. Bom instrumental, baixista bastante presente, mas o som de bateria é ruim, com a caixa estalando que cansa lá pela terceira ou quarta música. Não é para mim e fica a pergunta: quem teve a ideia “brilhante” do nome da banda?

Davi: Banda brasileira. Conheço algumas bandas alternativas dessa época como o Pin Ups e o Killing Chainsaw, mas confesso que nunca tinha parado para ouvir o Living In The Shit. O trabalho é bem feito e remete bastante à cena da época. “Essência da Mata” é Chico Science total. Tanto nos riffs quanto no trabalho vocal. “Rojão” já bebe bastante no Planet Hemp, “Raputenga” traz outra referência bastante usual na época, o reggae. Referência que se repete em “Ganja Yeah”, que como o próprio nome entrega fala sobre maconha. Outro tema corriqueiro na ocasião. Isso, talvez, explique o porquê o conjunto não chegou ao segundo disco. Os músicos eram competentes, mas não possuíam um grande diferencial em relação aos demais conjuntos de sua época, que possuíam mais mídia e eram melhores compositores. De todo modo, foi bacaninha ouvir.

Alisson: Decente, mas não dá pra elogiar muito, já que o produto é muito igual a um monte de bandas de mais sucesso dos anos 90. Pense em Planet Hemp, Nação Zumbi, Faith No More, Charlie Brown Jr., e por aí vai. Está tudo aqui, mas sem o mesmo talento dos originais.

Diogo: Bastam poucos segundos para perceber a fortíssima influência que a turma manguebeat de Recife teve nesses alagoanos, que fazem exatamente a previsível mistura de rock (especialmente em seu lado mais punk), rap, reggae e maracatu, regada a muita percussão. A produção é magrinha (o som de bateria é meio anêmico e a caixa se sobrepõe ao resto) e a mixagem enterra o vocal lá no fundo, mas até que isso não é um grande problema considerando o contexto. Trata-se de um caso em que elementos negativos como esse fazem parte da expressão do trabalho, mesmo que essa não seja bem a intenção. Quando a banda aposta mais no rock, chega a soar como o Planet Hemp, que estava surgindo com força na mesma época, então não creio poder rotular como influência, apesar das letras sugerirem esse fato. Não chega a ser ruim (algumas músicas são beeeeem fraquinhas, outras são razoáveis), mas não tenho planos de ouvi-lo novamente.

Mairon: Nunca tinha ouvido falar dessa banda. Lembrou-me bastante o Nação Zumbi, com algo de Sepultura nas guitarras e percussão, e um pouco de Raimundos nos vocais. É Mangue Beat na essência. As faixas que mais me chamaram a atenção foram a faixa-título, “Essência da Mata”, “Raputenga” e a matadoras instrumental “Awinthila Dreams”. As faixas em inglês são muito boas, pesadas, e mesmo como o sotaquezão nordestino, é admirável a audição de  e “Fuck Off The People” e “Protect Your Freedom” (a melhor delas) e do embalo de “Pessoas Bad Communication”. A versão para “Degustação”, original de Rita Lee (e particularmente, uma das piores músicas/letras que ela e o Roberto de Carvalho já fizeram) ficou muito boa musicalmente. Apesar de a gravação ser bastante crua, gostei do que ouvi, até mais do que o próprio Nação Zumbi. Boa surpresa!


The Gits – Frenching The Bully (1992)
Recomendado por Davi Pascale

Quando foi lançado o tema, fiquei dividido entre indicar o Gruntruck e o The Gits. Acabei optando pelo segundo por toda sua importância. O The Gits nunca se tornou uma banda de grandes proporções, mas tudo indicaria que isso aconteceria com eles em questão de pouco tempo. Na cena local, a banda já dava o que falar. A vocalista Mia Zapata acabou se tornando referência para diversas cantoras da cena. Infelizmente, tudo foi por água abaixo, no dia 7 de Julho de 1993 quando a cantora, aos seus 27 anos, foi estuprada e assassinada na volta de um bar em Seattle. Os músicos optaram por não seguir adiante. Era o fim do The Gits. A sonoridade do grupo era um punk rock direto, honesto e cheio de gás. Mia tinha bastante atitude. Quem assistiu o grupo ao vivo diz que a garota roubava a cena no palco. “Another Shot of Whiskey”, “Insecurities”, “It All Dies Anyway” e “Here´s To Your Fuck” estão entre minhas favoritas.

