The Cage – Dario Mollo/Tony Martin [1999]

9 de outubro, 2017 | por Thiago Reis
Resenha de Álbum
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Por Thiago Reis

Tony Martin é mais conhecido por ter sido o vocalista do Black Sabbath entre 1987 e 1991 e depois em uma segunda passagem entre os anos de 1993 e 1997. Com a banda gravou cinco discos de estúdio, sendo eles The Eternal Idol (1987), Headless Cross (1989), TYR (1990), Cross Purposes (1994) e Forbidden (1995), além de um ao vivo Cross Purposes Live (1995) e uma coletânea chamada The Sabbath Stones (1996). Existe muito preconceito com essa fase da banda, muitas pessoas ainda não conhecem ou não apreciam esse período que rendeu diversas grandes músicas para o catálogo do Sabbath. Se você é daqueles que não gosta da fase Martin no Sabbath, peço que esqueça que houve essa fase na banda e se concentre neste disco que estamos prestes a resenhar, garanto que valerá a pena. Para os que já conhecem e gostam da fase Tony Martin no Black Sabbath, mas desconhecem qualquer outro trabalho realizado pelo cantor fora da banda, sugiro urgentemente que conheçam esse disco.

The Cage é um projeto capitaneado pelo famoso guitarrista italiano Dario Mollo, que também possui notáveis trabalhos com Glenn Hughes no projeto Voodoo Hill. Para The Cage, Dario recrutou Tony Martin. O projeto possui atualmente três discos, sendo eles: The Cage (1999), The Cage 2 (2002) e The Third Cage (2012). Falaremos neste texto do primeiro disco dessa parceria.

Além de Tony Martin (vocais), Dario Mollo (guitarra), o projeto conta com outros grandes músicos, como Don Airey (teclado), Fulvio Gaslini (baixo), Ezio Secomandi (bateria) e Elio Maugeri (backing vocals). Todas as músicas foram escritas por Mollo e Martin, exceto “The Cage” (instrumental), escrita por Airey e Mollo e “Soul Searching”, composta por Mollo, Martin e Maugeri. Além disso, o disco foi produzido, gravado e mixado por Dario Mollo e Kit Woolven no estúdio de Dario. Então vamos às músicas desse grande disco.

A primeira música se chama “Cry Myself to Death”, um hard rock típico de faixa de abertura, com ótimos riffs e excelentes refrãos. Aliás, todas as músicas deste álbum possuem verdadeiras aulas de como se compor um refrão. Merece destaque a linha vocal que Tony Martin executa no trecho “I needed love but you didn’t want me hangin’ round, leave me alone and save your breath”, seguido de um solo muito bem executado por Dario Mollo.

“Time to Kill” é a próxima e a introdução se parece um pouco com “In for the Kill” do Black Sabbath, mas logo depois Dario Mollo entrega riffs rápidos e certeiros e mais uma vez Tony Martin destila excelentes vocais, junto a uma bateria rápida e precisa de Ezio Secomandi. O refrão mais uma vez é destaque, com linhas vocais muito bem executadas na parte “since you left me, I don’t exist, I blame myself, I let it slip, and I lost the reason, I lost the will, got so much time, time to kill”. Aliás, ótimas letras também. A música chega ao seu ponto alto com o solo de Dario Mollo, que mais uma vez nos leva ao refrão. Música que cairia muito bem em um show.

Uma de minhas músicas favoritas, não só do disco, mas de todos os tempos, “The Cage/If You Believe”, começa com um instrumental muito emocionante, um dueto de guitarra e teclado sensacional, com a marca registrada de Don Airey e os solos extraordinários de Dario Mollo que logo recebem uma bateria cadenciada de Ezio, junto a um belo dedilhado de guitarra. A porta de entrada perfeita para os vocais cheios de feeling de Tony Martin. Letra muito bem feita, linhas vocais emocionantes, que caem novamente em um refrão (sim, estou sendo repetitivo) maravilhoso. A ponte entre a estrofe e o refrão também faz muito bem sua parte com os seguintes dizeres: “what goes around, comes around, it’s just another reason to work it out”. Sem exageros, essa música está em meu TOP 10 pessoal de todos os tempos, diante de seu feeling, lembranças pessoais e por representar muito da musicalidade de Tony Martin.

