Por Davi Pascale

Crossroads é uma palavra que, na cabeça de quem curte som, possui multi-significado. Pode remeter ao filme com Ralph Macchio contendo o histórico duelo com Steve Vai. Pode remeter ao festival organizado pelo lendário Eric Clapton. Pode remeter ao clássico de Robert Johnson. Mas também é o nome de um interessante programa do canal CMT (Country Music Television), onde uma estrela do universo country divide os palcos com um artista de outro gênero. E muitas vezes, o rock se faz presente. Carrie Underwood, por exemplo, fez o programa ao lado do Steven Tyler (Aerosmith). No caso da Taylor Swift, o escolhido foi o Def Leppard.

Para quem não está por dentro sobre a Taylor Swift… Hoje, a artista vive mais um momento de transição. Assim como aconteceu com Madonna e Christina Aguilera no passado, procura se distanciar da imagem de garota inocente e vender a imagem da garota sexy. A primeira mudança foi quando abandonou o country para abraçar o pop. Na fase desse programa, ainda era considerada uma estrela country e já tinha um nome forte. Especialmente, nos EUA.

Def Leppard já é conhecido de todos nós. A veterana banda de Sheffield começou fazendo heavy metal e depois de alguns anos mudou seu som. Conseguiram criar uma linguagem própria misturando elementos do hard rock com o pop. Hysteria transformou o grupo em um verdadeiro fenômeno e chegou à impressionante marca de 20.000.000 de cópias vendidas.

Não sei exatamente qual é o critério de escolha. Se o artista seleciona com quem gostaria de gravar ou se é meio que uma imposição da emissora. De todo modo, Taylor já havia declarado em algumas entrevistas que Pyromania é um de seus álbuns favoritos. Que era uma influência que vinha de berço, já que sua mãe era uma grande fã da banda. No vídeo, ela cita mais uma feliz coincidência. Ela decidiu entrar no country influenciada pela Shania Twain. Estrela country que era casada e tinha seu material produzido por Mutt Lange. Ou seja, o mesmo rapaz que produziu os discos High n Dry, Pyromania e Hysteria.

É claro… Esse tipo de material é preciso assistir com uma mente mais aberta. Na época desse especial, Taylor era uma menina de 18 anos com apenas 2 álbuns lançados. Sua imagem e seu estilo são distantes ao hard rock contagiante do Def Leppard, mas o resultado final é bem satisfatório. A banda que acompanha Taylor é muito boa. (Inclusive, conheci o guitarrista dela no Kiss Kruise. O rapaz estava tocando em uma banda cover e deixou todos impressionados com sua performance. Especialmente, nos números do Van Halen). Os músicos do Def Leppard, dispensam comentários. A banda sempre foi extremamente profissional. E, sim, eles tocam juntos todo o programa. Ou seja, vocês verão não apenas Taylor Swift cantando Def Leppard, mas também o Def Leppard cantando Taylor Swift.

A garota de Pennsylvania ainda tinha um timbre adolescente, mas inegavelmente já era uma boa cantora. Bem afinada e com um bom alcance. Em relação ao ar inocente que citei no começo da matéria, no palco funciona bem, já que ela ainda realmente era uma garota. O som de Taylor, nessa época, era uma mescla de pop, rock e country. Os arranjos e as temáticas contavam com uma linguagem bem jovem. Eu, particularmente, gosto do trabalho dela, acho ela bem competente, mas não há como negar que é engraçado ver Joe Elliot cantando uma música como “Love Story”, que é uma canção bem inocente. Em canções como “Should´ve Said No” e “Our Song” (presente apenas no extra) achei que a parceria ficou muito legal. Mas, tranquilo, já é esperado nesse tipo de show que algumas canções funcionem melhor do que outras.

Inacreditavelmente, a performance de “Love” (canção do álbum Songs From The Sparkle Lounge) só conta no extra. Ou seja, não foi exibida originalmente no programa. Até entendo que é uma canção menor do repertório do Def Leppard, mas a considero uma das melhores performances desse episódio. Foram transmitidas, basicamente, as músicas mais conhecidas. 4 do repertório do Def Leppard e 4 do repertório da Taylor. “Photograph”, “Hysteria” e “When Love & Hate Collide” ficaram bem interessantes. “Pour Some Sugar On Me”, por outro lado, embora goste bastante da música, achei que não combinou muito na voz da garota.

As músicas são intercaladas com breves entrevistas com  os dois artistas. Esse material também está presente nos extras, sem cortes. Sim, são as mesmas entrevistas, mas sem a edição. Ah, quando assistirem ao show reparem que o baterista dela está usando um adesivo na pele do bumbo que é uma clara homenagem ao grupo britânico.