Diego: Não conhecia o The Gits e confesso que é difícil ficar isento, emocionalmente, depois de ler o que aconteceu com a vocalista da banda Mia Zapata (uma simples leitura na Wikipedia te traz todo o conteúdo, não sendo necessário eu contar a história aqui). Também é fato que, mais uma vez, a escolha foge um pouco da minha ideia original de citar bandas de rock alternativo já que o The Gits faz um direto e cru Punk Rock. Mas de qualquer forma Frenching the Bully tem um certo charme. Duração adequada (pouco mais de 30 minutos), boas melodias, instrumentais competentes, boas canções e uma vocalista acima da média. Em suma Frenching the Bully é um disco pra se ouvir, pelo menos uma vez, com calma e daí se julgar se ele entra na sua lista de favoritos. Eu confesso que vou ter que ouvir ele algumas outras vezes ainda, mas vou!

Fernando: O rock alternativo é um termo bastante abrangente. Tem bandas com influências diversas, dos grupo clássicos dos anos 70 até o punk oitentista, e esse último é a veia do The Gits. Punk rock até o osso. Mais uma vez não gostei e dificilmente ouvirei de novo.

Ulisses: Opa, punk rock com vocal feminino. Com exceção de “Another Shot of Whiskey”, que é mais cadenciada, a banda se dá bem no filão de composições velozes, tendo como apoio a voz versátil de Mia Zapata, transitando entre o melódico e o visceral sem tropeçar. O álbum é célere em sua premissa e não faz muito esforço em ser variado e diferente, mas dá aquela injeção de adrenalina que muita gente busca no punk rock.

Alisson: O legado dessa banda ainda continua vivo no underground do punk contemporâneo, tanto pela força das apresentação ao vivo do grupo na época, quanto pela influência que a vocalista Mia Zapata teve em várias vocalistas dali em diante. Uma pena que a carreira do grupo foi tristemente interrompido pelo assassinado da vocalista. Mesmo o som não sendo pra mim, reconheço o poder que o disco tem em quem quer um bom registro punk.

Diogo: O punk rock do The Gits é bem intenso e ganha contornos peculiares graças aos vocais de Mia Zapata, que destacam a banda das demais e conduzem as canções. Não são os riffs, mas suas melodias vocais que constroem o cerne do tracklist. Se eu dissesse que morro de amores por essa sonoridade estaria mentindo, mas é um trabalho que parece ter um grande número de admiradores e esse fato é compreensível, pois não se trata de uma banda genérica. As faixas são executadas com precisão e vão direto ao ponto, sem enrolações desnecessárias. “Insecurities” e “Slaughter of the Bruce” são as músicas que mais chamaram minha atenção.

Mairon: Punk rock raiz, para se fechar uma roda e quebrar o pescoço. Várias faixas legais, em especial “Cut My Skin, It Makes Me Human”, “Insecurities”, “While You’re Twisting, I’m Still Breathing” e “Kings and Queens”, com seu jeitão Ramones de ser. Para a maioria das canções, se não fosse pelas letras em inglês, eu diria que era de uma banda paulista dos anos 80. Aliás, falando nas letras, a vocalista Mia Zapata canta super agradável para o punk. Há alguns pontos fora da curva (“Another Shot of Whiskey” e “It All Dies Anyway”), mas nada assombroso de ruim. No geral, curti bastante.