“Relax” vem a seguir com um dedilhado em sua introdução que é literalmente relaxante. Os vocais acompanham esse ritmo, mais uma vez com muito bom gosto, tanto nas letras, quanto no instrumental. Entretanto, o maior destaque desta música é o solo de Dario Mollo, com muito feeling, técnica e bom gosto.

Com um hard rock mais contagiante, “Smoke and Mirrors” entra para quebrar o clima das baladas anteriores. Vocais mais despojados, riffs e cozinha marcando o ritmo e uma ponte entre verso e refrão de muito bom gosto, com a seguinte letra: “some girls, they look real pretty but they tell you lies, some girls, wear a thin disguise, but I see”. A partir da metade da música o show fica por conta dos instrumentistas, que mostram suas habilidades, com solos e passagens muito interessantes de bateria e baixo.

“Infinity” é a próxima e é uma das músicas que menos me chamou atenção, apesar de ter um riff cadenciado que gruda na cabeça sempre que o ouvimos, além de um solo que em determinados momentos lembra o bom e velho Rainbow.

A próxima é “Dead Man Dancing” que mostra um pouco da variedade deste álbum, com alguns ritmos diferentes e um riff bem fora do comum. Destaca-se a bateria de Ezio Secomandi ao acompanhar os riffs diferentes de Dario. Como o próprio nome diz, é uma música dançante, que cai em um refrão cheio de feeling. Mais uma música que se apresenta como um potencial hit ao vivo ao possuir vários elementos que realmente chamam a atenção do ouvinte.

“This Kind of Love” é um autêntico hard rock, com um riff “feliz” e letras bem positivas, como no refrão: “this kind of love could last forever, this kind of love you don’t finde ver, it’s only love but you can make it feel like heaven”. Contagiante e que tem potencial para atingir outros públicos fora o do hard rock. A penúltima faixa é um cover de “Stormbringer” muito bem executado por músicos de alto gabarito. Podemos dizer que fez jus à original.

“Soul Searching” cumpre perfeitamente o papel de “closer” do disco. De fato, é a melhor música do álbum, com uma belíssima introdução que possui belas passagens de teclado e baixo fretless e um dedilhado extremamente emocional. Vocais que captam perfeitamente a letra da música e que explode em um refrão que foge a qualquer classificação com palavras, se torna necessário escutar Tony Martin proferir as seguintes palavras: “soul searching, I know I have to do some, soul searching, to find the answer, soul searching, It’s all that I can do I’m soul searching, to find the truth”. Escuta-se esse trecho com vontade de ouvi-lo no repeat por muitas e muitas vezes. Toda a música é coberta de feeling, instrumental perfeito e vocais sensacionais. Com certeza “The Cage/If You Believe” e “Soul Searching” estão entre minhas favoritas não só do álbum, mas de todos os tempos. A faixa se encerra com mais uma bela passagem lenta e muito profunda, com a seguinte letra: “another time, another day, I would never have turned you away, does it matter anyway, now you’re gone”. O timimg e ritmo perfeito para o encerramento de uma grande música.

Destaca-se além das músicas de extremo bom gosto, uma produção impecável, características dos discos que Dario Mollo produz (vide os álbuns do Giuntini Project). Para aqueles que não gostam de Tony Martin no Black Sabbath, eu recomendo novamente de maneira urgente que escutem esse disco sem preconceitos. Existem de fato alguns tesouros escondidos neste disco.

Track list

  1. Cry Myself To Death
  2. Time To Kill
  3. The Cage / If You Believe
  4. Relax
  5. Smoke And Mirrors
  6. Infinity
  7. Dead Man Dancing
  8. This Kind Of Love
  9. Stormbringer
  10. Soul Searching



4 Comentarios

  1. Mairon disse:

    Pombas Thiago, que sonzeira essa “Time to Kill”. Me lembrou um pouco de Rainbow. Muito bom!!

    • Thiago Reis disse:

      Verdade Mairon, sonzeira boa. E muito boa comparação com o Rainbow! Essa geração de guitarristas italianos é muito influenciada pelo Blackmore….

    • Mairon disse:

      Achei exagerado os teclados em “Stormbringer”, mas a música em si ficou muito fiel ao original, e obviamente, uma bela paulada!!

      • Thiago Reis disse:

        Opa….verdade Mairon! Eu acho esse disco sensacional, sou meio suspeito para falar. Por ser um álbum meio desconhecido, acho que vale a pena a garimpada!

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