Claro que esse DVD não é recomendado ao truheadbangermothafuckafromhell. Se bem que acredito que esse tipo de gente não acompanhe mais o Def Leppard nos dias atuais. De todo modo, não deixa de ser algo interessante ver os artistas se arriscando fora do seu território. Mais bacana ainda quando notamos que trata-se de gerações totalmente distintas. (Quando Taylor nasceu, Def Leppard já tocava e já fazia sucesso). Quis trazer esse ítem para cá porque além de ser algo curioso, também é um interessante ítem de colecionador, já que esse vídeo foi lançado oficialmente pela Big Machine Records. O mesmo selo que lança os álbuns da menina Taylor. Fica a dica aos colecionadores do Def Leppard e aos ouvintes curiosos. Vídeo curto, porém alegre e divertido.

Tracklist:

  1. Photograph
  2. Picture to Burn
  3. Love Story
  4. Hysteria
  5. Teardrops On My Guitar
  6. When Love & Hate Collide
  7. Should’ve Said No
  8. Por Some Sugar On Me
  9. Our Song
  10. Love
  11. Two Steps Behind

10 comentários

  1. Fernando Bueno

    Tá aí algo que eu não tinha ideia que tinha acontecido. Eu não me importo com esse tipo de coisas que podem deixar fãs de metal de cabelo em pé. Porém o Def Leppard, apesar de ter muito fã dentro do estilo, já é considerado mais uma banda pop que hard rock.

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    • Davi Pascale

      Sei lá, continuo considerando o Def Leppard uma banda de hard rock.

      Quanto às participações são bacanas porque ajuda a fortalecer o novato, ao mesmo tempo em que apresenta o trabalho do outro para uma nova geração de ouvintes. Tenho certeza que muito fã da Taylor Swift nem sabia quem era Def Leppard até a realização desse programa. Quando o artista tem talento, acho válido.

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  2. Igor Maxwel

    Eu era fã da Taylor Swift quando ela fazia aquelas músicas no estilo mais country, muito antes de mudar de direção musical e se tornar essa “vadia descartável” que todos nós agora conhecemos. E essa mudança fez com que eu me distanciasse cada vez mais da cantora, assim como o caso de vários outros artistas… E sobre o Def Leppard, a banda pra mim só tem um único disco que “presta” que é o Pyromania (1983). Não gosto muito do Hysteria (1987) pelo fato de ter ser sido na época um álbum bastante “ambicioso” e diferente do anterior (mesmo sendo até hoje o mais bem-sucedido comercialmente do grupo), e também pelo fato de “Love Bites” ter ganhado aquela versão ridícula feita pelos babacas do grupo Yahoo. Apenas isso.

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    • Davi Pascale

      Também acho a fase country da Taylor a melhor fase dela. Ainda gosto dela, mas também preferia ela antes.

      Sobre o Def Leppard, acho bandaça. Só não gosto muito do X e do Slang. Os outros discos variam entre bons e ótimos, na minha opinião.

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      • Igor Maxwel

        Parei de gostar da TS quando ela mudou sua abordagem musical, e quanto ao Def Leppard, a banda tem alguns discos bacanas em seu catálogo, mas acho que o melhor e mais equilibrado de todos é o Pyromania.

      • Davi Pascale

        Fico dividido entre o Pyromania e o Hysteria.

    • Davi Pascale

      Sério que você não gosta do Def Leppard? Acho sensacional. Os 5 primeiros álbuns acho sensacionais. Taylor Swift já é mais polêmico mesmo…

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      • Igor Maxwel

        Davi, quando você disse que está dividido entre Pyromania e Hysteria, posso te adiantar o seguinte: Pyromania é talvez o melhor disco do Def Leppard por ser mais conciso, equilibrado, direto e menos cansativo do que o seu sucessor, que é um trabalho mais ambicioso também em termos de duração. Se tirassem dele pelo menos “Excitable”, “Love and Affection” e talvez aquela música massacrada pelo Yahoo que eu citei, teríamos um álbum com menos de 50 minutos de tempo. E também se não acontecesse aquele fatídico acidente em que o baterista Rick Allen perdeu um de seus braços (no caso, o esquerdo), um dos vários contratempos que cercam a história da concepção de Hysteria, eu já gostava mesmo assim deste disco. Mas por enquanto, continuarei a me deliciar com o Pyromania. Vamos dar tempo ao tempo…

      • Diego Camargo

        Eu acho terrível. Aquele treco de Hard Rock meio Heavy Metal mal feito do começo com o ‘mamãe, vou ser famoso agora’ do Hard Rock farofa aguado e sem graça de ‘Rock! Rock! (Till You Drop)’, ‘Rock of Ages’, ‘Pour Some Sugar On Me’, ‘Love Bites’… arrrghh!

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