My Bloody Valentine – Loveless (1991)
Recomendado por Alisson Caetano

A capa do segundo registro de estúdio do My Bloody Valentine diz muito quanto ao que encontramos em termos de som. Parafraseando o que Anthony Fantano disse em sua análise para o disco: “Se a observarmos por tempo suficiente, ficará claro que se trata de uma guitarra. Porém, ela está coberta por uma camada de névoa rosa, ao ponto de obscurecer a guitarra”. Essa ideia de distorcer e transformar uma ideia por efeito artístico ja é notável com poucos segundos de “Only Shallow”, onde qualquer um pode dizer que é uma barulheira oca e desprovida de conteúdo, mas que no fundo, se atentando à música, podemos ver que se trata de uma música pop, de levada calma e vocais doces. Esse contraste entre o noise quase sufocante e o pop quase surreal traz um contraste único a cada uma das faixas. Não foram os primeiros a trazer esse conceito de justaposição de conceitos oposto para a música (O Velvet Underground já havia feito coisa bem parecida em White Light, White Heat), porém, o pioneirismo aqui está no efeito pretendido. A guitarra de Kevin Shields, protagonista indiscutível, cria texturas e camadas sonoras infinitas, ajuda de anos de pesquisa em estúdios de gravação, além de alguns milhares de libras investidos. O resultado é algo sublimemente contemplativo, feito para sentir os sons nos levando para pensamentos surreais e tranquilizantes. Claro que quase ninguém entendeu o conceito de cara. O disco custou uma fortuna e o retorno foi pouco próximo de nada. Apenas tempos depois que o legado do registro foi se fazendo visível, com obras claramente inspiradas apenas em Loveless (Billy Corgan chamou o engenheiro de som deste para trabalhar no Siamese Dreams, tamanho o fascínio pela obra).

Diego: O auge da pretensão ‘hype’, o auge orgasmático dos alternativos descolados de plantão, o que significa que Loveless é um disco oco e completamente perfeito para ‘show off’. Passo!

Fernando: Sei que o My Bloody Valentine fez bastante sucesso junto daquele grupo de bandas que se convencionou a chamar de emo, mas não sabia que eram tão antigos. Algumas coisas meio ridículas dos adolescentes que curtiam esse som acabou estigmatizando as bandas e até limitando um eventual desenvolvimento das mesmas. Algumas melodias foram feitas para emocionar adolescentes, mas outras são bem sacadas, alguma coisa de Radiohead aqui e acolá. No todo não é ruim, mas para mim uma audição está de boa.

Ulisses: Exemplo de álbum que melhor define o estilo em que se encaixa. Loveless costuma ser descrito através de adjetivos como “onírico”, “líquido” e similares, o que nada mais é do que uma tentativa de colocar em palavras sua inexplicável parede sonora, cheia de guitarras experimentais e distorcidas sufocando na produção nebulosa. Por baixo de todo o noise e da névoa rosa encontram-se canções acessíveis e emotivas. Por isso, as (muitas) pessoas que idolatram o álbum têm suas boas razões para isso – não é o meu caso, já que não consigo ter grande apreço pelas composições do álbum e nem por sua sonoridade e estética.

Davi: Muita gente considera esse disco um clássico do movimento, mas confesso que não mexe comigo. As guitarras possuem uma distorção razoável, as linhas vocais são melódicas, mas o modo que esses caras mixaram esse disco me incomoda muito. Parece que Kevin Shields sofria de uma síndrome Ritchie Blackmore e achou que somente ele deveria ser ouvido. Bateria lá atrás, baixo quase inaudível. O CD tem bastante experimentações. Em alguns momentos é bacana, mas depois de passados alguns minutos, dá uma saturada. Faixa preferida: “When You Sleep”.

Diogo: Loveless é o tipo de álbum que tinha tudo para me desagradar, mas isso não acontece. Sua estética propositalmente “torta”, canções barulhentas, o fato de ser muito superestimado… Só que se trata de um bom disco, um verdadeiro manifesto pelo direito de fazer música feia e “errada”, sem a preocupação de encaixar-se em convenções comerciais, apenas de botar para fora as ideias na forma de um fluxo que parece meio desorganizado, mas que se revela bastante meticuloso para os ouvidos mais atentos. Prestem atenção na faixa de encerramento, “Soon”, especialmente nas guitarras, e entendam o que quero dizer. Há um cuidado em construir atmosferas que se sobrepõe à estética noise de distorção e feedback, usando esses elementos a favor de um contexto amplo, no qual cascatas de arranjos fluem com invejável facilidade. Havia inclusive ficado surpreso que este álbum não fez parte da edição voltada a 1991 da série “Melhores de Todos os Tempos”, na nossa famosa “cota indie”.

