Por Mairon Machado

No dia 30 de novembro, o grupo carioca Caravela Escarlate arrebatou os corações e ouvidos dos proggers brazucas – e por que não, mundiais – com seu segundo álbum, auto-intitulado. O trio, formado por Ronaldo Rodrigues (teclados), David Paiva (baixo, violões, guitarras, voz) e Elcio Cáfaro (bateria) já vinha divulgando, em seu blog oficial, o processo de gravação desse disco, feito no Estúdio Mata (Niterói, RJ). A expectativa de um belo trabalho, principalmente por que as bases das oito canções foram registradas ao vivo em estúdio, foi confirmada positivamente com um registro sensacional e criativo, que estabelece a Caravela como um dos grandes nomes do cenário progressivo nacional.

Das oito faixas, duas são instrumentais, “Atmosfera” e “Cosmos”. A primeira é uma experiência sonora sensacional, com Ronaldo fazendo misérias em seu sintetizador, muito bem acompanhado pela veloz e sacolejante cozinha da Caravela. A segunda é um tour-de-force de 8 minutos, no qual baixo, sintetizadores e bateria se unem para encantar os ouvintes, com um riff grudento que se repete diversas vezes, e um andamento perfeito para viajarmos ao longo de uma audição fantástica. O que David faz com o baixo no final da mesma, é de comer o chapéu.

Caravela em estúdio

Nas faixas com letras, todas a cargo de David, a suíte “Planeta-Estrela” destaca-se pelos seus imponentes 11 minutos e 30 segundos de muita pegada, com um andamento que nos lembra “Yours is no Disgrace” (Yes) em seu início, e que tem vários trechos com fortes referências ao grupo britânico. Da duração total, apenas três minutos possui letra, que em parceria com Tadeu Filho, ex-batera do grupo, mantém o climão viajante e a alta melodia/composição no mesmo nível. Mais de cinquenta por cento (exatamente os seis minutos iniciais) são um delírio instrumental, e os dois últimos minutos, também instrumentais, são dedicados ao lindo solo de Hammond. É fácil uma das melhores de Caravela Escarlate.

Também gostei do climão Terçiano de “Um Brilho Frágil No Infinito”, seja pelos vocais de David, pelos violões e pela magistral presença do moog e do mellotron. As influências de O Terço também estão presentes na pegada de “Futuro Passado”, outra boa faixa do material aqui vos apresentado.

Caravela ao vivo

A introdução de “Gigantes da Destruição” é muito bonita, e o excelente trabalho de baixo feito no trecho central da canção, em uma escala complicada que exige muita competência para executá-la, complementada por lindas camadas de mellotron. O baixão de David também é uma das atrações na faixa “Caravela Escarlate”, junto da ótima linha percussiva de Elcio e a boa presença do moog. Somente “Toque as Constelações” não me agradou, talvez por conta de que me trouxe lembranças de faixas dos anos 80, de grupos que não são muito minha preferência musical. Mas não posso deixar de destacar novamente outra participação interessante do moog, lembrando Wakeman em seus momentos de “suavidade”.

A produção de Sergio Filho auxilia bastante na audição, já que cada instrumento ficou bem destacado, e a linda imagem da Caravela que estampa a capa ficou a cargo de Fábio Gracia. Uma viagem aos anos 70 em uma máquina do século XXI, para apaixonados e seguidores do rock progressivo. Sucesso ao pessoal, e que aportem sua caravela nos mares e rios do Sul em breve.

Capa e contra-capa do CD

Track list

1. Um Brilho Frágil No Infinito

2. Caravela Escalarte

3. Atmosfera

4. Gigantes da Destruição

5. Toque as Constelações

6. Futuro Passado

7. Cosmos

8. Planeta-Estrela

4 comentários

    • Ronaldo

      Valeu Bueno! Valeu Mairon! obrigado pela força!
      Para adquirir o CD, entrar em contato com a banda por email: [email protected] . Para quem quiser adquirir digitalmente (downloads pagos), pode fazê-lo através da CD Baby.
      Abraços,
      Ronaldo Rodrigues

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  1. Marco

    Seria elogio fácil dizer que a Caravela me fez velejar por mares nunca dantes navegados, mas não é verdade. Já viajei muito nesse mar na minha juventude. Aportado, principalmente, em uma praia muito particular: a sala de visitas da casa de meus pais, onde eu tinha meu equipamento de som, meus discos de rock progressivo e um almofadão no chão, espécie de boia que as marolas e ondas sonoras movimentavam a favor das emoções que a música propiciava. Foi assim que eu singrei as águas revoltas do ELP, as calmarias do Pink Floyd, a placidez do Yes e fiz de a Salty Dog e A Plague of Lighthouse Keepers meus maremotos particulares. Agradeço ao Ronaldo e aos demais marinheiros da Caravela essa viagem ao passado. Coisa que só a magia da boa música é capaz de fazer. Me senti realmente de volta aos anos 70, quando só existiam peixes grandes no mar do rock. Que Netuno abençoe a Caravela Escarlate.

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