Por Mairon Machado

Assistir um DVD de um guitarrista solo por vezes pode ser entediante, mas não é o caso de Live at the Astoria London. Primeiro DVD da carreira do guitarrista americano Steve Vai, aqui ele está acompanhado de Tony MacAlpine (guitarra, teclados), Billy Sheehan (baixo, violões, voz), Dave Weiner (guitarras) e Virgil Donati (bateria). Um timaço de primeira, que só podia gerar um show fantástico para os ingleses presentes no Astoria nas noites de 06 e 07 de dezembro de 2001.

Quem pensa que irá ver um Vai tomando conta do espaço dos gigantes MacAlpin e Sheehan, se engana fortemente. Logo de abertura, uma canção de Sheehan é a atração, “Shyboy”, originalmente gravada pelo Talas (primeira banda de Sheehan) e posteriormente, regravada por David Lee Roth no álbum Eat ‘em and Smile, o qual conta com Vai e Sheehan. Aqui, o baixista mostra ser também um ótimo vocalista, o que também o faz em “Chameleon”, gravada por Sheehan em seu primeiro álbum solo, Compression (2001), e com uma ótima participação de Vai nessa faixa tanto no estúdio quanto neste DVD. E como o cara toca. Seja no baixo Yamaha simples, ou empunhando um gigantesco baixo de dois braços, o cara possui uma técnica invejável, e seus duelos com Vai são delirantes.

Vai e Sheehan, com o baixo de dois braços

Os demais membros também possuem destaque. O jovem Weiner (com apenas 24 anos) tem seus segundos de fama em “Dave’s Party Piece”. Tive a oportunidade de vê-lo no show do ano passado em Porto Alegre, e lá, eu afirmava que ele tocava muito. Pois 16 anos antes, vendo ele nesse DVD, atesto ainda mais que o cara é um monstro, e só fica na sombra de Vai por que quer. Já MacAlpine escolheu os teclados para fazer seu solo, o qual apesar de não ter o virtuosismo que o consagrou, é muito bonito.

O batera Virgil Donato dá um show a parte no solo de “Incantation”. Com uma habilidade monstra, o cara faz malabarismos com as baquetas em uma velocidade absurda, sem deixar de bater em pratos, caixa e tambores!! Só vendo para crer.

Virgil “destruindo” no seu solo

Bom, mas e Vai? Dediquei dois parágrafos aos membros da banda de apoio, e não falei nada do nome principal?? Sim meus caros, é necessário comentar sobre os demais, por que os caras tocam muito, mas tocam muito mesmo. Só que nada se compara ao que é Vai em ação. O homem é um showman de alto estilo, ou melhor, como Dave cita, um grande performer. Basta ver a quantidade de luzes e tecnologia que ele usa durante “Bad Horsie” (luzes também presentes no baixo e nas mãos de Sheehan).

Destaco de cara que o DVD irá surpreender por trazer Vai aos vocais. O guitarrista não é um usual do microfone, mas nesse show, resolveu soltar a voz em duas canções em homenagem à Jimi Hendrix: “Fire” e “Little Wing”. E olha, ele fez isso muito bem. Se ele se mantivesse na carreira apenas como vocalista, creio que seria também igualmente reverenciado.

Vai, cheio de luzes em sua guitarra

Falando em Vai usar a boca, a famosa “linguada” nas cordas é feita com primazia durante “For the Love of God”, clássico da carreira do guitarrista, essa é sempre bem-vinda e emocionante, assim como a linda “Whispering a Prayer”, que havia acabado de nascer nos palcos de Vai, e hoje em dia tornou-se tão fundamental quanto “For the Love of God”.

Outro ponto que chama muito a atenção são os duelos de Vai com MacAlpine. Em “Giant Balls of Gold”, eles já dão uma pequena amostra do que são capazes de fazer, mas é durante “Down Deep Into the Pain” que o que sai da telinha torna-se inexplicável. Depois de uma sequência fantástica e veloz de solos entre os dois, com as guitarras nas costas, um executa um solo na guitarra do outro, ao mesmo tempo, com ambos girando ao redor um do outro, ganhando velocidade enquanto a velocidade dos tappings que os músicos estão fazendo aumenta. Inacreditável!

Vai e MacAlpine fazendo coisas inacreditáveis nas guitarras um do outro

Entre vários outros grandes momentos do DVD, há ainda uma entorpecente homenagem para Benny Anderson e Björn Ulvaeus, recriando “One Night in Bangkok”, do álbum Chess (1984), lançado pelos ex-membros do ABBA, e Eric Sardinas participando com sua guitarra ressonadora, e seu slide, em “The Attitude Song”, na qual Vai empunha uma câmera para filmar seus companheiros durante os solos.

Nos extras, estão entrevistas com Dave, mostrando os camarins do palco de Vai, especialmente roupas e artefatos usados pelo Vai no palco, uma entrevista com Billy falando sobre suas experiências na Ásia, mais especificamente sobre comer em Hong Kong, uma hilária sequência do roadie de Vai junto a Dave, com as necessidades do artista principal (15 segundos hilariantes), a aula de baixo que Billy tem de seu próprio roadie (igualmente hilária), assim como Vai tendo aulas de guitarra de seu roadie, Thomas Nordegg, que também concede uma breve entrevista para o DVD. A passagem de som em Astoria e ensaios em Los Angeles, com as faixas “Giant Balls of Gold” e “Erotic Nightmares” também estão presentes, assim como a biografia de cada membro da banda, discografia completa de Steve Vai e acesso ao site do guitarrista complementam o DVD 2.

A famosa “linguada” de Vai

Para quem quer ter uma aula de guitarra, virtuosismo, performance e simpatia, é uma pedida excelente nesse início de ano.

Track list

Contra-capa do DVD

DVD 1

Shyboy

Giant Balls Of Gold

Erotic Nightmares

Blood And Glory

Dave’s Party Piece

Blue Powder

The Crying Machine

The Animal

Bangkok

Tony’s Solo

Bad Horsie

Chameleon

Down Deep Into The Pain

Fire

Little Wing

Whispering A Prayer

Incantation

Jibboom

For the Love of God

Liberty

The Attitude Song

DVD 2

Backstage

Behind-The-Scene Footage

Interviews

Band Biographies

Vai Discography

Los Angeles Rehearsals

3 comentários

  1. André Kaminski

    Eu não assisti ao dvd mas ouvi o ao vivo dessa apresentação. Desses discos de um instrumentista só, considero entre os melhores que já ouvi. O mentor dele Satriani tem qualidade idem no ao vivo.

    Responder
  2. Ronaldo

    Isso aí não é muita fritação não, Mairão? tô meio com receio de ver/ouvir algo kkk…ele, Tony McAlpine e Billy Sheenan juntos…
    Agora essa de entrevistas com roadies deve ser bem legal e insólita!
    Abraço!

    Responder

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