Mairon: Outro álbum bastante conhecido por aqui, e que marcou época no início dos anos 90. O som do MBV é bastante viajante, com abuso de experimentações nos vocais e nas guitarras (trêmolos, samplers, entre outros), vide “Blown A Wish”, “I Only Said”, “Touched” e “What You Want” . Outro destaque é o vocal sussurrado de Bilinda Butcher, principalmente em “Only Shallow”. Quem viveu os anos 90, certamente irá lembrar de “When You Sleep”, canção que tocou muito por aqui.  Não há como não viajar em “Come in Alone” e “Soon”, e claro, a delirante “To Here Knows When”. Disco legal de ser ouvido, e uma produção que na época foi orçada em caríssimos 500 mil dólares, e que acabou levando o grupo a falência, já que mesmo sendo um marco no rock alternativo, não conseguiu emplacar nas vendas.


Marvelous 3 – Hey! Album (1998)
Recomendado por Diogo Bizotto

Senti-me em um beco sem saída quando fui confrontado com esse tema. Afinal de contas, rock alternativo e tudo aquilo que a ele é relacionado nunca foi meu forte. Felizmente acendeu-se uma luz ao lembrar-me do ótimo Marvelous 3, que praticava uma sonoridade poppy punk/pop rock com a cara dos anos 1990, mas com um pé fincado no power pop da década de 1970. Pensei inclusive que minha indicação poderia não ser aceita, mas eis-me aqui. Esse tipo de sonoridade dificilmente me agrada, mas o guitarrista e vocalista Butch Walker é um compositor tão bom que o resultado não poderia ser outro, uma série de canções viciantes cheias de ganchos melódicos, refrãos perfeitos e energia transbordando minuto a minuto, tudo orientado pelas linhas vocais de Butch. As baladas “Until You See” e “Let Me Go” são inegáveis destaques, muito superiores a quase tudo que foi sucesso radiofônico na época do lançamento. “Freak of the Week” então, é pura covardia. É chiclete? É sim, mas até hoje não perdeu o sabor. Também merece especial menção “Lemonade”, mais longa e ambiciosa, indicando o caminho que seria seguido no terceiro e último álbum, ReadySexGo (2000). Quem quiser pode conferir aqui minha discografia comentada do grupo.

Diego: Outra banda que eu não conhecia e que foi uma bela surpresa! Ok, o Marvelous 3 não é nenhuma grande banda, na verdade eles são bem medianos, com letras bem abaixo da média e com um som típico adolescente, mas, por algum motivo que nem mesmo eu conheço bem, eu sou atraído por esse tipo de som, especialmente se vindo dos anos 90. Assim como tantas outras bandas dos anos 90 como Fastball, Everclear, Bush, Better Than Ezra, etc o Marvelous 3 calca seu som numa pitada de punk, muito de rock alternativo e um pézinho no power pop pra fazer com que as melodias grudem como chiclete. Não vai mudar o mundo e com certeza não vai mudar a sua vida, mas é o tipo de disco que você bota pra rodar pra ter uma trilha bacaninha enquanto faxina a casa ou lava a louça. Pode ir que eu garanto que funciona!

Fernando: Como vocês pode estar percebendo, além da minha própria indicação não gostei de quase nada dessa lista, mas o Marvelous 3 até que arrancou alguma simpatia. Imaginei colocando esse som em um churrasco à beira de uma piscina e agradando todo mundo.

Ulisses: De longe o disco mais genérico da lista. Ao contrário de discos diferentões da lista, como o Loveless e o Cure for Pain, o Marvelous 3 joga seguro o tempo todo, com um som tipicamente power pop e pop punk com aquele jeitão de “frat boy” que só deve cativar os fanáticos pelo estilo.

Davi: Esse foi o que mais gostei da lista. Disco muito bacana mesmo. Pop rock de primeira qualidade. Ótimas composições, trabalho vocal muito interessante. Embora eles façam um som um pouco mais moderno, peguei bastante de Enuff Z´Nuff nos arranjos, grupo que eu adoro. Principalmente, nas linhas vocais. Certeza que se o Chip Z´Nuff ouvisse “Write it On Your Hand” ele iria querer gravar. “Freak Of The Week”, “Until I See”, “Indie Queen” e “Vampires In Love” se destacam.

Alisson: Pop punk composto por viciados em prozac. A felicidade bate tão forte no disco todo que beira o irritante.

