Por Adrian Dragassakis

O Tourniquet é uma das bandas mais difíceis de rotular. Talvez os rótulos sejam mesmo desnecessários, mas como muitos fãs preferem chamar, trata-se de uma banda de “Frankenstein Metal”, unindo um pouco de cada elemento do Metal (digamos que uma mistura de Thrash, Prog, Punk Rock, Speed Metal e afins), um pouco de Jazz e música clássica. Nos seus primórdios, era uma banda de Thrash Metal, mas o estilo foi tomando forma com o decorrer dos anos e mudanças de integrantes.

Bem, o Tourniquet tem como base de composições, os temas voltados ao Cristianismo, jargões médicos, protesto a maus-tratos aos animais e a poesia de Edgar Allan Poe. Sim, parece muita coisa, mas o Tourniquet consegue unir todos esses elementos de maneira bem positiva.

Antiseptic Bloodbath, lançado em 2012, teria como único integrante original, o baterista, multi-instrumentista e compositor Ted Kirkpatrick, o guitarrista Aaron Guerra (que também gravou os baixos no álbum) e o vocalista Luke Easter. Um ponto positivo no álbum, é a excelente produção, feita por Neil Kernon e acompanhada por Kirkpatrick. Uma versão totalmente instrumental, intitulada Antiseptic Bloodbath: Voiceless, também foi lançada, à pedidos de muitos fãs na época.

Luke Easter (vocais), Ted Kirpatrick (bateria) e Aaron Guerra (guitarra e baixo).

O álbum abre da maneira “Tourniquet” de ser, bem fora do convencional, com a faixa “Chart of the Elements”, com um rufo de caixa e gritos de cheerleaders soletrando elementos da tabela periódica, empolgando logo depois com riffs de guitarra e grandes melodias e mudanças rítmicas durante a canção. A letra composta por Kirkpatrick, assim como as demais do álbum, são bem complexas de se entender a primeira vista, mas pode ser interpretada como uma alusão à Ciência x Religião, ou ao que é ensinado nas escolas sobre Cristo (e a polêmica sobre a lei de proibição das orações nas escolas). A faixa conta com a participação especial de Bruce Franklin, guitarrista da icônica banda de Doom Metal Trouble, formada em 1979.

A faixa-título conta sobre o sacrifício de Jesus para a humanidade, além dos maus-tratos de animais em abatedouros e de como a sociedade tenta “sanitizar” toda a crueldade, assim como ilustrado na capa do álbum. Destaque não só nessa faixa, mas em todo o álbum (e talvez em toda discografia do Tourniquet, sem exageros) para o baterista Ted Kirkpatrick. Apesar de não ser um dos mais conhecidos e aclamados, não se pode subestimar o que esse cara toca. Uma curiosidade é que Ted uma vez foi convidado a fazer um teste para substituir Dave Lombardo no Slayer, após sua primeira saída no início dos anos 90.

Pois bem, falemos de mais participações especiais. “The Maiden Who Slept in the Glass Coffin” conta com o lendário guitarrista Marty Friedman (também conhecido por ter sido o guitarrista da formação clássica do Megadeth nos anos 90) em todos os solos de guitarra da faixa. Friedman é um velho conhecido da banda, por ter participado também do álbum Where Moth and Rust Destroy (2003). A mistura entre os violinos e guitarras na introdução é muito interessante, assim como toda a mudança rítmica ao decorrer da canção.

Marty Friedman (ex-Megadeth) é uma das participações especiais em destaque no álbum.

A faixa seguinte, “Chamunda Temple Stampede”, também não perde em termos guitarristicos, com a participação especial de Karl Sanders (Nile) nos solos. Logo na introdução, o guitarrista mostra para quem veio e é realmente impressionante como misturas de estilos tão inusitados podem trabalhar tão bem juntos.

“86 Bullets” tem como participação especial, o guitarrista Santiago Dobles (Cynic/Pestilence). Nessa faixa, Kirkpatrick conta sobre um elefante chamado Tyke e todos os maus-tratos causados em animais de circos. Dobles também participou da faixa “Lost Language of the Andamans”, que assim como “The Maiden…” também conta com uma linda introdução antes de cair no ritmo progressivo e pesado da canção.
O álbum fecha muito bem com as excelentes “Carried Away on Uncertain Wings” e “Fed by Ravens, Eaten by Vultures”. Sem dúvidas, o Tourniquet pode não ter agradado os fãs mais “old-school” dos primeiros álbuns, mas deve-se reconhecer que esse trabalho é um dos mais completos do grupo e para quem não conhece a banda, ou pelo menos essa fase, é um ótimo disco para começar a ouvir.

Track list

1. Chart of the Elements (Lincchostbllis)
2. Antiseptic Bloodbath
3. The Maiden Who Slept in the Glass Coffin
4. Chamunda Temple Stampede
5. Flowering Cadaver
6. 86 Bullets
7. Duplicitous Endeavor
8. Lost Language of the Andamans
9. Carried Away on Uncertain Wings
10. Fed By Ravens, Eaten By Vultures

2 comentários

  1. Diogo Bizotto

    Confesso que nunca parei para ouvir sequer uma música do Tourniquet, apesar de ouvir falar da banda há muitos e muitos anos. Agora chegou a hora de ir atrás de pelo menos alguns álbuns para conferir do que se trata. Os elogios a Ted Kirkpatrick atiçaram minha curiosidade. Obrigado, Adrian.

    Ah, apenas uma correção. Dave Lombardo saiu do Slayer pela primeira vez em 1986, durante a turnê para “Reign in Blood”, sendo substituído por Tony Scaglione (Whiplash). Felizmente, voltou no ano seguinte.

    Responder
  2. André Kaminski

    Também conheço pouco do Tourniquet, ouvi apenas uma vez o disco Vanishing Lessons e era um disco razoável para bom. A banda até tem uma popularidade razoável por aqui no Brasil, mas nunca me clicou de pegar mais do que esse disco para ouvi-los.

    Mas se é um thrash com influências diversas que diz, visto que o estilo não é lá muito afeito a influências diferentes, é provável que eu venha a gostar.

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.