Por Fernando Bueno

Nós estamos bastante habituados a ler em textos sobre bandas de metal os músicos, quando já foram de outras formações, sendo citados como “ex-algumacoisa”. Mas você já viu uma banda ser tratada assim? É o caso do X-Wild. Em um primeiro momento esse nome pode não trazer nenhuma indicação do que se trata, afinal existem bandas com nomes parecidos como os nipônicos do X Japan ou os americanos do X-Sinner sem a mesma intenção. Para quem ainda não entendeu vou explicar. O X-Wild foi formado em 1993 na cidade de Hamburgo pelo guitarrista Axel Morgan e o baterista Stefan Scharzmann terem acabado de sair, ou “serem saídos”, do Running Wild. Para o baixo chamaram Jens Becker que também já tinha feito parte da trupe dos piratas germânicos do metal.

O Running Wild ao longo dos anos teve quase trinta músicos diferentes. Muito se fala do perfeccionismo de Rolf Kasparek, que cobra bastante dos músicos, mas um outro fator importante é o de que ele exige dedicação exclusiva à banda não aceitando projetos paralelos. Morgan ficou na banda entre 1990 e 1993 e participou dos discos Blazon Stone, The First Years of Piracy e o clássico Pile of Skulls. Scharzmann teve duas passagens de 1987 à 1988, em tocou no ao vivo Ready for Boarding, e 1992 à 1993 também fazendo parte do line up de Pile of Skulls. Jens Becker é o que mais tempo durou em uma formação do Running Wild de 1987 à 1992. Também gravou o ao vivo Ready for Boarding, além da trinca de clássicos Port Royal, Death or Glory e Blazon Stone.

Assim nasceu o X-Wild, nome escolhido não só para representar as origens dos músicos, mas também a linha musical que acabariam fazendo, um heavy speed metal bastante calcado no passado oitentista do metal alemão. Mas faltava um vocalista para completar o line-up. O nome escolhido foi o do inglês Frank Knight que já tinha passado, e passou depois do fim do X-Wild, por diversas bandas de menor expressão. Ainda em 1994 saiu o debut, So What!, o preferido de uma boa parcela dos fãs. Porém ouvindo os três discos em sequência várias vezes em um período que tinha descoberto a existência da banda, há uns três anos atrás, foi Monster Effect que me chamou mais atenção como um todo e por isso trago mais detalhes dele aqui nesse texto, mas desde já recomendo os três álbuns que os alemães deixaram para a posteridade.

Jens Becker, Frank Knight, Stefan Schwarzmann e Axel Morgan

Em “Wild Knight” o clima de guitarras gêmeas e muita melodia da introdução até engana o mais desatento, mas quando entra a bateria com o tradicional pedal duplo e os riffs cortantes os fãs que buscam a sonoridade característica da escola alemã ficam satisfeitos. O refrão também é daqueles de levantar o público ao vivo. No som estéreo é normal a voz sempre ficar no centro, mas aqui cada parte das estrofes se alternam dando uma dinâmica interessante à música. Outro destaque do álbum é “Souls of Sin”, talvez até o maior deles, mais cadenciada que a faixa de abertura e na qual a voz de Frank Knight, uma mistura de Udo Dirkschneider com Rolf Kasparek, aparece mais. Aliás a faixa tem provavelmente o melhor refrão do disco e o melhor solo de guitarra. Sobre a voz de Knight ela foi se diferenciando da do UDO ao longo do tempo. Se no primeiro disco, So What!, as comparações eram inevitáveis, em Monster Effect a semelhança ficou menor e diminuiu mais ainda no terceiro, Savageland (1996).

Uma das características do som do X-Wild são os contrapontos que os backing vocals fazem não apenas executando coros como em “Heads Held High”. Outro ponto que gostaria de destacar é o peso das guitarras. Claro que em estúdio há a dobra da guitarra mesmo com apenas um guitarrista para preencher melhor o som, a minha curiosidade fica como seria ao vivo. Mesmo sabendo que Jens Becker é um baixista muito bom com plenas capacidades de segurar as pontas.

“Dr Sardonicus” e a faixa título são aquelas em que a banda pisou um pouco menos no acelerador em contraponto com “Sinners Are Winners” que é tocada a 300 por hora. Aliás, aproveito para usar a metáfora de carros em velocidade para comentar sobre a instrumental “King of Speed” que tem uma curiosidade muito bem vinda para nós brasileiros. Ela á uma homenagem ao piloto Ayrton Senna falecido naquele inesquecível acidente em Ímola, em um primeiro de maio, um ano antes do álbum ser lançado. Outro ponto alto do disco é “Sons of Darkness”, que gruda na cabeça e é praticamente impossível não querer cantar junto em com o punho cerrado levantado para o alto. Os discos do X-Wild não são fáceis de encontrar – e nem baratos –, mas para quem se interessar e quiser ter a melhor versão tem uma que ainda tem um bônus, “Bodies” do Sex Pistols na qual eles ainda conseguem encaixar um riff do Judas Priest no final da música.

Detalhe do encarte onde há a homenagem ao Ayrton Senna

Depois de Moster Effect o ex-Running Wild, Stefan Schwarzmann, se tornou ex-X-Wild. Frank Ullrich entrou no lugar dele e a banda gravou Savageland. Mas a banda não durou muito mais que isso. Não sei o que houve com Frank Knight depois do X-Wild. Não há registro de que ele tenha participado de alguma outra banda. Axel Morgan também nunca mais apareceu em algum outro grupo. Jens Becker Integrou o Grave Digger a partir do ótimo Knights of the Cross (1998) e está na banda até hoje. Já Stefan Schwarzmann gravou com o UDO, nos álbuns Solid e No Limits de 1997 e 1998 respectivamente e, com o Helloween, chegou a participar da turnê de Rabbit Don´t Come Easy. Foram pouco mais de três anos juntos e três discos e pelo jeito o fim do X-Wild foi mais uma vez causado pela atuação de um empresário sacana que desapareceu com a grana da banda e, para os fãs de metal restou grandes músicas.

1 comentário

  1. José Carlos Araujo de Paula Souza

    Taí uma banda que eu sempre ouvi falar bem, com músicos conhecidos e que nunca parei para ouvir… Corrigirei essa falha imediatamente!!!

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.