Mairon: Das audições aqui recomendadas, achei esse o álbum mais fraquinho. Lembrou-me um pouco Offspring e Green Day, sem a grandiosidade dos mesmos. Parece que estava ouvindo uma trilha sonora da Malhação americana. Não é um disco ruim de todo, passa tranquilo em uma festinha de amigos para relembrar adolescência, apesar da xaroposa baladinha “Let Me Go”. Honestamente, não consegui tirar nada de bom dele para destacar aqui. Me desculpe o consultor que o indicou.


Terminal Curve – Feeding Frenzy (1994)
Recomendado por Mairon Machado

Conheci esse grupo quando estive em Atenas, e um lojista local indicou-me uma coletânea chamada Act-UP como representativa de bandas gregas que tiveram destaque no país nos anos 90. O som é levado por guitarras carregadas de distorção, unindo hardcore com um pouco de grunge e muitos momentos para sair quebrando o pescoço. Logo de cara, a instrumental “Rise” já chama a atenção pelo equilíbrio entre baixo e guitarra, com boas melodias e o peso claro. O mesmo vale para “In Action”,  e “Walking On The Beach”. Quem curte rock anos 90 irá apreciar a sujeira de “Joy”, “Penetrate”, “Suicide” e “Worship”. A gravação é meio tosca, soando muito próximo de um punk anos 80 em alguns momentos, mais precisamente na segunda metade do disco, como “Don’t You Mess”, “Suicidal Love”, “Soul Drug” e “Terminal Curve”.

Diego: Antes de entrar no mérito da música do disco em si, é bom dizer que a escolha fugiu (e muito) do tema que eu propus. O Terminal Curve faz um hardcore com nuances punk e um pézinho no funk metal tão em voga na primeira metade dos anos 90. De rock alternativo ele não tem nada. É bom frisar que o rock alternativo, apesar de ser um termo usado pra 30 trilhões de bandas, tinha sim um som característico e não é o caso desse disco! O interessante do disco é que ele foi gravado por uma banda grega e lançado em 1994. Pra quem assim como eu vai atrás de sons de lugares sem tradição no rock sabe que os gregos não tem tantos lançamentos fáceis de se encontrar por aí. Infelizmente esse fato também prejudica o disco já que a verão encontrada na web é de pouca qualidade e a qualidade da gravação em si é terrível com uma produção tosca e os timbres dos instrumentos são amadores pra dizer o mínimo. Em suma, parece aquele disco que a banda do seu primo rico gravou em 1994 e que só o fez porque era rico. Não digo que faltou talento para a banda, mas faltou um amadurecimento do som e uma melhor preparação pra gravação. Gravaram esse disco e sumiram.

Fernando: De início alguns acordem que me remeteram ao doom, depois a influência punk/hardcore que tomou conta, mas me surpreendeu algumas passagens quase na linha do metal oitentista. Porém também não me agradou como quase que a totalidade da lista. Acho que rock alternativo mais underground não é minha praia.

Ulisses: Uma boa surpresa nesta lista: banda grega com um som que puxa um pouco para o punk e o metal. Energia constante no decorrer do tracklist e faixas bem legais, como “Sacrifice” e “Worship”. Seria melhor ainda com uma produção mais caprichada, que privilegiasse o peso e a velocidade do registro com maior clareza.

Davi: Banda que faz um hardcore pesadinho com vocais limpo e melódico, mesclado com algumas linhas quase raps. É uma espécie de Suicidal Tendencies subnutrido. Parece que eles não tomaram leite Ninho quando criança. A qualidade de gravação não é das melhores. Caixa da bateria com som de lata de tinta Suvinil, baixo quase não se ouve, som muito agudo. Nesse tipo de som, tem que se destacar o grave para dar mais peso. As composições são ok. Nenhuma abominável, mas nenhuma que você pense ‘cara, que som’. Um trabalho mediano que vale mais pela curiosidade.

Alisson: Mesmo ignorando o fato de isso ser mais um disco de hardcore punk do que um disco de rock alternativo, tudo não passa do genérico, ao ponto de não sobrar muito o que falar aqui.

Diogo: Achei o punk rock do Terminal Curve bem convencional, até pendendo para o lado mais heavy do que para o lado alternativo. Alguns riffs, inclusive, fariam bastante sentido em discos de thrash metal e crossover thrash da década de 1980. Nas mãos de Rocky George e Mike Clark (Suicidal Tendencies), é material que poderia render boas músicas. Na mão desses gregos, alterna entre o satisfatório e o decepcionante. A produção pobrinha também não ajuda, mas músicas como “Penetrate” e “Sacrifice” dão uma boa empolgada. Fica bem claro que o responsável por conduzir a banda é mesmo o guitarrista, pois é dele que brotam as melhores ideias e seus riffs conduzem as faixas. Ao vocalista, falta mais personalidade. Mesmo em um estilo agressivo e despojado como o punk rock, é possível colocar um pouco mais de alma e interpretação no seu trabalho.

9 comentários

  1. Ulisses Macedo

    Pô Davi, nem fico surpreso de você ter achado que o Living era de Recife. Os caras faziam bem mais sucesso lá do que aqui!

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    • davipascale

      Tinha certeza que era de lá pela sonoridade. Tem bastante influencia de Planet Hemp, mas também pego muita referência da galera do manguebeat no som dos caras. De toda forma, já corrigi o texto para não confundir o leitor.

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  2. Diogo Bizotto

    Fiz minha indicação temendo que o responsável pelo tema não o aceitasse, não o considerasse suficientemente alternativo. Mal sabia eu que, das outras seis indicações, duas seriam bem menos alternativas e duas seriam muito mais famosas, fazendo da minha indicação uma das mais bem encaixadas na proposta do Diego. Acho que nosso forte não é mesmo o alternativo…

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    • Diogo Bizotto

      Aliás, fico feliz que o Diego (e o Davi) tenha curtido a indicação. Ter sido bem aceito pelo responsável da vez já é um bom sinal.

      Alisson, se for do seu interesse, dá uma acompanhada nas letras. Muitas vezes, músicas supostamente “pra cima” escondem letras nem tão pra cima assim, isso quando não representam o completo oposto. Exemplos é o que não falta. No momento lembro de “Alive” (Pearl Jam), e “Born in the USA” (Bruce).

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  3. Diogo Bizotto

    Estou um pouco surpreso com essa informação sobre o custo do álbum do My Bloody Valentine. Como afirmei em meu comentário, está bem na cara que se trata de um disco meticulosamente gravado, cujo resultado decorre de muita experimentação em estúdio, mas não imaginei que teria custado tanto dinheiro. Uma coisa é você ser o Def Leppard e vir de um grande sucesso, isso te dá moral para gastar uma nota federal, mas sendo o My Bloody Valentine fica complicado de recuperar isso tudo…

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  4. ALISSON CAETANO

    “Sei que o My Bloody Valentine fez bastante sucesso junto daquele grupo de bandas que se convencionou a chamar de emo, mas não sabia que eram tão antigos. Algumas coisas meio ridículas dos adolescentes que curtiam esse som acabou estigmatizando as bandas e até limitando um eventual desenvolvimento das mesmas. Algumas melodias foram feitas para emocionar adolescentes, mas outras são bem sacadas, alguma coisa de Radiohead aqui e acolá. No todo não é ruim, mas para mim uma audição está de boa.”

    O disco foi lançado 2 anos anos do primeiro do Radiohead, que é grunge puro;
    Se tem alguma coisa de emo nesse disco, eu não sei o que é mais emo.
    Tu ouviu o disco certo?

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    • Fernando Bueno

      Fiz comparações sem nenhum critério cronológico mesmo. Aliás…eu ouvi o disco e depois fui atrás para saber da banda e a impressão já tinha grudado na cabeça. Quando as bandas emo surgiram eu me lembro de ver o grupo sendo apresentado nos mesmos programas, creio que por conta do lançamento do então novo disco deles, em 2013… Posso estar enganado mesmo pq não acompanhei nenhuma dessas bandas. Ahhh…lembrei de uma vez um pouco antes da MTV afundar que eu vi que passariam um show ao vivo de uma banda chamada Imagine Dragons. Eu tava de bobeira num sábado a noite tomando cerveja e fazendo alguma outra coisa e decidi ver esse show pois relacionei o nome da banda ao prog metal…hahahah. Não aguentei três músicas. Não confundi com o My Chemical Romance já que essa eu conheço “bem” pois minha cunhada ouve sempre nos churrascos…rs. Mas posso ter relacionado não intencionalmente….

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